Lino Vitti - Príncipe dos Poetas Piracicabanos

Lino Vitti - Príncipe dos Poetas Piracicabanos
Lino Vitti- Príncipe dos Poetas Piracicabanos

O Príncipe e sua esposa, professora Dorayrthes S. S. Vitti

Casamento

Casamento

Bodas de Prata

Bodas de Prata

Lino Vitti e seus pais

Lino Vitti e seus pais

Lino Vitti e seus vários livros

Lino Vitti e seus vários livros
Lino Vitti e seus vários livros

Bisneta Alice

Bisneta Alice
BISNETA ALICE

Seguidores

.

O Príncipe agradece a visita e os comentários

60 anos de Poesia


sábado, 27 de abril de 2013

Origami - Exposição Jardim Sensorial - contemplando deficientes visuais


Origamis de Dorinha Vitti Kennedy no Jardim Sensorial no Museu da ESALQ, durante o lançamento do livro infantil em Braille "Quatro Contos em Quatro Cantos" das autoras : Carmen Pilotto, Ivana Negri, Leda Coletti e Maria Emília Redi
Dorinha Vitti e Mariana de Negri
Peixinhos de Origami representando o rio

quarta-feira, 24 de abril de 2013

A VOZ DO OCASO



Lino Vitti

No ingrato caminhar de toda uma existência
muita alegria vai ficando para trás.
Os prazeres da infância, os cantos da inocência,
os momentos de guerra, as delícias da paz.

São os dias azuis, as noites, por coerência,
têm estrelas demais, tantas o espaço traz!
E a mocidade após, poço de inconsequência,
em rubro estrelejar de ilusões se desfaz.

Conversam entre si o amanhecer e a tarde,
a infância corriqueira e a velhice dorida,
em discursos joviais ou vozes sem alarde.

O que escuto porém – palavra fementida –
é a triste afirmação tresloucada e covarde
do diálogo outonal do poente da vida.

sábado, 20 de abril de 2013

POR QUE PRÍNCIPE DOS POETAS?


                       

                                                                    Lino Vitti

         Francamente eu não sei, embora desconfie,  quais as razões do honroso título que carrego, aliás com orgulho e alegria, ate que a Musa que me elegeu seu representante, resolva arrebatá-lo de minhas mãos que o seguram com todas as forças da honra e do merecimento por que às minhas mãos chegou.
         Sei que é verdadeiro e meritório porque tenho pendurado à parede de entrada de minha casa, um quadro  que diz: “A Academia Piracicabana de Letras outorga o título vitalício  de Príncipe dos Poetas Piracicabanos, concedido a LINO VITTI , registrado no Livro 2, a fls.78, Piracicaba SP. 27 de janeiro de 1994. Assinatura Presidente  e Tesoureiro, ilegíveis, mas sei que eram Juiz de Direito e Promotor Público e Secretário: “o saudoso” Adriano Nogueira.” Alguém pode duvidar? Ou menosprezar?
         Pelo sim, pelo não carrego-o com a dignidade e honorabilidade que merece, conservo-o com orgulho piracicabano de homem de letras, procuro enaltecê-lo em todas as oportunidades,  e quero transmiti-lo a quem condignamente também o mereça, puro e íntegro,  pois é um valor piracicabano inamovível, enorme, glorioso e expoente da cultura poética e literária de Piracicaba.
         Sou poeta desde os dias de infância, pois lembro que muitas vezes, na roça onde nasci e vivi dias maravilhosos, surpreendia-me a contemplar o céu, o amanhecer, o entardecer, o luar, as árvores, os horizontes, a escola, os professores, os colegas, uma flor, um ninho, um filhote, tudo envolto num halo de beleza e encantamento, como se tudo aquilo houvera sido oferecido por Deus, para o  meu sonhar.  E como que para  formatizar esse encantamento, era escalado sempre e em todas as festas de fim de ano para recitar poesias, recebendo incentivo e aplausos. Eu acho que a poesia nasceu na roça e se transplantou também para a cidade, pois ela vai para onde vai o coração do poeta. E se lá é a poesia contemplativa e declamativa, na cidade ela banca as páginas de jornais e às vezes é tanta que se apraz juntar em páginas múltiplas para formar um livro, aspiração de todo e qualquer vate engajado realmente nos versos e rimas.
         A felicidade de ser poeta se concretizou com a outra felicidade, qual a de haver encontrado apoio e crítica amigável nos jornais da terra piracicabana ocupados por intelectuais brilhantes e condignos, conhecedores das maravilhas da poesia por qualquer forma, antiga ou moderna em que ela se manifeste. E de mérito em mérito fui levado à aspiração do livro e hoje conto com 7 deles onde encarcerei minha poesia de todos os tempos, não só para que não se perdesse ao longo da via-crucis da vida, mas para que chegasse às mãos e ao conhecimento de todos quantos se dedicam a essa arte imortal de poetar, encontrando centenas e  centenas de poetas e poetisas que florescem nesse jardim de sonhos e rimas que é a poesia em larga escola cultivada pelos piracicabanos, poetas e poetisas que se podem dar por felizes, pois encontraram jornalistas e donos de jornais também poetas, que os presentearam com suas páginas para que a poesia piracicabana viva dia a dia, sempre e feliz.
         Considero-me, com Losso Netto e Otaviano de Assis (Jornal e Diário de Piracicaba) o introdutor da poesia em Piracicaba, daí o me sentir realizado ao receber das mãos da Academia Pìracicabana  de Letras o dignificante título de Príncipe dos Poetas Piracicabanos, nada mais do que o reconhecimento da Poesia de Piracicaba que floresce perfumadamente rimada ou não, num jardim maravilhoso de arte e cultura, deixando poetas e poetisas aptos a fazer jus ao próximo titulo de Príncipe dos Poetas Piracicabanos.           

