Lino Vitti - Príncipe dos Poetas Piracicabanos

Lino Vitti - Príncipe dos Poetas Piracicabanos
Lino Vitti- Príncipe dos Poetas Piracicabanos

O Príncipe e sua esposa, professora Dorayrthes S. S. Vitti

Casamento

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Bodas de Prata

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Lino Vitti e seus pais

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Lino Vitti e seus vários livros

Lino Vitti e seus vários livros
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Bisneta Alice

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BISNETA ALICE

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O Príncipe agradece a visita e os comentários

60 anos de Poesia


domingo, 29 de maio de 2011

SAUDOSOS ANOS ESCOLARES


ilustração de Diva Golfier
 Lino Vitti

Ah! se a adolescência voltasse! Ah! se por um estranho milagre os tempos voltassem e nos levassem de novo àqueles dias de surpresas, de encantamento, de fuga, de sonhos, de esperanças, em que nos matricularam pelos primeiros anos no templo de cultura e saudade que é a primeira escola, a escola primaria, quando e onde zelosos e pacientes professores tudo faziam para destravar as inteligências infantis e incutir nelas o ABC, as contas de somar, subtrair, dividir, multiplicar, a maneira de fazer uma boa e louvável leitura, a história do Brasil, a geografia da Pátria, e até a ser músico ou poeta!
Todos, mas todos mesmo aqueles que tiveram esse privilégio recordam com nitidez, com infinita saudade, com esperanças de um retorno impossível, os dias em que, às mãos do pai ou da mãe, adentramos aquelas portas escancaradas, porque livres e acolhedoras, e nos dirigimos à mesa do diretor, de um mestre encarregado ou de um excelente funcionário, para dar o nosso nome, nossa filiação, nossa data de nascimento, e receber as palavras de alegria: “pronto, já estás matriculado. Agora e só aparecer todos os dias, comprar cadernos, lápis, e livros com o passar dos dias, e aprender a ler, escrever, contar, e “sonhar” com o dia de receber o diploma como passaporte para ensinos superiores e novos vencimentos e fortalecimentos da inteligência e para ser um dia algo na vida, com aproveitamento integral do trabalho condigno dos mestres primeiros que ficaram atrás, mas brilham como um farol indicativo de vitórias e saber.
Nunca na vida se esquece dos mestres que nos alfabetizaram e nos deram chances irretorquíveis de vencer na vida, e embora a quase totalidade os traga na memória cercados de luzes como num altar, de onde nos apontaram o caminho certo e vitorioso, há sempre os ingratos que dos mestres não gostam, que dos mestres se esquecem, que os mestres não amaram e quiçá não amem nunca. Eles nos guiaram como pais, nos conduziram como santas mães, nos transformaram de pessoas broncas e incapazes, em “filhos” iluminados e corajosos para sermos vitoriosos nas lutas inarredáveis da vida. Ser grato aos primeiros (e posteriores) mestres é ato divino, é ser um cidadão formado no idealismo e na cultura, na fé e nas realizações. Como é possível existir alguém que se esqueça deles, que os não lembre, que os não respeite, que não os ame, chegando alguns ao cúmulo de os odiarem, como se foram inimigos.
O inverso entretanto ocorre com a maioria daqueles que tiveram um generoso mestre primário, Daquele ou daquela que não tiveram duvidas nem receio de enfrentar o sertão, a solidão, os perigos de uma região rural, silenciosa e solitária, sem transporte e sem o calor da família e dos amigos, como herói (e heroína), para assumir o ensino primário, o ensino das primeiras letras e os primeiros números aos humildes moradores infantis do sertão. Ah! são mestres inesquecíveis, mestres vindos do céu trazendo à mão o facho de luz de Deus, dignos portanto de amor e gratidão, luz essa que procuram com carinho repassar aos seus filhos intelectuais para toda a vida.
Minha esposa Dorayrthes foi professora primária nos “sertões” de Santo Anastácio, no início de sua carreira, e conta sempre o que foram aqueles anos de ensino às inocentes mas queridas crianças da zona rural. O transporte era sobre toras de madeira transportadas por carros de boi, a água, a dos regatos próximos, o alimento o arroz e feijão sem mistura, a iluminação do quarto a fumacenta lamparina de pavio alimentado a querosene ou o luar adentrando pela janela. Mas valeu a pena, diz ela, porque seu trabalho abriu os luzores do saber a inúmeras cabecinhas sequiosas de conhecimentos e sonhadoras de um futuro mais feliz.
Jamais esquecerei os meus mestres primeiros: João Pecorari (diretor) Dona Josefina, dona Mercedes, “seo” Paternack, dona Helena, dona Valdomira, dona Ester, e Seo Euclides Orsi (que sei haver chamado meu nome nos últimos minutos de sua vida!!!). Tenho certeza de que estão no céu e talvez um dia nos encontremos na eternidade feliz, se eu a merecer, como a mereceram eles.

sábado, 28 de maio de 2011

Árvores velhas, mas saudáveis!

