Lino Vitti - Príncipe dos Poetas Piracicabanos

Lino Vitti - Príncipe dos Poetas Piracicabanos
Lino Vitti- Príncipe dos Poetas Piracicabanos

O Príncipe e sua esposa, professora Dorayrthes S. S. Vitti

Casamento

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Bodas de Prata

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Lino Vitti e seus pais

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Lino Vitti e seus vários livros

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Bisneta Alice

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BISNETA ALICE

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O Príncipe agradece a visita e os comentários

60 anos de Poesia


domingo, 29 de dezembro de 2013

UM HINO SILVESTRE


Lino Vitti  

           Nos meus felizes tempos de meninice, passada por entre gente e paisagem da roça, tinha especial predileção pelos caminhos  e pelos atalhos cujo destino podia levar a um bairro, a um sítio, a uma fazenda ou a nenhuma dessas coisas para ser então um simples final de estrada que levava à lavoura, a uma lagoa, a um mato virgem, a um ribeirão onde moravam traíras, bagres e lambarís, felizes, porque sem poluição das águas pelos venenos agrícolas assassinos de hoje.
                        Como era agradável, como era saudável, como era encantador  enveredar pelas velhas estradas, muitas vezes erguendo nuvens de poeira ao sopro manso de qualquer brisa; outras, enlameadas pelas chuvas; hoje dando passagem ao chiante carro de bois, a transportar grossas toras de jequitibá ou peroba para a serraria dos Negri onde virariam  tabuas para as residências em construção, ou então, oferecendo o espetáculo de uma carroça puxada por várias bestas fogosas,   ofegantes com a carga pesada de produtos agrícolas, rumo aos paióis ou tulhas acolhedores. Quantas vezes os caminhos rurais serviam de passagem de tropas de muares ou manadas de rezes, o que para a curiosidade dos meus olhos infantis ou adolescentes  se constituía num belo espetáculo!
                        Todavia,  não só disso vivia a paisagem  campestre de então. Em geral, as estradas eram enfeitadas em suas margens por trechos maravilhosos de mataria virgem, ou surgiam, como um milagre verde, árvores imponentes, orgulhosas de haverem fugido da sanha dos machados, palco indefectivelmente procurado por pássaros de porte ou avesitas canoras, como sólio de seu descanso ou local ideal para exibirem  as suas melodias matinais ou vesperais. E o passante, como sempre o fazia eu, fosse ao despertar da manhã ou ao entardecer luminoso do dia, não deixava de aplicar seus ouvidos às manifestações das aves, feitas um hino de vida e alegria, ora em conjunto, ora em solo teatral e cuja sonoridade tinha o poder mágico de atrair e encantar o meu passeio.
                        Ouvir um sabiá desfiando suas melodias para saudar o sol nascente ou se entristecer com o ocaso do sol morrente , não é coisa para qualquer um. É preciso amar a roça, é preciso amar-lhe todas as manifestações, é preciso ouvir com ouvidos de carinho e atenção, aquele desdobrar de notas vindas de um pássaro, pequenino às vezes como um pintassilgo, maior, outras, como o sabiá de que vos falo. Seja daquele, seja deste, é sempre um hino que vai ao ar, que toma conta do espaço, que leva sonoridades enigmáticas e ao mesmo tempo felizes aos ouvidos de quem resolveu colocar-se como ouvinte da ópera matinal da roça. 
                        A ciência ornitológica ensina que, ao iniciar o seu canto, o uirapuru, ou o seu bailado, os tangarás nacionais, têm o poder de fazer calar todas as outras aves, para que todas e tudo fiquem embevecidos  daquela sublimada festa de sons  e ouçam com amor e atenção o hino daquelas gargantinhas de ouro e felicidade que estão a se exibir com maestria e perfeição divinais.
                        Ouvindo, quer ao raiar do dia, quer ao apagar dos estertores saudosos da tarde,  o hino do sabiá ou do pintassilgo à beira da estrada, confesso, como que esquecia de tudo e de todos e  a vida nada mais seria do que aquela voz alada a dobrar notas e mais notas musicais, de que aquilo não iria além de uma demonstração, em ponto pequenino do que existe no céu, reservado apenas para ouvidos terrenos que tivessem tímpanos sensíveis e arejados para ouvir o hino preparado por um sabiá ou por  um pintassilgo, rústicos e diminutos  Beethovens ou Mozarts   colocados no universo pelo seu Criador, para nosso lazer, nosso encanto, nossa felicidade.
                        Eu sei que muitos dos caríssimos leitores não tiveram e nunca terão quiçá  essa oportunidade de se extasiar, como inúmeras vezes o fiz, diante de um pássaro madrugador ou entristecido pela fuga da luz do dia, que resolve postar-se à beira de um caminho, no topo de uma árvore,   e aí desfiar, para quem passa ou simplesmente para a natureza circundante,  o milagre de seu canto, o hino que aprendeu quando ainda, homens e aves moravam no Éden. Só pode ser de lá que nos veio, por obra e arte santas coisa tão bela, coisa tão divina.

