Lino Vitti - Príncipe dos Poetas Piracicabanos

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O Príncipe e sua esposa, professora Dorayrthes S. S. Vitti

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60 anos de Poesia


sábado, 8 de setembro de 2012

1º De Abril



DEPOIS DA ADOLESCÊNCIA (V)

                                                                           Lino Vitti – Príncipe dos Poetas  de Piracicaba

“Quem mente não é filho de boa fé”– é o que o povo, esse magnífico povo –, espalha por aí, com toda a razão, menos, é claro, no dia de hoje – 1º de Abril – consagrado à mentira.
E por que me desviei desta série de crônicas nas quais, resumida e intimamente, vou desnovelando anos de infância, de adolescência e, agora, de mocidade? Virá algo também sobre... digo “maturidade” ou velhice mesmo? Como disse em linhas anteriores, os cronistas são raça estranha, mudam de rumo como as brisas que governam as birutas, falam, ou melhor, escrevem que vão dizer isto e aquilo, mas acabam por transgredir o prometido, para mudar de pato a ganso com faço hoje, dia 1º de Abril – feliz Dia da Mentira.
Feliz por que, seu escrevinhador de meia-pataca? Ora, ora, não arrepies tu o pelo, nem distendas as garras para protestar contra essa mísera opinião de quem acha feliz o Dia da Mentira. Vejamos. Você acorda e meio sonolento ainda atende ao telefone. Estremunhado e ignorantão, apanha o fone que toca:
­­- Alô... Alô...
- É o Lino?
- Eu mesmo. Que manda?
- Nada, não. É apenas para lhe dizer que  Bastião morreu.
- Morreu! Como foi?
- Não sei bem... Parece que foi desastre de carro...
- Meu Deus, que desgraça!...
- Ah! Ah! Ah! Ah!... Enganei um bobo... 1º de Abril!
..................
Foi sem dúvida uma feliz mentira, porque verdade não era que o Bastião havia metido o carro na traseira do caminhão do Gegé. Por conta ficou do 1º de Abril.
Trrrriimmmm... trriiiiimmm... De novo, o fone musical. Ressabiado, demorei para levá-lo ao ouvido, mas como insistia, insistia... atendi.
- É o Jengo...
- Que surpresa, homem! Como estás tu?...  
- Tudo bem, tudo bom. O caso é que estouramos na Quina! Enfim...
- 1º de Abril , seu danado...
E meti o grampo desligador na cara do Jengo.
O Jengo é o cara que me faz as apostas todas esperançosas da Quina ou às vezes da Sena. Como, entretanto, já havia sido troçado por um 1º de Abril mentiroso, não quis cair em outra patranha. Por isso rápido, rapidinho calcei o telefonema.
E o dia já ia alto, descambava para a tarde, quando a cigarra da porta chia desesperadamente. Quem é, quem não é? Incrível, fantástico, louco! Espio pelo olho mecânico e quem vejo? Nada mais, nada menos do que o Jengo. Mas que quer o homem? Matar-me de mentiras? Não seria aquela figura um fantasma? Um 1º de Abril? Fiquei balançando entre atender ou não atender a porta da rua, onde via através daquele olhito de lente, o Jengo nervoso, gesticulando, impaciente, portando um estranho pacote....
Não tive outro remédio senão destrancar porta e portão para que o Jengo entrasse. Entrou e, balbuciando e nervosinho, abriu aos meus olhos o estranho pacote.
- Veja, veja, Lino. Estamos ricos. Caçamos a Quina, sozinhos!!!...
Estupefato, que poderia eu dizer? Boquiaberto, sim, mas sem voz...
A custo, balbuciei:
- Então, não era 1º de Abril? É verdade?
- Claro, apalpe, cheire, é dinheiro toda a vida!...
Sem dúvida, era mais uma mentira feliz!
Só que o leitor vai-me desculpar. Quem está contando a mentira agora é o miserável cronista. Viva, viva, a gloriosa data das petas, das mentiras, das falsidades, das lorotas, das patranhas, dos enganos, das imposturas, etc. etc.!
Às vezes fico pensando se esta política, se esta economia, se estes políticos, se os governantes de todos os escalões, se este país de 500 anos, não é tudo um enorme “1º de Abril”!!! 

