Lino Vitti - Príncipe dos Poetas Piracicabanos

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O Príncipe e sua esposa, professora Dorayrthes S. S. Vitti

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Lino Vitti e seus pais

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Lino Vitti e seus vários livros

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60 anos de Poesia


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segunda-feira, 22 de setembro de 2014

GENTE PRA TUDO



                                                    Jair Vitti

Podemos notar são sempre as mesmas pessoas que frequentam os ambientes, 
seja para ir à igreja, assistir futebol ou frequentar clubes.
Existem as pessoas forrozeiras, outras esportistas, outras que gostam de 

pescaria, praianos, jogadores de baralho, caçadores (mesmo a caça sendo 
proibida), gente que vive dentro de uma oficina fazendo horas extras, 
frequentadores de bares, pessoas que não saem de casa e sabem tudo o que se 
passa no mundo.

Cada um defendendo seu lado, até para ir ao médico existem as pessoas 

certas, estão sempre no pronto socorro por qualquer coisa insignificante e 
muitas vezes tomando o lugar de pessoas que realmente precisam ser 
atendidas.

Outras gostam de ir visitar doentes, velórios, mas não passa daquilo, 

parece que o mundo foi feito desta maneira e o engraçado é que pode fazer 
sol ou chuva os freqüentadores dessas coisas todas estão presentes da mesma 
forma.

Você já imaginou assistir a uma partida de futebol embaixo de chuva ou com 

aquele sol ardente? É preciso ter dom. Certa ocasião tive a oportunidade de 
assistir a partida São Paulo X Palmeiras no Estádio do Pacaembu, o calor 
devia estar em torno de quarenta graus, no término do jogo faltou pouco para 
ir para o hospital de tão mal que me senti. Deus do céu, não sei como os 
torcedores aquentam e se sentem bem em tal ambiente!

Pescar à noite também é outra dose, pernilongos, cobras e outros perigos que 

o rio nos oculta.

Os boêmios então parecem corujas, viajam a noite toda, aqui acolá 

enfrentando os perigos das estradas enquanto outras pessoas às sete horas da 
noite estão dormindo. É muita diferença!

Acreditem se quiser, há pessoas que gostam de ficar doentes e se sentem 

bem quando o médico diz que é doença grave. Outras pessoas ficam felizes de 
estar com o armário cheio de remédio de todos os tipos, outras já 
acostumadas a tomar remédios vão à farmácia por conta própria e se auto 
medicam.

Por incrível que pareça, algumas pessoas quando o médico faz a receita ainda 

perguntam : -Doutor posso tomar outros remédios além desses?

Sem exagero, conheci uma pessoa que tomava seis comprimidos de Melhoral por dia e quando recebia visitas, além de oferecer o cafezinho oferecia também 

um Melhoral.


            Resumindo, existem pessoas pra tudo. 

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

LAMENTOS DA ÁGUA



                                                    Jair Vitti

Disse a Água:
“Saio do meio das rochas e matas, vou rolando pelos ribeirões, desemboco nos leitos dos rios, até chegar ao mar, depois, com o calor do Sol e a temperatura, forma-se a vaporização e torno a subir no espaço, formando as nuvens e volto outra vez, fazendo o mesmo percurso até quando Deus quiser.
A minha tristeza é que sou tão útil para a humanidade, mas ninguém tem a mínima consideração por mim e em todos os lugares em que estou, existe vida, tanto é que neste planeta terra, setenta e cinco por cento são formados de água. Dá para entender que sou importante.
Sou tão cristalina rolando no meio das matas e cascatas, mas quando chego à entrada das cidades, começam a me emporcalhar, conforme vou passando vão jogando todas as espécies de lixo e esgoto, sofás, animais mortos, plásticos, entulhos, papelões, enfim tudo o que é sujeira. As indústrias soltam poluentes, principalmente quando acontece a lavagem e milhares de peixes são mortos. É uma lástima.
Acabo de sair das cidades, mal chego ao campo vem a poluição dos agrotóxicos e os restilos das usinas, e o engraçado é que as cidades próximas me cercam com barragens e represando-me com enormes bombas sou transportada a caixas e daí sou obrigada a passar por filtros gigantes para ficar limpa novamente. A partir de então sou usada para beber na cozinha, lavar roupas, quintais, ruas, as donas de casa me desperdiçam, deixam torneiras abertas e de tanto que lavam as janelas e vitrôs em pouco tempo apodrece tudo.
As mocinhas então nem se fala, ficam horas e horas tomando banho de chuveiro. Eu penso comigo mesma prá que tanto desperdício?
Nas piscinas é o lugar onde mais sofro, vejo cada coisa, tenho que ficar presa, aguentando todo tipo de desaforo. Francamente, não vejo a hora que me soltem para seguir meu caminho.
Depois disso tudo torno novamente pela rede de esgoto até o rio com cor de cinza e continuo o meu percurso.
Você imagina, homem civilizado, quanto gasto tem uma prefeitura com o saneamento de água? Se a humanindade fosse inteligente não precisaria tanto; é só usar caixas de decantação eu permaneceria quase limpa e com pouca coisa resolveria o problema.
Tudo bem! Depois de atravessar dezenas de cidades, já contaminada e emporcalhada até com camisinhas, rolando milhares de quilômetros, sou represada, preciso ficar ali à vontade dos homens, obrigada a girar turbinas enormes para gerar eletricidade, só depois de tanto custo consigo seguir meu caminho.
Lá pelos fundos dos sertões penso estar livre e rolar tranqüilamente; mais uma surpresa: milhares de garimpeiros à minha espera, tornam a me poluir com o mercúrio, fuçando com os tratores e mudando o leito do rio, trancando minha passagem. Que horror! Juro por minha vontade nunca mais voltaria fazer este percurso hidroviático, mas faço isso por obediência ao meu Criador. Às vezes tenho vontade de armazenar um dilúvio e arrasar este planeta, mas ainda não tenho ordens para tal. O dia em que Deus me der  permissão, vou agir com todas as minhas forças. Pode aguardar, homem mau.
Assim falou a Água

