Lino Vitti - Príncipe dos Poetas Piracicabanos

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O Príncipe e sua esposa, professora Dorayrthes S. S. Vitti

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60 anos de Poesia


quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Adeus, Carnaval! (Texto publicado no jornal FOLHA CIDADE em fev 2011)



Lino Vitti

Ele se foi, meu caro editor Paulo. Hoje é passado, mas se não se realizar a profecia do fim do mundo, dentro de um ano ele – o Carnaval- voltará, com toda a sua pompa, com todo o seu brilho pagão, com todas as suas músicas profanas, com todas as suas camisinhas oficiais, com todos os seus batuques, com todas as suas fantasias, com todos seus carros alegóricos, com todos os seus novos etc. de que se reveste a cada vinda, para gáudio dos foliões, para demonstração de luxo, dinheiro jogado fora quando podia alimentar milhares de esfomeados brasileiros – ele voltará – para exaltar a carne e entristecer a cruz salvadora.
Milhões mostraram sua alegria, cantaram os “hinos” carnavalescos, desfilaram diante de olhos embasbacados de prazer libidinoso ou de apenas curiosidade repeteco de todos os anos, mas as palmas se acabaram, as vozes se calaram, os batuques silenciaram, os passistas recolheram suas pernas, as alegorias se esvaíram e o Carnaval 2011 já era.
E que me dizem vocês, nobre diretor de Folha Cidade, amigos, assistentes que esbugalharam os olhos nas arquibancadas e nas tevês, cidadãos que não ligam para essa manifestação carnal dos tempos, mas sabem que a cada fevereiro ou março, a sociedade promove-a com todo o brilho de que é oportunamente capaz, que me dizem dessa farra que o mundo vê, que o mundo louva, que muitos adoram, que muitos condenam, de que muitos participam, de que alguns fogem, apoiada pela oficialidade que lhe fornece camisinhas em penca para que se evite a concepção natural? Que me dizem vocês disso tudo?
Nada a responder, sr. Poeta. Carnaval que vai, Carnaval que vem. É o povo, é a sociedade, são os governos, é a imprensa, é a televisão, é a cultura, é o prazer, é a alegria, é a voracidade sexual, é o apoio universal do materialismo que sustentam a chegada e a realização carnavalesca, portanto, a cada ano, ele ressurge, se realiza, diz adeus. E promete retornar, com toda a força física e mental de que se reveste, para gáudio de seus foliões, mas para tristeza da virtude, da pureza, da moral e Daquele que um dia do alto de uma Cruz bradou: “Pai, perdoai-lhes porque não sabem o que fazem”.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

SER FRUTO (VI)


Lino Vitti

Ser fruto! Retratar na essência colorida
a força vegetal das profundas raízes,
sugadoras do chão onde se esconde vida,
levando ao fruto o mel que adoça cicatrizes.

Ser fruto! Oferecer a polpa que convida
ao desejo outonal das bocas infelizes.
Imagem ancestral daquela Eva traída,
porta aberta ao porvir de todos os deslizes.

Estrelejando o céu verdolengo da fronde
o fruto mais parece estranho e grato fruto
tentando a cada olhar do qual foge e se esconde.

O fruto quer subir, quiçá no alto de um mastro,
pois é a glória sem par a que a árvore responde
porque o fruto não quer jamais viver de rastro.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

SER FLOR (V)


Lino Vitti

Ser flor! Viver da seiva e luz toda a delícia
com o alado rumor das frondes e das aves.
Nas pétalas sentir a sensual carícia
do fugaz colibri todo adejos suaves!

Ser flor ! mirar do ocaso os tons lindos e graves
e das rubras manhãs a santa pudicícia!
Ver as nuvens no céu navegando quais naves,
sonhar com um jardim de uma terra fictícia.

Ser flor! Pender em cacho ou haste longa e vária,
abandonada em vaso, em sala nobre e grande,
ou enfeitar, quiçá, toalete feminina ,

Ser flor! Brilhar – estrela solitária –
em feliz cabeleira onde a noite se expande
e a cuja vista o amor desanda e desatina.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

SER FOLHA (IV)


Lino Vitti

Ser folha! Tremular qual verde bandeirola
na umbela ampla e sem par do vegetal enorme,
ao sussurrar sutil da brisa que cabriola,
ao sacudir atroz do temporal disforme.