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

A BANDEIRA DO SONHO E DA ESPERANÇA



Lino Vitti

Vede a nave que vai. É a vida que navega,
às vezes calmaria, às vezes sol bonito.
Pelos mares boreais agora nos carrega,
por oceano feliz, estival e bendito.

Esta nau é latina, esta outra é vela grega,
qual vem de Gibraltar, qual vem do velho Egito.
Hoje o Mediterrâneo em torno a si as congrega,
amanhã já não sei em que quadrante as fito..

E quem sabe, Senhor  o rumo dessas naves,
ora ao Norte , ora ao Sul, tempestades, bonanças,
furor de vendavais, quiçá rotas suaves!

O que vejo, porém, em toda a nau que avança,
vencendo furacões, à voz de roucas aves,
é a bandeira do Sonho e o mastro da Esperança.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

E VEIO A POESIA !


DEPOIS DA INFânciA (VIII)

 Lino Vitti (Príncipes dos Poetas de Piracicaba)

    Tenham paciência, caros diretores do matutino, digitadores, revisores, distribuidores, entregadores, impressores, gente toda muito boa de um jornal que vai. ao "ar" diariamente, tenham paciência, repito. Esta prolongada série de crônicas, autobiografando minha vida de infância, nas paragens de Santana e da adolescência, entre os muros de um seminário religioso deverá chegar em breve ao fim. Mesmo porque, ao chegar aos oitenta verões, se está no “bico do corvo”, como me alertou estimadíssima prima (por sinal com o mesmo nome da minha esposa, Dorayrthes “th” e “y”), quando de minha última visita aos pagos santanenses. E assim falando foi buscar uma vela, acendeu-a metida num candelabro, cantou, junto com os demais presentes, o "parabéns a você", ofereceu-me a chamazinha para que apagasse, como se faz com as crianças em botão, o que fiz, com desenvoltura, tudo terminando por saborear um pão-de-ló com café, tipo de bolo de que mais gosto, pois foi na infância que o conheci graças a perícia bolística de minha tia “Justina”.
Olhem  só, o1hem só!  Meti a poesia no título, mas (é próprio dos cronistas perderem-se na empreitada) desandei  por assunto de agorinha mesmo, de 16/1, dia em que dona Angelina Vitti. me ofereceu ao mundo: “Vai, meu filho, Seja alguérn na vida!”  E eu fui e aqui estou, depois  de 80 badalados do Relógio da Vida,  a escrever, a recordar, a desejar voltar no tempo, impossível, sem dúvida, porque o tempo não tem marcha-ré como até  esta minha velhíssima maquina de escrever tem.  E o melhor é que fui feliz, estou feliz e como os lábios maternos profetizaram, acho que sou alguém, na vida:  ao menos um poeta, um “príncipe dos poetas”, galardão que, se viva ela fosse, 1he estouraria a alma de alegria e aprovação.
Voltando no título  lá atras – a poesia- tenho  plena convicção que  a minha poesia chegou em plena adolescência quando ia em meio a vida dos estudos sacerdotais. É difícil a mim, confesso, escrever e afirmar como surgiu essa coisa, tão enraizada no interior da pessoa humana, dentro de minha cachola. Não foi assim de repente, um estalo à Padre Vieira, mas chegou devagarinho, silenciosamente, vinda não sei de que páramos. Instalou-se cá dentro, primeiro como sementinha, depois arbusto , para afinal abrir-se nessa umbela de árvore frondosa onde os versos luzem como estrelas, onde a poesia fez ninho que passa os anos a pipilar, a cantar, a sonhar, a pensar que se é feliz, que se é diferente das demais pessoas, a querer transmitir aos outros, queiram ou não queiram, essa enxurrada de rimas e versos, centenas, milhares,  quiçá milhões, materializados na infinidade de poemas, sonetos, livros, tudo transudando lirismo e sensibilidades nem sempre encontradas nos mortais amigos que circundam o poeta.
E foi lá, na aridez de um convento religioso, que deixei brotar do âmago, os primeiro vagidos poéticos. Na leitura de velhas antologias, usadas para estudo do português e do latim, puxei o fio da meada da poesia, diria 70 anos atrás, gesto que até hoje não consegui concluir, pois ainda continuo puxando, puxando, nas páginas do Jornal, pela paciência de Maria Cecília Bonachela,  nas páginas da Tribuna, pela paciência da Luciene, e até no Jornal da Vila Rezende, pela paciência de sua jovem editora. Ah! como é delicioso ser poeta!
Esses pobres diabos da rima (vejam Ésio Pezato) começam e não param mais. Acham que todo o mundo é obrigado a ler-lhe as tiradas litero-tropo-poéticas e pronto. E se ninguém ler, tudo bem. Missão cumprida, satisfação íntima, felicidade de deixar ao mundo um pedaço de sonho e de fantasia.
(Como a crônica vai longa e o assunto não acabou., fica o resto para a X se Deus quiser).