quarta-feira, 25 de junho de 2014

OS MAIORES DO FUTEBOL



                                                            Jair Vitti

Leônidas, Garrincha e Pelé.
Jamais o mundo verá homens como este trio em termos de futebol. Além de serem bons jogadores, jogavam por amor a profissão e não tanto pelo dinheiro como os atuais. Esses deram alegria ao mundo, merecem ser lembrados.
Leônidas foi o criador da bicicleta. Isto é a bicicleta esportiva, uma jogada feita de vira cambote. Para quem não sabe, em 1938 o Brasil disputava a Copa na Itália com a Iugoslávia e estava perdendo o jogo de 05 a 01. No segundo tempo Leônidas da Silva, nos quinze minutos de intervalo reuniu os jogadores enquanto estavam no vestiário e disse:  - Estamos perdendo de 05 a 01 mas ainda temos chance de vencer este jogo se fizermos o que estou pensando.
- Mas como? Perguntaram os seus companheiros;
- Esse goleiro da Iugoslávia não deixa passar nem vento mas há uma solução: vamos chutar a bola de rasteiro colocando-a nos cantos do gol, só eu vou fazer 03 gols, vocês garantam mais 02 e mais que temos são 06. Disse ele.
Dito e feito. Leônidas marcou três gols e seus colegas marcaram mais 02, o resultado foi 06 a 05 para o Brasil. Imagine a emoção desses craques.
Pelé e Garrincha dois gênios, jamais existiram outros iguais a eles. Não é querer diminuir os outros jogadores, mas lembrando uma frase de São João quando andava pelo deserto pregando o Evangelho de cujos sapatos não sou digno de desatar as correias, entenda, leitor, a respeito.
Outra boa ação de Leônidas foi numa ocasião quando o Brasil jogava contra a Alemanha. Os dois zagueiros da Alemanha por perceber tal habilidade de Leônidas combinaram de machucá-lo, assim estaria fora da partida. A intenção dos dois zagueiros era quando Leônidas cabeceasse a bola os dois zagueiros também cabeceariam dando-lhe uma prensada. Tudo aconteceu, mas Leônidas como esperto que era, no momento em que cabeceou a bola tirou a cabeça e lá se foram os dois zagueiros ao chão, precisaram ser socorridos, enquanto Leônidas saiu tranquilamente. Esta foi uma boa lição de um mestre do futebol.
Nunca se ouviu falar que esses três jogadores machucassem os adversários, por isso merecem nosso respeito.
Na minha opinião o mundo conheceu os três maiores ídolos do futebol e jamais conhecerá outros iguais.

Futebol é a alegria do povo mas só, quando o jogador põe o dinheiro em segundo lugar. 

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

FIM-DE-ANO

Jair Vitti

 Comes e bebes, festas por todos os lados, um desperdício incalculável.
As farmácias que o digam, o consumo de Engov, Sal de frutas e injeções de Xantinon. 
Imaginem só: um indivíduo está acostumado a se alimentar com arroz e feijão, alimento  básico de todos os dias, de repente nessas festas muda-se a rotina, em primeiro lugar o  horário, em segundo troca-se o arroz pelo churrasco e outras carnes, e o pior que antes  disso tudo, até ficarem prontas essas carnes, o sujeito vai tomando uns goles de cerveja. Essa  tal mudança de alimentação, é lógico que o nosso organismo vai chiar, no momento é  gostoso aquela cerveja, aquele chope que desce redondo mas, no dia seguinte é um  horror, uma calamidade em nosso corpo.
A fumaça do carvão que é usado para assar a carne, já foi confirmado, é um veneno; num ambiente fechado esta fumaça pode até  provocar a morte. Será que vale a pena exagerar na comida nesses dias de festa para  depois passar mal uma semana? Cada um faz o que quer mas não venha me dizer que se  o sujeito tomar uma dúzia de cerveja não vai sentir  nada, não há corpo que aguente e os  pronto-socorros não vencem atender a super lotação de gente com mal-estar. 
Os médicos enfermeiros já conhecedores sabem o remédio: em primeiro lugar: Xantinon, em segundo aqueles comprimidos costumeiros, e o sujeito está  pronto pra  outra.



domingo, 25 de novembro de 2012

A história se repete sempre




                                   Jair Vitti

    Contos e fatos históricos todos têm um significado e refletem a realidade, análogos às parábolas escritas na Bíblia.
Uma delas conta quando Jesus peregrinava na terra, e pela sua sabedoria e o modo de ser atraia multidões, operava milagres, curava os doentes e sua fama foi se espalhando até chegar aos ouvidos dos políticos da alta sociedade da época. Estes estavam curiosos em conhecê-lo.
Certa ocasião, Jesus estava numa das cidades quando foi convidado por este pessoal da elite para participar de um encontro e palestrar com eles.
Sabemos que nestas reuniões de alto gabarito, quem participava eram os doutores da lei, os escribas, isto é, sempre batendo na mesma tecla, os deputados e senadores e toda sua laia.
Curiosos estavam, para conhecer Jesus, e receavam de estar atrasados com suas idéias em relação à sabedoria de Jesus. O mestre falava às multidões sem embaraço, não gaguejava a qualquer pergunta feita por quem quer que fosse, não é como nos dias de hoje quando um político é entrevistado ou fala ao povo fica enrolando e ninguém entende nada.
Quando estavam todos reunidos e atenciosamente ouvindo o que Jesus dizia, eis que foi interrompido por alguém que disse: “Mestre! Lá fora está um homem querendo entrar. Os que estavam ali presentes murmuraram uns aos outros mas quem é este homem? Será importante igual a nós? Não vamos deixá-lo entrar.
Mas Jesus, quando ouviu, disse: mande-o entrar.
Esse homem era um palhaço.
Admirado de vê-lo exclamaram! Um palhaço? Mas o que é isso? Não vamos deixá-lo entrar e permitir que permaneça entre nós. Jesus calmamente respondeu:
        Por ventura este homem é um mal feitor? Saibam que o palhaço diverte
e faz rir milhares de pessoas, inclusive as crianças ficam felizes ao assisti-lo num picadeiro. E Jesus mandou o palhaço sentar-se, e continuou, Jesus. Vocês,  por acaso, o que fazem? Ao contrário do palhaço, fazem a população chorar com os altos impostos e estelionatos legalizados, criados por vocês, que só pensam em aumentar seus salários, roubam o dinheiro da nação, desviam e gastam as verbas dadas pelo governo em suas fazendas, só pensam em viajar as custas do País, numa mordomia faraônica, trocam de partido constantemente enquanto a população está passando necessidades, vocês não se preocupam em fazer leis que beneficiam o povo, ao contrário, as leis que vocês instituem são só para vocês mesmos e empobrece a cada dia que passa a população.
Depois de ouvirem as palavras de Jesus o que poderiam dizer ou responder aquele pessoal da alta sociedade? O que pode ter acontecido foi um descontentamento e confusão, na certa foram saindo acossando-se uns aos outros e com o pensamento de protesto. No entanto, vejam o que aconteceu com Jesus; foi crucificado porque pregava a verdade e todas aquelas pessoas inteligentes, do passado, que são os filósofos, foram condenados à morte porque importunavam os mandantes da época com suas idéias nítidas. Isto se repete nos dias de hoje quando surge alguém honesto querendo fazer alguma coisa de bom, apontando os erros não só na política mas em todos os setores que visa interesse pessoal, esta pessoa é logo eliminada do poder ou do cargo que exerce.
É, os tempos pouco mudam. 
   

