Lino Vitti - Príncipe dos Poetas Piracicabanos
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terça-feira, 10 de setembro de 2013
POEMA A PIRACICABA
segunda-feira, 5 de março de 2012
Manhã Piracicabana
| (foto Ivana Negri) |
Lino Vitti
Quando o dia desperta nestas bandas
um dilúvio de luz do céu desaba.
E tufos de neblina – velas pandas –
velejam , manso, no Piracicaba.
O bom dia do sol é generoso,
sorridente e repleto de beleza.
Grande e sincero como de um esposo
que esposo é o sol da noiva natureza.
E há casamento. A “Noiva da Colina”
vai ao salto buscar o branco véu.
Por altar – o cenário; música – em surdina.
Dizem o sim... e o sol entre a neblina
arcoiriza a aliança enviada lá do céu.
Os pássaros flauteiam, festejando,
aqui, ali, por bosques e pomares,
numa delícia matinal e incauta.
Não sei, talvez esteja eu delirando,
mas parece-me ouvir subindo aos ares
o Erotides de Campos em sua flauta.
É a impressão caprichosa que provocam
estas manhãs da minha terra artista
que é quando a natureza e o azul se tocam
num grande e delicioso amplexo egoísta.
Os canaviais farfalham “piano”, “ piano”
com milhões de violinos quando a brisa
levemente a fugir roça e desliza
por sobre o louro oceano.
Depois vem o tumulto das calçadas
com as suas pupilas indiscretas,
surpreender o festim do amanhecer
e espantar as visões mal debuxadas
da fantasia vidente dos poetas
que se ergueram do leito bem de madrugada
só para ver.
E a cidade se anima, e, desperta a cidade,
o comércio se agita, sol em profusão.
Às vezes, um avião demanda a imensidade.
E eu coloco a minha alma a bordo desse avião
para que vá, num surto de ansiedade,
beber toda a poesia da amplidão..
sábado, 31 de julho de 2010
POEMA À PIRACICABA
POEMA À PIRACICABALino Vitti
A beleza das verdes colinas
enamora o audaz capitão.
A esperança dourada das minas
e os mistérios do rico sertão.
O rumor musical da cascata
a que o peixe teimava escalar,
o murmúrio das águas de prata,
todo um mundo de encantos sem par!
Terra roxa, divina promessa,
rio largo a buscar o Tietê.
Tudo corre, engrandece, tem pressa,
Povoador acredita e prevê.
Traça o chão onde um dia a cidade
será grande, quiçá capital,
surge no alto, à solar claridade,
a feliz Piracity eternal.
Ei-la em busca de um grande futuro,
muito amada por filhos geniais
que lhe ofertam o afeto mais puro
e acalentam-lhe os nobres ideais.
Ficou “noiva”, casou com o progresso,
da cultura fez sólido ideal.
Fez da agrícola ciência o sucesso
dessa ESALQ de fama mundial.
Pontilhada de escolas soberbas,
berço altivo de profissionais,
venceu lutas hostis mais acerbas,
fez dos sonhos os fatos reais.
Minha histórica Piracicaba,
dona excelsa de idílico véu,
meu amor, por você, não se acaba,
nem jamais serei cínico incréu.
Que seus filhos da urbe ou da roça
lhe dediquem o mais vivo amor.
Essa vida de amores remoça
no trabalho, realeza e fulgor.
Que o destino ofereça a grandeza
de fazê-la grandiosa e feliz.
Nossa vida a esse amor fique presa
a esse povo que a quer e bendiz.
quinta-feira, 8 de abril de 2010
A PIRACICABA, MINHA TERRA - Epílogo
(Noiva da Colina - Desenho de Angelino Stella)EPÍLOGO
(Capítulos finais)
E o século findou prenhe de grandes obras,
O estrépido dos trens com noturnas manobras,
as irmãs, o coreto, as bandas e as esco1as;
eleições, Presidente, intendentes, edis.
Mil novecentos veio e trouxe tantas novas,
tantas que nem sequer cabem em poucas trovas
ou num rol pobretão de rimas juvenis.
Por isso passo ao largo, apenas convidando
o leitor a pensar e contemplar pensando
na cidade de agora e a cidade de então.
A vontade, o trabalho, o esforço de seus filhos
seguindo, sem descanso, os mais diversos trilhos
da aventura, da fé e total dedicação!
Seguindo o exemplo dado aos pósteros como eles
Namorados do bem, da labuta daqueles
que na história da terra eram os povoadores.
Como aqueles também hoje em dia se luta
para que a terra seja essa coisa batuta
- um pedaço de chão cercado de esplendores.
Como a deles a vida há de seguir cantando,
o pessimismo atroz daqui sempre expulsando
tendo em mira construir sociedade especial.
O burgo nos deixou o exemplo dos maiores,
o exemplo de um viver de beleza e suores,
na concretização do maior ideal.
Se o velho Capitão Povoador ressurgisse
e com olhos reais Piracicaba visse
“cheia de encanto e flor” como a cantou o poeta (Newton de Mello)
choraria de susto e de alegria imensa
por ver a seu labor tamanha recompensa,
por ver que vã não fora a busca dessa meta.
Veria a povoação feita cidade grande,
metrópole quiçá que progride e se expande,
de vila a freguesia, em cidade afinal.
Veria o Padroeiro abençoando as raças,
a rede, em profusão, de avenidas e praças,
ou cada ocupação bravo profissional.
Veria que a capela outrora tão catita
seria catedral, vistosa, ampla e bonita,
multidões de fiéis a cantar e a rezar.
E veria decerto os seus filhos dispersos,
espalhados aquém e em países diversos,
as ciências e o trabalho em dose cavalar.
Veria que a campina antes improdutiva
ora se transformou nessa lavoura viva
de canaviais ciciando à brisa mensageira.
Veria apendoar os milharais verdoengos
Os louros arrozais mexendo ao vento em dengos
de moça sensual em longa quebradeira.
Veria o picadão que o bandeirante ousado
em meio à mata abriu com braço denodado
feito via que vai ligando extremo a extremo.
A larga fita negra estendida no asfalto
que leva o cidadão, num minuto, de um salto,
ao impulso veloz como em dorso de um demo.
Veria muito mais. Veria o burro, o trole,
o cavalo, a carroça, a fornalha da fole,
toda essa cacaria, essa curiosa tralha,
o burro e o cavalo em motores transfeitos,
os carroções de boi em caminhões perfeitos,
veria o forno de aço em lugar da fornalha.
A escolinha singela envolvida em saudade
veria agora ser alta universidade,
que o humilde professor virara catedrático;
que o passo do povoado a subir lento os montes
fez-se marcha a buscar os largos horizontes;
que o teórico virou rapidamente prático.
Que a enxada gemedora e atônita da roça
da mão do lavrador desajeitada e grossa
virou tudo trator de uma lavoura extensa.
Machado e foice são serra motorizada
que avança com furor na árvore apavorada
em minutos destrói matarias imensas.
Veria, no entretanto, infeliz, que o seu rio
por força da injustiça e humano desvario
sucumbira ao fragor do insólito progresso.
Vê-lo-ia poluído, agonizante e feio,
Podendo-o comparar, sem mínimo receio,
Ao escorrer do pus de fétido abcesso.
O salto nem sequer lhe lembraria aquele
Que cortou-lhe o caminho e o fez escravo dele
Chamando-lhe atenção a “beleza sem par”. (O. Bilac)
Choraria de dor, de desesperos loucos,
Frente a todos que estão esquecidos e moucos,
E a tragédia não vêem do rio a se findar.
Foi ele que atraiu um dia o bandeirante
Com a sua largura e um salto tão pujante,
Com tanta limpidez de suas águas claras.
O homem enamorou-se e o rio, agradecido,
Deixou o Povoador na beleza envolvido
Parando ao pé do salto os barcos e as igaras.
Ficaram, desde então, unidos num só sonho
prometendo ao local um futuro risonho
que a vida, muita vez, consegue destruir.