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

ENTRE 4 PAREDES



DEPOIS DA INFÂNCIA (VI)

                 Lino Vitti

Pouco ou quase nada terei eu a escrever sobre os anos da adolescência, porque passados intra muros, fora dos pagos infantis, sem a visão dos pais, dos irmãos, dos parentes, da roça, sem os tempos vividos e vívidos da infância. O internato é uma grande família, cuja irmandade é constituida dos mais variados colegas, em idade e em “modus vivendi”, cujos “pais” seriam os superiores, cujo lar seria formado pelo enorme edifício de quatro pavimentos, pipocado de quartos para os diretores, mestres, sacedotes e noviços, dotando de imenso dormitório povoado de centenas de camas iguais para os aspirantes à vida clerical, espaçoso refeitório onde ressaltava a mesmice das mesas e bancos estirados, austeras salas de aula e de estudos, corredores sombrios e silenciosos, carteiras severas e pesadas onde se passavam 4 a 6 horas alisando assentos e escrevendo, escrevendo, sob a voz exata e imutável dos sacerdotes professores. E tudo movido por sinetas e apitos. E tudo movimentado sob o caminhar de longas filas paralelas, rumo às aulas, rumo ao templo, rumo aos páteos de recreio, rumo aos dormitórios, rumo aos refeitórios e até para as raras escapadas a passeios dominicais das redondezas, duas filas indianas paralelas, silenciosas e longas, despertando infalivelmente a curiosidade da gente por onde passavam.
  A máquina de um internato é um grande e perfeito relógio, pois é sob o comando de um horário fixo e praticamente imutável que os internados viviam à sombra daquelas paredes silentes e geométricas, daquelas janelas e portas  que se abriam apenas pelo lado interior, parecendo pupilas mortas aquelas que davam para a praça, para a via pública, para o jardim, para a cidade ou para a paisagem mais além.
Para quem entrava na adolescência depois de uma infância livre, despreocupada e sem horários para nada, o novo modo de vida era evidentemente um suceder de surpresas, de aprendizados, de ensinamentos, de lembranças e de saudades. Nada do que ia acontecendo semelhava-se aos dias do passado, aliás passado recente, passado que poderia ainda ser considerado presente, através dos sonhos, da saudade, das lágrimas que furtivamente, à noite, o travesseiro se incumbia de apagar embebendo-as em seu bojo.
Um, dois, três, quatro, cinco, seis anos! E a infância saudosa e feliz não se ia embora, mesmo que a idade física e psíquica tentasse espantá-la, enxotá-la do âmago anímico. Os estudos, os novos conhecimentos, o aprender novas línguas, novos capítulos da matemática, a música, a literatura, o aprofundamento da religião, da moral, da doutrina, e de tudo quanto seria necessário para a futura vida sacerdotal, não conseguiam apagar da memória os anos da roça e no fundo, como  tímida chama de uma vela, persistia uma expectativa de uma volta, poderia dizer impossível, pois as transformações por que passava o infante e o agora adolescente, mostravam que o tempo não recua, que a vida não retorna, que a pessoa evolui em sentido inverso aos dias de ontem.
E então, e guerra, entre o passado, o presente, o futuro.
Uma guerra sem sangue, sem tiros, sem bombas, sem exércitos,. Mas uma guerra de atos, fatos, desejos, recordações, pessoas, gestos, ocorrências. A guerra das mudanças fisiológicas e anímicas do ser humano, do passar as fronteiras, como disse em crônicas atrás, das patentes mas misteriosas fases da vida, ligadas por elos invisíveis, pelo inesperado, pelo que foi e pelo que há de vir.
Foram anos de sedimentação da vida. Formou-se-me a personalidade que viria a ser. Um singelo menininho da roça, adorador das matas, dos pássaros, das borboletas, dos riachos, dos ocasos sangrentos e das manhãs sonorizadas de cantos, moldado por longos e concentrados anos de seminário, feito Diretor Administrativo da Câmara de sua terra, “príncipe dos “seus” poetas”, decano da imprensa piracicabana, pai de sete rebentos e avô de quase uma vintena de netos.
Tudo consequência de uma adolescência formada na fé, no estudo, na moral e na responsabilidade de mestres e diretores sacerdotais.
Graças a Deus! 