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

A BICICLETA


                                   Jair Vitti

A bicicleta, na verdade, é um pequeno veículo e serve para transportar as pessoas, tanto nos seus afazeres quanto passeios. O sujeito vai pedalando e, além do mais, é um esporte; andar de bicicleta faz bem à saúde.
Na China, pelo que se sabe, a maioria das pessoas usa a bicicleta para locomover-se. Este veículo de duas rodas tem uma vantagem: não gasta gasolina, apenas gasta energia do indivíduo que a usa.
A idéia deste maravilhoso veículo, movido pelo impulso dos pés, deve-se aos chineses que são os pais do evento. A principio as rodas eram feitas de bambu. Mais tarde, lá pelo século XIV, Giovani Fontana fazia o veículo mover-se por meio de roldanas, com rodas de madeira. No ano 1790 De Sioroc juntara uma trave e empurrava com os pés.
Em 1815 o alemão Draís aperfeiçoou o celífero acrescentando um guidão e um selim. O Francês Ernesto Michoux acrescentou uma roda maior na parte dianteira e uma roda menor na parte traseira.
No ano 1867 Ader e Starliy introduziram outras modificações aperfeiçoando o veículo consideravelmente e assim por diante, até em nossos dias continua o seu aperfeiçoamento, transformando-se um veículo popular e o mais barato de todos, não é preciso combustível para seu uso.
Por outro lado, não queremos diminuir sua utilidade  e nem somos contra a fabricação e o uso deste veículo, pelo amor de Deus nada disso, apenas queremos dizer que a bicicleta é a coisa que mais estorva no mundo; não existe lugar para guardá-la em qualquer parte da casa, seja na dispensa, no quarto, na sala, no quintal, por incrível que pareça, este pequeno veículo muda-se constantemente, aqui acolá, está sempre estorvando. Ninguém pode negar mesmo quem gosta e o usa pode confirmar e concordar com a idéia.
Bicicleta de criança então nem se fala é um horror principalmente velotrol, brinquedos celíferos de plástico por toda parte da casa são encontrados.
É muito cansativo para quem faz limpeza ou faxina, muitas vezes o indivíduo se enrosca e tropeça no celífero está sempre impedindo a passagem, é uma lástima. Para os pedreiros e pintores que reformam a casa com gente morando dentro, é uma penitência.
Certa ocasião, trabalhando como pedreiro em uma reforma de casa, existiam ali dois veículos dessa natureza; não querendo exagerar estas duas bicicletas pelo menos foram mudadas de lugar umas cinqüenta vezes no último dia, término da reforma, a dona da casa vendeu as bicicletas; parece desaforo.
Quando esses veículos quebram e são encostados, sem uso, pior ainda. Aí duplica o sofrimento. Repetindo: não vamos por isso desmerecer ninguém e nem diminuir, mas em termos de estorvo a bicicleta ganha o primeiro lugar. 

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

GIGANTE E ADORMECIDO



 
                             Jair Vitti

O Brasil é um gigante adormecido desde a época em que foi invadido pelos europeus e ainda continua adormecido. Ninguém conseguiu acordá-lo. Será que em quinhentos anos não existiu um homem macho para tal? Pode até ter existido mas há umas forças ocultas nesse permeio que não são brincadeira!
Cinquenta por cento do povo brasileiro teria vontade e desejo que o Brasil despertasse para tomar o rumo certo que merece porque é o maior do mundo em termos de riqueza, mas por outro lado existe outra turma mais poderosa que prefere vê-lo adormecido porque visam um grande interesse para eles. É o mesmo daquele programa da televisão “você decide”; metade está a favor e outra metade está contra, seja qual for o caso, mesmo sendo prejudicial ou ruim para a população ou a humanidade. O que vale é o interesse de cada um. Infelizmente, por falta de consenso e patriotismo o bem do Brasil tem que ser resolvido por mal, porque por bem ele vai continuar mais quinhentos anos do mesmo jeito como está, com a mesma burocracia ou melhor, “cavalocracia”. Já que estamos próximos do terceiro milênio e somos bastantes civilizados podemos trocar esta frase conforme a grandeza e a possibilidade e dar mais ênfase à estética.
O Brasil está doente com um tumor cheio de pus, está expurgando, nem seria preciso anestesia para a cirurgia; apenas falta vontade de passar o bisturi dos não patriotas.
Acontece que este tumor, se cortado, vai esparramar pus por todos os lados e nós brasileiros, não estamos preparados para nada. Se isso acontecer somos capazes de não aguentar o resultado desta cirurgia e neste caso então é melhor que fique como está: impunidade, crimes, violências, estelionatos legalizados, rombos nos cofres públicos, sequestros, roubos, tráfico de drogas e o diabo a quatro, e só meia dúzia de pessoas que tem direito de usufruí-lo.
Deus, sempre em seus modos de se expressar toma como exemplo a ovelha por ser um animal mais dócil e manso e o povo brasileiro que vive do pão de cada dia, possui o mesmo instinto da ovelha, não reclama, não geme, suporta todas as injustiças e angústias, passa frio e fome, necessidades e não diz uma palavra. Mesmo assim sendo um carneiro ainda vive feliz cheio de esperança de dias melhores acreditando em seus políticos com as promessas, mesmo com todos esses problemas e assédio que o cercam ainda age com todas suas forças para vencer na vida.