            Muitas vezes o homem fica esperando milagres. Não é preciso, não. O milagre ou os  milagres estão dando sopa por aí, de modo especial no campo, onde soem acontecer por obra, arte e graça da natureza, como a ária milagrosa  brotada da gargantinha de um pássaro canoro, como a maravilha dos ninhos criadores, como o vôo no infinito anilado  dos corvos altívolos, como o solene canto de um sabiá que tem o prazer e a alegria de vir à beira dos caminhos campestres desfiar notas e mais notas, talvez horas seguidas, para gáudio do homem e de todos os viventes que tenham tímpanos felizes para ouvir o hino de graças a Deus, timbrado pelo pássaro símbolo brasileiro.

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

O príncipe descalço


Lino Vitti, perto de completar 94 anos, ainda escreve e produz bastante.
Na foto, ao lado de sua inseparável Dorayrthes, durante visita que fiz ao seu castelo encantado dias antes do Natal.
Lúcido, gosta de prosear e falar da família, dos amigos, de literatura e poesia.
Mesmo sendo o príncipe dos poetas, reconhecido em toda Piracicaba e até no exterior,  jamais esqueceu sua origem, suas raízes. A maioria de seus poemas versam sobre a natureza, a vida no campo e o amor universal.
Vida longa à sua majestade! Que venham muitos sonetos ainda!

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

AOS DRS. GALDINO E MATTOS


Lino Vitti

Galdino e Mattos, especiais amigos,
defensores da Lei e da Justiça
em todos seus capítulos e artigos.
empenhados em árdua e nobre liça,

o Natal une amigos e inimigos,
na tristeza uma flor alegre viça.
Para os que enfrentam dores e perigos,
Natal é óleo que sara e que enfeitiça.

Obrigado a vocês e que o Menino
em cujas mãos do mundo está o destino,
distribua suas bênçãos em seus lares.

E o milênio veloz que se aproxima
faça crescer em nós a mútua estima

e o Amor entre nossos familiares.

domingo, 22 de dezembro de 2013

AO PROF. PAULO DIAS NEME E ESPOSA


Lino Vitti

Uma vez mais o tempo em seu célere passo
nos acena o Natal feito luz e esperança.
Oh! como o tempo passa, oh! como o tempo é escasso
e a roleta da vida, a girar, jamais cansa.

Eis é festa no céu, na terra há paz, bonança,
deveriam se unir num grande e doce abraço
os homens e as nações, sem temor, sem tardança,
pois Deus está entre nós vindo do eterno espaço.

Paulo e Aparecida, um casal santo e nobre,
sincero agradecer deste poeta pobre,
mais um Natal que chega e traz felicidade.

Abençoe vosso lar a Divina Criancinha,
abraça-vos o Lino e a Dora, esposa minha,

porque Natal é o dia excelso da verdade.

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

AOS AMIGOS DA ‘FARMAIS’ SAUDAÇÃO NATALINA


Lino Vitti

Que alegria saber que vocês todos
nos desejam o mais feliz Natal!
Desça do céu felicidade a rodos,
de bênçãos uma chuva divinal.

Que o novo ano nos livre dos apodos,
de todas e quaisquer sombras do mal.
Longe de nós os cínicos engodos
que no Menino Deus têm seu rival.

