Lino Vitti - Príncipe dos Poetas Piracicabanos

Lino Vitti - Príncipe dos Poetas Piracicabanos
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O Príncipe e sua esposa, professora Dorayrthes S. S. Vitti

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Bodas de Prata

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Lino Vitti e seus pais

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Lino Vitti e seus vários livros

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O Príncipe agradece a visita e os comentários

60 anos de Poesia


quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Veleiro do Amor




recados para orkut

VELEIRO DO AMOR
Lino Vitti

Coração, pobre barco aventureiro,
Pelo oceano do amor, toma cautela.
Pode surgir o vendaval traiçoeiro
Que te estraçalhe e te arrebate a vela.

Perscruta o rumo. Sobre o mar inteiro
Se prepare, talvez, atroz procela.
Busca horizontes claros, meu veleiro,
Onde o sol brilha e o mar não se encapela.

Não te faças ao largo em demasia
Que pode vir a noite e as trevas - zás -
Podem roubar-te a luz que te alumia.

E então, sem rumo, sem farol, sem paz,
Talvez não possas mais voltar, um dia,
À doce praia que deixaste atrás.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Historieta

HISTORIETA
Lino Vitti

No princípio era a engenhoca,
Linda parelha a rodar...
Longos meses, toca, toca,
Moe, remoe, sem descansar.

A biquinha de garapa,
Corre, escorre, sem cessar.
E o perfume que se escapa
De melado a cozinhar. . .

Açúcar preto, mascavo,
Aguardente, candomblé.
Sinhô, sinhá, negro, escravo,
Seu feitô, seu coroné.

Depois, sumiu a parelha,
Veio a máquina a vapor,
Como colmeia de abelha
Chia o engenho com furor.

E foi crescendo, foi crescendo,
Engolindo canaviais;
Que imensos tachos fervendo!
Que moendas colossais!

Hoje é Usina, monstro enorme,
Glutão de canas sem par.
Dia e noite, nunca dorme,
Nunca cessa de bufar!

Qual muares, qual carroças!
Tudo é motor a roncar!
Caminhões cortando roças
Com cargas de arrepiar!

Toneladas, toneladas,
De canas, para onde vão?
Para as moendas que são
Dentuças arreganhadas.

Mastigando o dia todo,
Noite inteira a mastigar,
Cuidado com esse engodo
Não vás, Usina, engasgar!

E que soberbo escoadouro
Milhões de sacas, que glória!
São as galinhas da história
Pondo, aos mi1, ovos de ouro!

Jorrando açúcar, em bica,
Branquinho como algodão,
A gente se beatifica,
A imaginar como é rica
Esta terra, este torrão.

Louvor àquele que um dia,
O Futuro semeou,
Sulcando a terra bravia,
E, sob o céu que sorria
A cana nela lançou!

Hoje é riqueza da terra,
Hoje é progresso a explodir.
Bendito o solo que encerra,
No seio que jamais erra,
Os tesouros do porvir.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Após três dias de chuva

APÓS TRÊS DIAS DE CHUVA
Lino Vitti

Por onde terá andado este sol quente
Durante aqueles dias plúmbeos, frios,
Quando a chuva cinzenta, intermitente,
Velava o céu de bruscos arrepios?

Mas hoje o sol se esbanja intensamente
E inunda tudo de clarões sadios.
Andando pela rua a gente sente
Comichões de gostosos arrepios.

Devem ser as carícias luminosos
Da quentura solar que o céu derramo,
Azul, com nuvenzinhas floconosas.

Tenho vontade de sair lá foro,
E, espichado de costas sobre a grama,
Embebedar-me dessa luz sonora,

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

ARAPUCA

ARAPUCA
Lino Vitti

No recesso da mata o menino caipira
tece em roliços paus a arapuca traidora.
É uma pequena boca, à espera, que conspira
oferecendo à caça a isca enganadora.

E ao pronto despontar da manhã bela e clara
com um céu mais azul que pedra de safira,
a ingênua presa vai, incauta, sonhadora,
e na armadilha cai, e na armadilha expira.

O mundo é assim também pois tem uma armadilha
igual à que o menino – exímio caçador –
arma todo cautela, à espreita, em qualquer trilha.

Um dia, da soalheira ao mais vivo calor,
o menino descobre, hoje moço que brilha,
a encantada e feliz arapuca do amor.

domingo, 26 de setembro de 2010

Após três dias de chuva

APÓS TRÊS DIAS DE CHUVA
Lino Vitti

Por onde terá andado este sol quente
Durante aqueles dias plúmbeos, frios,
Quando a chuva cinzenta, intermitente,
Velava o céu de bruscos arrepios?

Mas hoje o sol se esbanja intensamente
E inunda tudo de clarões sadios.
Andando pela rua a gente sente
Comichões de gostosos arrepios.

Devem ser as carícias luminosas
Da quentura solar que o céu derrama,
Azul, com nuvenzinhas floconosas.

Tenho vontade de sair lá fora,
E, espichado de costas sobre a grama,
Embebedar-me dessa luz sonora.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Ama a Natureza

AMA A NATUREZA
Lino Vitti

A cada despertar do dia jovem
Eis que desperta a luz de uma esperança.
Os sonhos, em tua alma, alegres chovem,
Chovem horas felizes de bonança.

