Lino Vitti - Príncipe dos Poetas Piracicabanos

Lino Vitti - Príncipe dos Poetas Piracicabanos
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O Príncipe e sua esposa, professora Dorayrthes S. S. Vitti

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Lino Vitti e seus pais

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Lino Vitti e seus vários livros

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60 anos de Poesia


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domingo, 29 de maio de 2016

Adeus, querida neve!

     
    Lino Vitti

        Sim, adeus! A brancura enregelada
        Que mandou o calor para a distância
        Vai embora, a fugir, toda apressada,
        Quiçá mesmo com muita relutância.

        Com a frígida neve sofre a infância,
        Sofre o homem de vida já adiantada,
        Assim é  bom que vá, sem discrepância,
        Silente qual chegou, em quase disparada.

        Que volte o sol, o astro da alegria,
        Que traz calor, belezas e poesia,
        Amado por adultos e crianças.

        Que a luz domine agora o espaço enorme,
        Traga quentura a quem trabalha e dorme,
        Seja sinal feliz de novas esperanças.

quinta-feira, 5 de maio de 2016

Mãe


Lino Vitti

Quase um século, mãe, a andar de trilho em trilho,
de trabalho em trabalho e de espinho em espinho.
Pela vida a lutar, deixando a cada filho
um pedaço de amor, um sonho de carinho.

Abriste a cada qual esplêndido caminho,
deixaste-me uma luz na estrada que palmilho.
Foste rever Geraldo, o querido irmãozinho
que tão cedo se foi, como um astro sem brilho.

Se vais gozar no céu a presença divina
como prêmio final ao que com Deus convive,
vais abrir-nos a senda eterna e peregrina.

Os teu filhos estão agora, na orfandade,
mas a tua figura excelsa ainda vive
entre nós a esperar que chegue a Eternidade.

domingo, 3 de abril de 2016

PARAÍSO DA VIDA


                                      Lino Vitti

                   Senhor, certo até Vós minha alma vai, 
                   Ao julgamento do eternal Juízo
                   Para ajoelhar-se  diante de Deus Pai
                   E  receber ou não  Seu Paraíso.

                   Mansão de Luz  que pouco e mal diviso,
                   Prêmio final  a quem dizeis: amai.
                   Supremo Anseio, Divinal Sorriso,
                   Poderoso, Magnífico, Adonai!
                  
                   É tão grande do Céu a Potestade,
                   Tão gloriosa dos bons a Eternidade,
                    Tão divina essa  laurea  apetecida,

                   Que eu Vos peço, Senhor, nessa hora augusta
                   Seja a Vossa Grandeza,  Eterna e Justa,
                   Dando-me em paga minha própria vida!


                   

domingo, 27 de março de 2016

Nossa Senhora




                               
                                                                   Lino Vitti

Se contemplas o céu em noite recamada
a grandeza verás das estrelas fulgentes.
São todas corações a palpitar, frementes,
à espera milenar de outra alma, sua amada.


Tão longínquas se vêm, mas tão pertinho as sentes,
quase as prendes na mão em desejos alçada.
Uma brilha porém tão bela e destacada,
um astro a reluzir fulgurações ridentes.


“Stela Matutina” enfeita o céu risonho,
simboliza oração, divindade, almo sonho,
a cintilar tão alto em luzes se alcandora.


E lembra, ao contemplar-lhe o mais sublime brilho
Aquela que nos trouxe um Deus feito Seu Filho
       Estrela da Manhã, Virgem Nossa Senhora.

