Lino Vitti - Príncipe dos Poetas Piracicabanos

Lino Vitti - Príncipe dos Poetas Piracicabanos
Lino Vitti- Príncipe dos Poetas Piracicabanos

O Príncipe e sua esposa, professora Dorayrthes S. S. Vitti

Casamento

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Bodas de Prata

Bodas de Prata

Lino Vitti e seus pais

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Lino Vitti e seus vários livros

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Bisneta Alice

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BISNETA ALICE

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O Príncipe agradece a visita e os comentários

60 anos de Poesia


domingo, 30 de outubro de 2011

À S.R PALMEIRAS


(Minha sincera homenagem)
Lino Vitti

Palmeiras em teu seio há muita fibra,
há doses invencíveis de vontade!
Se jogas, a assistência toda vibra
e te aclama e te aplaude de verdade!

O entusiasmo por sobre ti se libra,
és o Davi dos times da cidade.
Teu conjunto se ajusta, se equilibra,
eletriza-o um calor de mocidade.

E vós, bravos rapazes, lutadores
que envergais o uniforme da esperança
cuja cor vos acena para a glória,

lutai com grande amor por vossas cores
pois quem quer , muito pode e tudo alcança
e eu sei que quereis todos a vitória .

sábado, 29 de outubro de 2011

TARDE PIRACICABANA



Lino Vitti

Entardecer. Tremeluzindo de ânsia
Vai se apagando a luz nas clarabóias.
E as serras espichadas a distância
São monstras e graníticas jibóias.

Nuvens feitas de rútila substância
Navegando no céu são grandes bóias.
Vêm-nos, então, recordações da infância
Que nossa alma guardava como jóias.

Refresca. Vem de longe, vagamente,
O soturno rumor do salto enorme.
A brisa, de mansinho, passa o pente

Nos canaviais longínquos. . . Uniforme
Desce a sombra. . . e a cidade, lentamente,
Põe vigias elétricas. . . e dorme.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

O ETERNO ASSUNTO: FELICIDADE



Lino Vitti

Não saiamos, como outros loucamente
Por caminhos estranhos, à procura
Dessa visão romântica - a ventura -
Que seduz e que engana a muita gente.

Nem um passo sequer demos à frente;
Nem um gesto sequer, que essa criatura,
A um tempo nos alegra e nos tortura
E nos diz a verdade quando mente.

Não, não sair, Melhor será esperá-la.
E se um dia vier, por um momento,
Bater à nossa porta entrar deixá-la.

Porém, muito cuidado e ouvido atento:
Nada de acreditarmos no que fala,
Pois que tudo é fugaz encantamento.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

PEREGRINANDO



Lino Vitti

Venho de longe. . . por este trilho
Ando já tanto, tristonho e só.
Olha os meus trajes, sou maltrapilho,
Os meus olhares já não têm brilho
E os meus cabelos cobre-os o pó.

Venho de longe. . . que sede louca
Me abrasa, intensa, sem compaixão !
Não tive aonde molhar a boca
E água que houvesse, mísera e pouca,
Continha miasmas em profusão.

Venho de longe, já cambealeando,
Morto de fome (meu Deus que horror!)
Pelo caminho vim esmolando
Mas nada davam ao miserando,
Nem pão havia para o viajor!

Venho de longe! Sob o relento
Das noites frias quanto penar!
E tão brutal chicoteava o vento
Que até as estrelas no firmamento
Se punham todas a tiritar!

Já caminhei jornadas inteiras,
Ao léo da chuva, ao sol andei.
Não me acolheram sombras fagueiras,
E, rotos, tinham tantas goteiras
Os tetos onde me refugiei!

Perdido às vezes por negras matas
Vim tropeçando pelos cipoais.
E na alva queda das cataratas
Em vez de espumas, em vez de pratas,
Só via abismos descomunais.

Desfiladeiros a cada passo
Se escancaravam sob meus pés.
E serpes longos, cortando o espaço,
Me ofereciam mortal abraço
No longo abraço de seus anéis.