Não importa que os outros desaprovem
Teus impulsos de amor e intemperança.
Tuas lágrimas, pobres, não comovem,
Nem sequer teu sorriso de criança.

Entanto aceita a luz que o dia manda,
Ouve a mensagem da carícia branda
Que traz consigo a brisa cortezã.

A cada vir do sol desperta e grita
E, se a alma tens preocupada e aflita,
Ama a luz, ama o sol, ama a manhã.

domingo, 19 de setembro de 2010

Nós e as mãos


NÓS E AS MÃOS
Lino Vitti
Estou sentindo a voz dos possíveis leitores destas já intermináveis crônicas, com as quais me apraz cumprir meus compromissos com o nobre diretor Paulo e tentando vencer a assiduidade do prezadíssimo e naturalmente invencível Totó Danelon – estou sentindo, repito – o estrilo amigo deles querendo saber o que o Sr. Poeta vai escrever sobre esses apêndices do corpo do homem.
Respondo que na verdade pouco ou quase nada tenho a discorrer sobre essas estranhas partes dos viventes humanos, mas vou tentar dar tratos à nonagenária cachola para ver se consigo acrescentar algo sobre assunto tão árido e quiçá já melhor tratado por outros em trabalhos anteriores, se é que existem.
As mãos? Ora, as mãos! Por que colocadas de modo a se espicharem para a frente, para trás, para cima, para baixo, para os lados do corpo? Talvez não saibamos bem porque ao criar o primeiro homem, dito Adão pelas escrituras sagradas, Deus o dotou de mãos, evidentemente os mais importantes apêndices de que dispomos, para facilitar e ajudar muito na vida. Vocês já pararam por momentos para pensar quão importantes são as mãos?
Começa pelo fato de se unirem para orar, certamente para agradecer ao autor da vida, num gesto significativo e valioso desse prêmio divino. As mãos postas dignificam a criatura criada e levam a Quem as criou o “muito obrigado, Senhor” por essa maravilha!
Importantes, sem dúvida e indispensáveis para a vida, são as mãos quando se movem para trabalhar, seja para apanharem a vassoura, seja para acender o fogo, seja para dar trato às panelas, seja para pôr à mesa, seja para usar o momento solene de levar à boca os alimentos que dão vida e saúde ao homem, às mulheres, às crianças, aos idosos, sustentam os doentes e dão forças para levar avante o viver de cada um.
Elas – as mãos – são essenciais para a cultura de todo o ser humano, na escola, no escritório, ao dedilhar deste computador com que redijo minhas míseras crônicas, para suster o lápis, a caneta, o livro, o caderno...
E já pensaram nas valiosas mãos do homem do campo, do industrial, do operário, do lavrador, maravilhosas manipuladoras do solo, da máquina, da contabilidade, da economia? E que me diríeis sobre as mãos do artista manejando cores, tintas, pincéis, para brindar a humanidade com a beleza de suas obras de arte que só mãos hábeis e dotadas de lampejos divinais são capazes de oferecer à curiosidade e ao prazer dos semelhantes?
E que me dizeis daquelas mãos que manejam os bisturis, das mãos que afagam os rostos doentios e os rostos enrugados da velhice, das mãos que salvam e restituem a saúde e o bem-estar?
Muitas vezes os gestos das nossas mãos ficam tristes. É porque dizem adeuses, é porque partem e talvez não voltem mais...
E agora, possível leitor, dê tratos à sua bola pensante, porque a minha já falha, para acrescentar a estas linhas, novos motivos, novas situações, novas possibilidades dessas importantes doações de Deus Criador e decerto dizer-Lhe o agradecimento indispensável a Quem, generosamente no-las deu de presente e para a felicidade da vida.

sábado, 18 de setembro de 2010

Vivência

VIVÊNCIA
Lino Vitti

De repente faz sol na tua roça,
ouves o canto lírico das aves.
Ao teu redor a vida em flor remoça,
os ruídos são flébeis e suaves.

Estás contente e o coração esboça
vogar por mares como vão as naves,
embora ruja a tempestade grossa,
embora lutas dolorosas traves.

Como é bom quando assim a gente a aceita
com suas glórias, o seu sol, o mundo,
com tudo quanto é mal que nos espreita!

Sigamos nesse encanto vagabundo,
não temamos entrar a porta estreita,
nem a fatalidade do segundo.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Desemprego

DESEMPREGO
Lino Vitti

Suprema dignidade, heróica e intensa luta,
no longo caminhar da estrada da existência!
Homem, suspende o passo, e pára, e pensa, e escuta,
depõe o teu esforço e mingua a resistência.

Vejo-te a fronte altiva, outrora nunca enxuta,
sem do nobre suor a mais lídima essência.
Fizeram-te, operário, uma argamassa bruta,
não te dando valor, não te dando assistência..

A política fez da luta e do trabalho
expressão de injustiça e de desassossego,
transformando em castigo a beleza do malho.