Sou muito grato a vós pelo carinho
com que sempre à família e a mim trataste,
neste da vida longo e árduo caminho.

Afinal nada somos , mas devemos
cuidar como uma flor em débil haste

da vida que de Deus nós recebemos.

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

AO VEREADOR PROF. MOACYR NAZARENO MONTEIRO


Lino Vitti

O que foi feito bem está bem feito,
prossigamos então nessa jornada,
caminhando as veredas do Direito
com amor, com justiça redobrada.

Da janela da vida a vida espreito
vendo quão pelo mal é desgraçada.
Manda hoje no mundo o desrespeito...
Como anda a humanidade fracassada!

Amigo, legislar é de almas nobres,
é espalhar o Direito dentre os pobres,
fazer Justiça aos piracicabanos.

Seu nome “nazareno” já diz tudo:
faça da Edilidade o nosso escudo,

Feliz Natal por este e muitos anos!

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

MAIS UM NATAL, CAETANO


Lino Vitti

Como pode o Senhor, Deus Eterno e Glorioso,
abandonar o Céu para vir a esta Terra?
Jesus Cristo não vês que o mundo é tenebroso,
que aqui vive a Injustiça, o Desamor, a Guerra ?

Po r que deixar o sólio angélico e faustoso,
toda a felicidade e amor que lá se encerra?
O mundo, meu Senhor, é ingrato e tortuoso,
ao pecado e ao prazer cada vez mais se aferra!

A cada ano, Menino, armas em nossas casas
um presepe de Amor, oh! que felicidade!
Vem dizer-nos que ainda és Deus dos homens todos.

E Criança, a sorrir, de Amor o mundo abrasas,
vens dizer-nos que és Luz, que és Vida, que és Verdade,

embora a ingratidão, a blasfêmia, os apodos!

domingo, 15 de dezembro de 2013

A MOACYR NAZARENO MONTEIRO E FAMÍLIA


Lino Vitti

Na jornada da vida, a sorrir ou chorando,
ora a cantar vitória, ora todo cansaço:
por estrada feliz às vezes caminhando,
em outras por pedrouço enveredando o passo.

Hoje todo prazer, de um abraço a outro abraço,
amanhã, sob o céu lindo de sol, cantando,
viver é mesmo assim; faça você o que faço,
amando a natureza, a própria vida amando.

Que os cantantes Natais se sucedam todo ano
trazendo para a gente o ciclópico oceano
da amizade e do encanto em Deus-Menino Infante.

Muitos votos, Moacyr, para você e os seus,
vamos muito sonhar, vamos pedir a Deus
que ampare nosso lar, que todo o mal espante.

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

NATAL COM CARINHO


Ao João Otávio M. Ferraciú e Família

João Otávio recebo o seu belo cartão
– expressão de amizade e de santo carinho –
Natal sacode sempre o velho coração
e o deixa palpitar em feliz torvelinho.

É tempo de saudar-se, irmão a outro irmão,
e sorrir com amor ao Grande Menininho.
É tempo de dizer: Deus tem toda a razão,
devemos transformar em flor qualquer espinho.

Obrigado a vocês! Que as bênçãos do Menino
nos aplainem a estrada e os vales do destino,
continue a alegria a morar junto a nós.

Natal, divino, doce e celestial remédio
nos liberte da dor, dos óbices, do tédio,

ecoando a nosso ouvido a sua eterna voz.

sábado, 7 de dezembro de 2013

COMO DEVE SER

Lino Vitti

Vês-me assim, quase frio e indiferente,
Quase insensível a esse amor que arde
Em grandes chamas na tua alma crente
E me julgas, eu sei, tolo e covarde.

Enganas-te; o amor é mais ardente
Quanto mais silencioso e sem alarde.
Mais sincero é se chega lentamente
E se expande, depois, quanto mais tarde.

Não deve ser incêndio que devora,
Nem inundar como brutal enchente
Destruindo tudo apenas em minutos.