E nessa luta, sempre guerreando,
Exausto e roto, cheguei aqui
Já agonizante, senão eis quando
Sobre o horizonte, no céu brilhando,
Estrela d'alva te descobri.

E aos meus olhares onde só havia
Trevas, pavores em confusão,
Foi como aurora de um lindo dia,
Luz para o cego que se batia
Na sua tétrica escuridão.

Depois, seguindo, passos incertos,
Ao clarão doce desse farol,
Eu fui fugindo de tais desertos
Para cair nos braços abertos
Do teu amor - suave arrebol.

Encontrei nele quente agasalho,
Matei a fome do meu sofrer.
E para a sede encontrei orvalho,
Para os meus passos achei atalho,
Nada me resta mais a querer.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

O POETA


Lino Vitti – Príncipe dos Poetas Piracicabanos

Quando o enxergam passar, passos pequenos,
A face magra, quieto, entristecido,
Lançando, às vezes, no ar, mudos acenos
Em gestos de abraçar o indefinido;

Quando o enxergam passar (e o seu ouvido
Não atende aos insultos dos terrenos)
Todos, num quase acento comovido,
Dizem: "Deve ser louco, mais ou menos".

Um dia (nem eu sei como se deu)
Conversamos. Contou-me todo o seu
Viver cheio de angústias e revezes.

É poeta. . . arrependo-me dizê-lo,
Pois eu sei que dirão, agora, ao vê-lo:
"Poeta?. . . então é louco duas vezes!"

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

A MINHA ESCOLA



Lino Vitti

Eu não sou o poeta dos salões
De ondeante, basta e negra cabeleira.
Não me hás de ver, nos olhos, alusões
De vigílias, de dor e de canseira.

Não trago o pensamento em convulsões;
De candentes imagens, a fogueira.
Não sou o gênio que talvez supões
E não levo acadêmica bandeira.

Distribuo os meus versos em moedas
Que pouco a pouco na tua alma hospedas;
Raros, como as esmolas de quem passa.

Mas hei de me sentir feliz um dia
Quando vier alguém render-me graça
De o ter feito ricaço na poesia.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

MESTRES E MESTRAS


Lino Vitti

Quem são eles? Vieram eles de onde?
Que missão lhes reserva a vida humana?
Você sabe, e quem sabe então responde,
Gostaria e seria tão bacana.

São a Luz e eles vão onde se esconde
A ignorância, a incultura soberana...
São árvore grandiosa em cuja fronde
Frutifica o saber que sua alma emana.

Ainda agora trago no coração
Com saudades e devotada unção
A imagem santa que minha alma afeta.

Jamais hei de esquecer em toda a vida,
A divina figura estremecida
Que me ensinou a ler e ser poeta.

domingo, 16 de outubro de 2011

Algo mais sobre o amor


Lino Vitti

Que sabemos do amor? Quem o conhece
A ponto de exaltá-lo ou defini-lo?
Por que para se amar dói e padece,
Ou então indagamos o que é aquilo?

Às vezes o entendemos como prece,
Deixando o coração feliz, tranquilo!
Outras, é como espinho que aborrece
Ou fica enclausurado qual sigilo?

É imagem procurada a todo o instante,
um querer, não querer, sempre inconstante,
fogueira que depois morre em fumaça.

