Lino Vitti - Príncipe dos Poetas Piracicabanos

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O Príncipe e sua esposa, professora Dorayrthes S. S. Vitti

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60 anos de Poesia


quarta-feira, 9 de maio de 2012

FRIO, BRRRRR...



ALGUMA CRÔNICA (LVIII)
 Lino Vitti

Pior coisa para a saúde de velhos e crianças é evidentemente o frio. O inverno, os ventos sulinos, as cerrações matinais.
O Inverno, no Brasil, é o meio-verão na Europa, embora o quê, não deixa de ser chato, detestável, veículo inarredável de mil e uma formas de resfriados, gripes, pneumonias e coisas desse jaez, sem contar com as dores lombares, musculares, ósseas, nerviculares com que a estação costuma impingir a pessoas humanas.
O Inverno, originário do Polo Sul, se compraz trazer desse quadrante todo o tipo de vento frígido, iniciando sua ação incômoda a partir das oito ou nove horas da manhã e assoprando, de modo contínuo e desmancha-prazeres, até horas tardias da noite, quando parece perceber a inutilidade de suas implicâncias porque a humanidade se envolve em cobertores, colchas, pijamas grossos, para espantar o desumano vento sulino. Arrefece então, para voltar no dia seguinte com novos assopros gélidos, num rodízio terrível que espanta a alegria, a vontade, até os desejos justos e inamovíveis dos casais felizes, porque o diabo do Inverno impede até os prazeres conjugais, a menos que o dinheiro fale mais alto e propicie aos felizardos uma alcova tépida e adequada ao ato da humana procriação.
As cerrações, névoas ou neblinas têm presença certa nas manhãs de inverno, assenhoreando-se do sol que fica escondido atrás dos novelos brancos até horas de preguiçoso levantar, ruas, praças, jardins, prédios, avenidas, tudo, na cidade fica enovelado pela neblina. Compacta e fria mal deixa coar as pessoas, a caminharem como fantasmas, através daquela brancura gelada. Carros, ônibus, caminhões, são massas informes a perfurarem os blocos frígidos de cerração, macia com se todo o algodão do mundo tivesse se concentrado sobre a cidade e sobre o campo, onde tudo fica enfurnado numa brancura álgida, escondendo dos olhos bestas, árvores, prédios, ranchos, seres humanos, montes e vales, como se Deus houvera estendido sobre a paisagem um lençol imenso de linho de horizonte a horizonte. E o negócio é que daquelas alvuras frígidas brotam vozes, surdem cantos, cacarejos, pios, berros. Ouvem-se, mas não se vêem. Não se adivinha sequer de que quadrante vem aquele rumor de vozes encasteladas dentro do rolar em nuvens da cerração matinal. Os pintainhos reclamam da frialdade esguelando-se e pios friorentos, pedindo asas e penas maternas. Cabras, cães, cavalos, bezerros, bois, e tutti quanti, como que viram estátuas enregeladas dentro daquela frigidez branca, imobilizando-se à espera do rei-sol. À espera de um raio quente que empastele aquela alva nebulosidade e a remeta para longe, para o sopé da serra ou o fundo das barrocas, onde ainda se podem ver alguns fiapos da noite perdidos. A espera de que os pássaros desfiem seus chilreios saudando a luz cálida que está empacada por trás da muralha alvadia da neblina hibernal.
O inverno é, claramente dizendo, aborrecido e aborrecedor. Encastôa tristezas na alma humana e distribui desgostos na natureza. Tanto na cidade como no campo sói estender um tapete fastidioso transformando seres animais e vegetais em algo irreconhecível, pois vê-se-lhes faltar ânimo, interesse, vontade, alegria de viver, porque trazem o corpo estanguido, se animal, e copas tristonhas, se vegetal.
É no inverno que os lenços – esse tradicional quadradinho de pano fino – saem das gavetas e deixam amiudamente os bolsos, para o serviço de sapa das narinas chamadas a enfrentar o incômodo pinga de liquefeitos humores corpóreos. E a cada lance, um rumor estranho a ferir os ouvidos adjacentes, obrigados a escutar um trovejar contínuo de assôos e espirros trazidos ao homem pelo frio ancestral de Dom Inverno.
Pelo que ficou dito, percebem os friorentos leitores que não aprecio nada, nada mesmo, o tempo de frio. Quando muito poderia dedicar-lhes uns versos frios com o próprios tempo, ao ver a luta do sol para derribar as névoas que encobrem o mundo e o seu cantar vitória quando lá pelas 10:30 ou 11 horas, rompe a montanha branca da neblina, para expandir-se numa glorificação luminosa e feliz.