Tão longe de nós, distante,
ainda confiamos
neste Brasil
Gigante.   

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

GOSTO E COR NÃO SE DISCUTEM




                                                    Jair Vitti

Para repreender alguém achando que está errado, é preciso ser perfeito e quem é quem? Muitas pessoas são criticadas por gostar de certas coisas ou por terem certos caprichos ou vícios. Analisando bem, somos uma só farinha, todas as pessoas têm um gosto, defeito ou vícios.
Existe uma velha frase: o que seria do mundo se todos gostassem de uma só cor?
É certo que alguns desses gostos ou vícios são prejudicáveis à sociedade mas quem os pratica acha que está certo com seus ideais e assim por diante. Uns gostam de pescar, outros de caçar ou andar a pé; há pessoas que gostam de prender pássaros em gaiolas, outras matar animais por prazer, pessoas que gostam de ter quatro ou cinco cachorros ou  gatos. Certa ocasião, contei dezoito gatos em uma casa entre machos e fêmeas. Como existe aquele sujeito que gosta de ouvir música ou seus passarinhos cantarem, existem aquelas pessoas que gostam de ouvir seus cachorros latirem à noite toda ou o dia todo, sem parar; pode ser um gosto chato, podemos pensar, mas para o dono desses animais é um prazer semelhante a outros como assistir a futebol, fazer churrasco, pescaria, etc.
O mais divertido para essas pessoas é quando andam pelas ruas com seus cachorros e atraem outra cachorrada, formando aquela briga, latidos, um barulhão dos diabos. Que beleza! De vez em quando temos a oportunidade de assistir, ao vivo, essas cenas. É mesmo divertido.
Quem deve gostar de uns latidos caninos são aquelas pessoas que trabalham à noite e de dia querem dormir, ou vice-versa, trabalham de dia e precisam dormir à noite e muitas pessoas doentes têm que aguentar os latidos desses animais. Fazer o quê?
Por outro lado, existem aqueles que gostam de fazer barulho com motos, carros, quer dizer, tudo é gosto, destruir placas que indicam sinais nas estradas ou quebrar bustos de pessoas célebres, lâmpadas, telefone, é um prazer para certas pessoas fazer isso embora seja dano social.
Correr a duzentos quilômetros por hora, numa distância de cinqüenta metros, depois dar aquela freada violenta, também é gosto, além do mais consideram-se os melhores motoristas.
Não podemos ignorar o procedimento desses indivíduos, uma ressalva, sabemos que certas coisas são prejudiciais e não deveriam ser feitas. Concordo plenamente com o leitor, mas se formos chamar atenção ou repreender já temos a respostas, digo isto, por experiência própria. Por isso, para repreender alguém, é preciso ser quase perfeito e não ter vícios, gostos ou costumes.
Como tudo é gosto e vivemos numa democracia brasileira, gosto, e cor, e vícios, não se discutem embora sejam lesivos.            

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

HERÓIS



Jair Vitti


Heróis, no meu entender, são aquelas pessoas que fazem ou fizeram alguma coisa de bom para o bem da humanidade e lutaram para defender por justa causa seu país contra invasores, de modo patriótico. Exemplo: Gandhi, sim, podemos chamar de herói, e muitos outros que conseguem dirigir seu país em dificuldade e dar a volta por cima, sem escravizar seu povo. Ser herói, não fazer guerra, nem matar todo mundo e destruir. Herói é o indivíduo que chega à margem do porto com sua capacidade, sem prejudicar ninguém. Dá impressão , que está tudo errado, precisaria inverter o quadro da história, todas aquelas pessoas destruidoras, assassinas, maquiavélicas, podem anotar seus nomes, estão lavrados no livro da História. Avenidas e ruas, inclusive cidades, placas e bustos. Estas gerações atuais nem sabem ou conhecem o passado dessas pessoas, é por isso que algumas delas até são veneradas. Não citemos nomes, e nem vale a pena. Alguém poderia não gostar, seria como apagar o nome de certos santos venerados pela população. Nesse caso, melhor é ficar como está para não desestruturar o viver e a crença de cada um.
O dinheiro também pode levar o cidadão ao ápice, a ponto de ser herói; neste mundo não importa ser ou não capaz, o importante é o poder e ter a honra de colocar seu nome lá em cima e ser lembrado pelas cegas gerações futuras.
O que podemos também dizer de heroísmo é daquelas raças que sofreram o massacre por esta gente chamada de heróis, e ainda conseguem em baixo número se manter vivos neste planeta.
Já que está que fique, mas francamente existem heróis que precisariam ser execrados. Analisando bem e levar à ponta do lápis com seriedade, sem demagogia, num  sentido consciencioso, de uma certa forma e certo grau, existem milhares de pequenos e humildes heróis. Você quer saber? São aquelas pessoas que conseguem viver com um salário mínimo.
Tá Ok?

