Lino Vitti - Príncipe dos Poetas Piracicabanos

Lino Vitti - Príncipe dos Poetas Piracicabanos
Lino Vitti- Príncipe dos Poetas Piracicabanos

O Príncipe e sua esposa, professora Dorayrthes S. S. Vitti

Casamento

Casamento

Bodas de Prata

Bodas de Prata

Lino Vitti e seus pais

Lino Vitti e seus pais

Lino Vitti e seus vários livros

Lino Vitti e seus vários livros
Lino Vitti e seus vários livros

Bisneta Alice

Bisneta Alice
BISNETA ALICE

Seguidores

.

O Príncipe agradece a visita e os comentários

60 anos de Poesia


quinta-feira, 8 de abril de 2010

A PIRACICABA, MINHA TERRA - Epílogo

(Noiva da Colina - Desenho de Angelino Stella)

EPÍLOGO
(Capítulos finais)
Lino Vitti

E o século findou prenhe de grandes obras,
O estrépido dos trens com noturnas manobras,
as irmãs, o coreto, as bandas e as esco1as;
eleições, Presidente, intendentes, edis.
Mil novecentos veio e trouxe tantas novas,
tantas que nem sequer cabem em poucas trovas
ou num rol pobretão de rimas juvenis.
Por isso passo ao largo, apenas convidando
o leitor a pensar e contemplar pensando
na cidade de agora e a cidade de então.
A vontade, o trabalho, o esforço de seus filhos
seguindo, sem descanso, os mais diversos trilhos
da aventura, da fé e total dedicação!
Seguindo o exemplo dado aos pósteros como eles
Namorados do bem, da labuta daqueles
que na história da terra eram os povoadores.
Como aqueles também hoje em dia se luta
para que a terra seja essa coisa batuta
- um pedaço de chão cercado de esplendores.
Como a deles a vida há de seguir cantando,
o pessimismo atroz daqui sempre expulsando
tendo em mira construir sociedade especial.
O burgo nos deixou o exemplo dos maiores,
o exemplo de um viver de beleza e suores,
na concretização do maior ideal.
Se o velho Capitão Povoador ressurgisse
e com olhos reais Piracicaba visse
“cheia de encanto e flor” como a cantou o poeta (Newton de Mello)
choraria de susto e de alegria imensa
por ver a seu labor tamanha recompensa,
por ver que vã não fora a busca dessa meta.
Veria a povoação feita cidade grande,
metrópole quiçá que progride e se expande,
de vila a freguesia, em cidade afinal.
Veria o Padroeiro abençoando as raças,
a rede, em profusão, de avenidas e praças,
ou cada ocupação bravo profissional.

Veria que a capela outrora tão catita
seria catedral, vistosa, ampla e bonita,
multidões de fiéis a cantar e a rezar.
E veria decerto os seus filhos dispersos,
espalhados aquém e em países diversos,
as ciências e o trabalho em dose cavalar.
Veria que a campina antes improdutiva
ora se transformou nessa lavoura viva
de canaviais ciciando à brisa mensageira.
Veria apendoar os milharais verdoengos
Os louros arrozais mexendo ao vento em dengos
de moça sensual em longa quebradeira.
Veria o picadão que o bandeirante ousado
em meio à mata abriu com braço denodado
feito via que vai ligando extremo a extremo.
A larga fita negra estendida no asfalto
que leva o cidadão, num minuto, de um salto,
ao impulso veloz como em dorso de um demo.
Veria muito mais. Veria o burro, o trole,
o cavalo, a carroça, a fornalha da fole,
toda essa cacaria, essa curiosa tralha,
o burro e o cavalo em motores transfeitos,
os carroções de boi em caminhões perfeitos,
veria o forno de aço em lugar da fornalha.
A escolinha singela envolvida em saudade
veria agora ser alta universidade,
que o humilde professor virara catedrático;
que o passo do povoado a subir lento os montes
fez-se marcha a buscar os largos horizontes;
que o teórico virou rapidamente prático.
Que a enxada gemedora e atônita da roça
da mão do lavrador desajeitada e grossa
virou tudo trator de uma lavoura extensa.
Machado e foice são serra motorizada
que avança com furor na árvore apavorada
em minutos destrói matarias imensas.
Veria, no entretanto, infeliz, que o seu rio
por força da injustiça e humano desvario
sucumbira ao fragor do insólito progresso.
Vê-lo-ia poluído, agonizante e feio,
Podendo-o comparar, sem mínimo receio,
Ao escorrer do pus de fétido abcesso.

