Lino Vitti - Príncipe dos Poetas Piracicabanos

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quarta-feira, 8 de junho de 2016

DUAS BORBOLETAS

       

                                               Lino Vitti

        A seara de minha poesia, expressa na edição de sete livros, sete livros a bem dizer circulantes em cá entre nós (piracicabanos) apenas, traz em seu bojo os mais variados assuntos, urbanos ou rurais, sociais ou religiosos, literários ou diletantes, domésticos ou universais. Compreende-se que assim seja pois o poeta deve ter olhos e ouvidos muito atentos a todas as manifestações humanas e inclui-las o quanto possível em   suas produções, transformadas em poemas, sonetos, baladas, e todas as maneiras de se poetar. Eu, vindo do campo para a cidade após os l3 anos, dediquei-me de modo  especial ao soneto, pois entendo que este seja um jeito de se envolver um assunto poético em apenas l4 versos (linhas), numa feliz concisão e economizando tempo ao leitor, acostumado a encontrar bastante poesia em menor número possível de linhas, o que deve ser  o soneto evidentemente: uma síntese.
         Sou pai de 6 filhas e um varão e em assim sendo a vida e cheia de acontecimentos felizes como  o que vou relatar em  seguida, copiando como título (com licença do real e delicado poeta Casemiro de Abreu) uma expressão por ele usada num de seus milhares de versos: “Meu Deus, meu Deus, são duas borboletas”.
        As borboletas de então, hoje são águias da cultura nacional, mas o velho e saudoso pai (príncipe dos poetas piracicabanos!!!), sucumbiu à tentação de aproveitar o soneto  para cumprir o dever da crônica para o Folha Cidade,  semanário sócio – cristão do laborioso vereador e jornalista amador  Paulo Camolesi, mentalidade das mais nobres e cultas de cuja inteligência Piracicaba desfruta, agora também como representante do povo na Edilidade piracicabana.

         À apreciação dos caríssimos leitores vai em seguida o meu anunciado soneto:
                        “AS DUAS BORBOLETAS”
                      (Meu Deus, meu Deus, são duas borboletas-(C. de Abreu))
                Um sol genuinamente brasileiro,
                Tropicalmente luminoso e imenso,
                Borrifou, caprichoso o campo inteiro,
                E as flores bebem luz num hausto intenso.

                As borboletas, voando em galhofeiro
                Bando, bebem-lhe o mel, o mel e o incenso,
               Nas uma é tão azul, azul que penso
                Ter saído de dentro de um tinteiro.

                E é essa  justamente que a menina
                Borboleteando em vão, rica de gosto,
                Tenta apanhar, e corre, e desatina.  

                Mas a outra , asas mais leves, mais fugaces,
                Vai pôr-lhe um beijo rápido no rosto,
                Supondo sejam flores suas faces.
         

                Aí fica o soneto. E a saudade das “borboletas”que viviam beijocando as flores de um jardim que um dia enfeitou a entrada do meu lar.  

sábado, 4 de junho de 2016

LIVROS


Lino Vitti



“Oh! bendito o que semeia
Livros, livros a mancheia
E manda o homem pensar.
O livro caindo n´alma
É germe que faz a palma
É chuva que faz o mar”.

Aí está a definição poética do livro. E nenhuma melhor do que essa pois ela expressa a minudência e a imensidade dessa síntese que é capaz de guardar, no bolso até, a História do mundo, a religião de todos os tempos, a ciência em todo o seu esplendor, os acontecimentos universais e individuais, a alma e o coração do homem, o amor, a felicidade, a desgraça, os sonhos, as esperanças, a ciência, a arte, a cultura, a poesia , tudo, tudo cabe dentro de um pequeno ou enorme livro.
O que mais entretanto causa espanto é que nele, por pequeno ou volumoso que seja, o homem ou a mulher conseguem colocar o que de mais valioso têm dentro de si: os pensamentos, as ideias, o saber, a fé e a alma inteira, abrindo aos outros a nobreza de sua inteligência e a grandeza de sua cultura.
Piracicaba é feliz, Piracicaba é grande, Piracicaba se sobrepõe talvez com sua liderança na edição de livros, como se pode conhecer através do noticiário dos jornais e de outros meios de comunicação, que com gloriosa freqüência ocorre nesta privilegiada terra do livro.
E para confirmar o que aí deixo exposto, peço licença para registrar rapidamente os últimos lançamentos colocados à cultura piracicabana e nacional: “Eu, Educadora”, de Leda Coletti; “Aprendendo com o Voinho”, do professor Engenheiro-Agrônomo Geraldo Victorino de França; “Das Sombras à Luz” (História da Comunidade São Domingos de Gusmão) de AntónioVitti; “Coisas do Coração” , de Paulo Dias Neme; “Fatos Históricos de Piracicaba”, do mesmo autor; “Herança de Poeta”, do exímio poeta André Bueno Oliveira.
Esses são apenas os livros colocados ao dispor do povo piracicabano e nacional com que os autores tiverem a gentileza de me presentear em minha casa. Mas há muitos outros tantos e mais que foram distribuídos e que não chegaram até mim, sendo colocados, como tijolos gloriosos para a construção do santuário de livros de Piracicaba.

sexta-feira, 22 de abril de 2016

FEIO? CULPA DO LUAR...

                                                                                
           
                                                                       Lino Vitti 

            Poetas, escritores,  pintores, músicos  e cantores, atribuem ao luar belezas e encantos, estranhável então que eu intitule este trabalho redatorialístico com um título onde se negam essas qualidades naturais do astro noturno, outrora amigo dos namorados e dos românticos, hoje já não tanto porque o homem foi mexer  lá no infinito com a Lua cheia, fazendo caminhar por ela os sapatões de  americanos descobridores primeiros desse continente celestial. E aí a Lua ficou conhecida como uma coisa estéril, sem rios, sem verde, sem gente, sem aves, sem animais. Apenas coberto de crateras mortas, inadequada portanto a provocar quaisquer pensamentos ou sentimentos de amor e romantismo. Começo este trabalho inserindo nele selene porque está muito ligada ao que vou desenvolver adiante, como principal motivo desta triste história  de um raro pássaro de que se ocupou a imprensa semanas atrás.
            Chamada de urutau o que muitos ignoram pois é raro mesmo o aparecimento dele à vista do homem, essa ave de vida e hábitos noturnos, foi mencionada pelo “O Estado”, despertando a curiosidade popular, vista num logradouro da ciclópica S. Paulo . A imprensa local em edição de semana atrás, teve a felicidade de  fotografar e publicar a figura do urutau que por casualidade rara veio morar num poste de uma rua desta cidade, onde recebeu o olhar curioso de muita gente.
            O que sobressai no estranho pássaro é a feitura. Em minhas andanças pelos bairros de Santana, Santa Olimpia e Fazenda Negri , tive a possibilidade de conhecer, já faz alguns anos idos, a rara ave , ao vivo, como diz a tevê, pois só tinha uma vaga idéia do que fosse o urutau porque entrava apenas  como objeto de brincadeiras em meus tempos de longínqua infância. Havia crianças que se diziam ser o urutau e saiam pelo terreiro de braços aberto, soltando gargalhadas, porque o canto do pássaro é realmente um gargalhada esquisita em meio  da madrugada da roça. Deu-me conhecimento dele o teatrólogo de Santa Olímpia Francisco Degáspari. É ave de curiosos costumes, foi explicando o Chico. Veja lá: ele fica pousado na ponta do galho seco mais alto de uma árvore, por aproximadamente 40 a 50 dias, imóvel, mimetizado com o galho da mesma cor de suas penas, chocando o único ovo que ele bota e fixa  naquela pontinha que é o seu ninho para a criação. O filhote aparece com a cabecita entre as penas da barriga paternal ou maternal, cresce, alimentado pelo urutau com besouros, mariposas, borboletas, abelhas e  lagartixas, que porventura apareçam circulando ao redor das lâmpadas da rua, durante a noite.  Ao vir dos albores da manhã, o urutau solta seu canto (gargalhada assustadora para muitos que não o conhecem) e vai para o pico do galho seco recolhendo-se na mesma imobilidade e silêncio durante todas as horas da luz do dia.  O urutau – acentuou  o amigo Francisco – deve ser uma ave emigratória, pois só aparece por estas bandas nos meses de setembro, outubro e novembro, sumindo nos demais meses do ano, não se sabe para onde.      
            O urutau é um pássaro feio. Digam-no os que o viram ao vivo ou em fotografia. Essa feiura tem explicação folclórica. A lenda conta que certa jovem feia, estava ansiosa por casar, entretanto devido às suas poucas qualidades de miss universo, sobrou como solteirona e um dia desanimada e descrente do mundo fugiu enveredando por um caminho em meio da floresta. Acontece, como em todas as histórias desse gênero que em meio ao caminho, em plena noite de lua cheia, sentou sobre um tronco à beira da floresta... Para surpresa da infeliz, aparece um cavaleiro que ao vê-la em pranto e solitária, condoeu-se dela e para a consolar, sentou-se ao lado. A sombra das árvores encobriam  o rosto da moça feia. Conversaram. Tempo decorrido a lua foi galgando o céu e o cavaleiro – decerto um príncipe – foi constatando  claramente o quanto feia era a jovem. E então perdeu todo o entusiasmo, levantou, montou  a sela do rico cavalo ajaezado e partiu, deixando a desgraçada moça feia envolta em pranto.
            Foi o momento em que apareceu a bruxa. Aproximou-se da jovem, soube de sua desventura e indagou dela o que desejava ser. Um pássaro, foi a resposta. E imediatamente, graças aos poderes mágicos de uma  bruxa e à tristeza e desconsolo no amor de uma infeliz mulher,  apareceu no mundo o urutau, sem penas coloridas, sem canto que preste, sem que desfrute a luz do dia, sem que tenha um ninho fofo e belo para seu filhotinho, sem nada que lembre a beleza e a maviosidade de um pássaro feliz.
            E tudo por que? Porque um raio de luar teve que espancar a sombra que cobria a feiura de uma infeliz desiludida e mostrá-la a um príncipe aventureiro que parou no caminho, talvez movido pelo amor, supondo tê-lo encontrado  naquela figura de desespero  sentada, em prantos, à beira do caminho.
                                                                       

