Lino Vitti - Príncipe dos Poetas Piracicabanos

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O Príncipe e sua esposa, professora Dorayrthes S. S. Vitti

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Lino Vitti e seus pais

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60 anos de Poesia


quarta-feira, 24 de novembro de 2010

O Filme dos Tempos


O filme dos tempos
Lino Vitti

Apanhemos a máquina filmadora, inventemos um processo de retornar aos idos que se foram e aí levar para o celulóide tudo quanto aconteceu nesses distantes pretéritos; na volta, repousemos, nós e o invento cinematográfico, por pouco que seja, sobre a história e a vida desse mundo perdido no tempo; continuemos nossa viagem e estaremos chegando aos dias de hoje, dignos de serem reproduzidos também nesse filme longo, sem fim, cheio de momentos de paz e momentos de guerra, de vitórias e de derrotas, de descobertas e de sepultamentos na tumba do esquecimento, de auroras promissoras e poentes sangrentos, de prazeres incontidos e melancolias infinitas, de glórias e de repulsas, de esperanças e desilusões, de amores e de ódios, de Fé e negação religiosa, de... Bem fiquemos por aqui, porque se fôssemos filmar tudo quanto ficou na História do Homem e de seu Universo, não haveria filmotecas suficientes para guardar em suas estantes a imensidade quilométrica da vida terrestre e de sua principal figura: o Homem.
Expulso do Paraíso com que o Criador o presenteara, o gene humano, jogado a continuar a espécie cá nestas paragens terrestres, transformou-se numa estranha e deserdada criatura, ignorando, voluntária ou involuntariamente, suas origens e as ordens emanadas de seu Deus, pois supondo-se rei do universo passou a usar e abusar dele, passou a fazer pouco de seu semelhante, fruto de uma mesma fonte, a cultuar o Mal e a esconder o Bem para que a consciência não o acusasse e tivesse de responder novamente ao Criador à terrível pergunta: “Adão, onde estás?”
Estamos todos apavorados com o que vem acontecendo nos dias atuais. Dias loucos, malucos, de confusão, dias de matança quer de animais irracionais, quer de animais racionais, dias de ódio e dias de vinganças, dias de impiedade e dias de promessas mentirosas. A quem pede pão, dão-se pedras. A quem pede amor estende-se uma arma. Desfazem-se lares a tiros, destroem-se nações por decreto.
Saem o homem ou a mulher para o trabalho, com o coração dolorido por deixarem os filhos praticamente sós. E órfãos ficam de verdade, antes do entardecer, porque os monstros de aço, movidos pela poderosa força, escondida e sugada do fundo do solo, às tantas resolveram acabar com os trabalhadores, com os pais, com os empregados, com a vida de incontáveis laboriosos cidadãos, sob suas rodas enormes, em meio a ferro e aço, beijados lugubremente pelas chamas, porque o caminho para o trabalho é hoje eriçado de espinhos e pedrouços da pressa e da incompetência. Ou, quando não, no roteiro do trabalho, da loja, do supermercado, sacripantas armados brincam tragicamente de assaltar e matar.
Rouba-se, engana-se, desvirtua-se. De modo especial e com todos os requintes do cinismo, assalta-se e fazem-se rugir as metralhadoras, onde quer que a bandidagem, inatacável, decida que seja.
O terror está presente em todos os lares. Tem cadeira cativa dentro das moradias, no assento dos ônibus, nos escritórios, nos supermercados, nas lojas, nas escolas, nos templos. É imprevisível. Quando menos se espera, surgem os bandidos, os ladrões, os assaltantes, os estupradores, os monstros do sexo, para fazerem o seu trabalho. E as tragédias iniciam e terminam com morte, sangue, destruição, fogo.E quem nos acode? Ninguém. Ninguém. A polícia é sumariamente sacrificada ao cuspir do fogo das metralhadoras dos bandidos.É impotente. É humana como todos nós, Eles – aqueles - levam a vantagem de serem desumanos, terríveis, sem consciência, disseminadores do mal e da morte . E de não prestarem conta a quem quer que seja.
O mundo, a vida (registra aí no filme que estamos rodando, como no início deixei entrever), estão nas mãos do Mal, do Diabo, do Capeta, da descrença em Deus e o desuso da Fé. E o que será do amanhã de nossos filhos e pequeninos netos e bisnetos?

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Igrejinha Natal

IGREJINHA NATAL Lino Vitti

Minha igreja natal, branca e risonha,
Pequena como todas as capelas
Que há nas fazendas e onde a gente sonha
E eleva ao céu as orações mais belas.

É toda a tarde, mal o sol se ponha,
Incendiando de luz suas janelas,
Vibra no espaço a Ave-Maria tristonha,
Enquanto o altar vai acendendo as velas.

Linda igrejinha onde na minha infância
Fiz a primeira Comunhão e onde
Aspirei dos incensos a fragrância.

Nas novenas que amor e que piedade!
Teu vulto no meu íntimo se esconde
Trago-te n'alma envolta de saudade.

sábado, 20 de novembro de 2010

Per Áspera


PER ÁSPERA...
Lino Vitti

Passou a enchente sobre a minha vida !
E, ao léu rodando da brutal enchente,
Fui ter a uma região bem diferente
Da que era por meu sonho apetecida.

Vales e montes, sucessivamente,
Remansos do paisagem colorida
Se perderam ao longo da corrida
Em desfeitas visões na triste mente.

E este lugar para onde a água me trouxe
Nada tem de beleza e de alegria,
Nada tem de encantado nem de doce.