Lino Vitti

O assunto árvores da rua andou na berlinda da imprensa faz algum tempo, ora reclamando, ora mostrando os estragos causados pelas que foram tombadas pela ventania, ora mostrando os perigos que representam aquelas já idosas e que podem ser derribadas pelas tempestades, causando como é sabido os estragos conhecidos. Tempos houve em que não havia obrigação nenhuma de se plantar o espécime nas calçadas das vias públicas, entretanto, em virtude de lei de autoria do saudoso Vereador Aldrovandi, tornou-se obrigatório o plantio, acrescido com lei complementar do Vereador Alberto Blauw que exigiu cada reforma de prédio ou casa o proprietário plantasse uma árvore, desde que em lugar que não atrapalhasse saída ou entrada de veículos.
Isso já faz mais de 50 anos. As árvores cresceram, tornaram-se altivas e gloriosas, acabando por envelhecer e não resistir ao menor sopro das tempestades e assim a cada exemplar que tomba é certo causar prejuízos, ferimentos e até mortes, segundo se conhece através do noticiário da imprensa e os próprios moradores podem constatar.
Cito um fato. Frente a minha residência alteiam-se duas sibipirunas e dois ipês, que tocam as nuvens, majestosas, majestosas espécies, é verdade, mas que causam natural pavor de, ao furor de qualquer ventania , virem abaixo levando de roldão casas, lojas, veículos, passantes e logicamente os moradores.
A Secretaria Municipal competente foi informada sobre o perigo, entretanto em resposta foi dito que os espécimes são saudáveis, embora velhos, o que não representaria perigo eminente. È verdade, entretanto, todos os dias vemos e lemos que as ventanias furiosas tem posto ao solo as mais saudáveis árvores das grandes cidades, S.Paulo por exemplo, de tal sorte que o informe perde a sua força, pois não se sabe nunca o que resolvem fazer as ventanias ou se as sobreditas têm condições de resistir “pér ómnia saecula saeculorum”. E assim o perigo continua e os vizinhos delas continuam a temer pelo pior a cada dia e a cada ventania.
Lugar de árvores, minha gente, é na largueza dos campos, dos jardins ou das florestas. Rua e calçadas são caminho, são passagem, e garanto que “elas” preferem morar mesmo é no mato, onde vivem felizes, seu causar estragos ou mortes.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Ao Professor Paulo Dias Neme


Lino Vitti
(Príncipe dos Poetas Piracicaba)

Poeta, Professor, Historiador.
Zeloso distribuidor de alta cultura,
Muito obrigado pela linda flor
Da poesia que no Fanal figura.

Ser poeta é uma glória que fulgura,
Ver o mundo e seu lado encantador.
Quanto mais vive,, quanto mais apura,
As belezas do sonho e a luz do amor.

Ser professor é algo nobre e altivo
É unir os sonhos ao que é belo e vivo,
É dar-se de alma a quem deve saber.

Poeta e mestre!...Que ideal mais nobre!...
É a grandeza de Deus que tudo cobre!...
Feliz por ser escravo do dever.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Ao vir do Sol

Lino Vitti
Na agreste mata, ao despertar do dia,
A passarada em sinfonia canta.
Cantam as aves terna sinfonia
Quando acorda a manhã e o sol levanta.

A luz relembra linda melodia,
Mel saído de alígera garganta.
Eu bebo desse mel que me inebria,
Eu bebo essa canção que me quebranta.

Envolve-me essa lírica floresta
Onde a vida gorjeia em santa festa
- um banquete de luzes e de sons..

Amai as aves para compreendê-las
- como disse o poeta das estrelas,
- como repetem sempre os que são bons.

terça-feira, 24 de maio de 2011

Surge uma nova igreja

Lino Vitti

A “nova igreja” que faz parte do título desta quiçá milionésima crônica deste teimoso escrevinhador, não é entidade religiosa nova, mas um templo acolhedor dos cristãos católicos, apostólicos, romanos, de qualquer lugar que seja, pois a Igreja é universal, e floresce onde os seus adeptos considerarem local mais adequado a tanto, como ora ocorreu na rua Bernardino de Campos, onde a família amiga, laboriosa e empreendedora Blanco presenteou a cidade com um novo templo cristão.
O mano António Vitti, cristão e católico convicto, integrante da importante família do bairro dos Alemães, principal idealizador e realizador do novo templo, não se contentou porém em apenas oferecê-lo à cidade, mas vai presenteá-la, como abaixo escrevo, com um livro em que ele deixa impressa a história feliz dessa importante obra.

