Lino Vitti - Príncipe dos Poetas Piracicabanos

Lino Vitti - Príncipe dos Poetas Piracicabanos
Lino Vitti- Príncipe dos Poetas Piracicabanos

O Príncipe e sua esposa, professora Dorayrthes S. S. Vitti

Casamento

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Bodas de Prata

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Lino Vitti e seus pais

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Lino Vitti e seus vários livros

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O Príncipe agradece a visita e os comentários

60 anos de Poesia


sábado, 30 de outubro de 2010

Na morte de um Anjo

NA MORTE DE UM ANJO
Lino Vitti

Hoje está um tanto triste a minha rua,
Beija-a um sol atacado de anemia.
Uma quietude lívida flutua
Como um véu de lirial melancolia.

Não percebo, lá fora, nenhum grito
Da criançada a brincar pelas sarjetas.
Mas eu pressinto um não sei quê de aflito,
Sorvo um olor defunto de violetas.

Quando fui à janela vi coroas
Com letras de ouro sobre longas faixas.
E pude divisar muitas pessoas,
Trajes negros, caladas, cabisbaixas.

Meu Deus! Por que. . . por que vão todas
Parando, entrando pela mesma porta?
A porta da vizinha?. . . Haverá bodas?. ..
Oh! não. . . é a menininha que está morta. . .

É preciso que eu vá, preciso vê-la.
Coitada, ela foi sempre tão boazinha.
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
A palidez da matutina estrela
Cobria as faces da amiguinha minha.

Um nó de pranto veio-me à garganta,
Bailou-me sobre os olhos indeciso.
Ela estava, porém, tão linda e santa
Que tinha inda nos lábios um sorriso!

E quase a minha dor não se conforma
Por toda essa crueldade do destino,
Lançando assim a sua infausta norma
Contra um ente tão puro e pequenino.

Entre os buquês e a vaporosa veste
Toda de branco como um casto lírio
Mais parecia uma visão celeste
Prestes a erguer o vôo para o empírio.

As lágrimas maternas são diamantes
A estrelejar-lhe o pequenino esquife.
Entre todos os prantos circunstantes,
Talvez, o único pranto não patife.

O enterro foi à tarde. Longas filas
De crianças em bonita procissão.
Via-se o luto nas joviais pupilas
E a dor pulsava em cada coração.

O caixãozinho, branco como a neve,
Atrás de todos, carregado a passo,
Ia seguindo tão macio e leve
Qual se plumas levasse no regaço.

Curiosa e triste toda a vizinhança
Afluiu à janela - o rosto sério -
Para ver essa pálida esperança
A caminho feral do cemitério.

Os sinos das igrejas nos seus dobres
Puseram notas de delicadezas.
Sempre assim dobram quando é para os pobres
Pois não lhes querem aguçar tristezas.

"Papai! Mamãe Oh! nunca mais. Oh! Nunca!
Adeus"' - dizem os bronzes compassivos.
"Ela se foi, ceifou-a a morte adunca,
Jamais haveis de vê-la dentre os vivos".

E eu jamais hei de ouvir as vozes dela
No meio de outras crianças, na calçada;
De certo há de, no céu, estar mais bela
Entre os anjinhos da eternal morada.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

O Dia de Finados

O DIA DE FINADOS
Lino Vitti

Dia 2 de Novembro – Dia dos Mortos – desde meus tempos de menino, foi data importante e saudosa, pois o calendário mundial lhe deu o profundo objetivo de assinalar a comemoração das recordações, da saudade, das orações por aqueles que já partiram para a presença de Deus, para merecer Dele o Sim ou o Não, eternos, da felicidade final. Disse dos meus dias de infância pois gente da roça tem muito respeito pela data e encontram sempre um meio – condução – para ir ao Cemitério onde repousam seus entes amados que se foram e nós, meninos, insistíamos para acompanhar, mais por um passeio de carro ou de “jardineira”(ônibus da época), do que para visitar os mortos da família.
A comemoração, mais do que uma celebração sócio-religiosa, é um dia de saudade, de renovação de lágrimas, de troca de flores e velas enfeitando de dor os túmulos queridos, uma homenagem recordativa àqueles que nos antecederam na caminhada da vida, rumo à eternidade.
E lá, de joelhos, ao lado dos túmulos renovados, oramos por eles e a eles que decerto gozam da presença de Deus, pedir graças e ajuda divina para os nossos dias direcionados também para aquele Campo Santo que um dia nos acolherá também para o descanso eterno.
Quando seminarista, uma etapa que assinalou minha vida, pude ver o quanto a religião e a Fé se dedicam a homenagear os Mortos, pois procedia a data saudosa, diariamente, a celebração da Missa fúnebre, cantada, cuja música adentrava o coração dos assistentes pela sua tonalidade apropriada e significativa.
Dia 2 de novembro é pois o Dia da Saudade e da Oração àqueles que nos antecederam, cujo reencontro, se formos dignos e cumpridores das leis de Deus e da Igreja, poderá dar-se no Céu. Por ora, recordemos e oremos por aqueles que nos esperam na eternidade.
E como chave para encerrar condignamente esta crônica, ofereço aos distintos leitores, o seguinte soneto de minha lavra:


F I N A D O S

A quietude eternal do triste Campo Santo
Hoje se anima, e, vem buscar-lhe a soledade,
E rasgar-lhe o silêncio – esse lutuoso manto –
Em longa romaria, a inquieta humanidade.