         O que está escrito aí é um soneto, uma composição poética, de apenas catorze versos
(linhas), resumindo entretanto uma das maiores homenagens que se podem prestar a um assunto ou a uma personagem, quer do mundo religioso, quer do mundo laico.
         Como podem verificar os estimadíssimos leitores deste feliz e importante semanário sócio-cristão, a figura que desejei homenagear no soneto é nada mais, nada menos do que a Mãe de Cristo Salvador. 
         Eu sei que Nossa Senhora merece não apenas 14 versos, mas milhares, um poema dos mais extensos e profundos, do tamanho de sua dignidade e missão de que o Pai Eterno a incumbiu de exercer na Terra, qual seja, a Mãe Daquele que ao mundo veio para abrir o caminho da salvação e felicidade eternas.
         Nossa Senhora é a mulher marcada com o signo da Redenção humana para livrá-la  das garras do Pecado, pois por Ela é que do Céu se dignou baixar à Terra  o Cristo, o Filho do próprio Deus, Soberano, Eterno, Pai.  E para quê ?
         Ora, sabemos todos, sabem-no até os pequenos de espírito,  que o a Humanidade, por força da desobediência pecaminosa de Adão e Eva, primeiros seres criados diretamente por Deus, fora condenada à perdição eterna, pois infinito foi o pecado cometido pelos nossos primeiros pais.  Pecado que exigia uma condenação infinita.
         Como então sair-se de tal enrascada praticada pela gula infeliz de Eva, que seduziu o seu companheiro de Éden a comer da maçã proibida, levando-o a uma condenação conjunta, perdendo a inocência divinal e celestial, cometendo aquele pecado com sabor de eternidade? Como salvar a humanidade  ingrata que haveria de vir, povoar o mundo, viver, multiplicar-se, cuidar do universo? Como obter o perdão infinito do Criador, infinitamente ofendido pela desobediência infeliz de nossos pais edênicos?
         Bem Deus é Deus. E o problema criado pela ingratidão do primeiro casal foi solucionado pela sabedoria infinita. Só seu Filho,  seu único e como Ele eterno e infinito, poderia servir de embaixador da salvação humana.  Assim mandou-o à Terra, para ser Homem, e como Homem e como Deus Filho,  ser condenado  à morte ignominiosa da Cruz, escolhendo para essa divinal transformação a Virgem Maria, em cujo seio , por ação do Espírito Santo, a Terceira Pessoa da Trindade Santíssima Pai, Filho e Espírito Santo, o Salvador se encarnou, nasceu e com quem viveu até os 33 anos, quando mais uma vez o Homem se levanta contra Deus e condena, e crucifica, e entrega à Morte, Aquele que é o Filho de Deus. 
         Em tudo isso, em toda essa obra divina de arrependimento e perdão, de descida e retorno ao Céu,  de morte e ressurreição, foi sublime a presença de Nossa Senhora. Sublime, divinal, oportuna, e feliz , pois foi ela o elo de ligação entre a Terra e o Céu, foi graças à sua participação infinita que a humanidade pôde respirar novamente os ares da felicidade eterna, graças ao seu “Sim” ao anjo, enviado por Deus que a escolheu para ser participante da Salvação Eterna. Foi Ela que livrou o mundo das garras de Satanás, o Pai do Pecado e da Morte Eterna.
         Como reconhecimento de tanto valor religioso, humano e divino, foi estabelecido pela cristandade  o mês de Maio como consagrado à Virgem Maria, durante o qual, ao menos até recentes anos, se recitavam novenas, celebravam-se festejos, realizam-se atos e práticas, destacando a figura exponencial  de Nossa Senhora, Mãe de Cristo e cooperadora com Deus na vinda de Cristo Salvador,  algo de onde, como de fonte cristalina e santa, cascateou o perdão,  veio a remissão do pecado, desceu à Terra  a luz do Céu.  Tenho recordações belas dos tempos em que floresciam as Congregações de Marianos e Filhas de Maria, não só na cidade como em todos os bairros da zona rural, participantes eméritos nas homenagens à Maria durante o mês de Maio a ela consagrado. Eram manifestações à luz do dia e ao fulgor da noite, dignificando Aquela que um dia disse ao anjo vindo do seio de Deus para trazer a Boa Nova da Salvação: “Faça-se em mim, segundo a Sua Palavra.”, depois de ouvi-lo pronunciar : “ o Senhor esteja convosco, pois bendita sois entre todas as mulheres e bendito é o fruto de vosso ventre, Jesus”...  

         Por tudo isso então Ela merece as homenagens e a gratidão de todos nós. Que acham vocês?! Rezemos: “Ave, Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco, bendita sois vós entre todas as mulheres e bendito é o fruto de vosso ventre, Jesus. Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós, pecadores, agora e na hora de nossa morte. Amem.”

segunda-feira, 21 de março de 2016

A UMA IRMÃ QUERIDA

         
                   
      Lino Vitti 


                   Ao partir para o Céu que tanto mereceste
                   Deixas na Terra a graça e as dores da saudade.
                   A vida é mesmo assim, nosso destino é este:
                   Lutar, vencer, amar, deixar muita bondade.

                   Exemplo de trabalho, exemplo de vontade,
                   Ainda para nós vives e não morreste.
                   Foste segunda mãe, uma irmã de verdade,
                   Em Deus Pai e Senhor do mundo sempre creste.

                   Modelo de virtude a tua alma decerto,
                   Ao deixar este mundo, inclemente deserto,
                   Está a gozar feliz prêmio da salvação.