“A HISTORINHA DE UMA IGREJA"
Lino Vitti
(Príncipe dos Poetas Piracicabanos)

Sr. Novo escritor. Mais um escritor na família Vitti: António Vitti. È, ele acaba de escrever um livro que o mundo cristão terá possibilidade de ler em breve. Nele se conta detalhadamente a história da vinda de uma nova igreja (com i minúsculo pois se trata de templo), na parte da cidade de Piracicaba, chamada Cidade Alta, envolvendo uma família tradicional (dos Blancos).
É claro que não vou contar nada para vocês, porque o livro é uma bela viagem por um chácara da família cujos donos viviam a vida de cristãos convictos e praticantes – Domingos e Elisa Blanco -
modelos de Fé e de Amor a Deus, cercados de filhos amorosos e tementes a Deus, cuja propriedade acabou por se tornar também num ato de Amor a Deus, transformada hoje que foi numa igreja maravilhosa e que distribui felicidade cristã não só aos moradores da Cidade Alta (Bairro dos Alemães) mas a todos quantos queiram adorar a Deus, frequentando-a e nela praticar todos os atos que a religião católica ensina, promove, recomenda e abençôa.
O autor Antonio Vitti tem como irmãos Guilherme, Edviges (falecida), Lino, Walter, Padre Arthur, Aurea, Odete, Ester,Marta e Geraldo (falecido), todos vindos do casal saudoso José e Angelina Vitti, lá do famoso Bairro de Santana, neste Município, cristãos católico-apostólico-romanos modelares e trabalhadores. José timbrou sempre para dar aos filhos não só a Fé, mas a cultura humana que faria os descendentes sábios, como assinalam suas atividades e trabalhos a que dedicaram sua vida.
Quem escreve o livro é uma real demonstração do que afirmo e de certo José e Angelina, do Céu, estarão abençoando o filho escritor e que contribuiu de muitas formas para dar à Cidade Alta um templo como o que se encontra à rua Bernardino de Campos, n. onde cristãos piracicabanos cumprem seus atos de Fé e agradecem a Deus pela igreja que a Família Domingos Blanco lhes legou.
Parabéns, caríssimo irmão. “O Príncipe dos Poetas”, seu mano, espera total sucesso do prendado livro que conta a feliz história da vinda de mais um templo católico

sexta-feira, 20 de maio de 2011

A Paz Fujona


Lino Vitti

Que foi feito da Paz? Que foi feito da Paz?
Foi um sonho talvez que o tempo já apagou?
Mas um sonho se vai como a brisa fugaz,
Deixando uma ilusão nas mãos de quem sonhou...

Por que a Paz foi embora e por que desertou?
Faltou talvez amor – o amor que tudo traz?
Foi quiçá criminosa e o mundo a encarcerou
Numa inóspita e atroz e insólita Alcatraz?...

Decerto a humanidade, invés de muito amá-la,
Do nosso mundo a fez fugir tragicamente
Armou-se do desprezo e quis assassiná-la.

E por isso no céu, na terra e no universo
- Caim que busca amor, mas tudo inutilmente-
O homem vive infeliz, solitário, disperso...

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Velhos Arquivos - Esio Antonio Pezzato



Lino Vitti - Príncipe dos Poetas Piracicabanos
 ENCONTREI NO ARQUIVO

Quem se compromete a escrever para o público, assim como faço, sem outros propósitos que dar vazão a essa coceira cerebrina que invade muitas cabeças, entre elas a do poetissimo Ésio Pezatto ao lado da deste poetastro, está sujeito ao inesperado, isto é, a ler um dia umas tiradas escritas sobre sua mísera pessoa, como o fez ele num dos jornais da terra e que agora, tenho o prazer de repassar a este jornal do Paulo Camolesi, ao que pude ler, muito amigo e colaborador dele, dono do Folha. Se tiverem paciência de me acompanhar Leiam:

“LINO VITTI"
por Ésio Pezatto

Ser lido por Lino Vitti já é uma honra sem preço. Ser elogiado, então, é entrar em estado de graça pleno. Quantos não queriam ter esse privilégio! Pois eu tive. Está lá, na Tribuna do dia 24 de novembro. Quando peguei o jornal, quase caí das pernas. Não acreditei que ele tivesse coragem de elogiar publicamente um xereto das letras como eu. Mas, que fiquei feliz, fiquei. Passei o dia com o nariz empinado. Aquele artigo vai ser o meu diploma. Serve como currículo.
Quem sou eu, pobre plebeu, para receber alguma atenção do Príncipe dos Poetas Piracicabanos? Claro que foi um gesto de grande bondade, que vou aproveitar como incentivo de maior valor no longo e pedregoso caminho da escrita, onde estou engatinhando. Devo ter começado bem, senão não teria recebido a atenção do nosso maior poeta, que não bajula ninguém. De agora em diante devo caprichar o máximo para não decepcionar o meu mais nobre leitor.
Há cerca de três anos tenho a honra de dividir com ele, uma das páginas do jornal Folha Cidade, criado por Paulo Camolesi, um grande idealista. Conheci Lino Vitti pessoalmente faz pouco tempo. Fiquei impressionado e me encantei com sua ternura e bom humor. Homem de coração transparente, cujo brilho reflete nos olhos, como janelas de sua alma.
Espírito de jovem que não teme o novo, pelo contrário, desvenda-o com discernimento. Homem sóbrio, acolhedor e solícito. Apesar de indignar-se com a mediocridade do nosso tempo, não se recusa a repartir generosamente o conhecimento, única forma do homem ser realmente livre.
Criador de sonhos, tudo transforma em poesia. Seus textos coloridos e ricos em detalhes nos transportam ao meio da cena e nos tornam protagonistas e participantes da sua criação.
Homem simples e generoso, Lino Vitti é o tipo de criatura que, tê-lo entre nós, é motivo de alegria e esperança na constante vitória do bem.


“A sabedoria se deixa encontrar por aqueles que a buscam.

Ela mesma se dá a conhecer aos que a desejam.

Quem por ela madruga não se cansa:

Encontra-a sentada à porta.”(Sab. 6,13-15)


Esses dois versículos do Livro da Sabedoria me fazem lembrar você, sábio poeta

quarta-feira, 18 de maio de 2011

70 anos depois

Lino Vitti

Não sou de guardar o que tenho escrito em jornais, revistas, folhetos ou coisas que tais. Às vezes, porém, ou por acaso ou por descuido, no fundo de uma gaveta, mexida extemporaneamente, surge um papel já amarelecido e nele um escrito que pode ser um artigo, uma crônica, um soneto, um poema. E a curiosidade que é invencível em todo o ser humano, lá vai fuçar e o poeta encontra sempre um soneto que relê e até acha que não é de sua autoria. E nesta minha última aventura arquivológica, não mais na gaveta tradicional, mas no bojo deste saco de antiguidades eletrônicas, o senhor computador, esbarrei com este saudoso poema, escrito em 1926, quando voluntariamente aprisionado em seminário religioso, onde, por cúmulo, era proibido poetar. Vejam os leitores a curiosidade e deduzam se já Lino Vitti se fazia ou não candidato ao principado dos poetas piracicabanos.

A CRUZ
Lino Vitti
(Seminarista -1936 –l6 anos de idade)

Bendita cruz, sagrado lenho,
Onde expirara o Salvador,
A ti agora em mente tenho
Pois tu és santo, és todo amor.

Desejo amar-te e a ti venho
Com humildes preces ao Senhor,
Porque O ostentas em teu lenho,
Porque Ele amou, por nós, a dor.

Tu és, ó Cruz, sinal de vida,
A nós dás força em toda lida,
Firma do Céu, da Salvação.

Do Santo Deus és o estandarte
Por isso mais eu quero amar-te,
Até ao Céu – na eterna mansão.

A Cruz, aquela de onde pendeu o Cristo, não cabe apenas num singelo soneto de um poeta deste século. Exigiria muito mais, talvez um Lusíadas, uma Ilíada, um Homero, um Dante Alighieri, um Victor Hugo para dizer realmente o que ela é, o que significa, porque existiu, para que serviu; um poema universal histórico, um livro escrito pelo Papa, uma enciclopédia de religião. Mesmo assim faltaria sempre dizer que nela foi crucificado e morreu um Deus, a Segunda Pessoa de uma Trindade infinita e eterna.
Tempos de adolescente eu fora o leitor da Via Sacra , na igreja de Santana, terra que me viu nascer e que guardo no mais profundo do coração. A Via Sacra é uma reedição sintética do drama do Calvário, e a Igreja Católica presta uma condigna homenagem ao colocar no tempo l4 quadros biblicos como 14 estações que sintetizam o curso de Cristo, carregando a própria Cruz na qual seria imolado e realmente o foi, para propiciar a salvação das almas de toda a humanidade.
Pelo dito nas linhas acima vê-se quanto é amada e dignificada a Cruz. Escolas, hospitais, parlamentos, prédios de caráter publico, caminhos, alcantis montanhosos, praças de esportes, e outros muitos locais, inclusive no peito da roupa de muitos cidadãos, cidadãs, crianças e jovens, é uma honra ver brilhando um crucifixo, o símbolo daquela figura santíssima que um dia se ergueu no alto do Calvário, e mostrou ao mundo que alí estava o instrumento onde foi pregado, sofreu durante três horas, morreu, o próprio Filho de Deus e, a cuja vista, foge o Espírito do Mal.

terça-feira, 17 de maio de 2011

ALMA DE POETA


Ivanete Degaspari

Gosto de fazer poesias,
penso nisso noite e dia.
Busco sonhos, realidades
o que me aconteceu de verdade,
e o que temo acontecer.
As coisas que a tevê exibe
e tudo o que presencio na natureza,
se alegria, se tristeza.