As flores põem por tudo um dolorido encanto
Esfolham-se por terra e lágrimas... que há-de
Penetrar este mundo extinto, e, no entretanto,
Não vislumbrar, aqui, os umbrais da Eternidade?

Mortos! Em cada olhar renasce antigo pranto,
De cada alma, a chorar, um ai de dor se evade.
Ressurge uma visão amiga em cada canto...

Finados! Que contraste e que doce verdade:
Morrem, por um momento, os que vivem, enquanto
Um morto, em cada qual, revive na Saudade!

domingo, 24 de outubro de 2010

Silencioso sofrer

SILENCIOSO SOFRER
Lino Vitti

Diante do sofrimento eu noto que te calas
qual se vergonha fosse o sofrimento humano!
“É ouro se calar” é assim que às vezes falas,
“é grato suportar a dor que da alma emana.”

Abrem-se a nossos pés as mais profundas valas,
obstáculos fatais, derrota soberana,
nem um pio porém, nem uma voz exalas,
aplaudes, ao contrário, o sofrer que te insana.

E fico a perguntar: por que razão a vida,
tão pródiga se mostra e tão oferecida
para nos presentear com tanto sofrimento?!

E existir, mais que tudo, um silêncio de morte,
sabendo da fraqueza e da medonha sorte
que ao homem oferece em todo o mau momento?!

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Corpo de Cristo


CORPO DE CRISTO
Lino Vitti

Em Latim e como é usado na Igreja Católica, Apostólica, Romana, se diz Corpus Christi. Assim também é mais conhecida a festividade significativa pelos católicos de verdade. Tudo porém é a tradicional e real denominação da Festa ou Data em que é celebrada a instituição da Eucaristia, um dos maiores Sacramentos da Igreja recebido pelos cristãos condignamente no ato religioso mais conhecido como Comunhão.
É dever de todo católico comungar ao menos uma vez por ano, segundo ensinamento aprendido em mandamento da mesma Igreja: “confessar-se e comungar uma vez por ano pela Páscoa da Ressurreição”.
Ensinam ainda os preceitos da Igreja que a Eucaristia é o Sacramento em que Cristo se encontra inteiro, corpo e espírito, tudo para que se cumpra a mesma palavra transmitida por Jesus na última ceia a seus discípulos e, logicamente, a todos os cristãos e sucessores: “Tomai e comei todos Vós, Isto é meu Corpo que será entregue por Vós” e “Fazei isto em memória de mim”. Ora nada mais fácil de compreender que nesse instante Cristo estava instituindo a Eucaristia e dando poderes aos apóstolos e aos seus sucessores – os sacerdotes – que dessem continuidade a essa “ordem” emanada da boca do próprio Cristo nas derradeiras horas de sua vida na Terra.
Assim instituída a Eucaristia, até hoje ela é a mesma do momento de sua instituição, sendo portanto muito justo, muito cristão, muito dos membros e autoridades da Igreja de Cristo, marcar um dia comemorativo do grande Sacramento. Não só para recordar o insigne evento, mas para que os povos do mundo inteiro prestem a mais bela e incondicional homenagem à divina Eucaristia, pública e universalmente, pois é, não só recordar e prestigiar sua instituição, mas demonstrar sua verdadeira crença na palavra evangélica e nas próprias palavras de Cristo em sua passagem por este mundo.
Todos os povos do mundo compreendem o grande Sacramento divino, dignificam e honram a Eucaristia, como há pouco tivemos em Brasília, quando o Brasil promoveu mais um Congresso Eucarístico, importante, feliz e pródiga manifestação de fé, de adoração, de amor a Cristo-Eucaristia. E todos vimos o quanto é reconhecido e adorado o Cristo na Comunhão, não só neste país, mas em todas as nações onde se promove a santa festividade da presença de Cristo nas espécies do Pão e do Vinho sacramentais. Idosos, adultos, jovens, crianças, citadinos e gente do campo, lá estavam honrando, dignificando, adorando a Cristo Hóstia.
É isto o que quer dizer o Corpus Christi: demonstração pública da crença viva em Cristo na Eucaristia. Sejamos então coerentes, crendo, honrando, e adorando Jesus Eucarístico , nesta data santa em que o homem mostra que sabe ser grato Àquele que, antes de ser crucificado por nossa salvação, nos deixou para os séculos sem fim, o seu corpo, sangue e divindade: “Tomai e comei todos Vós...”


E para encerrar, ofereço aos amados leitores um pequeno poema sobre a EUCARISTIA


Eucaristia é felicidade
É união de todos os corações.
Mesa sagrada da mocidade,
Remédio e força nas tentações.

Quem na vida carece de auxilio
Vai a Cristo pedir solução.
Essa é fonte de amor para o jovem,
É de todos feliz comunhão.

Quando a dor nos espera e nos vemos
Machucados de pranto e de tédio,
Nesta Mesa acharemos alívio,
Neste pão acharemos remédio.

Alma alegre cantando e rezando
Eucaristicamente reunidos
Eis a vida conosco chegando,
Cristo em nós, corações compungidos.

Jesus Hóstia, Jesus juventude,
Vem a nós eucarístico e eterno.
Abre as portas do Céu a quem ama,
Fecha as portas do lúgubre inferno.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Vale a pena?