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

A NEGRINHA



 
                                                 Jair Vitti

Um conto de Monteiro Lobato:
Em um de seus livros, 23ª edição, tive a oportunidade de ler essa estória mas, podemos considerá-la verdadeira porque papai volta e meia nos contava esta estória e muitas outras que nós não conhecemos semelhantes a esta. Deve ter acontecido naquela época, aproveitando resolvi pô-la em crônica para lembrar o procedimento daquelas pessoas com os escravos.
Uma negrinha, pobre órfã de 07 anos, mulatinha, cabelos russos e olhos assustados, nascera na senzala de mãe escrava, esta pobre pretinha da senzala passou a viver na casa de Dona Inácia, “gorda, rica, dona do mundo a mimada dos padres, com lugar certo na igreja e camarote de luxo reservado no céu, entalada de banhas numa cadeira de balanço na sala de jantar, uma virtuosa mulher, senhora em suma, esteio da religião e da moral, dizia o vigário, ótima a Dona Inácia, que mantinha esta criança só para satisfazer seus desejos maléficos de dar beliscões, pontapés e croques na cabeça da menina, mantinha-a pelos cantos escuros da cozinha sobre velha esteira e trapos imundos sempre escondida, com os olhos eternamente assustados, dizia para a menina: sentadinha aí e bico hein!..” (trecho do livro)
“Além do mais costumava chamar a criança de diabo. De braços cruzados seu único divertimento era ver o cuco por alguns segundos cantar as horas, o resto era ouvir: pestinha, diabo, coruja, barata descascada, bruxa, pata choca, pinto gorado, mosca morta, sujeira, bisca, trapo, cachorrinha, coisa ruim, lixo, não tinha conta os números de apelidos.
O corpo da negrinha era tatuado de sinais, cicatrizes e vergões, todos batiam nela, todos os dias, houvesse ou não motivo.
Excelente Dona Inácia, era mestra na arte de judiar da criança, puxões de orelha, torcida do umbigo, miudinho com a ponta de agulha, tudo isso era divertidíssimo para a virtuosa mulher.
Certo dia uma criada nova furtara do prato da negrinha um pedacinho de carne que ela vinha guardando para o fim, a criança não sofreu a revolta, atirou-lhe um dos nomes com que a mimoseavam todos os dias, peste, disse a negrinha à criada que logo correu e foi contar à Dona Inácia, que por sua vez naquele dia estava azeda e mandou trazer um ovo que ela mesma havia posto na água a ferver, quando estava bem quente a boa senhora chamou a criança: vem cá negrinha, e abra a boca - disse a virtuosa, a negrinha abriu a boca e fechou os olhos, a patroa então com uma colher tirou da água o ovo e zapt na boca da pequena negrinha que urrou surdamente pelo nariz, esperneou, nem os vizinhos chegaram a perceber aquilo, e Dona Inácia olhando aquilo disse: diga nomes feios aos mais velhos outra vez ouviu, peste?
Neste momento acabara de chegar o vigário em sua casa.
Não se pode ser boa nesta vida, disse ela, estou criando aquela pobre órfã da Cesária mas, que trabalheira me dá. Disse o monsenhor: a caridade é a mais bela das virtudes minha senhora.
A negrinha nunca teve um segundo de carinho, somente foi torturada por todos.
Certo dezembro vieram passar férias com “Santa Inácia” duas sobrinhas, estas trouxeram bonecas, cachorrinhos e cavalinhos, e por algumas horas permitiu Dona Inácia pela 1ª vez que a negrinha fosse brincar junto com as meninas, foi o único momento de alegria da pobre órfã, que durou poucos dias, depois as meninas partiram e voltou tudo como era antes para a negrinha.
Pouco tempo depois de tanto martírio a pobre criança morreu na esteirinha rota, abandonada por todos como um gato sem dono, jamais entretanto ninguém morreu com maior beleza tudo se esvaiu em trevas, depois vala comum, a terra papou com indiferença aquela carnezinha de 3ª, uma miséria, 30 quilos mal pesados. Uma saudade ficou nos dedos de Dona Inácia.”
- Como era boa para um croque aquela negrinha..
Monteiro Lobato, considero-o um dos maiores escritores do mundo.
Diante desta estória devemos perdoar não 7 vezes mas, 70 vezes 7, mas antes pergunte à negrinha.
( Os trechos entre aspas foram extraídos do livro “Negrinha”, de M. L.)

sábado, 29 de setembro de 2012

GENTE PARA TUDO



                                                    Jair Vitti

Podemos notar são sempre as mesmas pessoas que frequentam os ambientes,
seja para ir à igreja, assistir futebol ou frequentar clubes.
         Existem as pessoas forrozeiras, outras esportistas, outras que gostam de
pescaria, praianos, jogadores de baralho, caçadores (mesmo a caça sendo
proibida), gente que vive dentro de uma oficina fazendo horas extras,
frequentadores de bares, pessoas que não saem de casa e sabem tudo o que se
passa no mundo.
Cada um defendendo seu lado, até para ir ao médico existem as pessoas
certas, estão sempre no pronto socorro por qualquer coisa insignificante e
muitas vezes tomando o lugar de pessoas que realmente precisam ser
atendidas.
Outras gostam de ir visitar doentes, velórios, mas não passa daquilo,
parece que o mundo foi feito desta maneira e o engraçado é que pode fazer
sol ou chuva os frequentadores dessas coisas todas estão presentes da mesma
forma.
Você já imaginou assistir a uma partida de futebol embaixo de chuva ou com
aquele sol ardente? É preciso ter dom. Certa ocasião tive a oportunidade de
assistir a partida São Paulo X Palmeiras no Estádio do Pacaembu, o calor
devia estar em torno de quarenta graus, no término do jogo faltou pouco para
ir para o hospital de tão mal que me senti. Deus do céu, não sei como os
torcedores aquentam e se sentem bem em tal ambiente!
Pescar à noite também é outra dose, pernilongos, cobras e outros perigos que
o rio nos oculta.
Os boêmios então parecem corujas, viajam a noite toda, aqui acolá
enfrentando os perigos das estradas enquanto outras pessoas às sete horas da
noite estão dormindo. É muita diferença!
Acreditem se quiser, há pessoas que gostam de ficar doentes e se sentem
bem quando o médico diz que é doença grave. Outras pessoas ficam felizes de
estar com o armário cheio de remédio de todos os tipos, outras já
acostumadas a tomar remédios vão à farmácia por conta própria e se auto
medicam.
Por incrível que pareça, algumas pessoas quando o médico faz a receita ainda
perguntam : -Doutor posso tomar outros remédios além desses?
Sem exagero, conheci uma pessoa que tomava seis comprimidos de Melhoral por dia e quando recebia visitas, além de oferecer o cafezinho oferecia também
um Melhoral.
Resumindo, existem pessoas pra tudo. 