quarta-feira, 17 de abril de 2013

A NASCENTE



Lino Vitti

A princípio uma gota que destila,
clara e terna, beijada pela sombra.
Vai tateando risonha pela alfombra,
nem um raio de sol no chão cintila.

Desperta pela encosta e vai tranquila
mas em breve ela cresce e logo assombra,
dessedenta a paisagem, desassombra,
e repousa num lago junto à vila.

Amor – gotas que brotam no imo jovem,
dentro em pouco porém em penca chovem,
viram torrente dentro da alma humana.

Coração é nascente que borbulha,
em pouco é lago fundo em que se atulha
um oceano de amor que dele emana.

sábado, 13 de abril de 2013

BALADA DO SOL



                                                                       Lino Vitti
            Os dorminhocos não sabem que é o nascer do sol, em outras palavras “o amanhecer”, pois quando deixam a tentação da fofa cama o astro-rei já vai alto, já acordou a vida do campo e da cidade, daqueles que trabalham quer na lavoura, quer na urbe, e perde, certamente as belezas do espetáculo matinal que nos traz de volta a luz do dia e o retorno da vida que desperta, atarefando homens e natureza no aproveitamento dessa dádiva, criada por Deus quando decidiu brindar a criatura com o espancamento da escuridão noturna, ou melhor, com o alijamento das trevas, substituindo-a com o brilho diurno.
            Ah! como é querido o sol, como tudo o aguarda para amá-lo durante 12 horas. Os pássaros cantam, as aves domésticas cacarejam, os animais mugem ou rugem, o céu se expande, e a humanidade se alegra e sorri para mais um  dia de vida e ... felicidade, quiçá. Há “bom dia” por todos os cantos em que as pessoas transitam e se encontram, todos felizes por desfrutarem de novo desse anseio universal de viver mais um dia, podendo ver ainda o sol pelo céu azul e dizer “obrigado, meu Deus”.
            O poetas, esses senhores que se intrometem no mundo da fantasia com estrofes e rimas, adoram receber cada manhã, podendo dizer ao dia: seja bem-vindo, e não esqueça de nos trazer mais belezas e mais amor. E não deixa de dedicar ao surgir do novo dia o seu poema, como o faz abaixo este poeta caipira, vindo da roça, das plagas santanenses do município piracicabano, teimoso distribuidor de pobres sonetos ou desconexas crônicas e poemas como adiante se pode ler:

                                   BALADA DO SOL
                                                           Lino Vitti

Fonte imensa de luz e de calor                 
Quem te deu tanta força e brilho tanto? 
Donde vem tanta vida e tanto ardor,      
Tanta sublimidade e tanto encanto?
Girassol do infinito no esplendor 
Azulado de um céu que causa espanto!
Bendito sol que chamas e despertas,
Tua luz é a mais bela das ofertas.         