E aquilo que então fora uma promessa linda
desfeita estava agora, agora estava finda,
estava sepultado um glorioso porvir.
O rio já sucumbe à imundície assassina,
conspurcaram o véu da Noiva da Colina,
preconiza-se a morte e esta, em breve, virá.
É bom que o Capitão desfaça-se do sonho
antes do que assistir a esse quadro medonho
que logo e fatalmente o rio nos será.
Cala-te, minha pena, eu te suplico e imploro
porque a terra que eu amo, a terra que eu adoro,
perdeu o rio que era a vida e o seu valor.
Não mais resisto ao pranto, choro convulsionado
se rola, em mortandade, o peixe trucidado
ao tóxico poder de um mundo matador.
A máquina quebrou, a tecla já não bate,
eu me sinto vencido, enfim, neste combate
e o cansaço me aflora à tona da epiderme.
Quem mais quiser saber da história aqui contada
compulse o Manual de História, escrevinhada
pela alma cidadã do Professor Guilherme.
* * *
quarta-feira, 7 de abril de 2010
A PIRACICABA, MINHA TERRA - A AGRONOMIA

(Cap. XXXVII)
E um dia um cidadão de ideal acalentado
Teve um sonho sem par há muito acalentado
Concretizando-o após para susto geral,
Na fazenda São João da Montanha, instalando
Essa que iria ser – o fato formidando,
- a concretização de seu magno ideal.
Uma escola em que o campo e sua agricultura
falasse bem de perto às ciências e a cultura,
Levasse para o mundo o valor de seus filhos.
A “Luiz de Queiroz”, de fato hoje um portento,
Um pináculo audaz, eterno monumento,
Pelo mundo estendendo seu valor e brilho.
O patrício, o estrangeiro ali fazem seu ninho
Nele encontrando o mais devotado carinho
Dos mestres que lhes dão estudo e profissão.
É Luiz de Queiroz pioneiro destemido,
Jamais o alcançarão os pesares do olvido,
Os desejos malsãos jamais o alcançarão.
O ensino, a ciência, a fama em torno de tal astro
Desvendando ao porvir maravilhoso rastro,
Apontam ao futuro a força da lavoura.
É como se um titã repleta a mão de sonhos,
Se pusesse a espargir pelos campos risonhos
Sementes imortais que doce sol redoura.
Por séculos afora os milagres de agrônomos
Todos os anos vão, preparados e autônomos,
Povoar com seu saber os campos do Brasil.
A Luiz de Queiroz nosso muito obrigado
por quanto a Escola fez de grande e renomado,
Por quem seguiu, após, teu sonho varonil.
A PIRACICABA, MINHA TERRA - Os Frades
OS FRADES(Cap. XXXVII)
Não há núcleo, não há fundação da cidade
onde falte a figura exótica do frade
debaixo da humildade exata do burel.
É o padre, o sacerdote, o ministro de Deus,
levando para o céu os paroquianos seus,
livrando o pecador das garras de Lusbel.
E a sotaina marrom veio a Piracicaba
e sobre o mundo e o tempo um dilúvio desaba
de fé, de religião, caridade e esperança.
O povo citadino e o povo sertanejo
sentiram, bem-estar e sólido desejo
de servir ao Senhor; de servi-lo não cansa.
Surgiu em cada sítio em cada rincão nobre
a igrejinha rural com seu aspecto pobre
mas rica de entusiasmo e amor à sua Fé.
Ainda hoje é comum ver no topo de um monte
a capela e a entestar na linha do horizonte
nos diz que a religião frondeja e está de pé.
Quem ia consolar em casa o moribundo
levando-lhe com todo o respeito profundo
Cristo na comunhão, no passo para a morte?
Era o bom capuchinho, o frade sorridente
que jamais se negou a auxiliar o doente
dando-lhe desta vida o último passaporte.
E a memória registra os feitos capuchinhos,
feitos imemoriais, enfrentando sozinhos
o sol, os temporais, a escuridão da noite,
muitas vezes ao léu das chuvas, encharcados,
outras fazendo a pé caminhos estropiados,
quase sempre não tendo onde fazer pernoite.
Com ajuda dos mais, com célicas manobras,
deixaram-nos aí magníficas obras
na alma e no coração da cidade a crescer.
Missionários do amor, peregrinos gigantes,
seus feitos ficarão eternos, cintilantes,
para que as gerações não se cansem de ver.
A PIRACICABA, MINHA TERRA - Em disparada

“EM DISPARADA”
(Cap. XXXVII)
E como, meu leitor, o poema vai longo
e já merecedor de buzinada ou gongo
correrei tal qual fez o nobre historiador.
Escreverei que foi o século tão cheio
de vitórias totais que fico com receio
de deixar para trás adventos de valor.
Não direi que houve até turismo gatinhando,
novas escolas vêm às outras se juntando,
empresas comerciais em profusão gostosa.
E nem revelarei que o correio chegara
qual coisa necessária e extremamente rara
já que a correspondência era bem numerosa.
Calarei, por respeito, a vinda da cadeia
que falar de prisão eu acho coisa feia
Vez que a todos o crime entristece e anuvia.
Deixarei de escrever sobre templos e igrejas,
nem preciso dizer das coisas benfazejas
plantadores que são da fé que salva e cria.
Nem descrever preciso a chegada da imprensa
tão gloriosa e imortal eu lhe vejo a presença,
tão fantástica eu vejo a história dos jornais.
A imprensa a história faz, seja bela ou sinistra,
é a imprensa a vigilar que tudo nos registra
e lega e imortaliza os fatos atuais.
Deixo aqui, como prova especial de respeito,
aos jornais desta terra o mais profundo preito
de amor, de gratidão, de amizade e carinho.
Para quem nela crê, para quem nela lida,
a imprensa é qual banquete, é célica comida,
atraente e teimosa, igual bacante vinho.
Envolto nessa teia iluminada e viva
o jornalista tem na imprensa a alma cativa,
tem manhas divinais do polvo de GIILIAT. (Vitor Hugo)
E quanto mais o suga e quanto mais o fere
a vítima se agarra e mais profundo adere
e nunca mais, a imprensa, o pobre deixará.
O gênio que a inventou e que hoje ainda se ergue
nas luzes do passado - o imortal Gutemberg -
reverencio agora e lhe rendo a homenagem.
Que receba de nós - gerações que caminham -
que ao longo do viver as forças não definham
dizendo-lhe que a imprensa é doce vassalagem.
Dizendo-lhe que ela é qual ave peregrina
- condor que o ninho fez no topo da colina -
onde Piracicaba ergueu-se e prosperou.
O “Jornal”, o “Diário”, a “Tribuna”, trindade
Para mostrar ao mundo, à plena saciedade,
Que a imprensa aqui floresce e aqui se alcandorou.
Foi ela, unida à Escola em sólida simbiose,
Dos tempos através que nos deu farta dose
De poetas gentis, de gentis escritores,
Jogando com a rima em folguedos diversos,
Da poesia tecendo os colares de versos,
Brinquedos de cristal de jovens sonhadores.
Na cidade se canta em líricos poemas,
O roceiro compõem em versos seus dilemas
Temperando de amor trovas sentimentais.
É pródiga, auroral, dos livros a colheita
Dando a impressão que em cada esquina nos espreita
Um poeta a compor sonetos tropicais.
Não falta nesse rol de amantes da poesia
a seresta com toda a sua fantasia,
com violas e violões, pandeiros e violinos.
Romântico, o luar, se põe a ouvir de cima
a terrestre canção onde floresce a rima
em versos a chorar impossíveis destinos.
Novidade a seguir os ventos do progresso
da seresta, depois, se deu brilhante ingresso
com todo seu cartaz, a banda musical.
Foi concretização de um intenso desejo.
foi festa a não poder, foi o maior ensejo
de propiciar ao povo um grande festival.
