Lino Vitti - Príncipe dos Poetas Piracicabanos

Lino Vitti - Príncipe dos Poetas Piracicabanos
Lino Vitti- Príncipe dos Poetas Piracicabanos

O Príncipe e sua esposa, professora Dorayrthes S. S. Vitti

Casamento

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Bodas de Prata

Bodas de Prata

Lino Vitti e seus pais

Lino Vitti e seus pais

Lino Vitti e seus vários livros

Lino Vitti e seus vários livros
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Bisneta Alice

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BISNETA ALICE

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O Príncipe agradece a visita e os comentários

60 anos de Poesia


sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

DOCE, DOCE POESIA

Lino Vitti

Comentam por aí, de boca em boca,
Num acento brutal de covardia,
Que eu tenho uma alma sonhadora e louca
Porque sonha e enlouquece na poesia.

E como se não fosse ainda pouca
A dor dessa agulhada aguda e fria,
Às vezes, quando passo, atrás espouca
A gargalhada atroz de uma ironia.

Não me zango, porém. Pelo contrário,
Perdoo, como um Cristo meigo e triste
Escalando um intérmino Calvário.

É que eles não compreendem, pobrezinhos,
Quanta delícia na poesia existe
Feita embora de cruzes e de espinhos.

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

"LUX HOMINUM”

Lino Vitti

Depois de tantos sonhos de mancebo
(Tantos sonhos inúteis, Santo Deus!)
E'que, acertadamente, enfim recebo
Todo o castigo dos delírios meus.

Apunhala-me o peito a dor que bebo
Dos lábios da ilusão, lábios judeus.
Vácuo e trevas são tudo o que percebo
Dos amores fatídicos e ateus.

Onde encontrar a luz para os meus olhos?
Como sair desta região de escolhos
Batida pelo uivar da ventania?

Como fugir deste deserto avaro,
Se não me deres teu divino amparo,
Mística luz do céu, Virgem Maria?!







sábado, 25 de janeiro de 2014

MOLDURA NOTURNA


Lino Vitti

É noite. Abro a janela. Escuto o cismo.
Olho o rio enigmático ao luar.
Tudo quieto a sonhar, no paroxismo
De um silêncio, parece, secular.

Solidão. . . De repente o nervosismo
De um motor surge além a estrepitar,
Pondo na noite calma o antagonismo
Do rumor surdo e longo, em ondas, no ar.

Singra a prata das águas, rasga espuma,
E sai ao largo, e corre, e some enfim. . .
No céu, piscam estrelas uma a uma. . .

E eu fico a interrogar dentro de mim
A que distância aquele barco rumo

Ao sabor dessa noite imensa assim. . .