Dizem que amor na vida é que comanda...
É um veleiro a vogar de vela panda,
Uma brisa que brinca, encanta e passa.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

SAUDOSOS ANOS ESCOLARES


Lino Vitti

Ah! se a adolescência voltasse! Ah! se por um estranho milagre os tempos voltassem e nos levassem de novo àqueles dias de surpresas, de encantamento, de fuga, de sonhos, de esperanças, em que nos matricularam pelos primeiros anos no templo de cultura e saudade que é a primeira escola, a escola primaria, quando e onde zelosos e pacientes professores tudo faziam para destravar as inteligências infantis e incutir nelas o ABC, as contas de somar, subtrair, dividir, multiplicar, a maneira de fazer uma boa e louvável leitura, a história do Brasil, a geografia da Pátria, e até a ser músico ou poeta!
Todos, mas todos mesmo aqueles que tiveram esse privilégio recordam com nitidez, com infinita saudade, com esperanças de um retorno impossível, os dias em que, às mãos do pai ou da mãe, adentramos aquelas portas escancaradas, porque livres e acolhedoras, e nos dirigimos à mesa do diretor, de um mestre encarregado ou de um excelente funcionário, para dar o nosso nome, nossa filiação, nossa data de nascimento, e receber as palavras de alegria: “pronto, já estás matriculado. Agora e só aparecer todos os dias, comprar cadernos, lápis, e livros com o passar dos dias, e aprender a ler, escrever, contar, e “sonhar” com o dia de receber o diploma como passaporte para ensinos superiores e novos vencimentos e fortalecimentos da inteligência e para ser um dia algo na vida, com aproveitamento integral do trabalho condigno dos mestres primeiros que ficaram atrás, mas brilham como um farol indicativo de vitórias e saber.
Nunca na vida se esquece dos mestres que nos alfabetizaram e nos deram chances irretorquíveis de vencer na vida, e embora a quase totalidade os traga na memória cercados de luzes como num altar, de onde nos apontaram o caminho certo e vitorioso, há sempre os ingratos que dos mestres não gostam, que dos mestres se esquecem, que os mestres não amaram e quiçá não amem nunca. Eles nos guiaram como pais, nos conduziram como santas mães, nos transformaram de pessoas broncas e incapazes, em “filhos” iluminados e corajosos para sermos vitoriosos nas lutas inarredáveis da vida. Ser grato aos primeiros (e posteriores) mestres é ato divino, é ser um cidadão formado no idealismo e na cultura, na fé e nas realizações. Como é possível existir alguém que se esqueça deles, que os não lembre, que os não respeite, que não os ame, chegando alguns ao cúmulo de os odiarem, como se foram inimigos.
O inverso entretanto ocorre com a maioria daqueles que tiveram um generoso mestre primário, Daquele ou daquela que não tiveram duvidas nem receio de enfrentar o sertão, a solidão, os perigos de uma região rural, silenciosa e solitária, sem transporte e sem o calor da família e dos amigos, como herói (e heroína), para assumir o ensino primário, o ensino das primeiras letras e os primeiros números aos humildes moradores infantis do sertão. Ah! são mestres inesquecíveis, mestres vindos do céu trazendo à mão o facho de luz de Deus, dignos portanto de amor e gratidão, luz essa que procuram com carinho repassar aos seus filhos intelectuais para toda a vida.
Minha esposa Dorayrthes foi professora primária nos “sertões” de Santo Anastácio, no início de sua carreira, e conta sempre o que foram aqueles anos de ensino às inocentes mas queridas crianças da zona rural. O transporte era sobre toras de madeira transportadas por carros de boi, a água, a dos regatos próximos, o alimento o arroz e feijão sem mistura, a iluminação do quarto a fumacenta lamparina de pavio alimentado a querosene ou o luar adentrando pela janela. Mas valeu a pena, diz ela, porque seu trabalho abriu os luzores do saber a inúmeras cabecinhas sequiosas de conhecimentos e sonhadoras de um futuro mais feliz.
Jamais esquecerei os meus mestres primeiros: João Pecorari (diretor) Dona Josefina, dona Mercedes, “seo” Paternack, dona Helena, dona Valdomira, dona Ester, e Seo Euclides Orsi (que sei haver chamado meu nome nos últimos minutos de sua vida!!!). Tenho certeza de que estão no céu e talvez um dia nos encontremos na eternidade feliz, se eu a merecer, como a mereceram eles.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

A DERRUBADA



Lino Vitti

Atroa o bate-bate retumbante
dos mordentes machados na madeira.
E nessa luta trágica e gigante
rolam troncos em longa choradeira.