E, a tempo, ainda chega a ferrovia, a linha,
a Maria-fumaça impôs-se qual rainha,
com gare, a demonstrar alcantilado status.
E a cada vir de trem os ares apitavam,
cada vez de partir as caldeiras bufavam
reboando muito além nos recantos pacatos.
O povaréu vibrava em sibilantes gritos,
o vapor estrilante assobiava apitos
e o ferro contra ferro era um surdo rumor.
O piracicabano engolfou-se em viagens
para outros centros ia atolado em bagagens,
querendo conhecer o mundo com furor.
Única mancha negra a envergonhar-nos era
a escravatura atroz em compasso de espera
pois liberdade havia lampejando ao redor.
Depois de tantos choro e lágrimas frementes
floriram, certo dia, as risonhas sementes,
a escravidão sorriu em lídimo esplendor.
O escravo viu cair as terríveis argolas
e pôde freqüentar as públicas escolas,
tomar-se cidadão, viver a própria vida.
A esperança de ser afinal também livre,
de poder saborear a pinga com gengibre
concretizou-se enfim, em risos convertida.
“Ave, libertas” - viva a liberdade - disse
a “Gazeta” de então, expressa de meiguice,
com que o jornal saudou o fim da escravidão.
E o braço escravo foi nova força e potência,
melhora o trabalhar sem chula prepotência
do chicote feroz que brandia o patrão.
Depois da escravidão outra importante data
veio ferir do povo a quietude pacata,
mexer no sentimento e na vidinha pública.
A notícia festiva e altamente política
sem ter contestação, sem polêmica ou crítica,
foi a Proclamação da Primeira República.
E foi Piracicaba, exatamente a nossa
que já sentia em si rajadas dessa bossa
que cedeu o civil primeiro Presidente.
Os nossos cidadãos ciosos da liberdade,
puseram-se à vanguarda em favor da cidade
dando vazão à fé no governo nascente.
Gloriosa primazia e especial deferência,
Prudente de Moraes galgando a Presidência,
um filho cultural desta Piracicaba.
Honra insigne, decerto, a orgulhar este solo,
pois foi quem o embalou em seu cívico colo,
foi índio deste mato e pagé desta taba.
Não há como deixar neste curto resumo
cuja pobre autoria, ousadamente, assumo
o nome dos mortais ilustres desta história.
São muitos, grandes são, falta fôlego e engenho
para contar aqui o seu cívico empenho,
para um pouco mostrar de sua eterna glória.
Reporte-se o leitor ao Manual do mano
para certo saber o piracicabano
nome que dignifica o rol desses ilustres.
Política é uma escada arrojada e comprida,
esses homens talvez (a imagem não tem vida)
o mesmo apoio dão que à escada os balaustres.
Que glória para nós termo-los no Congresso
onde, só homens de bem deviam ter acesso!
Tivemo-los, eu sei, empenhados e justos.
Intendente, prefeito, alcaide, executivo
é tudo uma só coisa - o pensamento vivo,
o deflagrar de ideais valorosos e augustos.
terça-feira, 6 de abril de 2010
ÁGUA... ÁGUA...

(Cap. XXXVI)
Numa aflitiva voz suplica água o pedinte
desde os tempos de antanho até o século vinte,
sempre a súplica é a mesma, é a mesma sempre a voz.
Do mesmo jeito ocorre ao nascer das cidades
quando cresce o seu povo e as fontes das herdades
não conseguem matar a sede longa e atroz !
Também Piracicaba em - “disparada” - a verve
do historiador nos diz - para que em si conserve
o crescente aluvião de habitantes que tem
vai às fontes pedir que o povo dessedente,
vai ao rio buscar água pra sua gente
para a sede saciar de quem de longe vem.
E em meio à praça, à luz de um sol glorioso e cálido
de um sol dourado e bom, saudavelmente pálido,
jorrou numa cascata o grande chafariz.
Era um líquido sonho a chegar como bênção
e tão alto esguichou que o povaréu já pensa
ser o céu a mandar doce chuva feliz.
Alegre festival de palmas e sorrisos
aceitou esse prêmio de líquidos guisos
de água a verter em meio à multidão compacta.
Era a vitória enfim e a fé nos comandantes
cuja virtude, então, como nos homens d’antes
na crença popular permanecia intata.
Eram redes de tubo a trazer da distância
o líquido precioso em mágica abundância
servindo a todo gosto exigências do lar.
Quem diria, porém, que um dia aquelas redes
de canos viessem ser essas que agora vedes,
espetáculo enorme, organismo sem par!
O minúsculo sonho um dia em plena praça
ninguém supôs jamais se transformasse em graça,
na graça colossal que se chama SEMAE!
Aquele chafariz, em nome da verdade,
foi decerto a semente a servir de vontade
ao “filho” que, afinal, é digno de tal pai.
A PIRACICABA, MINHA TERRA - O Povoador

(Cap. V, VI, VII, etc)
A ordem foi: povoar. E Corrêa Barbosa
- Capitão-Povoador - sem dar-se a muita prosa
resolveu povoar mas onde bem quisesse.
E desobedecendo às ordens vindas do alto
plantou a povoação ali próxima ao salto
eis que a vista é mui bela e a seu gosto obedece.
Homem rude e audacioso, as ordens não o impedem,
pois alma e coração a seus impulsos cedem,
a vontade venceu do ínclito Fundador.
A cidade nasceu foi às margens do rio
por força do valor, do comando, do brio
de Corrêa Barbosa - o herói Povoador.
Que coração bravio o desse homem valente,
que alma rude e vibrante, espírito potente,
em constante emoção, em constante delírio!
Que jamais tropeçou ante as dificuldades,
que não compactuou nunca com as maldades,
que jamais renunciou enfrentar um martírio!
Quantas vezes, quiçá, no recesso do quarto
depois de um dia longo e de cansaço farto
sentiu-se o Povoador desalentado e só,
Contemplando no céu as estrelas em grupos,
ouvindo no marnel dos sapos os apupos
e perto, na penumbra, a voz do noitibó!
Que sabe quanta vez na mal dormida noite
o bravo fundador sentia dentro o açoite
da dúvida a moer-lhe a vontade e o entusiasmo!
Muitas outras talvez diante da intolerância
enfrentara o temor de incompreendidas ânsias
como um deus solitário, estraçalhado e pasmo!
Foi preciso vencer, outras vezes, em volta,
O alarido fatal do incerto e da revolta,
ver amigos em fuga a abandonar a liça.
O poeta diria até que muitas vezes;
teve de suportar os doestos mais soezes
e sujeitar seu sonho aos males da injustiça!
Diz a história que tenho agora sob a vista
que a figura do herói foi tão personalista
a ponto de exigir mudar a povoação.
Sua desobediência impôs aos seus maiores
e quis a fundação em paragens melhores,
no topo da colina a espiar o sertão.
Valeu esse teu gesto a gratidão eterna,
hoje, Piracicaba em peso se prosterna
por ter nascido assim dessa desobediência.
Teu gênio tem razão de vez que desfrutamos
esse rumo feliz por onde caminhamos,
graças ao teu saber, à tua inteligência!
Capitão Povoador, soldado e bandeirante,
coragem e caserna unidas num só instante,
a aventura que leva, a doutrina que faz!
Uma alma afeita ao sonho, afeita à disciplina,
um soldado que impõem, um professor que ensina,
espírito guerreiro a construir a paz.
segunda-feira, 5 de abril de 2010
A PIRACICABA, MINHA TERRA - PROGRESSO
PROGRESSO(Cap. XXXII - XXXIII)
Agora, bom leitor, agora, amigo, peço
momento de atenção, vou falar de progresso
que à terra acompanhou desde o seu arrebol.
O “Manual de História” o diz com todo o orgulho
que desde o seu início ouvia-se um barulho
de progresso a crescer como glorioso sol.
Ele vinha através do comércio e lavoura
numa forma agressiva e a um tempo sedutora,
na alma do homem local, na alma do forasteiro.