Lino Vitti (ainda poeta aos 82 anos)

De onde vem essa dor da natureza,
de onde vem essa dor que tudo esfria?
Esse sofrer que o Inverno põe à mesa,
que o viver e as pessoas arrepia?

Branquicenta e pingante vejo-a presa
ao algente nevoeiro quando o dia
irrompe um sol mortiço (Que tristeza!)
O Inverno é feio com a própria harpia*.

Outro Inverno, porém, nesta hora vejo,
contra o qual, todo angústias, eu pelejo,
contra o qual, angustiados, pelejáveis.

É a Vida que se esvai, no Inverno finda!
Faz frio, tiritamos, foi-se a linda
E querida manhã que tanto amáveis.


* Harpia: monstro fabuloso com rosto de mulher e corpo de abutre  

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PRÍNCIPE DOS POETAS DE PIRACICABA

CURRICULUM VITAE
( Síntese de Vida)
NOME – Lino Vitti
IDADE – 08/02/1920
ESTADO CIVIL – Casado, em únicas núpcias, há 56 anos, com a Professora Dorayrthes Silber Schmidt Vitti
FILIAÇÃO – José e Angelina Vitti
NATURALIDADE – Piracicaba, Estado de São Paulo –Brasil
Bairro Santana , Distrito de Vila Rezende
VIDA FAMILIAR
Casamento Civil e Religioso em comunhão de bens, Pai de sete filhos: Ângela Antónia, Dorinha Miriam, Rosa Maria, Fabíola , Lina, Rita de Cássia, Eustáquio.
VIDA PROFISSIONAL
Aposentado como Diretor Administrativo da Câmara de Vereadores de Piracicaba, e como Redator do “Jornal de Piracicaba”. Exerceu atividades no comércio, no Magistério, na lavoura até os l3 anos, na municipalidade local, como bibliotecário, lançador de impostos, protocolista, Secretário Municipal.

VIDA CULTURAL
ESCOLA PRIMÁRIA –
Grupo Escolar “Dr. Samuel de Castro Neves”, Santana, seminarista vocacional ao sacerdócio por seis anos, no Colégio Santa Cruz, da cidade de Rio Claro (SP), onde cursou humanidades, línguas, religião, ciências, matemáticas, música.
CURSOS –
Formou-se Técnico em Contabilidade, lecionou latim, francês, datilografia.

VIDA RELIGIOSA
Católico, Apostólico, Romano, fez curso de religião em seminário dos Padres Estigmatinos, foi organista da Catedral e da Igreja de São Benedito, de Piracicaba, e Congregado Mariano.
VIDA LITERÁRIA
Bafejado por ensinamentos de sábios sacerdotes em colégio de formação religiosa, recebeu extraordinário acervo literário que lhe propiciou enveredar pelo caminho da poesia, da crônica, dos contos, do jornalismo, havendo editado de l959 a 200l sete livros de poesias e contos, com edições em milheiros de volumes, os quais estão aí para satisfazer o gosto daqueles que apreciam a arte literária.
São seus livros : “Abre-te, Sésamo”, l959; “Alma Desnuda”, l988; “A Piracicaba, Minha Terra”, l99l; “Sinfonia Poética”, de parceria com o poeta Frei Timóteo de Porangaba; “Plantando Contos, Colhendo Rimas”, l992; “Sonetos Mais Amados”, l996 e “Antes que as Estrelas brilhem”, 200l. O poeta conta ainda com o prazer de haver composto hinos para diversos municípios, bairros rurais, entidades sociais diversas, continuando a colaborar ainda, após os 83 anos em colunas literárias e com artigos de ordem geral em jornais da terra.
Faz parte da Academia Piracicabana de Letras que lhe outorgou o título honorífico de “PRÍNCIPE DOS POETAS DE PIRACICABA’.
Foi-lhe concedida Pelo Município de Piracicaba, através de sua Secretaria da Ação Cultural, a MEDALHA DE MÉRITO CULTURAL, “ Prof. OLÊNIO DE ARRUDA VEIGA’; é detentor do TROFÉU IMPRENSA, concedido pelo Lions Clube de Piracicaba, centro, e da MEDALHA ITALIANA, concedida pelo governo italiano de Benito Mussolini aos alunos de escolas e seminários de origem daquele país que tivessem se destacado em redação de trabalhos literários escritos na língua de Dante.
O Município de Saltinho, para o qual contribuiu com o Hino dessa comunidade municipal , conferiu-lhe o título de “Cidadão Saltinhense”.