E os governos, meu Deus, perderam todo apego
ao grandíloco e bom, criando o rebotalho
da cegueira fatal do injusto desemprego.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

O sítio onde nasci

O SÍTIO ONDE NASCI
Lino Vitti

Nasci num sítio cheio de mangueiras
No pomar.
(Eu não tenho vergonha de o confessar. )
Havia perto a fazenda de Santana
Alastrando casas desperdiçadamente
Nas fraldas da colina bem em frente.
De manhã cedo quando me levantava
E ia à janela,
Em desordem postadas as casas esparsas
Pareciam-se bem com um bando de garças
Que tivesse pousado no meio das copas,
Imóvel,
No dilúvio do banho matinal
E universal
Da luz do sol.

A casa onde eu morava era no cocuruto,
Na nuca alta de outra colina.
A chaminé esguia imitava um charuto
Baforando fumaça lá prá cima.
A casa onde eu morava
Andava ao sol o dia inteiro,
No terreiro,
De braços dados com a escola de papai.
E eu armazenava no meu peito
Um certo orgulho altivo e prazenteiro
Quando alguém me dizia: "ai,
Tudo isso é de seu pai?!".

Os eucaliptos desciam pela encosta
Num atropelo de troncos escamosos,
Sustentando no cimo a copa em flecha
Que deixava escoar, brecha por brecha,
Uma chuva luminosa de raios luminosos.
No estio, havia aqui tantas cigarras
Embalando o meio-dia preguiçoso,
Com suas cantilenas bárbaro-bizzarras,
Que eu supunha que cada tronco esguio
Tivesse uma cigarra em todos os seus nós!
Ou que cada folhinha viridente
Tivesse, internamente,
Aguda voz.

E os laranjais!
E o bananal lá embaixo
Com as folhas em faca contra o céu!
E o cafezal na procissão eterna pelas encostas!
E o paiol velho cuspindo espigas pelas fendas!
E os terreiros que no tempo da colheita,
Quando enxutos,
Secavam camadas grossas de café.
Quando a chuva, porém, os ensopava
O pessoal, depressa, o infileirava
Em montes aguçados como tendas!
E o pasto, as roças. . . e as estradas. . .
E, ao longe, serras, serras azuladas,
Que desejei tantas vezes conhecer.
Azuis, como eram azuis os castelos ideados
Na minha cacholinha infantil
Sedenta de saber.
Serras que limitavam o meu mundo,
Interrogando o horizonte anil:
"Que haveria além, além?. . . "
Anseio profundo...
O sítio onde nasci!

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Ressurreição

RESSURREIÇÃO
Lino Vitti

Sob a fúria do fogo e da fumaça
sucumbiu a folhagem. Galhos nus
se erguem tristes ao vento que perpassa,
e sentem dor os cotucões da luz.

A árvore geme em dor sua desgraça...
Eis veio a Primavera e o céu reluz,
e a galharia oferta a enorme graça
do verde que a ressurge e a que faz jus.

Nessa ressurreição a vida explode,
aos afagos da brisa que a sacode
a copa reverdece e se abre em flores.

Já não mais chora lágrimas frementes,
a florada e a alegria estão presentes,
a árvore grita e vibra em esplendores.

sábado, 11 de setembro de 2010

A Eterna Palhaçada

A ETERNA PALHAÇADA
Lino Vitti

Há uma igualdade atroz que concatena
Minha vida a essa vida do palhaço
Dando saltos de morte numa arena,
Girando em cambalhotas pelo espaço.

Ganha aplausos; é o ídolo da cena;
Não se deixa abater pelo cansaço.
Gargalha e chora, misturando a pena
Ao prazer, num só calix - como eu faço.

Eu faço assim, e, assim faz todo o bardo.
Há de seu um palhaço infelizardo,
Um títere a pular numa plateia.

Dançar na corda azul da fantasia,
Pendurar-se ao trapézio da poesia,
E, dar saltos mortais com sua ideia

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Paisagem Crepuscular

PAISAGEM CREPUSCULAR
Lino Vitti

No incêndio do poente a tarde morre
em fogaréu de brasa.
O dia
entra em colapso de agonia,
e o burel da treva
vem absolver a moribunda tarde.
Tudo é luz, tudo é brilho
subindo para o alto na apoteose,
partindo da fímbria do horizonte
em direção à glória do infinito!
E aquém, e abaixo,
dessa manifestação angustiosa
do sol a despedir-se
vejo o espetáculo verde da terra,
vejo a extensão das campinas,
o vôo dos montes em fuga,
como grandes aves que tentassem
acompanhar a luz solar que sucumbe.
Vejo a paisagem verde
como esperança que há de vir amanhã
numa ressurreição de vida renovada!
E a minha alma
dentro dessa redoma imensa
da solidão da tarde,
deixa-se vitimar pela inconstância
da luz do poente,
do verde da paisagem.
Dentro de breve, talvez minutos,
tudo ficará trevas.
A luz dirá adeus,
o verde se cobrirá de negro!
E eu ficarei a interrogar os fatos:
luz onde estás?
verde que é feito de ti?
E o silêncio crepuscular
será a grande resposta do infinito.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Fazenda Natal

FAZENDA NATAL
Lino Vitti
(À moda de Paulo Setubal)


Num alto sereno e claro,
Lustroso ao sol qual verniz,
Somente agora reparo
Que fica o trecho mais raro
Do meu querido país.

