Lino Vitti - Príncipe dos Poetas Piracicabanos

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O Príncipe e sua esposa, professora Dorayrthes S. S. Vitti

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60 anos de Poesia


segunda-feira, 19 de abril de 2010

Conto - Tragédia na ponta de um pau


(foto Diogo Gaspar)
Tragédia na ponta de um pau
Lino Vitti

Anda a humanidade ingurgitada de tragédias de todos os calibres, modos e maneiras,
diversidade essa que a traz em constante “ser ou não ser”, segundo cogitar poético de
ilustre representante das tragédias de antanho.
Dentre as inumeráveis formas de contar a vida, fui buscar na roça, numa árvore da
roça, na ponta de um galho seco da árvore da roça, o motivo para estas elucubrações
fantasiosas a que, desenvolvido “quantum sátis”, nos orgulhamos, patotisticamente, de
chamar Conto.
Conta-se assim que o Zé Querêncio, sitiante dos bons, dono inconteste de umas terras
agrícolas, altamente dignas de seu trato a poder de enxada, arado, foice e bestas ruanas,
desperta, alta noite –– noite negra como o breu, dizem –– a ouvir, vinda da escuridão
impenetrável, uma voz, ou melhor, uma gargalhada enigmática.
- Ué! Quem é esse cara que se mete a rir, perdido na noite? Alma penada, meu
Deus?
E a risada noturna e soturna bisava, sob a curiosidade da noite toda estrelas – uma
curva e imensa peneira de pingos de ouro invertida sobre a paisagem negra do sítio.
O caboclo encabulava.
Noite seguinte, a semi-sinistra risada encafuada no negrume, surdia novamente. E o
caboclo cismava, cismava, e perdia-se fantasiando a cabeça rústica em mil e uma
interrogações.
- Que será, que não será?
Compadre Vicente, padrinho do caçula, tinha sítio próximo. De uma feita casual
encontro propíciou a Zé Querêncio oportunidade de desfazer a misteriosa “coisa” a
espalhar gargalhadas noite a dentro, noite afora.
- Ché, compadre – adiantou o Vicente. Então você não sabe? Esse estrupício de
risada é o Urutau, o canto do Urutau.
- Verdade, Vicente? Então não é assombração, nada dessas coisas de assustar a
gente?
- Imagine! Passe lá no meu sitioca e eu lhe mostro a “assombração”...
Querêncio foi. E viu!
Viu o Urutau. Um pássaro estranho, da cor de galho seco de árvore. Grudado na
ponta do pau, mimetizado com ele em tudo, viu o dono daquela casquinada noturna,
imóvel como uma estátua, em riste, como se fora a continuação do próprio galho.
- Mas, Vicente, isso aí fala, ri, assusta?
- Claro, compadre – sentenciou o outro.
E dando uma de entendido, desfiou diante do vizinho, atento e embasbacado, tudo
quanto sabia sobre a misteriosa ave.
- Você vê, Querêncio, isso é feio que dói. A feiura, porém, não lhe tira a graça de sair
por aí, por pomares, capões de mato, barrocas ciliares a rir da vida e de nós caipiras,
muitas vezes assustando aqueles que o ignoram e o seu modo de vida: - de dia, como um
monge em oração, como duas mãos unidas em prece, quietinho, garimpado no topo de um
galho de árvore; de noite, voejando pela escuridão, a rir, rir, de “nóis” e a mandar pro
bucho borboletas, mariposas, lacraias, besouros, ratos e tudo quanto invente povoar de
vida os canfundós da roça...
Vicente calou-se um minuto, bateu fósforo e baforou uma nuvem cheirosa extraída do
seu cigarrão de palha, dando uma banana a essa mania civilizada que veta a delícia caipira
de tragar o saboroso fumo de corda do Bairrinho.
Depois, satisfeito o vício, prosseguiu:
- Então, compadre, esse estapafúrdio que você vê, grudado no pico do galho seco, faz
dele moradia e ninho. Mora e cria. Não tece nada. O ovo que bota, único e anual, gruda-o
no ventre, tal e qual a raposa (os cientistas tem um nome para isso) e choca-o sob as penas
do peito, durante 40 a 45 dias. Daí, Querêncio, o filhote nasce e começa a botar a
cabecinha de fora, com medo decerto do mundo grande que vê além das penas maternas.
Depois de duas e pouco mais de semanas, o passarico, que já não cabe mais no seio macio
de plumas, mete-se ao lado do pai ou da mãe, passando o tempo abraçado pelas asas
maternais. Empena, cresce, voa... e sai pelo mundo a povoar novos cumes de novos galhos
secos, de novas árvores...
Compadre Zé Querêncio suspirou profundamente ao calar-se a voz de outro.
Ruminava no íntimo de todas aquelas novidades estranhas sobre um gargalhar noturno que
povoa as noites rurais, nada mais do que um canto ancestral de ave noctívaga, símbolo de
mistério, figura fantasmal do mundo alado do campo e da noite sertaneja!
****
Pingaríamos aqui o ponto final da história. O Zé Querêncio, todavia, não nos deixa. E
não nô-lo deixa porque a sua rude curiosidade nos diz que o Urutau e sua criaturinha não
se deram bem com a vida. Certa manhã, espairecendo pelas terras do compadre, foi até a