sábado, 1 de setembro de 2012

LUTAS ÍNTIMAS



DEPOIS DA INFÂNCIA (V)

   Lino Vitti

Diria, com permissão dos entendidos em antropo-ciência, que a adolescência é um tempo de verdadeiras batalhas. Não dessas batalhas, inclusive famosas, perfeitamente visíveis a olho nu, como as que ocorrem na vida dos povos, através da História, onde e quando se degladiam milhões de guerreiros, esteriotipadas máquinas destruídoras, fuzis e baionetas caladas, bombas e fumaradas, tiros e sangue, aqueles são encontros, ou melhor, combates silenciosos, travados no interior da pessoa humana, muitas vezes intensos como aqueles, é verdade, pois deixam cicatrizes que a acompanham pela vida afora.
Diz lá um poeta clássico que nem sempre ou quase nunca a face espelha exatamente o que vai lá por dentro do homem. (Homem no sentido genérico, incluindo masculino e feminino, como é praxe nos dias de hoje). Quantas vezes se vê alguém sorrir, sem nunca sabermos que o seu íntimo é uma tela de tristeza e dor! Em quantas outras, as lágrimas a escorrer narinas abaixo traduzem alegria e consolo! O chocante, o contraste, é próprio do ser humano, e não seria um adolescente, em transição de personalidade, que deixaria de contrariar a maioria dos mortais!
Revendo, com saudades sem dúvidas, meus dias de adolescência, vivida intramuros, verifico hoje, depois de décadas, não haverem sido simples ou despreocupantes as lutas que comigo carregava pelo caminho vocacional, sob a batuta maestra de unm internato dirigido à vida religiosa. Cotidianamente, o crescer em idade e em conhecimentos armava batalhas dentro do espírito, ao lado da inteligência e compreensão das coisas, do próprio composto humano entretecido de inspirações angélicas e safadezas diabólicas, forças tremedamente antagôniicas a se degladiarem na conquista dos valores inexoráveis do Bem e do Mal.
Qualquer adolescente, e muito mais aquele que decide seguir uma vida árdua de estudos, de virtude, de retilíneos compromissos e cumprimentos, sente dentro de si o fragor dessas batalhas, em geral ignoradas pelos que o circundam, pelo ambiente onde os passos se movem, algo mesmo esquisito pois são muitos em idênticas situações aqueles que com ele caminham ao lado, à frente, ou vêm subindo o declive da existência. Julga-se, entre muitos, um solitário, julga-se um abandonado pelos outros. Vê-se  desarmado frente à surda guerra travada em seu interior.
“É assim mesmo” lhe dirão esporádicos conselheiros, casualmente descobridores dessas lutas que não deixam marcas no rosto, não lhe permitem entrever a intensidade, não lhe pedem uma solução. Para o adolescente, porém, não resta outra alternativa, senão combater, combater, na espera de que as tempestades profundas do espírito arrefeçam, que cessem as batalhas, que afinal raiem e serenidade e o sol da vitória.
Minha adolescência, transitada sob a secura de um internato, não fugiu  do que seriam as demais adolescências. Lutei, trampus a fronteira e os campos de batalha encontrados ao longo dela. E ao final, quando me desliguei daquele trecho altamente significativo da vida, percebi haver colhido louros preciosos, como a formação moral, a formação cultural, a formação religiosa, a formação de uma personalidade que não haveria de fazer feio, quando o destino a levasse para além daqueles muros, daquele celeiro de ensinamentos e preciosidades éticas e morais que é sempre um seminário religioso.
A Deus agradeço por me haver propiciado uma adolescência severa e reta, embora entremeada de árduas lutas, de momentos complicados ao lado de outros felizes. O que, aliás, é próprio da vida.   