terça-feira, 12 de abril de 2016

O FUTURO DA ÁGUA

                                 

                                                                       Lino Vitti

            Estando eu a debicar pelos sites da internet, detive-me naquele que responde pelo  www.indekx.com  onde você poderá ver, saber e ler  sobre a edição, na íntegra, dos jornais  das  maiores cidades e capitais do mundo inteiro, e no respectivo idioma. É uma das maravilhas da informática, da computação, da internet, da eletrônica, das comunicações, da ciência, das descobertas humanas,  uma das maravilhas que está instalada em todas as casas bancárias, comerciais, industriais, educativas, leigas e religiosas, na cidade e no campo, ricas, normais, remediadas e até pobres. Crianças (sim, gente, crianças!!!), adolescentes, jovens, adultos, idosos, macróbios,  estudantes, operários, analfabetos até, chefes e subordinados, a parafernália de usuários da internet é universal, arrasadora, incontrolável.
            Não é esse que aí fica,  entretanto, o assunto de minha incursão às colunas deste centenário e vitorioso matutino piracicabano, ao qual contribuo com minha  humilde redação articulística há mais de 50 anos. Não. Estas linhas mal servem de ingresso ao principal, entrevisto no título acima: O FUTURO DA ÁGUA.
            É verdade que pouco ou nada entendo dessa preciosidade universal e que existe desde o início da Criação e sem a qual a humanidade estaria fadada à morte há muitos séculos, mas a teimosia  de escrever que adquiri nos meus muitos anos de JP, sempre insiste, me tenta : vamos lá, Lino, escreva. E o tolo escrevinhador lá vai ao teclado moderno e téque-téque-téque. Alguma coisa brota do velho bestunto e corre a clicar no “enviar” para que chegue logo a sua já barbuda colaboração , para o aprovado ou não da nobilíssima editoria. 
            Ora,desculpem,amigos. Estou de novo a digredir e esquecer do principal , do  motivo que me convenceu a  aparecer por estas paragens jornalísticas.
            Estava eu falando de minha invasão internética quando o www.indekx.com me mostra umas linhas de um artigo do jornal francês Liberation.fr, poucas mas de um significado trágico para um futuro próximo. Nada mais nada menos do que o delicado e perigoso desaparecimento da água da face da Terra. Dizem as linhas da notícia: “O acesso à água potável é um dos  maiores motivos dos próximos conflitos .  Onde e como o acesso, onde e qual o modelo econômico, onde as soluções alternativas?”
            São poucas, mas contundentes palavras. Fazem lembrar  que o homem  está insistindo em acabar com as florestas, com o verde sadio das capoeiras e  das matas, em cujo seio se formam as nascentes que vão formar os rios, que vão dessedentar as populações citadinas e rurais. O homem está cavando o solo, em proporções inimagináveis, sugando  as águas que lá se escondem há milênios. O homem está secando  os rios e as fontes, ajudado pela trágica diminuição das chuvas e o desparecimento das nuvens nimbus de onde as chuvas emanam ,  raramente vistas hoje nos céus brasileiros.   O homem desta metade do planeta especialmente  devastou o solo e o está transformando em deserto, onde as águas não moram, nem vivem. O homem inventou os agrotóxicos que acabam com as ervas conservadoras da umidade  do solo, de onde surdiam os vapores para a formação das  nuvens pluviais , portadoras de chuvas para regar os campos e as matas. Diante de tudo isso o céu faz carranca, as nuvens fogem, os ventos ressecam ainda mais . E as fontes, os rios, os lagos, os poços, os regatos, os nevoeiros da terra e do céu , dizem adeus e entregam a sorte da vida humana e animal e vegetal às ordens do rei- sol causticante e  dominador.
            Esse estado terrível está em andamento inarredável, através dos séculos,  pois todos querem sugar a água, beber, industrializar, jogar fora,  usar mal dessa riqueza,  enfim contribuir para que ela se  reduza e desapareça paulatinamente.  E terá o homem algum substituto ao preciosíssimo líquido? Terá a ciência como inventar algo semelhante para  salvar o fim da era aquífera?  Haverá um novo Criador que diga “Fiat aqua” e a água se fará como disse um dia “Fiat lux” e a luz se fez?

            A advertência do jornal francês é válida em todos os sentidos. A menos que queiramos continuar nossa condenabilíssima tarefa de abusar e  liquidar com o que ainda resta de água no mundo. 

(Agosto de 2006)

sábado, 6 de fevereiro de 2016

SONHOS E ILUSÕES

Lino Vitti

           
Dou-me por feliz por haver-me Deus conduzido até aqui. (Muitos dizem e afirmam até que Deus não se imiscuiria na vida do Homem (maiúscula porque me refiro a todas as pessoas, seja homem, seja mulher, seja criança). Ora, interrogo, se não existe uma força ciclopo-cósmica que dirige o destino dos homens, quem ou o que atuaria de forma tão presente e constante sobre nossos passos, nossos pensamentos, nossa inteligência, nossa compreensão, nosso conhecer e amar? A razão repudia a negação existencial dessa forma universal e eterna, pois falta-lhe outra convicção melhor, para me dizer que Deus não existe ou que não governe essa coisa que aí está: a vida, o universo, o entendimento, a morte, o esquecimento.
Não é apenas isso que nos torna crentes da eternidade. Pergunto-me muitas vezes, quando a insônia chega e persiste, o que devo pensar sobre o sonho. E por que sonhamos? Dão-se mil e uma explicações biológicas sobre esse estranho pensar e agir enquanto se dorme. Enfileiram-se incontáveis explicações psicológicas. Todas porém se desmancham como bolha saponácea, porque o sonho está fora de qualquer explicação humana.
Sonha-se muitas vezes com coisas impossíveis e irrealizáveis! Sonha-se outras tantas com contrasensos e irrealidades! Sonha-se, uma noite, algo como estar no céu enquanto muitas outras  é o pesadelo que nos ronda e estraga as noites indormidas.
É o sonho, - meus incorrigíveis sonhadores -, viver fatos, pessoas ou coisas fora de nós mesmos, em plena inconsciência da verdade, mas que às vezes deixam rasto. Rasto que pode durar alguns minutos, horas, dias, talvez muito tempo, entretanto, fatalmente desaparecerá tão rápido como rápidos são os sonhos que nos vêm perturbar.
Há, porém, sonhos e sonhos. Há os que nos visitam durante o dormir. Voláteis, imprecisos, insensatos quiçá. Sobram-lhes impossibilidades de realização. Dizem os poetas que são fementidos, enganosos, imprevisíveis. Os melhores, todavia, são os que sonhamos acordados, de olhos abertos, vendo o mundo ao nosso redor, vendo a vida caminhar através do mundo.
Existirá alguém sob o céu que jamais tenha sonhado acordado? Creiam que não. É próprio até do bípede edênico ficar horas, dias, meses e anos, sonhando, sonhando, olhos abertos para tudo quanto o circunda.
Quando sonhamos acordados, é sempre bom. Nessa hora sonha-se azul, sonha-se com a felicidade, sonha-se com um belo e grande amor, sonha-se com alegrias e alegrias, com maravilhas e maravilhas!
Uns arquitetam viagens; outros, a solidão. Este, com a vida no campo; aquele, com o tropel citadino. Eu quero uma profissão que me dê muito dinheiro, você se contenta com a singeleza de servir, por qualquer forma seus concidadãos. Todavia, como devem ser felizes aqueles que fazem, agem e vivem, indiferentes ao sonhar, ao supôr, ao esperar!
 A ilusão é companheira inseparável dos sonhos. E é porque os sonhos presentes ao dormir não se realizam nunca, o que já é motivo mais que suficiente para taxarmo-los de ilusórios. São isto porque, mal despertamos nós, são eles esquecidos, desfazem-se com a rapidez de um relâmpago, ou estouram como as bolhas coloridas de sabão que costumamos locupletar do sopro que nos vem do peito.
Os sonhos com que a vida nos brinda quando despertos, assumem maior realidade do que aqueles, geram esperanças, e podem ser perseguidos por pouco ou por muito tempo, segundo têm eles a capacidade de nos atrair e enganar.
Ah! Quantas coisas almejamos! Por quantas coisas oferecemos nossas ânsias sonhadas, nossa ventura entressonhada, nossa felicidade fugidia, “nossas esperanças malogradas” (segundo o poeta santista)!