Só agora é que verifico
Toda a beleza que tem.
E quase me beatifico
Ante recanto tão rico
Que os meus olhares revêem.

Na paz singela e discreta
De um quarto do casarão,
Eu vim no mundo, poeta,
O pobre e mísero esteta
De versos que sou então.

Asseada, toda biranquinha,
De um lado a escola se vê.
Foi nela, com "Nhá Zefinha",
A meiga professorinha,
Que eu aprendi o "abecê”.

Perto da cerca, sombreando
O fundo ali do quintal,
Eternamente ciciando
- Marulho longínquo e brando -
Frondeja o verde bambual.

E fica, do lado oposto,
Repleto de par em par,
Cheirando a espigas e a mosto
O velho paiol. . . Que gosto!
Tão cheio, quase a estourar!

Sob o pomar, como é belo,
Que delicioso frescor!
Nas frondes, que olor singelo,
Onde irisado cuitelo
Volita de flor em flor!

No outono, que gostosura
[)e frutas em profusão!
Que gulodice e doçura!
Mais doce que rapadura
(Perdoando a comparação)

O poço de sob o rancho,
O galinheiro, o curral.
E além, num mourão, muito ancho,
Um carniceiro carancho
Espreita os bois. . . e o pombal.

Troncos imóveis, em fila,
Pelo declive do val,
Semeando sombra tranqüila
Se o sol na altura cintila,
Despenca-se o eucaliptal!

Por entre as frondes, à sesta,
Zunem insetos sutis.
E, às vezes, rompem em festa,
Depois de chuva funesta,
Sanhaços e bem-te-vis.

Abaixo, beirando o rumo
Do sítio de "seu" Natal,
Perto da roça de fumo,
Com folhas novas a prumo
Alastra-se o bananal.

Dá ganas que não aturo,
Junta águas no paladar,
Lembrando um cacho maduro
Oculto no verde-escuro,
Difícil de se encontrar.

E a velha estrada que corta
O sítio, em curvas, à toa,
Parece, vermelha e torta,
Enorme, esquisita aorta
Do seio da terra boa.

Outrora sim, veia estranha,
Com carros descomunais,
Levava, em golfões, na entranha,
Toda a riqueza da apanha -
O sangue dos cafezais .

Hoje por ela, carroças
Transitam, raras, e só.
Bordejam-na extensas roças,
De quando em quanto, palhoças,
E ruivas nuvens de pó.

Não pensem se disse outrora
Que foi há muito, talvez,
Tinha doze anos, e, agora,
Não pondo nenhum de fora
Eu devo ter trinta e três. (N.B – o livro foi escrito em l959)

Reparem: toda essa terra
De barrocais e espigões
Até pertinho da serra
(Se a minha mente não erra)
Floriu em ricos talhões.

Adiante, na encruzilhada,
A capelinha traduz
Assim de novo caiada
Recordações da passada
Festança de Santa Cruz.
Quem nunca a apreciou ainda
Vá lá, vá ver o que é.
A festa mais rara e linda
Que sempre inicia e finda
Num tremendo racha-pé.

Gemem sanfonas e violas -
Alma de todo o sarau.
E no tropel que rebola
Não faltam as "Nha Carolas"
Ao lado do "Seu Nhô Lau".

Mas, minha pena, descanse,
Por ora, deste labor,
Pois que a matéria é do alcance
De um volumoso romance
Que não sabemos compor.

Depois, talvez, se a memória
Não nos faltar na ocasião,
Contaremos toda a história
Dessa fazenda que é glória
Dos tempos da escravidão.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

O Sineiro


O SINEIRO
Lino Vitti

Há quantos anos já, talvez da infância,
Era ele o único dono desses sinos
A derramar na aldeia e na distância
A música profunda de seus hinos.

Lindos noivos que unissem seus destinos,
Enterros, batizados de elegância,
Lá estavam badalando (que constância!)
Seus dobres ou repiques cristalinos

Num dia todo azul e ensolarado
Morre o velho sineiro. . . Já o cortejo
Passa em frente da torre do povoado...

Mas, oh! Contraste! Os bronzes em troféu
Rompem os ares em triunfal harpejo!...
É que a alma do sineiro voara ao céu!

O trem passa...

O TREM PASSA. . . Lino Vitti

Dorme o cenário. . . Dorme ou talvez pensa
Sob a quietude astral do céu?. . . Um grito
Apunhala de súbito o infinito
E um farol rasga a noite funda e densa.

E o trem passa assobiando o agudo apito,
Arrastando, a bufar, a cauda imensa.
Rangendo as rodas num rodar aflito
Corre. . . e já some sem que nada o vença.

É uma carreira doida. . . O monstro de aço
lá vai fugindo, devorando o espaço,
Numa bárbara aposta quilométrica. . .

Engoliu-o a distância. . . e, novamente,
Paira sobre a paisagem inconsciente
Uma vaga tristeza, grande e tétrica. . .

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Tarde Chuvosa

TARDE CHUVOSA
Lino Vitti

Choveu a tarde inteira.
O sol desceu enrolado em xales negros
De nuvens negras de veludo negro.
Sem espiar a gente sequer
Por uma fresta qualquer.
Que sol friorento também, que sol mulher!