O salto nem sequer lhe lembraria aquele
Que cortou-lhe o caminho e o fez escravo dele
Chamando-lhe atenção a “beleza sem par”. (O. Bilac)
Choraria de dor, de desesperos loucos,
Frente a todos que estão esquecidos e moucos,
E a tragédia não vêem do rio a se findar.
Foi ele que atraiu um dia o bandeirante
Com a sua largura e um salto tão pujante,
Com tanta limpidez de suas águas claras.
O homem enamorou-se e o rio, agradecido,
Deixou o Povoador na beleza envolvido
Parando ao pé do salto os barcos e as igaras.
Ficaram, desde então, unidos num só sonho
prometendo ao local um futuro risonho
que a vida, muita vez, consegue destruir.
E aquilo que então fora uma promessa linda
desfeita estava agora, agora estava finda,
estava sepultado um glorioso porvir.
O rio já sucumbe à imundície assassina,
conspurcaram o véu da Noiva da Colina,
preconiza-se a morte e esta, em breve, virá.
É bom que o Capitão desfaça-se do sonho
antes do que assistir a esse quadro medonho
que logo e fatalmente o rio nos será.
Cala-te, minha pena, eu te suplico e imploro
porque a terra que eu amo, a terra que eu adoro,
perdeu o rio que era a vida e o seu valor.
Não mais resisto ao pranto, choro convulsionado
se rola, em mortandade, o peixe trucidado
ao tóxico poder de um mundo matador.
A máquina quebrou, a tecla já não bate,
eu me sinto vencido, enfim, neste combate
e o cansaço me aflora à tona da epiderme.
Quem mais quiser saber da história aqui contada
compulse o Manual de História, escrevinhada
pela alma cidadã do Professor Guilherme.
* * *

Nenhum comentário:

PRÍNCIPE DOS POETAS DE PIRACICABA

CURRICULUM VITAE
( Síntese de Vida)
NOME – Lino Vitti
IDADE – 08/02/1920
ESTADO CIVIL – Casado, em únicas núpcias, há 56 anos, com a Professora Dorayrthes Silber Schmidt Vitti
FILIAÇÃO – José e Angelina Vitti
NATURALIDADE – Piracicaba, Estado de São Paulo –Brasil
Bairro Santana , Distrito de Vila Rezende
VIDA FAMILIAR
Casamento Civil e Religioso em comunhão de bens, Pai de sete filhos: Ângela Antónia, Dorinha Miriam, Rosa Maria, Fabíola , Lina, Rita de Cássia, Eustáquio.
VIDA PROFISSIONAL
Aposentado como Diretor Administrativo da Câmara de Vereadores de Piracicaba, e como Redator do “Jornal de Piracicaba”. Exerceu atividades no comércio, no Magistério, na lavoura até os l3 anos, na municipalidade local, como bibliotecário, lançador de impostos, protocolista, Secretário Municipal.

VIDA CULTURAL
ESCOLA PRIMÁRIA –
Grupo Escolar “Dr. Samuel de Castro Neves”, Santana, seminarista vocacional ao sacerdócio por seis anos, no Colégio Santa Cruz, da cidade de Rio Claro (SP), onde cursou humanidades, línguas, religião, ciências, matemáticas, música.
CURSOS –
Formou-se Técnico em Contabilidade, lecionou latim, francês, datilografia.

VIDA RELIGIOSA
Católico, Apostólico, Romano, fez curso de religião em seminário dos Padres Estigmatinos, foi organista da Catedral e da Igreja de São Benedito, de Piracicaba, e Congregado Mariano.
VIDA LITERÁRIA
Bafejado por ensinamentos de sábios sacerdotes em colégio de formação religiosa, recebeu extraordinário acervo literário que lhe propiciou enveredar pelo caminho da poesia, da crônica, dos contos, do jornalismo, havendo editado de l959 a 200l sete livros de poesias e contos, com edições em milheiros de volumes, os quais estão aí para satisfazer o gosto daqueles que apreciam a arte literária.
São seus livros : “Abre-te, Sésamo”, l959; “Alma Desnuda”, l988; “A Piracicaba, Minha Terra”, l99l; “Sinfonia Poética”, de parceria com o poeta Frei Timóteo de Porangaba; “Plantando Contos, Colhendo Rimas”, l992; “Sonetos Mais Amados”, l996 e “Antes que as Estrelas brilhem”, 200l. O poeta conta ainda com o prazer de haver composto hinos para diversos municípios, bairros rurais, entidades sociais diversas, continuando a colaborar ainda, após os 83 anos em colunas literárias e com artigos de ordem geral em jornais da terra.
Faz parte da Academia Piracicabana de Letras que lhe outorgou o título honorífico de “PRÍNCIPE DOS POETAS DE PIRACICABA’.
Foi-lhe concedida Pelo Município de Piracicaba, através de sua Secretaria da Ação Cultural, a MEDALHA DE MÉRITO CULTURAL, “ Prof. OLÊNIO DE ARRUDA VEIGA’; é detentor do TROFÉU IMPRENSA, concedido pelo Lions Clube de Piracicaba, centro, e da MEDALHA ITALIANA, concedida pelo governo italiano de Benito Mussolini aos alunos de escolas e seminários de origem daquele país que tivessem se destacado em redação de trabalhos literários escritos na língua de Dante.
O Município de Saltinho, para o qual contribuiu com o Hino dessa comunidade municipal , conferiu-lhe o título de “Cidadão Saltinhense”.

