Lino Vitti - Príncipe dos Poetas Piracicabanos

Lino Vitti - Príncipe dos Poetas Piracicabanos
Lino Vitti- Príncipe dos Poetas Piracicabanos

O Príncipe e sua esposa, professora Dorayrthes S. S. Vitti

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Bodas de Prata

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Lino Vitti e seus pais

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Lino Vitti e seus vários livros

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BISNETA ALICE

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O Príncipe agradece a visita e os comentários

60 anos de Poesia


segunda-feira, 30 de abril de 2012

GRATA HOMENAGEM

ALGUMA CRÔNICA (LIII)   
Lino Vitti –Inativo do Poder Legislativo

No último dia 26 de abril, tendo como Plenário a nave do templo religioso dedicado à sua padroeira Santana, no bairro que leva o mesmo nome, mais conhecido como dos trentino-tiroleses, a Câmara Municipal de Piracicaba, dando cumprimento a Resolução que governa seu processo administrativo, realizou a sessão ordinária itinerante em local diverso do de suas atividades ordinárias, qual seja o prédio próprio da rua Alf. José Caetano.Inaugurou-se assim uma nova etapa de trabalhos legislativos deste município, a qual promete se estender a outros bairros e localidades municipais, justificando-se o procedimento feito com a alegação honrosa e muito valiosa de que o bairro Santana fora escolhido por primeiro por ser altamente politizado, o que quer dizer que o povo municipal daquela comunidade é diplomado em política, em consideração a seus dirigentes político-administrativos, em respeito e conhecimento dos poderes constituídos sob cuja égide se encontram. Quer dizer que o eleitorado trentino-tirolês tem condições de decidir de per si sobre a participação no sistema político e administrativo de seu município, tem capacidade excepcional de escolher seus representantes políticos em qualquer dos legislativos e executivos constitucionais, tem amplas possibilidades de manifestar sua liberdade de votos para os governos federais, estadual e municipal, para o Senado e Câmara da República, para a Assembléia Legislativa e, muito particularmente, para prefeito e vereadores de sua própria cidade e município.É o que quer dizer o termo “politizado”,  de que fez uso a Câmara de Vereadores para justificar a Sessão Itinerante realizada com pompa e brilho nas democráticas dependências da igreja de Santana, para onde, também democrática e livremente, acorreu expressivo e significativo número de moradores, para ouvir as reivindicações do bairro na voz altamente discursiva de Neguito (Matias Vitti) e Maria Vitti, que, em candentes palavras “exigiram” as atenções da Câmara e da Prefeitura para diversos problemas incruados na sua solução, tudo sob as palmas do povo que recheava o templo, transformado naquele momento em Plenário Legislativo.

Ponto alto daquela reunião de representantes do povo foi a homenagem prestada a Lino Vitti, Guilherme Vitti, Rubens Vitti, Margarida Vitti Negri e Hortência Negri, todos servid0ores da Câmara aposentados, cujos serviços naquela Casa foram enaltecidos por todos os Vereadores e em especial pelo Presidente Oswaldo Storel e Antônio Faganelo que entregou ao Diretor Administrativo Lino Vitti, Moção de louvor assinada por todos os Vereadores e um cartão de prata alusivo, prêmio este conferido aos demais inativos da Câmara, recebendo o Prof. Guilherme, ainda no exercício de arquivista da Edilidade, um medalhão de prata, acompanhado dos beijos e abraços dos funcionários que serviam à sessão, e de todos os Vereadores presentes ao ato, depois de haver o Presidente Storel destacado e enaltecido o trabalho de Guilherme Vitti, que, aos 86 anos não deixou ainda cair a peteca das atividades públicas em prol  do povo piracicabano. Foi um momento de muita emoção e entusiasmo, havendo o homenageado, em nome dos demais, proferido seu grato agradecimento àquelas manifestações, em dialeto tirolês castiço, o que provocou a admiração, pela novidade, não só aos membros e servidores da Câmara, mas aos próprios conterrâneos que saudaram o orador com muitas e sinceras palmas.

Sem dúvida, merece aplausos e agradecimentos de coração, que eu faço em meu nome e no de meus companheiros e companheiras homenageados, à Mesa Diretora da Câmara Municipal, pela grata homenagem prestada pelos Vereadores de Piracicaba e tenho certeza de que os jovens funcionários do Poder Legislativo de hoje, os presentes e os ausentes, estes em espírito, se sentiram felizes por aquele ato de reconhecimento aos já aposentados, por terem diante dos olhos modelos exemplares, dignos de receber a mais nobre e bela homenagem daqueles a quem serviram 30, 35, 38 anos!

Santana vibrou, essa que é a verdade!


sábado, 28 de abril de 2012

UM POETA E TANTO



ALGUMA CRÔNICA (LII)
  
     Lino Vitti – Príncipe dos Poetas de Piracicaba

       Acabo de ler, de um fôlego só, o “PRANTO DO PIAGA”. É um poema, em prosa e rimas, encaixado em 90 páginas, edição, ao que deduzo, patrocinada pela Orquestra Sinfônica de Piracicaba, com a coordenação dos próprios familiares do autor, datando 9 de Maio de 1997, parecendo tratar-se do último escrito deixado pelo inolvidável e carinhoso poeta Newton de Almeida Mello.
Poema “em prosa e rimas”, “poema Tapúio”, dizem-me inscrições da capa e contra-capa, o que nos leva à convicção de que no bojo daquelas páginas vamos encontrar algo muito nosso, muito brasileiro, muito dessa alma e vida daqueles que até 1500 eram os donos inamovíveis deste chão. Observo por outro lado que o privilegiado das musas ao invés de nos dizer que se trata de um trabalho “em prosa e rimas”, poderia ter simplificado a expressão, escrevendo simplesmente “muita poesia” ou “simplesmente poesia”. É o que li e senti com a leitura feita. O livro, quer traga prosa, quer traga rimas, é uma poesia só, desde as primeiras linhas até o ponto final. Dispensável, portanto, a alusão à prosa, pois é difícil a um poeta como o  Newton foi, é e continuará sendo para quem sabe o que é realmente poesia, o vate imorredouro, é difícil, repito, escrever qualquer coisa em prosa ou rimar qualquer coisa sem deixar, no fraseado, nas linhas e entrelinhas, um pouco ou um muito daquele tesouro imenso que se lhe ferve no mundo interior.
O parágrafo de abertura que oferecemos ao leitor resume o conteúdo do “PRANTO DO PIAGA”. “Desencantado, farto da presença e das atividades de uns tantos brancos que andaram a querer civilizá-lo, bem como na impossibilidade de expulsá-los, a flechadas, do seio da mata virgem, onde até então vivera tranqüilo e feliz, velho cacique centenário, último sobrevivente de uma tribo heróica, abandona a selva e põe-se a caminhar, para se ver longe, bem longe daqueles importunos”.  Chama-o, o autor, de Cacibapiratin.
Calcula-se e imagine-se a alma primitiva e selvagem do centenário cacique, lastimando a destruição da raça e dos lares tapuios pela dita civilização, diante de uma concorrida assembléia da bicharada toda da floresta virgem, tudo escrito em versos coloridos pelos mais profundos e humanos sentimentos de Newton de Mello, e tereis então possibilidades de compreender, em prosa e rimas, a enormidade poética e cívica de “O PRANTO DO PIAGA”. Tereis possibilidade de entender a tristeza dos selvagens enxotados, perseguidos, assassinados pelos arcabuzes dos conquistadores, ainda hoje prosseguindo pelos mesmos civilizadores nas florestas virgens do Amazonas, do Pará, do Brasil Século XXI.
O poema de Newton, tão pouco divulgado como aliás soem ser todos quantos se proponham, nesta terra de História alicerçada na guerra sem termos do invasor contra o invadido, cantar em “prosa e rimas” a história de um povo, a vida de um povo, a alma de um povo, subjugado numa luta entre o arcabuz e o tacape, o poema de Newton, retórno, é um protesto, é uma advertência, é um pranto grandioso e glorioso que deveria chegar às mãos, à leitura, ao conhecimento dessa legião de incompetentes que dizem governar o país, quando a verdade é que esquecem completamente dos verdadeiros brasileiros formados de tapúios, brancos e negros. E a devastação da raça primitiva prossegue, já não mais entre flechas e fusís materiais, mas entre escopetas e tacapes intelectuais e psíquicos, de que usa o mundo destes severos tempos para matar, mais do que o corpo, o espírito dos selvagens.
O que mais encabula o cronista é o fato de que a edição de “O PRANTO DO PIAGA” foi feita por uma entidade cultural, particular, diria assim, (a Orquestra Sinfônica de Piracicaba), quando seria de crer-se que órgãos de caráter cultural público é que deveriam assumir a tarefa.
E volto a afirmar que foi uma pena excluir-se da última enciclopédia piracicabana um trabalho, imperfeito e incompleto sem dúvida, mas sempre indispensável, que iniciava os inadiáveis propósitos de colocar entre os importantes motivos de cultura noivacolinense a poesia e os poetas de Piracicaba (naturais ou alienígenas), entre os quais pontificaria, evidentemente, o grande Newton de Almeida Mello.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