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

A CAMISETA OU QUASE ISSO


                                        Lino Vitti

Ninguém mais tem dúvidas sobre o desarvoramento em que anda a humanidade. O preto já não é mais preto, o branco branco mais não é. Coletiva e individualmente, homens e mulheres não se entendem, pais e filhos, além de não se entenderem não se comunicam, marido e consorte se desrespeitam com extrema facilidade, mestres e alunos não afinam as responsabilidades. Tudo isso para embatucar mais e mais a cachola pensante daqueles que, ainda (ainda?!) anseiam por um mundo tisnado por laivos de felicidade. Desagregadas, social e internamente, as famílias se desmilinguam. E cada lar (?!) vira foco de desavenças, discordâncias, incompreensões e mais substantivos desse jaez.
Essas tiradas, moralísticas até certo ponto, provinham da quiçá última boa             cabeça-chefe da família Júbia, ninho de tradições e convicções, um pouco ainda lambuzada por velhos preconceitos, por desprezados princípios, por criteriosas intenções.
O comandante-famílial, o Júbia, condutor daquela pequena nave social, pelos mares borrascosos do mundo, meteu a numerosa prole dentro de um torniquete de moral religiosa, cívica e comunitária, conforme as exigências das origens, conforme o exemplo dos antepassados, conforme a dignidade obrigatória trazida até então pela bagagem do tempo. Isto o obrigava a viver sempre no alerta, porque a sociedade, tachada de moderna, materialista e anti-religiosa pelo velho Júbia, amiudava seus ataques ao reduto do defensor da moral, sem rebuços, das convicções, a todo o custo.
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O Jubialito, um dos filhos da récua patriarcal, às tantas daquela monotonia vivencial, assim julgada por quantos gostavam de viver à moderna, à atualização sem termos da vida e das inteligências, do espírito e do corpo, o Jubialito – repete-se – resolveu (resolução orquestrada pela irmandade sequiosa de novidades) casar, montar família, não só porque a idade se lhe avançava celeremente, acompanhada pelo batalhão de exigências biofísicas, mas também por haver amealhado, graças ao emprego de caixeiro-viajante, algumas indispensáveis economias.
Giselina, uma lindura do bairro, graciosa e estuante de instintos – a escolhida – topou a parada casamental, mesmo porque os pais não tinham como negar tão naturais e reais anseios da jovem casadoira. E assim, realizou-se a festa do “conjugo vobis”, sob as bênçãos do Vigário, o aplauso da sociedade e a inveja de muitas outras aspirantes a esse sacerdócio-branco, onde às vezes se criam anjos, outras muitas, demônios terríveis.
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Lua-de-mel! Misteriosos dias de suposta felicidade que seguem o mais importante acontecimento da vida dos jovens! Programa-se numa localidade distante um quarto em geral de hotel; motel, não (porque impressionaria mal os moradores do bairro e amigos dos conjugantes), um leito convidativo entre paredes imunes a bulhas e a vozes, com luzes abafadas para tornar tudo envolto numa penumbra crepuscular, um CD lânguido a musicalizar baixinho a alcova comprometida, criados mudos camaradas em sua mudez, pijamas perfumados e coloridos, talvez flores em algum canto propício, eis, em resumo, o que constitúi o supra-sumo de uma noite, da primeira noite de uma ansiosamente aguardada lua-de-mel.

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E os comparsas do sublimado acontecimento nupcial? Ele e ela?! A quantas anda a cobiça do moço? A quantas anda a timidez da jovem? Não adianta negar, mas para quem vai virgem a um ato tão especial, para quem foi educado na contenção familiar dos instintos, há sempre a indecisão, o medo, o desconhecimento, a possível decepção! Ou a dor, o pranto, a discordância! Diria eu, longe de Freud e caterva, que esse momento é crucial, é um “ultimatum”, um ato de guerra a dois, travada longe do mundo, longe dos olhos invejosos dos outros mortais, um gesto memorável, pois se trata, nada mais, nada menos, do que vencer a virgindade, entregar o corpo e alma ao domínio exigente dos instintos, para um futuro adiante, até que “a morte os separe”, reza-se ao pé do altar.

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Alerta-se o leitor, caso estas linhas tenham a felicidade de chegar até ele, que os jovens desta pequena história foram ensinados pelo escola dos tempos em que não se aprendia nada sobre essas coisas íntimas a que embora estamos todos sujeitos ou não um dia na vida. Os comparsas, pois, desta elucubração contística, não fugiram às regras do seu tempo, ou melhor, do seu ambiente. Nem por isso, entretanto, deixaram de receber, em grau disperso, em proporções mínimas, por meios desconexos, os ensinamentos contraditórios da tradição e do passado.
Há sempre alguém mais sabido, mais entendido, uma comadre novidadeira, uma colega ou um amigo avançados que insinuam aos futuros cônjuges formas e modos de destruir a finalidade primordial da união entre seres.
Fosse hoje, a parafernália de meios de comunicação, de escolas, de livros, de revistas, de jornais, de bocas-comadres, de exibição ao vivo em teatros a até em praias, onde se cultua o nudismo, ter-se-ia incumbido de ensinar aos nossos heróis luademelantes, como evitar traumas, dores, temores, desconfortos e tristezas, dando lugar soberano aos prazeres da carne, às alegrias, aos confortos, à beleza, primordiais condições para uma felicidade duradoura a dois, e, depois, quiçá, a mais que dois.
Chegara o momento da prática, empurrando para trás quaisquer teses e teorias. O momento era grandioso! Era glorificante!
- A camiseta, pediu Giselina...
- ?!?!?!?!?!
- A camiseta, repetiu a jovem, já corada ao máximo e encabulada com a ignorância do provável pai de seus filhos.
Jubialito, sob indícios de um valente suadouro, tímido e atrapalhado, corre até a mala de viagem, remexe-a nervosamente, e com ímpetos estranhos fuça de um lado, fuça de outro, descobre afinal a camiseta de ginástica que, por via das dúvidas decerto, a preventiva mãe envolvera entre os ternos e camisas para a primeira aventura conjugal do seu menino.