Quando acorda a manhã o teu fulgor      
Douras a tudo em teu festivo manto.         
As florestas açulam seu verdor                
E fustiga dos pássaros o canto.        
Sacode o vale o noturnal terror,                      
Sacode o monte o noturnal quebranto.    
Bebem as plantações gotas incertas          
Gotas de orvalho a reluzir espertas.

Sol matinal,esplêndido condor,
Dominando o universo sacrossanto,
Amando com teu raio o inseto e flor,
Com sublime e magnífico acalanto.
Que deixa a maravilha do sol-pôr                                                                      
Quebrada de saudades e de pranto.
De manhã, quando surges, nos libertas,                                                           
Ò sol, das sombras lúgubres e incertas

OFERTA
Vem, ó sol, vem que estão todas abertas
As janelas da vida, és benfeitor.
Tuas luzes benéficas e certas
São alívios, eu sei, à humana dor.

terça-feira, 9 de abril de 2013

CICATRIZES.., CICATRIZES...



                                      Lino Vitti

                   Que é isso – amigo  poeta – desejará saber decerto algum dos pacientes leitores, pacientes acompanhantes destas infindáveis crônicas por cuja leitura  lhes roubo algum tempo precioso da trabalhosa mas serena motivação de vida de cada um? Acaso não vê o teimoso e velhusco vate que anos e anos a fio botando escrevinhações cronísticas nas páginas de um semanário  onde brilha a pena (ou melhor o teclado computadorizante) de escolhidos e valorosos escritores – não vê, repito – que o assinante sábio do jornal paulino já cansou e anseia por coisas novas, assuntos do dia, estilo valioso?
                   Total razão a você, distinto amigo leitor, mas você sabe que poetas e escritores e redatores jornalísticos sofrem de uma coceirinha lá dentro da cabeça que necessitam coçar para poder expungi-la  e assim tranquilizar um pouco a “disgramada” mania do uso sem fim  dessas milagrosas teclas que registram, materialmente, o que cerebrinamente lhes invade essa bola movediça  sobre os ombros, jovens ou velhos,  e com que dão vazão  às próprias ideias, pensamentos e criações intelectuais?
                   Por isso estou aqui (desculpa-me) mais uma vez a  tecer desconexos pensamentos sobre o que botei lá no cimo da escrita, sintetizado no substantivo “cicatrizes”? E lhes peço mais uma pequena dose de paciência por talvez os aborrecer. E lá está o termo a pedir logo explicações, pois o espaço jornalístico tem pedaços que a outros pertence e deve ser respeitado.
                   “Cicatrizes!!!” Há aquelas que se manifestam por fora da personalidade humana e há aquelas que se aboletam dentro, no silêncio de cada um, pois elas indicam sempre algo que morou na alma ou no coração.  Alma e coração ficam feridos pela dor, pelo luto, pelo esquecimento, pelo desprezo, deixando-os imersos, ao passar da vida, em mágoas, ressentimentos, ódios, vinganças e que, depois de fugir como indesejáveis, assinalam profundas e irremovíveis cicatrizes, e qual tufão, deixam marcas de sua terrível passagem   devassadora do amor, da caridade, da justiça, dos sonhos, da esperança. Felizmente as machucaduras espirituais e ,às vezes, físicas, se vão e com elas vem o esquecimento para apagá-las, nada mais restando que cinzas esvoaçantes.
          O poeta – essa mentalidade xereta que se mete em todos os assuntos individuais e universais – num momento de divagação de sua fantasia -  teve momento em que foi tocado por esse tema literário, muito em voga no mundo humano e o inseriu entre suas estrofes e rimas, como este que segue:

                           CICATRIZES
                                 Lino Vitti
                   (Inspirado em e.mail enviado pela poetisa Ivana Maria)

         O mundo é todo cheio de infelizes
         Atacados de dor e de maldade.       
         Mas também outros há muito felizes
         Cultivando lembranças e saudades.

         Em muitos corações há cicatrizes
         Vindas de sonhos, de infelicidade.
         Em muita vida entanto vi raízes
         De muito amor, de amor em quantidade.   

         A cada passo, em cada olhar humano,
         Em cada rosto, um misterioso arcano,
         Cada sorriso sufocando a dor.