Paira sobre ele densa névoa fria;
A luz dos horizontes apagou-se
E a solidão me abraça e me asfixia.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Predadores

PREDADORES
Lino Vitti

Genericamente falando, predador é um substantivo que só deveria ser usado em se tratando de animais que costumam atacar e devorar outros animais ou tipo qualquer de vivente, como por exemplo, o Leão, a Onça, o Lobo, o Gato, o Perdigueiro e um muito conhecido que responde pelo nome de homem. Este é o predador –mór , não só de gente da própria espécie (canibalismo) , como também de muitas outras raças de bichos alados ou não. Enquanto as demais feras se comprazem em devorar (predar) determinados tipos de presa, o animal homem se diverte (é o termo adequado) em devorar espécimes da própria raça (lembrem-se dos canibais) e sua excelência humana manda prô bucho tudo quanto encontra no mundo das carnes, das frutas, das ervas, dos legumes, dos grãos e de tudo quanto provenha do humus do solo. E exímio predador, o homem.
Vejo em filmes, em que se mostra a África indomável ou a Amazônia misteriosa, as cenas que envolvem o ato de matar a fome de determinadas feras bravias. Vejo as dificuldades que elas têm para conseguir alguma carninha com que espantar a dor de estômago, fazendo-o sempre e em último caso diante das exigências vitais . Nunca a bicharada se entrega a uma caçada por um simples prazer, para divertimento ou lazer como fazemos ou fizemos nós, o bípede humano. Por isso, as pobres presas são imediatamente devoradas que é necessário matar a fome com a matança de alguma vítima. Quando um leão, por exemplo, consegue, depois de muito trabalho, agarrar a incauta gazela ele se banqueteia geralmente com outros comparsas e se por ventura algum resto sobra, lá estão sempre as hienas e os urubus esperando a retirada dos comensais da mesa improvisada, para se aproveitar das migalhas excedentes. Eu admiro muito a força dos leões ou leopardos, da própria onça ou tigre, nessas suas aventuras venatórias , já que demonstram , a par de uma agilidade sem limites, um poder hercúleo de estraçalhar em poucos minutos um touro selvagem, uma zebra ou uma gentil gazela .
Com o homem não é a força que vale. Vale-lhe a astúcia e as armas de que dispõe soberanamente em sua luta pela vida (se soubesse inglês eu diria “struggle for life”). Como as espécies de que se aproveita são, em geral, mais fortes e mais encorpadas do que ele, o “sapiens” se acovarda e não mede forças diretas com a sua vítima. Esconde-se atrás do facão, da espingarda, do fuzil, e até da bomba, como o fazem certos sacripantas metidos a valentes contra um cardume de peixes, vencido que seria pelo número antes que pela força.
O que mais absurdo me parece é que entre os próprios pássaros que são modelos de mansidão e beleza, ou ao menos assim o deveriam ser, vige, também, o processo da predação. Os gaviões, as corujas, as alma-de-gato, os bentevís, os chupins e até os conhecidos pardais, são peritos em apoderar-se de ninhos ovos e filhotes , ou mesmo de adultos, de semelhantes alados, o que prova também entre os animais o “homo, lupus hominis” -- para você não perder tempo -- o homem lobo do próprio homem.
São essas coisas que me dão aso à cachola para dizer que não entendo muitas coisas na vida, como essa de se devorarem semelhantes um ao outro, como se estivessem todos a morrer de fome.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

As lições das fábulas


A Fábula é um repositório de cultura. É uma historieta de poucas linhas onde se descrevem ações humanas, onde se acentuam lições de moral universal, onde se mostram fatos que envolvem toda a categoria de pessoas, tudo sintetizado ao máximo, sendo a pessoa humana em geral representada por animais domésticos ou selvagens aos quais se atribuem os dons da fala, do pensamento, da ação, unindo-se homens e irracionais para expressar sentimentos, desejos, anseios, paixões e ensinamentos. Da historieta, o fabulista extrai um conceito final de moral pública ou individual, resultante do conteúdo da própria fábula.


Como maiores fabulistas da História pontificam dois nomes: Esopo, entre os gregos e Phedro entre os latinos. Centenas e centenas delas chegaram até nós, embora seja certo que outras tantas devam ter-se perdido na voragem dos tempos, por falta de quem as transmitisse através da arte literária até nossos dias.
Escolhi para conhecimento dos meus leitores, mas certo de que todos os que correm as linhas deste zeloso semanário saberão apreciar, uma fabulazinha do latino Phedro (lê-se Fedro, com F), tratando, já naqueles longínquos tempos, de um assunto muito atual : a política e os pobres. E como é curtinha, peço licença aos queridos editores para a publicar na íntegra. É assim: “Um humilde ancião apascentava seu burrinho no campo. Amedrontado por súbito clamar de inimigos persuadiu o burro a fugir, para não ser capturado. Então, calmamente, ele (o burrinho) respondeu:
“- Acaso julgas que o vencedor não iria me impor as mesmas duas albardas (sacolas ou malas) que carrego?”
O velho disse, não. Portanto continuou o asno: “que importa a mim a quem deva servir, uma vez que tenho de carregar sempre as mesmas albardas?”
E a moral da historieta: “Na mudança de governo, muitas vezes o nome do dirigente em nada muda a situação dos pobres.”
Esta pequena fábula nos mostra que isso é verdade.”
Sim, é verdade. E continuadamente nós, povo, mormente pobres e trabalhadores, verificamos essa afirmativa e a moral da fábula. Verificamos que elegemos governos, mudamos dirigentes executivos e legislativos, mas a situação continua sempre a mesma: carregados de impostos, falta de empregos, salários mixurucas, aumentos de preços, falcatruas entre membros de Câmaras altas e baixas, roubalheiras, CPIs, falta de decoro, criminalidade às pampas, etc.etc.
O burrinho representa, na fábula fedriana, o povo sofredor em qualquer tempo e sob qualquer governo, e o desalento de que estamos tomados por verificar que se mudam governos, mudam-se pessoas, mudam-se dirigentes, mas nada muda em favor das classes sociais menos favorecidas e mais sujeitas às dificuldades da vida.
E assim tem razão o burrico da velha fábula.