PRÍNCIPE DOS POETAS DE PIRACICABA

CURRICULUM VITAE
( Síntese de Vida)
NOME – Lino Vitti
IDADE – 08/02/1920
ESTADO CIVIL – Casado, em únicas núpcias, há 56 anos, com a Professora Dorayrthes Silber Schmidt Vitti
FILIAÇÃO – José e Angelina Vitti
NATURALIDADE – Piracicaba, Estado de São Paulo –Brasil
Bairro Santana , Distrito de Vila Rezende
VIDA FAMILIAR
Casamento Civil e Religioso em comunhão de bens, Pai de sete filhos: Ângela Antónia, Dorinha Miriam, Rosa Maria, Fabíola , Lina, Rita de Cássia, Eustáquio.
VIDA PROFISSIONAL
Aposentado como Diretor Administrativo da Câmara de Vereadores de Piracicaba, e como Redator do “Jornal de Piracicaba”. Exerceu atividades no comércio, no Magistério, na lavoura até os l3 anos, na municipalidade local, como bibliotecário, lançador de impostos, protocolista, Secretário Municipal.

VIDA CULTURAL
ESCOLA PRIMÁRIA –
Grupo Escolar “Dr. Samuel de Castro Neves”, Santana, seminarista vocacional ao sacerdócio por seis anos, no Colégio Santa Cruz, da cidade de Rio Claro (SP), onde cursou humanidades, línguas, religião, ciências, matemáticas, música.
CURSOS –
Formou-se Técnico em Contabilidade, lecionou latim, francês, datilografia.

VIDA RELIGIOSA
Católico, Apostólico, Romano, fez curso de religião em seminário dos Padres Estigmatinos, foi organista da Catedral e da Igreja de São Benedito, de Piracicaba, e Congregado Mariano.
VIDA LITERÁRIA
Bafejado por ensinamentos de sábios sacerdotes em colégio de formação religiosa, recebeu extraordinário acervo literário que lhe propiciou enveredar pelo caminho da poesia, da crônica, dos contos, do jornalismo, havendo editado de l959 a 200l sete livros de poesias e contos, com edições em milheiros de volumes, os quais estão aí para satisfazer o gosto daqueles que apreciam a arte literária.
São seus livros : “Abre-te, Sésamo”, l959; “Alma Desnuda”, l988; “A Piracicaba, Minha Terra”, l99l; “Sinfonia Poética”, de parceria com o poeta Frei Timóteo de Porangaba; “Plantando Contos, Colhendo Rimas”, l992; “Sonetos Mais Amados”, l996 e “Antes que as Estrelas brilhem”, 200l. O poeta conta ainda com o prazer de haver composto hinos para diversos municípios, bairros rurais, entidades sociais diversas, continuando a colaborar ainda, após os 83 anos em colunas literárias e com artigos de ordem geral em jornais da terra.
Faz parte da Academia Piracicabana de Letras que lhe outorgou o título honorífico de “PRÍNCIPE DOS POETAS DE PIRACICABA’.
Foi-lhe concedida Pelo Município de Piracicaba, através de sua Secretaria da Ação Cultural, a MEDALHA DE MÉRITO CULTURAL, “ Prof. OLÊNIO DE ARRUDA VEIGA’; é detentor do TROFÉU IMPRENSA, concedido pelo Lions Clube de Piracicaba, centro, e da MEDALHA ITALIANA, concedida pelo governo italiano de Benito Mussolini aos alunos de escolas e seminários de origem daquele país que tivessem se destacado em redação de trabalhos literários escritos na língua de Dante.
O Município de Saltinho, para o qual contribuiu com o Hino dessa comunidade municipal , conferiu-lhe o título de “Cidadão Saltinhense”.