VALE A PENA?
Lino Vitti

Não penses, (quase é insensatez supô-lo)
Nesses movimentos, poucos e fugazes,
Que o vício atira aos olhos dos rapazes,
Achar, no seu prazer, algum consolo

Serão antes supremo desconsolo
É causa dos remorsos mais minazes.
Vê, medita bem tudo o que fazes,
Ouve o conselho de um poeta tolo.

- "Oh! dir-me-ás, são gotículas apenas
De mel, por sobre as aflições terrenas,
A adocicar seu trágico amargor".

Justo seria, amigo, o que me dizes
Se por segundos que supões felizes
Não sofresses, depois, eterna dor.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

A Voz do Ocaso

A VOZ DO OCASO
Lino Vitti

No ingrato caminhar de toda uma existência
muita alegria vai ficando para trás.
Os prazeres da infância, os cantos da inocência,
os momentos de guerra, as delícias da paz.

São os dias azuis, as noites, por coerência,
têm estrelas demais, tantas o espaço traz!
E a mocidade após, poço de inconsequência,
em rubro estrelejar de ilusões se desfaz.

Conversam entre si o amanhecer e a tarde,
a infância corriqueira e a velhice dorida,
em discursos joviais ou vozes sem alarde.

O que escuto porém – palavra fementida –
é a triste afirmação tresloucada e covarde
do diálogo outonal do poente da vida.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Na teia

NA TEIA
Lino Vitti

Há de chegar o dia-desenlace
daquele último olhar quase apagado
em que o mundo vai dar-me o ingrato passe
para adentrar o além mistificado.

Eu gostaria, entanto, não findasse
da existência este fato malogrado.
Nem nunca apresentar lívida face
aos olhos de quem amo – grato fado.

Contudo é inexorável me sujeite
a essa fatalidade que acompanha
do viver o mais santo e ideal deleite.

Não há como fugir da morte à sanha :
- a vida é promissória sem aceite,
- é presa de gulosa e fera aranha

domingo, 17 de outubro de 2010

A M É R I C A

A M É R I C A
Lino Vitti

Caravelas históricas, audazes,
Rumo ao desconhecido azul e cujo
Roto foi um arrojo de alcatrazes
E um punhado de heróis sua marujo!

Colombo, o visionário!. . . Eis que já somem
Na distância anilada as débeis naus. . .
Colombo!. . . mais parece um deus que um homem
Devassando do oceano o ignoto caos!

Grandiosidade, intrepidez homérica. . .
A humano pequenez perdida no infinito,
Numa solene isolação quimérica!. . .

E a dúvida. . . e o mistério. . . e - ergue-se um grito!
Os joelhos se curvam: - "Deus bendito,
Possível?! Terra. . . Terra?!" - Sim, a América!

sábado, 16 de outubro de 2010

O João Baiano

O JOÃO BAIANO
Lino Vitti

Quando eu era pequeno
Tinha um medo louco do João Baiano.
Aquele negro que andava de alpargatas
E um facão pendendo da cintura.
(Um facão descomunal!)
E nas noites escuras afundado no leito
A minha fantasia de criança
ldeava-o um gigante ressurgido
De enorme compostura
E corpo colossal,
Que tivesse saído dos recônditos da mata.
Mas o João Baiano era bom.
Negro velho dos tempos do Brasil Colônia,
Do Brasil-Pequeno, do Brasil-Menino,
Tinha, no rosto, a paciência dos escravos;
Na estatura, a rijeza dos robustos;
Nas cicatrizes, as vergastadas da escravatura.
E por tudo o estoicismo no destino
E os estigmas dos bravos.

Depois que eu cresci o João Baiano
Começou a habitar no rancho brasileiro
Da minha alma.
E quando o vi pela última vez, já velhinho
E alquebrado

(tinha mais de cem anos se não me engano)
A sua figura calma
De herói dos cafezais
Ficou gravada em cheio no meu íntimo.
Tão profundamente
Que o não esqueci jamais.
Nunca mais! '
Disseram-me que ainda vive.
Coitado, deve estar tão branquinho!
Também para ser pai deste Brasil-Homem de hoje
Não é brincadeira!
Foi ele, o João Baiano, que deu rijeza
Às carnes brasileiras.
Ele, que lhe injecionou em sangue africano
A serva musculosa
Que todos os anos faz exibição escandalosa
No festival das flores e dos frutos dos cafezais.
O suor dos cativos africanos
Foi chuva diluviana que empapou,
Por extenso, o território nacional;
Que escorreu de cada monte e todo o vale
E fez brotar, em cada, um cafezal.
E é por isso que ao passar por qualquer
Talhão verde negro de café,
Suponho ainda ver escravizado,
Em filas obedientes enquadrado,
Como tropas infinitas de soldados,
Um africano velho acorrentado,

Solene, eternamente, acocorado,
Martirizado,
Em cada pé.

O João Baiano era bom.
E passou a morar no rancho acaboclado
De minha alma.
Talvez seja ele mesmo que agora salma,
Com aquele seu jeitão de feiticeiro,
Estes versos desconjuntados,
Estas linhas sem a mínima instrução;
Livres como era livre a idéia dele,
Pois que ele tinha o pensamento libertado
Embora o corpo
Estivesse sujeito ao chicote do patrão.

