Lino Vitti - Príncipe dos Poetas Piracicabanos

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Lino Vitti- Príncipe dos Poetas Piracicabanos

O Príncipe e sua esposa, professora Dorayrthes S. S. Vitti

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sábado, 14 de janeiro de 2012

Entrevista com o Príncipe dos Poetas de Piracicaba


A Academia Piracicabana de Letras outorgou a este nobre escritor da terra o título honorífico de “Príncipe dos Poetas de Piracicaba”. Sua obra contempla mais de quatro décadas dedicadas à poesia, especialmente os sonetos. Bafejado pelos ensinamentos de sábios sacerdotes em colégio de formação religiosa, recebeu extraordinária formação literária que lhe propiciou enveredar pelo caminho da poesia, da crônica, dos contos, do jornalismo, havendo editado de 1959 até 2001 sete livros de poesia. Aos 86 anos, Lino Vitti tem orgulho do título. Saudosista assumido, vive num amplo sobrado com Doratirtes, companheira de 57 anos que lhe deu sete filhos. Mas não despreza as novas tecnologias e usa o computador. Nessa entrevista, ele abre o coração e conta o que o emociona e o que o choca no mundo de hoje.
A PROVINCIA – Vale a pena ser poeta?
Lino Vitti – Penso que vale a pena, e muito. A prova são os sete livros de minha lavra. O primeiro, “Abre-te Sésamo”, publiquei quando ainda era moço. Depois vieram “Alma Desnuda”, “Sinfonia Poética”, “Piracicaba, minha terra”, “Sonetos mais amados”, “Plantando contos e colhendo rimas” e “Antes que as estrelas brilhem”, esse último de 2001.
O que representa o título “Príncipe dos poetas piracicabanos”?
Ah, isso é uma coisa que me dá o maior orgulho! Recebi da Academia Piracicabana de Letras, em 1978, e para mim representa uma compensação aos meus longos anos dedicados à poesia.
Quando o senhor começou com a poesia?
Aos 15 anos, quando era seminarista, no Seminário Santa Cruz, em Rio Claro. Lá era proibido praticar poesia, redigir ou pensar tudo o que estivesse relacionado a ela. Mas em certa ocasião apareceu um clérigo de outra congregação, chamado Antonio dos Santos, e que era poeta. Ficou para mim essa divisão entre teologia e poesia. Escondido de outros padres, aprendi todas as técnicas da poesia.
Por isso o senhor desistiu do seminário?
Na verdade eles me mandaram embora. No pátio havia uma figueira e uma folha despencou do alto. Comentei com meu colega que estava me sentindo assim. Mas na hora passou um padre que tomava conta da gente e foi o que bastou para chamar meu pai. Ele pediu para que eu saísse pois não tinha certeza da minha vocação.
O senhor se arrepende de ter desistido ou de ter passado um tempo lá?
Nem uma coisa nem outra. Eu realmente não tinha vocação para sacerdote, mas devo aos padres tudo o que aprendi, tudo relacionado à cultura. Eles formam homens.
Como era a formação de um jovem naquele tempo?
Era a mais ampla possível. Eu aprendi latim, francês, italiano, e tive noções de grego.
E a disciplina, como era?
Era rígida a ponto de um seminarista não pode tocar outro colega com as mãos.
Tanta rigidez tem um lado positivo e um negativo?
De forma nenhuma. A rigidez só tem lado positivo, você tem de ser rígido em tudo.
Essa rigidez estaria em falta na educação de hoje?
Penso que sim. Acho que a educação está muito liberada, acho que no fundo os jovens sentem falta de mais rigidez.
O que o senhor acha da Igreja Católica atual?
Ela acompanhou muita coisa, mas em algumas se manteve, o que tem de ser. As pessoas que se dizem mais liberais não querem aceitar que existem certas coisas que são imutáveis na alma humana. A Igreja não pode aceitar o pecado, o divórcio, o homossexualismo.
Mas a Igreja não precisa se modernizar?
Pra que? Ela não tem obrigação de fazer isso. Sua obrigação é com a crença, com o sagrado. Quem tem de se adaptar a ela é o fiel, ele é quem tem de seguir o que a Igreja determina.
Mas a Igreja não está perdendo fiéis por ser imutável?
A Igreja não visa coisas materiais, ela visa o lado espiritual. Ela não tem de aceitar o divórcio, ela tem de manter o casamento.
Há quantos anos o senhor mantém seu casamento?
Estou casado com Dorairtes, que é professora aposentada, há 57 anos. Temos sete filhos, seis moças e um rapaz, 15 netos e uma bisneta. Realmente é um vínculo indissolúvel.
O que é preciso para ser um bom poeta?
Em princípio, a poesia é um dom natural. Mas eu penso que escrever poesia não é só fazer quadrinhas ou estrofes que tenham métrica, rimadas ou em versos livres. A poesia é uma maneira de transmitir o que está dentro da pessoa de uma maneira elevada, de uma forma incomum. O bom poeta deve ser, acima de tudo, um observador profundo da natureza humana.
O que a modernidade trouxe de bom para o homem?
Trouxe coisas ótimas como as inovações científicas, as novas manifestações culturais. Esse é seu lado bom. Por outro lado, tem seu lado negativo quando se entrega ao abuso do sexo, do crime, da moral, da justiça, e até do abuso do amor.
O que choca o senhor hoje em dia?
Essas coisas que acabei de falar me entristecem. O que me choca é a política. Porque, em vez de cumprir aquilo para o qual foram eleitos, os ilustres representantes da política nacional aproveitam-se de seu mandato para abusar do povo.
O que Piracicaba representa para o senhor?
É meu berço e berço a gente não discute, a gente ama. sei que hoje a cidade tem muitos problemas como violência e falta de policiamento, mas isso existe em todo o lugar.
Santana deve ter um lugar reservado nesse ano, não é?
Claro. Nasci em Santana em 16 de janeiro de 1920 e lá aprendi tudo o que sei. Vivi uma vida campestre, no meio da mata virgem, no meio das lavouras de milho e dos cafezais. Armava arapuca para passarinho, pegava peixe na beira do rio, colhia maracujá na capoeira. Tudo isso desapareceu e em seu lugar colocaram canaviais que acabaram com a mata, os pássaros, os bichos, as frutas, os peixes. É triste para mim, que sou poeta, ver como Santana perdeu a poesia!
(Transcrito, com licença do entrevistado, do site http://www.aprovincia.com – de 10/07/2006)