A ESTRADA DA VIDA



ALGUMA CRÔNICA (IV)

 Lino Vitti (Primeiro aposentado da Câmara Municipal)

            Quantas e quão variáveis são as estradas da vida. Umas, difíceis, atulhadas de pedrouços, estreitas, abarrancadas, estéreis; outras, amplas, planas, ensolaradas, florescidas, verdadeiros paraísos; muitas, desnovelando-se por campinas exuberantes de verdor, marginadas lindamente por paisagens amenas, luminosas, serpenteadas por regatos cristalinos e murmurosos; outras tantas, engalanadas por florestas marginais, de cujas copas despencam tufos de flores variegadas e cheirosas, de cujo seio borbotam cantos de aves, ou trinados de pássaros; tantas outras, enfim, ladeadas pela civilização das fazendas, das cidades, de avenidas, da claridade noturna da energia elétrica, macadamizadas, ignoradas pela buracaria em que tropeçam passos ou solavancam rodas.
            O destino, esse deus, às vezes generoso; outras, insensível e castigador; hoje, feito doçuras; amanhã, amargo e desesperador – o destino, repetimos, compraz-se em mover os cordéis da vida de cada um, usando o seu terrível ou compassivo indicador para mostrar-nos qual caminho seguir, e, por fatalidade pulha, obrigar-nos a enveredar por ele e aceitá-lo com suas belezas, suas feiuras, suas alegrias, suas tristezas, suas glórias ou seus fracassos.
            O extemporâneo leitor que se tenha honrado em botar leitura curiosa sobre estas longas, alongadas e às vezes amolantes crônicas deve ter percebido essa problemática das estradas da vida, deve ter tomado conhecimento de que as percorridas por este teimoso escrevinhador de prosa e verso, não foram sempre tomadas pela facilidade, pela generosidade, pelo brilho em muitas encontrados. Foi-lhe dado perceber o quanto numerosos foram os trechos eivados de crateras traiçoeiras, como as que costumamos encontrar em ruas das cidades hoje em dia, com moitas espinhentas estendendo seus braços pontiagudos para o meio da via, com dificuldades barranquentas surdindo a cada passo, com rumores enigmáticas gerados nos recessos sombrios marginais ... Deve ter percebido, entretanto, que a par desses lances difíceis do caminho percorrido, a vida se deleitou em oferecer-me belos e inesquecíveis pedaços caminhados, distribuindo alegria, encantos, vitórias, felicidade. Notou, naturalmente, que a estrada palmilhada pelos meus passos, além de receber o prêmio de um sol portentoso e iluminantemente poético, pude desfrutar do bem do canto dos pássaros, do bem-querer das pessoas, da amizade, da compreensão, da justiça, do carinho e de todas as felicidades que a alguém é possível encontrar em seu caminho da existência.
            Que buscamos da vida senão o misterioso final do caminho da felicidade material, religiosa, cultural, cívica e amorosa? Que fazemos nesse trocar passos de contínuo e afanosamente senão cumprir a caminhada imposta pelo destino, apontado pelo dedo divino, traçado num dos incontáveis caminhos da existência?
            Que vos disse no início destas linhas ótimo-pessímistas? A vida é feita de estradas inumeráveis através das quais vamos indo, vamos indo, ora correspondendo aos nossos anseios, ora contrariando as nossas aspirações. São caminhos incógnitos, como incógnito é todo o futuro humano, recheado de surpresas, de contrates, de ser ou não ser, de saber ou não saber, de querer e ser contraditado.
            Através destas já numerosas crônicas sumamente pessoais, outra coisa não fiz senão mostrar, de forma muito apagada e estranha, algumas facetas dessa via, ora alegre, ora dolorosa, com que granjeei as graças do destino, evidentemente sob um pálio de proteção divina, de respeito e amizade humanos, de maravilhosas horas, de espinhosos minutos.
            Cada qual tem sua estrada a seguir. Trechos tristes, trechos felizes, são a constante ao longo dela. E quem seria capaz de mudá-la, de desviá-la, de torcê-la para outro rumo que não aquele que cada um deve percorrer? 

quarta-feira, 25 de abril de 2012

OS FILHOS


ALGUMA CRÔNICA (II)

Lino Vitti (Do IHGP)

Bem, depois da adolescência, entra-se na juventude, dizem a melhor idade da vida, pois é o momento em que a personalidade, já formada, busca complementar os sonhos de até então, transformar em realidade os desejos de vida, constituir-se em cidadão, participar da sociedade com seu trabalho e formar, como é tradicional e necessário, a célular-máter – a família.
O jovem, o moço, ou o rapaz assume a devida importância de chefe de família, casando-se, reproduzindo, responsabilizando-se pela vivência e sobrevivência dos seus – esposa e filhos. Não sei se hoje a sociologia moderna adota esses mesmos conceitos, se a história da reprodução da espécie ainda se bitola pelos princípios oriundos da penumbra dos séculos e vindos até nós pelos usos e costumes, pelas mutações, pelas orientações científicas, pelos ensinamentos das religiões, pelas exigências da consciência de cada um. Não, não sei. Simplesmente porque a uma cabeça octogenária, plasmada, anos sem conta, por uma educação rígida e quase imutável, não vai ser fácil de modificar o que aprendeu, cimentou na personalidade, assinou um contrato de cláusulas bem diferentes das atuais, de tal sorte que vive assustada diante das rápidas mudanças e transformações por que vêm passando os velhos conceitos e princípios, semeados no mundo por coisas tão contrastantes como as que hoje florescem na modernidade.
Pelo sim, pelo não, casado aos 28 anos, Deus deu-me vida suficiente para alcançar bodas de ouro, já ultrapassadas no tempo, o que sem dúvida é uma graça e uma bênção. Desses cinquenta anos e pico de matrimônio resultou a contribuição à humanidade e à pátria de 7 filhos, numero que não se equipara aos 12, 13 ou mais com os que os ascendentes – pais, avôs, tios – legaram ao mundo, nem se equipara, igualmente, à insignificante produção dos descendentes, reduzida ao máximo de três rebentos. Eu e Dorayrthes não exageramos na dose, mas também não decepcionamos os antepassados. Sete filhos é uma excelente média para os tempos antigos e para os modernos.
Onde estão, entretanto, e o que fizeram os filhos de um menino roceiro, de um postulante à vocação sacerdotal, de um aposentado do Município, de um jornalista amador, de um cronista, de um “príncipe da poesia piracicabana”? Todos por aí, na luta pela vida, imitando os pais na atuação humana, trabalhando pelos seus e pelo bem-estar da pátria.
ÂNGELA ANTÓNIA – engenheira agrônoma, pianista de mão-cheia, hoje vice-diretora da UNICAMP e professora universitária.
DORINHA MIRIAM – bióloga, alta funcionária do CENA, o qual tem representado em cursos e conferências internacionais da Europa, dos Estados Unidos, e do Brasil.
ROSA MARIA – diplomada em Ciências Domésticas, professora de Matemática em estabelecimentos estaduais.
FABÍOLA – engenheira agrônoma, professora em Faculdade de Jaboticabal.
LINA – bióloga, funcionária em Usina de Açúcar e em empresa de aproveitamento de bagaço de cana para industrialização.
RITA DE CÁSSIA – bióloga, ex-estagiária do CENA, doutora em defesa de tese em Ciências de Energia Nuclear na Agricultura.
EUSTÁQUIO – engenheiro mecânico pela UNICAMP, exercendo a profissão em importantes firmas do ramo, inclusive gerências.
Pelo resumo que aí fica, pode-se ver que a minha descendência não deixou por menos, por isso constitui motivo de muita satisfação para os “velhos”, satisfação redobrada com o advento de 13 netos, a demonstrarem seguir o caminho dos pais e avós. Queixo-me apenas de que entre tantos, nenhum recebeu a graça divina de ser poeta.

