Lino Vitti - Príncipe dos Poetas Piracicabanos

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Lino Vitti- Príncipe dos Poetas Piracicabanos

O Príncipe e sua esposa, professora Dorayrthes S. S. Vitti

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Bodas de Prata

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Lino Vitti e seus pais

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Lino Vitti e seus vários livros

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60 anos de Poesia


sábado, 30 de outubro de 2010

Na morte de um Anjo

NA MORTE DE UM ANJO
Lino Vitti

Hoje está um tanto triste a minha rua,
Beija-a um sol atacado de anemia.
Uma quietude lívida flutua
Como um véu de lirial melancolia.

Não percebo, lá fora, nenhum grito
Da criançada a brincar pelas sarjetas.
Mas eu pressinto um não sei quê de aflito,
Sorvo um olor defunto de violetas.

Quando fui à janela vi coroas
Com letras de ouro sobre longas faixas.
E pude divisar muitas pessoas,
Trajes negros, caladas, cabisbaixas.

Meu Deus! Por que. . . por que vão todas
Parando, entrando pela mesma porta?
A porta da vizinha?. . . Haverá bodas?. ..
Oh! não. . . é a menininha que está morta. . .

É preciso que eu vá, preciso vê-la.
Coitada, ela foi sempre tão boazinha.
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
A palidez da matutina estrela
Cobria as faces da amiguinha minha.

Um nó de pranto veio-me à garganta,
Bailou-me sobre os olhos indeciso.
Ela estava, porém, tão linda e santa
Que tinha inda nos lábios um sorriso!

E quase a minha dor não se conforma
Por toda essa crueldade do destino,
Lançando assim a sua infausta norma
Contra um ente tão puro e pequenino.

Entre os buquês e a vaporosa veste
Toda de branco como um casto lírio
Mais parecia uma visão celeste
Prestes a erguer o vôo para o empírio.

As lágrimas maternas são diamantes
A estrelejar-lhe o pequenino esquife.
Entre todos os prantos circunstantes,
Talvez, o único pranto não patife.

O enterro foi à tarde. Longas filas
De crianças em bonita procissão.
Via-se o luto nas joviais pupilas
E a dor pulsava em cada coração.

O caixãozinho, branco como a neve,
Atrás de todos, carregado a passo,
Ia seguindo tão macio e leve
Qual se plumas levasse no regaço.

Curiosa e triste toda a vizinhança
Afluiu à janela - o rosto sério -
Para ver essa pálida esperança
A caminho feral do cemitério.

Os sinos das igrejas nos seus dobres
Puseram notas de delicadezas.
Sempre assim dobram quando é para os pobres
Pois não lhes querem aguçar tristezas.

"Papai! Mamãe Oh! nunca mais. Oh! Nunca!
Adeus"' - dizem os bronzes compassivos.
"Ela se foi, ceifou-a a morte adunca,
Jamais haveis de vê-la dentre os vivos".

E eu jamais hei de ouvir as vozes dela
No meio de outras crianças, na calçada;
De certo há de, no céu, estar mais bela
Entre os anjinhos da eternal morada.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

O Dia de Finados

O DIA DE FINADOS
Lino Vitti

Dia 2 de Novembro – Dia dos Mortos – desde meus tempos de menino, foi data importante e saudosa, pois o calendário mundial lhe deu o profundo objetivo de assinalar a comemoração das recordações, da saudade, das orações por aqueles que já partiram para a presença de Deus, para merecer Dele o Sim ou o Não, eternos, da felicidade final. Disse dos meus dias de infância pois gente da roça tem muito respeito pela data e encontram sempre um meio – condução – para ir ao Cemitério onde repousam seus entes amados que se foram e nós, meninos, insistíamos para acompanhar, mais por um passeio de carro ou de “jardineira”(ônibus da época), do que para visitar os mortos da família.
A comemoração, mais do que uma celebração sócio-religiosa, é um dia de saudade, de renovação de lágrimas, de troca de flores e velas enfeitando de dor os túmulos queridos, uma homenagem recordativa àqueles que nos antecederam na caminhada da vida, rumo à eternidade.
E lá, de joelhos, ao lado dos túmulos renovados, oramos por eles e a eles que decerto gozam da presença de Deus, pedir graças e ajuda divina para os nossos dias direcionados também para aquele Campo Santo que um dia nos acolherá também para o descanso eterno.
Quando seminarista, uma etapa que assinalou minha vida, pude ver o quanto a religião e a Fé se dedicam a homenagear os Mortos, pois procedia a data saudosa, diariamente, a celebração da Missa fúnebre, cantada, cuja música adentrava o coração dos assistentes pela sua tonalidade apropriada e significativa.
Dia 2 de novembro é pois o Dia da Saudade e da Oração àqueles que nos antecederam, cujo reencontro, se formos dignos e cumpridores das leis de Deus e da Igreja, poderá dar-se no Céu. Por ora, recordemos e oremos por aqueles que nos esperam na eternidade.
E como chave para encerrar condignamente esta crônica, ofereço aos distintos leitores, o seguinte soneto de minha lavra:


F I N A D O S

A quietude eternal do triste Campo Santo
Hoje se anima, e, vem buscar-lhe a soledade,
E rasgar-lhe o silêncio – esse lutuoso manto –
Em longa romaria, a inquieta humanidade.

As flores põem por tudo um dolorido encanto
Esfolham-se por terra e lágrimas... que há-de
Penetrar este mundo extinto, e, no entretanto,
Não vislumbrar, aqui, os umbrais da Eternidade?

Mortos! Em cada olhar renasce antigo pranto,
De cada alma, a chorar, um ai de dor se evade.
Ressurge uma visão amiga em cada canto...

Finados! Que contraste e que doce verdade:
Morrem, por um momento, os que vivem, enquanto
Um morto, em cada qual, revive na Saudade!

domingo, 24 de outubro de 2010

Silencioso sofrer

SILENCIOSO SOFRER
Lino Vitti

Diante do sofrimento eu noto que te calas
qual se vergonha fosse o sofrimento humano!
“É ouro se calar” é assim que às vezes falas,
“é grato suportar a dor que da alma emana.”

Abrem-se a nossos pés as mais profundas valas,
obstáculos fatais, derrota soberana,
nem um pio porém, nem uma voz exalas,
aplaudes, ao contrário, o sofrer que te insana.

E fico a perguntar: por que razão a vida,
tão pródiga se mostra e tão oferecida
para nos presentear com tanto sofrimento?!

E existir, mais que tudo, um silêncio de morte,
sabendo da fraqueza e da medonha sorte
que ao homem oferece em todo o mau momento?!

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Corpo de Cristo


CORPO DE CRISTO
Lino Vitti

Em Latim e como é usado na Igreja Católica, Apostólica, Romana, se diz Corpus Christi. Assim também é mais conhecida a festividade significativa pelos católicos de verdade. Tudo porém é a tradicional e real denominação da Festa ou Data em que é celebrada a instituição da Eucaristia, um dos maiores Sacramentos da Igreja recebido pelos cristãos condignamente no ato religioso mais conhecido como Comunhão.
É dever de todo católico comungar ao menos uma vez por ano, segundo ensinamento aprendido em mandamento da mesma Igreja: “confessar-se e comungar uma vez por ano pela Páscoa da Ressurreição”.
Ensinam ainda os preceitos da Igreja que a Eucaristia é o Sacramento em que Cristo se encontra inteiro, corpo e espírito, tudo para que se cumpra a mesma palavra transmitida por Jesus na última ceia a seus discípulos e, logicamente, a todos os cristãos e sucessores: “Tomai e comei todos Vós, Isto é meu Corpo que será entregue por Vós” e “Fazei isto em memória de mim”. Ora nada mais fácil de compreender que nesse instante Cristo estava instituindo a Eucaristia e dando poderes aos apóstolos e aos seus sucessores – os sacerdotes – que dessem continuidade a essa “ordem” emanada da boca do próprio Cristo nas derradeiras horas de sua vida na Terra.
Assim instituída a Eucaristia, até hoje ela é a mesma do momento de sua instituição, sendo portanto muito justo, muito cristão, muito dos membros e autoridades da Igreja de Cristo, marcar um dia comemorativo do grande Sacramento. Não só para recordar o insigne evento, mas para que os povos do mundo inteiro prestem a mais bela e incondicional homenagem à divina Eucaristia, pública e universalmente, pois é, não só recordar e prestigiar sua instituição, mas demonstrar sua verdadeira crença na palavra evangélica e nas próprias palavras de Cristo em sua passagem por este mundo.
Todos os povos do mundo compreendem o grande Sacramento divino, dignificam e honram a Eucaristia, como há pouco tivemos em Brasília, quando o Brasil promoveu mais um Congresso Eucarístico, importante, feliz e pródiga manifestação de fé, de adoração, de amor a Cristo-Eucaristia. E todos vimos o quanto é reconhecido e adorado o Cristo na Comunhão, não só neste país, mas em todas as nações onde se promove a santa festividade da presença de Cristo nas espécies do Pão e do Vinho sacramentais. Idosos, adultos, jovens, crianças, citadinos e gente do campo, lá estavam honrando, dignificando, adorando a Cristo Hóstia.
É isto o que quer dizer o Corpus Christi: demonstração pública da crença viva em Cristo na Eucaristia. Sejamos então coerentes, crendo, honrando, e adorando Jesus Eucarístico , nesta data santa em que o homem mostra que sabe ser grato Àquele que, antes de ser crucificado por nossa salvação, nos deixou para os séculos sem fim, o seu corpo, sangue e divindade: “Tomai e comei todos Vós...”