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Piracicaba Histórias e Memórias

http://www.teleresponde.com.br/lino_vitti.htm

PROGRAMA PIRACICABA HISTÓRIAS E MEMÓRIAS
Produção e apresentação Jornalista e Radialista JOÃO UMBERTO NASSIF

Transmitido pela RÁDIO EDUCADORA DE PIRACICABA AM 1060KHERTZ

aos sábados das 10:00 às 11:00 horas da manhã.

Contato com João Umberto Nassif :e-mail:joao.nassif@ig.com.br

Entrevista com Lino Vitti, o “Príncipe dos Poetas Piracicabanos” realizada nos Estúdios da Rádio Educadora de Piracicaba no ano de 2001. Nascido no Bairro de Santana, Piracicaba, no dia 8 de janeiro de 1920, Vitti é casado com dona Dorayrthes, tem sete filhos, 13 netos e um bisneto. Está aposentado como diretor-administrativo da Câmara. Trabalhou na lavoura até os 13 anos. Foi bibliotecário, lançador de impostos, protocolista e secretário municipal, além de seminarista vocacional. É autor de várias obras literárias.Cidadão Piracicabanus Preeclarus, foi eleito pela Academia Piracicabana de Letras como “Príncipe dos Poetas”. Tem 7 livros publicados.

O Senhor quase foi padre?

Meus avós vieram da Itália, região de Trento, chamada Tirol, daí a denominação de tirolês! Aos 13 anos de idade fui para o seminário em Rio Claro. Quase fiquei padre, se não fiquei padre trouxe daquela escola de sacerdote toda a cultura que me serviu para a vida toda. Trouxe os princípios de religião, de educação cultural, de convivência social, de crença naquele que é o autor da vida e do universo. Nos meus estudos no seminário aprendi os idiomas: grego, latim, francês, italiano além de matemática e ciências, essas últimas matérias eu não as apreciava muito, mas tinha a obrigação cultural de aprender sobre elas.

Uma folha de figueira teve uma importância marcante em sua vida quando ainda estava no seminário?