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

A CARIDADE


Jair Vitti

             A palavra caridade na prática, quer dizer dar um pouco de si aos outros e não a sobra, como costumamos fazer e, além do mais não deve ser cobrada. Seria dividir o sofrimento com os nossos irmãos necessitados e até mesmo, em alguns casos, inclui-se a situação financeira.
            É certo que hoje em dia existem muitos malandros por aí, disfarçando-se de doente e deficiente mas dá para perceber quando alguém está precisando de ajuda. Na verdade, são inúmeras as pessoas que pedem esmolas se for ajudar todo mundo até aquele que pode dar vai ter que pedir esmolas. Desde então não é preciso ajudar com grande quantia, basta a última moeda. Se todos nós fizéssemos a nossa pequena parte, sem lastimar, seria bem melhor do que humilhar as vítimas esmolantes ou no caso de não querer ajudar pelo menos dar uma palavra de apoio ou de consolo!
            Às vezes o dinheiro não é tão necessário como um bom diálogo. Uma palavra de conforto é capaz de mudar o rumo das pessoas, principalmente daquelas que estão em desespero.
Será que nós seríamos capazes de dividir alguma coisa com alguém que precisa?
Certa feita conta São Martinho caminhando por uma estrada com seu cavalo viu o demônio sentado numa pedra; estava tremendo de frio.
São Martinho, bem agasalhado, vestia um capote. Acaridou-se, apeou do cavalo, puxou a espada e dividiu o capote pela metade e cobriu o demônio.
Por aí podemos tirar uma conclusão: a caridade praticada com um gesto de amor e carinho até para o demônio é válida.
Por isso quando ajudamos alguém, não vamos querer distinguir quem é e quem for; não saiba a mão esquerda o que faz a direita, é válida a intenção.
O Papa João Paulo Segundo, num trecho de um livro que narra sua vida, quando adulto trabalhava numa pedreira e eis que numa manhã friorenta viu um homem sem agasalho tremendo de frio. João Paulo praticou o mesmo gesto que São Martinho, tirou seu agasalho e vestiu o pobre homem.
Quando alguém pede esmola ou precisa de ajuda seria bom refletir; se fôssemos nós no lugar dessas pessoas? Já se imaginou quantas vezes são humilhados no dia a dia? Estamos tão acomodados e nem passa pela nossa cabeça de parar e pensar sobre o assunto.
Podemos dar graças a Deus de poder ajudar os outros.
É melhor poder ajudar do que pedir.
           

sábado, 22 de setembro de 2012

A CURRUIRA




                                 Jair Vitti

Um pequeno pássaro, se alimenta de insetos, vive entre as moitas, montes de lenha e ranchos. Constrói seus ninhos em buracos de árvores, mourões, paredes, canos, canudos de bambu. Geralmente o ninho que este pássaro constrói é de crina de animais e pena de aves; saltitante, sempre em movimento, não pára um instante sequer, desaparece facilmente entre os arbustos e tapumes.
Entre todas as curruíras que eu conheço esta foi mais longe ou digamos, é modernizada. Fiquei surpreso quando meu sobrinho Jonas mostrou-me o ninho de curruíra num buraco de tijolo-bloco em uma das paredes da sua fábrica de artefatos de cimento e quartarolo.
Para montar as vigas de cimento, postes e vasos é usado arame recosido e os pedaços da sobra são jogados ao chão; esta curruíra de que falamos trasnportou pedacinho por pedacinho desse arame e construiu seu ninho e o mais surpreendente é que bem na parte da entrada do pequeno buraco colocou umas forquilhas em V para espetar os predadores que se aproximassem.
Pela minha curiosidade também fui espetado em um dos dedos por querer observar. É a primeira vez que um pequeno pássaro constrói seu ninho de ferro, pode ser a atualidade do modernismo ou a falta da matéria prima e isto gera dificuldades até para os pássaros.
Nos dias de hoje, para construir seus ninhos eles têm que se adaptar a tudo e mudar o modo de alimentação, pássaros que se alimentavam de sementes atualmente pela escassês do produto se obrigam a alimentar-se de frutas ou, vice-versa, de outras espécies.
Não demora muito que os pássaros, com o progresso desenfreado, vão usar argamassa e cimento para construir, principalmente o João de Barro e o sabiá que estão acostumados a usar argila na construção. Se a moda pega, com este ritmo do progresso, os pássaros, aos poucos não ficar mais inteligentes forçosamente pela situação e o chupim, que representa os ursupadores, vai ter de mudar seu modo de vida, também tem de construir seu ninho e se virar porque o tico-tico vai descobrir que não é obrigado a sustentar outros pássaros a não ser seus filhotes, gerados por ele mesmo. A partir de então, vai acabar a vagabundice é o que deveria acontecer neste terceiro milênio; a humanidade também precisa tomar uma atitude de transformação para acabar com essa história de corrupção.       

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

A CANETA E A ENXADA


                                                   

  Jair Vitti

Embora seja uma canção gravada pela dupla Tonico e Tinoco e outras duplas, se refere ao homem culto e ao caipira, isto é ao lavrador.

O lavrador, na verdade, é aquele que sustenta a humanidade, ou melhor, aquele que dá de comer a todo mundo e é o menos lembrado, que menos tem valor sobre a terra. Basta compararmos o seu salário. Não se sabe porque o lavrador é desprezado, chamado de caipira, jacu e de muitos outros nomes desagradáveis à sua pessoa.

Muitos deles se envergonham ao assinar seu nome ou qualquer documento e tê-lo na carteira como lavrador. Como homem humilde que é, pelo menos outrora quando ia à cidade ao seus afazeres, o traje eram roupas simples, às vezes remendadas, sapatões, chapéu de pano e o cigarro de palha.

A humildade é a coisa mais linda que pode existir sobre a terra.

De certo esta canção como o tema que aí estão, foram inspirados pela dupla ou talvez, até pode ter acontecido tal episódio. Um indivíduo culto esteve no campo ou na roça, a passeio ou curiosidade, e eis que um lavrador estava capinando com suas mãos calejadas. Como bem educado que é cumprimentou o cidadão estendendo-lhe a mão, mas o homem (culto), orgulhoso e egoísta, não aceitou o cumprimento e disse : não se aproxime de mim, você está sujo de terra e calo na mão; veja sua posição, eu sou um homem limpo, tenho cursos superiores, trabalho para a mais alta sociedade, os deputados senadores, o Presidente da República, falo várias línguas, sou interprete dos estrangeiros. Será que você não se toca? E digo mais...

O lavrador, neste momento, com educação interferiu: dá licença, cidadão: perguntou o que faz essa gente?

O cidadão não respondeu.