Quem de nós, acaso, nunca sonhou?! Quem de nós, repito, deixou jamais de perseguir esse vagalume enorme que é o sonho da felicidade terrena! Quantos, por outro lado, não sonham esperançosos e confiantes numa eternidade suprema de um Céu?!

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

ILUSÓRIO CASTELO






                                                    Lino Vitti

Castelo é para mim termo de nossa língua plenamente ajustado ao objeto denominado. Há a palavra palácio, só que esta tem um significado mais social e político e dá a entender que não é tão reservado, tao guardado como aquele aos olhos humanos, aos olhos curiosos e invejosos da sociedade. Palácio é um vocábulo até carinhoso, manso, cordial.
Ao passo que castelo como que guarda atrás de suas letras algo de fortaleza, algo dificilmente atingível, algo reservado a visitas de poucos. Ao falar castelo a mente salta  para um local íngreme, cujo acesso é proibido e só  se chega aos seus umbrais sob a vigilância armada de sentinelas, de guardas, de esbirros.
Castelo é o passado. Palácio é o presente. Castelo lembra espadas, lanças, correntes. Palácio lembra democracia, discursos, liberdade.
O castelo, à noite, ingressa na escuridão, pois deve ficar escondido aos olhos do inimigo, como a mostrar que em seu interior habitam senhores terríveis, há armas prontas para qualquer ataque, alíimoram idéias rígidas e inamovíveis.
O palácio, ao contrário, ao vir das sombras, acende imediatamente a feérica multidão de luzes, como a demonstrar que lá dentro a vida é um contínuo festival de atividades, de alegrias, de jantares, de eventos sociais.
Enquanto um é criatura de um regime vassálico, de famílias tradicionais austeras e conservadores das longas e velhas estirpes familiares, o palácio segue os passos da evolução social e como que dele aquelas severas tradições fogem paulatinamente ou se transformam em elos de comunicação, de modernização, de convivências humana.
Todos os poetas – essa gente que vê as coisas estranhamente – têm seu poema enaltecendo ou condenando essa imagem do castelo de priscas eras. Para eles aquele prédio jogado nas fraldas de uma montanha, irmão dos penhascos empinados e inacessíveis – é uma criatura recheada de poesia, quando assim não pensa a maioria dos homens. Aquela coisa assustadora, se bem a julgarmos através de seu uso nos tempos afora, é para os esquisitos vates versejadores um personagem em cujo bojo ressuma a poesia, portanto digno de ser cantado e rimado assim como o fazem, por exemplo, com uma paisagem, uma árvore, um ocaso, um céu anilado, um canto de pássaro, um silêncio escuro de uma noite taciturna.
Eu também – num momento de fuga à realidade –, – mísero imitador dessa complicada gente que rima – cometi o pecado venial de construir 14 versos para um soneto em homenagem ao “Castelo”. Leiam só como o fiz:

“CASTELO"


                                        Nos cumes de meu Sonho edifiquei

                                      – todo de ouro a fulgir imenso e belo -

elegendo-me seu vassalo e rei,
deslumbrante e magnífico castelo.

Nele – feliz – vivi, sofri e sonhei...
mas um dia, raivoso, me rebelo
e o que com tanto amor edifiquei
quebro e derrubo a golpes de martelo.

E qual teria sido a razão toda
daquela destruição bárbara e douda
que o castelo pusera-me aos montões?

Pudera! Nos seus paços obumbrantes
já ambulavam estranhas habitantes
       era um covil repleto de ilusões!”


(1942) – 22 anos de idade!

terça-feira, 3 de novembro de 2015

O DOCE



ALGUMA  CRÔNICA (LXXVIII)


Lino Vitti

       Falar em doce é lembrar  de menino. Esses caretinhas que só  pensam em brinquedos e gulodices são loucos por uma cocada. Mel então nem se fala! Melado , que delícia! Um doce de leite, coisa de dar água na boca! O simples açúcar ao natural, isto é, saído da biquinha da usina, algo estonteante para o paladar do moleque !
      A respeito , tenho algo a contar. Criança da roça, antigamente, só consumia açúcar batido que é o nome que se dava ao produto saído do engenho, tempos em que usina era coisa muito rara pelas bandas da minha terra  natal. As famílias recebiam o açúcar fabricado aí mesmo , no  engenho das próprias, em sacas volumosos  que eram guardadas na despensa, local propício para as furtadelas  da meninada. Em chegando o escurecer, quando os
idosos batiam papo  num local reservado para as tertúlias  crepusculares, os meninos mais afoitos pulavam a janela da despensa , um a um , sacando valentes punhados do saboroso batido e se mandavam a sugá-lo , com sofreguidão, em esconderijo adrede determinado , longe da vista do pessoal todo  distraído em conversar sobre as peripécias do trabalho do dia.
        Outro motivo do consumo doceiro ocorria quando da realização das festas religiosas nas igrejas dos bairro infantis. Ao  longo do caminho  que dava acesso aos povoados, os doceiros da cidade montavam suas mesas  de iguarias dulcíferas, onde  se podiam adquirir , por alguns tostões (devem ser os centavos de hoje) gostosos doces de batata, cocadas brancas ou morenas, pés-de-moleque, pudins, nacos de bolo, e uma infinidade de doçuras de fazer inveja a qualquer paladar.
         Meninos e meninas viviam atormentando os pais , visando angariar os tostões com que matar a vontade  de saborear qualquer doce que fosse  nas banquinhas dispersas à beira  do caminho. Meu saudoso velho  não era fácil no alongamento das moedas, o que   fazia com que Guilherme, Lino, Valter, Artur , de paladar aceso para degustar um pé-de-moleque , ficassem rodeando  os “banqueti”, como em dialeto se chamava a geringonça montada pelos vendedores da cidade. Lembro-me que de olho comprido na parafernália  doceira, em caso de conseguirmos arrancar do pai, os desejados tostões, escolhíamos  dentre  os maravilhosos (ao nosso olhar) espécimes, os mais vistosos e que poderiam ser também os mais gostosos..
           Assim aconteceu.. Com dois tostões no bolso  deliciei-me com  uma cocada, reservando a Segunda moeda  para o final da tarde, algo assim como uma sobremesa, de olho num tubinho de papel recheado de qualquer coisa. E quando “a tarde morria”, julgado asado o momento para a aquisição  do quitute  final , lá me fui, todo lampeiro, à conquista da “mercadoria” desejada, com o último tostão da festa .
             Que tristeza! Que decepção! O secreto canudinho , que a minha fantasia infantil supunha conter algo nunca visto nem saboreado , nada mais era do que  amendoim torrado, por sinal exageradamente  salgado! Uma  droga! Sem outro remédio para a desdita , fui até onde se encontravam Guilherme e Valter , em cujas mãos, num gesto desolado depus os intragáveis amendoins , acompanhados de um  tristonho “en vôt” que traduzido do  dialeto para o português  nada mais quer dizer do  que “você quer “?