Ser folha! Namorar uma nuvem que rola
pelo infinito anil onde a bonança dorme.
Roupagem de esperança eu sou , imensa esmola
de quem busca uma sombra à vida desconforme.

Pequena e frágil sou, mas grande força tenho
para servir ao mundo oxigenando os ares,
para levar vigor ao complexo do lenho.

Saboreio o calor dos fulgores solares,
reuno-me às irmãs, com as irmãs mantenho
o feérico verdor das matas seculares.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

SER TRONCO(III)


Lino Vitti

Ser tronco! Robustez e força inigualáveis,
sustendo com vigor a copa altiva e nobre
que distribui a sombra ao potentado e ao pobre,
guardando no seu bojo os ninhos invioláveis.

Ser tronco ! Rumo ao céu que a vida e a morte cobre
mas cede seu frescor aos pássaros amáveis.
Aguilhoado ao chão por forças insondáveis!...
Ser um tronco feliz que o vento jamais dobre.

Ser tronco! Ter por lar a mata excelsa e imensa,
sem nunca receber do raio a fulva ofensa,
da triste destruição a insólita desgraça.

Ser tronco! Sustentar as flores sorridentes,
amar e amado ser por todos os viventes,
sentir o afago bom da brisa quando passa.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

SER RAIZ (II)


Lino Vitti

Ser raiz! Embriagar-me em sucção lenta e funda
da seiva que, em cachões, o solo guarda e arquiva.
Pelas veias do tronco alçar-me à copa oliva
e alcandorar em flor matéria vil e imunda.

Ser raiz! E o prazer que a natureza inunda
sentir, quando do céu , insólita, deriva
a chuva de verão, aos cântaros, altiva,
e escutar do trovão a pancada iracunda.

Ser raiz! Emprestar do âmago da terra
as cores imortais que o rico húmus encerra
para que vão brilhar no fruto que há de vir.

Ser raiz! Ascender pelas folhas acima
o universo de Deus, da beleza e da rima,
na conquista da luz, dos sonhos, do porvir...

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

SER ÁRVORE (I)


Lino Vitti
(A série de seis sonetos seguintes é uma homenagem à árvore cada qual referindo-se àquilo que a árvore é)

Ser árvore! Explodir em tronco, folhas, frutos,
exibir festivais esplêndidos de flores!
Dar sombra à pequenez de arbustos promissores
e acolher em meus braços os cipoais hirsutos.

Ser árvore! Beber nos cálidos minutos
da soalheira feraz os cáusticos ardores.
Amar o beija-flor, insetos multicores
e acolher com carinho os pássaros matutos.

Ser árvore! Destino a que me entregaria
com o doce prazer de quem é bom e santo,
de quem nada mais quer do que amor e poesia.

Ser árvore! Subir até o azul dos astros
- para fugir do mundo enlouquecido e em pranto,
- para não precisar, qual serpe, andar de rastros.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