Amo o joguete de palavras,
ora riem comigo,
ora riem de mim.
Ora choro em seu ombro amigo,
ora chamo de loucura este amor,
repleto de rimas, repleto de dor.

É assim, talvez mais, talvez menos...
Este é meu jeito,
tresloucado, diferente
de dizer o que se sente.

Na verdade eu vivo disso,
prazer puro, leveza total,
agonia, baixaria, carnaval.
Nas linhas descobertas, segredos,
nas entrelinhas sabe lá Deus o que vem.
Nas tempestades, nas calmarias,
nos sofrimentos, nas alegrias...
Que seria de mim, meu amigo,
se não me abrisse em POESIA?!

segunda-feira, 16 de maio de 2011

O milharal



tela de Bebeth
  Dorayrthes S.S. Vitti

Parodiando a crônica do meu esposo Lino Vitti, inspirei-me para escrever também uma croniqueta sobre o mesmo assunto nela tratado.
Diante de um milharal, primeiramente, fiquei observando a beleza dessa plantação. O exuberante verde de suas folhas, farfalhando com o passar do vento, como fossem música para meus ouvidos, música regida pelo vento e sussurrada pela folhagem. Que maravilha!
Quando aparecem as espigas com seus tufos de cabelos louros, beijadas pelo sol, brilham, lembrando cabeleiras louras das moças colhendo as espigas prontas para serem consumidas.
Lembro-me então das pamonhas fervidas em grandes tachos e curau feitos pela minha saudosa mãe.A criançada, ao redor, esperava, para raspar a panela, enquanto mamãe dizia: saiam de perto, ainda vão se queimar. Era só alegria com algazarra que faziam.
Não é somente para esses doces e iguarias que o milho é utilizado. O tipo de milho branco, depois de ser limpo no moinho, transforma-se na gostosa cangica que , cozida com leite, é degustada nas tardes de inverno.
O milho seco serve como alimento para as aves, cavalos, burros e porcos.Depois de moído nos moinhos próprios torna-se no nutritivo fubá. Com ele se faz a famosa polenta apreciada por toda a gente. Que tal uma bela polenta com frango ao molho? È prá dar água na boca. E o bolo de fubá, ai que delicia!? Um fofo bolo de fubá com café e leite nas tardes de qualquer um!
Falando nessas boas coisas a saudade fez-me fugir um pouco do assunto.
Continuando a ver o milharal, vislumbrei no meio da vasta onda verde, uma figura exótica, com um rosto triste, braços abertos como os de Cristo na cruz. Na cabeça, chapéu roto e roupas maiores que o corpo.
Aproximei-me e vi um boneco. Ele olhou-me e disse:
- “Infeliz sina a minha. Ficar aqui nas frias noites de inverno ou ao causticante sol de verão.
- Sabe, a minha tarefa é espantar os pássaros que vêm comer o milho que não plantaram. Mas apesar de tudo ,
sinto-me um triste palhaço. E apesar ainda disso cada qual tem a sua utilidade. Aquele fazendo rir e eu espantando os pássaros. Cada um prestando algum bem para a humanidade.
O milho em suas tantas utilidades é uma bênção de Deus para os homens.

domingo, 15 de maio de 2011

Sob o Pomar


LinoVitti

Mansuetudes de sombras,
Gostosuras de alfombras,
Pomar.
Sonolentos
Espreguiçamentos,
As ramas bocejadas pelo vento,
Sestear.
Indolências de redes;
Faiscam as paredes
Ao sol.
Galgando um tronco,
Paciente e bronco
E preguiçoso,
Vai subindo, riscando um traço
Luminoso,
Um lerdo caracol.

Ginga, ginga e balança,
A rede mansa,
Negligente.
Lenga-lenga de galinhas indolentes
Alongando sonolências molengas, longas,
Oblongas,
Exangues,
Violentas e langues,
Na gente.
Sonolência abismal,
Dominical,
Modorra de mormaço;
Languidez de pupilas
Tranqüilas,
Cansaço.
Encolhe uma das pernas, larga um braço.
Fantasmas que esvoaçam,
Se adelgaçam,
E somem.
Distâncias que afundam,
Que abismam, que inundam,
O homem.