domingo, 14 de novembro de 2010

As vozes da floresta

AS VOZES DA FLORESTA
Lino Vitti

Na longínqua infância, nascido em paragens roceiras, bebendo a saúde dos ares campesinos, tostando a epiderme frontal sob os raios intensos do sol, ouvindo os hinos alados da passarada silvestre, contemplando o colorido das flores tropicais, atento a todos os rumores da floresta virgem, costumava penetrar esse templo verde da criação, quiçá para satisfazer os nascentes pendores poéticos que evoluiriam até os dias de hoje navegados no barco de 88 anos, longo prêmio de vida de que sou grato a Deus.
Só quem, como eu, tiver essa felicidade, entenderá quão maravilhosa é a contextura de vozes e sons que a floresta reserva para aqueles que saibam ir até ela para ouvir-lhe os segredos, os rumores multiplicados, as vozes intensas ou sussurradas que ela guarda para quem a ama, para quem a compreende, para quem a quer decifrar e a busca com esse intento encantador e feliz.
Prestemos atenção, calemo-nos porque amanhece e a floresta desperta e a vida animal da floresta acorda, cheia de saudações e cumprimentos ao deus sol que se compraz em enviezar seus raios por entre a folhagem onde dormiram o sono da beleza florestal - aves, animais, insetos - embalado pela suavidade da brisa noturna que sempre vem envolver a mata como um lençol diáfano para cobrir o sono da passarada, dos animais selvagens e dos insetos múltiplos que na floresta moram.
Como canta divinamente bem o sabiá de peito vermelho, uma jóia de penas rubras a enfunar-lhe o peito, de onde brota a melodia, diria eu, ensinada por mágicos da música. Fusas e semifusas, às vezes mínimas e semínimas, ah! meu canoro sabiá, onde foste encontrar essa página de sons maviosos com que saúdas o vir e o despedir do dia? E esse martelar sobre madeira, será algum carpinteiro madrugador que montou sua oficina em meio do arvoredo? Que nada! É simplesmente o pica-pau que resolveu martelar os troncos à cata de alimento. E a floresta ressoa certamente! Olha aí agora! Que gritaria de guerra essa que chega aos ouvidos do visitante matinal! ? Sabem, é um bando de maritacas que deixou o pouso e saiu matracando por sobre o arvoredo em busca do dejejum da manhã.
O visitante desse reino de verdores e sonoridades aladas, pára por momentos, porque o que lhe chega ao ouvido tem o poder de deter-lhe os passos. Que variedade de notas, que longa ópera musical! Tudo se transforma numa maravilhosa composição bethoveana, ou num oratório mozartino. São muitas as gargantinhas aladas que querem participar deste acordar da mata, juntando suas canoras partituras, umas a outras, num coro espetacular de sonoridades. E o visitante se extasia, o visitante fica de boca aberta e ouvido mais abertos ainda, para não perder uma nota só daquela orquestração de vida feliz que acorda.
Quando a floresta acorda, e acorda a sinfonia de seus pássaros, muitas vezes unida à sinfonia dos animais silvestres que urram, guincham, gritam, entrelaçam-se numa estranha orquestra de vozes, para mostrar que lhes compraz, e muito, saudar a chegada do sol, participar da festa do amanhecer na mata, conversar, à sua maneira, com a vida e com o vir da luz.
Haveria ainda a dizer aqui algo sobre o trilar dos grilos sob a alfombra, o zumbir das abelhas em busca de flores e mel, o estalar de galhos secos que estouram de repente, o eco de rumores distantes que reboam pela floresta adentro, ruídos de passos sobre as folhas ressequidas do chão, grunhidos e ulos, tudo compondo essa sinfonia indescritível, mas real, das vozes da floresta virgem, de que tenho saudade, porque hoje as florestas desapareceram pela ação nefasta do homem e com elas todas aquelas vozes significativas da vida que em seu recesso habitavam. “
Em tempo: tenho dúvidas sobre se já publiquei ou não esta crônica nas colunas de Folha Cidade. Caso, sim, acho que os que já a leram terão oportunidade de apreciar melhor o seu conteúdo, e para os que não a leram, é o momento de aproveitar para conhecer algo mais sobre as maravilhas da roça onde haja ainda, como um troféu da natureza, um pedaço de floresta virgem.

sábado, 13 de novembro de 2010

Fim de Semana


FIM DE SEMANA
Lino Vitti

É domingo amanhã... Mais um fim de semana...
É a vida que se esvai, tão bela e tão querida!
Semana após semana, oh! que ordem soberana,
Adoro eu, amas tu...Oh! como é boa a vida!

Muita felicidade eu vejo que dimana
Do sonhado prazer que a riqueza convida...
Eu digo: como é bom; tu dizes, que bacana!...
Todos dizem porém: tão curta e resumida!...

Fim de semana é triste e o poeta bisonho,
Que só sabe rimar seu tresloucado sonho
E louvar o que é nada e cantar o que é vão,

Deixa aqui seu recado aos amigos queridos:
“fim de semana” foi em nossos tempos idos
dia de muito amor, dia do coração.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Efêmero


EFÊMERO
Lino Vitti

Eu queria saber quem é que disse
ser o amor duradouro como rocha.
Que é manancial perene, é peraltice,
é flor quem deserto desabrocha.

Amor seriam olhos da cabrocha
em cujo fundo o coração se visse.
Seria assim, como brilhante tocha,
que a alma humana de súbito atingisse.

O amor perdura quanto dura o instante,
quanto dura o perfume de uma flor,
o trinado de um pássaro que cante.