E para encerrar, ofereço aos amados leitores um pequeno poema sobre a EUCARISTIA


Eucaristia é felicidade
É união de todos os corações.
Mesa sagrada da mocidade,
Remédio e força nas tentações.

Quem na vida carece de auxilio
Vai a Cristo pedir solução.
Essa é fonte de amor para o jovem,
É de todos feliz comunhão.

Quando a dor nos espera e nos vemos
Machucados de pranto e de tédio,
Nesta Mesa acharemos alívio,
Neste pão acharemos remédio.

Alma alegre cantando e rezando
Eucaristicamente reunidos
Eis a vida conosco chegando,
Cristo em nós, corações compungidos.

Jesus Hóstia, Jesus juventude,
Vem a nós eucarístico e eterno.
Abre as portas do Céu a quem ama,
Fecha as portas do lúgubre inferno.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Vale a pena?

VALE A PENA?
Lino Vitti

Não penses, (quase é insensatez supô-lo)
Nesses movimentos, poucos e fugazes,
Que o vício atira aos olhos dos rapazes,
Achar, no seu prazer, algum consolo

Serão antes supremo desconsolo
É causa dos remorsos mais minazes.
Vê, medita bem tudo o que fazes,
Ouve o conselho de um poeta tolo.

- "Oh! dir-me-ás, são gotículas apenas
De mel, por sobre as aflições terrenas,
A adocicar seu trágico amargor".

Justo seria, amigo, o que me dizes
Se por segundos que supões felizes
Não sofresses, depois, eterna dor.

PRÍNCIPE DOS POETAS DE PIRACICABA

CURRICULUM VITAE
( Síntese de Vida)
NOME – Lino Vitti
IDADE – 08/02/1920
ESTADO CIVIL – Casado, em únicas núpcias, há 56 anos, com a Professora Dorayrthes Silber Schmidt Vitti
FILIAÇÃO – José e Angelina Vitti
NATURALIDADE – Piracicaba, Estado de São Paulo –Brasil
Bairro Santana , Distrito de Vila Rezende
VIDA FAMILIAR
Casamento Civil e Religioso em comunhão de bens, Pai de sete filhos: Ângela Antónia, Dorinha Miriam, Rosa Maria, Fabíola , Lina, Rita de Cássia, Eustáquio.
VIDA PROFISSIONAL
Aposentado como Diretor Administrativo da Câmara de Vereadores de Piracicaba, e como Redator do “Jornal de Piracicaba”. Exerceu atividades no comércio, no Magistério, na lavoura até os l3 anos, na municipalidade local, como bibliotecário, lançador de impostos, protocolista, Secretário Municipal.

VIDA CULTURAL
ESCOLA PRIMÁRIA –
Grupo Escolar “Dr. Samuel de Castro Neves”, Santana, seminarista vocacional ao sacerdócio por seis anos, no Colégio Santa Cruz, da cidade de Rio Claro (SP), onde cursou humanidades, línguas, religião, ciências, matemáticas, música.
CURSOS –
Formou-se Técnico em Contabilidade, lecionou latim, francês, datilografia.