Boceja . Abandono
No vácuo do sono
Por fim.
E saem dentre as copas
Lamúrias de notas
De um triste sem-fim.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

MAIO


Lino Vitti

Mês de maio. Nas glórias matutinas
A manhã - faces rubras de arrebol -
Compõe o véu de tule das neblinas
Para tomar a comunhão do sol.

Em cada copa, vozes peregrinas,
Uma orquestra de pássaros de escol.
E o orvalho - todo velas pequeninas,
Tremeluz pelos fios de aranhol.

Sob a unção tropical, pia e vermelha,
A manhã comungante se ajoelha
À espera que, em caudal, a luz borbote.

Já se abrem, qual sacrário, os horizontes,
Fulge a Hóstia do sol entre dois montes,
Como suspensa em mãos de um Sacerdote.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

MÃE



Mãe - quadro de Arlete

Lino Vitti

No teu divino seio, oculto e pequenino,
Como semente em chão prolífero e adorado,
Germinaste-me a vida e com sopro divino,
Libertaste-me à luz de um mundo doce e amado.

 
Com tua santa voz guiaste o teu menino,
Cobriste-me do frio e teu braço sagrado
Mostrou-me a feliz senda e a seguir o destino,
Como sempre vencer, feliz, cristão e honrado.

 
Receba, minha mãe, neste dia, a saudade;
Que abracem suas mães todos os filhos nobres,
Que elas sintam do Amor toda felicidade.

 
Que Deus lá do infinito envie a todas elas
A bênção celestial, sejam ricas ou pobres,
Brancas, pretas, oh! sim, de palácio ou favelas.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

O LAVRADOR


Lino Vitti

Vibra o sol. Saltam lascas rubras de aço
Na soalheira espasmódica do espaço,
Caustica e ferve o chão.
Herculeamente o lavrador trabalha,
Faz da enxada um punhal, trava batalha,
Colhe uma glória - o pão.

Já é tarde. Rolam sombras no infinito.
E o vale, esvai-se um derradeiro grito
De pássaro cantor.
A natureza sente a angústia parda
Da tarde ida, e da noite que não tarda
Sente o vago pavor.

E volta o lavrador. Busca a cabana
Onde o esperam os olhos da serrana
E os filhinhos, talvez.
Chega. Trocam sorrisos. . . e a ansiedade
Desse momento de felicidade
Lhe inunda em cheio a tez.

Dentro, então, ao clarão de uma candeia
Sorve gostosamente a simples ceia
Que o trabalho lhe deu.
E lembra... num altar muda-se a sala
Um incenso de prece ali se exala
Agradecendo ao céu.

PRÍNCIPE DOS POETAS DE PIRACICABA

CURRICULUM VITAE
( Síntese de Vida)
NOME – Lino Vitti
IDADE – 08/02/1920
ESTADO CIVIL – Casado, em únicas núpcias, há 56 anos, com a Professora Dorayrthes Silber Schmidt Vitti
FILIAÇÃO – José e Angelina Vitti
NATURALIDADE – Piracicaba, Estado de São Paulo –Brasil
Bairro Santana , Distrito de Vila Rezende
VIDA FAMILIAR
Casamento Civil e Religioso em comunhão de bens, Pai de sete filhos: Ângela Antónia, Dorinha Miriam, Rosa Maria, Fabíola , Lina, Rita de Cássia, Eustáquio.
VIDA PROFISSIONAL
Aposentado como Diretor Administrativo da Câmara de Vereadores de Piracicaba, e como Redator do “Jornal de Piracicaba”. Exerceu atividades no comércio, no Magistério, na lavoura até os l3 anos, na municipalidade local, como bibliotecário, lançador de impostos, protocolista, Secretário Municipal.

VIDA CULTURAL
ESCOLA PRIMÁRIA –
Grupo Escolar “Dr. Samuel de Castro Neves”, Santana, seminarista vocacional ao sacerdócio por seis anos, no Colégio Santa Cruz, da cidade de Rio Claro (SP), onde cursou humanidades, línguas, religião, ciências, matemáticas, música.
CURSOS –
Formou-se Técnico em Contabilidade, lecionou latim, francês, datilografia.

