
(O “Jornal de Piracicaba”, a 4 de agosto completou 100 anos de existência. É uma epopéia.)
Lino Vitti
Um século de vida, um século de glória,
um século de luz iluminando a História,
traçando a mais sublime e ingente trajetória,
em busca de um futuro indômito e imortal!
Passo a passo, enfrentando as pedras do caminho,
removendo da luta o duro torvelinho,
muitas vezes cansado, outras tantas sozinho,
faz cem anos o seu, o meu, nosso “Jornal”.
Quanta fé, quanto amor, quanta esperança,
quantos sonhos, ideais, dúvidas e confiança,
cercaram o nascer deste jornal – criança –
no dia em que encetou a marcha para a luz!
Quem pode desvendar do tempo os longos anos,
adivinhar da vida os passos soberanos,
entrever do amanhã os ocultos arcanos,
a que mistério astral o mundo nos conduz?
À frente, uma seara extensa e dadivosa,
atraentes jardins de lírios e de rosas,
um povo laborioso, uma cidade ansiosa,
aguardando esse prêmio, inédito e sem par.
Sem dúvida o mais belo e lídimo presente
que idealistas um dia – alma nobre fremente –
legaram um jornal do porte altivo à gente
que cem anos depois ainda o sabe amar.
Longos dias de insano e árduo trabalho,
longas noites batendo o martelo no malho,
cem anos caminhando esse divino atalho
aberto pela luz do ínclito Gutemberg!
Que o digam o valor e a força que trouxeram
todos os que até nós labutando vieram
que de um sonho feliz realidade fizeram,
– bandeira secular que ainda nos céus se ergue!
Cem anos! É uma idade altiva, grata, imensa!
Um altar que reluz! Piracicaba incensa,
canta missa eternal dessa eternal imprensa,
sob as palmas de um povo augusto que a acolheu!
Centenário “Jornal” desta “Piracicaba”
sobre o qual, divinal bênção de Deus desaba,
de que o poeta diz: “glória que não se acaba”,
que dessa glória fez também o ninho seu.
Os versos deste poema, ó meu “Jornal”, eu rimo,
minha estrofe senil burilo, escrevo e limo,
para dizer o quanto, ó meu “Jornal” o estimo,
nesta mensagem pobre e quiçá sem valor.
Não importa porém que o poema nada diga,
vale, sim, quanto diz toda essa gente amiga,
que há cem anos o segue, e quer que inda prossiga,
nessa marcha de fé, de esperança e de amor.
E antes de descansar a pena com que teço
a manifestação do meu total apreço
dirigí-la a especial e alto endereço
me é dever o lembrar com carinhos astrais.
É daqueles que, enquanto os outros dormem calmos,
velam à noite toda entoando longos salmos
– como se fora o tempo a medir com os palmos –
do trabalho noturno em horas integrais!
Anônimos heróis, de cujas mãos divinas
afeitas ao labor das últimas rotinas,
sai o verniz final das santas oficinas
para o olhar do leitor que o tem ao vir do sol.
E ao calor e ao luzir do dia que desperta,
entregam para o povo a sacrossanta oferta
da edição de um jornal, preciosa, íntegra e certa,
cujas páginas têm o rumo de um farol.
Bandeirante da imprensa em busca do Eldorado
do saber, do informar, escrínio do passado
arquivando da História o tesouro dourado,
a verdade, o valor; da justiça, os quinhões.
E ao piracicabano, amigo e companheiro
oferecendo as mãos num gesto prazenteiro,
no excelso caminhar, por seu feliz roteiro,
num só congraçamento ideal de corações.
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