O João Baiano era bom.
Fazia gaiolas e bodoques
Pra criançada da fazenda.
E muitas vezes dizia à mocidade
No barbarismo feliz de sua linguagem,
Semi-selvagem;
"Moços, eu não tenho liberdade
Que a nhá lsabelinha concedeu
Aos negros da escravidão,
Porque nesta terrinha brasileira
Eu tenho a minha alma prisioneira
E argamassado meu coração". . .
O João Baiano era bom.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Noturno

NOTURNO
Lino Vitti

Um perfume noturno abandonado
De abandonadas rosas de carmim.
Um palácio de fadas, encantado,
Na penumbra encantada do jardim.

Um grilo dá o comando em seu clarim
A uma tropa invisível (que soldado).
Quem tanto embranquiçou o lírio assim,
Que está tão alvo, como que assustado?

Quem cochicha assim leve? E esses choros
Entre as sebes de folhas e de olores?
E esses esguios e longínquos coros?l

É à minúcia arabesca de magia
Desse noturno lírico de flores,
Que a noite aveludada acaricia.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Riachuelo

R I A C H U E L O
Lino Vitti

Trava-se pavorosa e sangrenta a batalha
No entrechoque brutal das naves incendiadas.
Cínicas, infernais, horrendas, da metralha
Reboam, pelo espaço ardente, as gargalhadas.

Em bicas jorra o sangue onde o canhão retalha
Decepando, a rugir, testas ensanguentadas.
Gritos, imprecações, preces, fuzis e espadas,
Tudo ali, em confusão, se levanta e baralha.

Intrépido, de pé, na torre de comando
Barroso. . . como um deus guerreiro e formidando
Que o fogo e o fumo, em caos, mal deixam entrever.

E quando a luta ardeu mais épica e mais fera,
Soou a grande voz do bravo: - "A Pátria espera
Que cumpra cada qual seu sagrado dever".

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

"Stella Matutina"

"STELLA MATUTINA"
Lino Vitti

Homem, que vais seguindo pela estrada
Desta breve existência, em turbilhão,
Hão de surgir-te, a cada encruzilhada,
Os fantasmas da Dor e da Ilusão.

As flores da alegria desejada,
Arrancadas por pérfido tufão,
Irão ficando atrás, em debandada,
E, com elas, os sonhos ficarão.

Porém, levanta os olhos macerados,
Descobre a Estrela que te indique o norte
E te desvie de múltiplos pecados.

E em tua fé te sentirás mais forte,
Bendirás os penares já passados,
Pois é esta, homem, tua própria sorte.

domingo, 10 de outubro de 2010

"Mezzo Giorno"


"MEZZO GIORNO"
Lino Vitti

As casas se estatelam no mormaço
Ofuscante de sol. Postes esguios
Param na rua, mortos de cansaço
De tanto carregar feixes de fio.

Indefinido sobe pelo espaço
Um turbi (hão de finos assobios
De atmosfera fervendo. No regaço
Da altura, libram-se urubus vadios.

Pelas vias estáticas, imóveis,
Transitam alguns raros automóveis
E raros transeuntes sonolentos.

Num campo, ao longe, onde loureja o sol,
A criançada disputa futebol
Ou larga um papagaio aos quatro ventos.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Aos Velhinhos do Asilo

AOS VELHINHOS DO ASILO
Lino Vitti

Brancos velhinhos, em cuja face
As rugas contam alguma cousa,
Como se nelas se retratasse
A dor que dentro de vós repousa;
Brancos velhinhos, como vos quero,
Trago-vos todos no coração!
Tende certeza, pois sou sincero,
Sou de vós todos também irmão!

Eu sei que a neve de vossas frontes
E' a neve triste das ilusões!
Em vossos olhos vejo horizontes:
São de poentes, finais clarões!
A vida foge, já foge a vida,
A noite fria já se aproxima;
Já vejo acenos de despedida
Para este amigo que vos estima!

Porém na estrada que palmilhastes
Com a coragem dos caminheiros,
Os nobres gestos que praticastes
Irão ficando como luzeiros.
E uma palavra de vós brotada,
De ensino ungida, toda bondade,
Terá fulgores de uma alvorada
E será um sol para a mocidade.

Esse retiro que vos esconde
Do mundo mau, vil e escarninho,
Guarda as carícias de imensa fronde,
O calor guarda de imenso ninho.
No mundo existem duros olhares
Que só derramam negra maldade,
Porém existem, também, milhares,
Que vos cumulam de caridade!

Há muitos homens (oh! covardia!)
Que se envergonham de vos amar,
Cujas mãos ímpias sequer um dia
Se abriram, ternas, para esmolar. . .
Contudo há outras que até parecem
Ter sido feitas de seda e arminho,
Pois tanto amparam aos que padecem;
E são tão boas para os velhinhosl

Quanto sossego no vosso abrigo
Longe do inútil bulício humano!
Tendo o silêncio por caro amigo,
Ali, convosco, não mora o engano.
Só a quietude desse remanso,
Abrindo as asas dos grandes tetos,
A paz habita, mora o descanso,
E, das saudades, sois os diletos.

Cofres de sonhos já destruídos
E de esperanças já naufragadas;
Cá fóra, o mundo com seus ruídos,
E vós, lá dentro, tão sossegados!