         Vejo que existe um pouco de ventura
         Coragem de viver que mais se apura
         Em busca de ser bom e todo amor.

sábado, 6 de abril de 2013

PASSOS DERRADEIROS



Lino Vitti

Finda é a jornada! O sol poente já descamba
amortalhando tudo em trevas sem retorno.
Apaga-se o calor dos dias feitos samba,
esfria a grande luz qual apagado forno,

Do sol não vejo mais a lúcida caçamba
subir, descer, em frívolo transtorno.
Tudo se transformou em feia corda-bamba,
e deixou de fulgir qual fulge rico adorno.

Os passos, me parece, estão presos ao solo
e não converso mais, a língua antes engrolo,
para todos, fatal, é a chegada do fim..

Inconformado, entanto, o meu final aguardo,
como dos homens fosse um cara felizardo,
como se o fim jamais chegasse para mim.

terça-feira, 2 de abril de 2013

CRER NA VIDA



Lino Vitti

Foi-me o tempo seguir visões fugazes
em louco renovar milagres de esperança.
Perseguindo o prazer, qual fazem os rapazes,
senti que do prazer a posse também cansa.

Nunca tive o aconchego da abastança,
nem o brilho vulgar que se vê nos cartazes.
Se prisioneiro fui de estranhas “alcatrazes”,
gozei da liberdade auroras de bonança.

Vi que o tempo é tão bom, é vão, é aborrecido,
nos dá mais sacrifício que alegria
e que sofrer assim não vale muito a pena.

Vi que sem uma fé o tempo é sem sentido,
o viver deste mundo uma ilusão seria,
uma esperança vã que ao longe nos acena.

PRÍNCIPE DOS POETAS DE PIRACICABA

CURRICULUM VITAE
( Síntese de Vida)
NOME – Lino Vitti
IDADE – 08/02/1920
ESTADO CIVIL – Casado, em únicas núpcias, há 56 anos, com a Professora Dorayrthes Silber Schmidt Vitti
FILIAÇÃO – José e Angelina Vitti
NATURALIDADE – Piracicaba, Estado de São Paulo –Brasil
Bairro Santana , Distrito de Vila Rezende
VIDA FAMILIAR
Casamento Civil e Religioso em comunhão de bens, Pai de sete filhos: Ângela Antónia, Dorinha Miriam, Rosa Maria, Fabíola , Lina, Rita de Cássia, Eustáquio.
VIDA PROFISSIONAL
Aposentado como Diretor Administrativo da Câmara de Vereadores de Piracicaba, e como Redator do “Jornal de Piracicaba”. Exerceu atividades no comércio, no Magistério, na lavoura até os l3 anos, na municipalidade local, como bibliotecário, lançador de impostos, protocolista, Secretário Municipal.

VIDA CULTURAL
ESCOLA PRIMÁRIA –
Grupo Escolar “Dr. Samuel de Castro Neves”, Santana, seminarista vocacional ao sacerdócio por seis anos, no Colégio Santa Cruz, da cidade de Rio Claro (SP), onde cursou humanidades, línguas, religião, ciências, matemáticas, música.
CURSOS –
Formou-se Técnico em Contabilidade, lecionou latim, francês, datilografia.

VIDA RELIGIOSA
Católico, Apostólico, Romano, fez curso de religião em seminário dos Padres Estigmatinos, foi organista da Catedral e da Igreja de São Benedito, de Piracicaba, e Congregado Mariano.
VIDA LITERÁRIA
Bafejado por ensinamentos de sábios sacerdotes em colégio de formação religiosa, recebeu extraordinário acervo literário que lhe propiciou enveredar pelo caminho da poesia, da crônica, dos contos, do jornalismo, havendo editado de l959 a 200l sete livros de poesias e contos, com edições em milheiros de volumes, os quais estão aí para satisfazer o gosto daqueles que apreciam a arte literária.
São seus livros : “Abre-te, Sésamo”, l959; “Alma Desnuda”, l988; “A Piracicaba, Minha Terra”, l99l; “Sinfonia Poética”, de parceria com o poeta Frei Timóteo de Porangaba; “Plantando Contos, Colhendo Rimas”, l992; “Sonetos Mais Amados”, l996 e “Antes que as Estrelas brilhem”, 200l. O poeta conta ainda com o prazer de haver composto hinos para diversos municípios, bairros rurais, entidades sociais diversas, continuando a colaborar ainda, após os 83 anos em colunas literárias e com artigos de ordem geral em jornais da terra.
Faz parte da Academia Piracicabana de Letras que lhe outorgou o título honorífico de “PRÍNCIPE DOS POETAS DE PIRACICABA’.
Foi-lhe concedida Pelo Município de Piracicaba, através de sua Secretaria da Ação Cultural, a MEDALHA DE MÉRITO CULTURAL, “ Prof. OLÊNIO DE ARRUDA VEIGA’; é detentor do TROFÉU IMPRENSA, concedido pelo Lions Clube de Piracicaba, centro, e da MEDALHA ITALIANA, concedida pelo governo italiano de Benito Mussolini aos alunos de escolas e seminários de origem daquele país que tivessem se destacado em redação de trabalhos literários escritos na língua de Dante.
O Município de Saltinho, para o qual contribuiu com o Hino dessa comunidade municipal , conferiu-lhe o título de “Cidadão Saltinhense”.