              E eu que esperava encontrar no enigmático canudo  uma  dulçorosa  peça melífera para encerrar  mais um dia de festa , das minhas saudosas festas de infância , fui enganado .pela aparência.

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

CICATRIZES...


                                       Lino Vitti

                   Que é isso – amigo  poeta – desejará saber decerto algum dos pacientes leitores, pacientes acompanhantes destas infindáveis crônicas por cuja leitura  lhes roubo algum tempo precioso da trabalhosa mas serena motivação de vida de cada um? Acaso não vê o teimoso e velhusco vate que anos e anos a fio botando escrevinhações cronísticas nas páginas de um semanário  onde brilha a pena (ou melhor o teclado computadorizante) de escolhidos e valorosos escritores – não vê, repito – que o assinante sábio do jornal paulino já cansou e anseia por coisas novas, assuntos do dia, estilo valioso?
                        Total razão a você, distinto amigo leitor, mas você sabe que poetas e escritores e redatores jornalísticos sofrem de uma coceirinha lá dentro da cabeça que necessitam coçar para poder expungi-la  e assim tranquilizar um pouco a “disgramada” mania do uso sem fim  dessas milagrosas teclas que registram, materialmente, o que cerebrinamente lhes invade essa bola movediça  sobre os ombros, jovens ou velhos,  e com que dão vazão  às próprias idéias, pensamentos e criações intelectuais?
                        Por isso estou aqui (desculpa-me) mais uma vez a  tecer desconexos pensamentos sobre o que botei lá no cimo da escrita, sintetizado no substantivo “cicatrizes”? E lhes peço mais uma pequena dose de paciência por talvez os aborrecer. E lá está o termo a pedir logo explicações, pois o espaço jornalístico tem pedaços que a outros pertence e deve ser respeitado.
                        “Cicatrizes!!!” Há aquelas que se manifestam por fora da personalidade humana e há aquelas que se aboletam dentro, no silêncio de cada um, pois elas indicam sempre algo que morou na alma ou no coração.  Alma e coração ficam feridos pela dor, pelo luto, pelo esquecimento, pelo desprezo, deixando-os imersos, ao passar da vida, em mágoas, ressentimentos, ódios, vinganças e que, depois de fugir como indesejáveis, assinalam profundas e irremovíveis cicatrizes, e qual tufão, deixam marcas de sua terrível passagem   devassadora do amor, da caridade, da justiça, dos sonhos, da esperança. Felizmente as machucaduras espirituais e ,às vezes, físicas, se vão e com elas vem o esquecimento para apagá-las, nada mais restando que cinzas esvoaçantes.
             O poeta – essa mentalidade xereta que se mete em todos os assuntos individuais e universais – num momento de divagação de sua fantasia -  teve momento em que foi tocado por esse tema literário, muito em voga no mundo humano e o inseriu entre suas estrofes e rimas, como este que segue:

                           CICATRIZES
                                 Lino Vitti
                        (Inspirado em e.mail enviado pela poetisa Ivana Maria)

            O mundo é todo cheio de infelizes
            Atacados de dor e de maldade.        
            Mas também outros há muito felizes
            Cultivando lembranças e saudades.

            Em muitos corações há cicatrizes
            Vindas de sonhos, de infelicidade.
            Em muita vida entanto vi raízes
            De muito amor, de amor em quantidade.   

            A cada passo, em cada olhar humano,
            Em cada rosto, um misterioso arcano,
            Cada sorriso sufocando a dor.

            Vejo que existe um pouco de ventura
            Coragem de viver que mais se apura

            Em busca de ser bom e todo amor.

sábado, 13 de setembro de 2014

OS FRADES CAPUCHINHOS


Lino Vitti


            Os bairros de Santana e Santa Olímpia, em matéria de Fé e de Religião, foram privilegiados. Através de todos os seus anos de existência sempre puderam contar com a presença de um sacerdote missionário, em geral um frade franciscano ou capuchinho, dedicados sacerdotes de tempos idos, pacientes, muito virtuosos e preocupados em distribuir os ensinamentos de Cristo e a palavra evangélica.
            Apesar de os operários do Senhor serem poucos, a população trentino-tirolesa sempre teve a graça de contar quase mensalmente com o enviado de Deus, um frade para rezar-lhe a Santa Missa, confessá-los, realizar batizados e distribuir-lhe a Comunhão. Com o caminhar dos tempos, os atos religiosos e a presença ministerial de um sacerdote foram se tornando mais amiudados, e a par do crescimento populacional, verificou-se um aumento de oportunidades de assistência religiosa, a tal ponto que hoje a comunidade de Santa Olímpia conta com um sacerdote da própria terra que reside entre as famílias, podendo assim proporcionar um significativo aumento de missas, casamentos, comunhões, aprendizado, confissões, e o desenvolvimento de espírito cristão.
            Voltando aos frades capuchinhos, lembro-me neste momento de um velho franciscano, chamado Frei Virgílio, um santo no trabalho e nas virtudes, mas que deixou fama entre os moradores de muita severidade. Não tinha receio de cergastar os costumes, as faltas, as transgressões da religião, e apontá-las nos sermões que eram longos, cheios de incriminações, alusões ao fogo do inferno e aos castigos eternos, que sempre fazia com veemência  e com voz de autoridade no assunto. Muitos não gostavam de Frei Virgílio, não só porque ele não deixava para depois o que tinha a dizer, mas também porque os atos religiosos eram meticulosamente realizados com voz pausada e firme, o que muitas vezes ultrapassava o tempo normal de duração.

            Só os mais idosos do bairro conheceram e tiveram assistência religiosa de Frei Virgílio, que apesar de suas implicações e severidade, era muito estimado e respeitado. Deixou saudade sem dúvida entre os membros das comunidades de Santana e Santa Olímpia e dos bairros circunvizinhos. Deixou também uma esteira de santidade e de trabalho de exuberante formação cristã, que se reflete ainda sobre os descendentes daquelas famílias que conviveram com o brabo Frei Virgílio.

terça-feira, 5 de agosto de 2014

“A JARDINEIRA”

                         

                                                           Lino Vitti

            Observo de início que coloquei o título desta mais uma crônica entre aspas, o que vale dizer que outrem a  escreveu e eu tive o trabalho de apenas inseri-la na página. Na verdade o autor é Carlos Vitti, primo e companheiro de andanças  pelos pagos rurais de Santana, Santa Olímpia, Fazenda Negri e bairros daquelas redondezas onde vi por primeiro a luz do sol e passei meus maravilhosos anos de infância e meninice por entre matarias, campos, cafezais, milharais, pássaros silvestres, animais domésticos e às vezes selvagens e tudo quanto foi destinado pela criação divina ao homem que se prende ao cultivo da roça e faz da roça o seu lar. Vamos então ao que o mencionado me ofereceu para retransmitir aos meus caríssimos leitores, passando uma leitura sobre as linhas que seguem, antes advertindo  que “jardineira” não se trata daquela que cuida do jardim, mas de um veículo coletivo que antecedeu, em ponto menor, aos grandes ônibus de hoje.
                                               “A JARDINEIRA
                                                           Por Carlos Vitti (profissional  da construção)

            “Eu nasci no dia 27 de agosto de l928. Meu pai nera lavrador, mas um dia resolveu virar dono de ônibus rural e tirou carteira de motorista no dia 28, logo um dia após eu haver nascido. Ele tinha 38 anos de idade quando ele e mais dois irmãos se associaram  e compraram uma “jardineira “(veículo) que era aberta nas laterais semelhando um bonde. A garagem ficava entre o casarão  e o barracão onde se guardava a colheita do café e algodão. Em Piracicaba ficava estacionada  no Largo São Benedito e só fazia uma viagem por dia  de Santana à cidade, de manhã e à tarde. Os três sócios trocaram a jardineira por um ônibus que decidiram vender e este passou de mãos em mãos até pertencer a Samuel e Jair Vitti,  de cujas mãos foi parar nas de irmãos Correr e finalmente  indo parar nas dos Stênicos que é hoje uma empresa com dezena de ônibus, até para turismo e  micro-ônibus para escolares.