Havia um só interesse, havia um só idealismo:
fazer deste torrão um ninho de civismo
e um ninho de trabalho altivo e condoreiro.
E nesse imenso afã, nessa batalha ingente,
a cidade crescia, interna e externamente,
a outras plagas levando o fruto do labor.
E a riqueza fluía e a riqueza chegava
sem nenhum empecilho e sem nenhuma trava,
cantando, cada lar, o hino do bem, do amor.
A oficina e a indústria, as forjas e o martelo
- espetáculo ideal risonhamente belo -
pompeavam sempre mais, exemplos de trabalho.
A vida como que se tomava mais doce
e a cidade crescia a esse embalo qual fosse
um prêmio a afugentar das dores o espantalho.
Circulando riqueza os vapores subiam
rio acima a mugir, no seu bojo traziam
o produto de fora e levando o daqui.
A estrada de água - o rio - atufado e querido
trazia no seu dorso o alimento exigido
enquanto o salto canta e estrila o bem-te-vi.
E o fio de metal trouxe a eletricidade
Iluminando a noite escura da cidade,
Cartas de namorada o correio levou
E a rua melhorou ganhando emplacamento.
deram-lhe, para os pés, bonito calçamento
E a vida da lavoura em muito melhorou.
E não foi material apenas o progresso,
Também, culturalmente, estendeu-se em sucesso
Para gáudio oficial da intelectualidade.
O teatro surgiu divertindo-se a gente,
A cultura floriu ininterruptamente,
Espalhando prazer, dando felicidade.
quarta-feira, 31 de março de 2010
A PIRACICABA, MINHA TERRA - As Pontes
(Cap. XXI)
Quando a estrada caminha e encontra o grande rio
fica logo furiosa e pára em desvario
pois a marcha lhe tolhe e ela estaca um momento.
É preciso que venha a ponte em seu socorro
para levá-la além das águas e do morro
e assim continuar seu longo movimento.
A ponte é salvação. Carrega nos seus ombros
de bruços, gigantesca, a provocar assombros
toneladas de peso estúpido e brutal.
Quantas vezes a ponte, assoberbada, falha
e sucumbe ao fragor dessa estranha batalha
qual Atlas a suster o Globo Universal.
Quando Piracicaba, em vagidos, crescia
e o comércio veloz em saltos progredia
e o rio não chegava a todo esse transporte
foi preciso lhe dar urna ponte moderna
para pôr ordem onde antes havia baderna
que às vezes a disputa acabaria em morte.
Vejam só, vejam só que falta nos fazia
a passagem que a vau tanto comprometia
com cheias colossais do rio, salto a fora.
As minas, o sertão, as povoações nascentes
sorririam de gosto e veriam contentes
surgir um novo tempo, abrir-se nova aurora.
O ouro, a prata, o sertão com todos os diamantes
em doida profusão viriam, delirantes,
povoar de sonhos mil as terras de cá e lá.
A riqueza fluiria em forma de alimentos
e a ponte levaria anseios e portentos
vindas desse Eldorado imenso - Cuiabá.
Passar além da ponte era entrar no mistério,
a ventura, a fortuna, ou talvez cemitério,
a bravia floresta à espera dos incautos.
Em ouvir a mentira, as fábulas, as lendas,
findar ao desabrigo ou sob o horror das tendas,
ao chamado acorrer de insólitos arautos.
Entretanto levava em direções variadas
a bandeira a explorar as regiões ignoradas,
entre a verdade e o sonho era elo promissor.
E quem diria que ela, assim humilde e pobre,
seria a “ponte nova”, a ponte enorme e nobre
que levaria o mundo em busca do Interior?!
Chamam-na “nova” ainda, entanto é tão antiga,
tem raízes na história e o mano meu que o diga
e que o ensine o seu livro ao presente e ao futuro.
Um capítulo inteiro à ponte é consagrado
e o seu grande valor jamais será cantado
por poeta estreante ou poeta maduro.
Prefeito houve porém cuja memória insigne
(é preciso que o fato em versos se consigne)
legou-nos grato rol de pontes por aí.
O que o tempo nos deu labutando a cada ano,
um só prefeito audaz - comendador Luciano,
em série as construiu - ó “meninos, eu vi” ? (G. Dias).
Ponte do Monte Alegre ou do Lar dos Velhinhos,
com que tranquilidade e em lerdos torvelinhos
vejo as águas passar do salto em direção.
A do Morato assiste a pescarias tantas
- as linhas e os anzóis são coisas sacrossantas
do rude pescador que os tem na própria mão.
A velha ponte nova, outrora criticada,
hoje vive a sorrir luxenta e reformada
enfrentando, tranquila, um trânsito feroz.
De cada ponte vai a imagem refletida
monumento que são desta terra querida
se espelhando no rio em corrida veloz.
A PIRACICABA, MINHA TERRA - A Câmara
(Cap. XVII e APÊNDICE II)
Mal instalada a vila acorre a autoridade
em busca do valor, da honorabilidade
de quem assumiria as rédeas do poder.
A terra progredia, o povo mais somava,
era preciso, pois, uma atitude brava
de gente varonil que o pudesse exercer.
Sucedem-se os edis nomeados para o cargo,
às vezes entendido um pouco duro e amargo,
outras tantas, porém, como honra grande e grata.
Havia o Vereador de ser sabido e forte,
remar contra a maré, fugir até da morte,
era árdua tal missão, era missão ingrata.
A política tem sobressaltos e glórias,
tem derrotas também e tem suas vitórias,
sacrifício e consolo a política tem.
Desde os primórdios, pois, Piracicaba vê
excelentes edis em quem o povo crê
e que Piracicaba, histórica, contém.
Ilustrando-lhe a vida e a gente destacada,
sob o signo de paz ou luta encarniçada
seus filhos sempre são ilustres, valorosos.
Alcaide ou Vereador eleitos pelo povo
(festa diante da qual eu sempre me comovo)
cumprem o seu dever pontuais e orgulhosos.
Quem se der ao prazer de compulsar a história
- essa visão, a um tempo, eterna e transitória -
há de ler todo o rol dos nomes dos edis.
São heróicos eu vi, eu vi que são briosos,
com eles trabalhei quarenta anos preciosos,
anos em que aprendi sabendo ser feliz.
E a cada ano que vem e a cada ano que passa
- esta vida não é mais que fátua fumaça -
mais os vejo ser bons, e dignos, e leais.
Legiões e mais legiões, são homens ilibados
que aprenderam quiçá de seus antepassados
a governar à luz dos lídimos ideais.
E desde o Povoador - o primeiro prefeito -
fosse nomeado embora ou fosse mesmo eleito
tivemo-los geniais como administrador.
E a memória recorda, a memória conserva
os que foram um dia a cívica reserva
do trabalho e moral, de justiça e de amor.
Quero prestar aqui minha justa homenagem
àqueles que com fé prestaram vassalagem
ao império da lei, à vontade de um povo.
Tiveram por missão obediência à Justiça
travando com valor a mais sincera liça
para nos conduzir a um tempo bom e novo.
Hão de os pósteros ver nesses homens, cativos
de grandes ideais, dos ideais tão vivos
que animam todo aquele a quem poder se deu.
O poder que se assume é emanação sincera
do voto popular, jamais sendo quimera
que, um átimo depois, já desapareceu.
Louvor e gratidão aos edis e prefeitos
que a história registrou como grandes eleitos
mostrando que a razão do voto prevalece.
Louvor e gratidão a esses administradores,
culturas ancestrais, ótimos condutores
que este poema humilde em versos engrandece
terça-feira, 30 de março de 2010
A PIRACICABA, MINHA TERRA - Os Caminhos Bandeirantes
(rodovia Luiz de Queiroz)OS CAMINHOS BANDEIRANTES
(Cap. III e XXII)
Lino Vitti
No início era a picada em meio à mata hirsuta
enfrentando o mistério em constante labuta,
a febre, o tremedal, o espinho e o índio atroz.