terça-feira, 24 de abril de 2012

UM VOTO CONVICTO


ALGUMA CRÔNICA (I)

Lino Vitti (sem Partido)

Na bela entrevista da generoso jornalista Luciana, do Jornal de Piracicaba, edição de 4/6, onde ordenou límpida e corretamente uma parcela de minha vida, ousei manifestar, diante da pergunta desfechada em cima de minha velha convivência com eminentes políticos da cidade, quais sejam os Vereadores e Prefeitos, sobre as próximas candidaturas a Prefeito de Piracicaba, no pleito que se deve cumprir no dia 4 de outubro deste enigmático 2000.
Como não poderia deixar de ser, muitos amigos estranharam, outros louvaram essa minha antecipada deliberação política, mas o que mais me deixou contente e, até certo ponto emocionado, é o fato de haver o deputado federal José Machado, ex-prefeito muito bom de Piracicaba, dignar-se telegrafar a este bisonho escrevinhador, para agradecer a pequena e resumida referência de aquinhoá-lo com meu voto, nas urnas eletrônicas eleitorais para prefeito de Piracicaba, se é que até lá Deus me suporte ainda com a graça de mais uns meses de vida.
Os milhares de leitores e eleitores que compulsam os jornais da terra, conhecem perfeitamente o que foi a louvável administração de José Machado, mas gostaria de focalizar em ligeiras linhas a importância que deu ela aos servidores do Município, pois servidor do Município, inativo, sou eu, em condições de saber sua profunda atuação social para com a categoria que é o braço direito de qualquer administração pública, pertença ela à qualquer partido político que for.
Transcrevo, à curiosidade dos escassos leitores e eleitores que me acompanham nestas infindáveis crônicas, o teor do estimulante telegrama com que o eminente deputado e iniludivelmente homem público de administração brindou a este “príncipe” – não de verdade, mas simplesmente de fantasia – pois “príncipe” nada mais, nada menos do que dessa coisa, nem sempre levada em muita conta por uma sociedade consumista, materialista e descrente de Deus – a Poesia –, desse Deus que é o Poeta-Mór do Universo e da Eternidade. Afirmo, pois, que a Poesia, como Deus, é também eterna.
Voltemos, porém, ao que me levou a engenderar estas linhas cronísticas, transcrevendo, como prometi, o inteiro teor do Telegrama de Machado, pedindo perdão antecipado se quaisquer suscetibilidades, pró ou contra, se sentirem alcançadas.
Eis: "Sr. Lino Vitti.. tive a oportunidade e o prazer de ler sua entrevista na edição do “Jornal de Piracicaba”, do dia 04/06. Fico feliz com a deferência e a forma elogiosa com que meu nome foi lembrado. Suas palavras são grande estimulo e motivo de orgulho. Continuarei me esforçando para prosseguir honrando a confiança de todos os piracicabanos dentre eles o mais ilustre como a sua pessoa. Grato. Deputado José Machado”.
Culto Deputado: não sou eu apenas que lembro de seu nome como prefeito de Piracicaba. Incontável é o daqueles que têm saudades de sua passagem por esta Prefeitura e esta sociedade, e tenho certeza que o lembrarão proximamente quando tiverem que decidir em cujas mãos entregar o destino desta terra. O trabalho social que “mecê” espalhou pela cidade e zona rural será decerto lembrado. A consideração, o respeito, as melhorias salariais, dados ao funcionalismo, ativo e inativo, serão também lembrados. A gente da roça, sítios, fazendas, distritos, garanto que o lembrarão. Uma boa administração nunca é esquecida. Basta ver que ainda hoje falam da passagem de prefeitos como Luiz Gonzaga, como Luciano Guidotti, como Samuel Neves, como Salgot!
Sabe, Machado, o que fizeram com a sua Lei, necessária e oportuna que previa reajustes salariais de acordo com a inflação? Revogaram, simplesmente revogaram! Ficamos órfãos, portanto! Como milhões de servidores e trabalhadores que há seis anos não vêem a cor da melhorias. Em nome de uma suposta e trombeteada falta de inflação, que todo o mundo sabe não ser verdadeira. E de um Partido que esqueceu ser o Homem carne e estômago.
De qualquer forma, muito obrigado, ínclito deputado e ex-prefeito. Deus ouça nossas aspirações!

segunda-feira, 23 de abril de 2012

A ESTRADA DA VIDA


ALGUMA CRÔNICA (IV)

Lino Vitti (Primeiro aposentado da Câmara Municipal)

Quantas e quão variáveis são as estradas da vida. Umas, difíceis, atulhadas de pedrouços, estreitas, abarrancadas, estéreis; outras, amplas, planas, ensolaradas, florescidas, verdadeiros paraísos; muitas, desnovelando-se por campinas exuberantes de verdor, marginadas lindamente por paisagens amenas, luminosas, serpenteadas por regatos cristalinos e murmurosos; outras tantas, engalanadas por florestas marginais, de cujas copas despencam tufos de flores variegadas e cheirosas, de cujo seio borbotam cantos de aves, ou trinados de pássaros; tantas outras, enfim, ladeadas pela civilização das fazendas, das cidades, de avenidas, da claridade noturna da energia elétrica, macadamizadas, ignoradas pela buracaria em que tropeçam passos ou solavancam rodas.
O destino, esse deus, às vezes generoso; outras, insensível e castigador; hoje, feito doçuras; amanhã, amargo e desesperador – o destino, repetimos, compraz-se em mover os cordéis da vida de cada um, usando o seu terrível ou compassivo indicador para mostrar-nos qual caminho seguir, e, por fatalidade pulha, obrigar-nos a enveredar por ele e aceitá-lo com suas belezas, suas feiuras, suas alegrias, suas tristezas, suas glórias ou seus fracassos.
O extemporâneo leitor que se tenha honrado em botar leitura curiosa sobre estas longas, alongadas e às vezes amolantes crônicas deve ter percebido essa problemática das estradas da vida, deve ter tomado conhecimento de que as percorridas por este teimoso escrevinhador de prosa e verso, não foram sempre tomadas pela facilidade, pela generosidade, pelo brilho em muitas encontrados. Foi-lhe dado perceber o quanto numerosos foram os trechos eivados de crateras traiçoeiras, como as que costumamos encontrar em ruas das cidades hoje em dia, com moitas espinhentas estendendo seus braços pontiagudos para o meio da via, com dificuldades barranquentas surdindo a cada passo, com rumores enigmáticas gerados nos recessos sombrios marginais ... Deve ter percebido, entretanto, que a par desses lances difíceis do caminho percorrido, a vida se deleitou em oferecer-me belos e inesquecíveis pedaços caminhados, distribuindo alegria, encantos, vitórias, felicidade. Notou, naturalmente, que a estrada palmilhada pelos meus passos, além de receber o prêmio de um sol portentoso e iluminantemente poético, pude desfrutar do bem do canto dos pássaros, do bem-querer das pessoas, da amizade, da compreensão, da justiça, do carinho e de todas as felicidades que a alguém é possível encontrar em seu caminho da existência.
Que buscamos da vida senão o misterioso final do caminho da felicidade material, religiosa, cultural, cívica e amorosa? Que fazemos nesse trocar passos de contínuo e afanosamente senão cumprir a caminhada imposta pelo destino, apontado pelo dedo divino, traçado num dos incontáveis caminhos da existência?
Que vos disse no início destas linhas ótimo-pessímistas? A vida é feita de estradas inumeráveis através das quais vamos indo, vamos indo, ora correspondendo aos nossos anseios, ora contrariando as nossas aspirações. São caminhos incógnitos, como incógnito é todo o futuro humano, recheado de surpresas, de contrates, de ser ou não ser, de saber ou não saber, de querer e ser contraditado.
Através destas já numerosas crônicas sumamente pessoais, outra coisa não fiz senão mostrar, de forma muito apagada e estranha, algumas facetas dessa via, ora alegre, ora dolorosa, com que granjeei as graças do destino, evidentemente sob um pálio de proteção divina, de respeito e amizade humanos, de maravilhosas horas, de espinhosos minutos.
Cada qual tem sua estrada a seguir. Trechos tristes, trechos felizes, são a constante ao longo dela. E quem seria capaz de mudá-la, de desviá-la, de torcê-la para outro rumo que não aquele que cada um deve percorrer?