E com ar triunfante, bagas de suor agora rolando cara abaixo, o estreante marital içou, como um troféu, a camiseta, a solicitada camiseta, pela noiva ansiosa. Asas de felicidade esvoaçavam pela –– assim vista nesse sonhado momento –– alcova estufada de fantasias, de desejos, de possibilidades, de amor.

Era uma estranha figura humana aquela no recôndito de um quarto de hotel, empunhando como bandeira de vitória, leve e quase esvoante peça de roupa, rumo de uma longamente esperada conquista, numa hora em que o animalismo da espécie perde todas as noções da normalidade para enveredar por uma região totalmente desconhecida, onde encontrar, quem sabe, a ventura para o resto da vida, quando não o dissabor supremo do fracasso, do erro, do desprezo.

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Ao sabor da brisa gestada pela modernidade dos ventiladores, a camiseta erguida pelo mastro do braço, lembrava bem um lábaro daquela guerra de esqueletos aguardada por brancos lençóis, por cortinas de cambraia, por aquele céu adrede preparado para uma noite de amor, do primeiro amor.
Do outro lado, o exército formado de um único soldado, ou melhor, de uma única guerreira, não pareceu entusiasmado com a bandeira desfraldada. Surpresa, aborrecida, carranca terrível (sabem vocês o que é carranca de mulher ofendida e descontente?) Giselina repeliu o atacante estupefato, e prorrompeu num choro convulsivo abafado pela alvura dos travesseiros e gemeu:
- Não, tolinho, não é nada disso. É aquela coisa que evita a gravidez.
- ?!?!?!?!
Concluindo, pode o contista escrever que foi mais uma lua-de-mel fracassada. E fracassada, não porque houvessem faltado cenário, decisão, vontade, esperança, desejo. Fracassada por um simples erro de semântica gramatical, por uma troca singela de vocábulos, pelo uso indevido de um diminutivo substantivado.
Evidentemente sob o impacto da emoção, a noiva que (digo-o agora), não desejava a gravidez, e não estava ainda devidamente familiarizada com o uso dos termos da modernidade matrimonial, balbuciou “camiseta”, quando, nesse ponto culminante de sua vida, o certo e o que desejava mesmo era o outro diminutivo gramatical de camisa.

Coisas da educação sexual de hoje.

domingo, 19 de janeiro de 2014

MOMENTO CURTO


LinoVitti

Tento agarrar esse momento curto
De sossego, a fulgir, num intervalo
Deste humano sofrer, mas tão a furto,
Que me é quase impossível desfrutá-lo.

Fugaz instante, fugidio surto
De ventura o sorrir, e eu que vos falo
Nessa hora o padecer, parece, encurto,
E, de repente, um céu de luz escalo.

Vislumbre de relâmpago nas trevas
Do viver tempestuoso e em ventania,
Raio de sol por sob um céu que neva.

Gota melíflua a adocicar de leve
O oceano de amargura que inebria

Por inteiro o fugir da vida breve.

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Aniversário do Príncipe


Pai, Sogro e Vô

               Mais uma primavera se passou e graças à Deus ainda podemos comemorá-la com vocês.
                Nossa família "sertaneja" está muito feliz  em poder compartilhar este dia. O dia em que, há 94 anos atrás, você veio ao mundo como todo bebê comum, porém, muito especial para nós, pois sem ele nós nunca estaríamos aqui.
                 A vida é um "dom de Deus" e a família "uma graça divina".
                 Agradecemos por termos uma família tão maravilhosa, num mundo onde só se fala em dificuldades, desemprego, brigas entre pais ,filhos, esposas e maridos, destruição de lares, etc.   
                É uma pena estarmos tão longe e não podermos compartilhar este dia com uma grande festa, mas o que importa é que estamos com vocês em nossos corações.