As árvores dos quintais rezam murmurios
Embuçados em véus brancos de noivas
Que um chuvisqueiro fino, em arrepios,
lhes empresta para dormir.
E elas ciciam baixinho
Umas cousas que o vento, de mansinho,
Quando passa lhes diz. . . e ele passa bem pertinho
Para só elas ouvir.

E já noite, o chuvisqueiro continua,
Encharcando, monótono, os telhados
Numa canção contínua de sons continuados.
Como eu gostava de ouvir, quando pequeno,
A canção do chuvisqueiro nos telhados
Embalando-me o sono sereno
Atulhado de sonhos alados e azulados!

Saio à janela. Olho a rua.
Enfileiram-se os postes geométricos,
Esguios, finos, esqueléticos,
Esticando os braços longos, fantasmais,
Segurando na ponta os seus lampeões elétricos.
A iluminar a rua para a gente passar.
E será que não se cansam
De tanto tomar chuva,
De tanto segurar?
E essas gotas de prata que dançam no fio,
Que fazem prodígios de ginástica,
Que equilíbrio as sustém?. . . mas ai, um arrepio,
Foi-se uma. . . e vem outra em seu lugar...
Uma vai, outra vem. . .
Dançando uma dança fantástica
Na corda bamba do fio bambo
Sem parar.

Vem subindo um incógnito molambo,
Um trapo humano de gente qualquer. . .
Mas, oh! que aconteceu?. . .
Escorregou na calçada. . .
E nas vestes farrapos, na cara embuçada
Não se sabe se é homem ou mulher.
Depois, passa um negrinho assobiando,
Sem chapéu (não faz caso de molhar-se)
Sob a janela, e, carrapinha chuviscada
Com perolazinhas de cristal,
Atirou-me um sorriso disfarce
De seus dentes de cal.
Quando aponta algum auto caricato
Esticando faixas retas de luz rabiscadas
Obliquamente pelo chuvisqueiro,
Andam sombras movediças, espetrais,
Descomunais,
Pela tela dos muros silenciosos,
Onde um gato ensopadinho da silva faz miau. . .
E no escuro da alcova o menino doente
Tem medo, eu sei, de tudo isso. . .
Mas a vovó lhe grita lá de dentro:
"Menino, dorme tranqüilo. . . "
E acrescenta depois: - "Não sejas mau. .. "
Essas vovós têm sempre o que dizer!

Rondando os focos foscos
Redemoinham besouros tontos
Zumbindo como avião.
Pondo sombras gigantescas
No chão.
Que lembram, na impressão grotesca,
As asas romanescas
De imenso morcegão.

E a chuva vai caindo, vai caindo. . .
Não pára.
No fim da rua um guarda-chuva vai sumindo...
Foi sumindo. . . sumiu de uma vez. . .
E eu fico pensando naquela. gente
Que mora no fim da rua, nos arrabaldes,
Onde não existe nem luz talvez.
Deve haver tanto pobre indigente,
Tanto menininho chorando de frio
E de fome. . . Mas, embalde,
A mamãe não pode dar-lhe um leite quente,
Nem um leito macio. . .

O chuvisqueiro continua cantando nos telhados
A sua canção.
E o pranto de piedade dos coitados
Me está molhando, de mansinho,
O coração.

domingo, 5 de setembro de 2010

Passos Derradeiros

PASSOS DERRADEIROS
Lino Vitti

Finda é a jornada! O sol poente já descamba
amortalhando tudo em trevas sem retorno.
Apaga-se o calor dos dias feitos samba,
esfria a grande luz qual apagado forno,

Do sol não vejo mais a lúcida caçamba
subir, descer, em frívolo transtorno.
Tudo se transformou em feia corda-bamba,
e deixou de fulgir qual fulge rico adorno.

Os passos, me parece, estão presos ao solo
e não converso mais, a língua antes engrolo,
para todos, fatal, é a chegada do fim..

Inconformado, entanto, o meu final aguardo,
como dos homens fosse um cara felizardo,
como se o fim jamais chegasse para mim.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Bom dia, Luz;bom dia, Vida