                   Tua figura humilde, e santa, e generosa,
                   Há de sempre viver, qual fosse eterna rosa
                   No vaso divinal do nosso coração.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

PARTIDAS


sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

ILUSÓRIO CASTELO






                                                    Lino Vitti

Castelo é para mim termo de nossa língua plenamente ajustado ao objeto denominado. Há a palavra palácio, só que esta tem um significado mais social e político e dá a entender que não é tão reservado, tao guardado como aquele aos olhos humanos, aos olhos curiosos e invejosos da sociedade. Palácio é um vocábulo até carinhoso, manso, cordial.
Ao passo que castelo como que guarda atrás de suas letras algo de fortaleza, algo dificilmente atingível, algo reservado a visitas de poucos. Ao falar castelo a mente salta  para um local íngreme, cujo acesso é proibido e só  se chega aos seus umbrais sob a vigilância armada de sentinelas, de guardas, de esbirros.
Castelo é o passado. Palácio é o presente. Castelo lembra espadas, lanças, correntes. Palácio lembra democracia, discursos, liberdade.
O castelo, à noite, ingressa na escuridão, pois deve ficar escondido aos olhos do inimigo, como a mostrar que em seu interior habitam senhores terríveis, há armas prontas para qualquer ataque, alíimoram idéias rígidas e inamovíveis.
O palácio, ao contrário, ao vir das sombras, acende imediatamente a feérica multidão de luzes, como a demonstrar que lá dentro a vida é um contínuo festival de atividades, de alegrias, de jantares, de eventos sociais.
Enquanto um é criatura de um regime vassálico, de famílias tradicionais austeras e conservadores das longas e velhas estirpes familiares, o palácio segue os passos da evolução social e como que dele aquelas severas tradições fogem paulatinamente ou se transformam em elos de comunicação, de modernização, de convivências humana.
Todos os poetas – essa gente que vê as coisas estranhamente – têm seu poema enaltecendo ou condenando essa imagem do castelo de priscas eras. Para eles aquele prédio jogado nas fraldas de uma montanha, irmão dos penhascos empinados e inacessíveis – é uma criatura recheada de poesia, quando assim não pensa a maioria dos homens. Aquela coisa assustadora, se bem a julgarmos através de seu uso nos tempos afora, é para os esquisitos vates versejadores um personagem em cujo bojo ressuma a poesia, portanto digno de ser cantado e rimado assim como o fazem, por exemplo, com uma paisagem, uma árvore, um ocaso, um céu anilado, um canto de pássaro, um silêncio escuro de uma noite taciturna.
Eu também – num momento de fuga à realidade –, – mísero imitador dessa complicada gente que rima – cometi o pecado venial de construir 14 versos para um soneto em homenagem ao “Castelo”. Leiam só como o fiz:

“CASTELO"


                                        Nos cumes de meu Sonho edifiquei

                                      – todo de ouro a fulgir imenso e belo -

elegendo-me seu vassalo e rei,
deslumbrante e magnífico castelo.

Nele – feliz – vivi, sofri e sonhei...
mas um dia, raivoso, me rebelo
e o que com tanto amor edifiquei
quebro e derrubo a golpes de martelo.

E qual teria sido a razão toda
daquela destruição bárbara e douda
que o castelo pusera-me aos montões?

Pudera! Nos seus paços obumbrantes
já ambulavam estranhas habitantes
       era um covil repleto de ilusões!”


(1942) – 22 anos de idade!

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Natal no coração


Lino Vitti

O que desceu do céu naquela noite enorme?
Uma Luz, uma Criança, um Profeta do além?
Em velha manjedoura uma criança dorme,
há uma angélica festa envolvendo Belém.

Descem anjos em coro e a noite luciforme
é um delírio estelar que sobre a Terra vem.
Canta o triste pastor em seu tosco uniforme
e canta o potentado, humílimo também.

É a Salvação que chega aposta em manjedoura
na figura eternal de uma criança loura,
“Gloria in excelsis Deo” o mundo canta então...

Dois mil anos de Cristo – o Salvador do mundo,
e até agora o homem vil não O amou um segundo,
não raiou um Natal no humano coração.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Natal no Coração


Lino Vitti

O que desceu do céu naquela noite enorme?
Uma Luz, uma Criança, um Profeta do além?
Em velha manjedoura uma criança dorme,
há uma angélica festa envolvendo Belém.

Descem anjos em coro e a noite luciforme
é um delírio estelar que sobre a Terra vem.
Canta o triste pastor em seu tosco uniforme
e canta o potentado, humílimo também.