            Eu estou muito feliz por ter sido meu pai a dar início àquela linha de ônibus que corre 24 horas por dia, passando pelos bairros Santana, Santa Olímpia, terminal de Santa Terezinha. Que a padroeira  do bairro Santa Olímpia, a Imaculada Conceição, proteja essa linha.Carlos Vitti, filho  de João , o iniciador das linhas de ônibus de minha terra natal que ainda hoje me serve diariamente.”  

segunda-feira, 28 de julho de 2014

MINHA POESIA


Lino Vitti

Vou contar algo inédito de minha vida. Quando adolescente, morando na roça, meu pai José Vitti, funcionário do Grupo Escolar, era o único que recebia o Jornal de Piracicaba, levado pelo diretor da escola, prof. Euclides de Oliveira Orsi.
Guardava-o sob a cama onde eu dormia o que me propiciava ensejo para correr os olhos por aquelas páginas curiosas e sempre encontrava uma poesia para ler, daí talvez os meus primeiros arranques pelo prazer de ser poeta.

Fui interno de um seminário religioso, onde era proibido fazer versos, mas eu desobedecia e traçava às escondidas meus sonetos. E um dia, por felicidade, fui parar nas oficinas redacionais daquele jornal paterno. E aí criei raízes, e aí minha poesia veio a lume, e tanta e tão importante foi que a Academia Piracicabana de Letras me “nomeou” Príncipe dos Poetas Piracicabanos.

segunda-feira, 9 de junho de 2014

OS CARPINTEIROS



                                                      Lino Vitti

Profissional muito requisitado nos primórdios de vida das comunidades de Santana e Santa Olímpia, e ainda hoje, era o carpinteiro. É um trabalho árduo, exigente, bonito. Só um verdadeiro artista do formão, enxó, serrote, martelo e pregos de todos os calibres será capaz de exercer a arte da marcenaria. Afora esses instrumentos especiais, o profissional deve ter vocação para o serviço, pois é uma tarefa que exige muita concentração, muita paciência, muito trato com as medidas métricas.
O carpinteiro mais antigo de que aqueles bairros têm memória foi sem dúvida o português Rodrigues que exerceu seu trabalho no bairro Santana, mas seu especial afazer se estendia também a Santa Olímpia, Fazenda dos Negri e comunidades vizinhas. Cômodas, armários, guarda-roupas, camas, cadeiras, mesas, criados-mudos, ataúdes para levar adultos e crianças à última morada, eram construídos pelo saudoso Rodrigues. Digo “saudoso” porque cheguei a conhecer o carapina, nos meus distantes dias de infância, em pessoa, servindo-me de motivo até para a elaboração de um de meus Contos literários “O Mistério do Lampeão”. Mas isso é outra história.
Outro artista do formão e da plaina foi o Francele Stênico, em Santa Olímpia e se não erro em minha memória ele era filho de Simão e Tia Maria Stênico. Que mão abençoada tinha o pai do Abrahão! Os trabalhos fabricados pelo Francele chegavam à perfeição. Parece-me que foi o responsável pela construção de altares da igreja de santa Olímpia e dos bancos da sua nave, bonitos, funcionais, duráveis. Especialidade do Francele  foi a confecção de urnas para enterros, dava até gosto morrer para ocupar uma coisa tão bem feita pelas mãos longas e hábeis do filho da Tia Maria.
O Césare – um italiano vindo da guerra de 1915, junto com a família Malusá – foi também carpinteiro em Santana e redondezas. Especializou-se na fabricação de bancos para a igreja e, se não me engano, sua habilidade nessa arte chegava até a construção de carroças e carrinhos. O Césare blasfemava muito, ao que me recordo. Nem por isso deixou de atender ao pedido dos diretores da igreja de Santana para a construção dos seus bancos e outros móveis de sacristia.
O último dos carpinteiros de que tenho lembrança e que conheci bastante foi o Virgílio Bombach. Como gostava de vê-lo entalhar madeira, lixar, alisar, martelar, pintar, móveis residenciais, abastecer os novos casais, servir a toda a comunidade em seu importante trabalho de carpintaria. Caprichoso, paciente, conversador dos bons, Virgílio, além de muitos e belos móveis que fez para os bairros, deixou uma grande saudade, porque eu acho que ele foi um bom, um excelente profissional, um exemplar pai de família e um grande amigo.

Deus os tenha a todos em seu reino!

sexta-feira, 14 de março de 2014

Eu e a Poesia - 14 de março Dia Nacional da Poesia


                               Lino Vitti Cadeira n° 37 - Patrono: Sebastião Ferraz                                       

Meus primeiros versos, escritos a medo, pois o seminário religioso não admitia alunos poetas porque a poesia de nada servia para a vida sacerdotal, foram de cunho religioso e dedicados a Nossa Senhora. Não os guardei, mas lembro perfeitamente que agradaram a um clérigo poeta vindo de outra congregação de religiosos para a dos Padres Estigmatinos, e que vaticinou-me: o senhor vai ser um poeta de verdade.
Profecia cumprida. Há mais de 60 anos assumi o grato dever de poetar, publicando meus sonetos e poemas nos jornais, revistas e semanários da terra piracicabana, cuja conseqüência foi a edição de 7 livros de poesia e contos, distribuídos aos milheiros ao povo de Piracicaba e, ao que sei, aprovados por ele, tanto que a Academia Piracicabana de Letras me honrou com o significativo título de “Príncipe dos Poetas Piracicabanos”. Guardo-o com carinho, com alegria, como troféu e prêmio maravilhoso aos meus longos e felizes anos dedicados à arte escrita e rimada dos Bilacs, dos Raimundos Correia, dos Guilhermes de Almeida, dos Gustavos Teixeira, dos Franciscos Lagreca, das Marinas Tricânicos e de outros mais que dignificam a poesia desta, chamada que foi, de Atenas Paulista.
O professor universitário de literatura de São Paulo, Hildebrando de André, meu companheiro de seminário no Colégio Santa Cruz de Rio Claro, em correspondência trocada entre nós, afirmou sempre que Piracicaba era uma terra privilegiada, uma terra de poetas verdadeiros, um santuário de poesia – dizia ele – que tem a graça de contar com a cooperação feliz dos seus jornais matutinos, semanários, ou revistas, aqueles oferecendo semanalmente uma página de sua edição à poesia dos seus poetas, como podemos ver na sexta-feira, em A Tribuna e aos sábados no Jornal de Piracicaba, a cargo dos escritores Ivana Maria F. de Negri e Ludovico Silva.
Poucos têm a felicidade de ver seus poemas e ou sonetos publicados durante seis décadas para mais, por isso me julgo honrado pelos nossos jornais, dignificado pelos leitores da minha terra, realizado na arte dos versos, estrofes e rimas, graças à compreensão dos diretores, editores, paginadores, distribuidores, leitores e todos quantos trabalham para nos entregar a cada manhã, um nobre jornal como o Jornal de Piracicaba, a Tribuna de Piracicaba e o semanário Folha Cidade, todos acolhedores incontestes de minhas elucubrações poéticas de mais de 60 anos.
E diante de tão flagrante acolhida, diante do respeito que em Piracicaba a Poesia merece, diante da proliferação da arte que dignificou poetas como Dante, Shakespeare, Victor Hugo, Olavo Bilac, Gustavo Teixeira, Vicente de Carvalho, Guilherme de Almeida, Camões, e uma infinidade de nomes gloriosos e reais poetas, eu me curvo em dar graças a Deus, Poeta Criador do Universo, do Homem e do Amor, por haver premiado o mundo de Poesia e Poetas, e agradecer igualmente aos poetas do mundo e do universo por terem aprendido a Poesia de Deus, e por lhe darem continuidade até a consumação dos séculos, com tanta dedicação e tanto carinho como merece essa graça de Deus.
A Poesia é a história dos povos, escrita em estrofes, em versos, em baladas, em sonetos, em poemas, em rimas. Numa linguagem sublimada, figurada, sintetizada, onde falam mais a alma e o coração do que as datas, os fatos, as personalidades, a ciência. Ser poeta é ser beija-flor: sugar o mel da vida, ao librar das asas sempre no espaço e sem tocar o desencanto do solo. É sonhar que se é angelical e não ser nunca envolvido pelo pó. Ser beija-flor, cujos beijos pousam sobre qualquer tipo de flor, sem olhar para a cor, sem olhar para as alturas em que ela bebe a luz do sol, buscando sempre o dulçor melífluo que se esconde no âmago de cada uma delas. Ser poeta é isso: buscar sempre o que é belo, cantar sempre as harmonias das coisas e da vida, ter os pés na terra, mas o olhar nas alturas do infinito. Poesia há de ser alegre, pois se for triste não será poesia, será dor.
São mais de 60 anos que poetizo. São mais de 60 anos que me sinto feliz, pois a minha poesia rendeu frutos, foi lida, foi julgada, foi amada. Haja vista que se tempos atrás os poetas eram raros como os diamantes, hoje eles florescem como seara e a poesia deles espalha um perfume de beleza, de sonhos, de encantamento.
Graças a Deus, a picada que tentei abrir está transformada em caminho florido.