Aqui um jequitibá soberbo, adiante
uma velha e frondosa caneleira,
um cedro, uma peroba farfalhante,
toda a legião da flora brasileira.

O machado decepa inexorável,
nada lhe escapa à cólera maldita,
nada o detém na sanha abominável.

E há em cada tombo lástimas soturnas,
e a cada golpe toda a selva grita
pelo eco das quebradas e das furnas.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

UMA PADROEIRA AMADA



Dorayrthes S.S. Vitti

Dia 12 de Outubro , dia da Padroeira do Brasil, Nossa Senhora Aparecida.
Nossa Senhora e nossa Mãe é cultuada nesse imenso Brasil, com muitos títulos.
O que foi escolhido para ser a nossa padroeira – Aparecida - deve-se ao fato de sua imagem haver sido encontrada no rio por pescadores. Ela seria diferente por ser negra. Porém ela é a mesma Nossa Senhora, aquela menina simples escolhida por Deus para ser a Mãe de Seu Filho, incumbido de vir ao mundo para salvar a humanidade, de suas maldades e de seus pecados.
Maria foi para todos nós o exemplo de humildade, de paciência, de caridade e de amor. Ela ensinou os primeiros passos ao seu filho Jesus. Acompanhou sua vida desde o seu nascimento até sua morte.
Nossa Senhora Aparecida é chamada por todos aqueles que necessitam de graças e de milagres para suas necessidades. Os seus devotos são tantos!Penso que todo o brasileiro de vez em quando busca o seu socorro , a sua intercessão.
No seu dia, eu particularmente, pediria como devota, que ela olhasse sempre para nós brasileiros, para este povo tão sofrido onde ainda muitos vivem na miséria.O Brasil é um país riquíssimo, tendo o caudaloso rio Amazonas, florestas onde encontramos uma grande flora e fauna. O Brasil tem de tudo e aqui tudo dá como disse Cabral ao aportar em nossas terras.
A Nossa Senhora Aparecida, peço pelos políticos, pelos homens das leis, pelos empresários que valorizam esta terra maravilhosa e dêem a todos os brasileiros vida digna, para que todos tenham trabalho, alimento, escolas para uma família feliz.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

A PADROEIRA DA PÁTRIA

http://vanessalima.arteblog.com.br

Lino Vitti


Todos os dias, com a graça de Deus, entre as 9 e 10 da manhã, ligo a minha já superada tevê, na faixa da Rede Vida, canal 24, para assistir a Santa Missa recitada, ao vivo, no Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida e, acredito, o mesmo deve dar-se com a maioria dos assistentes pelo Brasil afora, até as fronteiras onde alcança a importante e cristã emissora televisiva.
Dia 12 de Outubro é consagrado a Ela, porque a data é alusiva a essa Nossa Senhora, misteriosamente encontrada por pescadores cristãos quando rodavam sua canoa em busca de seu meio de vida e da vida de suas queridas famílias: os peixes.
Milagre ou não a estatueta foi recolhida por eles e levada onde merecia estar, graças ao quê acabou por se tornar ela uma devoção popular e de então, dado o grande amor que anima a todos os bons brasileiros, acabou se tornando um motivo de busca religiosa e cristã.
E tanto o povo se apegou à devoção da virgem negra que acabou por se tornar a Padroeira do Brasil, em que se perpetua pelos tempos afora, até a consumação dos séculos.
É a 12 de Outubro pois que o povo brasileiro, carinhosa e cristãmente, se congrega com suas preces e com suas homenagens à sua ínclita Padroeira, quando certamente lhe pedirá que continue a amar, proteger, orientar, alegrar este povo que com tanta devoção a aclamou sua Padroeira, uma padroeira que encarna em sua representatividade uma das dignas raças que formou o povo brasileiro e que contribuiu com seu trabalho, embora dolorosamente escravizado, para formar este grande e rico Brasil, invejado por muitas outras nações pela sua grandeza territorial, cultural, religiosa e humana.
Razão pois temos o povo brasileiro de consagrar esta nação ao amor, ao amparo, à devoção, á felicidade de Nossa Senhora Aparecida e justo que lhe dedique um data como feriado nacional, qual o merece e deve permitir aos brasileiros de todas as condições sociais façam deste dia um encontro de corações e homenageiem com todas as veras da alma aquela que é sua Santa Protetora, elo feliz e grandioso entre o Céu e a Terra brasileiros.
Admiro, confesso-o, aqueles peregrinos que de todas as localidades do Brasil, diariamente são mostrados pela Rede Aparecida e RedeVida, comprovando o quanto ela é amada, invocada, querida por todo o Brasil. E com todo amor de filhos oram: Nossa Senhora Aparecida, rogai por nós.
Vejo, naquelas manifestações diárias, vindas de todos os recantos da Pátria, à Nossa Senhora Aparecida consagrada, o quanto é devoto o nosso povo, humilde, simples e amoroso, daquele milagre que um dia as águas do rio Paraíba viram surgir de seu seio, onde havia um tesouro religioso aguardando fosse um de outra feita encontrado para se tornar esse grande e inegualável milagre de amor à Virgem Mãe de Deus, para ser a perpétua e feliz Padroeira do Brasil.