Embora espere, e peça, e frutifique,
não creias que um tão grato e grande amor
no coração a vida inteira fique.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Tia Maria, mulher símbolo

TIA MARIA, MULHER SÍMBOLO
Lino Vitti

Como nascido num ponto equidistante aos bairros de Santana e Santa Olímpia, me considero cidadão de ambos os bairros, embora pelo sobrenome Vitti, admito ser mais santaneiro do que banquista (de Fazenda do Banco, como é conhecida também Santa Olímpia). Como tal, suponho-me com direito de escrever sobre um ou sobre outro, sobre seus fatos e pessoas, sobre sua vida e suas aspirações, sobre seus sonhos e realizações.
Observo que de tempos para cá, o jornais da terra têm trazido noticiário sobre os referidos bairros, de modo especial de Santa Olímpia, que está (esteve) comemorando modernamente, com desfiles e bailes o Carnaval 2010, à moda do que se faz nos centros urbanos, numa exaltação, cada vez mais intensa, do reinado de Momo, nos 3 dias dos 365 do ano reservados pelo calendário mundial.
Ao verificar tais eventos, bem diferentes dos que pude conhecer nos meus dias de vida, como vizinho de Santa Olímpia, fico a pensar na pessoa de Maria Stênico, uma senhora convicta da religião, do pecado, da Fé, do Amor a Deus, que era (posso dizer) um complemento dos sacerdotes católicos capuchinhos aos quais cabiam as atribuições religiosas de dirigir a vida espiritual da comunidade. E Tia Maria os substituía condigna e capacitadamente.
Por isso, certas celebrações, o Carnaval, verbi gratia, não era festa que fosse admitida pela patriarcal senhora pois via nela o caminho do pecado, a fuga dos preceitos cristãos, a perdição e a abertura das portas do Inferno. Ái que alguém falasse ou pensasse mesmo em desfiles, cordões, bailes, e foguetório. Ela era adepta dos retiros espirituais, do recolhimento, da oração, de vez que considerava o Carnaval uma manifestação pública pecaminosa, anti-cristã, convite para a perda da inocência, da virgindade, do Céu.
O mundo entretanto não é algo que fique estacionando no tempo e nas pessoas. Assim aquele bairro, com o caminhar dos tempos, com o desaparecimento de Maria Stênico, líder e condutora da Fé, acabou sendo esquecida, assim como seus ensinamentos e defesa dos mandamentos e sacramentos, e embora tenha tido diversos sacerdotes do bairro, inclusive bispos, as comemorações profanas, de modo especial o Carnaval como é hoje comemorado, tal e qual é feito nos grandes centros urbanos e em desacordo com o que moral e espiritualmente foi deixado pela saudosa líder cristã, de vez que impera nessa festa o semi-nudismo, os hinos materialistas, as comilanças e (suponho) até a presença da condenada camisinha.
Não louvo, nem condeno, apenas registro os fatos e a figura daquela que foi a mãe cristã do passado, presente e futuro dos “banquistas” católicos, a quem não se negam direitos de ser o que são e o que desejam ser perante a sociedade piracicabana, perante Deus e seus mandamentos, tanto ensinados e defendidos pela ínclita e saudosa Tia Maria.

sábado, 6 de novembro de 2010

Poeta ou Poetisa?

POETA OU POETISA ?
Lino Vitti - Príncipe dos Poetas de Piracicaba


A edição de ontem do JP trouxe à baila, mais uma vez, a rasa questão gramatical sobre o uso do importante e tradicional termo Poeta. O meu convencimento que já tem 91 anos(quase) não necessitaria vir aqui para tecer considerações em torno desse uso, mas o honroso título de “príncipe dos poetas piracicabanos”, como que me obriga a vir dizer algo sobre o tema: poeta ou poetisa?
Digo inicialmente que se trata, não de um gosto ou desgosto de cada um, mas de uma exigência gramatical do nosso idioma que deve ser respeitado e usado por poetas e poetisas,o mais possível correto e exato, caso contrário, diria que o assunto nem precisaria ser objeto de discussão pois a convicção gramatical de qualquer um que usa o idioma para escrever, deve obedecer ao que estabelecem as normas da linguagem dicionarística e a natureza recebida ao nascer, ou melhor, já no útero materno.
Até agora, ao final dos meus dias e já deserdado de participar das lides jornalísticas, fui considerado “poeta”- masculino - e arrepiaria o pelo caso alguém me viesse chamar de “poetisa”- feminino- pois o sexo é algo sagrado e respeitável que não pode ser mudado ao talante de cada um. Teria graça fosse eu eleito “principe das poetas piracicabanas”!!!
Queridas “poetisas”, não há motivo para essa discussão . Sexo não muda, nem a adjetivação gramatical, a menos que se teime em seguir a arrogância de alguns literatos nacionais, conhecidos como modernistas que, desprezando o seu idioma e a sua nacionalidade, quiseram revolucionar (e não evolucionar) todo o processo linguístico de mais de 500 anos de sua Pátria.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

O Peregrino

O PEREGRINO
Lino Vitti

“Oh! Santa Cruz da estrada,
santa cruz da encruzilhada,
santa cruz desprezada,
santa cruz do meu rincão,
todas as vezes que chego me apareces,
braços abertos como se estivesses
a pedir-me um abraço e eu dar-te preces
repletas de recordação...”

