Lino Vitti - Príncipe dos Poetas Piracicabanos

Lino Vitti - Príncipe dos Poetas Piracicabanos
Lino Vitti- Príncipe dos Poetas Piracicabanos

O Príncipe e sua esposa, professora Dorayrthes S. S. Vitti

Casamento

Casamento

Bodas de Prata

Bodas de Prata

Lino Vitti e seus pais

Lino Vitti e seus pais

Lino Vitti e seus vários livros

Lino Vitti e seus vários livros
Lino Vitti e seus vários livros

Bisneta Alice

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BISNETA ALICE

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O Príncipe agradece a visita e os comentários

60 anos de Poesia


segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

ANGÚSTIA CREPUSCULAR


 LinoVitti

Pôr-de-sol. Acinzenta-se a paisagem
na indecisão das sombras e da luz.
Na mata, sobre a alfombra da folhagem,
tristonhamente piam os nambus.

Os coqueiros embalam-se na aragem,
sussuram musicais como bambus.
E além avulta a tétrica miragem
de uma árvore a agitar os braços nus.

Apenas um casebre põe no ambiente
a única nota humana de criaturas
fumando a chaminé indolentemente.

Lenta penumbra vai galgando alturas
enquanto nas barrocas, tristemente,
gritam as angustiadas saracuras.

sábado, 28 de janeiro de 2012

NOVA VIAGEM...


Lino Vitti

Pronto! Tudo bem! Novos horizontes, novas perspectivas, novas deliberações, novos sonhos, novas esperanças e muita Fé Naquele que dirige o mundo, como dizia o criador do INTEGRALISMO, ESCRITOR E POETA Plinio Salgado: em seu programa político: “Deus dirige o destino dos povos”; é isso. É Ele que governa , ilumina, encaminha, destina, ama, decide...
Por isso é Ele que nos vai dizer, mostrar, ensinar, resolver tudo para todos, neste ano a dias iniciado, nesta nova viagem por mais um trecho do caminho da vida, pois, como disse o poeta aí acima é “DEUS QUE DIRIGE O DESTINO DOS POVOS”. Dos povos e de cada um de nós que formamos a sociedade, de cada governo responsável pela vida de cada povo, de cada qual de nós, viajantes indefectíveis desta caminhada pelo mundo, mundo enigmático, de futuro ignorado por quem quer que seja, mas real e que aguarda os passos de cada um, rumo à eternidade.
E os caminhos dessa bela em geral, mas às vezes difícil e complicada viagem da vida, são tão diversos à escolha de cada um, repletos de curvas, eivados de pedrouços, morros e vales, alindados de sol muitas vezes, entenebrecidos de nuvens escuras outras tantas, manhãs maravilhosas, entardeceres tristonhos, encantos e desencantos, luzes e sombras, cantos de pássaros canoros ou de corujões tenebrosos, ah! a vida!
Quem no-la dá, quem no-la tira? Quem a abençoa, quem a condena? Quem a prolonga, quem a encurta? Quem a premia com a felicidade ou a tristeza que um mundo ingrato sói oferecer a muitos de nós, viventes com destino certo – a morte – mas com recompensa a ser conseguida por um viver santificado e virtuoso?
Olhar no futuro! Passos certos pela senda da Fé, do Amor a Deus e aos Semelhantes! Propósitos santos de quem almeja o Bem Infinito, de quem quer colher flores e não espinhos na estrada da esperança que se desdobra à frente de cada um.
Que bom se o ano que ora se abre, nos presenteasse com o sol diário de uma felicidade, primeiramente, diria, universal, depois a cada um de nós, diária, familiar, popular, religiosa, social e política! Ah! essa personagem fugitiva bem que poderia, como uma chuva de graças divinas, nos oferecer um mundo melhor, onde o Bem fosse a busca constante, onde Deus fosse o principal motivo da vida do espírito, onde o Amor a Ele e ao próximo, se desdobrasse como um pálio de luz a iluminar a sabedoria humana, a dirigir os corações, a dotar o homem daqueles sentimentos mais necessários â convivência das nações, daquele calor íntimo e profundo que aquenta as relações entre famílias e pessoas, tudo e todos unidos nos sonhos e nas esperanças, nos desejos e na cultura, na vida e no amor, na Fé e na graça do infinito anseio das almas, sequiosas todas pela felicidade universal.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

ANIVERSÁRIO DO PRÍNCIPE DOS POETAS PIRACICABANOS

O Príncipe dos Poetas em seu 92o aniversário comemorado no dia 16 de Janeiro
Com a esposa Dorayrthes
Com amigos e familiares que vieram cumprimentá-lo
Parabéns ao nobre Poeta!