sábado, 8 de outubro de 2011

MATINATA


Lino Vitti

Antecede o milagre matutino
Um escândalo rúbido de luz.
De leve a brisa passa o pente-fino
Por largos capinzais e galhos nus.

À distância, para onde o ouvido inclino
Ouço o piar sincopado dos nambus.
É um festival bulhento, um desatino,
O acordar, pelos pastos, dos anus.

Por fresta do horizonte o sol espia
A imensidão do céu a percorrer,
As horas a marcar de um longo dia.

Nada porém mais belo do que ver
o sorriso da terra em alegria ,
a graça celestial do amanhecer

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

SERÁ A FELICIDADE?


Lino Vitti

Amar é ser feliz? Vem essa felicidade
Da comunhão de dois ardentes corações.
Sem amor que seria a tola humanidade?
Talvez feio covil de ingratas ilusões!

Quem ama com ardor sempre ama de verdade,
Nunca se envolverá em males e traições.
È Ter um coração voando em liberdade,
É dizer eu te adoro em todas ocasiões.

Amor é se envolver em grandes sentimentos,
É transformar em céu todos os bons momentos,
É querer sempre ao lado o motivo do amor.

Reino de encantos, lindo império de esperança,
Não deixe que ele passe, abraça-o sem tardança,
esquecendo o sofrer, as ambições, a dor...

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

SÃO FRANCISCO


Lino Vitti 

A fera da floresta , o passarinho arisco,
O felino feroz, o mais furioso cão,
Todos se amansam ante São Francisco,
Todos sorriem para o Santo Irmão.

A natureza inteira toca o disco
De suas vozes numa só oblação,
Em louvor a esse célico obelisco,
De Amor , de Caridade, de Oração.

Ele uniu, num só gesto de Bondade,
Os viventes da selva, entrelaçando
O amor do homem ao amor da fera.

Desde então vem do alto a felicidade,
Homens e bichos vivem se abraçando,
Ao clarão divinal de nova era.

domingo, 2 de outubro de 2011

In Fine



 Lino Vitti

Para trás, pela rua do Passado,
foram ficando angústias e alegrias,
na mentira sonâmbula dos dias
feita de um grande sonho espedaçado.

Em cada hora, um sorriso massacrado
pela mão das mais fundas nostalgias!
E a cada passo as agulhadas frias
do sofrimento caminhando ao lado.

Um ano se despede, vem outro ano
sobraçando esperanças e ilusões
com que mima o teimoso ser humano.