BOM DIA, LUZ; BOM DIA, VIDA
Lino Vitti

Dormir é morrer um pouco. Acordar é rever a vida, é dizer bom dia, sol, é dizer: luz eu estou aqui, amo-te, anseio por teu ósculo matinal a cada despertar.
Ah! Como é maravilhoso abrir as pálpebras, devagarinho, ansiosamente, e encontrar a imensidade do dia iluminado, com o astro-rei espionando lá do horizonte o universo que acorda, o dia que começa, a vida que retorna! E dizer:
Bom dia, luz; bom dia, vida!
Com o sono entramos na dimensão das trevas, tudo desaparece, tudo silencia, tudo vira nada. Adentramos a paisagem dos sonhos e da irrealidade, nada podemos, nada desejamos, nada alcançamos. É o sono a terra da escuridão, do grande desconhecido, do profundo silêncio, da morte aparente.
Como gostamos da luz! Como amamos a luz!
O sol amigo, donde emana a luz e o calor, esteve conosco durante 24 horas, como um velho e generoso confidente, ao qual contamos todos os nossos segredos, todas as nossas alegrias, todas as nossas dores, tudo o que nos atormenta, tudo o que nos extasia. Confessamos-lhe nossos anseios de vida, nosso amor por tudo quanto ilumina e aquece e lhe pedimos que acumule mais dias de esperanças, mais felicidade luminosa dos amanheceres, espichando o quanto possível aquele momento em que, rubro e enrubescendo o horizonte por onde foge o dia, ele se despede e nos diz o adeus diário. Poetas, escritores, músicos, pintores, artistas de todos os tempos e lugares, nos têm brindado com páginas magníficas desses momentos derradeiros da despedida solar. Por quê? Ora, porque é um adeus sincero, solene, inesquecível, em que as trevas terríveis da noite conseguem vencer o sol, conseguem vencer a luz.
E o remédio único para esse mal trágico da vitória das sombras é o sono, é esquecer tudo e mergulhar no nada. Horas e horas, longas e seguidas, entrecortadas de pesadelos e pavores. Caminho único para o amanhã que nos aguarda, com a promessa feliz de que o astro da luz e da vida, virá trazendo braçadas de alegria e desejos de expectativas aguardadas por cada olhar que se abre, ao toque na porta da vida pela luz do dia nascente.
Que grande felicidade é o vir de cada dia! Com que carinho, abraços, anseios, aguardamos o dono da luz em cujos braços, numa glória luminosa, nos traz o dia, a chegada do amanhã alvissareiro, tudo saudado pela natureza feliz, pela vida humana despertante, pela vida inarredável da luz, pelo convite do sol para mais um dia de felicidade de viver e sonhar acordados.
Como apavora a chegada da treva noturna! Aqueles momentos em que o silêncio avança como um monstro, envolve tudo em sua sombra, quer fechar as pálpebras de todos, e dizer a tudo e a todos: deitai e dormi!
Sonhai bons ou maus sonhos, quiçá pesadelos! Onde está o verde das plantas, que é feito das flores do jardim, para onde foram os rostos amigos e as vozes tão lindas partidas dos lábios humanos, e o canto e os urros das aves e dos animais? O sono é a morte aparente que faz os corpos tombarem nos leitos e só nos abandonará aos primeiros beijos da aurora, como presente de Deus quê se compraz em estender, de horizonte a horizonte, o palio da luz matinal, prenúncio de mais um dia de vida e a palavra vinda dos divinais lábios do Criador: Fiat lux, faça-se a luz.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

A quem pertence a Vida?

A QUEM PERTENCE A VIDA?
Lino Vitti

Qual bênção divinal oriunda do Infinito
Sublime, soberana, eterna, esplendorosa,
Quer seja do gigante ao ser mais pequenito
A vida é do Senhor a coisa mais preciosa.

E quanto mais a vejo, e quanto mais a fito,
Mais me mostra sua glória generosa!
E para defendê-la eu lutarei convicto
Seja em versos ideais, seja em constante prosa.

Que direito o homem tem sobre o que é divino,
Sobre o prêmio que Deus deu ao destino
Dos seus irmãos de vida e valorosa sina.

Por que há de pretender o homem dito sapiente
Destruir o animal, como ele outro vivente
Vindo também da mesma mão divina ?

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Matinal Urbano

MATINAL URBANO
Lino Vitti

A cidade desperta...Há frêmitos alados
no ambiente pensativo e imóvel dos quintais.
Um alegre ruído – o bando de empregados
rumo às fábricas cresce e cresce sempre mais.

A cidade desperta. Há gestos apressados
em cada alguém que passa a passos desiguais.
E aquelas chaminés com fumos azulados,
serão naves, talvez, logo a partir do cais?

Rodam rodas rolando arredondadamente:
É o matinal rumor das carrocinhas “leite”...
“verduras”...”olha o pão”...Buzinas...Quanta gente!

Negócios...Discussão – “vamos, senhora, aceite”
E na glória da luz surgindo inteiramente
canta a cidade ao sol:”Ó sol, eu sempre amei-te”.

PRÍNCIPE DOS POETAS DE PIRACICABA

CURRICULUM VITAE
( Síntese de Vida)
NOME – Lino Vitti
IDADE – 08/02/1920
ESTADO CIVIL – Casado, em únicas núpcias, há 56 anos, com a Professora Dorayrthes Silber Schmidt Vitti
FILIAÇÃO – José e Angelina Vitti
NATURALIDADE – Piracicaba, Estado de São Paulo –Brasil
Bairro Santana , Distrito de Vila Rezende
VIDA FAMILIAR
Casamento Civil e Religioso em comunhão de bens, Pai de sete filhos: Ângela Antónia, Dorinha Miriam, Rosa Maria, Fabíola , Lina, Rita de Cássia, Eustáquio.
VIDA PROFISSIONAL
Aposentado como Diretor Administrativo da Câmara de Vereadores de Piracicaba, e como Redator do “Jornal de Piracicaba”. Exerceu atividades no comércio, no Magistério, na lavoura até os l3 anos, na municipalidade local, como bibliotecário, lançador de impostos, protocolista, Secretário Municipal.