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

ESTRANHOS “FERIADOS”


Lino Vitti

Inserimos no título deste trabalho o termo “feriado”, mas na verdade deveria ter eu escrito “facultativo”, pois são estes que merecem o adjetivo “estranhos”, por não terem caráter de feriado mas serem comemorados como tais, de modo especial pelos serviços públicos do país, com mais assiduidade e de fato pelos estaduais e municipais.
Não sei o que levou à adoção desse fenômeno estatutário do “ponto facultativo”, nem por quem por primeiro foi aberta essa estapafúrdia porteira de se decretar o fechamento de repartições públicas sem existir causa importante e abrangente para tanto! Temos a convicção de que tal procedimento devera ter surgido em algum período ditatorial, desses muitos que de quando em quando sacodem os alicerces da nação, umas vezes prenhes de justificativas, outras, nem tanto. Tempos houve em que todos os poderes institucionais decretavam “facultativo”, hoje, porém, verifica-se que tal distorção é praticada em maior escala pelos Municípios, onde é fácil a um prefeito atender pedidos do funcionalismo para que institua tantos quantos “facultativos” dos dias que precedem ou sucedem os próprios dias feriados, sábados ou domingos, sem que haja a motivação de uma causa justa, uma data significativa ou uma necessidade funcional que a isso obriguem ou recomendem.
Diz-me o “Grande Dicionário de Sinônimos e Antônimos de Osmar Barbosa, edição EDIOURO, que “facultar” é conceder, facilitar, proporcionar e que “facultativo” seria , arbitrário e não obrigatório. Estão aí pois definições explicativas do que venha a ser o caso dos decretados facultativos no serviço público, com destaque para os municipais, uma coisa não obrigatória, uma coisa arbitrária, algo facilitado, algo proporcionado, diria até que por puro diletantismo, de vez que se observa que na maioria dos casos criam-se facultativos com a única finalidade de “proporcionar” ao funcionalismo uma oportunidade de emendar, antecendente ou posteriormente, dias realmente de descanso obrigatório ( sábados, domingos e feriados) com outros arbitrários, isto é, decretados ao talante da inexistência de uma causa de monta qualquer.
Que mal há nisso, poderá interrogar alguém? Mal, mal, na verdade, existe segundo as necessidades de cada cidadão, no seu relacionamento com os poderes públicos e segundo os seus interesses de cidadania. Todos temos compromissos com as repartições municipais, como igualmente compromissos têm as mesmas e seus servidores para com   os concidadãos. São compromissos e obrigações inalienáveis, muitas vezes inadiáveis, muitas vezes passíveis de encarecimento maior, e como é aborrecedor quando cioso de seu dever, ao procurar as repartições municipais para o cumprimento desses deveres, você, cidadão, topa com a portas fechadas, porque é dia “facultativo”, que antecede ou sucede outro dia feriado de lei, acontece ou sucede o Carnaval, a Páscoa, o 7 de Setembro, o 1º de Maio, o 1º de Agosto, etc. etc. ou mesmo, uma data ou acontecimento qualquer adveniente fora do contexto legal e constitucional estabelecidos.
O pior na história é que se tenta encobrir o sol com a peneira, e contrariando as normas estatutárias ou não, se estabelece um regime de compensação do tempo perdido com o facultativo, obrigando-se os servidores, favoráveis ou não às famosas folgas intercaladas, a acompanharem as mudanças de entrada e saída do serviço para repor as horas roubadas do povo pela “folga” anormal decretada sem motivo de maior importância, pelo contrário, sem importância qualquer.
E depois, sujeito a tantas paradas, o serviço público decerto titubeia e se desorganiza, caso em que vem o socorro irregular das horas extraordinárias, pagas pela arrecadação de tributos, vale dizer, pelo bolso dos cidadãos, objeto aliás de tantas reclamações que lemos na imprensa e também são motivo de aborrecimento popular.
De minha parte, tenho a impressão de que o tal de “Ponto Facultativo” foi defenestrado da legislação nacional. E se assim for, por que continuar-se a arranjar tantos facultativos (arbitrariedade!) intercalados a um outro feriado que recaiam na terça-feira, quinta-feira, terça-feira de Carnaval, em sexta-feira da Semana Santa, e por aí, no rol de dias marcados em vermelho pelas tradicionais folhinhas? Onde a lei que assim determina? Onde a necessidade administrativa que assim o exija.
Poderá estranhar-se que eu, inativo municipal aposentado, venha a me insurgir contra isso. É que há facultativos que propiciam a possibilidade de o serviço público parar por 5 ou 6 dias consecutivos, o que decerto deve aborrecer também qualquer funcionário público, obrigado a espairecer em casa tantos dias para preencher o tempo de folga tão alongada, sabido ainda que é terem todos 30 dias de férias consecutivas, licenças-prêmio, sábados, domingos e feriados federais, estaduais e  municipais em que gozam do direito legal de não trabalhar.
E o contribuinte como é que fica?


domingo, 29 de dezembro de 2013

UM HINO SILVESTRE


Lino Vitti  

           Nos meus felizes tempos de meninice, passada por entre gente e paisagem da roça, tinha especial predileção pelos caminhos  e pelos atalhos cujo destino podia levar a um bairro, a um sítio, a uma fazenda ou a nenhuma dessas coisas para ser então um simples final de estrada que levava à lavoura, a uma lagoa, a um mato virgem, a um ribeirão onde moravam traíras, bagres e lambarís, felizes, porque sem poluição das águas pelos venenos agrícolas assassinos de hoje.
                        Como era agradável, como era saudável, como era encantador  enveredar pelas velhas estradas, muitas vezes erguendo nuvens de poeira ao sopro manso de qualquer brisa; outras, enlameadas pelas chuvas; hoje dando passagem ao chiante carro de bois, a transportar grossas toras de jequitibá ou peroba para a serraria dos Negri onde virariam  tabuas para as residências em construção, ou então, oferecendo o espetáculo de uma carroça puxada por várias bestas fogosas,   ofegantes com a carga pesada de produtos agrícolas, rumo aos paióis ou tulhas acolhedores. Quantas vezes os caminhos rurais serviam de passagem de tropas de muares ou manadas de rezes, o que para a curiosidade dos meus olhos infantis ou adolescentes  se constituía num belo espetáculo!
                        Todavia,  não só disso vivia a paisagem  campestre de então. Em geral, as estradas eram enfeitadas em suas margens por trechos maravilhosos de mataria virgem, ou surgiam, como um milagre verde, árvores imponentes, orgulhosas de haverem fugido da sanha dos machados, palco indefectivelmente procurado por pássaros de porte ou avesitas canoras, como sólio de seu descanso ou local ideal para exibirem  as suas melodias matinais ou vesperais. E o passante, como sempre o fazia eu, fosse ao despertar da manhã ou ao entardecer luminoso do dia, não deixava de aplicar seus ouvidos às manifestações das aves, feitas um hino de vida e alegria, ora em conjunto, ora em solo teatral e cuja sonoridade tinha o poder mágico de atrair e encantar o meu passeio.
                        Ouvir um sabiá desfiando suas melodias para saudar o sol nascente ou se entristecer com o ocaso do sol morrente , não é coisa para qualquer um. É preciso amar a roça, é preciso amar-lhe todas as manifestações, é preciso ouvir com ouvidos de carinho e atenção, aquele desdobrar de notas vindas de um pássaro, pequenino às vezes como um pintassilgo, maior, outras, como o sabiá de que vos falo. Seja daquele, seja deste, é sempre um hino que vai ao ar, que toma conta do espaço, que leva sonoridades enigmáticas e ao mesmo tempo felizes aos ouvidos de quem resolveu colocar-se como ouvinte da ópera matinal da roça. 
                        A ciência ornitológica ensina que, ao iniciar o seu canto, o uirapuru, ou o seu bailado, os tangarás nacionais, têm o poder de fazer calar todas as outras aves, para que todas e tudo fiquem embevecidos  daquela sublimada festa de sons  e ouçam com amor e atenção o hino daquelas gargantinhas de ouro e felicidade que estão a se exibir com maestria e perfeição divinais.
                        Ouvindo, quer ao raiar do dia, quer ao apagar dos estertores saudosos da tarde,  o hino do sabiá ou do pintassilgo à beira da estrada, confesso, como que esquecia de tudo e de todos e  a vida nada mais seria do que aquela voz alada a dobrar notas e mais notas musicais, de que aquilo não iria além de uma demonstração, em ponto pequenino do que existe no céu, reservado apenas para ouvidos terrenos que tivessem tímpanos sensíveis e arejados para ouvir o hino preparado por um sabiá ou por  um pintassilgo, rústicos e diminutos  Beethovens ou Mozarts   colocados no universo pelo seu Criador, para nosso lazer, nosso encanto, nossa felicidade.
                        Eu sei que muitos dos caríssimos leitores não tiveram e nunca terão quiçá  essa oportunidade de se extasiar, como inúmeras vezes o fiz, diante de um pássaro madrugador ou entristecido pela fuga da luz do dia, que resolve postar-se à beira de um caminho, no topo de uma árvore,   e aí desfiar, para quem passa ou simplesmente para a natureza circundante,  o milagre de seu canto, o hino que aprendeu quando ainda, homens e aves moravam no Éden. Só pode ser de lá que nos veio, por obra e arte santas coisa tão bela, coisa tão divina.