SER CRIANÇA


Lino Vitti

“Lembranças, quanta lembrança,
Dos tempos que já se vão.
Minha vida de criança,
Minha bolha de sabão!”
Ignoro o autor da quadrinha, mas tenho-a na memória desde os tempos escolares. É uma jóia peregrina que enfrenta os tempos e as idades e define, em quatro linhas, a beleza inarredável da infância, daqueles lusores sublimes da vida que desperta, que inicia a caminhada para um futuro ignoto, mas que sempre se julga será feliz. A própria vida já é um prêmio imenso descido do Céu.
Risonha e feliz, difícil e repleta de tropeços, cada qual desfruta da melhor maneira possível a sua infância, aqueles anos que são um botão de rosa ainda por abrir, mas que se abrirá decerto, trazendo a alegria de ser gente, de crescer, de compreender, de conversar, de entender, de pensar, de amar. Ah! ser gente! Quantas crianças, senão todas, anseiam por essa transição da vida humana, ser “grande”, ser menino ou menina, crescer, ver o botão de rosa da vida aberto completamente, sentir o coração disposto a atender as exigências do tempo, da idade, do desenvolvimento físico, da mente responsável, dos sonhos do futuro que embora incerto, é sempre aguardado como uma dádiva divina!
Por que o poeta, lá na quadrinha inicial, compara a vida de criança a uma bolha de sabão? Vocês já viram e notaram aquela bolha enorme que todos assopramos com prazer por um canudinho, como é colorida e leve, encantada e fugitiva? É a imagem perfeita do que é a vida, nada mais que uma bolha de sabão colorida que o vento do tempo leva para longe até, como se fora um sonho que voa, uma ilusão que se desmancha ao sopro da brisa, um encanto que se desfaz de repente e se transforma em nada. E que é a vida humana senão uma bolha de sabão, que ao sopro dos anos vive, mas brevemente se esvai e se desfaz.
“Minha vida de criança, minha bolha de sabão”. Ah! minha gente, os poetas são terríveis, vejam só ao que comparam a vida tão bela, tão sonhadora, tão alegre, tão feliz! A um nada, a um sopro de brisa, a uma bolha esvoaçante e bailarina!
Sou poeta também. Mas discordo do colega. Acho que é vida não é bolha de sabão. Ao contrário, é algo sólido e agarrado ao chão do mundo e que desfruta de uma passagem pelo tempo afora, ora feliz, ora não, ora fácil, ora difícil, ora gloriosa, ora humilde, ora badalada, ora esquecida.
A vida é fruto do amor, vem de Deus por um ato de amor humano e a Deus retornará com a glória e o prêmio merecido, algo bem mais sólido do que uma simples bolha de sabão esvoaçante.
Observem o seguinte: quando criança somos, desejaríamos ser homem, pois imaginamos que homem sabe tudo, consegue tudo,manda em tudo, vai para onde quer, não deve obediência a ninguém, é livre enfim, e feliz. Homem namora, casa, tem filhos, ganha dinheiro, usado como quer, enquanto o menino (que dureza!) deve obedecer, ir à escola, ajudar os outros, de modo especial fazer o que mandam o pai, a mãe, os irmãos mais velhos. Ah! crescer, ser moço, livre dos afazeres escolares, ir para onde quiser, sem necessidade de pedir licença a ninguém...Que maravilha!
Pura e doce ilusão, pois o menino cresce, fica moço, chega à maturidade e a vida é sempre aquela mesma, dependente, complicada, afanosa e subordinada a exigências mil, pois soa sempre o mesmo dilema divino: ganharás o pão com o suor de teu rosto...

sábado, 4 de fevereiro de 2012

ETERNO ASSUNTO: SER FELIZ


Lino Vitti

Não saiamos, qual muitos, loucamente,
por caminhos estranhos, à procura,
dessa visão romântica – a ventura –
que seduz e que engana a muita gente.

nem um passo sequer demos à frente,
nem um gesto sequer, que essa criatura
a um tempo nos alegra e nos tortura
e nos diz a verdade quando mente.

Não, não sair. Melhor será esperá-la
e se um dia vier, por um momento,
bater à nossa porta, entrar deixá-la.

Tem cuidado, porém, e ouvido atento:
nada de acreditarmos no que fala
pois que é tudo fugaz encantamento.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

CARRO DE BOIS


Lino Vitti
(Escrito, este soneto em 1935, aos 15 anos, quando seminarista)

No sertão como é triste pelo estio
Ouvir gemendo ao longo de uma estrada,
Ou nos largos atalhos da queimada
Grande carro de boi num mesto chio.

Lá vai ele monótono e tardio...
Seu berro mais parece uma toada
Saída de sua alma amargurada
A errar, errar, pelo sertão bravio.

Seu berro mais parece uma poesia,
Um hino de tristeza e nostalgia,
Poema que entristece o coração.

Ah! vai carro de boi, vai sem repouso.
Vai levar com teu cântico saudoso
Viver pelas estradas do sertão.