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Manhã Caipira



Lino Vitti

Aleluia de sol. Manhã na roça.
Polifonia de aves matinais.
O longínquo rumor de uma carroça
E mugidos amigos nos currais.

O charuto de fumo sobre a choça
Em grisalhas e lentos espirais.
E uma nítida voz, suave e grossa,
Perdida na extensão dos cafezais.

Um perfume de flor de laranjeira,
O riso vegetal da trepadeira,
Cacarejos e pios no quintal.

Um gosto bom e forte de café;
A Cabocla feliz e já de pé
Com o milho no bojo do avental.

sábado, 14 de janeiro de 2012

Entrevista com o Príncipe dos Poetas de Piracicaba


A Academia Piracicabana de Letras outorgou a este nobre escritor da terra o título honorífico de “Príncipe dos Poetas de Piracicaba”. Sua obra contempla mais de quatro décadas dedicadas à poesia, especialmente os sonetos. Bafejado pelos ensinamentos de sábios sacerdotes em colégio de formação religiosa, recebeu extraordinária formação literária que lhe propiciou enveredar pelo caminho da poesia, da crônica, dos contos, do jornalismo, havendo editado de 1959 até 2001 sete livros de poesia. Aos 86 anos, Lino Vitti tem orgulho do título. Saudosista assumido, vive num amplo sobrado com Doratirtes, companheira de 57 anos que lhe deu sete filhos. Mas não despreza as novas tecnologias e usa o computador. Nessa entrevista, ele abre o coração e conta o que o emociona e o que o choca no mundo de hoje.
A PROVINCIA – Vale a pena ser poeta?
Lino Vitti – Penso que vale a pena, e muito. A prova são os sete livros de minha lavra. O primeiro, “Abre-te Sésamo”, publiquei quando ainda era moço. Depois vieram “Alma Desnuda”, “Sinfonia Poética”, “Piracicaba, minha terra”, “Sonetos mais amados”, “Plantando contos e colhendo rimas” e “Antes que as estrelas brilhem”, esse último de 2001.
O que representa o título “Príncipe dos poetas piracicabanos”?
Ah, isso é uma coisa que me dá o maior orgulho! Recebi da Academia Piracicabana de Letras, em 1978, e para mim representa uma compensação aos meus longos anos dedicados à poesia.
Quando o senhor começou com a poesia?
Aos 15 anos, quando era seminarista, no Seminário Santa Cruz, em Rio Claro. Lá era proibido praticar poesia, redigir ou pensar tudo o que estivesse relacionado a ela. Mas em certa ocasião apareceu um clérigo de outra congregação, chamado Antonio dos Santos, e que era poeta. Ficou para mim essa divisão entre teologia e poesia. Escondido de outros padres, aprendi todas as técnicas da poesia.
Por isso o senhor desistiu do seminário?
Na verdade eles me mandaram embora. No pátio havia uma figueira e uma folha despencou do alto. Comentei com meu colega que estava me sentindo assim. Mas na hora passou um padre que tomava conta da gente e foi o que bastou para chamar meu pai. Ele pediu para que eu saísse pois não tinha certeza da minha vocação.
O senhor se arrepende de ter desistido ou de ter passado um tempo lá?
Nem uma coisa nem outra. Eu realmente não tinha vocação para sacerdote, mas devo aos padres tudo o que aprendi, tudo relacionado à cultura. Eles formam homens.
Como era a formação de um jovem naquele tempo?
Era a mais ampla possível. Eu aprendi latim, francês, italiano, e tive noções de grego.
E a disciplina, como era?
Era rígida a ponto de um seminarista não pode tocar outro colega com as mãos.
Tanta rigidez tem um lado positivo e um negativo?
De forma nenhuma. A rigidez só tem lado positivo, você tem de ser rígido em tudo.
Essa rigidez estaria em falta na educação de hoje?