É a Salvação que chega aposta em manjedoura
na figura eternal de uma criança loura,
“Gloria in excelsis Deo” o mundo canta então...

Dois mil anos de Cristo – o Salvador do mundo,
e até agora o homem vil não O amou um segundo,
não raiou um Natal no humano coração.

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

CICATRIZES...


                                       Lino Vitti

                   Que é isso – amigo  poeta – desejará saber decerto algum dos pacientes leitores, pacientes acompanhantes destas infindáveis crônicas por cuja leitura  lhes roubo algum tempo precioso da trabalhosa mas serena motivação de vida de cada um? Acaso não vê o teimoso e velhusco vate que anos e anos a fio botando escrevinhações cronísticas nas páginas de um semanário  onde brilha a pena (ou melhor o teclado computadorizante) de escolhidos e valorosos escritores – não vê, repito – que o assinante sábio do jornal paulino já cansou e anseia por coisas novas, assuntos do dia, estilo valioso?
                        Total razão a você, distinto amigo leitor, mas você sabe que poetas e escritores e redatores jornalísticos sofrem de uma coceirinha lá dentro da cabeça que necessitam coçar para poder expungi-la  e assim tranquilizar um pouco a “disgramada” mania do uso sem fim  dessas milagrosas teclas que registram, materialmente, o que cerebrinamente lhes invade essa bola movediça  sobre os ombros, jovens ou velhos,  e com que dão vazão  às próprias idéias, pensamentos e criações intelectuais?
                        Por isso estou aqui (desculpa-me) mais uma vez a  tecer desconexos pensamentos sobre o que botei lá no cimo da escrita, sintetizado no substantivo “cicatrizes”? E lhes peço mais uma pequena dose de paciência por talvez os aborrecer. E lá está o termo a pedir logo explicações, pois o espaço jornalístico tem pedaços que a outros pertence e deve ser respeitado.
                        “Cicatrizes!!!” Há aquelas que se manifestam por fora da personalidade humana e há aquelas que se aboletam dentro, no silêncio de cada um, pois elas indicam sempre algo que morou na alma ou no coração.  Alma e coração ficam feridos pela dor, pelo luto, pelo esquecimento, pelo desprezo, deixando-os imersos, ao passar da vida, em mágoas, ressentimentos, ódios, vinganças e que, depois de fugir como indesejáveis, assinalam profundas e irremovíveis cicatrizes, e qual tufão, deixam marcas de sua terrível passagem   devassadora do amor, da caridade, da justiça, dos sonhos, da esperança. Felizmente as machucaduras espirituais e ,às vezes, físicas, se vão e com elas vem o esquecimento para apagá-las, nada mais restando que cinzas esvoaçantes.
             O poeta – essa mentalidade xereta que se mete em todos os assuntos individuais e universais – num momento de divagação de sua fantasia -  teve momento em que foi tocado por esse tema literário, muito em voga no mundo humano e o inseriu entre suas estrofes e rimas, como este que segue:

                           CICATRIZES
                                 Lino Vitti
                        (Inspirado em e.mail enviado pela poetisa Ivana Maria)

            O mundo é todo cheio de infelizes
            Atacados de dor e de maldade.        
            Mas também outros há muito felizes
            Cultivando lembranças e saudades.

            Em muitos corações há cicatrizes
            Vindas de sonhos, de infelicidade.
            Em muita vida entanto vi raízes
            De muito amor, de amor em quantidade.   

            A cada passo, em cada olhar humano,
            Em cada rosto, um misterioso arcano,
            Cada sorriso sufocando a dor.

            Vejo que existe um pouco de ventura
            Coragem de viver que mais se apura

            Em busca de ser bom e todo amor.

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

A UMA IRMÃ QUERIDA

                   
              Lino Vitti 


                   Ao partir para o Céu que tanto mereceste
                   Deixas na Terra a graça e as dores da saudade.
                   A vida é mesmo assim, nosso destino é este:
                   Lutar, vencer, amar, deixar muita bondade.

                   Exemplo de trabalho, exemplo de vontade,
                   Ainda para nós vives e não morreste.
                   Foste segunda mãe, uma irmã de verdade,
                   Em Deus Pai e Senhor do mundo sempre creste.

                   Modelo de virtude a tua alma decerto,
                   Ao deixar este mundo, inclemente deserto,
                   Está a gozar feliz prêmio da salvação.

                   Tua figura humilde, e santa, e generosa,
                   Há de sempre viver, qual fosse eterna rosa
                   No vaso divinal do nosso coração.
                           