DISCURSO

Por ocasião do lançamento do livro de poesias “Antes que as estrelas brilhem “, pelo poeta Lino Vitti foi proferido o seguinte discursos:

Exmo. Sr. Heitor Gauadenci Jr. dd Secretário da Ação Cultural

Exmo. sr. António Osvaldo Storel. dd. Presidente da Câmara de

Vereadores de Piracicaba

Exmo.sr. Moacyr Camponez do Brasil Sobrinho, dd. Presidente do Instituto Histórico e Geográfico

Exmo,. sr. Henrique Cocenza, dd. Presidente da Academia Piracicabana de Letras

Exmo.. Sr. Ésio Pezzato , anfitrião desta solenidade

Senhoras e Senhores

Pela sétima vez (graças a Deus) em minha vida lítero-poética vejo-me guindado a uma tribuna improvisada (o que é bom porque torna o fato mais popular), para proferir um discurso de agradecimento, ao lado da oferta de um novo livro de versos. É teimosia essa de poetas em desovar sua produção para que mais gente participe de suas tiradas, muitas vezes fora de forma e de ambiente, mas que o poeta não vê porque , ao editar um novo livro está cego pela emoção , como se fosse a vez primeira. Está aí o Ésio Pezzato, responsável por mais esta minha invasão no mundo das letras poéticas, para dizer se não é assim. Para dizer se não sofre também dessa doença feliz de editar livros e mais livros a ponto de perder a conta, já que a esta altura ele não sabe se já está no décimo ou décimo primeiro. E ainda continua batendo dedos de métrica, sabemos lá por quantos anos ainda !

Tenho um ex-colega de seminário, prof. Hildebrando André, aposentado como professor universitário e com o qual mantenho longa e pródiga correspondência, que não se cansa de enaltecer a felicidade de Piracicaba contar com tantos poetas e poetisas. Tem razão ele, pois se apenas dois deles já conseguiram editar l8 livros de poesia, imagine-se as centenas que seriam necessárias para dar um pouco de vazão a essa raridade intelectual que toma conta da minha terra!

Este meu livro vem à lume por obra e arte do prefeito José Machado , seu Secretário da Ação Cultural e de seu zeloso servidor Ésio Pezzato que se entusiasmaram diante da recitação de diversos poemas meus por um grupo de jograis, alunos da UNIMEP, e impressionados decidiram patrocinar a publicação deste livro, pois entenderam que Piracicaba poética merecia conhecer em mais profundidade o seu príncipe da poesia. E aí está, lindo e impecável, entregue às mãos do povo de Piracicaba, que indistintamente de cor, estudos, intelectualização , posses financeiras, categoria de trabalho, com religião ou agnóstico, jovem ou adulto, roceiro ou citadino, aí está, para quiçá, momentos de lazer e sonho. Sonho , sim, porque a poesia é terrivelmente sonhativa , vive no mundo da fantasia, alicerça-se nas bases da emoção e brota do âmago mais profundo do poeta, e para que as filhas de Eva não reclamem, da poetisa também.

Alguém me perguntará? Como é ser poeta? Juro, nunca pensei nisso. Acho que ninguém consegue ser poeta. Já é. Nasce feito, como dizem.

não é verdade Maria Cecilia, Ivana Maria, Ésio Pezzato , Prata Gregolim, Marina Rolim, Valter Vitti, Mario Pires, Saconi, e tutti quanti enfeitam com seus lindos versos as páginas do “ Jornal de Piracicaba, ou da “Tribuna Piracicabana , e assim também esse cacho imenso de livros poéticos que quase semanalmente são dados ao conhecimento e sentimento público de nossa terra ? Tornando-se um privilégio de uma cidade, como disse alhures o supra citado meu colega seminarístico Hildebrando André. ?