                Parabéns por este dia e vamos "torcer pelo Brasil", em mais uma copa do mundo...
               
                                                  TE AMAMOS !
 
                                            TATU, NAIA, BRUNO E FLÁVIA

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

ÚLTIMO PÉ DE CAFÉ


Lino Vitti

Dos milhões e milhões que estendiam-se, até
Na distância sem fim, perderem-se de vista,
Restas somente tu, velho pé de café,
Escapando do tempo à voragem egoísta.

Recordo (e ao recordar minha alma se contrista)
Que imensos cafezais! Só tu ficaste em pé,
Como um último herói de uma épica conquista
Que, se foi realidade, um sonho apenas é!

Da cafeeira invasão, derradeiro vivente,
Atestando o esplendor de um passado recente
Onde, em torrentes de ouro, a riqueza correu!

Os teus ramos em flor têm tristezas sem conta.
E quando rubros grãos os cobrem, ponta a ponta,

São lágrimas de sangue e saudades, penso eu.

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

DO MEU ESCRITÓRIO

LinoVitti

Pela janela do escritório espio
A primavera que aos sorrisos anda
Pondo flores por tudo: - na varanda
Vizinha, nos quintais, à beira-rio.

Entre as copas de um verde luzidio
Bole uma aragem aromal e branda.
No mar do espaço - plágio de navio -
Erra uma nuvem floconosa e panda.

Por onde quer que corra o olhar ansioso
Em motivos de júbilos esbarra
Deixando n'alma um bem-estar gostoso.

Porém, certa tristeza me quebranta
Se, repentinamente, uma cigarra
Sob a glória do sol, magoada, canta.


terça-feira, 7 de janeiro de 2014

ESTRANHOS “FERIADOS”