Porém, às vezes, fico tristonho,
Tenho piedade de vós, velhinhos:
E' que no vosso colo risonho
Nunca vos vejo embalar netinhos'

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Dia do Poeta

DIA DO POETA
Lino Vitti

Todo dia 5 de outubro, já faz alguns anos, recebo uma visita surpreendente: é a família Cartos-Iria Vitti e filhas que vão até meu lar, levar um bolo delicioso. A troco do quê, lhes pergunto? Não respondem, pois eu já devo saber que no calendário do tempo, para o prezado amigo e família, esse é o DIA DO POETA, e como sou o “príncipe dos poetas piracicabanos” eles têm o prazer de me levar um bolo comemorativo, em homenagem grata e muito bem recebida. E desta feita, o chefe da família, que é poeta nato, presenteou-me com uns versinhos que tenho o prazer de oferecer aos leitores deste meu blog. Vamos à delicada poesia do amigo Carlos Vitti:

DIA DO POETA
Carlos Vitti
I
Quando Deus criou a Terra
Eu queria ser um profeta
Para prestar uma homenagem
Ao príncipe dos poetas.
II
Completou noventa anos
Com muita sabedoria
Quem é que não sente saudades
Do famoso Prato do Dia(*)
III
Quando chega a Primavera
É uma estação muito querida
E é porque as matas virgens
Ficam todas coloridas.
IV
As paineiras perdem as folhas
Para dar lugar às flores
Para servir de alimento
Aos pequenos beija-flores
V
Passa dia, passa semana,
Passa mês e passa ano
Esta é uma pequena homenagem
Para o poeta piracicabano.
VI
Terminando os meus versinhos
Quero que você acredite
É para um grande amigo
Que se chama Lino Vitti.

Carlos Vitti - 4/10/2010
(Prato do Dia foi uma coluna diária da Jornal de Piracicaba onde eram publicadas crônicas de redatores do JP Nelson Barreira – Tuca - e depois , durante muitos anos, por mim LV.)

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

A SURPRESA

(ilustração de Diva Golfier)

A SURPRESA
Dorayrthes Silber Schmidt Vitti

Durante 30 anos lecionei dando aulas para crianças de 8 a 12 anos. Eu o fazia com grande prazer. Amava aquelas crianças como se fossem meus filhos.
Nesse tempo todo tive alegrias e aborrecimentos, mas continuava com o mesmo entusiasmo inicial e a solicitude de sempre.
Diziam que eu era muito enérgica ou brava, na opinião dos alunos. Eram pequenos e não distinguiam energia de braveza.
Lecionei em Santo Anastácio (Presidente Prudente), na cidade como substituta e no sítio perto de Piquerobi, como titular.
Depois vim para a Fazenda São Matias, perto de Mombuca. Dali fui para Bairrinho onde éramos quatro professoras e o diretor e , para finalizar, fui removida por direito e por concurso para a Escola anexa ao Sud Mennucci, considerada naquela tempo como a melhor escola de Piracicaba, onde fiquei até a aposentadoria.
Isto tudo não é nenhuma novidade dirão os que me lêem. A maioria das professoras fizeram caminhos até piores do que o meu.
Por minhas mãos passaram tantas crianças que não consigo lembrar e contar. Hoje me orgulho de dizer dessas crianças que são competentes médicos, advogados, professores, dentistas, aviadores e até deputados e estilistas. Tenho encontrado muitos deles e me emociono tanto que sinto um liquidozinho molhar de leve minha face.
Certo dia, numa livraria do Shoping, aproximou-se um jovem senhor. Perguntou meu nome... e abraçou-me com força dizendo eu sou fulano, fui seu aluno. Lembrei-me logo dele porque tinha vindo da Espanha morar aqui. Ele chorava de alegria, acompanhado, é claro, da mestra.
Abraçado assim comigo beijava-me muito. As pessoas ali presentes pararam e ficaram observando aquele rapaz lindo beijando e abraçando uma senhora idosa e os dois chorando de alegria. (Talvez pensassem que era sua avó!).
De repente ele gritou para que todos ouvissem: essa foi a minha professora querida que não via a talvez 30 anos.
Dito isto, lembrei-me agora de outro fato que me aconteceu tempos atrás. Tocaram o interfone e minha secretária foi atender. Em seguida chamou-me dizendo: está aqui um senhor querendo vê-la. Fui atender. Deparei com um moço alto, bonito, um belo rapaz. Cumprimentamo-nos e dialogamos:
- Boa tarde. A senhora por certo não se lembra de mim. Eu sou o Nilton Sanches. Fui seu aluno no Sud.
- Não me lembraria por certo. Você teria seus 8 ou 9 anos. Hoje terá bem mais...
Era o dr. Nilton Sanches morador de Uberlândia em Minas Gerais, visitando seus parentes aqui em Piracicaba que se lembrou da professora e veio visitar-me.
Infelizmente foi uma visita curta e com o choque fiquei como que paralizada com tanto afeto. Veio de tão longe e se lembrou de sua professora primária.
Trazia nas mãos duas fotos. Uma da classe toda a que ele pertencia com todas as mestras, outra recebendo uma medalha que eu, jovem ainda, coloquei no seu peito. Foi demais para o meu pobre coração. Não sabia se rir ou chorar. Nada pude dizer. As palavras não afloravam à boca.
Obrigado, Nilton, ou melhor, dr. Nilton. Foi muita felicidade que você me proporcionou.”

sábado, 2 de outubro de 2010

Santo da Paz

SANTO DA PAZ
Lino Vitti

De irmão chamava ao passarinho arisco,
De irmã chamava a besta cavalar.
E ele era santo, ele era São Francisco,
Aves e feras tinha para amar.