Torcia-se o cipoal a enredar lerdos passos
parecendo envolver em seus longos abraços
o sertanejo audaz com seus múltiplos nós.
Depois, o picadão já desfazia a trama,
a foice desmanchava a verdejante rama,
perfurando o sertão ao sul, ao leste, ao norte,
ao oeste, enfrentando a distância sem termo
com saúde total ou tristemente enfermo
fazendo da aventura a conquista da sorte.
E o caminho espichou, foi espiar as minas,
a dourada ilusão, são ricas assassinas
que levaram heróis à morte, em Cuiabá.
E o bandeirante ousado, em febre, todo chagas,
com seus passos ligava as sonâmbulas plagas,
numa luta sem trégua, escandalosa e má.
“E sete anos de fio em fio destramando
o mistério, de passo em passo penetrando
o verde arcano foi o bandeirante audaz.” (Olavo Bilac)
Não sete, mas setenta a luta prosseguira
transformando o sertão numa gloriosa pira
de anseios e ilusões que essa procura traz.
Mas o caminho foi, ao lado da bandeira,
a vitória final da gente brasileira
nô-lo conta essa rede enorme que deixara.
Cada batalha finda e cada estrada pronta
acrescentavam mais uma preciosa conta
no rosário sem rim que o bandeirante ousara.
O picadão de outrora agora é rodovia,
é asfalto a se estender em cada longa via,
é BR a entretecer malha longa e veloz.
É a “Washington” que vai de extremo a outros extremos,
é a “Anhanguera” febril que tanto conhecemos,
utilíssima e bela - a “Luiz de Queiroz”.
São estradas que vão de polvo quais tentáculos
vencendo sem cessar a distância e os obstáculos,
traçadas pelo passo ávido bandeirante.
Caminhos do progresso a transportar riqueza
dando a Piracicaba os visos de realeza
com que sonhou feliz desde o primeiro instante
A PIRACICABA, MINHA TERRA - Os imigrantes
(Monumento aos imigrantes - Santa Olímpia)OS IMIGRANTES
(Cap. XXX)
E a fama da cidade andou terras afora
por isso a cobiçou o olhar vindo de fora,
olhar interesseiro e audaz dos imigrantes
que aportaram de longe em levas peregrinas,
em geral, artesãos, povoando estas colinas,
trazendo cada qual sonhos mirabolantes.
De fala gutural, de nomes complicados,
o historiador nos diz; homens bem preparados,
excelentes também como profissionais.
Inclusive detém a cidade hoje em dia
Bairro dos Alemães em sua geografia,
mantendo a tradição e as línguas ancestrais.
Depois, em cópia nobre, italianos e sírios
fizeram desta terra o seu jardim de lírios,
uma nova Canaã - a Terra Prometida.
E o nobre coração do piracicabano
sc abriu de par em par como sublime arcano
e a cada raça deu a mais grata acolhida
Mais tarde eis que nos vem em onda jubilosa
o povo japonês trazendo-nos, airosa,
sua cultura; e a fé também a nós trazendo.
Exemplo de trabalho, exemplo de vontade
conseguiu trazer à lavoura e à cidade
o mais altivo impulso, o surto mais tremendo.
Quanto Piracicaba aos imigrantes deve!
Contar-lhes o valor meu verso não se atreve
e fazer-lhes justiça é impossível dever.
Registre-se contudo a grandeza dos feitos,
de todo esse labor de seus potentes peitos,
ricos de força e amor, dignos de os merecer.
E que este comentário em prol desses pioneiros
não esqueça jamais de falar dos primeiros
imigrantes de além chamados tiroleses.
Raça das mais viris, raça afeita ao trabalho,
- um punhado de gente a perseguir o atalho
dessa prosperidade encetada mil vezes.
Que riqueza nos trouxe a mão de tais amigos
que se uniram a nós na dor e nos perigos,
são símbolos da fé, êmulos são de heróis!
Não temeram a dor, a dor e o sacrifício,
fizeram do dever o mais nobre exercício,
viram todo o esplendor de muitos arrebóis!
A minha pretensão pesquisadora e histórica
- alma entregue à poesia, alma dada à retórica -
somente lhes quer dar gratidão e carinho.
Gratidão a vocês, verdadeiros epônimos,
do piracicabano amigaços anônimos,
juntamente a sorver dessa amizade o vinho.
Devemos-lhes, eu sei, muito mais do que tudo,
do favor menorzinho ao favor mais graúdo,
nossa dívida é grande, é imorredoura e tal.
Hoje já não se nota alguma diferença,
ao ver velho imigrante, entre nós, já se pensa
que esta Piracicaba é-lhe a terra natal.
Amalgamou-se a gente e somos um só povo,
desde o senhor mais velho ao filhinho mais novo,
tudo é Piracicaba é a raça que prospera,
deslumbrada, a sorrir, ante um futuro imenso
de tal sorte, meu Deus, que às vezes paro e penso
que somos geração de nova e esplêndida era!
Imigrante, obrigado! O sangue dos teus filhos
há de luzir nos mais deslumbrativos brilhos
tão numerosos quais os astros pelos céus.
Imigrante, obrigado! Estamos comungando
da conjunta ventura e sonho venerando,
vencendo nessa luta os mais duros labéus.
Na cidade, no campo, onde quer que seguirdes,
colina patriarcal que acaso vós subirdes,
à frente encontrareis o imigrante ou seu neto.
Digno da vossa mão, do vosso cumprimento,
do mais profundo e nobre e eterno sentimento,
do mais sincero amor, do mais pródigo afeto.
segunda-feira, 29 de março de 2010
A PIRACICABA, MINHA TERRA - A Industrialização e Comércio
A INDUSTRIALIZAÇÃO E O COMÉRCIO
(Cap. XXXII e outros)
Como era uma nação trabalhadora e ordeira,
era uma sociedade histórica e altaneira
semeou por este chão indústrias a valer.
A Maria-Fumaça apitando e fumando
trazia ao interior o valor formidando
de quanto era preciso ao povo pra crescer.
Subiram chaminés demandando infinitos,
ouviu-se o ronco audaz dos motores aflitos
e o operário ganhou profissão e trabalho.
No fole ou na fornalha a mourejar na lida
era uma luta só, uma luta aguerrida
onde entravam a enxada, a picareta, o malho.
A princípio, pequena, a oficina se via
sementinha feraz da indústria que seria
a potência abismal da Dedini atual.
Seria esse portento altivo e generoso
que o gênio de um prefeito, em momento glorioso,
aos pósteros legou no Distrito Industrial.
Seria a Codistil, seria Monte Alegre,
fábricas de papel, de açúcar; que se integre
tudo num gesto só de grandeza e progresso.
Predestinado chão, cidade que trabalha,
os filhos a reunir na mais santa batalha
nessa glória industrial tudo tão bem expresso.
Vejo o trabalhador encontrar um trabalho
da pobreza espantando o sórdido espantalho
para filhas e esposa indo de encontro ao pão.
Nesta terra feliz de indústrias e oficinas,
de fábricas sem fim, de dezenas de usinas
todo que a procurar terá sustento às mãos.
E vamos mais além: o comércio floresce
pelas ruas centrais o povo sobe e desce,
formigueiro que vai de uma loja a outra loja.
O sírio, o libanês, o turco, o brasileiro,
o ítalo, o japonês, o local, o estrangeiro,
valores de que nunca a terra se despoja.
São bares, armazéns, casa de todo lado,
desponta a nosso olhar grande supermercado,
é alimento que vem o povo sustentar.
Rua Governador, símbolo do comércio,
conquistou tal direito e, atualmente exerce-o
com todo esse esplendor que a todos quer mostrar
sábado, 27 de março de 2010
A PIRACICABA, MINHA TERRA - A cidade
A CIDADE(Cap. XXVII)
Vinte e quatro de abril é um dia de portentos
pois foi, no calendário, aos mil e oitocentos
e mais cinqüenta e seis,
que a vila recebeu - grata felicidade -
na pia batismal o nome de Cidade
- um presente de reis,
embora diga a história: o povo não gostara,
virar cidade é honra específica e rara,
um salto no amanhã.