É assim a vida: um ajuntar de dores,
um receber feridas e empurrões,
um triturar de mágoas e de amores.

PRÍNCIPE DOS POETAS DE PIRACICABA

CURRICULUM VITAE
( Síntese de Vida)
NOME – Lino Vitti
IDADE – 08/02/1920
ESTADO CIVIL – Casado, em únicas núpcias, há 56 anos, com a Professora Dorayrthes Silber Schmidt Vitti
FILIAÇÃO – José e Angelina Vitti
NATURALIDADE – Piracicaba, Estado de São Paulo –Brasil
Bairro Santana , Distrito de Vila Rezende
VIDA FAMILIAR
Casamento Civil e Religioso em comunhão de bens, Pai de sete filhos: Ângela Antónia, Dorinha Miriam, Rosa Maria, Fabíola , Lina, Rita de Cássia, Eustáquio.
VIDA PROFISSIONAL
Aposentado como Diretor Administrativo da Câmara de Vereadores de Piracicaba, e como Redator do “Jornal de Piracicaba”. Exerceu atividades no comércio, no Magistério, na lavoura até os l3 anos, na municipalidade local, como bibliotecário, lançador de impostos, protocolista, Secretário Municipal.

VIDA CULTURAL
ESCOLA PRIMÁRIA –
Grupo Escolar “Dr. Samuel de Castro Neves”, Santana, seminarista vocacional ao sacerdócio por seis anos, no Colégio Santa Cruz, da cidade de Rio Claro (SP), onde cursou humanidades, línguas, religião, ciências, matemáticas, música.
CURSOS –
Formou-se Técnico em Contabilidade, lecionou latim, francês, datilografia.

VIDA RELIGIOSA
Católico, Apostólico, Romano, fez curso de religião em seminário dos Padres Estigmatinos, foi organista da Catedral e da Igreja de São Benedito, de Piracicaba, e Congregado Mariano.
VIDA LITERÁRIA
Bafejado por ensinamentos de sábios sacerdotes em colégio de formação religiosa, recebeu extraordinário acervo literário que lhe propiciou enveredar pelo caminho da poesia, da crônica, dos contos, do jornalismo, havendo editado de l959 a 200l sete livros de poesias e contos, com edições em milheiros de volumes, os quais estão aí para satisfazer o gosto daqueles que apreciam a arte literária.
São seus livros : “Abre-te, Sésamo”, l959; “Alma Desnuda”, l988; “A Piracicaba, Minha Terra”, l99l; “Sinfonia Poética”, de parceria com o poeta Frei Timóteo de Porangaba; “Plantando Contos, Colhendo Rimas”, l992; “Sonetos Mais Amados”, l996 e “Antes que as Estrelas brilhem”, 200l. O poeta conta ainda com o prazer de haver composto hinos para diversos municípios, bairros rurais, entidades sociais diversas, continuando a colaborar ainda, após os 83 anos em colunas literárias e com artigos de ordem geral em jornais da terra.
Faz parte da Academia Piracicabana de Letras que lhe outorgou o título honorífico de “PRÍNCIPE DOS POETAS DE PIRACICABA’.
Foi-lhe concedida Pelo Município de Piracicaba, através de sua Secretaria da Ação Cultural, a MEDALHA DE MÉRITO CULTURAL, “ Prof. OLÊNIO DE ARRUDA VEIGA’; é detentor do TROFÉU IMPRENSA, concedido pelo Lions Clube de Piracicaba, centro, e da MEDALHA ITALIANA, concedida pelo governo italiano de Benito Mussolini aos alunos de escolas e seminários de origem daquele país que tivessem se destacado em redação de trabalhos literários escritos na língua de Dante.
O Município de Saltinho, para o qual contribuiu com o Hino dessa comunidade municipal , conferiu-lhe o título de “Cidadão Saltinhense”.