A riqueza para ele – apenas cisco –,
O mundo – um triste e exótico lugar.
E aspirava reunir, num grande aprisco,
O Céu e a Terra e o Deserto e o Mar.

Nesse amor envolvia o mundo inteiro,
Da luz da caridade, o alto cruzeiro,
- Caminho eterno da felicidade.

Nosso irmão São Francisco, o mundo sofre,
Abre do teu amor o santo cofre,
Cofre da Paz à irmã Humanidade.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Poesia, para onde vais?

Poesia, para onde vais?
Lino Vitti

Faz talvez duas ou três semanas, o poeta e escritor (hoje lavrador e chacareiro) Irineu Volpato, vilarezendino, nato aí mesmo, no início da Avenida Rui Barbosa, cujos alicerces residenciais beijavam quase o rio, hoje impedido de tal prazer, pela avenida asfaltada – Irineu, repito, teve a ousadia feliz de expor aos associados de entidades culturais da cidade e aos amantes da Poesia verdadeira, a sua palavra autorizada sobre o vate imortal Olavo Bilac, ao que sei (não pude comparecer porque os anos não deixam o velho fazer o que quer) com plena autoridade e forma brilhante, como aliás é próprio dos espíritos altivos e realmente poetas. Irineu acumulou sua cultura em seminário religioso que freqüentamos conjuntamente.

No Colégio Santa Cruz, dos Padres Estigmatinos de Rio Claro. E não preciso dizer mais nada, pois quem freqüenta seminário de padres ou frades é curial voltarem para o mundo trazendo uma mala enorme de cultura e conhecimentos, não só religiosos mas laicos também para uso pela sua vida afora. Por isso Irineu falou com capacidade e profundamente conhecedor do autor de “Ouvir Estrelas”.

Gostaria que o vate vilarezendino, que encostou a literatura na parede da tulha e partiu para o trato de galinhas, perus, vacas e sei lá mais que bichos, fosse convidado para proferir conferência sobre os poetas e a poesia piracicabanos, de que faz parte especial e deve ter muita coisa para nos retransmitir. Quem sabe ele conseguiria expungir de mim o mal-estar lítero-intelectual que estou sentindo há algum tempo, pois começou a crescer dentro da já usada e abusada cabeça uma estranha e estrambótica ideia, ou melhor indagação: para onde irá, qual será o fim que será feito de todo esse acervo de poesia e arte literária que os piracicabanos conheceram e vão conhecendo, a qual, como aluvião de cultura importante é cultivado e divulgado pelos poetas e escritores desta terra a que, professor universitário da USP Paulistana classificou de Santuário da poesia?

Que será feito dos milhares de livros de poesia e contos e ensaios e arte e literatura e religião e educação e poesia, etc. cujo lançamento, ao conhecimento público, vem sendo, amiudadas vezes, feito entre nós, dezenas de poetas e escritores nos brindando com novos livros, num afã feliz de verem-se conhecidos e dando vazão aquela coceira que lhe esquenta a cabeça locupletada de estrofes e sonetos? Que será feito deles?

Jogados às traças? Lidos e relidos? Emprestados aos amigos que dificilmente os devolvem? Enfeitando silenciosamente, sem nunca sentirem o afago das mãos que os adquiriram, mais por amizade e consideração aos autores, do que pela vontade de saborear a beleza da poesia ou prosa de seus conterrâneos, expressa nas páginas de um livro? Ah! o destino do produto intelectual de muitos é misterioso, é enigmático! Será que algum terá a felicidade do Olavo Bilac que depois de tantos anos decorridos, teve um Irineu Volpato vilarezendino que os enalteceu e os avivou, em feliz e copiosa exposição, perante a curiosidade e compreensão de tantos amantes da poesia e admiradores dos poetas?

Aonde andais, meus 7 livros de poesia, em que coloquei um tanto de minha alma, uma dose imensa de minha personalidade, o quanto de cultura e amor à arte poética com que Deus me brindou? Aonde andais centenas e milhares de livros que os piracicabanos, ciosos de sua paixão cultural, espalharam pela sociedade afora, numa mensagem de sabedoria intelectual dedicada à Poesia e à Prosa?

Fecho e pingo o ponto final. Que cada um conclua como bem lhe aprouver estas linhas e responda a seu modo a minha pergunta: aonde andam os milhares de livros que um dia foram lançados generosa e esperançosamente ao destino dos queridos leitores?

PRÍNCIPE DOS POETAS DE PIRACICABA

CURRICULUM VITAE
( Síntese de Vida)
NOME – Lino Vitti
IDADE – 08/02/1920
ESTADO CIVIL – Casado, em únicas núpcias, há 56 anos, com a Professora Dorayrthes Silber Schmidt Vitti
FILIAÇÃO – José e Angelina Vitti
NATURALIDADE – Piracicaba, Estado de São Paulo –Brasil
Bairro Santana , Distrito de Vila Rezende
VIDA FAMILIAR
Casamento Civil e Religioso em comunhão de bens, Pai de sete filhos: Ângela Antónia, Dorinha Miriam, Rosa Maria, Fabíola , Lina, Rita de Cássia, Eustáquio.
VIDA PROFISSIONAL
Aposentado como Diretor Administrativo da Câmara de Vereadores de Piracicaba, e como Redator do “Jornal de Piracicaba”. Exerceu atividades no comércio, no Magistério, na lavoura até os l3 anos, na municipalidade local, como bibliotecário, lançador de impostos, protocolista, Secretário Municipal.