Diz pois o Manual de História do “seo” Vitti
o povo desprezou até esse “convite”,
essa festa aldeã.
Não importa porém. Piracicaba avança
operosa e feliz cumulando esperança,
reúne os filhos seus.
sob lábaro de amor, de trabalho e vontade
e faz da vilazinha esta enorme cidade
sob os olhos de Deus.
De primeiro era a taipa, a palhoça, o casebre,
em meio ao capinzal os pinchos de uma lebre,
cabanas de sapé.
E ao vir do entardecer, ao longe, da floresta,
vinham ao sertanejo os rumores da festa
do indígena boré.
Fez-se tijolo a taipa, o sapé fez-se telha,
a cabana cabocla à casa se assemelha
e a madeira de lei
firmou o teto forte e o piracicabano
passou a enriquecer todo orgulhoso e ufano
e cimentou a greil
A urbe se apoderou aos poucos do horizonte
e se espraiou além assumindo uma fronte
de cidade a crescer.
As colinas, em susto, ouviram firmes passos
de um povo que conquista e com ele aos abraços
quis então se envolver.
Frondejam os jardins, as ruas se encompridam,
avenidas sem fim que às multidões convidam
a ir e vir, a passear.
A casa pequenina atrás ficou num sonho
com seu frontal em flor, docemente risonho,
portas de par em par.
Está longe porém esse tempo quimérico
a cidade se abriu em leque estratosférico,
as colinas tomou.
O arranha-céu domina a amplidão dos espaços,
dourados pelo sol, eles roubam pedaços
do azul que o céu legou.
As janelas lá em cima espiam o infinito,
relampejam de sol num cenário bonito,
vidraças a luzir,
E casas patriarcais povoam de riqueza
as “Cidades Jardins” que são uma surpresa
com ares de faquir.
Nas encostas também avança o casario
em louca profusão, em nobre desvario,
cada qual quer um lar.
E às vezes, (que tristeza!) aponta uma favela
tão rústica e infeliz, mas socialmente bela,
ferindo-nos o olhar.
Das torres que foi feito, indago como poeta?
Onde estão, vos pergunta o meu olhar esteta,
tombaram-nas talvez?!
Perderam-se, eu sei, em meio a tanto prédio,
trazendo-me o torpor de amargurado tédio
e uma estranha mudez.
A PIRACICABA, MINHA TERRA - Política
POLÍTICA(Cap. XXII – XVII – XIX)
Marco primeiro foi, bandeira que se erguia
para mostrar ao mundo o sermos freguesia,
termos independência e clara autoridade
- pelourinho na praça, um sinal de consciência,
um símbolo civil a pedir obediência
aos governos e às leis com total liberdade!
Esguio monumento ereto em plena praça,
político obelisco emoldurado em graça,
lança social em riste a defender o chão!
Já na aurora do tempo e do novo caminho
a política vem junto do pelourinho
e com Piracicaba anda a par desde então!
Vem o Conselho, vem a Câmara, começa
da política uma era altivamente expressa
nos homens de cultura e no valor da gente!
O alcaide também vem trazendo autoridade,
a freguesia, a vila, aí, viram cidade
caminhando, depois, sem cessar para a frente!
Legiões, legiões de homens inteligentes
querem com todo o empenho, alegres, sorridentes
por este povo bom lutar e trabalhar.
São alcaides, edis, prefeitos, vereadores,
são nobres e imortais e soberbos valores
que nos deram lições da arte de governar.
A política é boa, a política é grande,
ela escolhe o melhor para que o melhor mande;
com coragem e fé, conduzindo o destino,
o destino de um povo, um povo corajoso,
sempre pronto a lutar, a lutar orgulhoso,
desde o moço ao varão, desde o infante ao menino!
Piracicaba tem, graças à sua sina
uma plêiade audaz de homens, que determina
da política nobre o caminho imortal!
Os homens do passado aos homens do futuro
mostram como servir o idealismo mais puro
e as mais belas lições da política ideal.
Seja alcaide, ou prefeito, ou mesmo executivo
mostraram todos sempre o interesse mais vivo
de governar melhor o nosso Município!
Tal trabalho já vem de longe, dos maiores,
quisemos sempre ter os governos melhores,
com eles governar, mesmo com sacrifício.
E desde o povoador até José Machado
bem governar o povo é sonho acalentado,
o progresso nos vem com labor e doação.
Demos graças a Deus que nos deu de presente
criaturas de escol para reger a gente
com rara inteligência e sábio coração!
E foi “Constituição” nosso primeiro nome
como prova cabal que o tempo não consome
de nobreza ideal da política nossa!
E hoje Piracicaba altiva ainda estua,
é um viveiro civil que lida, estuda, atua,
lídima geração que, contínuo, remoça.
sexta-feira, 26 de março de 2010
A PIRACICABA, MINHA TERRA - A Saúde e a Bondade

(Cap.XXVII)
Diz-nos também, da história o sublimado germe
desse livro inicial escrito por Guilherme
que os nossos ancestrais são grandes na virtude,
pois plantaram um dia ao longo do caminho
Santa Casa e Hospitais para dar o carinho
da bondade e acolhida aos faltos de saúde.
Pensaram muito bem nossos antepassados
ao partirem em busca e auxílio dos deixados
à sorte da doença e às durezas do mal.
José Pinto de Almeida, assim, vestiu-se de anjo
e com dedicação entreteceu o arranjo
para Piracicaba haver seu hospital.
E o teve, e prosperou e anualmente o temos
- uma herança da fé daquele que em supremos
trabalhos nos legou a “nossa” Santa Casa.
Orgulho do passado, orgulho do presente,
um contínuo labor em favor do doente
o futuro também acolhendo sob a asa.
Cresceu a sociedade e com ela centenas
cresceram hospitais para talhar as penas
da doença e da dor ao aflitivo irmão.
José Pinto de Almeida - ó gênio da saúde;
da eternidade vem, vem do teu ataúde
receber nosso preito e a nossa gratidão.
Vem ver como o ideal da tua alma justa
logo se transformou em realidade augusta,
nesse rosário imenso em casas de saúde.
Foste, nobre senhor, o plantador risonho
desse espetacular e fantástico sonho
de piracicabana e excelsa magnitude.
É a colheita feliz da suave lavoura
da bondade de uma alma altiva e empreendedora,
o legado de quem largamente pensou.
Devem-te as gerações tão grato benefício,
recompensa final de tanto sacrifício
que com doçura e amor tua alma sustentou.
“Misericórdia” é o lema aposto à Santa Casa,
representando ali uma brilhante brasa
- a brasa desse amor que arde dentro de um homem,
que quer ver os irmãos conquistando a saúde,
livres do sofrimento e da vicissitude
da doença dos pulmões, dos males do abdômen.
Registre pois a história o feito aqui cantado,
a figura de quem em herói transformado
é digno de louvor, digno de gratidão.
Se temos hospitais, José Pinto de Almeida
foi o desbravador, foi o pioneiro, o rei da
saúde deste povo e deste seu irmão.
quinta-feira, 25 de março de 2010
A PIRACICABA, MINHA TERRA - A Escola - A Cultura
A ESCOLA - A CULTURA(Cap. XXIV - XXVI - XXXVII)
Mas voltemos atrás, voltemos ao princípio...
Treze de fevereiro, um belo dia, o início
da escola nesta terra ainda muito jovem.
Corria o ano mil oitocentos e mais,
dizem mais vinte e seis, a história e os anais
que Guilherme compôs e aos pósteros comovem.
Foi a semente, certo, uma escola primária
plantada com amor na terra legendária
que iria florescer em muitas outras mais.
E a palmatória, diz o historiador citado,
brindava com furor o aluno desmiolado
para gáudio do mestre e aprovação dos pais.