1935!!! Se acertei na continha de diminuir, são 77 anos que escrevi este soneto! Admirável conservação de arquivo que atravessou quase oito décadas, de caderno em caderno, de gaveta em gaveta, amarelecendo com os anos acumulados, enfrentando os perigos das mudanças de móveis, de gavetas, de residência, com a vinda de sete filhos, criaturinhas que são especialistas em rasgar papéis, ao engatinhar pelos cômodos caseiros, entretanto o soneto seminarístico, escrito (aos 15 anos disse-me o Paulo diretor) chegou intato até hoje, a tempo de poder ocupar uma página especial de Folha Cidade, este semanário que reúne os melhores articulistas da cidade de Piracicaba e divulga as mais esclarecedoras publicações sobre cristianismo e material social, sobre Fé e ensinamentos religiosos da cidade, do país e do mundo.
Podem e com razão, os caríssimos leitores que tivermos, estranhar que no século 21 esteja eu a falar de carro de boi, uma história que se perde nos tempos, mas que o viu transportando toras da mata virgem para a serraria da Fazenda Negri, transformando as perobas, os jequitibás, os cedros, em tábuas perfeitas para as casas que se construíam rapidamente no bairro e aqui em Piracicaba, durante anos e anos.
Eu vi. Eu admirei. Eu tenho saudade daquelas máquinas que a adolescência me deu oportunidade de ver, a transformação rápida e perfeita dos gloriosos habitantes arbóreos da floresta, em material que iria servir, com galhardia e beleza, as novas construções dos bairros tiroleses e da própria Piracicaba.
E o carro de boi posso dizer, era o principal participante dessa transformação, quando um carreiro, de pés descalços, mas de aguilhão à mão, tangia a boiada em fila e unida pela cangalha, no serviçal carro de boi, transportador inconteste das valiosas árvores que iriam ser tábuas do assoalho das casas vindouras.
77 anos! E a lembrança do saudoso carro de boi, persiste na minha nonagenária memória, tão belo, tão serviçal, tão importante no tempo. E muitas vezes, no silencio das noites de insônia, parece-me ouvir, na distância da solidão, o “gemido” glorioso de um longínquo carro de boi, enchendo de saudade a velha memória deste que tantas vezes o viu e ouviu “cantando” pelas estradas rurais das paisagens da meninice.

PRÍNCIPE DOS POETAS DE PIRACICABA

CURRICULUM VITAE
( Síntese de Vida)
NOME – Lino Vitti
IDADE – 08/02/1920
ESTADO CIVIL – Casado, em únicas núpcias, há 56 anos, com a Professora Dorayrthes Silber Schmidt Vitti
FILIAÇÃO – José e Angelina Vitti
NATURALIDADE – Piracicaba, Estado de São Paulo –Brasil
Bairro Santana , Distrito de Vila Rezende
VIDA FAMILIAR
Casamento Civil e Religioso em comunhão de bens, Pai de sete filhos: Ângela Antónia, Dorinha Miriam, Rosa Maria, Fabíola , Lina, Rita de Cássia, Eustáquio.
VIDA PROFISSIONAL
Aposentado como Diretor Administrativo da Câmara de Vereadores de Piracicaba, e como Redator do “Jornal de Piracicaba”. Exerceu atividades no comércio, no Magistério, na lavoura até os l3 anos, na municipalidade local, como bibliotecário, lançador de impostos, protocolista, Secretário Municipal.

VIDA CULTURAL
ESCOLA PRIMÁRIA –
Grupo Escolar “Dr. Samuel de Castro Neves”, Santana, seminarista vocacional ao sacerdócio por seis anos, no Colégio Santa Cruz, da cidade de Rio Claro (SP), onde cursou humanidades, línguas, religião, ciências, matemáticas, música.
CURSOS –
Formou-se Técnico em Contabilidade, lecionou latim, francês, datilografia.

VIDA RELIGIOSA
Católico, Apostólico, Romano, fez curso de religião em seminário dos Padres Estigmatinos, foi organista da Catedral e da Igreja de São Benedito, de Piracicaba, e Congregado Mariano.
VIDA LITERÁRIA
Bafejado por ensinamentos de sábios sacerdotes em colégio de formação religiosa, recebeu extraordinário acervo literário que lhe propiciou enveredar pelo caminho da poesia, da crônica, dos contos, do jornalismo, havendo editado de l959 a 200l sete livros de poesias e contos, com edições em milheiros de volumes, os quais estão aí para satisfazer o gosto daqueles que apreciam a arte literária.
São seus livros : “Abre-te, Sésamo”, l959; “Alma Desnuda”, l988; “A Piracicaba, Minha Terra”, l99l; “Sinfonia Poética”, de parceria com o poeta Frei Timóteo de Porangaba; “Plantando Contos, Colhendo Rimas”, l992; “Sonetos Mais Amados”, l996 e “Antes que as Estrelas brilhem”, 200l. O poeta conta ainda com o prazer de haver composto hinos para diversos municípios, bairros rurais, entidades sociais diversas, continuando a colaborar ainda, após os 83 anos em colunas literárias e com artigos de ordem geral em jornais da terra.
Faz parte da Academia Piracicabana de Letras que lhe outorgou o título honorífico de “PRÍNCIPE DOS POETAS DE PIRACICABA’.
Foi-lhe concedida Pelo Município de Piracicaba, através de sua Secretaria da Ação Cultural, a MEDALHA DE MÉRITO CULTURAL, “ Prof. OLÊNIO DE ARRUDA VEIGA’; é detentor do TROFÉU IMPRENSA, concedido pelo Lions Clube de Piracicaba, centro, e da MEDALHA ITALIANA, concedida pelo governo italiano de Benito Mussolini aos alunos de escolas e seminários de origem daquele país que tivessem se destacado em redação de trabalhos literários escritos na língua de Dante.
O Município de Saltinho, para o qual contribuiu com o Hino dessa comunidade municipal , conferiu-lhe o título de “Cidadão Saltinhense”.