Lino Vitti

Inserimos no título deste trabalho o termo “feriado”, mas na verdade deveria ter eu escrito “facultativo”, pois são estes que merecem o adjetivo “estranhos”, por não terem caráter de feriado mas serem comemorados como tais, de modo especial pelos serviços públicos do país, com mais assiduidade e de fato pelos estaduais e municipais.
Não sei o que levou à adoção desse fenômeno estatutário do “ponto facultativo”, nem por quem por primeiro foi aberta essa estapafúrdia porteira de se decretar o fechamento de repartições públicas sem existir causa importante e abrangente para tanto! Temos a convicção de que tal procedimento devera ter surgido em algum período ditatorial, desses muitos que de quando em quando sacodem os alicerces da nação, umas vezes prenhes de justificativas, outras, nem tanto. Tempos houve em que todos os poderes institucionais decretavam “facultativo”, hoje, porém, verifica-se que tal distorção é praticada em maior escala pelos Municípios, onde é fácil a um prefeito atender pedidos do funcionalismo para que institua tantos quantos “facultativos” dos dias que precedem ou sucedem os próprios dias feriados, sábados ou domingos, sem que haja a motivação de uma causa justa, uma data significativa ou uma necessidade funcional que a isso obriguem ou recomendem.
Diz-me o “Grande Dicionário de Sinônimos e Antônimos de Osmar Barbosa, edição EDIOURO, que “facultar” é conceder, facilitar, proporcionar e que “facultativo” seria , arbitrário e não obrigatório. Estão aí pois definições explicativas do que venha a ser o caso dos decretados facultativos no serviço público, com destaque para os municipais, uma coisa não obrigatória, uma coisa arbitrária, algo facilitado, algo proporcionado, diria até que por puro diletantismo, de vez que se observa que na maioria dos casos criam-se facultativos com a única finalidade de “proporcionar” ao funcionalismo uma oportunidade de emendar, antecendente ou posteriormente, dias realmente de descanso obrigatório ( sábados, domingos e feriados) com outros arbitrários, isto é, decretados ao talante da inexistência de uma causa de monta qualquer.
Que mal há nisso, poderá interrogar alguém? Mal, mal, na verdade, existe segundo as necessidades de cada cidadão, no seu relacionamento com os poderes públicos e segundo os seus interesses de cidadania. Todos temos compromissos com as repartições municipais, como igualmente compromissos têm as mesmas e seus servidores para com   os concidadãos. São compromissos e obrigações inalienáveis, muitas vezes inadiáveis, muitas vezes passíveis de encarecimento maior, e como é aborrecedor quando cioso de seu dever, ao procurar as repartições municipais para o cumprimento desses deveres, você, cidadão, topa com a portas fechadas, porque é dia “facultativo”, que antecede ou sucede outro dia feriado de lei, acontece ou sucede o Carnaval, a Páscoa, o 7 de Setembro, o 1º de Maio, o 1º de Agosto, etc. etc. ou mesmo, uma data ou acontecimento qualquer adveniente fora do contexto legal e constitucional estabelecidos.
O pior na história é que se tenta encobrir o sol com a peneira, e contrariando as normas estatutárias ou não, se estabelece um regime de compensação do tempo perdido com o facultativo, obrigando-se os servidores, favoráveis ou não às famosas folgas intercaladas, a acompanharem as mudanças de entrada e saída do serviço para repor as horas roubadas do povo pela “folga” anormal decretada sem motivo de maior importância, pelo contrário, sem importância qualquer.
E depois, sujeito a tantas paradas, o serviço público decerto titubeia e se desorganiza, caso em que vem o socorro irregular das horas extraordinárias, pagas pela arrecadação de tributos, vale dizer, pelo bolso dos cidadãos, objeto aliás de tantas reclamações que lemos na imprensa e também são motivo de aborrecimento popular.
De minha parte, tenho a impressão de que o tal de “Ponto Facultativo” foi defenestrado da legislação nacional. E se assim for, por que continuar-se a arranjar tantos facultativos (arbitrariedade!) intercalados a um outro feriado que recaiam na terça-feira, quinta-feira, terça-feira de Carnaval, em sexta-feira da Semana Santa, e por aí, no rol de dias marcados em vermelho pelas tradicionais folhinhas? Onde a lei que assim determina? Onde a necessidade administrativa que assim o exija.
Poderá estranhar-se que eu, inativo municipal aposentado, venha a me insurgir contra isso. É que há facultativos que propiciam a possibilidade de o serviço público parar por 5 ou 6 dias consecutivos, o que decerto deve aborrecer também qualquer funcionário público, obrigado a espairecer em casa tantos dias para preencher o tempo de folga tão alongada, sabido ainda que é terem todos 30 dias de férias consecutivas, licenças-prêmio, sábados, domingos e feriados federais, estaduais e  municipais em que gozam do direito legal de não trabalhar.
E o contribuinte como é que fica?


sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

FIM-DE-ANO

Jair Vitti

 Comes e bebes, festas por todos os lados, um desperdício incalculável.
As farmácias que o digam, o consumo de Engov, Sal de frutas e injeções de Xantinon. 
Imaginem só: um indivíduo está acostumado a se alimentar com arroz e feijão, alimento  básico de todos os dias, de repente nessas festas muda-se a rotina, em primeiro lugar o  horário, em segundo troca-se o arroz pelo churrasco e outras carnes, e o pior que antes  disso tudo, até ficarem prontas essas carnes, o sujeito vai tomando uns goles de cerveja. Essa  tal mudança de alimentação, é lógico que o nosso organismo vai chiar, no momento é  gostoso aquela cerveja, aquele chope que desce redondo mas, no dia seguinte é um  horror, uma calamidade em nosso corpo.
A fumaça do carvão que é usado para assar a carne, já foi confirmado, é um veneno; num ambiente fechado esta fumaça pode até  provocar a morte. Será que vale a pena exagerar na comida nesses dias de festa para  depois passar mal uma semana? Cada um faz o que quer mas não venha me dizer que se  o sujeito tomar uma dúzia de cerveja não vai sentir  nada, não há corpo que aguente e os  pronto-socorros não vencem atender a super lotação de gente com mal-estar. 
Os médicos enfermeiros já conhecedores sabem o remédio: em primeiro lugar: Xantinon, em segundo aqueles comprimidos costumeiros, e o sujeito está  pronto pra  outra.