VIDA RELIGIOSA
Católico, Apostólico, Romano, fez curso de religião em seminário dos Padres Estigmatinos, foi organista da Catedral e da Igreja de São Benedito, de Piracicaba, e Congregado Mariano.
VIDA LITERÁRIA
Bafejado por ensinamentos de sábios sacerdotes em colégio de formação religiosa, recebeu extraordinário acervo literário que lhe propiciou enveredar pelo caminho da poesia, da crônica, dos contos, do jornalismo, havendo editado de l959 a 200l sete livros de poesias e contos, com edições em milheiros de volumes, os quais estão aí para satisfazer o gosto daqueles que apreciam a arte literária.
São seus livros : “Abre-te, Sésamo”, l959; “Alma Desnuda”, l988; “A Piracicaba, Minha Terra”, l99l; “Sinfonia Poética”, de parceria com o poeta Frei Timóteo de Porangaba; “Plantando Contos, Colhendo Rimas”, l992; “Sonetos Mais Amados”, l996 e “Antes que as Estrelas brilhem”, 200l. O poeta conta ainda com o prazer de haver composto hinos para diversos municípios, bairros rurais, entidades sociais diversas, continuando a colaborar ainda, após os 83 anos em colunas literárias e com artigos de ordem geral em jornais da terra.
Faz parte da Academia Piracicabana de Letras que lhe outorgou o título honorífico de “PRÍNCIPE DOS POETAS DE PIRACICABA’.
Foi-lhe concedida Pelo Município de Piracicaba, através de sua Secretaria da Ação Cultural, a MEDALHA DE MÉRITO CULTURAL, “ Prof. OLÊNIO DE ARRUDA VEIGA’; é detentor do TROFÉU IMPRENSA, concedido pelo Lions Clube de Piracicaba, centro, e da MEDALHA ITALIANA, concedida pelo governo italiano de Benito Mussolini aos alunos de escolas e seminários de origem daquele país que tivessem se destacado em redação de trabalhos literários escritos na língua de Dante.
O Município de Saltinho, para o qual contribuiu com o Hino dessa comunidade municipal , conferiu-lhe o título de “Cidadão Saltinhense”.

DISCURSO

Por ocasião do lançamento do livro de poesias “Antes que as estrelas brilhem “, pelo poeta Lino Vitti foi proferido o seguinte discursos:

Exmo. Sr. Heitor Gauadenci Jr. dd Secretário da Ação Cultural

Exmo. sr. António Osvaldo Storel. dd. Presidente da Câmara de

Vereadores de Piracicaba

Exmo.sr. Moacyr Camponez do Brasil Sobrinho, dd. Presidente do Instituto Histórico e Geográfico

Exmo,. sr. Henrique Cocenza, dd. Presidente da Academia Piracicabana de Letras

Exmo.. Sr. Ésio Pezzato , anfitrião desta solenidade

Senhoras e Senhores

Pela sétima vez (graças a Deus) em minha vida lítero-poética vejo-me guindado a uma tribuna improvisada (o que é bom porque torna o fato mais popular), para proferir um discurso de agradecimento, ao lado da oferta de um novo livro de versos. É teimosia essa de poetas em desovar sua produção para que mais gente participe de suas tiradas, muitas vezes fora de forma e de ambiente, mas que o poeta não vê porque , ao editar um novo livro está cego pela emoção , como se fosse a vez primeira. Está aí o Ésio Pezzato, responsável por mais esta minha invasão no mundo das letras poéticas, para dizer se não é assim. Para dizer se não sofre também dessa doença feliz de editar livros e mais livros a ponto de perder a conta, já que a esta altura ele não sabe se já está no décimo ou décimo primeiro. E ainda continua batendo dedos de métrica, sabemos lá por quantos anos ainda !

Tenho um ex-colega de seminário, prof. Hildebrando André, aposentado como professor universitário e com o qual mantenho longa e pródiga correspondência, que não se cansa de enaltecer a felicidade de Piracicaba contar com tantos poetas e poetisas. Tem razão ele, pois se apenas dois deles já conseguiram editar l8 livros de poesia, imagine-se as centenas que seriam necessárias para dar um pouco de vazão a essa raridade intelectual que toma conta da minha terra!

Este meu livro vem à lume por obra e arte do prefeito José Machado , seu Secretário da Ação Cultural e de seu zeloso servidor Ésio Pezzato que se entusiasmaram diante da recitação de diversos poemas meus por um grupo de jograis, alunos da UNIMEP, e impressionados decidiram patrocinar a publicação deste livro, pois entenderam que Piracicaba poética merecia conhecer em mais profundidade o seu príncipe da poesia. E aí está, lindo e impecável, entregue às mãos do povo de Piracicaba, que indistintamente de cor, estudos, intelectualização , posses financeiras, categoria de trabalho, com religião ou agnóstico, jovem ou adulto, roceiro ou citadino, aí está, para quiçá, momentos de lazer e sonho. Sonho , sim, porque a poesia é terrivelmente sonhativa , vive no mundo da fantasia, alicerça-se nas bases da emoção e brota do âmago mais profundo do poeta, e para que as filhas de Eva não reclamem, da poetisa também.

Alguém me perguntará? Como é ser poeta? Juro, nunca pensei nisso. Acho que ninguém consegue ser poeta. Já é. Nasce feito, como dizem.

não é verdade Maria Cecilia, Ivana Maria, Ésio Pezzato , Prata Gregolim, Marina Rolim, Valter Vitti, Mario Pires, Saconi, e tutti quanti enfeitam com seus lindos versos as páginas do “ Jornal de Piracicaba, ou da “Tribuna Piracicabana , e assim também esse cacho imenso de livros poéticos que quase semanalmente são dados ao conhecimento e sentimento público de nossa terra ? Tornando-se um privilégio de uma cidade, como disse alhures o supra citado meu colega seminarístico Hildebrando André. ?