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

OLHARES



És, poeta, na vida, estranho artista
Tentando esculturar feições e olhares.
Rostos pálidos! Olhos de conquista!
Faces magras! Pupilas cor de mares!

Semblantes velhos onde a dor se avista!
Semblantes moços, limpos de pesares!
Olhos vivos de amor jovem e egoísta!
Olhos dúbios, senis, crepusculares!

Em todos, cicatrizes desenhadas
De longas agonias suportadas
Na lenta via-crucis do viver. . .

E nem sabes, talvez, que levas, junto,
Um rosto lívido, um olhar defunto,
Exibindo-os aos outros sem querer. . .

sábado, 12 de setembro de 2015

Último Perfume


Lino Vitti

Eu, você, todos nós, seguindo a vida afora,
poderemos um dia, abatidos e quietos,
mesmo diante da luz generosa da aurora,
ter um destino igual aos míseros insetos.

Tais quais viver, também em monturos dejetos,
voejando ou rastejando entre o horror da pletora.
Ver um mundo morrer, sem flores e sem tetos,
sem o estrelado além que à noite se alcandora.

Um dia – lhes repito – há de a terra poenta
mostrar toda a aridez, sorver todo o calor
de um perpétuo verão que a dor e o mal sustenta.

Nada porém será se das sombras do Amor
em todos os jardins de cor viva e opulenta

puderes aspirar o último olor da flor.

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

O POETA


Lino Vitti – Príncipe dos Poetas Piracicabanos


Quando o enxergam passar, passos pequenos,
A face magra, quieto, entristecido,
Lançando, às vezes, no ar, mudos acenos
Em gestos de abraçar o indefinido;

Quando o enxergam passar (e o seu ouvido
Não atende aos insultos dos terrenos)
Todos, num quase acento comovido,
Dizem: "Deve ser louco, mais ou menos".

Um dia (nem eu sei como se deu)
Conversamos. Contou-me todo o seu
Viver cheio de angústias e revezes.

É poeta. . . arrependo-me dizê-lo,
Pois eu sei que dirão, agora, ao vê-lo:

"Poeta?. . . então é louco duas vezes!"

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

IPÊ AMARELO



Lino Vitti

Ontem, galhos desnudos, onde o vento 
desferia diabruras musicais. 
Esqueleto infeliz, sólio bulhento 
de uma chusma chilreante de pardais. 

Mas hoje, que milagre, que portento! 
De certo são os raios matinais 
do sol que num feliz deslumbramento 
se fixaram nos galhos fantasmais. 

De certo que as estrelas do infinito 
estão ali espetadas em rosários,, 
são culpadas de quadro tão bonito ! 

E a árvore - ontem pobre - hoje é um tesouro 
exibindo vestidos milionários 
e casquinando gargalhadas de ouro. 

                                     

domingo, 16 de agosto de 2015

Letreiros


Lino Vitti

Pintalgados nos muros pensativos,
- Mudas telas do grande cine-praça -
Letreiros garrafais, imperativos,
Estão leiloando à gente-passa-passa.

Um, berra a barateza dos arquivos.
Outros: - NÃO HÁ MELHOR, QUASE DE GRAÇA.
ARTIGOS DE ABAFAR - APERITIVOS -
GRANDE LIQU1DAÇÃO - QUEIMA - FUMAÇA.

Amarguras, Tristeza, Íntima Calma -
Alegrias, Paixões Febricitantes -
Sobre tudo, a SAUDADE que se espalma,

Nós também somos muros ambulantes
Ocultando letreiros dentro d'alma,
Exibindo letreiros nos semblantes.



quarta-feira, 15 de julho de 2015

FAZENDA



Lino Vitti

A casa grande. O cafezal sorrindo
Engrinaldado de florinhas brancas.
E as trepadeiras de São João florindo
Pelos cercas ao longo das barrancas.

Do pomar, sob os pés de tamarindo,
Se erguem risadas infantis e francas.
E pelo pasto os alazões fugindo
Tremem ao sol as luzidias ancas.

E' meio-dia;  à porta da senzala
O negro velho uma canção murmura
Que, triste e doce, ao coração nos fala.

Baforando fumaça para a altura
O engenho, todo afã, suando, exala,
Um gosto de garapa e rapadura.

terça-feira, 7 de julho de 2015

RECORDAÇÃO PUNGENTE


Lino Vitti

Não sei se foi a culpa minha ou tua,
Ou, talvez, tenha sido do destino.
Sinto é que assim tão breve se destrua
Todo o nosso romance de menino.