São versos de um poeta que perambulou muitas vezes pelos caminhos rurais, ora sob o olhar magnífico do sol, ora sob o negror das trevas da noite sem luar ou espiada do alto pelo plenilúnio, e que em tais andanças descobriu sempre as misteriosas cruzes de estrada, denúncias irretorquíveis de que ali, aos pés do quase sempre tosco símbolo do Sacrifício do Calvário, deve repousar o esqueleto vagabundo de um caminhante estradeiro, do comparsa de algum caso amoroso, de um assaltante de caminhos apanhado pela tocaia do inimigo invisível, de um misterioso personagem vindo de plagas distantes e que, a meio caminho, encontrou a alfangedora da vida que lhe decepou os passos e o destino.
A cruz, decantada pelo poema do vate, erguida humilde na forquilha barrancosa da encruzilhada, era cuidadosamente mantida pela piedade dos sitiantes das imediações, embora nem todos conhecessem o porquê ou os porquês de sua existência , de sua longa existência aliás e a maioria dos moradores adjacentes ou passantes por aqueles caminhos que levavam a destinos incertos e misteriosos como os há sempre nas terras , como aquelas de então, tomadas pela selva virgem e enigmática – olhasse para ela com sentido sombrio e às vezes temeroso. Protegiam-na um teto de telhas e paredes de tijolos- um pequenino templo- com o lenho, aberto em cruz, devidamente fincado em soco de pedra, como um altar. Corujas e urutaus vinham desfiar seu canto fúnebre no silêncio da noite, como se a alma penada do soterrado viesse do além para amedrontar os aventureiros viandantes das altas horas, que retornavam dos bailes, dos namoros, das rezas, das serenatas, das visitas aos parentes.

* * *
- Chico – recomendou a mãe - não volte tarde demais. Você
sabe muito bem que depois da meia noite , há assombrações, fantasmas, sacis, e tudo quanto é alma penada... A santa cruz!!!...
- Não, mãe... Volto logo, logo... E não tenho medo de nada
dessas ilusões ... O meu corcel aqui é um pedaço de bom...
E acariciava as crinas do fogoso animal. Cavalgou, o coração prematuramente aos pinotes, só de lembrar que o destino seria a casinha branca e acolhedora, toda transpirando felicidade, em cuja janela – mágico olho a espiar as distâncias campestres - o estaria esperando decerto outro coração aos pinotes como o seu. E lépt...lépt...lépt... partiu rumo ao sítio da namorada, um chuchu de menina, no ponto de ser colhido pelo primeiro aventureiro namoriscador.
Passou pelo morro, pela baixada, pela restinga da mata virgem. A paisagem rutilava sob o olhar do sol da tarde encantadora, dessas tardes que a maioria do mundo não conhece, porque as atenções humanas em geral não sabem ver beleza e poesia numa paisagem da roça, não sabem contemplar um sol que se despede devagarinho , como que saudoso de sua viagem luminosa pelo céu. E lépt...lépt...lépt. Passou pela encruzilhada – fatídica no dizer da mãe . A santa cruz que já assistira à glorificação lucífera da tarde, dormia agora sob a mansidão do luar pleno. Estrelas tremelicavam no céu...
E lépt...lépt...lépt... A casa da namorada sorriu-lhe como uma imensa promessa de amor... De sonho!... De felicidade!..O moço da roça quando ama, ama de verdade. Intensamente...
Mas as horas de amor , de sonho, de felicidade, são ligeiras e voam. Oito, nove, dez, onze horas...meia noite! E o Chico esqueceu a encruzilhada, a santa cruz, os fantasmas, as corujas, o urutau... e até a preocupada mãe, ainda em vigília, à espera do namorador. Só via a sua futura metade, só entendia a linguagem do amor. E como gente da roça não leva relógio consigo, mormente nas horas em que se ama, Chico esqueceu do tempo. E como não há bem que sempre dure, chegou o momento de voltar, de reencontrar o lar, de rever a mãe que ele era, sem dúvida, bom filho.
Abraçou e osculou (namorados roceiros não beijam, osculam) a noiva , triste por ver seu amado partir...
E lépt... lépt...lépt... O corcel comia quilômetros de estrada campestre, ansioso por retornar também ao seu pasto, rolar na grama naquele gesto significativo dos animais que com ele parecem tirar do corpo toda a canseira da viagem. De repente... empinou as orelhas, fungou surdamente, pinoteou e ameaçou deitar fora o cavaleiro. Chico corcoveou sobre a sela, firmou-se nos estribos como pôde, esticou as rédeas e quase vai de ventas para o solo.
-Que é isso, besta...Vamos lá... Bota o casco na estrada...O cavalo não colocou casco nenhum pela estrada a fora. Foi quando Chico botou os olhos assustados sobre a santa cruz, a esta altura, como que iluminada qual um salão de festas. Estava na encruzilhada fatídica. Chico arrepiou –se todo, a besta saltou de lado, querendo retornar... Situação crítica para cavalo e cavaleiro...Todas as histórias fantásticas ouvidas até então começaram a desfilar-lhe pela memória. As bolas enormes luminosas que passeavam pelo espaço em noites escuras, o caso da fera que esperava, à boca da mata, os viandantes noturnos, as gargalhadas misteriosas que ecoavam pelo sertão como se um fantasma se divertisse com as horas altas da noite, e luzes distantes que corriam, retornavam, apagavam-se, rebrilhavam, nas encostas ou nos vales... A espinha de Chico, sempre corajosa, arrepiava e a fronte suava...
O medo, o susto, a crença , diante da fatalidade crescem, crescem, ficam imensos. Onde há o canto de um pássaro, escuta-se a voz de um fantasma! Onde há o estalo de um galho seco supõe-se o passo da assombração! Onde uma chama de vela tremula dentro da treva julga-se ver o incêndio ! Onde a brisa amacia uma fronde ouve-se o assobio do saci!.. Imagine-se então, à meia noite, na boca de uma encruzilhada, onde uma santa cruz - santuário de mistérios- de súbito se ilumina com um clarão enigmático, que sensações não poderia causar àquele solitário personagem e a seu cavalo? O pavor, para dizer o mínimo, toma conta da mente humana, transforma-se de corajosa em covarde, muda o valentão em poltrão, faz de um ser humano um trapo perdido dentro da solidão e da surpresa.
Chico esporeou seu fiel comparsa de aventura que não merecia a pua das esporas, mas como fidelidade de cavalo se equipara à fidelidade do cão, o cavalo pôs-se em brios, voltou ao caminho e lépt...lépt...lépt... partiu como um raio, ecoando seu trote pela noite enluarada a fora, com o amo que , sem olhar para trás, agarradinho à sela e aos estribos, voou e chegou, arquejante, à casa materna, onde a velha o aguardava, ansiosa e feliz por revê-lo são e salvo, embora pálido e suarento.
O leitor amigo, decerto está curioso, não pelo desfecho, mas por aquela luz fantástica e inesperada que iluminou a pequenina capela da santa cruz da encruzilhada. E tem razão ele, pois é próprio da curiosidade saber porque, repentina e estranhamente, surge um clarão a iluminar de vida aquela relíquia simbólica das estradas rurais, como se fora a alma dos mortos aí sepultados, a brotar em luz do chão socado e cheirando à terra, rumando para o céu. Suponha-se você, leitor, numa encruzilhada da roça, sozinho como um ermitão, com a fantasia avolumada pela solidão noturna e o vago iluminar da lua cheia, transformado em testemunha súbito de uma luz enigmática que deixa sair seus raios misteriosos de dentro de uma santa cruz onde foram soterrados caminhantes desconhecidos, peregrinos caminheiros do mundo, pedintes , anciãos, quiçá assassinos e ladrões!!! Ah! É dose cavalar de pavor!
Entretanto, nada mais do que a tênue chamazinha de uma vela, acesa pelo peregrino que escolheu a “santa cruz da estrada, a santa cruz da encruzilhada”, como recitou o poeta, para seu repouso noturno. O viajor porém findou aí seu destino e a luzinha como uma bênção de Deus e que tanto apavorou o Chico namorador, serviu para iluminar- lhe o sono eterno. A santa cruz se fez altar para esse ritual fantástico, porque quem peregrinou a vida toda pelos caminhos desertos e poeirentos , tinha direito a findar seus dias junto a uma cruz de estrada.
O viajante noturno, todavia, que não compreende a graça e a glória da peregrinação pelo mundo, avançando caminhos, repousando e morrendo debaixo dos braços de uma cruz, sob as trevas, sob o luar, sob o frio, os ventos, as chuvas, assusta-se, atemoriza-se, foge espavorido quando uma simples vela tremula ao lado dela para acompanhar a agonia do peregrino que tem nela amiga e companheira na vida e na morte.
O peregrino é a alma dos caminhos ermos e caracoleantes. Seu lar são as cruzes que as estradas colecionam e lhe oferecem para um repouso de uma viagem que não termina nunca, porque a morte também é peregrina e não tem morada certa, caminha pelo mundo como todos os peregrinos e viajores sem destino. E a santa cruz da estrada que o poeta cantou, nada mais seria do que a homenagem aos peregrinos que não se assustam com as histórias, às vezes horripilantes que enfeitam sua vida errante, seu peregrinar sem termos .