domingo, 22 de abril de 2012

As árvores e seus problemas



Lino Vitti

Frondosa ou altaneira, anã ou gigantesca, florida ou estéril de flores, a árvore é, sem dúvida, o mais belo, importante e indispensável elemento da natureza, o componente da terra que não só a embeleza, mas transmite a espécie e eterniza a sua sucessão. Onde a árvore não vegeta, aparece o deserto, a tristeza desfolhada, a desgraça da sequidão, a ausência da felicidade da sombra, a vida do verde das folhas, o colorido das flores, o prazer delicioso dos frutos.
Afirma-se que a vastidão do território brasileiro, antes da ousadia do descobrimento, vivia coberta de florestas virgens, onde moravam animais, aves e índios, mas a ganância humana que acompanha o homem por onde quer que vá, acabou por botar ao solo e transformar em cinza, as perobas, os jequitibás, os cedros, e todas as espécies arbóreas nativas e seculares, que pompeavam sobre o solo tupiniquim.
Por outro lado, plantaram-se em lugar das árvores, os arranha-céus. E um dia, quiçá arrependido da destruição legada ao futuro, tentou levá-las à convivência citadina, ao aperto das ruas pétreas, deserdadas de sol e de espaço, mas obedientes ao seu destino e elemento primordial da natureza. Adaptou-se, a árvore, à pedra e ao asfalto, mas não escapou da ferocidade dos furacões que ao invadirem as cidades, continuam a sua faina de destruição, deitando as altaneiras e copadas ex-moradoras da floresta ao solo, levando de roldão, casas, veículos, pessoas, redes de serviços humanos, como se houvesse um fator de vingança arbórea, espalhando a desgraça e a morte.
E o homem, que devastou o solo pátrio da maravilha da mataria selvagem, e estranhamente levou a árvore para a urbe, se queixa (como vemos de quando em quando na imprensa) dos estragos que provoca a queda infeliz dos espécimes citadinos, ao vir dos temporais portadores do vendaval que sói, em sua fúria, desrespeitar a beleza e o valor das árvores que tentam morar em âmbito estranho ao que lhes deu o Criador.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

BORBOLETA MORTA


 Lino Vitti

Encontrei-a abatida na calçada
Aos pés indiferentes e cruéis
Dos transeuntes, por eles repisada,
Por sua estupidez de serem pés.

Foi perfume, foi pétala estraviada,
Foi faísca de sol pelos painéis.
Foi adejo de luz na madrugada,
Pedaço de inocência dos vergéis. .

E agora?. . . Nunca mais pela alameda
Carregada de flores, nem repletas
De pólem, adejar asas de seda.

Agora o pó. . . Mas desprezada, abjeta,
Talvez inda reavives cinza quêda
De alguma fantasia de poeta.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

O DOCE


ALGUMA CRÔNICA (LXXVIII)


Lino Vitti

Falar em doce é lembrar de menino. Esses caretinhas que só pensam em brinquedos e gulodices são loucos por uma cocada. Mel então nem se fala! Melado , que delícia! Um doce de leite, coisa de dar água na boca! O simples açúcar ao natural, isto é, saído da biquinha da usina, algo estonteante para o paladar do moleque !
A respeito , tenho algo a contar. Criança da roça, antigamente, só consumia açúcar batido que é o nome que se dava ao produto saído do engenho, tempos em que usina era coisa muito rara pelas bandas da minha terra natal. As famílias recebiam o açúcar fabricado aí mesmo , no engenho das próprias, em sacas volumosos que eram guardadas na despensa, local propício para as furtadelas da meninada. Em chegando o escurecer, quando os
idosos batiam papo num local reservado para as tertúlias crepusculares, os meninos mais afoitos pulavam a janela da despensa , um a um , sacando valentes punhados do saboroso batido e se mandavam a sugá-lo , com sofreguidão, em esconderijo adrede determinado , longe da vista do pessoal todo distraído em conversar sobre as peripécias do trabalho do dia.
Outro motivo do consumo doceiro ocorria quando da realização das festas religiosas nas igrejas dos bairro infantis. Ao longo do caminho que dava acesso aos povoados, os doceiros da cidade montavam suas mesas de iguarias dulcíferas, onde se podiam adquirir , por alguns tostões (devem ser os centavos de hoje) gostosos doces de batata, cocadas brancas ou morenas, pés-de-moleque, pudins, nacos de bolo, e uma infinidade de doçuras de fazer inveja a qualquer paladar.
Meninos e meninas viviam atormentando os pais , visando angariar os tostões com que matar a vontade de saborear qualquer doce que fosse nas banquinhas dispersas à beira do caminho. Meu saudoso velho não era fácil no alongamento das moedas, o que fazia com que Guilherme, Lino, Valter, Artur , de paladar aceso para degustar um pé-de-moleque , ficassem rodeando os “banqueti”, como em dialeto se chamava a geringonça montada pelos vendedores da cidade. Lembro-me que de olho comprido na parafernália doceira, em caso de conseguirmos arrancar do pai, os desejados tostões, escolhíamos dentre os maravilhosos (ao nosso olhar) espécimes, os mais vistosos e que poderiam ser também os mais gostosos..
Assim aconteceu.. Com dois tostões no bolso deliciei-me com uma cocada, reservando a Segunda moeda para o final da tarde, algo assim como uma sobremesa, de olho num tubinho de papel recheado de qualquer coisa. E quando “a tarde morria”, julgado asado o momento para a aquisição do quitute final , lá me fui, todo lampeiro, à conquista da “mercadoria” desejada, com o último tostão da festa .
Que tristeza! Que decepção! O secreto canudinho , que a minha fantasia infantil supunha conter algo nunca visto nem saboreado , nada mais era do que amendoim torrado, por sinal exageradamente salgado! Uma droga! Sem outro remédio para a desdita , fui até onde se encontravam Guilherme e Valter , em cujas mãos, num gesto desolado depus os intragáveis amendoins , acompanhados de um tristonho “en vôt” que traduzido do dialeto para o português nada mais quer dizer do que “você quer “?
E eu que esperava encontrar no enigmático canudo uma dulçorosa peça melífera para encerrar mais um dia de festa , das minhas saudosas festas de infância , fui enganado pela aparência.

quarta-feira, 18 de abril de 2012

“LA CUCANHA”