DISCURSO

Por ocasião do lançamento do livro de poesias “Antes que as estrelas brilhem “, pelo poeta Lino Vitti foi proferido o seguinte discursos:

Exmo. Sr. Heitor Gauadenci Jr. dd Secretário da Ação Cultural

Exmo. sr. António Osvaldo Storel. dd. Presidente da Câmara de

Vereadores de Piracicaba

Exmo.sr. Moacyr Camponez do Brasil Sobrinho, dd. Presidente do Instituto Histórico e Geográfico

Exmo,. sr. Henrique Cocenza, dd. Presidente da Academia Piracicabana de Letras

Exmo.. Sr. Ésio Pezzato , anfitrião desta solenidade

Senhoras e Senhores

Pela sétima vez (graças a Deus) em minha vida lítero-poética vejo-me guindado a uma tribuna improvisada (o que é bom porque torna o fato mais popular), para proferir um discurso de agradecimento, ao lado da oferta de um novo livro de versos. É teimosia essa de poetas em desovar sua produção para que mais gente participe de suas tiradas, muitas vezes fora de forma e de ambiente, mas que o poeta não vê porque , ao editar um novo livro está cego pela emoção , como se fosse a vez primeira. Está aí o Ésio Pezzato, responsável por mais esta minha invasão no mundo das letras poéticas, para dizer se não é assim. Para dizer se não sofre também dessa doença feliz de editar livros e mais livros a ponto de perder a conta, já que a esta altura ele não sabe se já está no décimo ou décimo primeiro. E ainda continua batendo dedos de métrica, sabemos lá por quantos anos ainda !

Tenho um ex-colega de seminário, prof. Hildebrando André, aposentado como professor universitário e com o qual mantenho longa e pródiga correspondência, que não se cansa de enaltecer a felicidade de Piracicaba contar com tantos poetas e poetisas. Tem razão ele, pois se apenas dois deles já conseguiram editar l8 livros de poesia, imagine-se as centenas que seriam necessárias para dar um pouco de vazão a essa raridade intelectual que toma conta da minha terra!

Este meu livro vem à lume por obra e arte do prefeito José Machado , seu Secretário da Ação Cultural e de seu zeloso servidor Ésio Pezzato que se entusiasmaram diante da recitação de diversos poemas meus por um grupo de jograis, alunos da UNIMEP, e impressionados decidiram patrocinar a publicação deste livro, pois entenderam que Piracicaba poética merecia conhecer em mais profundidade o seu príncipe da poesia. E aí está, lindo e impecável, entregue às mãos do povo de Piracicaba, que indistintamente de cor, estudos, intelectualização , posses financeiras, categoria de trabalho, com religião ou agnóstico, jovem ou adulto, roceiro ou citadino, aí está, para quiçá, momentos de lazer e sonho. Sonho , sim, porque a poesia é terrivelmente sonhativa , vive no mundo da fantasia, alicerça-se nas bases da emoção e brota do âmago mais profundo do poeta, e para que as filhas de Eva não reclamem, da poetisa também.

Alguém me perguntará? Como é ser poeta? Juro, nunca pensei nisso. Acho que ninguém consegue ser poeta. Já é. Nasce feito, como dizem.

não é verdade Maria Cecilia, Ivana Maria, Ésio Pezzato , Prata Gregolim, Marina Rolim, Valter Vitti, Mario Pires, Saconi, e tutti quanti enfeitam com seus lindos versos as páginas do “ Jornal de Piracicaba, ou da “Tribuna Piracicabana , e assim também esse cacho imenso de livros poéticos que quase semanalmente são dados ao conhecimento e sentimento público de nossa terra ? Tornando-se um privilégio de uma cidade, como disse alhures o supra citado meu colega seminarístico Hildebrando André. ?