O LAVRADOR


Lino Vitti

Mal o dia pintor, caprichoso, pincela
Com frisos de ouro em pó, as barras do levante;
E - músico - vai pondo em cada alada goela
Um guizo de metal, tinindo, tilintante,

Lá sai o lavrador para a lavoura; bela
Se lhe desdobra aos pés a messe lourejante...
Entretanto está triste e chora diante dela,
E atira a enxada amiga ao chão, febricitante.

O sol que agora surge é uma bênção divina...
"Mas que vale a colheita (ele pensa), se o sangue
Lhe suga brutalmente e as carnes lhe assassina?!

E contemplando as mãos agrestes e calosas,
A enxada posta ao lado, o lavrador exangue
Cai de joelhos ao chão, em lágrimas copiosas.


 

PRÍNCIPE DOS POETAS DE PIRACICABA

CURRICULUM VITAE
( Síntese de Vida)
NOME – Lino Vitti
IDADE – 08/02/1920
ESTADO CIVIL – Casado, em únicas núpcias, há 56 anos, com a Professora Dorayrthes Silber Schmidt Vitti
FILIAÇÃO – José e Angelina Vitti
NATURALIDADE – Piracicaba, Estado de São Paulo –Brasil
Bairro Santana , Distrito de Vila Rezende
VIDA FAMILIAR
Casamento Civil e Religioso em comunhão de bens, Pai de sete filhos: Ângela Antónia, Dorinha Miriam, Rosa Maria, Fabíola , Lina, Rita de Cássia, Eustáquio.
VIDA PROFISSIONAL
Aposentado como Diretor Administrativo da Câmara de Vereadores de Piracicaba, e como Redator do “Jornal de Piracicaba”. Exerceu atividades no comércio, no Magistério, na lavoura até os l3 anos, na municipalidade local, como bibliotecário, lançador de impostos, protocolista, Secretário Municipal.

VIDA CULTURAL
ESCOLA PRIMÁRIA –
Grupo Escolar “Dr. Samuel de Castro Neves”, Santana, seminarista vocacional ao sacerdócio por seis anos, no Colégio Santa Cruz, da cidade de Rio Claro (SP), onde cursou humanidades, línguas, religião, ciências, matemáticas, música.
CURSOS –
Formou-se Técnico em Contabilidade, lecionou latim, francês, datilografia.

VIDA RELIGIOSA
Católico, Apostólico, Romano, fez curso de religião em seminário dos Padres Estigmatinos, foi organista da Catedral e da Igreja de São Benedito, de Piracicaba, e Congregado Mariano.
VIDA LITERÁRIA
Bafejado por ensinamentos de sábios sacerdotes em colégio de formação religiosa, recebeu extraordinário acervo literário que lhe propiciou enveredar pelo caminho da poesia, da crônica, dos contos, do jornalismo, havendo editado de l959 a 200l sete livros de poesias e contos, com edições em milheiros de volumes, os quais estão aí para satisfazer o gosto daqueles que apreciam a arte literária.
São seus livros : “Abre-te, Sésamo”, l959; “Alma Desnuda”, l988; “A Piracicaba, Minha Terra”, l99l; “Sinfonia Poética”, de parceria com o poeta Frei Timóteo de Porangaba; “Plantando Contos, Colhendo Rimas”, l992; “Sonetos Mais Amados”, l996 e “Antes que as Estrelas brilhem”, 200l. O poeta conta ainda com o prazer de haver composto hinos para diversos municípios, bairros rurais, entidades sociais diversas, continuando a colaborar ainda, após os 83 anos em colunas literárias e com artigos de ordem geral em jornais da terra.
Faz parte da Academia Piracicabana de Letras que lhe outorgou o título honorífico de “PRÍNCIPE DOS POETAS DE PIRACICABA’.
Foi-lhe concedida Pelo Município de Piracicaba, através de sua Secretaria da Ação Cultural, a MEDALHA DE MÉRITO CULTURAL, “ Prof. OLÊNIO DE ARRUDA VEIGA’; é detentor do TROFÉU IMPRENSA, concedido pelo Lions Clube de Piracicaba, centro, e da MEDALHA ITALIANA, concedida pelo governo italiano de Benito Mussolini aos alunos de escolas e seminários de origem daquele país que tivessem se destacado em redação de trabalhos literários escritos na língua de Dante.
O Município de Saltinho, para o qual contribuiu com o Hino dessa comunidade municipal , conferiu-lhe o título de “Cidadão Saltinhense”.