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Crer na Vida

CRER NA VIDA
Lino Vitti

Foi-me o tempo seguir visões fugazes
em louco renovar milagres de esperança.
Perseguindo o prazer, qual fazem os rapazes,
senti que do prazer a posse também cansa.

Nunca tive o aconchego da abastança,
nem o brilho vulgar que se vê nos cartazes.
Se prisioneiro fui de estranhas “alcatrazes”,
gozei da liberdade auroras de bonança.

Vi que o tempo é tão bom, é vão, é aborrecido,
nos dá mais sacrifício que alegria
e que sofrer assim não vale muito a pena.

Vi que sem uma fé o tempo é sem sentido,
o viver deste mundo uma ilusão seria,
uma esperança vã que ao longe nos acena.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Gólgota da Dor

GÓLGOTA DA DOR
Lino Vitti –Príncipe dos Poetas Piracicabanos

Capítulo final da uma vida divina,
coroando a sentença ignóbil e assassina
da autoridade atroz do déspota romano,
se ergue no calvo monte a Cruz qual sumo arcano,
e nela o Mártir - Deus arqueja exangue e triste
a cuja morte a plebe espavorida assiste,
impotente a chorar do Inocente a desdita,
as lágrimas unindo às da Mulher Bendita,
a Santíssima Mãe da Vítima que finda
- soluços divinais que hoje se ouvem ainda -
como um eco que o tempo, oh! nunca apagará
pois chorar por um Deus o que isso expressará ?

O Gólgota ! No cume a soberana Cruz
emite a mais intensa e redentora luz,
luz da Fé, da Esperança, luz do Amor
que emana da figura excelsa do Senhor!
Um símbolo de dor que a humanidade esquece
de ver e reviver na glória de uma prece !
O Gólgota! É o Tabor que perdoa e ilumina,
que salva o pecador, que o convida e reanima:
é aqui sobre este monte onde Jesus findou
que a graça se fez sangue e ao mundo borrifou!

Ainda hoje há no mundo os Calvários tristonhos
Onde se crucifica a beleza dos Sonhos,
onde se crucifica a Esperança da Paz,
que entre escombros fatais doridamente jaz;
onde se crucifica a Inocência infantil
e se mata o porvir na bala de um fuzil !
Há Gólgotas ainda onde se crucifica
a Virtude que é Amor que salva e santifica.
E Gólgotas, eu vejo, onde se perde a vida
sob o fogo infernal que destrói e trucida
e a farrapos reduz a pobre humanidade !
E outros Gólgotas há que matam a Verdade !

Meus Deus! Que mundo é este e para onde caminha?
Parece que o final dos tempos se avizinha,
num Gólgota de dor insano e tenebroso
onde se ergue uma cruz de trevas e maldade
para crucificar de novo em seu madeiro
a beleza, o perdão, a graça, a divindade,
como o fez com Jesus, Deus e Homem Verdadeiro!