“casa” do pássaro para revê-lo e ao seu filhote.
E aí, a tragédia. A ponta do pau seco, vazia. No chão, mãe e filho, estraçalhados. Por
que? Por quem? Mistério! Esses acontecimentos da natureza, são iguais aos
acontecimentos trágicos humanos. Inexplicáveis! Insolúveis!
E a memória querenciana, num retorno repentino aos dias do passado reviu, por
caprichoso e doloroso recordar, num relancear de fatos, a tragédia – tal e qual a do infeliz
Urutau e sua prole – da sua esposa e filho tragados pela fatalidade do infortúnio.
Foi assim.
Temporal inclemente vergastou com o chicote de sua terrível ventania e a fusilaria de
seus raios e trovoadas, horas seguidas, a soberba paineira alcandorada e gloriosa ao lado
da casa, florida de roxo, às vezes; outras, crivada de painas esvoaçantes. Vergastou,
chicoteou, sacudiu raivosamente até que o roble secular cedeu à fúria que o prostrou ao
solo, e, de roldão, tombou sobre o teto da casa, esmagando, sinistramente, a esposa e o
pequeno caçula.
Zé Querêncio – como agora – diante da desgraça, emudeceu, mudamente chorou,
carregando para sempre aquele quadro inominável. Quadro que revivia em toda plenitude,
em dolorosa lembrança, ao contemplar no chão, inertes e destroçados, como sua cara
consorte e seu querido filhinho, inertes e destroçados pela natureza enfurecida e
impiedosa.
Há momentos na vida em que esquecer é o melhor remédio, talvez, o mais profundo
consolo.
Frente a frente com o drama que a manhã roceira lhe apresentara, numa realidade
inarredável, e, frente com a realidade de um passado que não se apaga jamais da
lembrança de qualquer mortal, Zé Querêncio optou pelo alívio medicinal do esquecimento.
Cavalgou o alazão. A galope, se afastou envolto num halo de nostalgia, daquela
paisagem recordativa e entristecedora, daquele inusitado acontecimento a cavar-lhe da
sepultura de um ontem doloroso, a imagem de um quadro que tanto quisera esquecer, mas
viera à tona face a face com aquele infeliz desfecho de um lar alado, desfeito por não se
sabe que mão do destino.
Tal e qual, talvez, a mesma e incomplacente mão terrível que se comprazera em
derruir, inexorável, um Urutau e sua prole, cuja felicidade vivencial se encontra apenas no
pico de um velho e seco galho de árvore. É por isso que a canção popular canta: “Eh! Vida
malvada, não dianta fazer nada, prá que se esforçar se não vale a pena trabalhar”.
Zé Querêncio cavalgou, cavalgou. Esqueceu da vida, esqueceu do mundo. A noite
fechou e o céu desdobrou um dilúvio de estrelas. Contemplou-as por momentos. Ora, lhe
pareciam lágrimas luminosas, ora risos caricatos.
- Para onde vai, compadre? – Perguntou-lhe, no meio da escuridão, a improvisada e
imprevisível presença do Vicente, retornando da vila onde estivera às compras.
Silêncio!
- Para onde vai, repetiu o vizinho.
- Pro inferno, compadre! Pro fim do mundo! “Prum” lugar onde não tem dessas
coisas!...
E castigou a besta que saiu a galope pela cegueira da treva noturna.
O tátátá... tátátá... da cavalgadura enchia lugubremente a imensidão da negra
paisagem, assustando as estrelas piscantes e a lua cheia que o espiava no horizonte
indefinido, qual carantonha enorme a rir de sua desgraça.
De súbito, alguém gargalhou, em casquinada fantasmal dentro do enigma da noite...
Zé Querêncio estacou. Assuntou a vastidão silente e trevosa, cuspiu para o lado, em
protesto contra aquela inoportuna gargalhada e berrou, loucamente, para a paisagem:
- E ainda você dá risada, seu porcaria?!...
Só o eco tristonho dos vales, das florestas, dos montes, respondeu ao protesto do
Querêncio.
O luar pleno banhou de luz macia a vastidão da paisagem.
****
Poder-se-ia encerrar assim e aqui a minúscula história.
Exigem contudo a lógica e a final clareza dos fatos saiba o possível leitor de que
profundez noturna, de que goela estúpida, de que treva cega, de que origem inominada
surdira aquele motejo cabalístico, aquele irônico rir, enegrecendo mais ainda a alma
entenebrecida do infelicitado caboclo.
Para Zé Querêncio, machucado pelas lembranças funestas da fatalidade,
inopinadamente ressuscitadas pelo imprevisto quadro contemplado ao amanhecer, ficava
difícil compreender que tinha um irmão de desdita, que aquele gargalhar dolorido era o
canto de dor que ia n’alma de um pássaro igualmente ferido pela infelicidade.
Ele sobrevivera à tragédia. O Urutau, também. Ambos ficaram sós no mundo,
testemunhas únicas de um lar ditoso, estraçalhado por um terrível destino. Sofriam um e
outro a mesmísssima dor.
Zé Querêncio chorava; o Urutau ria. O homem precisa saber contudo que a natureza e
a vida são contrastantes. O riso do Urutau também é pranto.
Duas, então, eram as vítimas.