A história da folha da figueira foi um marco na minha vocação sacerdotal. Eu estava pronto para ingressar naquela fase em que no seminário é denominada de noviciado, é um preparativo para o sacerdócio. Em uma noite, debaixo de uma figueira em um momento de recreio, estava em companhia de outros seminaristas, essa figueira era uma árvore enorme, e dela de vez em quando caiam folhas secas. Nessa noite, de repente despenca lá do alto uma das famosas folhas, enorme, amarelada, passando exatamente na frente dos meus olhos. Disse aos meus companheiros: - Meus caros companheiros esta folha esta representando a minha vocação! Não está muito firme nem muito verde! Está amarelada e secando! Por cumulo da sorte ou do destino o sacerdote que tomava conta dos seminaristas estava logo atrás de mim quando proferi essas palavras! Ele interpretou o fato como um sinal de que eu não tinha muita vocação para ser padre! Foi o sinal da figueira!

O senhor voltou a morar com seu pai?

Exatamente. Voltei a morar com o meu pai, no sítio, em Santana. Após permanecer por 6 anos no seminário, o que estranhei foi a minha casa que achei uma caixinha de fósforo em comparação com o seminário que tinha 4 andares e era enorme. Falei: - Meu Deus do céu! Permaneci ali no sítio por uns 2 a 3 anos onde trabalhei nos afazeres da roça: carpindo, apanhando café, apanhando algodão, meu pai não admitia que eu perdesse meus estudos realizados no seminário. Ele tentava sempre me enviar para a cidade onde eu teria a oportunidade de continuar os estudos. Ele tinha uma família com 11 filhos. Passei a trabalhar com um parente meu chamado Luiz Stenico que tinha um bar e restaurante bem no centro da cidade, ao lado da catedral, onde hoje existe uma lanchonete, junto ao supermercado. Passei a trabalhar nesse Bar Stenico como caixeiro. Já calculou um ex-seminarista, cheio de literatura, de estudos, trabalhar num local para vender pinga, cerveja, sanduíche, oferecer refeições. É um contra-censo. Mas com isso eu salvava a minha responsabilidade no sustento da minha pensão com cama e mesa. Dali eu fui trabalhar em um chalé de jogo de bicho que ficava um pouco acima do pontilhão da Rua Benjamin Constant, esse episódio da minha vida é marcante, não só como meio de vida, mas porque ele me incentivou em grande parte a minha vocação poética. Enquanto eu me dirigia ao chalé para os trabalhos na época eu morava na Rua XV de Novembro, perto do cemitério, e fazia esse percurso a pé, na ida e na volta, durante esse trajeto eu ia bolando na minha cachola o soneto, porque não tinha outra coisa para fazer. Ao chegar no chalé eu pegava um papel e escrevia o soneto que havia mentalizado. Assim acontecia na volta. Isso foi por volta de 1942. Assim fui acumulando sonetos feitos na ida e na volta do trabalho. Foi uma iniciativa trabalhar nesse chalé. Só que nunca tive a felicidade de ver ninguém ganhar uma bolada no jogo de bicho. O Seu Vitório e não sei bem se era filho ou sobrinho dele que trabalhava lá também, eles adoravam os meus sonetos. Com o passar dos anos meu pai conseguiu que eu me formasse em contabilidade na Escola de Comércio do professor Antonio Zanin, na qual eu tive o curso completo de contabilidade. Vou confessar uma coisa: Eu não gosto de números, de matemática, de ciências exatas! Eu prefiro literatì passei a publicar os sonetos no Diário de Piracicaba. Já fazia tempo que eu mandava os meus sonetos para o Jornal de Piracicaba, que mantinha uma seção especial chamada Crônica Social onde o Dr. Losso Neto, o Severiano Alberto Ferraz Filho, o Acary de Oliveira Mendes propiciavam a publicação de um soneto, de uma poesia, quase diariamente, eu achei que era uma oportunidade para divulgar a minha poesia, então sempre mandava. Por ai você vê que a imprensa de Piracicaba já acolhia a minha poesia, sinal que deviam apreciar. Da Escola de Comércio fui para a esquina da Rua Prudente de Moraes com a Rua Governador Pedro de Toledo, onde hoje é o Clube Cristóvão Colombo, onde na época situava-se a Biblioteca Municipal. Como eu tinha um grande amigo chamado Mário Orsi, ele sabia que eu procurava uma posição de apoio para meu progresso intelectual, ele então me ofereceu o cargo de bibliotecário que estava vago. Ele me levou ao prefeito Pacheco Chaves que aceitou a minha indicação e passei a trabalhar na Biblioteca Municipal, como se fosse um peixe dentro d’água! Ali havia livros, literatura, havia de tudo que era cultura para que eu pudesse me enfronhar. Com o falecimento do Severiano Alberto Ferraz Filho o Prof. Acary de Oliveira Mendes, que era secretário do Jornal de Piracicaba, me convidou a trabalhar naquele jornal, permaneci ali por 27 anos trabalhando a noite, às vezes trabalhava até às 2 horas da manhã. Fui convidado a trabalhar na Lançadoria da Prefeitura Municipal, onde permaneci por uns 6 anos. Em 1948 ocorreu uma mudança muito grande na minha vida. Nesse período houve a reorganização do sistema político do país. A então ditadura do Getulio Vargas passou para a democracia, essa democracia que temos aí, que ás vezes não é bem uma democracia, mas enfim serve não é? Houve a reabertura das câmaras municipais, aqui em Piracicaba tinha sido eleito prefeito o Sr. Luiz Dias Gonzaga e 31 vereadores, entre os quais o Dr. Aldrovando Pires Fleury Correa, mais conhecido como Aldrovando Fleury que foi eleito o primeiro presidente da câmara depois do período da ditadura. Era necessário que a câmara tivesse um secretário para redigir as atas, as correspondências, e os novos projetos, indicações e requerimentos dos senhores vereadores. Um dia o então prefeito Luiz Dias Gonzaga pediu ao Frederico Ferraz Orsi que era o contador da prefeitura municipal, que lhe indicasse um funcionário para ocupar o cargo de secretário da câmara municipal, a pedido do Dr. Aldrovando Fleury. O Orsi imediatamente sugeriu ao prefeito o meu nome. O prefeito chamou-me em seu gabinete e falou: - Olha Vitti, eu vou precisar dos seus trabalhos! Aliás, quem vai precisar é o Dr. Aldrovando Fleury que esta aqui no gabinete. Vou querer que você vá secretariar. Eu disse: - Mas “Seu” Luiz eu não entendo nada de câmara, nada de leis... Ele então me disse: - Não é você que escreve em jornal? Faz poesias em jornal? Respondi: - Sou eu “Seu” Luiz! Ele disse: -Então você vai ter capacidade de redigir uma ata, de escrever um oficio, escrever qualquer coisa para os vereadores. Eu tive que me curvar a vontade do prefeito e a do presidente da câmara que me nomearam secretário. Sempre agradeci a ambos por terem me escolhido. Permaneci na câmara por 38 anos.