PRÍNCIPE DOS POETAS DE PIRACICABA

CURRICULUM VITAE
( Síntese de Vida)
NOME – Lino Vitti
IDADE – 08/02/1920
ESTADO CIVIL – Casado, em únicas núpcias, há 56 anos, com a Professora Dorayrthes Silber Schmidt Vitti
FILIAÇÃO – José e Angelina Vitti
NATURALIDADE – Piracicaba, Estado de São Paulo –Brasil
Bairro Santana , Distrito de Vila Rezende
VIDA FAMILIAR
Casamento Civil e Religioso em comunhão de bens, Pai de sete filhos: Ângela Antónia, Dorinha Miriam, Rosa Maria, Fabíola , Lina, Rita de Cássia, Eustáquio.
VIDA PROFISSIONAL
Aposentado como Diretor Administrativo da Câmara de Vereadores de Piracicaba, e como Redator do “Jornal de Piracicaba”. Exerceu atividades no comércio, no Magistério, na lavoura até os l3 anos, na municipalidade local, como bibliotecário, lançador de impostos, protocolista, Secretário Municipal.

VIDA CULTURAL
ESCOLA PRIMÁRIA –
Grupo Escolar “Dr. Samuel de Castro Neves”, Santana, seminarista vocacional ao sacerdócio por seis anos, no Colégio Santa Cruz, da cidade de Rio Claro (SP), onde cursou humanidades, línguas, religião, ciências, matemáticas, música.
CURSOS –
Formou-se Técnico em Contabilidade, lecionou latim, francês, datilografia.

VIDA RELIGIOSA
Católico, Apostólico, Romano, fez curso de religião em seminário dos Padres Estigmatinos, foi organista da Catedral e da Igreja de São Benedito, de Piracicaba, e Congregado Mariano.
VIDA LITERÁRIA
Bafejado por ensinamentos de sábios sacerdotes em colégio de formação religiosa, recebeu extraordinário acervo literário que lhe propiciou enveredar pelo caminho da poesia, da crônica, dos contos, do jornalismo, havendo editado de l959 a 200l sete livros de poesias e contos, com edições em milheiros de volumes, os quais estão aí para satisfazer o gosto daqueles que apreciam a arte literária.
São seus livros : “Abre-te, Sésamo”, l959; “Alma Desnuda”, l988; “A Piracicaba, Minha Terra”, l99l; “Sinfonia Poética”, de parceria com o poeta Frei Timóteo de Porangaba; “Plantando Contos, Colhendo Rimas”, l992; “Sonetos Mais Amados”, l996 e “Antes que as Estrelas brilhem”, 200l. O poeta conta ainda com o prazer de haver composto hinos para diversos municípios, bairros rurais, entidades sociais diversas, continuando a colaborar ainda, após os 83 anos em colunas literárias e com artigos de ordem geral em jornais da terra.
Faz parte da Academia Piracicabana de Letras que lhe outorgou o título honorífico de “PRÍNCIPE DOS POETAS DE PIRACICABA’.
Foi-lhe concedida Pelo Município de Piracicaba, através de sua Secretaria da Ação Cultural, a MEDALHA DE MÉRITO CULTURAL, “ Prof. OLÊNIO DE ARRUDA VEIGA’; é detentor do TROFÉU IMPRENSA, concedido pelo Lions Clube de Piracicaba, centro, e da MEDALHA ITALIANA, concedida pelo governo italiano de Benito Mussolini aos alunos de escolas e seminários de origem daquele país que tivessem se destacado em redação de trabalhos literários escritos na língua de Dante.
O Município de Saltinho, para o qual contribuiu com o Hino dessa comunidade municipal , conferiu-lhe o título de “Cidadão Saltinhense”.

DISCURSO

Por ocasião do lançamento do livro de poesias “Antes que as estrelas brilhem “, pelo poeta Lino Vitti foi proferido o seguinte discursos:

Exmo. Sr. Heitor Gauadenci Jr. dd Secretário da Ação Cultural

Exmo. sr. António Osvaldo Storel. dd. Presidente da Câmara de

Vereadores de Piracicaba

Exmo.sr. Moacyr Camponez do Brasil Sobrinho, dd. Presidente do Instituto Histórico e Geográfico

Exmo,. sr. Henrique Cocenza, dd. Presidente da Academia Piracicabana de Letras

Exmo.. Sr. Ésio Pezzato , anfitrião desta solenidade

Senhoras e Senhores

Pela sétima vez (graças a Deus) em minha vida lítero-poética vejo-me guindado a uma tribuna improvisada (o que é bom porque torna o fato mais popular), para proferir um discurso de agradecimento, ao lado da oferta de um novo livro de versos. É teimosia essa de poetas em desovar sua produção para que mais gente participe de suas tiradas, muitas vezes fora de forma e de ambiente, mas que o poeta não vê porque , ao editar um novo livro está cego pela emoção , como se fosse a vez primeira. Está aí o Ésio Pezzato, responsável por mais esta minha invasão no mundo das letras poéticas, para dizer se não é assim. Para dizer se não sofre também dessa doença feliz de editar livros e mais livros a ponto de perder a conta, já que a esta altura ele não sabe se já está no décimo ou décimo primeiro. E ainda continua batendo dedos de métrica, sabemos lá por quantos anos ainda !

Tenho um ex-colega de seminário, prof. Hildebrando André, aposentado como professor universitário e com o qual mantenho longa e pródiga correspondência, que não se cansa de enaltecer a felicidade de Piracicaba contar com tantos poetas e poetisas. Tem razão ele, pois se apenas dois deles já conseguiram editar l8 livros de poesia, imagine-se as centenas que seriam necessárias para dar um pouco de vazão a essa raridade intelectual que toma conta da minha terra!