O lavrador, tornou a dizer : essa gente que você considera, a seu ver, são usurpadores, gatunos, se tornam donos do nosso país com seus altos salários e nada fazem para a população, só enganam e eu, como enxada considerado, sustento a humanidade desde tempos primitivos, dei de comer a todos os povos e até hoje estou tratando de todo mundo e se vocês são estudados é graças a mim. Dias virão em que o lavrador vai desaparecer e ninguém mais vai querer trabalhar na roça, principalmente a juventude, e eu acho que eles têm razão, assim não serão chamados de caipira como eu. Até as Igrejas parecem ter alguma coisa a ver comigo disse o lavrador. Em todas as leituras são mencionados todos os nomes: rezemos para os governantes, para o papa, para os deputados, o Presidente, para os jogadores, enfim toda essa gente que tem condições financeiras e viajam de avião, mas nunca ouviu dizer: rezemos pelos lavradores que nos dão de comer inclusive  pão da eucaristia que vem das mãos do lavrador, às vezes é dito o homem do campo ou o agricultor, mas não dizem o lavrador, os operários e aqueles que estão passando fome.

Somente, mas é preciso dizê-lo: o enxada, a não ser que me compare com o alfa e o ômega, é o primeiro e o Último

PRÍNCIPE DOS POETAS DE PIRACICABA

CURRICULUM VITAE
( Síntese de Vida)
NOME – Lino Vitti
IDADE – 08/02/1920
ESTADO CIVIL – Casado, em únicas núpcias, há 56 anos, com a Professora Dorayrthes Silber Schmidt Vitti
FILIAÇÃO – José e Angelina Vitti
NATURALIDADE – Piracicaba, Estado de São Paulo –Brasil
Bairro Santana , Distrito de Vila Rezende
VIDA FAMILIAR
Casamento Civil e Religioso em comunhão de bens, Pai de sete filhos: Ângela Antónia, Dorinha Miriam, Rosa Maria, Fabíola , Lina, Rita de Cássia, Eustáquio.
VIDA PROFISSIONAL
Aposentado como Diretor Administrativo da Câmara de Vereadores de Piracicaba, e como Redator do “Jornal de Piracicaba”. Exerceu atividades no comércio, no Magistério, na lavoura até os l3 anos, na municipalidade local, como bibliotecário, lançador de impostos, protocolista, Secretário Municipal.

VIDA CULTURAL
ESCOLA PRIMÁRIA –
Grupo Escolar “Dr. Samuel de Castro Neves”, Santana, seminarista vocacional ao sacerdócio por seis anos, no Colégio Santa Cruz, da cidade de Rio Claro (SP), onde cursou humanidades, línguas, religião, ciências, matemáticas, música.
CURSOS –
Formou-se Técnico em Contabilidade, lecionou latim, francês, datilografia.

VIDA RELIGIOSA
Católico, Apostólico, Romano, fez curso de religião em seminário dos Padres Estigmatinos, foi organista da Catedral e da Igreja de São Benedito, de Piracicaba, e Congregado Mariano.
VIDA LITERÁRIA
Bafejado por ensinamentos de sábios sacerdotes em colégio de formação religiosa, recebeu extraordinário acervo literário que lhe propiciou enveredar pelo caminho da poesia, da crônica, dos contos, do jornalismo, havendo editado de l959 a 200l sete livros de poesias e contos, com edições em milheiros de volumes, os quais estão aí para satisfazer o gosto daqueles que apreciam a arte literária.
São seus livros : “Abre-te, Sésamo”, l959; “Alma Desnuda”, l988; “A Piracicaba, Minha Terra”, l99l; “Sinfonia Poética”, de parceria com o poeta Frei Timóteo de Porangaba; “Plantando Contos, Colhendo Rimas”, l992; “Sonetos Mais Amados”, l996 e “Antes que as Estrelas brilhem”, 200l. O poeta conta ainda com o prazer de haver composto hinos para diversos municípios, bairros rurais, entidades sociais diversas, continuando a colaborar ainda, após os 83 anos em colunas literárias e com artigos de ordem geral em jornais da terra.
Faz parte da Academia Piracicabana de Letras que lhe outorgou o título honorífico de “PRÍNCIPE DOS POETAS DE PIRACICABA’.
Foi-lhe concedida Pelo Município de Piracicaba, através de sua Secretaria da Ação Cultural, a MEDALHA DE MÉRITO CULTURAL, “ Prof. OLÊNIO DE ARRUDA VEIGA’; é detentor do TROFÉU IMPRENSA, concedido pelo Lions Clube de Piracicaba, centro, e da MEDALHA ITALIANA, concedida pelo governo italiano de Benito Mussolini aos alunos de escolas e seminários de origem daquele país que tivessem se destacado em redação de trabalhos literários escritos na língua de Dante.
O Município de Saltinho, para o qual contribuiu com o Hino dessa comunidade municipal , conferiu-lhe o título de “Cidadão Saltinhense”.

DISCURSO

Por ocasião do lançamento do livro de poesias “Antes que as estrelas brilhem “, pelo poeta Lino Vitti foi proferido o seguinte discursos:

Exmo. Sr. Heitor Gauadenci Jr. dd Secretário da Ação Cultural

Exmo. sr. António Osvaldo Storel. dd. Presidente da Câmara de

Vereadores de Piracicaba

Exmo.sr. Moacyr Camponez do Brasil Sobrinho, dd. Presidente do Instituto Histórico e Geográfico

Exmo,. sr. Henrique Cocenza, dd. Presidente da Academia Piracicabana de Letras

Exmo.. Sr. Ésio Pezzato , anfitrião desta solenidade

Senhoras e Senhores

Pela sétima vez (graças a Deus) em minha vida lítero-poética vejo-me guindado a uma tribuna improvisada (o que é bom porque torna o fato mais popular), para proferir um discurso de agradecimento, ao lado da oferta de um novo livro de versos. É teimosia essa de poetas em desovar sua produção para que mais gente participe de suas tiradas, muitas vezes fora de forma e de ambiente, mas que o poeta não vê porque , ao editar um novo livro está cego pela emoção , como se fosse a vez primeira. Está aí o Ésio Pezzato, responsável por mais esta minha invasão no mundo das letras poéticas, para dizer se não é assim. Para dizer se não sofre também dessa doença feliz de editar livros e mais livros a ponto de perder a conta, já que a esta altura ele não sabe se já está no décimo ou décimo primeiro. E ainda continua batendo dedos de métrica, sabemos lá por quantos anos ainda !