Como foi o episódio ocorrido na câmara que provocou o pedido de renuncia do Prof. Acary?

Esse episódio envolveu o Prof. Acary de Oliveira Mendes, que era vereador da oposição, ele apresentou um projeto para que fossem instaladas pela prefeitura diversas escolas no município. A situação não queria que o projeto fosse aprovado, achavam que a constituição proibia, tinha aqueles artigos que confundem todo mundo, ao final da contenda o Prof. Acary disse: - Se uma câmara, se os vereadores, se o prefeito não querem que Piracicaba tenha escolas eu renuncio ao meu mandato! Ficou um clima de suspense. Era a primeira renuncia que se observava na câmara. O vereador Dr. Noedy Krahenbuhl Costa, brilhante vereador, inteligente, poliglota, ele reagiu e acompanhou o colega Acary com o pedido de renuncia, só que naquela ocasião ele proferiu uma sentença que ficou histórica e está na ata que redigi, dando como motivo da renuncia que ele não poderia participar de uma câmara municipal que era um “bando de Panurgos tangidos por um almocreve” (Panurgo, personagem de Rabelais, atirou por vingança, um carneiro ao mar e todos os demais carneiros em ataque suicida, acompanharam o que tinha sido vitimado; almocreve é o homem que acompanha bestas de carga).No caso o almocreve seria o prefeito da ocasião. Um outro episódio que aconteceu foi quando Prof. Manoel Rodrigues Lourenço era o presidente da câmara, e o vice era Geronimo Bastos, só havia um gabinete para presidente e presidente, eles não se entendiam muito bem. O vice passou a ocupar o gabinete do presidente, que se sentiu ofendido. Dirigiu-se ao diretor da câmara para elaborar uma placa escrevendo: “Gabinete da Presidência”. Eu redigi o cartaz e coloquei. O vice-presidente continuou ocupando o gabinete. Eu disse a ele que existia um cartaz dizendo ser proibida a permanência de qualquer pessoa que não fosse o presidente da câmara. O vice-presidente disse então: -Só que você escreveu em letras muito miúdas. Quero que escreva em letras garrafais!