            Muitas vezes o homem fica esperando milagres. Não é preciso, não. O milagre ou os  milagres estão dando sopa por aí, de modo especial no campo, onde soem acontecer por obra, arte e graça da natureza, como a ária milagrosa  brotada da gargantinha de um pássaro canoro, como a maravilha dos ninhos criadores, como o vôo no infinito anilado  dos corvos altívolos, como o solene canto de um sabiá que tem o prazer e a alegria de vir à beira dos caminhos campestres desfiar notas e mais notas, talvez horas seguidas, para gáudio do homem e de todos os viventes que tenham tímpanos felizes para ouvir o hino de graças a Deus, timbrado pelo pássaro símbolo brasileiro.

domingo, 13 de outubro de 2013

CICATRIZES.. CICATRIZES...


CICATRIZES.., CICATRIZES...
                                       Lino Vitti

                   Que é isso – amigo  poeta – desejará saber decerto algum dos pacientes leitores, pacientes acompanhantes destas infindáveis crônicas por cuja leitura  lhes roubo algum tempo precioso da trabalhosa mas serena motivação de vida de cada um? Acaso não vê o teimoso e velhusco vate que anos e anos a fio botando escrevinhações cronísticas nas páginas de um semanário  onde brilha a pena (ou melhor o teclado computadorizante) de escolhidos e valorosos escritores – não vê, repito – que o assinante sábio do jornal paulino já cansou e anseia por coisas novas, assuntos do dia, estilo valioso?
                   Total razão a você, distinto amigo leitor, mas você sabe que poetas e escritores e redatores jornalísticos sofrem de uma coceirinha lá dentro da cabeça que necessitam coçar para poder expungi-la  e assim tranquilizar um pouco a “disgramada” mania do uso sem fim  dessas milagrosas teclas que registram, materialmente, o que cerebrinamente lhes invade essa bola movediça  sobre os ombros, jovens ou velhos,  e com que dão vazão  às próprias idéias, pensamentos e criações intelectuais?
                   Por isso estou aqui (desculpa-me) mais uma vez a  tecer desconexos pensamentos sobre o que botei lá no cimo da escrita, sintetizado no substantivo “cicatrizes”? E lhes peço mais uma pequena dose de paciência por talvez os aborrecer. E lá está o termo a pedir logo explicações, pois o espaço jornalístico tem pedaços que a outros pertence e deve ser respeitado.
                   “Cicatrizes!!!” Há aquelas que se manifestam por fora da personalidade humana e há aquelas que se aboletam dentro, no silêncio de cada um, pois elas indicam sempre algo que morou na alma ou no coração.  Alma e coração ficam feridos pela dor, pelo luto, pelo esquecimento, pelo desprezo, deixando-os imersos, ao passar da vida, em mágoas, ressentimentos, ódios, vinganças e que, depois de fugir como indesejáveis, assinalam profundas e irremovíveis cicatrizes, e qual tufão, deixam marcas de sua terrível passagem   devassadora do amor, da caridade, da justiça, dos sonhos, da esperança. Felizmente as machucaduras espirituais e ,às vezes, físicas, se vão e com elas vem o esquecimento para apagá-las, nada mais restando que cinzas esvoaçantes.
          O poeta – essa mentalidade xereta que se mete em todos os assuntos individuais e universais – num momento de divagação de sua fantasia -  teve momento em que foi tocado por esse tema literário, muito em voga no mundo humano e o inseriu entre suas estrofes e rimas, como este que segue:
                           CICATRIZES
                                 Lino Vitti
                   (Inspirado em e.mail enviado pela poetisa Ivana Maria)

         O mundo é todo cheio de infelizes
         Atacados de dor e de maldade.
         Mas também outros há muito felizes
         Cultivando lembranças e saudades.

         Em muitos corações há cicatrizes
         Vindas de sonhos, de infelicidade.
         Em muita vida entanto vi raízes
         De muito amor, de amor em quantidade.   

         A cada passo, em cada olhar humano,
         Em cada rosto, um misterioso arcano,
         Cada sorriso sufocando a dor.

         Vejo que existe um pouco de ventura
         Coragem de viver que mais se apura

         Em busca de ser bom e todo amor.

PRÍNCIPE DOS POETAS DE PIRACICABA

CURRICULUM VITAE
( Síntese de Vida)
NOME – Lino Vitti
IDADE – 08/02/1920
ESTADO CIVIL – Casado, em únicas núpcias, há 56 anos, com a Professora Dorayrthes Silber Schmidt Vitti
FILIAÇÃO – José e Angelina Vitti
NATURALIDADE – Piracicaba, Estado de São Paulo –Brasil
Bairro Santana , Distrito de Vila Rezende
VIDA FAMILIAR
Casamento Civil e Religioso em comunhão de bens, Pai de sete filhos: Ângela Antónia, Dorinha Miriam, Rosa Maria, Fabíola , Lina, Rita de Cássia, Eustáquio.
VIDA PROFISSIONAL
Aposentado como Diretor Administrativo da Câmara de Vereadores de Piracicaba, e como Redator do “Jornal de Piracicaba”. Exerceu atividades no comércio, no Magistério, na lavoura até os l3 anos, na municipalidade local, como bibliotecário, lançador de impostos, protocolista, Secretário Municipal.

VIDA CULTURAL
ESCOLA PRIMÁRIA –
Grupo Escolar “Dr. Samuel de Castro Neves”, Santana, seminarista vocacional ao sacerdócio por seis anos, no Colégio Santa Cruz, da cidade de Rio Claro (SP), onde cursou humanidades, línguas, religião, ciências, matemáticas, música.
CURSOS –
Formou-se Técnico em Contabilidade, lecionou latim, francês, datilografia.

VIDA RELIGIOSA
Católico, Apostólico, Romano, fez curso de religião em seminário dos Padres Estigmatinos, foi organista da Catedral e da Igreja de São Benedito, de Piracicaba, e Congregado Mariano.
VIDA LITERÁRIA
Bafejado por ensinamentos de sábios sacerdotes em colégio de formação religiosa, recebeu extraordinário acervo literário que lhe propiciou enveredar pelo caminho da poesia, da crônica, dos contos, do jornalismo, havendo editado de l959 a 200l sete livros de poesias e contos, com edições em milheiros de volumes, os quais estão aí para satisfazer o gosto daqueles que apreciam a arte literária.
São seus livros : “Abre-te, Sésamo”, l959; “Alma Desnuda”, l988; “A Piracicaba, Minha Terra”, l99l; “Sinfonia Poética”, de parceria com o poeta Frei Timóteo de Porangaba; “Plantando Contos, Colhendo Rimas”, l992; “Sonetos Mais Amados”, l996 e “Antes que as Estrelas brilhem”, 200l. O poeta conta ainda com o prazer de haver composto hinos para diversos municípios, bairros rurais, entidades sociais diversas, continuando a colaborar ainda, após os 83 anos em colunas literárias e com artigos de ordem geral em jornais da terra.
Faz parte da Academia Piracicabana de Letras que lhe outorgou o título honorífico de “PRÍNCIPE DOS POETAS DE PIRACICABA’.
Foi-lhe concedida Pelo Município de Piracicaba, através de sua Secretaria da Ação Cultural, a MEDALHA DE MÉRITO CULTURAL, “ Prof. OLÊNIO DE ARRUDA VEIGA’; é detentor do TROFÉU IMPRENSA, concedido pelo Lions Clube de Piracicaba, centro, e da MEDALHA ITALIANA, concedida pelo governo italiano de Benito Mussolini aos alunos de escolas e seminários de origem daquele país que tivessem se destacado em redação de trabalhos literários escritos na língua de Dante.
O Município de Saltinho, para o qual contribuiu com o Hino dessa comunidade municipal , conferiu-lhe o título de “Cidadão Saltinhense”.