DISCURSO

Por ocasião do lançamento do livro de poesias “Antes que as estrelas brilhem “, pelo poeta Lino Vitti foi proferido o seguinte discursos:

Exmo. Sr. Heitor Gauadenci Jr. dd Secretário da Ação Cultural

Exmo. sr. António Osvaldo Storel. dd. Presidente da Câmara de

Vereadores de Piracicaba

Exmo.sr. Moacyr Camponez do Brasil Sobrinho, dd. Presidente do Instituto Histórico e Geográfico

Exmo,. sr. Henrique Cocenza, dd. Presidente da Academia Piracicabana de Letras

Exmo.. Sr. Ésio Pezzato , anfitrião desta solenidade

Senhoras e Senhores

Pela sétima vez (graças a Deus) em minha vida lítero-poética vejo-me guindado a uma tribuna improvisada (o que é bom porque torna o fato mais popular), para proferir um discurso de agradecimento, ao lado da oferta de um novo livro de versos. É teimosia essa de poetas em desovar sua produção para que mais gente participe de suas tiradas, muitas vezes fora de forma e de ambiente, mas que o poeta não vê porque , ao editar um novo livro está cego pela emoção , como se fosse a vez primeira. Está aí o Ésio Pezzato, responsável por mais esta minha invasão no mundo das letras poéticas, para dizer se não é assim. Para dizer se não sofre também dessa doença feliz de editar livros e mais livros a ponto de perder a conta, já que a esta altura ele não sabe se já está no décimo ou décimo primeiro. E ainda continua batendo dedos de métrica, sabemos lá por quantos anos ainda !

Tenho um ex-colega de seminário, prof. Hildebrando André, aposentado como professor universitário e com o qual mantenho longa e pródiga correspondência, que não se cansa de enaltecer a felicidade de Piracicaba contar com tantos poetas e poetisas. Tem razão ele, pois se apenas dois deles já conseguiram editar l8 livros de poesia, imagine-se as centenas que seriam necessárias para dar um pouco de vazão a essa raridade intelectual que toma conta da minha terra!

Este meu livro vem à lume por obra e arte do prefeito José Machado , seu Secretário da Ação Cultural e de seu zeloso servidor Ésio Pezzato que se entusiasmaram diante da recitação de diversos poemas meus por um grupo de jograis, alunos da UNIMEP, e impressionados decidiram patrocinar a publicação deste livro, pois entenderam que Piracicaba poética merecia conhecer em mais profundidade o seu príncipe da poesia. E aí está, lindo e impecável, entregue às mãos do povo de Piracicaba, que indistintamente de cor, estudos, intelectualização , posses financeiras, categoria de trabalho, com religião ou agnóstico, jovem ou adulto, roceiro ou citadino, aí está, para quiçá, momentos de lazer e sonho. Sonho , sim, porque a poesia é terrivelmente sonhativa , vive no mundo da fantasia, alicerça-se nas bases da emoção e brota do âmago mais profundo do poeta, e para que as filhas de Eva não reclamem, da poetisa também.

Alguém me perguntará? Como é ser poeta? Juro, nunca pensei nisso. Acho que ninguém consegue ser poeta. Já é. Nasce feito, como dizem.

não é verdade Maria Cecilia, Ivana Maria, Ésio Pezzato , Prata Gregolim, Marina Rolim, Valter Vitti, Mario Pires, Saconi, e tutti quanti enfeitam com seus lindos versos as páginas do “ Jornal de Piracicaba, ou da “Tribuna Piracicabana , e assim também esse cacho imenso de livros poéticos que quase semanalmente são dados ao conhecimento e sentimento público de nossa terra ? Tornando-se um privilégio de uma cidade, como disse alhures o supra citado meu colega seminarístico Hildebrando André. ?