O senhor conheceu o “Nhô Lica”?

Ele tinha uma fortuna em pedras “preciosas”. Ele andava pela rua a cata de pedras e as depositava em bancos como se fossem pedras preciosas, diamantes, esmeraldas, era uma pessoa conhecida por toda a cidade. O pessoal do banco como já o conhecia recebiam os seus depósitos e simulavam um recibo, carimbando um papel. Só que acho que ele nunca foi retirar os valores por ele depositados. Nunca fez um saque, só depositava! Quando ele faleceu, cheio de sentimentos pela sua morte, redigi um soneto em sua homenagem.

PRÍNCIPE DOS POETAS DE PIRACICABA

CURRICULUM VITAE
( Síntese de Vida)
NOME – Lino Vitti
IDADE – 08/02/1920
ESTADO CIVIL – Casado, em únicas núpcias, há 56 anos, com a Professora Dorayrthes Silber Schmidt Vitti
FILIAÇÃO – José e Angelina Vitti
NATURALIDADE – Piracicaba, Estado de São Paulo –Brasil
Bairro Santana , Distrito de Vila Rezende
VIDA FAMILIAR
Casamento Civil e Religioso em comunhão de bens, Pai de sete filhos: Ângela Antónia, Dorinha Miriam, Rosa Maria, Fabíola , Lina, Rita de Cássia, Eustáquio.
VIDA PROFISSIONAL
Aposentado como Diretor Administrativo da Câmara de Vereadores de Piracicaba, e como Redator do “Jornal de Piracicaba”. Exerceu atividades no comércio, no Magistério, na lavoura até os l3 anos, na municipalidade local, como bibliotecário, lançador de impostos, protocolista, Secretário Municipal.

VIDA CULTURAL
ESCOLA PRIMÁRIA –
Grupo Escolar “Dr. Samuel de Castro Neves”, Santana, seminarista vocacional ao sacerdócio por seis anos, no Colégio Santa Cruz, da cidade de Rio Claro (SP), onde cursou humanidades, línguas, religião, ciências, matemáticas, música.
CURSOS –
Formou-se Técnico em Contabilidade, lecionou latim, francês, datilografia.

VIDA RELIGIOSA
Católico, Apostólico, Romano, fez curso de religião em seminário dos Padres Estigmatinos, foi organista da Catedral e da Igreja de São Benedito, de Piracicaba, e Congregado Mariano.
VIDA LITERÁRIA
Bafejado por ensinamentos de sábios sacerdotes em colégio de formação religiosa, recebeu extraordinário acervo literário que lhe propiciou enveredar pelo caminho da poesia, da crônica, dos contos, do jornalismo, havendo editado de l959 a 200l sete livros de poesias e contos, com edições em milheiros de volumes, os quais estão aí para satisfazer o gosto daqueles que apreciam a arte literária.
São seus livros : “Abre-te, Sésamo”, l959; “Alma Desnuda”, l988; “A Piracicaba, Minha Terra”, l99l; “Sinfonia Poética”, de parceria com o poeta Frei Timóteo de Porangaba; “Plantando Contos, Colhendo Rimas”, l992; “Sonetos Mais Amados”, l996 e “Antes que as Estrelas brilhem”, 200l. O poeta conta ainda com o prazer de haver composto hinos para diversos municípios, bairros rurais, entidades sociais diversas, continuando a colaborar ainda, após os 83 anos em colunas literárias e com artigos de ordem geral em jornais da terra.
Faz parte da Academia Piracicabana de Letras que lhe outorgou o título honorífico de “PRÍNCIPE DOS POETAS DE PIRACICABA’.
Foi-lhe concedida Pelo Município de Piracicaba, através de sua Secretaria da Ação Cultural, a MEDALHA DE MÉRITO CULTURAL, “ Prof. OLÊNIO DE ARRUDA VEIGA’; é detentor do TROFÉU IMPRENSA, concedido pelo Lions Clube de Piracicaba, centro, e da MEDALHA ITALIANA, concedida pelo governo italiano de Benito Mussolini aos alunos de escolas e seminários de origem daquele país que tivessem se destacado em redação de trabalhos literários escritos na língua de Dante.
O Município de Saltinho, para o qual contribuiu com o Hino dessa comunidade municipal , conferiu-lhe o título de “Cidadão Saltinhense”.