DISCURSO

Por ocasião do lançamento do livro de poesias “Antes que as estrelas brilhem “, pelo poeta Lino Vitti foi proferido o seguinte discursos:

Exmo. Sr. Heitor Gauadenci Jr. dd Secretário da Ação Cultural

Exmo. sr. António Osvaldo Storel. dd. Presidente da Câmara de

Vereadores de Piracicaba

Exmo.sr. Moacyr Camponez do Brasil Sobrinho, dd. Presidente do Instituto Histórico e Geográfico

Exmo,. sr. Henrique Cocenza, dd. Presidente da Academia Piracicabana de Letras

Exmo.. Sr. Ésio Pezzato , anfitrião desta solenidade

Senhoras e Senhores

Pela sétima vez (graças a Deus) em minha vida lítero-poética vejo-me guindado a uma tribuna improvisada (o que é bom porque torna o fato mais popular), para proferir um discurso de agradecimento, ao lado da oferta de um novo livro de versos. É teimosia essa de poetas em desovar sua produção para que mais gente participe de suas tiradas, muitas vezes fora de forma e de ambiente, mas que o poeta não vê porque , ao editar um novo livro está cego pela emoção , como se fosse a vez primeira. Está aí o Ésio Pezzato, responsável por mais esta minha invasão no mundo das letras poéticas, para dizer se não é assim. Para dizer se não sofre também dessa doença feliz de editar livros e mais livros a ponto de perder a conta, já que a esta altura ele não sabe se já está no décimo ou décimo primeiro. E ainda continua batendo dedos de métrica, sabemos lá por quantos anos ainda !

Tenho um ex-colega de seminário, prof. Hildebrando André, aposentado como professor universitário e com o qual mantenho longa e pródiga correspondência, que não se cansa de enaltecer a felicidade de Piracicaba contar com tantos poetas e poetisas. Tem razão ele, pois se apenas dois deles já conseguiram editar l8 livros de poesia, imagine-se as centenas que seriam necessárias para dar um pouco de vazão a essa raridade intelectual que toma conta da minha terra!

Este meu livro vem à lume por obra e arte do prefeito José Machado , seu Secretário da Ação Cultural e de seu zeloso servidor Ésio Pezzato que se entusiasmaram diante da recitação de diversos poemas meus por um grupo de jograis, alunos da UNIMEP, e impressionados decidiram patrocinar a publicação deste livro, pois entenderam que Piracicaba poética merecia conhecer em mais profundidade o seu príncipe da poesia. E aí está, lindo e impecável, entregue às mãos do povo de Piracicaba, que indistintamente de cor, estudos, intelectualização , posses financeiras, categoria de trabalho, com religião ou agnóstico, jovem ou adulto, roceiro ou citadino, aí está, para quiçá, momentos de lazer e sonho. Sonho , sim, porque a poesia é terrivelmente sonhativa , vive no mundo da fantasia, alicerça-se nas bases da emoção e brota do âmago mais profundo do poeta, e para que as filhas de Eva não reclamem, da poetisa também.

Alguém me perguntará? Como é ser poeta? Juro, nunca pensei nisso. Acho que ninguém consegue ser poeta. Já é. Nasce feito, como dizem.

não é verdade Maria Cecilia, Ivana Maria, Ésio Pezzato , Prata Gregolim, Marina Rolim, Valter Vitti, Mario Pires, Saconi, e tutti quanti enfeitam com seus lindos versos as páginas do “ Jornal de Piracicaba, ou da “Tribuna Piracicabana , e assim também esse cacho imenso de livros poéticos que quase semanalmente são dados ao conhecimento e sentimento público de nossa terra ? Tornando-se um privilégio de uma cidade, como disse alhures o supra citado meu colega seminarístico Hildebrando André. ?