Mas ter a suavidade de uma aurora,
Brotar, evoluir, como semente,

Para se abrir em folhas, flores, frutos.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

NOSTÁLGICO


Lino Vitti

Cada sonho feliz que a vida nos adoça
Traz sempre no seu bojo um muito de ilusão !
Um sorriso floral que nos lábios se esboça
Quantas vezes não traz consigo a maldição!

Outras tantas, não são mais do que amarga troça
Os brados de entusiasmo e apoio que se dão.
E uma satisfação suposta toda nossa
Mais depressa se esvai que bolha de sabão.

A vida é feita assim: contrastes mais contrastes;
Ora "sins" ora "nãos", recuos e avançadas ;
Ora sombra, ora luz; esforços e desgastes ;

Banquetes e jejuns, misérias e riquezas ;
Às vezes o prazer de pequeninos nadas,
Quase sempre o amargor de colossais tristezas 

PRÍNCIPE DOS POETAS DE PIRACICABA

CURRICULUM VITAE
( Síntese de Vida)
NOME – Lino Vitti
IDADE – 08/02/1920
ESTADO CIVIL – Casado, em únicas núpcias, há 56 anos, com a Professora Dorayrthes Silber Schmidt Vitti
FILIAÇÃO – José e Angelina Vitti
NATURALIDADE – Piracicaba, Estado de São Paulo –Brasil
Bairro Santana , Distrito de Vila Rezende
VIDA FAMILIAR
Casamento Civil e Religioso em comunhão de bens, Pai de sete filhos: Ângela Antónia, Dorinha Miriam, Rosa Maria, Fabíola , Lina, Rita de Cássia, Eustáquio.
VIDA PROFISSIONAL
Aposentado como Diretor Administrativo da Câmara de Vereadores de Piracicaba, e como Redator do “Jornal de Piracicaba”. Exerceu atividades no comércio, no Magistério, na lavoura até os l3 anos, na municipalidade local, como bibliotecário, lançador de impostos, protocolista, Secretário Municipal.

VIDA CULTURAL
ESCOLA PRIMÁRIA –
Grupo Escolar “Dr. Samuel de Castro Neves”, Santana, seminarista vocacional ao sacerdócio por seis anos, no Colégio Santa Cruz, da cidade de Rio Claro (SP), onde cursou humanidades, línguas, religião, ciências, matemáticas, música.
CURSOS –
Formou-se Técnico em Contabilidade, lecionou latim, francês, datilografia.

VIDA RELIGIOSA
Católico, Apostólico, Romano, fez curso de religião em seminário dos Padres Estigmatinos, foi organista da Catedral e da Igreja de São Benedito, de Piracicaba, e Congregado Mariano.
VIDA LITERÁRIA
Bafejado por ensinamentos de sábios sacerdotes em colégio de formação religiosa, recebeu extraordinário acervo literário que lhe propiciou enveredar pelo caminho da poesia, da crônica, dos contos, do jornalismo, havendo editado de l959 a 200l sete livros de poesias e contos, com edições em milheiros de volumes, os quais estão aí para satisfazer o gosto daqueles que apreciam a arte literária.
São seus livros : “Abre-te, Sésamo”, l959; “Alma Desnuda”, l988; “A Piracicaba, Minha Terra”, l99l; “Sinfonia Poética”, de parceria com o poeta Frei Timóteo de Porangaba; “Plantando Contos, Colhendo Rimas”, l992; “Sonetos Mais Amados”, l996 e “Antes que as Estrelas brilhem”, 200l. O poeta conta ainda com o prazer de haver composto hinos para diversos municípios, bairros rurais, entidades sociais diversas, continuando a colaborar ainda, após os 83 anos em colunas literárias e com artigos de ordem geral em jornais da terra.
Faz parte da Academia Piracicabana de Letras que lhe outorgou o título honorífico de “PRÍNCIPE DOS POETAS DE PIRACICABA’.
Foi-lhe concedida Pelo Município de Piracicaba, através de sua Secretaria da Ação Cultural, a MEDALHA DE MÉRITO CULTURAL, “ Prof. OLÊNIO DE ARRUDA VEIGA’; é detentor do TROFÉU IMPRENSA, concedido pelo Lions Clube de Piracicaba, centro, e da MEDALHA ITALIANA, concedida pelo governo italiano de Benito Mussolini aos alunos de escolas e seminários de origem daquele país que tivessem se destacado em redação de trabalhos literários escritos na língua de Dante.
O Município de Saltinho, para o qual contribuiu com o Hino dessa comunidade municipal , conferiu-lhe o título de “Cidadão Saltinhense”.