DISCURSO

Por ocasião do lançamento do livro de poesias “Antes que as estrelas brilhem “, pelo poeta Lino Vitti foi proferido o seguinte discursos:

Exmo. Sr. Heitor Gauadenci Jr. dd Secretário da Ação Cultural

Exmo. sr. António Osvaldo Storel. dd. Presidente da Câmara de

Vereadores de Piracicaba

Exmo.sr. Moacyr Camponez do Brasil Sobrinho, dd. Presidente do Instituto Histórico e Geográfico

Exmo,. sr. Henrique Cocenza, dd. Presidente da Academia Piracicabana de Letras

Exmo.. Sr. Ésio Pezzato , anfitrião desta solenidade

Senhoras e Senhores

Pela sétima vez (graças a Deus) em minha vida lítero-poética vejo-me guindado a uma tribuna improvisada (o que é bom porque torna o fato mais popular), para proferir um discurso de agradecimento, ao lado da oferta de um novo livro de versos. É teimosia essa de poetas em desovar sua produção para que mais gente participe de suas tiradas, muitas vezes fora de forma e de ambiente, mas que o poeta não vê porque , ao editar um novo livro está cego pela emoção , como se fosse a vez primeira. Está aí o Ésio Pezzato, responsável por mais esta minha invasão no mundo das letras poéticas, para dizer se não é assim. Para dizer se não sofre também dessa doença feliz de editar livros e mais livros a ponto de perder a conta, já que a esta altura ele não sabe se já está no décimo ou décimo primeiro. E ainda continua batendo dedos de métrica, sabemos lá por quantos anos ainda !

Tenho um ex-colega de seminário, prof. Hildebrando André, aposentado como professor universitário e com o qual mantenho longa e pródiga correspondência, que não se cansa de enaltecer a felicidade de Piracicaba contar com tantos poetas e poetisas. Tem razão ele, pois se apenas dois deles já conseguiram editar l8 livros de poesia, imagine-se as centenas que seriam necessárias para dar um pouco de vazão a essa raridade intelectual que toma conta da minha terra!

Este meu livro vem à lume por obra e arte do prefeito José Machado , seu Secretário da Ação Cultural e de seu zeloso servidor Ésio Pezzato que se entusiasmaram diante da recitação de diversos poemas meus por um grupo de jograis, alunos da UNIMEP, e impressionados decidiram patrocinar a publicação deste livro, pois entenderam que Piracicaba poética merecia conhecer em mais profundidade o seu príncipe da poesia. E aí está, lindo e impecável, entregue às mãos do povo de Piracicaba, que indistintamente de cor, estudos, intelectualização , posses financeiras, categoria de trabalho, com religião ou agnóstico, jovem ou adulto, roceiro ou citadino, aí está, para quiçá, momentos de lazer e sonho. Sonho , sim, porque a poesia é terrivelmente sonhativa , vive no mundo da fantasia, alicerça-se nas bases da emoção e brota do âmago mais profundo do poeta, e para que as filhas de Eva não reclamem, da poetisa também.

Alguém me perguntará? Como é ser poeta? Juro, nunca pensei nisso. Acho que ninguém consegue ser poeta. Já é. Nasce feito, como dizem.

não é verdade Maria Cecilia, Ivana Maria, Ésio Pezzato , Prata Gregolim, Marina Rolim, Valter Vitti, Mario Pires, Saconi, e tutti quanti enfeitam com seus lindos versos as páginas do “ Jornal de Piracicaba, ou da “Tribuna Piracicabana , e assim também esse cacho imenso de livros poéticos que quase semanalmente são dados ao conhecimento e sentimento público de nossa terra ? Tornando-se um privilégio de uma cidade, como disse alhures o supra citado meu colega seminarístico Hildebrando André. ?