DISCURSO

Por ocasião do lançamento do livro de poesias “Antes que as estrelas brilhem “, pelo poeta Lino Vitti foi proferido o seguinte discursos:

Exmo. Sr. Heitor Gauadenci Jr. dd Secretário da Ação Cultural

Exmo. sr. António Osvaldo Storel. dd. Presidente da Câmara de

Vereadores de Piracicaba

Exmo.sr. Moacyr Camponez do Brasil Sobrinho, dd. Presidente do Instituto Histórico e Geográfico

Exmo,. sr. Henrique Cocenza, dd. Presidente da Academia Piracicabana de Letras

Exmo.. Sr. Ésio Pezzato , anfitrião desta solenidade

Senhoras e Senhores

Pela sétima vez (graças a Deus) em minha vida lítero-poética vejo-me guindado a uma tribuna improvisada (o que é bom porque torna o fato mais popular), para proferir um discurso de agradecimento, ao lado da oferta de um novo livro de versos. É teimosia essa de poetas em desovar sua produção para que mais gente participe de suas tiradas, muitas vezes fora de forma e de ambiente, mas que o poeta não vê porque , ao editar um novo livro está cego pela emoção , como se fosse a vez primeira. Está aí o Ésio Pezzato, responsável por mais esta minha invasão no mundo das letras poéticas, para dizer se não é assim. Para dizer se não sofre também dessa doença feliz de editar livros e mais livros a ponto de perder a conta, já que a esta altura ele não sabe se já está no décimo ou décimo primeiro. E ainda continua batendo dedos de métrica, sabemos lá por quantos anos ainda !

Tenho um ex-colega de seminário, prof. Hildebrando André, aposentado como professor universitário e com o qual mantenho longa e pródiga correspondência, que não se cansa de enaltecer a felicidade de Piracicaba contar com tantos poetas e poetisas. Tem razão ele, pois se apenas dois deles já conseguiram editar l8 livros de poesia, imagine-se as centenas que seriam necessárias para dar um pouco de vazão a essa raridade intelectual que toma conta da minha terra!

Este meu livro vem à lume por obra e arte do prefeito José Machado , seu Secretário da Ação Cultural e de seu zeloso servidor Ésio Pezzato que se entusiasmaram diante da recitação de diversos poemas meus por um grupo de jograis, alunos da UNIMEP, e impressionados decidiram patrocinar a publicação deste livro, pois entenderam que Piracicaba poética merecia conhecer em mais profundidade o seu príncipe da poesia. E aí está, lindo e impecável, entregue às mãos do povo de Piracicaba, que indistintamente de cor, estudos, intelectualização , posses financeiras, categoria de trabalho, com religião ou agnóstico, jovem ou adulto, roceiro ou citadino, aí está, para quiçá, momentos de lazer e sonho. Sonho , sim, porque a poesia é terrivelmente sonhativa , vive no mundo da fantasia, alicerça-se nas bases da emoção e brota do âmago mais profundo do poeta, e para que as filhas de Eva não reclamem, da poetisa também.

Alguém me perguntará? Como é ser poeta? Juro, nunca pensei nisso. Acho que ninguém consegue ser poeta. Já é. Nasce feito, como dizem.

não é verdade Maria Cecilia, Ivana Maria, Ésio Pezzato , Prata Gregolim, Marina Rolim, Valter Vitti, Mario Pires, Saconi, e tutti quanti enfeitam com seus lindos versos as páginas do “ Jornal de Piracicaba, ou da “Tribuna Piracicabana , e assim também esse cacho imenso de livros poéticos que quase semanalmente são dados ao conhecimento e sentimento público de nossa terra ? Tornando-se um privilégio de uma cidade, como disse alhures o supra citado meu colega seminarístico Hildebrando André. ?