Não se suponha que para ser poeta é preciso ter nascido em berço de ouro ou em centros intelectuais de enorme repercussão. Nada disso. Tenho um soneto que define bem esse fato. É assim: “Eu não sou o poeta dos salões / de ondeante, basta e negra cabeleira] não me hás de ver nos olhos alusões / de vigílias, de dor e de canseiras. // Não trago o pensamento em convulsões,/ de candentes imagens, a fogueira. / não sou o gênio que talvez supões/ e não levo acadêmica bandeira.// Distribuo os meus versos em moedas/ que pouco a pouco na tua alma hospedas / - raros , como as esmolas de quem passa. / Mas hei de me sentir feliz um dia/ quando vier alguém render-me graça/ por o fazer ricaço de poesia. // “ . Poetas e poetisas saem do nada , devem trazer o selo ou o bilhete de entrada nesse reino encantado desde o útero materno, embora ouse eu afirmar que a vida é também uma grande mestra , as influências da mentalidade circunvizinha,

o próprio meio ambiente, podem , em circunstâncias outras , plasmar um poeta .

Eu fui plasmado , por exemplo, por entre maravilhas campestres. A roça ou o campo são fantásticos criadores de poesia. Ela anda atapetando por todos os cantos a natureza, as gentes, os animais, os atos e fatos. e a cabeça daqueles com quem ela convive. E o poeta, criador por excelência, se abebera de todas as belezas esparsas pelas colinas, serras, vales e descampados , para transformar tudo em versos e rimas, ou em versos simplesmente, onde pululam , como cabritos silvestres, as figuras literárias, os tropos, as sínteses, as comparações, e todos os anseios que lhe vão no imo da alma. Para satisfação própria e para satisfação dos que convivem com o poeta. E´ por isso que se botardes olhos curiosos sobre meus poemas havereis de tropeçar a todo o momento com um motivo roceiro, pois trago uma alma plasmada pelas belezas rurais de Santana, Santa Olímpia , Fazenda Negri, e especialmente por aquela colina encimada ,no cocuruto, pelo prédio do grupo escolar, onde aprendi a ler e escrever e a poetar.

Peço desculpas por haver-me prolongado um pouco nestas elucubrações poéticas, desobedecendo aos conselhos do amigo Ésio que continua exigindo de mim discursos improvisados, o que seria tão para os ouvintes , que ansiosamente aguardam o momento de bater palmas acabando assim com a verborragia oratória.

Não posso entretanto encerrar esta breve alocução sem deixar consignados meus agradecimentos do fundo do coração ao prefeito José Machado ,ao seu Secretário da Ação Cultural Heitor Gaudenci Junior, ao seu sub-secretário poeta Ésio Pezzato, ao prefaciador Moacyr de Oliveira Camponez do Brasil sobrinho, aos queridos opinadores Maria Cecília Bonachella, Maria Ivana França de Negri, exímias poetisas, prof. Elias Salum e a minha filha Universitária Fabíola Vitti Moro, pela maravilhosa capa, Editores e toda equipe de funcionários , à minha esposa pela sugestão transmitida ao prefeito com relação ao advento desta obra, aos digitadores Nair , minha nora e neto Leonardo, e outros que possa ter esquecido, como é fácil em cachola idosa, - meus agradecimentos repito, pela reunião de esforços e trabalho que tornaram possível o advento de mais um livro de minha lavra.

Obrigado “ em geralmente” como dizem nossos cururueiros, aos que ilustraram com sua arte musical esta solenidade e assim também a todos quantos acharam um tempinho para vir prestigiar-me nesta tarefa de cultura e arte. Levem a certeza de que nada mais desejo do que engrandecer com minha poesia a terra que me viu nascer, a terra que me viu crescer, a terra que me proporcionou oportunidade para chegar a um cargo tão nobre quão dignificante de “Príncipe dos Poetas de Piracicaba”

Meu carinhoso obrigado também aos meios de comunicação, de modo especial “Jornal de Piracicaba”, na pessoa de seu Editor Chefe Joacyr Cury , de “A Tribuna Piracicabana”, na de seu diretor Evaldo Vicente, pela divulgação caprichosa deste evento que afinal nada mais é do que mais uma demonstração da exuberância cultural da Noiva da Colina.

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