Não se suponha que para ser poeta é preciso ter nascido em berço de ouro ou em centros intelectuais de enorme repercussão. Nada disso. Tenho um soneto que define bem esse fato. É assim: “Eu não sou o poeta dos salões / de ondeante, basta e negra cabeleira] não me hás de ver nos olhos alusões / de vigílias, de dor e de canseiras. // Não trago o pensamento em convulsões,/ de candentes imagens, a fogueira. / não sou o gênio que talvez supões/ e não levo acadêmica bandeira.// Distribuo os meus versos em moedas/ que pouco a pouco na tua alma hospedas / - raros , como as esmolas de quem passa. / Mas hei de me sentir feliz um dia/ quando vier alguém render-me graça/ por o fazer ricaço de poesia. // “ . Poetas e poetisas saem do nada , devem trazer o selo ou o bilhete de entrada nesse reino encantado desde o útero materno, embora ouse eu afirmar que a vida é também uma grande mestra , as influências da mentalidade circunvizinha,

o próprio meio ambiente, podem , em circunstâncias outras , plasmar um poeta .

Eu fui plasmado , por exemplo, por entre maravilhas campestres. A roça ou o campo são fantásticos criadores de poesia. Ela anda atapetando por todos os cantos a natureza, as gentes, os animais, os atos e fatos. e a cabeça daqueles com quem ela convive. E o poeta, criador por excelência, se abebera de todas as belezas esparsas pelas colinas, serras, vales e descampados , para transformar tudo em versos e rimas, ou em versos simplesmente, onde pululam , como cabritos silvestres, as figuras literárias, os tropos, as sínteses, as comparações, e todos os anseios que lhe vão no imo da alma. Para satisfação própria e para satisfação dos que convivem com o poeta. E´ por isso que se botardes olhos curiosos sobre meus poemas havereis de tropeçar a todo o momento com um motivo roceiro, pois trago uma alma plasmada pelas belezas rurais de Santana, Santa Olímpia , Fazenda Negri, e especialmente por aquela colina encimada ,no cocuruto, pelo prédio do grupo escolar, onde aprendi a ler e escrever e a poetar.

Peço desculpas por haver-me prolongado um pouco nestas elucubrações poéticas, desobedecendo aos conselhos do amigo Ésio que continua exigindo de mim discursos improvisados, o que seria tão para os ouvintes , que ansiosamente aguardam o momento de bater palmas acabando assim com a verborragia oratória.

Não posso entretanto encerrar esta breve alocução sem deixar consignados meus agradecimentos do fundo do coração ao prefeito José Machado ,ao seu Secretário da Ação Cultural Heitor Gaudenci Junior, ao seu sub-secretário poeta Ésio Pezzato, ao prefaciador Moacyr de Oliveira Camponez do Brasil sobrinho, aos queridos opinadores Maria Cecília Bonachella, Maria Ivana França de Negri, exímias poetisas, prof. Elias Salum e a minha filha Universitária Fabíola Vitti Moro, pela maravilhosa capa, Editores e toda equipe de funcionários , à minha esposa pela sugestão transmitida ao prefeito com relação ao advento desta obra, aos digitadores Nair , minha nora e neto Leonardo, e outros que possa ter esquecido, como é fácil em cachola idosa, - meus agradecimentos repito, pela reunião de esforços e trabalho que tornaram possível o advento de mais um livro de minha lavra.

Obrigado “ em geralmente” como dizem nossos cururueiros, aos que ilustraram com sua arte musical esta solenidade e assim também a todos quantos acharam um tempinho para vir prestigiar-me nesta tarefa de cultura e arte. Levem a certeza de que nada mais desejo do que engrandecer com minha poesia a terra que me viu nascer, a terra que me viu crescer, a terra que me proporcionou oportunidade para chegar a um cargo tão nobre quão dignificante de “Príncipe dos Poetas de Piracicaba”

Meu carinhoso obrigado também aos meios de comunicação, de modo especial “Jornal de Piracicaba”, na pessoa de seu Editor Chefe Joacyr Cury , de “A Tribuna Piracicabana”, na de seu diretor Evaldo Vicente, pela divulgação caprichosa deste evento que afinal nada mais é do que mais uma demonstração da exuberância cultural da Noiva da Colina.

.