Foi porém nessa escola autoritária e forte
que o passado traçou as linhas de seu norte
abrindo a grande senda à escola do futuro.
Bendita sejas tu, assim severa e augusta,
escola do passado autoritária e justa,
feita de pedra e cal como um eterno muro.
Escola que nos deu as mais nobres figuras
porque gloriosa e audaz feita de iluminuras,
um livro sempre aberto às ânsias do saber.
Foi aquela de fato - a pequenina escola -
de cuja doce luz ainda hoje se evola
a cultura sem par, um mundo de prazer.
Foi ali que nasceu a figura do mestre
com ares de cientista e humildade campestre;
um espécie de herói que até nós se agiganta.
Quem, acaso, não teve à frente em sua vida
a personagem sacra, estimada e querida,
do professor envolto em afetuosa manta!?
Foi desse pequenino e tão singelo arbusto
que a ramagem se abriu num farfalhar augusto
e virou nessa imensa e florescida copa
de cultura, de luz, que os pósteros desfrutam.
Os mesmos mestres são os que agora labutam
numa legião feliz, numa gloriosa tropa.
A “Sud”, a “Agronomia”, os ginásios em penca
“Cristóvão”, “Assunção”; a UNIMEP que despenca
alunos à porfia a cada final de ano.
E vemos, dispersado em levas pelo mundo
num anseio comum, histórico e profundo;
diplomando e ensinando - o piracicabano.
Honramos, na cultura, a história em seus primórdios
os nossos corações palpitam monocórdios
e o Brasil nos admira as graças do saber.
Foi aquela escolinha, ingênua e promissora,
que a distância plantou, sublime e sonhadora,
para não mais parar de ensinar e crescer.
quarta-feira, 24 de março de 2010
A PIRACICABA, MINHA TERRA - A USINA
A usina! Vejam bem! O canavial se espraia
pelos pontos cardeais - oceano de cor gaia
a distância a invadir, o horizonte a fechar.
Ondulam os talhões e em meio ao movimento
qual navio a vogar aos embalos do vento
a usina se ergue além, parece baloiçar.
Há uma faina sem fim de máquinas e gente,
dia e noite, bufando ininterruptamente
como fera que quer escapar da prisão.
Fumos de chaminés desprendem-se da usina
como fora da fera a furiosa narina
expelindo o furor em doido furacão.
Você acaso viu a mandíbula rude
Com que a usina devora em sua plenitude
Toneladas de cana a moer, a moer?
Esguichos de garapa atropelam-se em bica.
tacho imenso a ferver as canas dulcifica
enquanto o açúcar sai do outro lado a escorrer.
E o bagaço se empilha em montanhas airosas,
São os restos mortais das caninhas cheirosas,
É adubo para a roça, é causa de papel.
Colméia de trabalho a usina é uma riqueza,
É dinheiro, é progresso, é símbolo e realeza,
É favo gigantesco a escorrer sempre em mel.
Operários, patrões, que colméia estuante,
Unidos todos são num trabalho esfalfante
Todos a produzir ouro branco. Que afã!
Deus abençoe a vida, a vida que há no campo
E esse céu todo azul se estenda lindo e escampo
Como um pálio a cobrir os risos da manhã.
Vede que na amplidão das terras rumoreja
o trabalho do corte e a gente sertaneja
não pára no labor vibrando o seu podão.
Quando o estômago bate a hora da comilança
os talheres, na faina, abordam sem tardança
a bóia fumegante, em coro e confusão.
Dá gosto contemplar a multidão faminta,
é um quadro que qualquer pintor, querendo, pinta
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digno de um Rafael, de um Toulouse Lautrec.
Essa gente, meu Deus, não sabe de política,
vive em grande ilusão dos jornais e da crítica
e nem sabe sequer se acaso existe um MEC.
Essa gente porém é soberba riqueza,
é modelo de luta e amor, de fortaleza,
desconhecido herói da terra que a colheu.
O cortador de cana é o maior operário,
Seguindo, no viver, o mais digno fadário,
Piracicaba o fez igual a um filho seu.
Léguas de canaviais estendem-se ondulantes...
Piracicaba orgulha-se, assim, como d’antes
quando, verdes, além, sombreavam cafezais;
é a vontade da raça, a raça desta terra
que todo o seu valor em seu íntimo encerra
e, transfeita, sorri, hoje, nos canaviais.
PRÍNCIPE DOS POETAS DE PIRACICABA
( Síntese de Vida)
NOME – Lino Vitti
IDADE – 08/02/1920
ESTADO CIVIL – Casado, em únicas núpcias, há 56 anos, com a Professora Dorayrthes Silber Schmidt Vitti
FILIAÇÃO – José e Angelina Vitti
NATURALIDADE – Piracicaba, Estado de São Paulo –Brasil
Bairro Santana , Distrito de Vila Rezende
VIDA FAMILIAR
Casamento Civil e Religioso em comunhão de bens, Pai de sete filhos: Ângela Antónia, Dorinha Miriam, Rosa Maria, Fabíola , Lina, Rita de Cássia, Eustáquio.
VIDA PROFISSIONAL
Aposentado como Diretor Administrativo da Câmara de Vereadores de Piracicaba, e como Redator do “Jornal de Piracicaba”. Exerceu atividades no comércio, no Magistério, na lavoura até os l3 anos, na municipalidade local, como bibliotecário, lançador de impostos, protocolista, Secretário Municipal.
VIDA CULTURAL
ESCOLA PRIMÁRIA – Grupo Escolar “Dr. Samuel de Castro Neves”, Santana, seminarista vocacional ao sacerdócio por seis anos, no Colégio Santa Cruz, da cidade de Rio Claro (SP), onde cursou humanidades, línguas, religião, ciências, matemáticas, música.
CURSOS – Formou-se Técnico em Contabilidade, lecionou latim, francês, datilografia.
VIDA RELIGIOSA
Católico, Apostólico, Romano, fez curso de religião em seminário dos Padres Estigmatinos, foi organista da Catedral e da Igreja de São Benedito, de Piracicaba, e Congregado Mariano.
VIDA LITERÁRIA
Bafejado por ensinamentos de sábios sacerdotes em colégio de formação religiosa, recebeu extraordinário acervo literário que lhe propiciou enveredar pelo caminho da poesia, da crônica, dos contos, do jornalismo, havendo editado de l959 a 200l sete livros de poesias e contos, com edições em milheiros de volumes, os quais estão aí para satisfazer o gosto daqueles que apreciam a arte literária.
São seus livros : “Abre-te, Sésamo”, l959; “Alma Desnuda”, l988; “A Piracicaba, Minha Terra”, l99l; “Sinfonia Poética”, de parceria com o poeta Frei Timóteo de Porangaba; “Plantando Contos, Colhendo Rimas”, l992; “Sonetos Mais Amados”, l996 e “Antes que as Estrelas brilhem”, 200l. O poeta conta ainda com o prazer de haver composto hinos para diversos municípios, bairros rurais, entidades sociais diversas, continuando a colaborar ainda, após os 83 anos em colunas literárias e com artigos de ordem geral em jornais da terra.
Faz parte da Academia Piracicabana de Letras que lhe outorgou o título honorífico de “PRÍNCIPE DOS POETAS DE PIRACICABA’.
Foi-lhe concedida Pelo Município de Piracicaba, através de sua Secretaria da Ação Cultural, a MEDALHA DE MÉRITO CULTURAL, “ Prof. OLÊNIO DE ARRUDA VEIGA’; é detentor do TROFÉU IMPRENSA, concedido pelo Lions Clube de Piracicaba, centro, e da MEDALHA ITALIANA, concedida pelo governo italiano de Benito Mussolini aos alunos de escolas e seminários de origem daquele país que tivessem se destacado em redação de trabalhos literários escritos na língua de Dante.
O Município de Saltinho, para o qual contribuiu com o Hino dessa comunidade municipal , conferiu-lhe o título de “Cidadão Saltinhense”.