VIDA CULTURAL
ESCOLA PRIMÁRIA –
Grupo Escolar “Dr. Samuel de Castro Neves”, Santana, seminarista vocacional ao sacerdócio por seis anos, no Colégio Santa Cruz, da cidade de Rio Claro (SP), onde cursou humanidades, línguas, religião, ciências, matemáticas, música.
CURSOS –
Formou-se Técnico em Contabilidade, lecionou latim, francês, datilografia.

VIDA RELIGIOSA
Católico, Apostólico, Romano, fez curso de religião em seminário dos Padres Estigmatinos, foi organista da Catedral e da Igreja de São Benedito, de Piracicaba, e Congregado Mariano.
VIDA LITERÁRIA
Bafejado por ensinamentos de sábios sacerdotes em colégio de formação religiosa, recebeu extraordinário acervo literário que lhe propiciou enveredar pelo caminho da poesia, da crônica, dos contos, do jornalismo, havendo editado de l959 a 200l sete livros de poesias e contos, com edições em milheiros de volumes, os quais estão aí para satisfazer o gosto daqueles que apreciam a arte literária.
São seus livros : “Abre-te, Sésamo”, l959; “Alma Desnuda”, l988; “A Piracicaba, Minha Terra”, l99l; “Sinfonia Poética”, de parceria com o poeta Frei Timóteo de Porangaba; “Plantando Contos, Colhendo Rimas”, l992; “Sonetos Mais Amados”, l996 e “Antes que as Estrelas brilhem”, 200l. O poeta conta ainda com o prazer de haver composto hinos para diversos municípios, bairros rurais, entidades sociais diversas, continuando a colaborar ainda, após os 83 anos em colunas literárias e com artigos de ordem geral em jornais da terra.
Faz parte da Academia Piracicabana de Letras que lhe outorgou o título honorífico de “PRÍNCIPE DOS POETAS DE PIRACICABA’.
Foi-lhe concedida Pelo Município de Piracicaba, através de sua Secretaria da Ação Cultural, a MEDALHA DE MÉRITO CULTURAL, “ Prof. OLÊNIO DE ARRUDA VEIGA’; é detentor do TROFÉU IMPRENSA, concedido pelo Lions Clube de Piracicaba, centro, e da MEDALHA ITALIANA, concedida pelo governo italiano de Benito Mussolini aos alunos de escolas e seminários de origem daquele país que tivessem se destacado em redação de trabalhos literários escritos na língua de Dante.
O Município de Saltinho, para o qual contribuiu com o Hino dessa comunidade municipal , conferiu-lhe o título de “Cidadão Saltinhense”.

DISCURSO

Por ocasião do lançamento do livro de poesias “Antes que as estrelas brilhem “, pelo poeta Lino Vitti foi proferido o seguinte discursos:

Exmo. Sr. Heitor Gauadenci Jr. dd Secretário da Ação Cultural

Exmo. sr. António Osvaldo Storel. dd. Presidente da Câmara de

Vereadores de Piracicaba

Exmo.sr. Moacyr Camponez do Brasil Sobrinho, dd. Presidente do Instituto Histórico e Geográfico

Exmo,. sr. Henrique Cocenza, dd. Presidente da Academia Piracicabana de Letras

Exmo.. Sr. Ésio Pezzato , anfitrião desta solenidade

Senhoras e Senhores

Pela sétima vez (graças a Deus) em minha vida lítero-poética vejo-me guindado a uma tribuna improvisada (o que é bom porque torna o fato mais popular), para proferir um discurso de agradecimento, ao lado da oferta de um novo livro de versos. É teimosia essa de poetas em desovar sua produção para que mais gente participe de suas tiradas, muitas vezes fora de forma e de ambiente, mas que o poeta não vê porque , ao editar um novo livro está cego pela emoção , como se fosse a vez primeira. Está aí o Ésio Pezzato, responsável por mais esta minha invasão no mundo das letras poéticas, para dizer se não é assim. Para dizer se não sofre também dessa doença feliz de editar livros e mais livros a ponto de perder a conta, já que a esta altura ele não sabe se já está no décimo ou décimo primeiro. E ainda continua batendo dedos de métrica, sabemos lá por quantos anos ainda !

Tenho um ex-colega de seminário, prof. Hildebrando André, aposentado como professor universitário e com o qual mantenho longa e pródiga correspondência, que não se cansa de enaltecer a felicidade de Piracicaba contar com tantos poetas e poetisas. Tem razão ele, pois se apenas dois deles já conseguiram editar l8 livros de poesia, imagine-se as centenas que seriam necessárias para dar um pouco de vazão a essa raridade intelectual que toma conta da minha terra!

Este meu livro vem à lume por obra e arte do prefeito José Machado , seu Secretário da Ação Cultural e de seu zeloso servidor Ésio Pezzato que se entusiasmaram diante da recitação de diversos poemas meus por um grupo de jograis, alunos da UNIMEP, e impressionados decidiram patrocinar a publicação deste livro, pois entenderam que Piracicaba poética merecia conhecer em mais profundidade o seu príncipe da poesia. E aí está, lindo e impecável, entregue às mãos do povo de Piracicaba, que indistintamente de cor, estudos, intelectualização , posses financeiras, categoria de trabalho, com religião ou agnóstico, jovem ou adulto, roceiro ou citadino, aí está, para quiçá, momentos de lazer e sonho. Sonho , sim, porque a poesia é terrivelmente sonhativa , vive no mundo da fantasia, alicerça-se nas bases da emoção e brota do âmago mais profundo do poeta, e para que as filhas de Eva não reclamem, da poetisa também.