Um comentário:

Anônimo disse...

Parabéns, Lino! Gostei da história. Tocou-me especialmente, a mim que moro no campo e ouço sons noturnos ainda bastante misteriosos... É a beleza da mata, da natureza e o que assombro que ela nos causa, sempre! Um forte abraço da Marisa Bueloni

PRÍNCIPE DOS POETAS DE PIRACICABA

CURRICULUM VITAE
( Síntese de Vida)
NOME – Lino Vitti
IDADE – 08/02/1920
ESTADO CIVIL – Casado, em únicas núpcias, há 56 anos, com a Professora Dorayrthes Silber Schmidt Vitti
FILIAÇÃO – José e Angelina Vitti
NATURALIDADE – Piracicaba, Estado de São Paulo –Brasil
Bairro Santana , Distrito de Vila Rezende
VIDA FAMILIAR
Casamento Civil e Religioso em comunhão de bens, Pai de sete filhos: Ângela Antónia, Dorinha Miriam, Rosa Maria, Fabíola , Lina, Rita de Cássia, Eustáquio.
VIDA PROFISSIONAL
Aposentado como Diretor Administrativo da Câmara de Vereadores de Piracicaba, e como Redator do “Jornal de Piracicaba”. Exerceu atividades no comércio, no Magistério, na lavoura até os l3 anos, na municipalidade local, como bibliotecário, lançador de impostos, protocolista, Secretário Municipal.

VIDA CULTURAL
ESCOLA PRIMÁRIA –
Grupo Escolar “Dr. Samuel de Castro Neves”, Santana, seminarista vocacional ao sacerdócio por seis anos, no Colégio Santa Cruz, da cidade de Rio Claro (SP), onde cursou humanidades, línguas, religião, ciências, matemáticas, música.
CURSOS –
Formou-se Técnico em Contabilidade, lecionou latim, francês, datilografia.

VIDA RELIGIOSA
Católico, Apostólico, Romano, fez curso de religião em seminário dos Padres Estigmatinos, foi organista da Catedral e da Igreja de São Benedito, de Piracicaba, e Congregado Mariano.
VIDA LITERÁRIA
Bafejado por ensinamentos de sábios sacerdotes em colégio de formação religiosa, recebeu extraordinário acervo literário que lhe propiciou enveredar pelo caminho da poesia, da crônica, dos contos, do jornalismo, havendo editado de l959 a 200l sete livros de poesias e contos, com edições em milheiros de volumes, os quais estão aí para satisfazer o gosto daqueles que apreciam a arte literária.
São seus livros : “Abre-te, Sésamo”, l959; “Alma Desnuda”, l988; “A Piracicaba, Minha Terra”, l99l; “Sinfonia Poética”, de parceria com o poeta Frei Timóteo de Porangaba; “Plantando Contos, Colhendo Rimas”, l992; “Sonetos Mais Amados”, l996 e “Antes que as Estrelas brilhem”, 200l. O poeta conta ainda com o prazer de haver composto hinos para diversos municípios, bairros rurais, entidades sociais diversas, continuando a colaborar ainda, após os 83 anos em colunas literárias e com artigos de ordem geral em jornais da terra.
Faz parte da Academia Piracicabana de Letras que lhe outorgou o título honorífico de “PRÍNCIPE DOS POETAS DE PIRACICABA’.
Foi-lhe concedida Pelo Município de Piracicaba, através de sua Secretaria da Ação Cultural, a MEDALHA DE MÉRITO CULTURAL, “ Prof. OLÊNIO DE ARRUDA VEIGA’; é detentor do TROFÉU IMPRENSA, concedido pelo Lions Clube de Piracicaba, centro, e da MEDALHA ITALIANA, concedida pelo governo italiano de Benito Mussolini aos alunos de escolas e seminários de origem daquele país que tivessem se destacado em redação de trabalhos literários escritos na língua de Dante.
O Município de Saltinho, para o qual contribuiu com o Hino dessa comunidade municipal , conferiu-lhe o título de “Cidadão Saltinhense”.