VIDA CULTURAL
ESCOLA PRIMÁRIA –
Grupo Escolar “Dr. Samuel de Castro Neves”, Santana, seminarista vocacional ao sacerdócio por seis anos, no Colégio Santa Cruz, da cidade de Rio Claro (SP), onde cursou humanidades, línguas, religião, ciências, matemáticas, música.
CURSOS –
Formou-se Técnico em Contabilidade, lecionou latim, francês, datilografia.

VIDA RELIGIOSA
Católico, Apostólico, Romano, fez curso de religião em seminário dos Padres Estigmatinos, foi organista da Catedral e da Igreja de São Benedito, de Piracicaba, e Congregado Mariano.
VIDA LITERÁRIA
Bafejado por ensinamentos de sábios sacerdotes em colégio de formação religiosa, recebeu extraordinário acervo literário que lhe propiciou enveredar pelo caminho da poesia, da crônica, dos contos, do jornalismo, havendo editado de l959 a 200l sete livros de poesias e contos, com edições em milheiros de volumes, os quais estão aí para satisfazer o gosto daqueles que apreciam a arte literária.
São seus livros : “Abre-te, Sésamo”, l959; “Alma Desnuda”, l988; “A Piracicaba, Minha Terra”, l99l; “Sinfonia Poética”, de parceria com o poeta Frei Timóteo de Porangaba; “Plantando Contos, Colhendo Rimas”, l992; “Sonetos Mais Amados”, l996 e “Antes que as Estrelas brilhem”, 200l. O poeta conta ainda com o prazer de haver composto hinos para diversos municípios, bairros rurais, entidades sociais diversas, continuando a colaborar ainda, após os 83 anos em colunas literárias e com artigos de ordem geral em jornais da terra.
Faz parte da Academia Piracicabana de Letras que lhe outorgou o título honorífico de “PRÍNCIPE DOS POETAS DE PIRACICABA’.
Foi-lhe concedida Pelo Município de Piracicaba, através de sua Secretaria da Ação Cultural, a MEDALHA DE MÉRITO CULTURAL, “ Prof. OLÊNIO DE ARRUDA VEIGA’; é detentor do TROFÉU IMPRENSA, concedido pelo Lions Clube de Piracicaba, centro, e da MEDALHA ITALIANA, concedida pelo governo italiano de Benito Mussolini aos alunos de escolas e seminários de origem daquele país que tivessem se destacado em redação de trabalhos literários escritos na língua de Dante.
O Município de Saltinho, para o qual contribuiu com o Hino dessa comunidade municipal , conferiu-lhe o título de “Cidadão Saltinhense”.

DISCURSO

Por ocasião do lançamento do livro de poesias “Antes que as estrelas brilhem “, pelo poeta Lino Vitti foi proferido o seguinte discursos:

Exmo. Sr. Heitor Gauadenci Jr. dd Secretário da Ação Cultural

Exmo. sr. António Osvaldo Storel. dd. Presidente da Câmara de

Vereadores de Piracicaba

Exmo.sr. Moacyr Camponez do Brasil Sobrinho, dd. Presidente do Instituto Histórico e Geográfico

Exmo,. sr. Henrique Cocenza, dd. Presidente da Academia Piracicabana de Letras

Exmo.. Sr. Ésio Pezzato , anfitrião desta solenidade

Senhoras e Senhores

Pela sétima vez (graças a Deus) em minha vida lítero-poética vejo-me guindado a uma tribuna improvisada (o que é bom porque torna o fato mais popular), para proferir um discurso de agradecimento, ao lado da oferta de um novo livro de versos. É teimosia essa de poetas em desovar sua produção para que mais gente participe de suas tiradas, muitas vezes fora de forma e de ambiente, mas que o poeta não vê porque , ao editar um novo livro está cego pela emoção , como se fosse a vez primeira. Está aí o Ésio Pezzato, responsável por mais esta minha invasão no mundo das letras poéticas, para dizer se não é assim. Para dizer se não sofre também dessa doença feliz de editar livros e mais livros a ponto de perder a conta, já que a esta altura ele não sabe se já está no décimo ou décimo primeiro. E ainda continua batendo dedos de métrica, sabemos lá por quantos anos ainda !

Tenho um ex-colega de seminário, prof. Hildebrando André, aposentado como professor universitário e com o qual mantenho longa e pródiga correspondência, que não se cansa de enaltecer a felicidade de Piracicaba contar com tantos poetas e poetisas. Tem razão ele, pois se apenas dois deles já conseguiram editar l8 livros de poesia, imagine-se as centenas que seriam necessárias para dar um pouco de vazão a essa raridade intelectual que toma conta da minha terra!

Este meu livro vem à lume por obra e arte do prefeito José Machado , seu Secretário da Ação Cultural e de seu zeloso servidor Ésio Pezzato que se entusiasmaram diante da recitação de diversos poemas meus por um grupo de jograis, alunos da UNIMEP, e impressionados decidiram patrocinar a publicação deste livro, pois entenderam que Piracicaba poética merecia conhecer em mais profundidade o seu príncipe da poesia. E aí está, lindo e impecável, entregue às mãos do povo de Piracicaba, que indistintamente de cor, estudos, intelectualização , posses financeiras, categoria de trabalho, com religião ou agnóstico, jovem ou adulto, roceiro ou citadino, aí está, para quiçá, momentos de lazer e sonho. Sonho , sim, porque a poesia é terrivelmente sonhativa , vive no mundo da fantasia, alicerça-se nas bases da emoção e brota do âmago mais profundo do poeta, e para que as filhas de Eva não reclamem, da poetisa também.