Este meu livro vem à lume por obra e arte do prefeito José Machado , seu Secretário da Ação Cultural e de seu zeloso servidor Ésio Pezzato que se entusiasmaram diante da recitação de diversos poemas meus por um grupo de jograis, alunos da UNIMEP, e impressionados decidiram patrocinar a publicação deste livro, pois entenderam que Piracicaba poética merecia conhecer em mais profundidade o seu príncipe da poesia. E aí está, lindo e impecável, entregue às mãos do povo de Piracicaba, que indistintamente de cor, estudos, intelectualização , posses financeiras, categoria de trabalho, com religião ou agnóstico, jovem ou adulto, roceiro ou citadino, aí está, para quiçá, momentos de lazer e sonho. Sonho , sim, porque a poesia é terrivelmente sonhativa , vive no mundo da fantasia, alicerça-se nas bases da emoção e brota do âmago mais profundo do poeta, e para que as filhas de Eva não reclamem, da poetisa também.

Alguém me perguntará? Como é ser poeta? Juro, nunca pensei nisso. Acho que ninguém consegue ser poeta. Já é. Nasce feito, como dizem.

não é verdade Maria Cecilia, Ivana Maria, Ésio Pezzato , Prata Gregolim, Marina Rolim, Valter Vitti, Mario Pires, Saconi, e tutti quanti enfeitam com seus lindos versos as páginas do “ Jornal de Piracicaba, ou da “Tribuna Piracicabana , e assim também esse cacho imenso de livros poéticos que quase semanalmente são dados ao conhecimento e sentimento público de nossa terra ? Tornando-se um privilégio de uma cidade, como disse alhures o supra citado meu colega seminarístico Hildebrando André. ?

Não se suponha que para ser poeta é preciso ter nascido em berço de ouro ou em centros intelectuais de enorme repercussão. Nada disso. Tenho um soneto que define bem esse fato. É assim: “Eu não sou o poeta dos salões / de ondeante, basta e negra cabeleira] não me hás de ver nos olhos alusões / de vigílias, de dor e de canseiras. // Não trago o pensamento em convulsões,/ de candentes imagens, a fogueira. / não sou o gênio que talvez supões/ e não levo acadêmica bandeira.// Distribuo os meus versos em moedas/ que pouco a pouco na tua alma hospedas / - raros , como as esmolas de quem passa. / Mas hei de me sentir feliz um dia/ quando vier alguém render-me graça/ por o fazer ricaço de poesia. // “ . Poetas e poetisas saem do nada , devem trazer o selo ou o bilhete de entrada nesse reino encantado desde o útero materno, embora ouse eu afirmar que a vida é também uma grande mestra , as influências da mentalidade circunvizinha,

o próprio meio ambiente, podem , em circunstâncias outras , plasmar um poeta .

Eu fui plasmado , por exemplo, por entre maravilhas campestres. A roça ou o campo são fantásticos criadores de poesia. Ela anda atapetando por todos os cantos a natureza, as gentes, os animais, os atos e fatos. e a cabeça daqueles com quem ela convive. E o poeta, criador por excelência, se abebera de todas as belezas esparsas pelas colinas, serras, vales e descampados , para transformar tudo em versos e rimas, ou em versos simplesmente, onde pululam , como cabritos silvestres, as figuras literárias, os tropos, as sínteses, as comparações, e todos os anseios que lhe vão no imo da alma. Para satisfação própria e para satisfação dos que convivem com o poeta. E´ por isso que se botardes olhos curiosos sobre meus poemas havereis de tropeçar a todo o momento com um motivo roceiro, pois trago uma alma plasmada pelas belezas rurais de Santana, Santa Olímpia , Fazenda Negri, e especialmente por aquela colina encimada ,no cocuruto, pelo prédio do grupo escolar, onde aprendi a ler e escrever e a poetar.

Peço desculpas por haver-me prolongado um pouco nestas elucubrações poéticas, desobedecendo aos conselhos do amigo Ésio que continua exigindo de mim discursos improvisados, o que seria tão para os ouvintes , que ansiosamente aguardam o momento de bater palmas acabando assim com a verborragia oratória.

Não posso entretanto encerrar esta breve alocução sem deixar consignados meus agradecimentos do fundo do coração ao prefeito José Machado ,ao seu Secretário da Ação Cultural Heitor Gaudenci Junior, ao seu sub-secretário poeta Ésio Pezzato, ao prefaciador Moacyr de Oliveira Camponez do Brasil sobrinho, aos queridos opinadores Maria Cecília Bonachella, Maria Ivana França de Negri, exímias poetisas, prof. Elias Salum e a minha filha Universitária Fabíola Vitti Moro, pela maravilhosa capa, Editores e toda equipe de funcionários , à minha esposa pela sugestão transmitida ao prefeito com relação ao advento desta obra, aos digitadores Nair , minha nora e neto Leonardo, e outros que possa ter esquecido, como é fácil em cachola idosa, - meus agradecimentos repito, pela reunião de esforços e trabalho que tornaram possível o advento de mais um livro de minha lavra.

Obrigado “ em geralmente” como dizem nossos cururueiros, aos que ilustraram com sua arte musical esta solenidade e assim também a todos quantos acharam um tempinho para vir prestigiar-me nesta tarefa de cultura e arte. Levem a certeza de que nada mais desejo do que engrandecer com minha poesia a terra que me viu nascer, a terra que me viu crescer, a terra que me proporcionou oportunidade para chegar a um cargo tão nobre quão dignificante de “Príncipe dos Poetas de Piracicaba”

Meu carinhoso obrigado também aos meios de comunicação, de modo especial “Jornal de Piracicaba”, na pessoa de seu Editor Chefe Joacyr Cury , de “A Tribuna Piracicabana”, na de seu diretor Evaldo Vicente, pela divulgação caprichosa deste evento que afinal nada mais é do que mais uma demonstração da exuberância cultural da Noiva da Colina.

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