DISCURSO

Por ocasião do lançamento do livro de poesias “Antes que as estrelas brilhem “, pelo poeta Lino Vitti foi proferido o seguinte discursos:

Exmo. Sr. Heitor Gauadenci Jr. dd Secretário da Ação Cultural

Exmo. sr. António Osvaldo Storel. dd. Presidente da Câmara de

Vereadores de Piracicaba

Exmo.sr. Moacyr Camponez do Brasil Sobrinho, dd. Presidente do Instituto Histórico e Geográfico

Exmo,. sr. Henrique Cocenza, dd. Presidente da Academia Piracicabana de Letras

Exmo.. Sr. Ésio Pezzato , anfitrião desta solenidade

Senhoras e Senhores

Pela sétima vez (graças a Deus) em minha vida lítero-poética vejo-me guindado a uma tribuna improvisada (o que é bom porque torna o fato mais popular), para proferir um discurso de agradecimento, ao lado da oferta de um novo livro de versos. É teimosia essa de poetas em desovar sua produção para que mais gente participe de suas tiradas, muitas vezes fora de forma e de ambiente, mas que o poeta não vê porque , ao editar um novo livro está cego pela emoção , como se fosse a vez primeira. Está aí o Ésio Pezzato, responsável por mais esta minha invasão no mundo das letras poéticas, para dizer se não é assim. Para dizer se não sofre também dessa doença feliz de editar livros e mais livros a ponto de perder a conta, já que a esta altura ele não sabe se já está no décimo ou décimo primeiro. E ainda continua batendo dedos de métrica, sabemos lá por quantos anos ainda !

Tenho um ex-colega de seminário, prof. Hildebrando André, aposentado como professor universitário e com o qual mantenho longa e pródiga correspondência, que não se cansa de enaltecer a felicidade de Piracicaba contar com tantos poetas e poetisas. Tem razão ele, pois se apenas dois deles já conseguiram editar l8 livros de poesia, imagine-se as centenas que seriam necessárias para dar um pouco de vazão a essa raridade intelectual que toma conta da minha terra!

Este meu livro vem à lume por obra e arte do prefeito José Machado , seu Secretário da Ação Cultural e de seu zeloso servidor Ésio Pezzato que se entusiasmaram diante da recitação de diversos poemas meus por um grupo de jograis, alunos da UNIMEP, e impressionados decidiram patrocinar a publicação deste livro, pois entenderam que Piracicaba poética merecia conhecer em mais profundidade o seu príncipe da poesia. E aí está, lindo e impecável, entregue às mãos do povo de Piracicaba, que indistintamente de cor, estudos, intelectualização , posses financeiras, categoria de trabalho, com religião ou agnóstico, jovem ou adulto, roceiro ou citadino, aí está, para quiçá, momentos de lazer e sonho. Sonho , sim, porque a poesia é terrivelmente sonhativa , vive no mundo da fantasia, alicerça-se nas bases da emoção e brota do âmago mais profundo do poeta, e para que as filhas de Eva não reclamem, da poetisa também.

Alguém me perguntará? Como é ser poeta? Juro, nunca pensei nisso. Acho que ninguém consegue ser poeta. Já é. Nasce feito, como dizem.

não é verdade Maria Cecilia, Ivana Maria, Ésio Pezzato , Prata Gregolim, Marina Rolim, Valter Vitti, Mario Pires, Saconi, e tutti quanti enfeitam com seus lindos versos as páginas do “ Jornal de Piracicaba, ou da “Tribuna Piracicabana , e assim também esse cacho imenso de livros poéticos que quase semanalmente são dados ao conhecimento e sentimento público de nossa terra ? Tornando-se um privilégio de uma cidade, como disse alhures o supra citado meu colega seminarístico Hildebrando André. ?