http://michelevalent.blogspot.com.br/

ALGUMA CRÔNICA (XV)
Lino Vitti

Dias atrás, a Valéria – excelente cozinheira nascida no meu bairro de origem – ofereceu ao meu gosto pantagruélico um especial prato para o almoço – uma magnífica “Cucanha” (Cucagna).
“Cucanha” é uma comida preparada pelos trentinos tiroleses de Santana ou Santa Olímpia, trazida evidentemente lá dos confins do Tirol pelos imigrantes primitivos, cujas famílias constituem a base dos atuais povoados, onde se conservam ainda muitas e belas tradições, muitos e apreciados pratos, muitos e ricos costumes, muitos e profundos sentimentos de Fé e religião, ao lado de uma vida entretecida de muito amor, confiança, amizade, e vontade de progredir e crescer.
“La Cucanha”, ao que sei eu, insignificante escrevinhador que sou e que traz, de quando em quando, alguma história de fatos e pessoas daquelas hoje florescentes comunidades – a “Cucanha” repito – é preparada para festejar a Terça-feira gorda de Carnaval, uma celebração que atravessou os tempos históricos daquela gente roceira. Ao menos, era em tempos idos, em tempos em que eu era meninote. Hoje, embora conserve ainda muito dos tempos passados, a “Cucanha” generalizou-se e muitas famílias servem-na em almoços ou jantares comuns, razão porque tive a felicidade de ser contemplado pela especial refeição, saída das hábeis mãos da Valéria, prima em segundo grau e neta do veterano primo Paulo Vitti – Paulin, no linguajar popular dos moradores.
No que, entretanto, consiste essa coisa que estou a dizer aqui ser gostosa e especial, se bem preparada e degustada? Não sei bem, porque foi-me uma surpresa culinária, mas pude saber que é uma espécie de polenta preparada com variados e ótimos ingredientes, tudo misturado e cozido de uma só vez. Essa que me serviram por exemplo, vinha composta com bacalhau, lingüiça de porco, queijo, carne de frango, ovos, torresmo, tudo perfeitamente dosado e arcabouçado com uma polenta generosa, tudo entretecido para provocar água na boca dos saboreadores de pratos tiroleses.
Como disse, a “Cucanha”, tempos idos, era servida na Terça-feira gorda de carnaval. Bandos de crianças e jovens, na véspera, percorriam as moradias do bairro, angariando donativos de ingredientes que comporiam a enorme e deliciosa polenta maior. Uma gigantesca polenta digo eu, enriquecida por delícias complementares e regada em geral por vinhos de fabricação local, de uva ou de laranja. Levada em romaria até o centro da praça, ali, sob cânticos e exclamações, distribuía-se aos presentes, numa espécie de banquete público e ruidoso, ao som de sanfonas e violões, e cânticos.
“Tudo muda, tudo passa/ neste mundo de ilusão/, vai para o céu a fumaça/ fica na terra o carvão”, poetava o especial poeta paulista Guilherme de Almeida. Também a vida daquelas comunidades vai mudando, seguindo os passos céleres do mundo, e com eles os costumes e as tradições vão mostrando outras faces, outras maneiras de ser e agir.
É por isso que em Pleno Inverno, isto é, fora dos dias de Carnaval, pude celebrar na mesa de minha própria cozinha a “Cucanha”, fabricada

terça-feira, 17 de abril de 2012

POEMA BÊBADO



Lino Vitti

Boêmia de esquinas angulosas
Com travesseiros errados de postes subindo
E sustentando lá em cima a candeia elétrica
Num bruxoleio ondulante, rodopiante,
Aos olhares bêbados do bêbado boêmio.

Boêmia de esquinas a vomitar lorotas,
Lorotas longas de horas e horas a fio
Aos ouvidos frios da praça insensibilizada;
A decifrar imagens que se truncam, que se
alongam
Que se achatam, rodando, rodando,
Ante a lassidão das pupilas semi-abertas,
Sonolentas, sonolentas, sonolentas. . .

Bêbado de esquina,
Testemunha esquecida das horas altas,
Testemunha única das horas longas
Da noite arabescamente enluarada
Com risos caricatos de lua redonda
Chovendo prata sobre o casario;
Bêbado boêmio da esquina,
Conversando à lua, a mulher de opala,
Bêbada como tu, bêbada esquecida
Numa curva do espaço;
No esquecimento largo de um céu de anil :
Bêbado e lua, que casal bonito,
Bebendo fatuidades na boêmia da noite!

Fragrâncias ácidas de bebedeiras velhas,
Cachaçadas que vêm de longe
Num ciclo de desgraças crepes;
Gloriosamente,
Vitoriosamente apagadas na enxurrada,
Na lavagem do líquido fatídico!
No fundo, há sempre uma comédia
Dramaticamente triste,
Espetros fugidios de uma felicidade breve:
"Esquecer, esquecer" - resposta amarga.

E lá vai ele , gingando, gingando,
Pelo indiferença da calçada solitária,
Com lembranças esfumadas de um lar que é seu
E visões de vergonha a apupar-lhe a mente
Num carnaval íntimo de fantoches diabólicos.

Tropegamente rodopiando,
Ao desequilíbrio da ventania alcoólica.
Gesticulando a aparições fantasmas
Que lhe atravessam a estrada movediça
Lá vai o bêbado da minha rua,
Trôpego, tropicando as pernas langues.
Alguém o espera no tugúrio miserável,
Um anjo talvez, sacrilegamente torturado.
Um anjinho talvez, choramingando
Na tortura ímpia de uma fome de inocente.
E a miséria desdobrando asas negras,
- Águia macabra de mundos negros -
Fecha-os no abraço fatal de soberana.

E lá vai o bêbado romântico,
Trôpego, tropicando as pernas langues,
Esquecido do lar que a águia negra ronda
E dilacera nas garras impiedosas.

Bêbado desprezado,
Eu queria escrever-te um poema bonito.
Mas tudo saiu tão soturno,
Tão triste que nem eu sei se és tu
Que provocas assim tanta melancolia
Ou se é a minha alma que anda bêbada
De tristezas ciganas.

Bêbado de esquinas e bancos de jardins,
Bêbado de horas mortas de arrabaldes,
Bêbado desconhecido de estradas do sertão,
Bêbados das noites hibernais de vento,
Das noites quentes com vaia de estrelas altas,
Nas noites impertinentes de chuva fina,
Eu caminho convosco, de braço,
Com bebedeiras longas na alma incompreendida,
Sorvendo dores na boêmia da vida.

domingo, 15 de abril de 2012

FOLHA CIDADE (12 de abril 2012)

O Príncipe dos Poetas Piracicabanos  Lino Vitti é colaborador fixo da FOLHA CIDADE - PIRACICABA

sábado, 14 de abril de 2012

MATANDO A SEDE


Lino Vitti

O corpo humano, embora perfeita obra divina, tem suas implicações com o viver, pois faz parte de um mundo de onde tirar com o que se alimentar, condição especial e importante para
sair-se bem do destino traçado desde o instante em que enfrenta a luz com que Deus o premiou.
Assim homens e mulheres, jovens e adultos, de qualquer raça, de qualquer cor, devem trabalhar, encontrar o sustento, viver.
Há, entretanto algo importante a que ninguém pode renunciar ou desconhecer, ou não ter necessidade. Algo que o homem não é capaz de “fabricar” devendo sujeitar-se aos desígnios de Deus, único autor desse elemento, desde o mais humilde e desconhecido arroio à imensidade dos oceanos.
Vêem os inteligentes leitores que estamos falando da ÁGUA, maravilha única que não pode faltar na natureza, nem no ser humano, pois é essencial e inarredável da vida, caso contrário tudo perecerá, tudo “secará”, tudo morrerá suplicando: água, água.
Ela existe desde a criação do mundo desde a imensidade dos oceanos até o riozinho que serpenteia entre ervas e troncos, desde a profundidade dos poços e até a extensão do céu, pois é seu destino mitigar desde a exigência da sede do corpo humano até a sua procura pelo pequenino inseto que se perde na imensidade do universo.
A água, para este incógnito poeta, é um poema de salvação, quer do homem, quer da terra, quer do inseto, quer da árvore e de tudo quanto vegeta por aí, de vez que sem ela é eminente e evidente a morte, como se vê na pequena amostra dos desertos de onde ela fugiu para sempre.
A água é eterna. Enquanto houver vidas a dessedentar ela estará presente no mundo, não só para dar vida, mas lembrar de seu Criador que no-la deu de graça e portanto a Ele nos cabe dizer: Senhor, muito obrigado.

sexta-feira, 13 de abril de 2012

BERÇO


 Lino Vitti

Placidamente, ingenuamente lindo,
Dorme o nenê, no esquecimento breve
De um sonho alado, angelical e leve...
E' um anjo ou é um nenê que está dormindo?!

Dorme e sonha. Há um rumor macio e infindo
Na espuma dos lençóis que são de neve
Quando sorrí. . . e é um anjo que se atreve
Roçar-lhe os lábios ao passar, fugindo.

O berço é um trono que a candura zela
E numa graça angélica e infinita
Em brancuras de penas o reveste.

A inocência, ajoelhada ao lado, vela
O seu rico tesouro que palpita
Na leveza de um sono azul, celeste.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

SÍTIO



Lino Vitti

Porteiras e paióis, cercas de estaca,
galinheiro, currais, longe, a charneca;
pés de laranja, de goiaba e jaca,
é um pobre sítio de um mais pobre Jeca.

Dedão à mostra, espingardinha e faca,
mesa pobre, sem vinho e sem bisteca,
é o nosso herói, perseguidor de paca
que não chora, não grita, não impreca.

Se nada tem, a sua vida é rica,
é felizardo porque ele ama e, em troca,
tem o amor da cabrocha que o cotuca.