DISCURSO

Por ocasião do lançamento do livro de poesias “Antes que as estrelas brilhem “, pelo poeta Lino Vitti foi proferido o seguinte discursos:

Exmo. Sr. Heitor Gauadenci Jr. dd Secretário da Ação Cultural

Exmo. sr. António Osvaldo Storel. dd. Presidente da Câmara de

Vereadores de Piracicaba

Exmo.sr. Moacyr Camponez do Brasil Sobrinho, dd. Presidente do Instituto Histórico e Geográfico

Exmo,. sr. Henrique Cocenza, dd. Presidente da Academia Piracicabana de Letras

Exmo.. Sr. Ésio Pezzato , anfitrião desta solenidade

Senhoras e Senhores

Pela sétima vez (graças a Deus) em minha vida lítero-poética vejo-me guindado a uma tribuna improvisada (o que é bom porque torna o fato mais popular), para proferir um discurso de agradecimento, ao lado da oferta de um novo livro de versos. É teimosia essa de poetas em desovar sua produção para que mais gente participe de suas tiradas, muitas vezes fora de forma e de ambiente, mas que o poeta não vê porque , ao editar um novo livro está cego pela emoção , como se fosse a vez primeira. Está aí o Ésio Pezzato, responsável por mais esta minha invasão no mundo das letras poéticas, para dizer se não é assim. Para dizer se não sofre também dessa doença feliz de editar livros e mais livros a ponto de perder a conta, já que a esta altura ele não sabe se já está no décimo ou décimo primeiro. E ainda continua batendo dedos de métrica, sabemos lá por quantos anos ainda !

Tenho um ex-colega de seminário, prof. Hildebrando André, aposentado como professor universitário e com o qual mantenho longa e pródiga correspondência, que não se cansa de enaltecer a felicidade de Piracicaba contar com tantos poetas e poetisas. Tem razão ele, pois se apenas dois deles já conseguiram editar l8 livros de poesia, imagine-se as centenas que seriam necessárias para dar um pouco de vazão a essa raridade intelectual que toma conta da minha terra!

Este meu livro vem à lume por obra e arte do prefeito José Machado , seu Secretário da Ação Cultural e de seu zeloso servidor Ésio Pezzato que se entusiasmaram diante da recitação de diversos poemas meus por um grupo de jograis, alunos da UNIMEP, e impressionados decidiram patrocinar a publicação deste livro, pois entenderam que Piracicaba poética merecia conhecer em mais profundidade o seu príncipe da poesia. E aí está, lindo e impecável, entregue às mãos do povo de Piracicaba, que indistintamente de cor, estudos, intelectualização , posses financeiras, categoria de trabalho, com religião ou agnóstico, jovem ou adulto, roceiro ou citadino, aí está, para quiçá, momentos de lazer e sonho. Sonho , sim, porque a poesia é terrivelmente sonhativa , vive no mundo da fantasia, alicerça-se nas bases da emoção e brota do âmago mais profundo do poeta, e para que as filhas de Eva não reclamem, da poetisa também.

Alguém me perguntará? Como é ser poeta? Juro, nunca pensei nisso. Acho que ninguém consegue ser poeta. Já é. Nasce feito, como dizem.

não é verdade Maria Cecilia, Ivana Maria, Ésio Pezzato , Prata Gregolim, Marina Rolim, Valter Vitti, Mario Pires, Saconi, e tutti quanti enfeitam com seus lindos versos as páginas do “ Jornal de Piracicaba, ou da “Tribuna Piracicabana , e assim também esse cacho imenso de livros poéticos que quase semanalmente são dados ao conhecimento e sentimento público de nossa terra ? Tornando-se um privilégio de uma cidade, como disse alhures o supra citado meu colega seminarístico Hildebrando André. ?