Penso que sim. Acho que a educação está muito liberada, acho que no fundo os jovens sentem falta de mais rigidez.
O que o senhor acha da Igreja Católica atual?
Ela acompanhou muita coisa, mas em algumas se manteve, o que tem de ser. As pessoas que se dizem mais liberais não querem aceitar que existem certas coisas que são imutáveis na alma humana. A Igreja não pode aceitar o pecado, o divórcio, o homossexualismo.
Mas a Igreja não precisa se modernizar?
Pra que? Ela não tem obrigação de fazer isso. Sua obrigação é com a crença, com o sagrado. Quem tem de se adaptar a ela é o fiel, ele é quem tem de seguir o que a Igreja determina.
Mas a Igreja não está perdendo fiéis por ser imutável?
A Igreja não visa coisas materiais, ela visa o lado espiritual. Ela não tem de aceitar o divórcio, ela tem de manter o casamento.
Há quantos anos o senhor mantém seu casamento?
Estou casado com Dorairtes, que é professora aposentada, há 57 anos. Temos sete filhos, seis moças e um rapaz, 15 netos e uma bisneta. Realmente é um vínculo indissolúvel.
O que é preciso para ser um bom poeta?
Em princípio, a poesia é um dom natural. Mas eu penso que escrever poesia não é só fazer quadrinhas ou estrofes que tenham métrica, rimadas ou em versos livres. A poesia é uma maneira de transmitir o que está dentro da pessoa de uma maneira elevada, de uma forma incomum. O bom poeta deve ser, acima de tudo, um observador profundo da natureza humana.
O que a modernidade trouxe de bom para o homem?
Trouxe coisas ótimas como as inovações científicas, as novas manifestações culturais. Esse é seu lado bom. Por outro lado, tem seu lado negativo quando se entrega ao abuso do sexo, do crime, da moral, da justiça, e até do abuso do amor.
O que choca o senhor hoje em dia?
Essas coisas que acabei de falar me entristecem. O que me choca é a política. Porque, em vez de cumprir aquilo para o qual foram eleitos, os ilustres representantes da política nacional aproveitam-se de seu mandato para abusar do povo.
O que Piracicaba representa para o senhor?
É meu berço e berço a gente não discute, a gente ama. sei que hoje a cidade tem muitos problemas como violência e falta de policiamento, mas isso existe em todo o lugar.
Santana deve ter um lugar reservado nesse ano, não é?
Claro. Nasci em Santana em 16 de janeiro de 1920 e lá aprendi tudo o que sei. Vivi uma vida campestre, no meio da mata virgem, no meio das lavouras de milho e dos cafezais. Armava arapuca para passarinho, pegava peixe na beira do rio, colhia maracujá na capoeira. Tudo isso desapareceu e em seu lugar colocaram canaviais que acabaram com a mata, os pássaros, os bichos, as frutas, os peixes. É triste para mim, que sou poeta, ver como Santana perdeu a poesia!
(Transcrito, com licença do entrevistado, do site http://www.aprovincia.com – de 10/07/2006)

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

HOMENAGEM

foto: Ivana Negri

ENCONTREI NO ARQUIVO
Lino Vitti

Quem se compromete a escrever para o publico, assim como faço, sem outros propósitos que dar vazão a essa coceira cerebrina que invade muitas cabeças, entre elas a do poetissimo Ésio Pezatto ao lado da deste poetastro, está sujeito ao inesperado, isto é, a ler um dia umas tiradas escritas sobre sua mísera pessoa, como o fez ele num dos jornais da terra e que agora, tenho o prazer de repassar a este jornal do Paulo Camolesi, ao que pude ler, muito amigo e colaborador dele, dono do Folha. Se tiverem paciência de me acompanhar Leiam:

LINO VITTI
Ésio Pezatto

Ser lido por Lino Vitti já é uma honra sem preço. Ser elogiado, então, é entrar em estado de graça pleno. Quantos não queriam ter esse privilégio! Pois eu tive. Está lá, na Tribuna do dia 24 de novembro. Quando peguei o jornal, quase caí das pernas. Não acreditei que ele tivesse coragem de elogiar publicamente um xereto das letras como eu. Mas, que fiquei feliz, fiquei. Passei o dia com o nariz empinado. Aquele artigo vai ser o meu diploma. Serve como currículo.
Quem sou eu, pobre plebeu, para receber alguma atenção do Príncipe dos Poetas Piracicabanos? Claro que foi um gesto de grande bondade, que vou aproveitar como incentivo de maior valor no longo e pedregoso caminho da escrita, onde estou engatinhando. Devo ter começado bem, senão não teria recebido a atenção do nosso maior poeta, que não bajula ninguém. De agora em diante devo caprichar o máximo para não decepcionar o meu mais nobre leitor.
Há cerca de três anos tenho a honra de dividir com ele, uma das páginas do jornal Folha Cidade, criado por Paulo Camolesi, um grande idealista. Conheci Lino Vitti pessoalmente faz pouco tempo. Fiquei impressionado e me encantei com sua ternura e bom humor. Homem de coração transparente, cujo brilho reflete nos olhos, como janelas de sua alma.
Espírito de jovem que não teme o novo, pelo contrário, desvenda-o com discernimento. Homem sóbrio, acolhedor e solícito. Apesar de indignar-se com a mediocridade do nosso tempo, não se recusa a repartir generosamente o conhecimento, única forma do homem ser realmente livre.
Criador de sonhos, tudo transforma em poesia. Seus textos coloridos e ricos em detalhes nos transportam ao meio da cena e nos tornam protagonistas e participantes da sua criação.
Homem simples e generoso, Lino Vitti é o tipo de criatura que, tê-lo entre nós, é motivo de alegria e esperança na constante vitória do bem.

“A sabedoria se deixa encontrar por aqueles que a buscam.
Ela mesma se dá a conhecer aos que a desejam.
Quem por ela madruga não se cansa:
Encontra-a sentada à porta.”(Sab. 6,13-15)

Esses dois versículos do Livro da Sabedoria me fazem lembrar você, sábio poeta.”

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

O VULCÃO


Lino Vitti – Cronista e poeta

Estou ouvindo o justo protesto dos queridos leitores que tenham conseguido arrebanhar na leitura destas quilométricas crônicas que, faz mais de 20 anos, venho editando num cantinho generoso encontrado sempre nas páginas dos jornais da terra, sejam diários, sejam semanários, sejam tablóides, sejam revistas, seja lá que tipo de publicação for. A verdade é que milhares delas voaram por aí, quiçá agradando, quiçá não, sempre porém com as melhores intenções de enfeitar as páginas da imprensa, de rememorar coisas, fatos e pessoas de tempos idos ou de tempos presentes, com o salutar intuito de se tornarem elas – as crônicas – um fio de ligação entre os tempos da vida de cada um - autor ou leitor. E por que sobraria razão ao leitor amigo de protestar contra o assunto a que me propus trazer hoje a este pedaço de página da imprensa – o vulcão – se o cronista, sabem todos, nunca esteve perto do Vesúvio, do Etna, só para citar algum deles, para poder obter subsídios com que redigir sua página, com todos as condições da verdade que assunto tão digno merece? É isso mesmo. Pouco viajante do mundo, jamais vi de perto essa telúrica manifestação do universo, entretanto, os livros, os jornais, e mormente a televisão, são como que máquinas fotográficas que chegam até os nossos pés, a figura fenomenal , não só de um, mas de todos os vulcões que se esgoelam monstruosamente , escancarando fogo, cinza, lava, fumo, do seio da terra, cuspindo-os em direção ao céu. Talvez seja o protesto do inferno diabólico, contra o Céu do Deus Criador. Talvez seja o planeta, prisioneiro de órbitas imutáveis que lhe foram impostas, reclamando da prisão infinita, ansioso de quebrar as amarras térreas e escapar rumo à imensidade do universo. Talvez as profundidades, os abismos do solo que pisamos tentem conquistar as alturas que enxergam além da crosta terráquea e urrem diante da impossibilidade de alcançá-las, transformando-se em lava e trovões para canhonear o beleza das estrelas, o brilho do sol, a poesia tranqüila do lua cheia. Não sei. Nem tentarei saber porque o estômago da Terra, de quando em quando, se arrepela, adoece, revolta-se e se põe a vomitar a indigestão ardente que lhe queima as entranhas.
O espetáculo do vulcão furioso é decerto o maior dos espetáculos, a mais terrível apresentação de revolta que se acoite no seio do globo. O escarro da lava que derrete as pedras e sangra pela encosta da montanha, não pode ser visto sem que a mente se aterrorize, sem que o coração apresse o seu ritmo, sem que a consciência se volte para a existência de uma força superior, que fez a montanha e que lhe colocou no âmago o inferno da lava, do fogo, o urro do canhão, a violência de um calor tão intenso que até as rochas o temem, que até os abismos o evitam. O vulcão é a última manifestação telúrica do caos aprisionado pelo “Fiat” supremo dentro da majestade das terras e dos oceanos que vieram para enfeitar e tornar habitável o universo.
E todas essas comparações e tropos aí expostos pela fantasia do poeta, impressionado diante da soberania de um vulcão nunca visto, mas adivinhado nas imagens da tevê e nas linhas escritas do mundo inteiro, só poderiam resultar no soneto com que encerro esta crônica, oferecendo-a à inteligência compreensiva dos caríssimos leitores que me acompanham a décadas de anos na imprensa piracicabana. É assim:

ÍMPETO TELÚRICO

De súbito troveja o seio da montanha
a boca escancarando em lava rubra e ardente.
como se a escarpa abrisse em vômitos a entranha
em repúdio ancestral de toda a vida adjacente.

E a pedra derretida escorre como estranha,
gigantesca, feroz, tresloucada serpente.
Apavora-se o céu se a fumarada apanha
a imensidão do azul que treme feito gente.

Não acho no meu tênue e mísero vernáculo
termos com que dizer o tétrico espetáculo
- terrível força bruta a sacudir o solo.

É a estúpida beleza, a mais lúgubre guerra,
a vingança infernal que sai do imo da terra
para o mundo ferir em fogo, polo a polo.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

AO NETO BRUNO

BRUNO



Lino Vitti

Quando já da velhice a vela enfuno
E os paternos amores esmaecem.
Eis que você aparece, caro Bruno,
E, juntos, muitos sonhos aparecem.

Neste mundo de Deus, como florescem
O crime, o mal o estúpido gatuno!!!
Quero, porém, que seja o nosso aluno
-das vovós, do vovô, dos que já descem.

Descem da vida a rampa ingrata.
Quero que seja “amigo” , diz mãe Naia,
Que você lute e vença a vida, espero.

Seja tal qual eu fui honrado e digno,
Bom filho, bom patriota, e jamais caia
Na desgraça de ser homem indigno.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

À NETA ALESSANDRA

Alessandra
Lino Vitti

Botão de rosa colorido e belo
Iniciando das rosas o destino.
Sua mãe é Rita, o pai, Marcelo,
A vó, Dorayrthes, o vô, Lino.

É madrugada para os pais, é anelo,
É festival de sons de alegre sino
Berço de sonhos a que às vezes nino,
Outras, sonhando, alegremente velo.

Alessandra” Que a vida não lhe tisne
A alvura inocentíssima de cisne,
O azul dessa manhã que ora inicias.

Que o amor lhe entregue as chaves da ventura
E que a felicidade santa e pura
Acorde com você todos os dias.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

TELEVISÃO


Lino Vitti
(Príncipe dos Poetas Piracicabanos)

Hoje não há telhado em que não vejas,
Enfeitando-o, uma esguia e altiva antena.
E por menos curioso que tu sejas
Contam-se elas dezena por dezena.

São elas que nos trazem essa amena
Cornucópia de imagens qual desejas.
E vês, e milhões vêem cena por cena,
Trazidas pelo espaço como andejas.

Cada televisão é uma amiga
Que as recebe sem pios e sem briga
E as mostra em viva cor a cada lar.