Não se suponha que para ser poeta é preciso ter nascido em berço de ouro ou em centros intelectuais de enorme repercussão. Nada disso. Tenho um soneto que define bem esse fato. É assim: “Eu não sou o poeta dos salões / de ondeante, basta e negra cabeleira] não me hás de ver nos olhos alusões / de vigílias, de dor e de canseiras. // Não trago o pensamento em convulsões,/ de candentes imagens, a fogueira. / não sou o gênio que talvez supões/ e não levo acadêmica bandeira.// Distribuo os meus versos em moedas/ que pouco a pouco na tua alma hospedas / - raros , como as esmolas de quem passa. / Mas hei de me sentir feliz um dia/ quando vier alguém render-me graça/ por o fazer ricaço de poesia. // “ . Poetas e poetisas saem do nada , devem trazer o selo ou o bilhete de entrada nesse reino encantado desde o útero materno, embora ouse eu afirmar que a vida é também uma grande mestra , as influências da mentalidade circunvizinha,

o próprio meio ambiente, podem , em circunstâncias outras , plasmar um poeta .

Eu fui plasmado , por exemplo, por entre maravilhas campestres. A roça ou o campo são fantásticos criadores de poesia. Ela anda atapetando por todos os cantos a natureza, as gentes, os animais, os atos e fatos. e a cabeça daqueles com quem ela convive. E o poeta, criador por excelência, se abebera de todas as belezas esparsas pelas colinas, serras, vales e descampados , para transformar tudo em versos e rimas, ou em versos simplesmente, onde pululam , como cabritos silvestres, as figuras literárias, os tropos, as sínteses, as comparações, e todos os anseios que lhe vão no imo da alma. Para satisfação própria e para satisfação dos que convivem com o poeta. E´ por isso que se botardes olhos curiosos sobre meus poemas havereis de tropeçar a todo o momento com um motivo roceiro, pois trago uma alma plasmada pelas belezas rurais de Santana, Santa Olímpia , Fazenda Negri, e especialmente por aquela colina encimada ,no cocuruto, pelo prédio do grupo escolar, onde aprendi a ler e escrever e a poetar.

Peço desculpas por haver-me prolongado um pouco nestas elucubrações poéticas, desobedecendo aos conselhos do amigo Ésio que continua exigindo de mim discursos improvisados, o que seria tão para os ouvintes , que ansiosamente aguardam o momento de bater palmas acabando assim com a verborragia oratória.

Não posso entretanto encerrar esta breve alocução sem deixar consignados meus agradecimentos do fundo do coração ao prefeito José Machado ,ao seu Secretário da Ação Cultural Heitor Gaudenci Junior, ao seu sub-secretário poeta Ésio Pezzato, ao prefaciador Moacyr de Oliveira Camponez do Brasil sobrinho, aos queridos opinadores Maria Cecília Bonachella, Maria Ivana França de Negri, exímias poetisas, prof. Elias Salum e a minha filha Universitária Fabíola Vitti Moro, pela maravilhosa capa, Editores e toda equipe de funcionários , à minha esposa pela sugestão transmitida ao prefeito com relação ao advento desta obra, aos digitadores Nair , minha nora e neto Leonardo, e outros que possa ter esquecido, como é fácil em cachola idosa, - meus agradecimentos repito, pela reunião de esforços e trabalho que tornaram possível o advento de mais um livro de minha lavra.

Obrigado “ em geralmente” como dizem nossos cururueiros, aos que ilustraram com sua arte musical esta solenidade e assim também a todos quantos acharam um tempinho para vir prestigiar-me nesta tarefa de cultura e arte. Levem a certeza de que nada mais desejo do que engrandecer com minha poesia a terra que me viu nascer, a terra que me viu crescer, a terra que me proporcionou oportunidade para chegar a um cargo tão nobre quão dignificante de “Príncipe dos Poetas de Piracicaba”

Meu carinhoso obrigado também aos meios de comunicação, de modo especial “Jornal de Piracicaba”, na pessoa de seu Editor Chefe Joacyr Cury , de “A Tribuna Piracicabana”, na de seu diretor Evaldo Vicente, pela divulgação caprichosa deste evento que afinal nada mais é do que mais uma demonstração da exuberância cultural da Noiva da Colina.

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