VIDA RELIGIOSA
Católico, Apostólico, Romano, fez curso de religião em seminário dos Padres Estigmatinos, foi organista da Catedral e da Igreja de São Benedito, de Piracicaba, e Congregado Mariano.
VIDA LITERÁRIA
Bafejado por ensinamentos de sábios sacerdotes em colégio de formação religiosa, recebeu extraordinário acervo literário que lhe propiciou enveredar pelo caminho da poesia, da crônica, dos contos, do jornalismo, havendo editado de l959 a 200l sete livros de poesias e contos, com edições em milheiros de volumes, os quais estão aí para satisfazer o gosto daqueles que apreciam a arte literária.
São seus livros : “Abre-te, Sésamo”, l959; “Alma Desnuda”, l988; “A Piracicaba, Minha Terra”, l99l; “Sinfonia Poética”, de parceria com o poeta Frei Timóteo de Porangaba; “Plantando Contos, Colhendo Rimas”, l992; “Sonetos Mais Amados”, l996 e “Antes que as Estrelas brilhem”, 200l. O poeta conta ainda com o prazer de haver composto hinos para diversos municípios, bairros rurais, entidades sociais diversas, continuando a colaborar ainda, após os 83 anos em colunas literárias e com artigos de ordem geral em jornais da terra.
Faz parte da Academia Piracicabana de Letras que lhe outorgou o título honorífico de “PRÍNCIPE DOS POETAS DE PIRACICABA’.
Foi-lhe concedida Pelo Município de Piracicaba, através de sua Secretaria da Ação Cultural, a MEDALHA DE MÉRITO CULTURAL, “ Prof. OLÊNIO DE ARRUDA VEIGA’; é detentor do TROFÉU IMPRENSA, concedido pelo Lions Clube de Piracicaba, centro, e da MEDALHA ITALIANA, concedida pelo governo italiano de Benito Mussolini aos alunos de escolas e seminários de origem daquele país que tivessem se destacado em redação de trabalhos literários escritos na língua de Dante.
O Município de Saltinho, para o qual contribuiu com o Hino dessa comunidade municipal , conferiu-lhe o título de “Cidadão Saltinhense”.

DISCURSO

Por ocasião do lançamento do livro de poesias “Antes que as estrelas brilhem “, pelo poeta Lino Vitti foi proferido o seguinte discursos:

Exmo. Sr. Heitor Gauadenci Jr. dd Secretário da Ação Cultural

Exmo. sr. António Osvaldo Storel. dd. Presidente da Câmara de

Vereadores de Piracicaba

Exmo.sr. Moacyr Camponez do Brasil Sobrinho, dd. Presidente do Instituto Histórico e Geográfico

Exmo,. sr. Henrique Cocenza, dd. Presidente da Academia Piracicabana de Letras

Exmo.. Sr. Ésio Pezzato , anfitrião desta solenidade

Senhoras e Senhores

Pela sétima vez (graças a Deus) em minha vida lítero-poética vejo-me guindado a uma tribuna improvisada (o que é bom porque torna o fato mais popular), para proferir um discurso de agradecimento, ao lado da oferta de um novo livro de versos. É teimosia essa de poetas em desovar sua produção para que mais gente participe de suas tiradas, muitas vezes fora de forma e de ambiente, mas que o poeta não vê porque , ao editar um novo livro está cego pela emoção , como se fosse a vez primeira. Está aí o Ésio Pezzato, responsável por mais esta minha invasão no mundo das letras poéticas, para dizer se não é assim. Para dizer se não sofre também dessa doença feliz de editar livros e mais livros a ponto de perder a conta, já que a esta altura ele não sabe se já está no décimo ou décimo primeiro. E ainda continua batendo dedos de métrica, sabemos lá por quantos anos ainda !

Tenho um ex-colega de seminário, prof. Hildebrando André, aposentado como professor universitário e com o qual mantenho longa e pródiga correspondência, que não se cansa de enaltecer a felicidade de Piracicaba contar com tantos poetas e poetisas. Tem razão ele, pois se apenas dois deles já conseguiram editar l8 livros de poesia, imagine-se as centenas que seriam necessárias para dar um pouco de vazão a essa raridade intelectual que toma conta da minha terra!

Este meu livro vem à lume por obra e arte do prefeito José Machado , seu Secretário da Ação Cultural e de seu zeloso servidor Ésio Pezzato que se entusiasmaram diante da recitação de diversos poemas meus por um grupo de jograis, alunos da UNIMEP, e impressionados decidiram patrocinar a publicação deste livro, pois entenderam que Piracicaba poética merecia conhecer em mais profundidade o seu príncipe da poesia. E aí está, lindo e impecável, entregue às mãos do povo de Piracicaba, que indistintamente de cor, estudos, intelectualização , posses financeiras, categoria de trabalho, com religião ou agnóstico, jovem ou adulto, roceiro ou citadino, aí está, para quiçá, momentos de lazer e sonho. Sonho , sim, porque a poesia é terrivelmente sonhativa , vive no mundo da fantasia, alicerça-se nas bases da emoção e brota do âmago mais profundo do poeta, e para que as filhas de Eva não reclamem, da poetisa também.