DISCURSO

Por ocasião do lançamento do livro de poesias “Antes que as estrelas brilhem “, pelo poeta Lino Vitti foi proferido o seguinte discursos:

Exmo. Sr. Heitor Gauadenci Jr. dd Secretário da Ação Cultural

Exmo. sr. António Osvaldo Storel. dd. Presidente da Câmara de

Vereadores de Piracicaba

Exmo.sr. Moacyr Camponez do Brasil Sobrinho, dd. Presidente do Instituto Histórico e Geográfico

Exmo,. sr. Henrique Cocenza, dd. Presidente da Academia Piracicabana de Letras

Exmo.. Sr. Ésio Pezzato , anfitrião desta solenidade

Senhoras e Senhores

Pela sétima vez (graças a Deus) em minha vida lítero-poética vejo-me guindado a uma tribuna improvisada (o que é bom porque torna o fato mais popular), para proferir um discurso de agradecimento, ao lado da oferta de um novo livro de versos. É teimosia essa de poetas em desovar sua produção para que mais gente participe de suas tiradas, muitas vezes fora de forma e de ambiente, mas que o poeta não vê porque , ao editar um novo livro está cego pela emoção , como se fosse a vez primeira. Está aí o Ésio Pezzato, responsável por mais esta minha invasão no mundo das letras poéticas, para dizer se não é assim. Para dizer se não sofre também dessa doença feliz de editar livros e mais livros a ponto de perder a conta, já que a esta altura ele não sabe se já está no décimo ou décimo primeiro. E ainda continua batendo dedos de métrica, sabemos lá por quantos anos ainda !

Tenho um ex-colega de seminário, prof. Hildebrando André, aposentado como professor universitário e com o qual mantenho longa e pródiga correspondência, que não se cansa de enaltecer a felicidade de Piracicaba contar com tantos poetas e poetisas. Tem razão ele, pois se apenas dois deles já conseguiram editar l8 livros de poesia, imagine-se as centenas que seriam necessárias para dar um pouco de vazão a essa raridade intelectual que toma conta da minha terra!

Este meu livro vem à lume por obra e arte do prefeito José Machado , seu Secretário da Ação Cultural e de seu zeloso servidor Ésio Pezzato que se entusiasmaram diante da recitação de diversos poemas meus por um grupo de jograis, alunos da UNIMEP, e impressionados decidiram patrocinar a publicação deste livro, pois entenderam que Piracicaba poética merecia conhecer em mais profundidade o seu príncipe da poesia. E aí está, lindo e impecável, entregue às mãos do povo de Piracicaba, que indistintamente de cor, estudos, intelectualização , posses financeiras, categoria de trabalho, com religião ou agnóstico, jovem ou adulto, roceiro ou citadino, aí está, para quiçá, momentos de lazer e sonho. Sonho , sim, porque a poesia é terrivelmente sonhativa , vive no mundo da fantasia, alicerça-se nas bases da emoção e brota do âmago mais profundo do poeta, e para que as filhas de Eva não reclamem, da poetisa também.

Alguém me perguntará? Como é ser poeta? Juro, nunca pensei nisso. Acho que ninguém consegue ser poeta. Já é. Nasce feito, como dizem.

não é verdade Maria Cecilia, Ivana Maria, Ésio Pezzato , Prata Gregolim, Marina Rolim, Valter Vitti, Mario Pires, Saconi, e tutti quanti enfeitam com seus lindos versos as páginas do “ Jornal de Piracicaba, ou da “Tribuna Piracicabana , e assim também esse cacho imenso de livros poéticos que quase semanalmente são dados ao conhecimento e sentimento público de nossa terra ? Tornando-se um privilégio de uma cidade, como disse alhures o supra citado meu colega seminarístico Hildebrando André. ?