Tenho um ex-colega de seminário, prof. Hildebrando André, aposentado como professor universitário e com o qual mantenho longa e pródiga correspondência, que não se cansa de enaltecer a felicidade de Piracicaba contar com tantos poetas e poetisas. Tem razão ele, pois se apenas dois deles já conseguiram editar l8 livros de poesia, imagine-se as centenas que seriam necessárias para dar um pouco de vazão a essa raridade intelectual que toma conta da minha terra!

Este meu livro vem à lume por obra e arte do prefeito José Machado , seu Secretário da Ação Cultural e de seu zeloso servidor Ésio Pezzato que se entusiasmaram diante da recitação de diversos poemas meus por um grupo de jograis, alunos da UNIMEP, e impressionados decidiram patrocinar a publicação deste livro, pois entenderam que Piracicaba poética merecia conhecer em mais profundidade o seu príncipe da poesia. E aí está, lindo e impecável, entregue às mãos do povo de Piracicaba, que indistintamente de cor, estudos, intelectualização , posses financeiras, categoria de trabalho, com religião ou agnóstico, jovem ou adulto, roceiro ou citadino, aí está, para quiçá, momentos de lazer e sonho. Sonho , sim, porque a poesia é terrivelmente sonhativa , vive no mundo da fantasia, alicerça-se nas bases da emoção e brota do âmago mais profundo do poeta, e para que as filhas de Eva não reclamem, da poetisa também.

Alguém me perguntará? Como é ser poeta? Juro, nunca pensei nisso. Acho que ninguém consegue ser poeta. Já é. Nasce feito, como dizem.

não é verdade Maria Cecilia, Ivana Maria, Ésio Pezzato , Prata Gregolim, Marina Rolim, Valter Vitti, Mario Pires, Saconi, e tutti quanti enfeitam com seus lindos versos as páginas do “ Jornal de Piracicaba, ou da “Tribuna Piracicabana , e assim também esse cacho imenso de livros poéticos que quase semanalmente são dados ao conhecimento e sentimento público de nossa terra ? Tornando-se um privilégio de uma cidade, como disse alhures o supra citado meu colega seminarístico Hildebrando André. ?

Não se suponha que para ser poeta é preciso ter nascido em berço de ouro ou em centros intelectuais de enorme repercussão. Nada disso. Tenho um soneto que define bem esse fato. É assim: “Eu não sou o poeta dos salões / de ondeante, basta e negra cabeleira] não me hás de ver nos olhos alusões / de vigílias, de dor e de canseiras. // Não trago o pensamento em convulsões,/ de candentes imagens, a fogueira. / não sou o gênio que talvez supões/ e não levo acadêmica bandeira.// Distribuo os meus versos em moedas/ que pouco a pouco na tua alma hospedas / - raros , como as esmolas de quem passa. / Mas hei de me sentir feliz um dia/ quando vier alguém render-me graça/ por o fazer ricaço de poesia. // “ . Poetas e poetisas saem do nada , devem trazer o selo ou o bilhete de entrada nesse reino encantado desde o útero materno, embora ouse eu afirmar que a vida é também uma grande mestra , as influências da mentalidade circunvizinha,

o próprio meio ambiente, podem , em circunstâncias outras , plasmar um poeta .

Eu fui plasmado , por exemplo, por entre maravilhas campestres. A roça ou o campo são fantásticos criadores de poesia. Ela anda atapetando por todos os cantos a natureza, as gentes, os animais, os atos e fatos. e a cabeça daqueles com quem ela convive. E o poeta, criador por excelência, se abebera de todas as belezas esparsas pelas colinas, serras, vales e descampados , para transformar tudo em versos e rimas, ou em versos simplesmente, onde pululam , como cabritos silvestres, as figuras literárias, os tropos, as sínteses, as comparações, e todos os anseios que lhe vão no imo da alma. Para satisfação própria e para satisfação dos que convivem com o poeta. E´ por isso que se botardes olhos curiosos sobre meus poemas havereis de tropeçar a todo o momento com um motivo roceiro, pois trago uma alma plasmada pelas belezas rurais de Santana, Santa Olímpia , Fazenda Negri, e especialmente por aquela colina encimada ,no cocuruto, pelo prédio do grupo escolar, onde aprendi a ler e escrever e a poetar.

Peço desculpas por haver-me prolongado um pouco nestas elucubrações poéticas, desobedecendo aos conselhos do amigo Ésio que continua exigindo de mim discursos improvisados, o que seria tão para os ouvintes , que ansiosamente aguardam o momento de bater palmas acabando assim com a verborragia oratória.

Não posso entretanto encerrar esta breve alocução sem deixar consignados meus agradecimentos do fundo do coração ao prefeito José Machado ,ao seu Secretário da Ação Cultural Heitor Gaudenci Junior, ao seu sub-secretário poeta Ésio Pezzato, ao prefaciador Moacyr de Oliveira Camponez do Brasil sobrinho, aos queridos opinadores Maria Cecília Bonachella, Maria Ivana França de Negri, exímias poetisas, prof. Elias Salum e a minha filha Universitária Fabíola Vitti Moro, pela maravilhosa capa, Editores e toda equipe de funcionários , à minha esposa pela sugestão transmitida ao prefeito com relação ao advento desta obra, aos digitadores Nair , minha nora e neto Leonardo, e outros que possa ter esquecido, como é fácil em cachola idosa, - meus agradecimentos repito, pela reunião de esforços e trabalho que tornaram possível o advento de mais um livro de minha lavra.

Obrigado “ em geralmente” como dizem nossos cururueiros, aos que ilustraram com sua arte musical esta solenidade e assim também a todos quantos acharam um tempinho para vir prestigiar-me nesta tarefa de cultura e arte. Levem a certeza de que nada mais desejo do que engrandecer com minha poesia a terra que me viu nascer, a terra que me viu crescer, a terra que me proporcionou oportunidade para chegar a um cargo tão nobre quão dignificante de “Príncipe dos Poetas de Piracicaba”

Meu carinhoso obrigado também aos meios de comunicação, de modo especial “Jornal de Piracicaba”, na pessoa de seu Editor Chefe Joacyr Cury , de “A Tribuna Piracicabana”, na de seu diretor Evaldo Vicente, pela divulgação caprichosa deste evento que afinal nada mais é do que mais uma demonstração da exuberância cultural da Noiva da Colina.

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