Essa felicidade não se explica.
À sua sombra a filharada choca,
entre cigarros, cusparadas e uca

segunda-feira, 9 de abril de 2012

FLOR SEM NOME


Lino Vitti

É uma flor, nada mais que uma flor que se abre
da carícia solar à glória luminosa.
Rubra, sangrando em luz, balouçando radiosa
- coraçãozinho triste espetado num sabre.

À noite, na penumbra, em susto, se entreabre
para do orvalho ter lágrima silenciosa.
E quando o dia vem, vestido de cinabre,
entrega-lhe, a sorrir, a essência vaporosa.

Flor humilde do campo, orfãzinha ajoelhada
de mãos postas em prece, â beira dos caminhos,
vestidinho vermelho, a esmolar, a esmolar...

Ela pede, somente, escondida e enjeitada,
o afago de quem passa, um pouco de carinhos,
o beijo imaculado e longo do luar.

domingo, 8 de abril de 2012

ROSÁRIO DE PERDÕES


 Lino Vitti

Entre os gritos brutais da alucinada plebe,
Depois de pronunciada a sentença fatal;
Sob o guante do insulto e alarido infernal,
Cristo, calado e bom, a Sua cruz recebe.

Recebe-a com carinho amigável, leal,
Num abraço de amor, pois nessa cruz percebe
O fim de Sua missão - grandiosa e divinal -
Fonte de salvação onde nossa alma bebe. .

Pisa-lhe, agora, o lenho os ombros doloridos,
Vacila, por momento, os passos; entretanto
Cai sobre Ele o azorrague em golpes repetidos.

E em cada aguda pedra ao longo da subida
vai brotando uma flor de sangue sacrossanto,
Vai ficando o perdão à gente que O trucida.

sexta-feira, 6 de abril de 2012

A CRUZ


70 ANOS DEPOIS
Lino Vitti
Não sou de guardar o que tenho escrito em jornais, revistas, folhetos ou coisas que tais. Às vezes, porém, ou por acaso ou por descuido, no fundo de uma gaveta, mexida extemporaneamente, surge um papel já amarelecido e nele um escrito que pode ser um artigo, uma crônica, um soneto, um poema. E a curiosidade que é invencível em todo o ser humano, lá vai fuçar e o poeta encontra sempre um soneto que relê e até acha que não é de sua autoria. E nesta minha última aventura arquivológica, não mais na gaveta tradicional, mas no bojo deste saco de antiguidades eletrônicas, o senhor computador, esbarrei com este saudoso poema, escrito em 1926, quando voluntariamente aprisionado em seminário religioso, onde, por cúmulo, era proibido poetar. Vejam os leitores a curiosidade e deduzam se já Lino Vitti se fazia ou não candidato ao principado dos poetas piracicabanos.

A CRUZ
Lino Vitti
(Seminarista -1936 –l6 anos de idade)
Bendita cruz, sagrado lenho,
Onde expirara o Salvador,
A ti agora em mente tenho
Pois tu és santo, és todo amor.

Desejo amar-te e a ti venho
Com humildes preces ao Senhor,
Porque O ostentas em teu lenho,
Porque Ele amou, por nós, a dor.

Tu és, ó Cruz, sinal de vida,
A nós dás força em toda lida,
Firma do Céu, da Salvação.

Do Santo Deus és o estandarte
Por isso mais eu quero amar-te,
Até ao Céu – na eterna mansão.

A Cruz, aquela de onde pendeu o Cristo, não cabe apenas num singelo soneto de um poeta deste século. Exigiria muito mais, talvez um Lusíadas, uma Ilíada, um Homero, um Dante Alighieri, um Victor Hugo para dizer realmente o que ela é, o que significa, porque existiu, para que serviu; um poema universal histórico, um livro escrito pelo Papa, uma enciclopédia de religião. Mesmo assim faltaria sempre dizer que nela foi crucificado e morreu um Deus, a Segunda Pessoa de uma Trindade infinita e eterna.
Tempos de adolescente eu fora o leitor da Via Sacra , na igreja de Santana, terra que me viu nascer e que guardo no mais profundo do coração. A Via Sacra é uma reedição sintética do drama do Calvário, e a Igreja Católica presta uma condigna homenagem ao colocar no tempo l4 quadros biblicos como 14 estações que sintetizam o curso de Cristo, carregando a própria Cruz na qual seria imolado e realmente o foi, para propiciar a salvação das almas de toda a humanidade.
Pelo dito nas linhas acima vê-se quanto é amada e dignificada a Cruz. Escolas, hospitais, parlamentos, prédios de caráter publico, caminhos, alcantis montanhosos, praças de esportes, e outros muitos locais, inclusive no peito da roupa de muitos cidadãos, cidadãs, crianças e jovens, é uma honra ver brilhando um crucifixo, o símbolo daquela figura santíssima que um dia se ergueu no alto do Calvário, e mostrou ao mundo que alí estava o instrumento onde foi pregado, sofreu durante três horas, morreu, o próprio Filho de Deus e, a cuja vista, foge o Espírito do Mal.

terça-feira, 3 de abril de 2012

Texto do Príncipe dos Poetas Piracicabanos na FOLHA CIDADE

O Príncipe Lino Vitti publica textos semanalmente na FOLHA CIDADE


GÓLGOTA DA DOR
Lino Vitti –Príncipe dos Poetas Piracicabanos

Capítulo final da uma vida divina,
coroando a sentença ignóbil e assassina
da autoridade atroz do déspota romano,
se ergue no calvo monte a Cruz qual sumo arcano,
e nela o Mártir - Deus arqueja exangue e triste
a cuja morte a plebe espavorida assiste,
impotente a chorar do Inocente a desdita,
as lágrimas unindo às da Mulher Bendita,
a Santíssima Mãe da Vítima que finda
- soluços divinais que hoje se ouvem ainda -
como um eco que o tempo, oh! nunca apagará
pois chorar por um Deus o que isso expressará ?

O Gólgota ! No cume a soberana Cruz
emite a mais intensa e redentora luz,
luz da Fé, da Esperança, luz do Amor
que emana da figura excelsa do Senhor!
Um símbolo de dor que a humanidade esquece
de ver e reviver na glória de uma prece !
O Gólgota! É o Tabor que perdoa e ilumina,
que salva o pecador, que o convida e reanima:
é aqui sobre este monte onde Jesus findou
que a graça se fez sangue e ao mundo borrifou!

Ainda hoje há no mundo os Calvários tristonhos
Onde se crucifica a beleza dos Sonhos,
onde se crucifica a Esperança da Paz,
que entre escombros fatais doridamente jaz;
onde se crucifica a Inocência infantil
e se mata o porvir na bala de um fuzil !
Há Gólgotas ainda onde se crucifica
a Virtude que é Amor que salva e santifica.
E Gólgotas, eu vejo, onde se perde a vida
sob o fogo infernal que destrói e trucida
e a farrapos reduz a pobre humanidade !
E outros Gólgotas há que matam a Verdade !

Meus Deus! Que mundo é este e para onde caminha?
Parece que o final dos tempos se avizinha,
num Gólgota de dor insano e tenebroso
onde se ergue uma cruz de trevas e maldade
para crucificar de novo em seu madeiro
a beleza, o perdão, a graça, a divindade,
como o fez com Jesus, Deus e Homem Verdadeiro!