Recordemos: a aldeia, a igreja, o sino,
Dias cheios de sol, noites de lua.
E os brinquedos, a escola com seu hino,
O pomar, as lavouras, a charrua...

Recordemos. . . Oh! não, que o peito estala;
Tanto dói no meu íntimo a saudade
Que é melhor, por favor, não provocá-la.

Tentarei te esquecer nos sonhos meus;
Entanto, faz-me a grande caridade

De me trazer teu derradeiro adeus.

terça-feira, 30 de junho de 2015

POR QUE TEMER?



Lino Vitti

Cristo, antes de subir para o Calvário,
Agonizou no horto, em sangue e dores.
Jardim das Oliveiras, santuário,
Grandioso templo para os sofredores!

Getsêmani. . . Que tétrico cenário
Na antevisão de angústias e de horrores!
E a subida, depois, como um rosário
De sofrimentos glorificadores!

Ele era Cristo. E nós, nós também temos
Um Gólgota a escalar. . . Pedras de ponta
Vão juncando o caminho que fazemos.

Pois se Ele teve um horto e tanta afronta,
Por que nosso Getsêmani tememos,
E uma pequena cruz nos amedronta

quinta-feira, 18 de junho de 2015

Ilusória Estrada


Lino Vitti 

Desde há muito prossigo caminhando
Por destroços de sonho e de ilusão
Velha estrada batida que, trilhando,
Todos os homens, geralmente, vão.

E se tento fugir de quando em quando
Dessa quase fatídica visão,
Surge o destino, - oráculo nefando
 E, apontando-me à frente brada – “não”.

Seguir adiante sempre, sempre adiante,
Embora a contragosto, andar sem tréguas,
Andar, mesmo com a alma soluçante.

Caminhar, sufocando grandes dores,
Mas parecendo, ao perpassar das léguas,

Que se vai caminhando sob de flores.

PRÍNCIPE DOS POETAS DE PIRACICABA

CURRICULUM VITAE
( Síntese de Vida)
NOME – Lino Vitti
IDADE – 08/02/1920
ESTADO CIVIL – Casado, em únicas núpcias, há 56 anos, com a Professora Dorayrthes Silber Schmidt Vitti
FILIAÇÃO – José e Angelina Vitti
NATURALIDADE – Piracicaba, Estado de São Paulo –Brasil
Bairro Santana , Distrito de Vila Rezende
VIDA FAMILIAR
Casamento Civil e Religioso em comunhão de bens, Pai de sete filhos: Ângela Antónia, Dorinha Miriam, Rosa Maria, Fabíola , Lina, Rita de Cássia, Eustáquio.
VIDA PROFISSIONAL
Aposentado como Diretor Administrativo da Câmara de Vereadores de Piracicaba, e como Redator do “Jornal de Piracicaba”. Exerceu atividades no comércio, no Magistério, na lavoura até os l3 anos, na municipalidade local, como bibliotecário, lançador de impostos, protocolista, Secretário Municipal.

VIDA CULTURAL
ESCOLA PRIMÁRIA –
Grupo Escolar “Dr. Samuel de Castro Neves”, Santana, seminarista vocacional ao sacerdócio por seis anos, no Colégio Santa Cruz, da cidade de Rio Claro (SP), onde cursou humanidades, línguas, religião, ciências, matemáticas, música.
CURSOS –
Formou-se Técnico em Contabilidade, lecionou latim, francês, datilografia.

VIDA RELIGIOSA
Católico, Apostólico, Romano, fez curso de religião em seminário dos Padres Estigmatinos, foi organista da Catedral e da Igreja de São Benedito, de Piracicaba, e Congregado Mariano.
VIDA LITERÁRIA
Bafejado por ensinamentos de sábios sacerdotes em colégio de formação religiosa, recebeu extraordinário acervo literário que lhe propiciou enveredar pelo caminho da poesia, da crônica, dos contos, do jornalismo, havendo editado de l959 a 200l sete livros de poesias e contos, com edições em milheiros de volumes, os quais estão aí para satisfazer o gosto daqueles que apreciam a arte literária.
São seus livros : “Abre-te, Sésamo”, l959; “Alma Desnuda”, l988; “A Piracicaba, Minha Terra”, l99l; “Sinfonia Poética”, de parceria com o poeta Frei Timóteo de Porangaba; “Plantando Contos, Colhendo Rimas”, l992; “Sonetos Mais Amados”, l996 e “Antes que as Estrelas brilhem”, 200l. O poeta conta ainda com o prazer de haver composto hinos para diversos municípios, bairros rurais, entidades sociais diversas, continuando a colaborar ainda, após os 83 anos em colunas literárias e com artigos de ordem geral em jornais da terra.
Faz parte da Academia Piracicabana de Letras que lhe outorgou o título honorífico de “PRÍNCIPE DOS POETAS DE PIRACICABA’.
Foi-lhe concedida Pelo Município de Piracicaba, através de sua Secretaria da Ação Cultural, a MEDALHA DE MÉRITO CULTURAL, “ Prof. OLÊNIO DE ARRUDA VEIGA’; é detentor do TROFÉU IMPRENSA, concedido pelo Lions Clube de Piracicaba, centro, e da MEDALHA ITALIANA, concedida pelo governo italiano de Benito Mussolini aos alunos de escolas e seminários de origem daquele país que tivessem se destacado em redação de trabalhos literários escritos na língua de Dante.
O Município de Saltinho, para o qual contribuiu com o Hino dessa comunidade municipal , conferiu-lhe o título de “Cidadão Saltinhense”.