Não se suponha que para ser poeta é preciso ter nascido em berço de ouro ou em centros intelectuais de enorme repercussão. Nada disso. Tenho um soneto que define bem esse fato. É assim: “Eu não sou o poeta dos salões / de ondeante, basta e negra cabeleira] não me hás de ver nos olhos alusões / de vigílias, de dor e de canseiras. // Não trago o pensamento em convulsões,/ de candentes imagens, a fogueira. / não sou o gênio que talvez supões/ e não levo acadêmica bandeira.// Distribuo os meus versos em moedas/ que pouco a pouco na tua alma hospedas / - raros , como as esmolas de quem passa. / Mas hei de me sentir feliz um dia/ quando vier alguém render-me graça/ por o fazer ricaço de poesia. // “ . Poetas e poetisas saem do nada , devem trazer o selo ou o bilhete de entrada nesse reino encantado desde o útero materno, embora ouse eu afirmar que a vida é também uma grande mestra , as influências da mentalidade circunvizinha,

o próprio meio ambiente, podem , em circunstâncias outras , plasmar um poeta .

Eu fui plasmado , por exemplo, por entre maravilhas campestres. A roça ou o campo são fantásticos criadores de poesia. Ela anda atapetando por todos os cantos a natureza, as gentes, os animais, os atos e fatos. e a cabeça daqueles com quem ela convive. E o poeta, criador por excelência, se abebera de todas as belezas esparsas pelas colinas, serras, vales e descampados , para transformar tudo em versos e rimas, ou em versos simplesmente, onde pululam , como cabritos silvestres, as figuras literárias, os tropos, as sínteses, as comparações, e todos os anseios que lhe vão no imo da alma. Para satisfação própria e para satisfação dos que convivem com o poeta. E´ por isso que se botardes olhos curiosos sobre meus poemas havereis de tropeçar a todo o momento com um motivo roceiro, pois trago uma alma plasmada pelas belezas rurais de Santana, Santa Olímpia , Fazenda Negri, e especialmente por aquela colina encimada ,no cocuruto, pelo prédio do grupo escolar, onde aprendi a ler e escrever e a poetar.

Peço desculpas por haver-me prolongado um pouco nestas elucubrações poéticas, desobedecendo aos conselhos do amigo Ésio que continua exigindo de mim discursos improvisados, o que seria tão para os ouvintes , que ansiosamente aguardam o momento de bater palmas acabando assim com a verborragia oratória.

Não posso entretanto encerrar esta breve alocução sem deixar consignados meus agradecimentos do fundo do coração ao prefeito José Machado ,ao seu Secretário da Ação Cultural Heitor Gaudenci Junior, ao seu sub-secretário poeta Ésio Pezzato, ao prefaciador Moacyr de Oliveira Camponez do Brasil sobrinho, aos queridos opinadores Maria Cecília Bonachella, Maria Ivana França de Negri, exímias poetisas, prof. Elias Salum e a minha filha Universitária Fabíola Vitti Moro, pela maravilhosa capa, Editores e toda equipe de funcionários , à minha esposa pela sugestão transmitida ao prefeito com relação ao advento desta obra, aos digitadores Nair , minha nora e neto Leonardo, e outros que possa ter esquecido, como é fácil em cachola idosa, - meus agradecimentos repito, pela reunião de esforços e trabalho que tornaram possível o advento de mais um livro de minha lavra.

Obrigado “ em geralmente” como dizem nossos cururueiros, aos que ilustraram com sua arte musical esta solenidade e assim também a todos quantos acharam um tempinho para vir prestigiar-me nesta tarefa de cultura e arte. Levem a certeza de que nada mais desejo do que engrandecer com minha poesia a terra que me viu nascer, a terra que me viu crescer, a terra que me proporcionou oportunidade para chegar a um cargo tão nobre quão dignificante de “Príncipe dos Poetas de Piracicaba”

Meu carinhoso obrigado também aos meios de comunicação, de modo especial “Jornal de Piracicaba”, na pessoa de seu Editor Chefe Joacyr Cury , de “A Tribuna Piracicabana”, na de seu diretor Evaldo Vicente, pela divulgação caprichosa deste evento que afinal nada mais é do que mais uma demonstração da exuberância cultural da Noiva da Colina.

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