Não se suponha que para ser poeta é preciso ter nascido em berço de ouro ou em centros intelectuais de enorme repercussão. Nada disso. Tenho um soneto que define bem esse fato. É assim: “Eu não sou o poeta dos salões / de ondeante, basta e negra cabeleira] não me hás de ver nos olhos alusões / de vigílias, de dor e de canseiras. // Não trago o pensamento em convulsões,/ de candentes imagens, a fogueira. / não sou o gênio que talvez supões/ e não levo acadêmica bandeira.// Distribuo os meus versos em moedas/ que pouco a pouco na tua alma hospedas / - raros , como as esmolas de quem passa. / Mas hei de me sentir feliz um dia/ quando vier alguém render-me graça/ por o fazer ricaço de poesia. // “ . Poetas e poetisas saem do nada , devem trazer o selo ou o bilhete de entrada nesse reino encantado desde o útero materno, embora ouse eu afirmar que a vida é também uma grande mestra , as influências da mentalidade circunvizinha,

o próprio meio ambiente, podem , em circunstâncias outras , plasmar um poeta .

Eu fui plasmado , por exemplo, por entre maravilhas campestres. A roça ou o campo são fantásticos criadores de poesia. Ela anda atapetando por todos os cantos a natureza, as gentes, os animais, os atos e fatos. e a cabeça daqueles com quem ela convive. E o poeta, criador por excelência, se abebera de todas as belezas esparsas pelas colinas, serras, vales e descampados , para transformar tudo em versos e rimas, ou em versos simplesmente, onde pululam , como cabritos silvestres, as figuras literárias, os tropos, as sínteses, as comparações, e todos os anseios que lhe vão no imo da alma. Para satisfação própria e para satisfação dos que convivem com o poeta. E´ por isso que se botardes olhos curiosos sobre meus poemas havereis de tropeçar a todo o momento com um motivo roceiro, pois trago uma alma plasmada pelas belezas rurais de Santana, Santa Olímpia , Fazenda Negri, e especialmente por aquela colina encimada ,no cocuruto, pelo prédio do grupo escolar, onde aprendi a ler e escrever e a poetar.

Peço desculpas por haver-me prolongado um pouco nestas elucubrações poéticas, desobedecendo aos conselhos do amigo Ésio que continua exigindo de mim discursos improvisados, o que seria tão para os ouvintes , que ansiosamente aguardam o momento de bater palmas acabando assim com a verborragia oratória.

Não posso entretanto encerrar esta breve alocução sem deixar consignados meus agradecimentos do fundo do coração ao prefeito José Machado ,ao seu Secretário da Ação Cultural Heitor Gaudenci Junior, ao seu sub-secretário poeta Ésio Pezzato, ao prefaciador Moacyr de Oliveira Camponez do Brasil sobrinho, aos queridos opinadores Maria Cecília Bonachella, Maria Ivana França de Negri, exímias poetisas, prof. Elias Salum e a minha filha Universitária Fabíola Vitti Moro, pela maravilhosa capa, Editores e toda equipe de funcionários , à minha esposa pela sugestão transmitida ao prefeito com relação ao advento desta obra, aos digitadores Nair , minha nora e neto Leonardo, e outros que possa ter esquecido, como é fácil em cachola idosa, - meus agradecimentos repito, pela reunião de esforços e trabalho que tornaram possível o advento de mais um livro de minha lavra.

Obrigado “ em geralmente” como dizem nossos cururueiros, aos que ilustraram com sua arte musical esta solenidade e assim também a todos quantos acharam um tempinho para vir prestigiar-me nesta tarefa de cultura e arte. Levem a certeza de que nada mais desejo do que engrandecer com minha poesia a terra que me viu nascer, a terra que me viu crescer, a terra que me proporcionou oportunidade para chegar a um cargo tão nobre quão dignificante de “Príncipe dos Poetas de Piracicaba”

Meu carinhoso obrigado também aos meios de comunicação, de modo especial “Jornal de Piracicaba”, na pessoa de seu Editor Chefe Joacyr Cury , de “A Tribuna Piracicabana”, na de seu diretor Evaldo Vicente, pela divulgação caprichosa deste evento que afinal nada mais é do que mais uma demonstração da exuberância cultural da Noiva da Colina.

.