DISCURSO

Por ocasião do lançamento do livro de poesias “Antes que as estrelas brilhem “, pelo poeta Lino Vitti foi proferido o seguinte discursos:

Exmo. Sr. Heitor Gauadenci Jr. dd Secretário da Ação Cultural

Exmo. sr. António Osvaldo Storel. dd. Presidente da Câmara de

Vereadores de Piracicaba

Exmo.sr. Moacyr Camponez do Brasil Sobrinho, dd. Presidente do Instituto Histórico e Geográfico

Exmo,. sr. Henrique Cocenza, dd. Presidente da Academia Piracicabana de Letras

Exmo.. Sr. Ésio Pezzato , anfitrião desta solenidade

Senhoras e Senhores

Pela sétima vez (graças a Deus) em minha vida lítero-poética vejo-me guindado a uma tribuna improvisada (o que é bom porque torna o fato mais popular), para proferir um discurso de agradecimento, ao lado da oferta de um novo livro de versos. É teimosia essa de poetas em desovar sua produção para que mais gente participe de suas tiradas, muitas vezes fora de forma e de ambiente, mas que o poeta não vê porque , ao editar um novo livro está cego pela emoção , como se fosse a vez primeira. Está aí o Ésio Pezzato, responsável por mais esta minha invasão no mundo das letras poéticas, para dizer se não é assim. Para dizer se não sofre também dessa doença feliz de editar livros e mais livros a ponto de perder a conta, já que a esta altura ele não sabe se já está no décimo ou décimo primeiro. E ainda continua batendo dedos de métrica, sabemos lá por quantos anos ainda !

Tenho um ex-colega de seminário, prof. Hildebrando André, aposentado como professor universitário e com o qual mantenho longa e pródiga correspondência, que não se cansa de enaltecer a felicidade de Piracicaba contar com tantos poetas e poetisas. Tem razão ele, pois se apenas dois deles já conseguiram editar l8 livros de poesia, imagine-se as centenas que seriam necessárias para dar um pouco de vazão a essa raridade intelectual que toma conta da minha terra!

Este meu livro vem à lume por obra e arte do prefeito José Machado , seu Secretário da Ação Cultural e de seu zeloso servidor Ésio Pezzato que se entusiasmaram diante da recitação de diversos poemas meus por um grupo de jograis, alunos da UNIMEP, e impressionados decidiram patrocinar a publicação deste livro, pois entenderam que Piracicaba poética merecia conhecer em mais profundidade o seu príncipe da poesia. E aí está, lindo e impecável, entregue às mãos do povo de Piracicaba, que indistintamente de cor, estudos, intelectualização , posses financeiras, categoria de trabalho, com religião ou agnóstico, jovem ou adulto, roceiro ou citadino, aí está, para quiçá, momentos de lazer e sonho. Sonho , sim, porque a poesia é terrivelmente sonhativa , vive no mundo da fantasia, alicerça-se nas bases da emoção e brota do âmago mais profundo do poeta, e para que as filhas de Eva não reclamem, da poetisa também.

Alguém me perguntará? Como é ser poeta? Juro, nunca pensei nisso. Acho que ninguém consegue ser poeta. Já é. Nasce feito, como dizem.

não é verdade Maria Cecilia, Ivana Maria, Ésio Pezzato , Prata Gregolim, Marina Rolim, Valter Vitti, Mario Pires, Saconi, e tutti quanti enfeitam com seus lindos versos as páginas do “ Jornal de Piracicaba, ou da “Tribuna Piracicabana , e assim também esse cacho imenso de livros poéticos que quase semanalmente são dados ao conhecimento e sentimento público de nossa terra ? Tornando-se um privilégio de uma cidade, como disse alhures o supra citado meu colega seminarístico Hildebrando André. ?