Não se suponha que para ser poeta é preciso ter nascido em berço de ouro ou em centros intelectuais de enorme repercussão. Nada disso. Tenho um soneto que define bem esse fato. É assim: “Eu não sou o poeta dos salões / de ondeante, basta e negra cabeleira] não me hás de ver nos olhos alusões / de vigílias, de dor e de canseiras. // Não trago o pensamento em convulsões,/ de candentes imagens, a fogueira. / não sou o gênio que talvez supões/ e não levo acadêmica bandeira.// Distribuo os meus versos em moedas/ que pouco a pouco na tua alma hospedas / - raros , como as esmolas de quem passa. / Mas hei de me sentir feliz um dia/ quando vier alguém render-me graça/ por o fazer ricaço de poesia. // “ . Poetas e poetisas saem do nada , devem trazer o selo ou o bilhete de entrada nesse reino encantado desde o útero materno, embora ouse eu afirmar que a vida é também uma grande mestra , as influências da mentalidade circunvizinha,

o próprio meio ambiente, podem , em circunstâncias outras , plasmar um poeta .

Eu fui plasmado , por exemplo, por entre maravilhas campestres. A roça ou o campo são fantásticos criadores de poesia. Ela anda atapetando por todos os cantos a natureza, as gentes, os animais, os atos e fatos. e a cabeça daqueles com quem ela convive. E o poeta, criador por excelência, se abebera de todas as belezas esparsas pelas colinas, serras, vales e descampados , para transformar tudo em versos e rimas, ou em versos simplesmente, onde pululam , como cabritos silvestres, as figuras literárias, os tropos, as sínteses, as comparações, e todos os anseios que lhe vão no imo da alma. Para satisfação própria e para satisfação dos que convivem com o poeta. E´ por isso que se botardes olhos curiosos sobre meus poemas havereis de tropeçar a todo o momento com um motivo roceiro, pois trago uma alma plasmada pelas belezas rurais de Santana, Santa Olímpia , Fazenda Negri, e especialmente por aquela colina encimada ,no cocuruto, pelo prédio do grupo escolar, onde aprendi a ler e escrever e a poetar.

Peço desculpas por haver-me prolongado um pouco nestas elucubrações poéticas, desobedecendo aos conselhos do amigo Ésio que continua exigindo de mim discursos improvisados, o que seria tão para os ouvintes , que ansiosamente aguardam o momento de bater palmas acabando assim com a verborragia oratória.

Não posso entretanto encerrar esta breve alocução sem deixar consignados meus agradecimentos do fundo do coração ao prefeito José Machado ,ao seu Secretário da Ação Cultural Heitor Gaudenci Junior, ao seu sub-secretário poeta Ésio Pezzato, ao prefaciador Moacyr de Oliveira Camponez do Brasil sobrinho, aos queridos opinadores Maria Cecília Bonachella, Maria Ivana França de Negri, exímias poetisas, prof. Elias Salum e a minha filha Universitária Fabíola Vitti Moro, pela maravilhosa capa, Editores e toda equipe de funcionários , à minha esposa pela sugestão transmitida ao prefeito com relação ao advento desta obra, aos digitadores Nair , minha nora e neto Leonardo, e outros que possa ter esquecido, como é fácil em cachola idosa, - meus agradecimentos repito, pela reunião de esforços e trabalho que tornaram possível o advento de mais um livro de minha lavra.

Obrigado “ em geralmente” como dizem nossos cururueiros, aos que ilustraram com sua arte musical esta solenidade e assim também a todos quantos acharam um tempinho para vir prestigiar-me nesta tarefa de cultura e arte. Levem a certeza de que nada mais desejo do que engrandecer com minha poesia a terra que me viu nascer, a terra que me viu crescer, a terra que me proporcionou oportunidade para chegar a um cargo tão nobre quão dignificante de “Príncipe dos Poetas de Piracicaba”

Meu carinhoso obrigado também aos meios de comunicação, de modo especial “Jornal de Piracicaba”, na pessoa de seu Editor Chefe Joacyr Cury , de “A Tribuna Piracicabana”, na de seu diretor Evaldo Vicente, pela divulgação caprichosa deste evento que afinal nada mais é do que mais uma demonstração da exuberância cultural da Noiva da Colina.

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