Alguém me perguntará? Como é ser poeta? Juro, nunca pensei nisso. Acho que ninguém consegue ser poeta. Já é. Nasce feito, como dizem.

não é verdade Maria Cecilia, Ivana Maria, Ésio Pezzato , Prata Gregolim, Marina Rolim, Valter Vitti, Mario Pires, Saconi, e tutti quanti enfeitam com seus lindos versos as páginas do “ Jornal de Piracicaba, ou da “Tribuna Piracicabana , e assim também esse cacho imenso de livros poéticos que quase semanalmente são dados ao conhecimento e sentimento público de nossa terra ? Tornando-se um privilégio de uma cidade, como disse alhures o supra citado meu colega seminarístico Hildebrando André. ?

Não se suponha que para ser poeta é preciso ter nascido em berço de ouro ou em centros intelectuais de enorme repercussão. Nada disso. Tenho um soneto que define bem esse fato. É assim: “Eu não sou o poeta dos salões / de ondeante, basta e negra cabeleira] não me hás de ver nos olhos alusões / de vigílias, de dor e de canseiras. // Não trago o pensamento em convulsões,/ de candentes imagens, a fogueira. / não sou o gênio que talvez supões/ e não levo acadêmica bandeira.// Distribuo os meus versos em moedas/ que pouco a pouco na tua alma hospedas / - raros , como as esmolas de quem passa. / Mas hei de me sentir feliz um dia/ quando vier alguém render-me graça/ por o fazer ricaço de poesia. // “ . Poetas e poetisas saem do nada , devem trazer o selo ou o bilhete de entrada nesse reino encantado desde o útero materno, embora ouse eu afirmar que a vida é também uma grande mestra , as influências da mentalidade circunvizinha,

o próprio meio ambiente, podem , em circunstâncias outras , plasmar um poeta .

Eu fui plasmado , por exemplo, por entre maravilhas campestres. A roça ou o campo são fantásticos criadores de poesia. Ela anda atapetando por todos os cantos a natureza, as gentes, os animais, os atos e fatos. e a cabeça daqueles com quem ela convive. E o poeta, criador por excelência, se abebera de todas as belezas esparsas pelas colinas, serras, vales e descampados , para transformar tudo em versos e rimas, ou em versos simplesmente, onde pululam , como cabritos silvestres, as figuras literárias, os tropos, as sínteses, as comparações, e todos os anseios que lhe vão no imo da alma. Para satisfação própria e para satisfação dos que convivem com o poeta. E´ por isso que se botardes olhos curiosos sobre meus poemas havereis de tropeçar a todo o momento com um motivo roceiro, pois trago uma alma plasmada pelas belezas rurais de Santana, Santa Olímpia , Fazenda Negri, e especialmente por aquela colina encimada ,no cocuruto, pelo prédio do grupo escolar, onde aprendi a ler e escrever e a poetar.

Peço desculpas por haver-me prolongado um pouco nestas elucubrações poéticas, desobedecendo aos conselhos do amigo Ésio que continua exigindo de mim discursos improvisados, o que seria tão para os ouvintes , que ansiosamente aguardam o momento de bater palmas acabando assim com a verborragia oratória.

Não posso entretanto encerrar esta breve alocução sem deixar consignados meus agradecimentos do fundo do coração ao prefeito José Machado ,ao seu Secretário da Ação Cultural Heitor Gaudenci Junior, ao seu sub-secretário poeta Ésio Pezzato, ao prefaciador Moacyr de Oliveira Camponez do Brasil sobrinho, aos queridos opinadores Maria Cecília Bonachella, Maria Ivana França de Negri, exímias poetisas, prof. Elias Salum e a minha filha Universitária Fabíola Vitti Moro, pela maravilhosa capa, Editores e toda equipe de funcionários , à minha esposa pela sugestão transmitida ao prefeito com relação ao advento desta obra, aos digitadores Nair , minha nora e neto Leonardo, e outros que possa ter esquecido, como é fácil em cachola idosa, - meus agradecimentos repito, pela reunião de esforços e trabalho que tornaram possível o advento de mais um livro de minha lavra.

Obrigado “ em geralmente” como dizem nossos cururueiros, aos que ilustraram com sua arte musical esta solenidade e assim também a todos quantos acharam um tempinho para vir prestigiar-me nesta tarefa de cultura e arte. Levem a certeza de que nada mais desejo do que engrandecer com minha poesia a terra que me viu nascer, a terra que me viu crescer, a terra que me proporcionou oportunidade para chegar a um cargo tão nobre quão dignificante de “Príncipe dos Poetas de Piracicaba”

Meu carinhoso obrigado também aos meios de comunicação, de modo especial “Jornal de Piracicaba”, na pessoa de seu Editor Chefe Joacyr Cury , de “A Tribuna Piracicabana”, na de seu diretor Evaldo Vicente, pela divulgação caprichosa deste evento que afinal nada mais é do que mais uma demonstração da exuberância cultural da Noiva da Colina.

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