Não se suponha que para ser poeta é preciso ter nascido em berço de ouro ou em centros intelectuais de enorme repercussão. Nada disso. Tenho um soneto que define bem esse fato. É assim: “Eu não sou o poeta dos salões / de ondeante, basta e negra cabeleira] não me hás de ver nos olhos alusões / de vigílias, de dor e de canseiras. // Não trago o pensamento em convulsões,/ de candentes imagens, a fogueira. / não sou o gênio que talvez supões/ e não levo acadêmica bandeira.// Distribuo os meus versos em moedas/ que pouco a pouco na tua alma hospedas / - raros , como as esmolas de quem passa. / Mas hei de me sentir feliz um dia/ quando vier alguém render-me graça/ por o fazer ricaço de poesia. // “ . Poetas e poetisas saem do nada , devem trazer o selo ou o bilhete de entrada nesse reino encantado desde o útero materno, embora ouse eu afirmar que a vida é também uma grande mestra , as influências da mentalidade circunvizinha,

o próprio meio ambiente, podem , em circunstâncias outras , plasmar um poeta .

Eu fui plasmado , por exemplo, por entre maravilhas campestres. A roça ou o campo são fantásticos criadores de poesia. Ela anda atapetando por todos os cantos a natureza, as gentes, os animais, os atos e fatos. e a cabeça daqueles com quem ela convive. E o poeta, criador por excelência, se abebera de todas as belezas esparsas pelas colinas, serras, vales e descampados , para transformar tudo em versos e rimas, ou em versos simplesmente, onde pululam , como cabritos silvestres, as figuras literárias, os tropos, as sínteses, as comparações, e todos os anseios que lhe vão no imo da alma. Para satisfação própria e para satisfação dos que convivem com o poeta. E´ por isso que se botardes olhos curiosos sobre meus poemas havereis de tropeçar a todo o momento com um motivo roceiro, pois trago uma alma plasmada pelas belezas rurais de Santana, Santa Olímpia , Fazenda Negri, e especialmente por aquela colina encimada ,no cocuruto, pelo prédio do grupo escolar, onde aprendi a ler e escrever e a poetar.

Peço desculpas por haver-me prolongado um pouco nestas elucubrações poéticas, desobedecendo aos conselhos do amigo Ésio que continua exigindo de mim discursos improvisados, o que seria tão para os ouvintes , que ansiosamente aguardam o momento de bater palmas acabando assim com a verborragia oratória.

Não posso entretanto encerrar esta breve alocução sem deixar consignados meus agradecimentos do fundo do coração ao prefeito José Machado ,ao seu Secretário da Ação Cultural Heitor Gaudenci Junior, ao seu sub-secretário poeta Ésio Pezzato, ao prefaciador Moacyr de Oliveira Camponez do Brasil sobrinho, aos queridos opinadores Maria Cecília Bonachella, Maria Ivana França de Negri, exímias poetisas, prof. Elias Salum e a minha filha Universitária Fabíola Vitti Moro, pela maravilhosa capa, Editores e toda equipe de funcionários , à minha esposa pela sugestão transmitida ao prefeito com relação ao advento desta obra, aos digitadores Nair , minha nora e neto Leonardo, e outros que possa ter esquecido, como é fácil em cachola idosa, - meus agradecimentos repito, pela reunião de esforços e trabalho que tornaram possível o advento de mais um livro de minha lavra.

Obrigado “ em geralmente” como dizem nossos cururueiros, aos que ilustraram com sua arte musical esta solenidade e assim também a todos quantos acharam um tempinho para vir prestigiar-me nesta tarefa de cultura e arte. Levem a certeza de que nada mais desejo do que engrandecer com minha poesia a terra que me viu nascer, a terra que me viu crescer, a terra que me proporcionou oportunidade para chegar a um cargo tão nobre quão dignificante de “Príncipe dos Poetas de Piracicaba”

Meu carinhoso obrigado também aos meios de comunicação, de modo especial “Jornal de Piracicaba”, na pessoa de seu Editor Chefe Joacyr Cury , de “A Tribuna Piracicabana”, na de seu diretor Evaldo Vicente, pela divulgação caprichosa deste evento que afinal nada mais é do que mais uma demonstração da exuberância cultural da Noiva da Colina.

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