DISCURSO

Por ocasião do lançamento do livro de poesias “Antes que as estrelas brilhem “, pelo poeta Lino Vitti foi proferido o seguinte discursos:

Exmo. Sr. Heitor Gauadenci Jr. dd Secretário da Ação Cultural

Exmo. sr. António Osvaldo Storel. dd. Presidente da Câmara de

Vereadores de Piracicaba

Exmo.sr. Moacyr Camponez do Brasil Sobrinho, dd. Presidente do Instituto Histórico e Geográfico

Exmo,. sr. Henrique Cocenza, dd. Presidente da Academia Piracicabana de Letras

Exmo.. Sr. Ésio Pezzato , anfitrião desta solenidade

Senhoras e Senhores

Pela sétima vez (graças a Deus) em minha vida lítero-poética vejo-me guindado a uma tribuna improvisada (o que é bom porque torna o fato mais popular), para proferir um discurso de agradecimento, ao lado da oferta de um novo livro de versos. É teimosia essa de poetas em desovar sua produção para que mais gente participe de suas tiradas, muitas vezes fora de forma e de ambiente, mas que o poeta não vê porque , ao editar um novo livro está cego pela emoção , como se fosse a vez primeira. Está aí o Ésio Pezzato, responsável por mais esta minha invasão no mundo das letras poéticas, para dizer se não é assim. Para dizer se não sofre também dessa doença feliz de editar livros e mais livros a ponto de perder a conta, já que a esta altura ele não sabe se já está no décimo ou décimo primeiro. E ainda continua batendo dedos de métrica, sabemos lá por quantos anos ainda !

Tenho um ex-colega de seminário, prof. Hildebrando André, aposentado como professor universitário e com o qual mantenho longa e pródiga correspondência, que não se cansa de enaltecer a felicidade de Piracicaba contar com tantos poetas e poetisas. Tem razão ele, pois se apenas dois deles já conseguiram editar l8 livros de poesia, imagine-se as centenas que seriam necessárias para dar um pouco de vazão a essa raridade intelectual que toma conta da minha terra!

Este meu livro vem à lume por obra e arte do prefeito José Machado , seu Secretário da Ação Cultural e de seu zeloso servidor Ésio Pezzato que se entusiasmaram diante da recitação de diversos poemas meus por um grupo de jograis, alunos da UNIMEP, e impressionados decidiram patrocinar a publicação deste livro, pois entenderam que Piracicaba poética merecia conhecer em mais profundidade o seu príncipe da poesia. E aí está, lindo e impecável, entregue às mãos do povo de Piracicaba, que indistintamente de cor, estudos, intelectualização , posses financeiras, categoria de trabalho, com religião ou agnóstico, jovem ou adulto, roceiro ou citadino, aí está, para quiçá, momentos de lazer e sonho. Sonho , sim, porque a poesia é terrivelmente sonhativa , vive no mundo da fantasia, alicerça-se nas bases da emoção e brota do âmago mais profundo do poeta, e para que as filhas de Eva não reclamem, da poetisa também.

Alguém me perguntará? Como é ser poeta? Juro, nunca pensei nisso. Acho que ninguém consegue ser poeta. Já é. Nasce feito, como dizem.

não é verdade Maria Cecilia, Ivana Maria, Ésio Pezzato , Prata Gregolim, Marina Rolim, Valter Vitti, Mario Pires, Saconi, e tutti quanti enfeitam com seus lindos versos as páginas do “ Jornal de Piracicaba, ou da “Tribuna Piracicabana , e assim também esse cacho imenso de livros poéticos que quase semanalmente são dados ao conhecimento e sentimento público de nossa terra ? Tornando-se um privilégio de uma cidade, como disse alhures o supra citado meu colega seminarístico Hildebrando André. ?