Sede benditas, sim, antenas nobres
Que vos mostrais aos ricos como aos pobres
Pois tanto tendes vós a nos mostrar.

domingo, 1 de janeiro de 2012

BISNETA ALICE

Alice


Autor: Bisavô LINO VITTI

Primeira e quiçá única bisneta,
É a mais graciosa e linda criatura.
Tal qual o bisavô, quer ser poeta,
Pois sempre da poesia está à procura.

Quer galgar da Poesia a nobre altura,
Quer ser da rima a mais feliz esteta!
Oxalá, bisnetinha, a tua cultura
Torne-a poetisa, sem rival, completa.

As belezas, os sonhos, os encantos
Que encontrares na vida sejam tantos,
Que a tornem de verdade o que desejas.

A poesia vem da alma e se alcandora,
deve ser pura e ter brilhos de aurora;
deve ser tudo o que de bom almejas.

PRÍNCIPE DOS POETAS DE PIRACICABA

CURRICULUM VITAE
( Síntese de Vida)
NOME – Lino Vitti
IDADE – 08/02/1920
ESTADO CIVIL – Casado, em únicas núpcias, há 56 anos, com a Professora Dorayrthes Silber Schmidt Vitti
FILIAÇÃO – José e Angelina Vitti
NATURALIDADE – Piracicaba, Estado de São Paulo –Brasil
Bairro Santana , Distrito de Vila Rezende
VIDA FAMILIAR
Casamento Civil e Religioso em comunhão de bens, Pai de sete filhos: Ângela Antónia, Dorinha Miriam, Rosa Maria, Fabíola , Lina, Rita de Cássia, Eustáquio.
VIDA PROFISSIONAL
Aposentado como Diretor Administrativo da Câmara de Vereadores de Piracicaba, e como Redator do “Jornal de Piracicaba”. Exerceu atividades no comércio, no Magistério, na lavoura até os l3 anos, na municipalidade local, como bibliotecário, lançador de impostos, protocolista, Secretário Municipal.

VIDA CULTURAL
ESCOLA PRIMÁRIA –
Grupo Escolar “Dr. Samuel de Castro Neves”, Santana, seminarista vocacional ao sacerdócio por seis anos, no Colégio Santa Cruz, da cidade de Rio Claro (SP), onde cursou humanidades, línguas, religião, ciências, matemáticas, música.
CURSOS –
Formou-se Técnico em Contabilidade, lecionou latim, francês, datilografia.

VIDA RELIGIOSA
Católico, Apostólico, Romano, fez curso de religião em seminário dos Padres Estigmatinos, foi organista da Catedral e da Igreja de São Benedito, de Piracicaba, e Congregado Mariano.
VIDA LITERÁRIA
Bafejado por ensinamentos de sábios sacerdotes em colégio de formação religiosa, recebeu extraordinário acervo literário que lhe propiciou enveredar pelo caminho da poesia, da crônica, dos contos, do jornalismo, havendo editado de l959 a 200l sete livros de poesias e contos, com edições em milheiros de volumes, os quais estão aí para satisfazer o gosto daqueles que apreciam a arte literária.
São seus livros : “Abre-te, Sésamo”, l959; “Alma Desnuda”, l988; “A Piracicaba, Minha Terra”, l99l; “Sinfonia Poética”, de parceria com o poeta Frei Timóteo de Porangaba; “Plantando Contos, Colhendo Rimas”, l992; “Sonetos Mais Amados”, l996 e “Antes que as Estrelas brilhem”, 200l. O poeta conta ainda com o prazer de haver composto hinos para diversos municípios, bairros rurais, entidades sociais diversas, continuando a colaborar ainda, após os 83 anos em colunas literárias e com artigos de ordem geral em jornais da terra.
Faz parte da Academia Piracicabana de Letras que lhe outorgou o título honorífico de “PRÍNCIPE DOS POETAS DE PIRACICABA’.
Foi-lhe concedida Pelo Município de Piracicaba, através de sua Secretaria da Ação Cultural, a MEDALHA DE MÉRITO CULTURAL, “ Prof. OLÊNIO DE ARRUDA VEIGA’; é detentor do TROFÉU IMPRENSA, concedido pelo Lions Clube de Piracicaba, centro, e da MEDALHA ITALIANA, concedida pelo governo italiano de Benito Mussolini aos alunos de escolas e seminários de origem daquele país que tivessem se destacado em redação de trabalhos literários escritos na língua de Dante.
O Município de Saltinho, para o qual contribuiu com o Hino dessa comunidade municipal , conferiu-lhe o título de “Cidadão Saltinhense”.