Não se suponha que para ser poeta é preciso ter nascido em berço de ouro ou em centros intelectuais de enorme repercussão. Nada disso. Tenho um soneto que define bem esse fato. É assim: “Eu não sou o poeta dos salões / de ondeante, basta e negra cabeleira] não me hás de ver nos olhos alusões / de vigílias, de dor e de canseiras. // Não trago o pensamento em convulsões,/ de candentes imagens, a fogueira. / não sou o gênio que talvez supões/ e não levo acadêmica bandeira.// Distribuo os meus versos em moedas/ que pouco a pouco na tua alma hospedas / - raros , como as esmolas de quem passa. / Mas hei de me sentir feliz um dia/ quando vier alguém render-me graça/ por o fazer ricaço de poesia. // “ . Poetas e poetisas saem do nada , devem trazer o selo ou o bilhete de entrada nesse reino encantado desde o útero materno, embora ouse eu afirmar que a vida é também uma grande mestra , as influências da mentalidade circunvizinha,

o próprio meio ambiente, podem , em circunstâncias outras , plasmar um poeta .

Eu fui plasmado , por exemplo, por entre maravilhas campestres. A roça ou o campo são fantásticos criadores de poesia. Ela anda atapetando por todos os cantos a natureza, as gentes, os animais, os atos e fatos. e a cabeça daqueles com quem ela convive. E o poeta, criador por excelência, se abebera de todas as belezas esparsas pelas colinas, serras, vales e descampados , para transformar tudo em versos e rimas, ou em versos simplesmente, onde pululam , como cabritos silvestres, as figuras literárias, os tropos, as sínteses, as comparações, e todos os anseios que lhe vão no imo da alma. Para satisfação própria e para satisfação dos que convivem com o poeta. E´ por isso que se botardes olhos curiosos sobre meus poemas havereis de tropeçar a todo o momento com um motivo roceiro, pois trago uma alma plasmada pelas belezas rurais de Santana, Santa Olímpia , Fazenda Negri, e especialmente por aquela colina encimada ,no cocuruto, pelo prédio do grupo escolar, onde aprendi a ler e escrever e a poetar.

Peço desculpas por haver-me prolongado um pouco nestas elucubrações poéticas, desobedecendo aos conselhos do amigo Ésio que continua exigindo de mim discursos improvisados, o que seria tão para os ouvintes , que ansiosamente aguardam o momento de bater palmas acabando assim com a verborragia oratória.

Não posso entretanto encerrar esta breve alocução sem deixar consignados meus agradecimentos do fundo do coração ao prefeito José Machado ,ao seu Secretário da Ação Cultural Heitor Gaudenci Junior, ao seu sub-secretário poeta Ésio Pezzato, ao prefaciador Moacyr de Oliveira Camponez do Brasil sobrinho, aos queridos opinadores Maria Cecília Bonachella, Maria Ivana França de Negri, exímias poetisas, prof. Elias Salum e a minha filha Universitária Fabíola Vitti Moro, pela maravilhosa capa, Editores e toda equipe de funcionários , à minha esposa pela sugestão transmitida ao prefeito com relação ao advento desta obra, aos digitadores Nair , minha nora e neto Leonardo, e outros que possa ter esquecido, como é fácil em cachola idosa, - meus agradecimentos repito, pela reunião de esforços e trabalho que tornaram possível o advento de mais um livro de minha lavra.

Obrigado “ em geralmente” como dizem nossos cururueiros, aos que ilustraram com sua arte musical esta solenidade e assim também a todos quantos acharam um tempinho para vir prestigiar-me nesta tarefa de cultura e arte. Levem a certeza de que nada mais desejo do que engrandecer com minha poesia a terra que me viu nascer, a terra que me viu crescer, a terra que me proporcionou oportunidade para chegar a um cargo tão nobre quão dignificante de “Príncipe dos Poetas de Piracicaba”

Meu carinhoso obrigado também aos meios de comunicação, de modo especial “Jornal de Piracicaba”, na pessoa de seu Editor Chefe Joacyr Cury , de “A Tribuna Piracicabana”, na de seu diretor Evaldo Vicente, pela divulgação caprichosa deste evento que afinal nada mais é do que mais uma demonstração da exuberância cultural da Noiva da Colina.

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