segunda-feira, 2 de abril de 2012

50 ANOS DE BONS SERVIÇOS


Armando Alexandre dos Santos

Um conceito está muito em voga, hoje em dia, entre historiadores e sociólogos, é o de “espaço de sociabilidade”, o qual, juntamente com seu correlato “rede de sociabilidade”, vem sendo muito estudado. Um “espaço de sociabilidade” bastante curioso, muito presente no nosso dia-a-dia, é aquele constituído pelos restaurantes por quilo, que surgiram no Brasil há cerca de 20 anos e desde então tiveram extraordinário desenvolvimento. Tudo, na vida moderna, favorece esse gênero de restaurantes: a pressa com que geralmente se almoça, a praticidade com que se evitam os trabalhos caseiros de cozinha, a facilidade para quem deseja uma alimentação saudável e balanceada, e por isso prefere poder dispor de opções bem diversificadas.
Como espaços de sociabilidade, os restaurantes por quilo são um campo aberto e cheio de potencialidade, para quem se disponha a estudá-los. Aqui em Piracicaba, frequento quase diariamente o Galileo´s Grill, na Rua Prudente de Morais, onde fiz excelentes amizades e ampliei a minha “rede de sociabilidade”. Entre os bons amigos que ganhei, frequentando o Galileo, conto com muita estima o Sr. Antonio Vitti, que todos os domingos ali comparece com sua esposa D. Maria, a filha e duas netas. Sabendo que era irmão do nosso caríssimo Príncipe Lino, o dos poetas piracicabanos, foi fácil o contato, logo ficamos amigos. E todos os domingos, lá sempre tiramos nossos dois dedos de prosa, que para mim são muito prazerosos.
Acabo de receber, precisamente do Sr. Antonio Vitti, um presente precioso. Trata-se de um livro que publicou, intitulado “Das sombras à luz... – História da Comunidade São Domingos de Gusmão (50 anos de Trabalho e Fé)” e prefaciado pelo irmão, Acadêmico Lino Vitti.
É um pequeno grande livro. Tem apenas 95 páginas, mas um conteúdo denso e benéfico para o leitor. Neste mundo tão esquecido de Deus e das coisas do espírito, dá gosto ler o histórico de meio século de dedicação de uma família católica que, a partir da catequese de crianças, chegou a formar uma instituição sólida e a edificar uma igreja. Tudo isso aqui em Piracicaba, no Bairro Alto, bem perto do Centro.
Os Vitti, muito conhecidos nesta cidade e em toda a região, são de origem tirolesa, daquela região austríaca de onde vieram muitas das famílias que ainda hoje povoam o distrito de Santa Olímpia, Santana, Fazenda Negri e Viocil. São católicos por tradição e convicção, sempre muito dedicados em apoiar as obras piedosas da Igreja. Um dos irmãos do Sr. Antonio é, até, sacerdote.
Em 1960, o Sr. Antonio, congregado mariano ainda bem jovem, conseguiu de seu futuro sogro, Sr. Domingos Blanco, autorização para que fossem ministradas aulas de catecismo à sombra das árvores da chácara da família Blanco, que ocupava todo um quarteirão, entre as ruas Bernardino de Campos, Marechal Deodoro, Visconde do Rio Branco e Regente Feijó. A primeira turma de neófitos foi constituída por 60 meninos e meninas. A essa turma seguiu-se outra, depois mais outra e outras mais, até hoje.
Muito metódico e organizado, o Sr. Antonio, já em 1961, promoveu a fundação formal de um Centro Catequético, com uma ata constitutiva assinada por diversas pessoas e contando com o apoio do pároco Mons. Martinho Salgot. Mais tarde, quando dividiu a chácara entre os seus vários herdeiros, o Sr. Domingos Blanco reservou uma área para ser doada à paróquia, a fim de nela se institucionalizar o centro catequético. Nessa área foi edificado um salão e, mais recentemente, uma capela. Os trabalhos catequéticos que deram origem à obra prosseguem, como disse, até hoje.

A história dessa instituição, que durante 50 anos vem sendo conduzida como anexo à Paróquia do Bom Jesus e sempre contando com o apoio e generosidade dos Vitti, é narrada nesse livrinho tão singelo e, ao mesmo tempo, tão rico e revelador. Foi tipicamente uma iniciativa de leigos, num século em que o laicato ganhou tanta expressão na Igreja Católica.
O nome oficial da instituição, que consta do título do livro, é Comunidade São Domingos de Gusmão, santo espanhol do século XIII, fundador da Ordem dos Pregadores (dominicanos). Na pg. 21, o autor explica a razão dessa escolha: Domingos era o onomástico do benfeitor, Sr. Blanco, que era filho de espanhóis; e era também espanhol Mons. Salgot.
Entretanto, uma coisa não me ficou clara. Na ata de fundação, reproduzida em fac-símile nas páginas 15 e 19 do livro, a instituição era denominada “Centro de Catecismo São Domingos Sávio” – o que era muito explicável, já que São Domingos Sávio, santo do século XIX falecido com apenas 13 anos de idade, aluno de São João Bosco e, como este, natural de uma aldeia próxima a Turim, norte da Itália, também foi catequista e exerceu seu apostolado com crianças.
Vê-se, portanto, que ocorreu, em algum momento da história, uma substituição no patrono da instituição. Um São Domingos foi trocado por outro. Entre santos do Paraíso, obviamente, não há rivalidades nem disputas... Não ficou nem um pouquinho menor a glória eterna de São Domingos Sávio por ter sido seu nome substituído pelo também glorioso São Domingos de Gusmão. Mas permanece a dúvida: por que essa substituição?
Acredito que esse é um ponto que o Sr. Antonio, melhor do que ninguém, pode nos esclarecer. Espero que já no próximo domingo, quando o reencontrar no Galileo, ele me esclareça isso... Espero também que a obra meritória da Comunidade São Domingos permaneça por muitas e muitas gerações de Vitti. E que o ótimo livro do Sr. Antonio tenha, também, muitas e muitas reedições.

PRÍNCIPE DOS POETAS DE PIRACICABA

CURRICULUM VITAE
( Síntese de Vida)
NOME – Lino Vitti
IDADE – 08/02/1920
ESTADO CIVIL – Casado, em únicas núpcias, há 56 anos, com a Professora Dorayrthes Silber Schmidt Vitti
FILIAÇÃO – José e Angelina Vitti
NATURALIDADE – Piracicaba, Estado de São Paulo –Brasil
Bairro Santana , Distrito de Vila Rezende
VIDA FAMILIAR
Casamento Civil e Religioso em comunhão de bens, Pai de sete filhos: Ângela Antónia, Dorinha Miriam, Rosa Maria, Fabíola , Lina, Rita de Cássia, Eustáquio.
VIDA PROFISSIONAL
Aposentado como Diretor Administrativo da Câmara de Vereadores de Piracicaba, e como Redator do “Jornal de Piracicaba”. Exerceu atividades no comércio, no Magistério, na lavoura até os l3 anos, na municipalidade local, como bibliotecário, lançador de impostos, protocolista, Secretário Municipal.

VIDA CULTURAL
ESCOLA PRIMÁRIA –
Grupo Escolar “Dr. Samuel de Castro Neves”, Santana, seminarista vocacional ao sacerdócio por seis anos, no Colégio Santa Cruz, da cidade de Rio Claro (SP), onde cursou humanidades, línguas, religião, ciências, matemáticas, música.
CURSOS –
Formou-se Técnico em Contabilidade, lecionou latim, francês, datilografia.

VIDA RELIGIOSA
Católico, Apostólico, Romano, fez curso de religião em seminário dos Padres Estigmatinos, foi organista da Catedral e da Igreja de São Benedito, de Piracicaba, e Congregado Mariano.
VIDA LITERÁRIA
Bafejado por ensinamentos de sábios sacerdotes em colégio de formação religiosa, recebeu extraordinário acervo literário que lhe propiciou enveredar pelo caminho da poesia, da crônica, dos contos, do jornalismo, havendo editado de l959 a 200l sete livros de poesias e contos, com edições em milheiros de volumes, os quais estão aí para satisfazer o gosto daqueles que apreciam a arte literária.
São seus livros : “Abre-te, Sésamo”, l959; “Alma Desnuda”, l988; “A Piracicaba, Minha Terra”, l99l; “Sinfonia Poética”, de parceria com o poeta Frei Timóteo de Porangaba; “Plantando Contos, Colhendo Rimas”, l992; “Sonetos Mais Amados”, l996 e “Antes que as Estrelas brilhem”, 200l. O poeta conta ainda com o prazer de haver composto hinos para diversos municípios, bairros rurais, entidades sociais diversas, continuando a colaborar ainda, após os 83 anos em colunas literárias e com artigos de ordem geral em jornais da terra.
Faz parte da Academia Piracicabana de Letras que lhe outorgou o título honorífico de “PRÍNCIPE DOS POETAS DE PIRACICABA’.
Foi-lhe concedida Pelo Município de Piracicaba, através de sua Secretaria da Ação Cultural, a MEDALHA DE MÉRITO CULTURAL, “ Prof. OLÊNIO DE ARRUDA VEIGA’; é detentor do TROFÉU IMPRENSA, concedido pelo Lions Clube de Piracicaba, centro, e da MEDALHA ITALIANA, concedida pelo governo italiano de Benito Mussolini aos alunos de escolas e seminários de origem daquele país que tivessem se destacado em redação de trabalhos literários escritos na língua de Dante.
O Município de Saltinho, para o qual contribuiu com o Hino dessa comunidade municipal , conferiu-lhe o título de “Cidadão Saltinhense”.