DISCURSO
Por ocasião do lançamento do livro de poesias “Antes que as estrelas brilhem “, pelo poeta Lino Vitti foi proferido o seguinte discursos:
Exmo. Sr. Heitor Gauadenci Jr. dd Secretário da Ação Cultural
Exmo. sr. António Osvaldo Storel. dd. Presidente da Câmara de
Vereadores de Piracicaba
Exmo.sr. Moacyr Camponez do Brasil Sobrinho, dd. Presidente do Instituto Histórico e Geográfico
Exmo,. sr. Henrique Cocenza, dd. Presidente da Academia Piracicabana de Letras
Exmo.. Sr. Ésio Pezzato , anfitrião desta solenidade
Senhoras e Senhores
Pela sétima vez (graças a Deus) em minha vida lítero-poética vejo-me guindado a uma tribuna improvisada (o que é bom porque torna o fato mais popular), para proferir um discurso de agradecimento, ao lado da oferta de um novo livro de versos. É teimosia essa de poetas em desovar sua produção para que mais gente participe de suas tiradas, muitas vezes fora de forma e de ambiente, mas que o poeta não vê porque , ao editar um novo livro está cego pela emoção , como se fosse a vez primeira. Está aí o Ésio Pezzato, responsável por mais esta minha invasão no mundo das letras poéticas, para dizer se não é assim. Para dizer se não sofre também dessa doença feliz de editar livros e mais livros a ponto de perder a conta, já que a esta altura ele não sabe se já está no décimo ou décimo primeiro. E ainda continua batendo dedos de métrica, sabemos lá por quantos anos ainda !
Tenho um ex-colega de seminário, prof. Hildebrando André, aposentado como professor universitário e com o qual mantenho longa e pródiga correspondência, que não se cansa de enaltecer a felicidade de Piracicaba contar com tantos poetas e poetisas. Tem razão ele, pois se apenas dois deles já conseguiram editar l8 livros de poesia, imagine-se as centenas que seriam necessárias para dar um pouco de vazão a essa raridade intelectual que toma conta da minha terra!
Este meu livro vem à lume por obra e arte do prefeito José Machado , seu Secretário da Ação Cultural e de seu zeloso servidor Ésio Pezzato que se entusiasmaram diante da recitação de diversos poemas meus por um grupo de jograis, alunos da UNIMEP, e impressionados decidiram patrocinar a publicação deste livro, pois entenderam que Piracicaba poética merecia conhecer em mais profundidade o seu príncipe da poesia. E aí está, lindo e impecável, entregue às mãos do povo de Piracicaba, que indistintamente de cor, estudos, intelectualização , posses financeiras, categoria de trabalho, com religião ou agnóstico, jovem ou adulto, roceiro ou citadino, aí está, para quiçá, momentos de lazer e sonho. Sonho , sim, porque a poesia é terrivelmente sonhativa , vive no mundo da fantasia, alicerça-se nas bases da emoção e brota do âmago mais profundo do poeta, e para que as filhas de Eva não reclamem, da poetisa também.
Alguém me perguntará? Como é ser poeta? Juro, nunca pensei nisso. Acho que ninguém consegue ser poeta. Já é. Nasce feito, como dizem.
não é verdade Maria Cecilia, Ivana Maria, Ésio Pezzato , Prata Gregolim, Marina Rolim, Valter Vitti, Mario Pires, Saconi, e tutti quanti enfeitam com seus lindos versos as páginas do “ Jornal de Piracicaba, ou da “Tribuna Piracicabana , e assim também esse cacho imenso de livros poéticos que quase semanalmente são dados ao conhecimento e sentimento público de nossa terra ? Tornando-se um privilégio de uma cidade, como disse alhures o supra citado meu colega seminarístico Hildebrando André. ?
Não se suponha que para ser poeta é preciso ter nascido em berço de ouro ou em centros intelectuais de enorme repercussão. Nada disso. Tenho um soneto que define bem esse fato. É assim: “Eu não sou o poeta dos salões / de ondeante, basta e negra cabeleira] não me hás de ver nos olhos alusões / de vigílias, de dor e de canseiras. // Não trago o pensamento em convulsões,/ de candentes imagens, a fogueira. / não sou o gênio que talvez supões/ e não levo acadêmica bandeira.// Distribuo os meus versos em moedas/ que pouco a pouco na tua alma hospedas / - raros , como as esmolas de quem passa. / Mas hei de me sentir feliz um dia/ quando vier alguém render-me graça/ por o fazer ricaço de poesia. // “ . Poetas e poetisas saem do nada , devem trazer o selo ou o bilhete de entrada nesse reino encantado desde o útero materno, embora ouse eu afirmar que a vida é também uma grande mestra , as influências da mentalidade circunvizinha,
o próprio meio ambiente, podem , em circunstâncias outras , plasmar um poeta .
Eu fui plasmado , por exemplo, por entre maravilhas campestres. A roça ou o campo são fantásticos criadores de poesia. Ela anda atapetando por todos os cantos a natureza, as gentes, os animais, os atos e fatos. e a cabeça daqueles com quem ela convive. E o poeta, criador por excelência, se abebera de todas as belezas esparsas pelas colinas, serras, vales e descampados , para transformar tudo em versos e rimas, ou em versos simplesmente, onde pululam , como cabritos silvestres, as figuras literárias, os tropos, as sínteses, as comparações, e todos os anseios que lhe vão no imo da alma. Para satisfação própria e para satisfação dos que convivem com o poeta. E´ por isso que se botardes olhos curiosos sobre meus poemas havereis de tropeçar a todo o momento com um motivo roceiro, pois trago uma alma plasmada pelas belezas rurais de Santana, Santa Olímpia , Fazenda Negri, e especialmente por aquela colina encimada ,no cocuruto, pelo prédio do grupo escolar, onde aprendi a ler e escrever e a poetar.
Peço desculpas por haver-me prolongado um pouco nestas elucubrações poéticas, desobedecendo aos conselhos do amigo Ésio que continua exigindo de mim discursos improvisados, o que seria tão para os ouvintes , que ansiosamente aguardam o momento de bater palmas acabando assim com a verborragia oratória.
Não posso entretanto encerrar esta breve alocução sem deixar consignados meus agradecimentos do fundo do coração ao prefeito José Machado ,ao seu Secretário da Ação Cultural Heitor Gaudenci Junior, ao seu sub-secretário poeta Ésio Pezzato, ao prefaciador Moacyr de Oliveira Camponez do Brasil sobrinho, aos queridos opinadores Maria Cecília Bonachella, Maria Ivana França de Negri, exímias poetisas, prof. Elias Salum e a minha filha Universitária Fabíola Vitti Moro, pela maravilhosa capa, Editores e toda equipe de funcionários , à minha esposa pela sugestão transmitida ao prefeito com relação ao advento desta obra, aos digitadores Nair , minha nora e neto Leonardo, e outros que possa ter esquecido, como é fácil em cachola idosa, - meus agradecimentos repito, pela reunião de esforços e trabalho que tornaram possível o advento de mais um livro de minha lavra.
Obrigado “ em geralmente” como dizem nossos cururueiros, aos que ilustraram com sua arte musical esta solenidade e assim também a todos quantos acharam um tempinho para vir prestigiar-me nesta tarefa de cultura e arte. Levem a certeza de que nada mais desejo do que engrandecer com minha poesia a terra que me viu nascer, a terra que me viu crescer, a terra que me proporcionou oportunidade para chegar a um cargo tão nobre quão dignificante de “Príncipe dos Poetas de Piracicaba”
Meu carinhoso obrigado também aos meios de comunicação, de modo especial “Jornal de Piracicaba”, na pessoa de seu Editor Chefe Joacyr Cury , de “A Tribuna Piracicabana”, na de seu diretor Evaldo Vicente, pela divulgação caprichosa deste evento que afinal nada mais é do que mais uma demonstração da exuberância cultural da Noiva da Colina.