Não se suponha que para ser poeta é preciso ter nascido em berço de ouro ou em centros intelectuais de enorme repercussão. Nada disso. Tenho um soneto que define bem esse fato. É assim: “Eu não sou o poeta dos salões / de ondeante, basta e negra cabeleira] não me hás de ver nos olhos alusões / de vigílias, de dor e de canseiras. // Não trago o pensamento em convulsões,/ de candentes imagens, a fogueira. / não sou o gênio que talvez supões/ e não levo acadêmica bandeira.// Distribuo os meus versos em moedas/ que pouco a pouco na tua alma hospedas / - raros , como as esmolas de quem passa. / Mas hei de me sentir feliz um dia/ quando vier alguém render-me graça/ por o fazer ricaço de poesia. // “ . Poetas e poetisas saem do nada , devem trazer o selo ou o bilhete de entrada nesse reino encantado desde o útero materno, embora ouse eu afirmar que a vida é também uma grande mestra , as influências da mentalidade circunvizinha,

o próprio meio ambiente, podem , em circunstâncias outras , plasmar um poeta .

Eu fui plasmado , por exemplo, por entre maravilhas campestres. A roça ou o campo são fantásticos criadores de poesia. Ela anda atapetando por todos os cantos a natureza, as gentes, os animais, os atos e fatos. e a cabeça daqueles com quem ela convive. E o poeta, criador por excelência, se abebera de todas as belezas esparsas pelas colinas, serras, vales e descampados , para transformar tudo em versos e rimas, ou em versos simplesmente, onde pululam , como cabritos silvestres, as figuras literárias, os tropos, as sínteses, as comparações, e todos os anseios que lhe vão no imo da alma. Para satisfação própria e para satisfação dos que convivem com o poeta. E´ por isso que se botardes olhos curiosos sobre meus poemas havereis de tropeçar a todo o momento com um motivo roceiro, pois trago uma alma plasmada pelas belezas rurais de Santana, Santa Olímpia , Fazenda Negri, e especialmente por aquela colina encimada ,no cocuruto, pelo prédio do grupo escolar, onde aprendi a ler e escrever e a poetar.

Peço desculpas por haver-me prolongado um pouco nestas elucubrações poéticas, desobedecendo aos conselhos do amigo Ésio que continua exigindo de mim discursos improvisados, o que seria tão para os ouvintes , que ansiosamente aguardam o momento de bater palmas acabando assim com a verborragia oratória.

Não posso entretanto encerrar esta breve alocução sem deixar consignados meus agradecimentos do fundo do coração ao prefeito José Machado ,ao seu Secretário da Ação Cultural Heitor Gaudenci Junior, ao seu sub-secretário poeta Ésio Pezzato, ao prefaciador Moacyr de Oliveira Camponez do Brasil sobrinho, aos queridos opinadores Maria Cecília Bonachella, Maria Ivana França de Negri, exímias poetisas, prof. Elias Salum e a minha filha Universitária Fabíola Vitti Moro, pela maravilhosa capa, Editores e toda equipe de funcionários , à minha esposa pela sugestão transmitida ao prefeito com relação ao advento desta obra, aos digitadores Nair , minha nora e neto Leonardo, e outros que possa ter esquecido, como é fácil em cachola idosa, - meus agradecimentos repito, pela reunião de esforços e trabalho que tornaram possível o advento de mais um livro de minha lavra.

Obrigado “ em geralmente” como dizem nossos cururueiros, aos que ilustraram com sua arte musical esta solenidade e assim também a todos quantos acharam um tempinho para vir prestigiar-me nesta tarefa de cultura e arte. Levem a certeza de que nada mais desejo do que engrandecer com minha poesia a terra que me viu nascer, a terra que me viu crescer, a terra que me proporcionou oportunidade para chegar a um cargo tão nobre quão dignificante de “Príncipe dos Poetas de Piracicaba”

Meu carinhoso obrigado também aos meios de comunicação, de modo especial “Jornal de Piracicaba”, na pessoa de seu Editor Chefe Joacyr Cury , de “A Tribuna Piracicabana”, na de seu diretor Evaldo Vicente, pela divulgação caprichosa deste evento que afinal nada mais é do que mais uma demonstração da exuberância cultural da Noiva da Colina.

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