Alguém me perguntará? Como é ser poeta? Juro, nunca pensei nisso. Acho que ninguém consegue ser poeta. Já é. Nasce feito, como dizem.

não é verdade Maria Cecilia, Ivana Maria, Ésio Pezzato , Prata Gregolim, Marina Rolim, Valter Vitti, Mario Pires, Saconi, e tutti quanti enfeitam com seus lindos versos as páginas do “ Jornal de Piracicaba, ou da “Tribuna Piracicabana , e assim também esse cacho imenso de livros poéticos que quase semanalmente são dados ao conhecimento e sentimento público de nossa terra ? Tornando-se um privilégio de uma cidade, como disse alhures o supra citado meu colega seminarístico Hildebrando André. ?

Não se suponha que para ser poeta é preciso ter nascido em berço de ouro ou em centros intelectuais de enorme repercussão. Nada disso. Tenho um soneto que define bem esse fato. É assim: “Eu não sou o poeta dos salões / de ondeante, basta e negra cabeleira] não me hás de ver nos olhos alusões / de vigílias, de dor e de canseiras. // Não trago o pensamento em convulsões,/ de candentes imagens, a fogueira. / não sou o gênio que talvez supões/ e não levo acadêmica bandeira.// Distribuo os meus versos em moedas/ que pouco a pouco na tua alma hospedas / - raros , como as esmolas de quem passa. / Mas hei de me sentir feliz um dia/ quando vier alguém render-me graça/ por o fazer ricaço de poesia. // “ . Poetas e poetisas saem do nada , devem trazer o selo ou o bilhete de entrada nesse reino encantado desde o útero materno, embora ouse eu afirmar que a vida é também uma grande mestra , as influências da mentalidade circunvizinha,

o próprio meio ambiente, podem , em circunstâncias outras , plasmar um poeta .

Eu fui plasmado , por exemplo, por entre maravilhas campestres. A roça ou o campo são fantásticos criadores de poesia. Ela anda atapetando por todos os cantos a natureza, as gentes, os animais, os atos e fatos. e a cabeça daqueles com quem ela convive. E o poeta, criador por excelência, se abebera de todas as belezas esparsas pelas colinas, serras, vales e descampados , para transformar tudo em versos e rimas, ou em versos simplesmente, onde pululam , como cabritos silvestres, as figuras literárias, os tropos, as sínteses, as comparações, e todos os anseios que lhe vão no imo da alma. Para satisfação própria e para satisfação dos que convivem com o poeta. E´ por isso que se botardes olhos curiosos sobre meus poemas havereis de tropeçar a todo o momento com um motivo roceiro, pois trago uma alma plasmada pelas belezas rurais de Santana, Santa Olímpia , Fazenda Negri, e especialmente por aquela colina encimada ,no cocuruto, pelo prédio do grupo escolar, onde aprendi a ler e escrever e a poetar.

Peço desculpas por haver-me prolongado um pouco nestas elucubrações poéticas, desobedecendo aos conselhos do amigo Ésio que continua exigindo de mim discursos improvisados, o que seria tão para os ouvintes , que ansiosamente aguardam o momento de bater palmas acabando assim com a verborragia oratória.

Não posso entretanto encerrar esta breve alocução sem deixar consignados meus agradecimentos do fundo do coração ao prefeito José Machado ,ao seu Secretário da Ação Cultural Heitor Gaudenci Junior, ao seu sub-secretário poeta Ésio Pezzato, ao prefaciador Moacyr de Oliveira Camponez do Brasil sobrinho, aos queridos opinadores Maria Cecília Bonachella, Maria Ivana França de Negri, exímias poetisas, prof. Elias Salum e a minha filha Universitária Fabíola Vitti Moro, pela maravilhosa capa, Editores e toda equipe de funcionários , à minha esposa pela sugestão transmitida ao prefeito com relação ao advento desta obra, aos digitadores Nair , minha nora e neto Leonardo, e outros que possa ter esquecido, como é fácil em cachola idosa, - meus agradecimentos repito, pela reunião de esforços e trabalho que tornaram possível o advento de mais um livro de minha lavra.

Obrigado “ em geralmente” como dizem nossos cururueiros, aos que ilustraram com sua arte musical esta solenidade e assim também a todos quantos acharam um tempinho para vir prestigiar-me nesta tarefa de cultura e arte. Levem a certeza de que nada mais desejo do que engrandecer com minha poesia a terra que me viu nascer, a terra que me viu crescer, a terra que me proporcionou oportunidade para chegar a um cargo tão nobre quão dignificante de “Príncipe dos Poetas de Piracicaba”

Meu carinhoso obrigado também aos meios de comunicação, de modo especial “Jornal de Piracicaba”, na pessoa de seu Editor Chefe Joacyr Cury , de “A Tribuna Piracicabana”, na de seu diretor Evaldo Vicente, pela divulgação caprichosa deste evento que afinal nada mais é do que mais uma demonstração da exuberância cultural da Noiva da Colina.

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