Não se suponha que para ser poeta é preciso ter nascido em berço de ouro ou em centros intelectuais de enorme repercussão. Nada disso. Tenho um soneto que define bem esse fato. É assim: “Eu não sou o poeta dos salões / de ondeante, basta e negra cabeleira] não me hás de ver nos olhos alusões / de vigílias, de dor e de canseiras. // Não trago o pensamento em convulsões,/ de candentes imagens, a fogueira. / não sou o gênio que talvez supões/ e não levo acadêmica bandeira.// Distribuo os meus versos em moedas/ que pouco a pouco na tua alma hospedas / - raros , como as esmolas de quem passa. / Mas hei de me sentir feliz um dia/ quando vier alguém render-me graça/ por o fazer ricaço de poesia. // “ . Poetas e poetisas saem do nada , devem trazer o selo ou o bilhete de entrada nesse reino encantado desde o útero materno, embora ouse eu afirmar que a vida é também uma grande mestra , as influências da mentalidade circunvizinha,

o próprio meio ambiente, podem , em circunstâncias outras , plasmar um poeta .

Eu fui plasmado , por exemplo, por entre maravilhas campestres. A roça ou o campo são fantásticos criadores de poesia. Ela anda atapetando por todos os cantos a natureza, as gentes, os animais, os atos e fatos. e a cabeça daqueles com quem ela convive. E o poeta, criador por excelência, se abebera de todas as belezas esparsas pelas colinas, serras, vales e descampados , para transformar tudo em versos e rimas, ou em versos simplesmente, onde pululam , como cabritos silvestres, as figuras literárias, os tropos, as sínteses, as comparações, e todos os anseios que lhe vão no imo da alma. Para satisfação própria e para satisfação dos que convivem com o poeta. E´ por isso que se botardes olhos curiosos sobre meus poemas havereis de tropeçar a todo o momento com um motivo roceiro, pois trago uma alma plasmada pelas belezas rurais de Santana, Santa Olímpia , Fazenda Negri, e especialmente por aquela colina encimada ,no cocuruto, pelo prédio do grupo escolar, onde aprendi a ler e escrever e a poetar.

Peço desculpas por haver-me prolongado um pouco nestas elucubrações poéticas, desobedecendo aos conselhos do amigo Ésio que continua exigindo de mim discursos improvisados, o que seria tão para os ouvintes , que ansiosamente aguardam o momento de bater palmas acabando assim com a verborragia oratória.

Não posso entretanto encerrar esta breve alocução sem deixar consignados meus agradecimentos do fundo do coração ao prefeito José Machado ,ao seu Secretário da Ação Cultural Heitor Gaudenci Junior, ao seu sub-secretário poeta Ésio Pezzato, ao prefaciador Moacyr de Oliveira Camponez do Brasil sobrinho, aos queridos opinadores Maria Cecília Bonachella, Maria Ivana França de Negri, exímias poetisas, prof. Elias Salum e a minha filha Universitária Fabíola Vitti Moro, pela maravilhosa capa, Editores e toda equipe de funcionários , à minha esposa pela sugestão transmitida ao prefeito com relação ao advento desta obra, aos digitadores Nair , minha nora e neto Leonardo, e outros que possa ter esquecido, como é fácil em cachola idosa, - meus agradecimentos repito, pela reunião de esforços e trabalho que tornaram possível o advento de mais um livro de minha lavra.

Obrigado “ em geralmente” como dizem nossos cururueiros, aos que ilustraram com sua arte musical esta solenidade e assim também a todos quantos acharam um tempinho para vir prestigiar-me nesta tarefa de cultura e arte. Levem a certeza de que nada mais desejo do que engrandecer com minha poesia a terra que me viu nascer, a terra que me viu crescer, a terra que me proporcionou oportunidade para chegar a um cargo tão nobre quão dignificante de “Príncipe dos Poetas de Piracicaba”

Meu carinhoso obrigado também aos meios de comunicação, de modo especial “Jornal de Piracicaba”, na pessoa de seu Editor Chefe Joacyr Cury , de “A Tribuna Piracicabana”, na de seu diretor Evaldo Vicente, pela divulgação caprichosa deste evento que afinal nada mais é do que mais uma demonstração da exuberância cultural da Noiva da Colina.

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