DISCURSO

Por ocasião do lançamento do livro de poesias “Antes que as estrelas brilhem “, pelo poeta Lino Vitti foi proferido o seguinte discursos:

Exmo. Sr. Heitor Gauadenci Jr. dd Secretário da Ação Cultural

Exmo. sr. António Osvaldo Storel. dd. Presidente da Câmara de

Vereadores de Piracicaba

Exmo.sr. Moacyr Camponez do Brasil Sobrinho, dd. Presidente do Instituto Histórico e Geográfico

Exmo,. sr. Henrique Cocenza, dd. Presidente da Academia Piracicabana de Letras

Exmo.. Sr. Ésio Pezzato , anfitrião desta solenidade

Senhoras e Senhores

Pela sétima vez (graças a Deus) em minha vida lítero-poética vejo-me guindado a uma tribuna improvisada (o que é bom porque torna o fato mais popular), para proferir um discurso de agradecimento, ao lado da oferta de um novo livro de versos. É teimosia essa de poetas em desovar sua produção para que mais gente participe de suas tiradas, muitas vezes fora de forma e de ambiente, mas que o poeta não vê porque , ao editar um novo livro está cego pela emoção , como se fosse a vez primeira. Está aí o Ésio Pezzato, responsável por mais esta minha invasão no mundo das letras poéticas, para dizer se não é assim. Para dizer se não sofre também dessa doença feliz de editar livros e mais livros a ponto de perder a conta, já que a esta altura ele não sabe se já está no décimo ou décimo primeiro. E ainda continua batendo dedos de métrica, sabemos lá por quantos anos ainda !

Tenho um ex-colega de seminário, prof. Hildebrando André, aposentado como professor universitário e com o qual mantenho longa e pródiga correspondência, que não se cansa de enaltecer a felicidade de Piracicaba contar com tantos poetas e poetisas. Tem razão ele, pois se apenas dois deles já conseguiram editar l8 livros de poesia, imagine-se as centenas que seriam necessárias para dar um pouco de vazão a essa raridade intelectual que toma conta da minha terra!

Este meu livro vem à lume por obra e arte do prefeito José Machado , seu Secretário da Ação Cultural e de seu zeloso servidor Ésio Pezzato que se entusiasmaram diante da recitação de diversos poemas meus por um grupo de jograis, alunos da UNIMEP, e impressionados decidiram patrocinar a publicação deste livro, pois entenderam que Piracicaba poética merecia conhecer em mais profundidade o seu príncipe da poesia. E aí está, lindo e impecável, entregue às mãos do povo de Piracicaba, que indistintamente de cor, estudos, intelectualização , posses financeiras, categoria de trabalho, com religião ou agnóstico, jovem ou adulto, roceiro ou citadino, aí está, para quiçá, momentos de lazer e sonho. Sonho , sim, porque a poesia é terrivelmente sonhativa , vive no mundo da fantasia, alicerça-se nas bases da emoção e brota do âmago mais profundo do poeta, e para que as filhas de Eva não reclamem, da poetisa também.

Alguém me perguntará? Como é ser poeta? Juro, nunca pensei nisso. Acho que ninguém consegue ser poeta. Já é. Nasce feito, como dizem.

não é verdade Maria Cecilia, Ivana Maria, Ésio Pezzato , Prata Gregolim, Marina Rolim, Valter Vitti, Mario Pires, Saconi, e tutti quanti enfeitam com seus lindos versos as páginas do “ Jornal de Piracicaba, ou da “Tribuna Piracicabana , e assim também esse cacho imenso de livros poéticos que quase semanalmente são dados ao conhecimento e sentimento público de nossa terra ? Tornando-se um privilégio de uma cidade, como disse alhures o supra citado meu colega seminarístico Hildebrando André. ?

Não se suponha que para ser poeta é preciso ter nascido em berço de ouro ou em centros intelectuais de enorme repercussão. Nada disso. Tenho um soneto que define bem esse fato. É assim: “Eu não sou o poeta dos salões / de ondeante, basta e negra cabeleira] não me hás de ver nos olhos alusões / de vigílias, de dor e de canseiras. // Não trago o pensamento em convulsões,/ de candentes imagens, a fogueira. / não sou o gênio que talvez supões/ e não levo acadêmica bandeira.// Distribuo os meus versos em moedas/ que pouco a pouco na tua alma hospedas / - raros , como as esmolas de quem passa. / Mas hei de me sentir feliz um dia/ quando vier alguém render-me graça/ por o fazer ricaço de poesia. // “ . Poetas e poetisas saem do nada , devem trazer o selo ou o bilhete de entrada nesse reino encantado desde o útero materno, embora ouse eu afirmar que a vida é também uma grande mestra , as influências da mentalidade circunvizinha,

o próprio meio ambiente, podem , em circunstâncias outras , plasmar um poeta .

Eu fui plasmado , por exemplo, por entre maravilhas campestres. A roça ou o campo são fantásticos criadores de poesia. Ela anda atapetando por todos os cantos a natureza, as gentes, os animais, os atos e fatos. e a cabeça daqueles com quem ela convive. E o poeta, criador por excelência, se abebera de todas as belezas esparsas pelas colinas, serras, vales e descampados , para transformar tudo em versos e rimas, ou em versos simplesmente, onde pululam , como cabritos silvestres, as figuras literárias, os tropos, as sínteses, as comparações, e todos os anseios que lhe vão no imo da alma. Para satisfação própria e para satisfação dos que convivem com o poeta. E´ por isso que se botardes olhos curiosos sobre meus poemas havereis de tropeçar a todo o momento com um motivo roceiro, pois trago uma alma plasmada pelas belezas rurais de Santana, Santa Olímpia , Fazenda Negri, e especialmente por aquela colina encimada ,no cocuruto, pelo prédio do grupo escolar, onde aprendi a ler e escrever e a poetar.

Peço desculpas por haver-me prolongado um pouco nestas elucubrações poéticas, desobedecendo aos conselhos do amigo Ésio que continua exigindo de mim discursos improvisados, o que seria tão para os ouvintes , que ansiosamente aguardam o momento de bater palmas acabando assim com a verborragia oratória.

Não posso entretanto encerrar esta breve alocução sem deixar consignados meus agradecimentos do fundo do coração ao prefeito José Machado ,ao seu Secretário da Ação Cultural Heitor Gaudenci Junior, ao seu sub-secretário poeta Ésio Pezzato, ao prefaciador Moacyr de Oliveira Camponez do Brasil sobrinho, aos queridos opinadores Maria Cecília Bonachella, Maria Ivana França de Negri, exímias poetisas, prof. Elias Salum e a minha filha Universitária Fabíola Vitti Moro, pela maravilhosa capa, Editores e toda equipe de funcionários , à minha esposa pela sugestão transmitida ao prefeito com relação ao advento desta obra, aos digitadores Nair , minha nora e neto Leonardo, e outros que possa ter esquecido, como é fácil em cachola idosa, - meus agradecimentos repito, pela reunião de esforços e trabalho que tornaram possível o advento de mais um livro de minha lavra.

Obrigado “ em geralmente” como dizem nossos cururueiros, aos que ilustraram com sua arte musical esta solenidade e assim também a todos quantos acharam um tempinho para vir prestigiar-me nesta tarefa de cultura e arte. Levem a certeza de que nada mais desejo do que engrandecer com minha poesia a terra que me viu nascer, a terra que me viu crescer, a terra que me proporcionou oportunidade para chegar a um cargo tão nobre quão dignificante de “Príncipe dos Poetas de Piracicaba”

Meu carinhoso obrigado também aos meios de comunicação, de modo especial “Jornal de Piracicaba”, na pessoa de seu Editor Chefe Joacyr Cury , de “A Tribuna Piracicabana”, na de seu diretor Evaldo Vicente, pela divulgação caprichosa deste evento que afinal nada mais é do que mais uma demonstração da exuberância cultural da Noiva da Colina.

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