Não se suponha que para ser poeta é preciso ter nascido em berço de ouro ou em centros intelectuais de enorme repercussão. Nada disso. Tenho um soneto que define bem esse fato. É assim: “Eu não sou o poeta dos salões / de ondeante, basta e negra cabeleira] não me hás de ver nos olhos alusões / de vigílias, de dor e de canseiras. // Não trago o pensamento em convulsões,/ de candentes imagens, a fogueira. / não sou o gênio que talvez supões/ e não levo acadêmica bandeira.// Distribuo os meus versos em moedas/ que pouco a pouco na tua alma hospedas / - raros , como as esmolas de quem passa. / Mas hei de me sentir feliz um dia/ quando vier alguém render-me graça/ por o fazer ricaço de poesia. // “ . Poetas e poetisas saem do nada , devem trazer o selo ou o bilhete de entrada nesse reino encantado desde o útero materno, embora ouse eu afirmar que a vida é também uma grande mestra , as influências da mentalidade circunvizinha,

o próprio meio ambiente, podem , em circunstâncias outras , plasmar um poeta .

Eu fui plasmado , por exemplo, por entre maravilhas campestres. A roça ou o campo são fantásticos criadores de poesia. Ela anda atapetando por todos os cantos a natureza, as gentes, os animais, os atos e fatos. e a cabeça daqueles com quem ela convive. E o poeta, criador por excelência, se abebera de todas as belezas esparsas pelas colinas, serras, vales e descampados , para transformar tudo em versos e rimas, ou em versos simplesmente, onde pululam , como cabritos silvestres, as figuras literárias, os tropos, as sínteses, as comparações, e todos os anseios que lhe vão no imo da alma. Para satisfação própria e para satisfação dos que convivem com o poeta. E´ por isso que se botardes olhos curiosos sobre meus poemas havereis de tropeçar a todo o momento com um motivo roceiro, pois trago uma alma plasmada pelas belezas rurais de Santana, Santa Olímpia , Fazenda Negri, e especialmente por aquela colina encimada ,no cocuruto, pelo prédio do grupo escolar, onde aprendi a ler e escrever e a poetar.

Peço desculpas por haver-me prolongado um pouco nestas elucubrações poéticas, desobedecendo aos conselhos do amigo Ésio que continua exigindo de mim discursos improvisados, o que seria tão para os ouvintes , que ansiosamente aguardam o momento de bater palmas acabando assim com a verborragia oratória.

Não posso entretanto encerrar esta breve alocução sem deixar consignados meus agradecimentos do fundo do coração ao prefeito José Machado ,ao seu Secretário da Ação Cultural Heitor Gaudenci Junior, ao seu sub-secretário poeta Ésio Pezzato, ao prefaciador Moacyr de Oliveira Camponez do Brasil sobrinho, aos queridos opinadores Maria Cecília Bonachella, Maria Ivana França de Negri, exímias poetisas, prof. Elias Salum e a minha filha Universitária Fabíola Vitti Moro, pela maravilhosa capa, Editores e toda equipe de funcionários , à minha esposa pela sugestão transmitida ao prefeito com relação ao advento desta obra, aos digitadores Nair , minha nora e neto Leonardo, e outros que possa ter esquecido, como é fácil em cachola idosa, - meus agradecimentos repito, pela reunião de esforços e trabalho que tornaram possível o advento de mais um livro de minha lavra.

Obrigado “ em geralmente” como dizem nossos cururueiros, aos que ilustraram com sua arte musical esta solenidade e assim também a todos quantos acharam um tempinho para vir prestigiar-me nesta tarefa de cultura e arte. Levem a certeza de que nada mais desejo do que engrandecer com minha poesia a terra que me viu nascer, a terra que me viu crescer, a terra que me proporcionou oportunidade para chegar a um cargo tão nobre quão dignificante de “Príncipe dos Poetas de Piracicaba”

Meu carinhoso obrigado também aos meios de comunicação, de modo especial “Jornal de Piracicaba”, na pessoa de seu Editor Chefe Joacyr Cury , de “A Tribuna Piracicabana”, na de seu diretor Evaldo Vicente, pela divulgação caprichosa deste evento que afinal nada mais é do que mais uma demonstração da exuberância cultural da Noiva da Colina.

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