DISCURSO

Por ocasião do lançamento do livro de poesias “Antes que as estrelas brilhem “, pelo poeta Lino Vitti foi proferido o seguinte discursos:

Exmo. Sr. Heitor Gauadenci Jr. dd Secretário da Ação Cultural

Exmo. sr. António Osvaldo Storel. dd. Presidente da Câmara de

Vereadores de Piracicaba

Exmo.sr. Moacyr Camponez do Brasil Sobrinho, dd. Presidente do Instituto Histórico e Geográfico

Exmo,. sr. Henrique Cocenza, dd. Presidente da Academia Piracicabana de Letras

Exmo.. Sr. Ésio Pezzato , anfitrião desta solenidade

Senhoras e Senhores

Pela sétima vez (graças a Deus) em minha vida lítero-poética vejo-me guindado a uma tribuna improvisada (o que é bom porque torna o fato mais popular), para proferir um discurso de agradecimento, ao lado da oferta de um novo livro de versos. É teimosia essa de poetas em desovar sua produção para que mais gente participe de suas tiradas, muitas vezes fora de forma e de ambiente, mas que o poeta não vê porque , ao editar um novo livro está cego pela emoção , como se fosse a vez primeira. Está aí o Ésio Pezzato, responsável por mais esta minha invasão no mundo das letras poéticas, para dizer se não é assim. Para dizer se não sofre também dessa doença feliz de editar livros e mais livros a ponto de perder a conta, já que a esta altura ele não sabe se já está no décimo ou décimo primeiro. E ainda continua batendo dedos de métrica, sabemos lá por quantos anos ainda !

Tenho um ex-colega de seminário, prof. Hildebrando André, aposentado como professor universitário e com o qual mantenho longa e pródiga correspondência, que não se cansa de enaltecer a felicidade de Piracicaba contar com tantos poetas e poetisas. Tem razão ele, pois se apenas dois deles já conseguiram editar l8 livros de poesia, imagine-se as centenas que seriam necessárias para dar um pouco de vazão a essa raridade intelectual que toma conta da minha terra!

Este meu livro vem à lume por obra e arte do prefeito José Machado , seu Secretário da Ação Cultural e de seu zeloso servidor Ésio Pezzato que se entusiasmaram diante da recitação de diversos poemas meus por um grupo de jograis, alunos da UNIMEP, e impressionados decidiram patrocinar a publicação deste livro, pois entenderam que Piracicaba poética merecia conhecer em mais profundidade o seu príncipe da poesia. E aí está, lindo e impecável, entregue às mãos do povo de Piracicaba, que indistintamente de cor, estudos, intelectualização , posses financeiras, categoria de trabalho, com religião ou agnóstico, jovem ou adulto, roceiro ou citadino, aí está, para quiçá, momentos de lazer e sonho. Sonho , sim, porque a poesia é terrivelmente sonhativa , vive no mundo da fantasia, alicerça-se nas bases da emoção e brota do âmago mais profundo do poeta, e para que as filhas de Eva não reclamem, da poetisa também.

Alguém me perguntará? Como é ser poeta? Juro, nunca pensei nisso. Acho que ninguém consegue ser poeta. Já é. Nasce feito, como dizem.

não é verdade Maria Cecilia, Ivana Maria, Ésio Pezzato , Prata Gregolim, Marina Rolim, Valter Vitti, Mario Pires, Saconi, e tutti quanti enfeitam com seus lindos versos as páginas do “ Jornal de Piracicaba, ou da “Tribuna Piracicabana , e assim também esse cacho imenso de livros poéticos que quase semanalmente são dados ao conhecimento e sentimento público de nossa terra ? Tornando-se um privilégio de uma cidade, como disse alhures o supra citado meu colega seminarístico Hildebrando André. ?