Não se suponha que para ser poeta é preciso ter nascido em berço de ouro ou em centros intelectuais de enorme repercussão. Nada disso. Tenho um soneto que define bem esse fato. É assim: “Eu não sou o poeta dos salões / de ondeante, basta e negra cabeleira] não me hás de ver nos olhos alusões / de vigílias, de dor e de canseiras. // Não trago o pensamento em convulsões,/ de candentes imagens, a fogueira. / não sou o gênio que talvez supões/ e não levo acadêmica bandeira.// Distribuo os meus versos em moedas/ que pouco a pouco na tua alma hospedas / - raros , como as esmolas de quem passa. / Mas hei de me sentir feliz um dia/ quando vier alguém render-me graça/ por o fazer ricaço de poesia. // “ . Poetas e poetisas saem do nada , devem trazer o selo ou o bilhete de entrada nesse reino encantado desde o útero materno, embora ouse eu afirmar que a vida é também uma grande mestra , as influências da mentalidade circunvizinha,

o próprio meio ambiente, podem , em circunstâncias outras , plasmar um poeta .

Eu fui plasmado , por exemplo, por entre maravilhas campestres. A roça ou o campo são fantásticos criadores de poesia. Ela anda atapetando por todos os cantos a natureza, as gentes, os animais, os atos e fatos. e a cabeça daqueles com quem ela convive. E o poeta, criador por excelência, se abebera de todas as belezas esparsas pelas colinas, serras, vales e descampados , para transformar tudo em versos e rimas, ou em versos simplesmente, onde pululam , como cabritos silvestres, as figuras literárias, os tropos, as sínteses, as comparações, e todos os anseios que lhe vão no imo da alma. Para satisfação própria e para satisfação dos que convivem com o poeta. E´ por isso que se botardes olhos curiosos sobre meus poemas havereis de tropeçar a todo o momento com um motivo roceiro, pois trago uma alma plasmada pelas belezas rurais de Santana, Santa Olímpia , Fazenda Negri, e especialmente por aquela colina encimada ,no cocuruto, pelo prédio do grupo escolar, onde aprendi a ler e escrever e a poetar.

Peço desculpas por haver-me prolongado um pouco nestas elucubrações poéticas, desobedecendo aos conselhos do amigo Ésio que continua exigindo de mim discursos improvisados, o que seria tão para os ouvintes , que ansiosamente aguardam o momento de bater palmas acabando assim com a verborragia oratória.

Não posso entretanto encerrar esta breve alocução sem deixar consignados meus agradecimentos do fundo do coração ao prefeito José Machado ,ao seu Secretário da Ação Cultural Heitor Gaudenci Junior, ao seu sub-secretário poeta Ésio Pezzato, ao prefaciador Moacyr de Oliveira Camponez do Brasil sobrinho, aos queridos opinadores Maria Cecília Bonachella, Maria Ivana França de Negri, exímias poetisas, prof. Elias Salum e a minha filha Universitária Fabíola Vitti Moro, pela maravilhosa capa, Editores e toda equipe de funcionários , à minha esposa pela sugestão transmitida ao prefeito com relação ao advento desta obra, aos digitadores Nair , minha nora e neto Leonardo, e outros que possa ter esquecido, como é fácil em cachola idosa, - meus agradecimentos repito, pela reunião de esforços e trabalho que tornaram possível o advento de mais um livro de minha lavra.

Obrigado “ em geralmente” como dizem nossos cururueiros, aos que ilustraram com sua arte musical esta solenidade e assim também a todos quantos acharam um tempinho para vir prestigiar-me nesta tarefa de cultura e arte. Levem a certeza de que nada mais desejo do que engrandecer com minha poesia a terra que me viu nascer, a terra que me viu crescer, a terra que me proporcionou oportunidade para chegar a um cargo tão nobre quão dignificante de “Príncipe dos Poetas de Piracicaba”

Meu carinhoso obrigado também aos meios de comunicação, de modo especial “Jornal de Piracicaba”, na pessoa de seu Editor Chefe Joacyr Cury , de “A Tribuna Piracicabana”, na de seu diretor Evaldo Vicente, pela divulgação caprichosa deste evento que afinal nada mais é do que mais uma demonstração da exuberância cultural da Noiva da Colina.

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