DISCURSO

Por ocasião do lançamento do livro de poesias “Antes que as estrelas brilhem “, pelo poeta Lino Vitti foi proferido o seguinte discursos:

Exmo. Sr. Heitor Gauadenci Jr. dd Secretário da Ação Cultural

Exmo. sr. António Osvaldo Storel. dd. Presidente da Câmara de

Vereadores de Piracicaba

Exmo.sr. Moacyr Camponez do Brasil Sobrinho, dd. Presidente do Instituto Histórico e Geográfico

Exmo,. sr. Henrique Cocenza, dd. Presidente da Academia Piracicabana de Letras

Exmo.. Sr. Ésio Pezzato , anfitrião desta solenidade

Senhoras e Senhores

Pela sétima vez (graças a Deus) em minha vida lítero-poética vejo-me guindado a uma tribuna improvisada (o que é bom porque torna o fato mais popular), para proferir um discurso de agradecimento, ao lado da oferta de um novo livro de versos. É teimosia essa de poetas em desovar sua produção para que mais gente participe de suas tiradas, muitas vezes fora de forma e de ambiente, mas que o poeta não vê porque , ao editar um novo livro está cego pela emoção , como se fosse a vez primeira. Está aí o Ésio Pezzato, responsável por mais esta minha invasão no mundo das letras poéticas, para dizer se não é assim. Para dizer se não sofre também dessa doença feliz de editar livros e mais livros a ponto de perder a conta, já que a esta altura ele não sabe se já está no décimo ou décimo primeiro. E ainda continua batendo dedos de métrica, sabemos lá por quantos anos ainda !

Tenho um ex-colega de seminário, prof. Hildebrando André, aposentado como professor universitário e com o qual mantenho longa e pródiga correspondência, que não se cansa de enaltecer a felicidade de Piracicaba contar com tantos poetas e poetisas. Tem razão ele, pois se apenas dois deles já conseguiram editar l8 livros de poesia, imagine-se as centenas que seriam necessárias para dar um pouco de vazão a essa raridade intelectual que toma conta da minha terra!

Este meu livro vem à lume por obra e arte do prefeito José Machado , seu Secretário da Ação Cultural e de seu zeloso servidor Ésio Pezzato que se entusiasmaram diante da recitação de diversos poemas meus por um grupo de jograis, alunos da UNIMEP, e impressionados decidiram patrocinar a publicação deste livro, pois entenderam que Piracicaba poética merecia conhecer em mais profundidade o seu príncipe da poesia. E aí está, lindo e impecável, entregue às mãos do povo de Piracicaba, que indistintamente de cor, estudos, intelectualização , posses financeiras, categoria de trabalho, com religião ou agnóstico, jovem ou adulto, roceiro ou citadino, aí está, para quiçá, momentos de lazer e sonho. Sonho , sim, porque a poesia é terrivelmente sonhativa , vive no mundo da fantasia, alicerça-se nas bases da emoção e brota do âmago mais profundo do poeta, e para que as filhas de Eva não reclamem, da poetisa também.

Alguém me perguntará? Como é ser poeta? Juro, nunca pensei nisso. Acho que ninguém consegue ser poeta. Já é. Nasce feito, como dizem.

não é verdade Maria Cecilia, Ivana Maria, Ésio Pezzato , Prata Gregolim, Marina Rolim, Valter Vitti, Mario Pires, Saconi, e tutti quanti enfeitam com seus lindos versos as páginas do “ Jornal de Piracicaba, ou da “Tribuna Piracicabana , e assim também esse cacho imenso de livros poéticos que quase semanalmente são dados ao conhecimento e sentimento público de nossa terra ? Tornando-se um privilégio de uma cidade, como disse alhures o supra citado meu colega seminarístico Hildebrando André. ?

Não se suponha que para ser poeta é preciso ter nascido em berço de ouro ou em centros intelectuais de enorme repercussão. Nada disso. Tenho um soneto que define bem esse fato. É assim: “Eu não sou o poeta dos salões / de ondeante, basta e negra cabeleira] não me hás de ver nos olhos alusões / de vigílias, de dor e de canseiras. // Não trago o pensamento em convulsões,/ de candentes imagens, a fogueira. / não sou o gênio que talvez supões/ e não levo acadêmica bandeira.// Distribuo os meus versos em moedas/ que pouco a pouco na tua alma hospedas / - raros , como as esmolas de quem passa. / Mas hei de me sentir feliz um dia/ quando vier alguém render-me graça/ por o fazer ricaço de poesia. // “ . Poetas e poetisas saem do nada , devem trazer o selo ou o bilhete de entrada nesse reino encantado desde o útero materno, embora ouse eu afirmar que a vida é também uma grande mestra , as influências da mentalidade circunvizinha,

o próprio meio ambiente, podem , em circunstâncias outras , plasmar um poeta .

Eu fui plasmado , por exemplo, por entre maravilhas campestres. A roça ou o campo são fantásticos criadores de poesia. Ela anda atapetando por todos os cantos a natureza, as gentes, os animais, os atos e fatos. e a cabeça daqueles com quem ela convive. E o poeta, criador por excelência, se abebera de todas as belezas esparsas pelas colinas, serras, vales e descampados , para transformar tudo em versos e rimas, ou em versos simplesmente, onde pululam , como cabritos silvestres, as figuras literárias, os tropos, as sínteses, as comparações, e todos os anseios que lhe vão no imo da alma. Para satisfação própria e para satisfação dos que convivem com o poeta. E´ por isso que se botardes olhos curiosos sobre meus poemas havereis de tropeçar a todo o momento com um motivo roceiro, pois trago uma alma plasmada pelas belezas rurais de Santana, Santa Olímpia , Fazenda Negri, e especialmente por aquela colina encimada ,no cocuruto, pelo prédio do grupo escolar, onde aprendi a ler e escrever e a poetar.

Peço desculpas por haver-me prolongado um pouco nestas elucubrações poéticas, desobedecendo aos conselhos do amigo Ésio que continua exigindo de mim discursos improvisados, o que seria tão para os ouvintes , que ansiosamente aguardam o momento de bater palmas acabando assim com a verborragia oratória.

Não posso entretanto encerrar esta breve alocução sem deixar consignados meus agradecimentos do fundo do coração ao prefeito José Machado ,ao seu Secretário da Ação Cultural Heitor Gaudenci Junior, ao seu sub-secretário poeta Ésio Pezzato, ao prefaciador Moacyr de Oliveira Camponez do Brasil sobrinho, aos queridos opinadores Maria Cecília Bonachella, Maria Ivana França de Negri, exímias poetisas, prof. Elias Salum e a minha filha Universitária Fabíola Vitti Moro, pela maravilhosa capa, Editores e toda equipe de funcionários , à minha esposa pela sugestão transmitida ao prefeito com relação ao advento desta obra, aos digitadores Nair , minha nora e neto Leonardo, e outros que possa ter esquecido, como é fácil em cachola idosa, - meus agradecimentos repito, pela reunião de esforços e trabalho que tornaram possível o advento de mais um livro de minha lavra.

Obrigado “ em geralmente” como dizem nossos cururueiros, aos que ilustraram com sua arte musical esta solenidade e assim também a todos quantos acharam um tempinho para vir prestigiar-me nesta tarefa de cultura e arte. Levem a certeza de que nada mais desejo do que engrandecer com minha poesia a terra que me viu nascer, a terra que me viu crescer, a terra que me proporcionou oportunidade para chegar a um cargo tão nobre quão dignificante de “Príncipe dos Poetas de Piracicaba”

Meu carinhoso obrigado também aos meios de comunicação, de modo especial “Jornal de Piracicaba”, na pessoa de seu Editor Chefe Joacyr Cury , de “A Tribuna Piracicabana”, na de seu diretor Evaldo Vicente, pela divulgação caprichosa deste evento que afinal nada mais é do que mais uma demonstração da exuberância cultural da Noiva da Colina.

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