Não se suponha que para ser poeta é preciso ter nascido em berço de ouro ou em centros intelectuais de enorme repercussão. Nada disso. Tenho um soneto que define bem esse fato. É assim: “Eu não sou o poeta dos salões / de ondeante, basta e negra cabeleira] não me hás de ver nos olhos alusões / de vigílias, de dor e de canseiras. // Não trago o pensamento em convulsões,/ de candentes imagens, a fogueira. / não sou o gênio que talvez supões/ e não levo acadêmica bandeira.// Distribuo os meus versos em moedas/ que pouco a pouco na tua alma hospedas / - raros , como as esmolas de quem passa. / Mas hei de me sentir feliz um dia/ quando vier alguém render-me graça/ por o fazer ricaço de poesia. // “ . Poetas e poetisas saem do nada , devem trazer o selo ou o bilhete de entrada nesse reino encantado desde o útero materno, embora ouse eu afirmar que a vida é também uma grande mestra , as influências da mentalidade circunvizinha,

o próprio meio ambiente, podem , em circunstâncias outras , plasmar um poeta .

Eu fui plasmado , por exemplo, por entre maravilhas campestres. A roça ou o campo são fantásticos criadores de poesia. Ela anda atapetando por todos os cantos a natureza, as gentes, os animais, os atos e fatos. e a cabeça daqueles com quem ela convive. E o poeta, criador por excelência, se abebera de todas as belezas esparsas pelas colinas, serras, vales e descampados , para transformar tudo em versos e rimas, ou em versos simplesmente, onde pululam , como cabritos silvestres, as figuras literárias, os tropos, as sínteses, as comparações, e todos os anseios que lhe vão no imo da alma. Para satisfação própria e para satisfação dos que convivem com o poeta. E´ por isso que se botardes olhos curiosos sobre meus poemas havereis de tropeçar a todo o momento com um motivo roceiro, pois trago uma alma plasmada pelas belezas rurais de Santana, Santa Olímpia , Fazenda Negri, e especialmente por aquela colina encimada ,no cocuruto, pelo prédio do grupo escolar, onde aprendi a ler e escrever e a poetar.

Peço desculpas por haver-me prolongado um pouco nestas elucubrações poéticas, desobedecendo aos conselhos do amigo Ésio que continua exigindo de mim discursos improvisados, o que seria tão para os ouvintes , que ansiosamente aguardam o momento de bater palmas acabando assim com a verborragia oratória.

Não posso entretanto encerrar esta breve alocução sem deixar consignados meus agradecimentos do fundo do coração ao prefeito José Machado ,ao seu Secretário da Ação Cultural Heitor Gaudenci Junior, ao seu sub-secretário poeta Ésio Pezzato, ao prefaciador Moacyr de Oliveira Camponez do Brasil sobrinho, aos queridos opinadores Maria Cecília Bonachella, Maria Ivana França de Negri, exímias poetisas, prof. Elias Salum e a minha filha Universitária Fabíola Vitti Moro, pela maravilhosa capa, Editores e toda equipe de funcionários , à minha esposa pela sugestão transmitida ao prefeito com relação ao advento desta obra, aos digitadores Nair , minha nora e neto Leonardo, e outros que possa ter esquecido, como é fácil em cachola idosa, - meus agradecimentos repito, pela reunião de esforços e trabalho que tornaram possível o advento de mais um livro de minha lavra.

Obrigado “ em geralmente” como dizem nossos cururueiros, aos que ilustraram com sua arte musical esta solenidade e assim também a todos quantos acharam um tempinho para vir prestigiar-me nesta tarefa de cultura e arte. Levem a certeza de que nada mais desejo do que engrandecer com minha poesia a terra que me viu nascer, a terra que me viu crescer, a terra que me proporcionou oportunidade para chegar a um cargo tão nobre quão dignificante de “Príncipe dos Poetas de Piracicaba”

Meu carinhoso obrigado também aos meios de comunicação, de modo especial “Jornal de Piracicaba”, na pessoa de seu Editor Chefe Joacyr Cury , de “A Tribuna Piracicabana”, na de seu diretor Evaldo Vicente, pela divulgação caprichosa deste evento que afinal nada mais é do que mais uma demonstração da exuberância cultural da Noiva da Colina.

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