Alguém me perguntará? Como é ser poeta? Juro, nunca pensei nisso. Acho que ninguém consegue ser poeta. Já é. Nasce feito, como dizem.

não é verdade Maria Cecilia, Ivana Maria, Ésio Pezzato , Prata Gregolim, Marina Rolim, Valter Vitti, Mario Pires, Saconi, e tutti quanti enfeitam com seus lindos versos as páginas do “ Jornal de Piracicaba, ou da “Tribuna Piracicabana , e assim também esse cacho imenso de livros poéticos que quase semanalmente são dados ao conhecimento e sentimento público de nossa terra ? Tornando-se um privilégio de uma cidade, como disse alhures o supra citado meu colega seminarístico Hildebrando André. ?

Não se suponha que para ser poeta é preciso ter nascido em berço de ouro ou em centros intelectuais de enorme repercussão. Nada disso. Tenho um soneto que define bem esse fato. É assim: “Eu não sou o poeta dos salões / de ondeante, basta e negra cabeleira] não me hás de ver nos olhos alusões / de vigílias, de dor e de canseiras. // Não trago o pensamento em convulsões,/ de candentes imagens, a fogueira. / não sou o gênio que talvez supões/ e não levo acadêmica bandeira.// Distribuo os meus versos em moedas/ que pouco a pouco na tua alma hospedas / - raros , como as esmolas de quem passa. / Mas hei de me sentir feliz um dia/ quando vier alguém render-me graça/ por o fazer ricaço de poesia. // “ . Poetas e poetisas saem do nada , devem trazer o selo ou o bilhete de entrada nesse reino encantado desde o útero materno, embora ouse eu afirmar que a vida é também uma grande mestra , as influências da mentalidade circunvizinha,

o próprio meio ambiente, podem , em circunstâncias outras , plasmar um poeta .

Eu fui plasmado , por exemplo, por entre maravilhas campestres. A roça ou o campo são fantásticos criadores de poesia. Ela anda atapetando por todos os cantos a natureza, as gentes, os animais, os atos e fatos. e a cabeça daqueles com quem ela convive. E o poeta, criador por excelência, se abebera de todas as belezas esparsas pelas colinas, serras, vales e descampados , para transformar tudo em versos e rimas, ou em versos simplesmente, onde pululam , como cabritos silvestres, as figuras literárias, os tropos, as sínteses, as comparações, e todos os anseios que lhe vão no imo da alma. Para satisfação própria e para satisfação dos que convivem com o poeta. E´ por isso que se botardes olhos curiosos sobre meus poemas havereis de tropeçar a todo o momento com um motivo roceiro, pois trago uma alma plasmada pelas belezas rurais de Santana, Santa Olímpia , Fazenda Negri, e especialmente por aquela colina encimada ,no cocuruto, pelo prédio do grupo escolar, onde aprendi a ler e escrever e a poetar.

Peço desculpas por haver-me prolongado um pouco nestas elucubrações poéticas, desobedecendo aos conselhos do amigo Ésio que continua exigindo de mim discursos improvisados, o que seria tão para os ouvintes , que ansiosamente aguardam o momento de bater palmas acabando assim com a verborragia oratória.

Não posso entretanto encerrar esta breve alocução sem deixar consignados meus agradecimentos do fundo do coração ao prefeito José Machado ,ao seu Secretário da Ação Cultural Heitor Gaudenci Junior, ao seu sub-secretário poeta Ésio Pezzato, ao prefaciador Moacyr de Oliveira Camponez do Brasil sobrinho, aos queridos opinadores Maria Cecília Bonachella, Maria Ivana França de Negri, exímias poetisas, prof. Elias Salum e a minha filha Universitária Fabíola Vitti Moro, pela maravilhosa capa, Editores e toda equipe de funcionários , à minha esposa pela sugestão transmitida ao prefeito com relação ao advento desta obra, aos digitadores Nair , minha nora e neto Leonardo, e outros que possa ter esquecido, como é fácil em cachola idosa, - meus agradecimentos repito, pela reunião de esforços e trabalho que tornaram possível o advento de mais um livro de minha lavra.

Obrigado “ em geralmente” como dizem nossos cururueiros, aos que ilustraram com sua arte musical esta solenidade e assim também a todos quantos acharam um tempinho para vir prestigiar-me nesta tarefa de cultura e arte. Levem a certeza de que nada mais desejo do que engrandecer com minha poesia a terra que me viu nascer, a terra que me viu crescer, a terra que me proporcionou oportunidade para chegar a um cargo tão nobre quão dignificante de “Príncipe dos Poetas de Piracicaba”

Meu carinhoso obrigado também aos meios de comunicação, de modo especial “Jornal de Piracicaba”, na pessoa de seu Editor Chefe Joacyr Cury , de “A Tribuna Piracicabana”, na de seu diretor Evaldo Vicente, pela divulgação caprichosa deste evento que afinal nada mais é do que mais uma demonstração da exuberância cultural da Noiva da Colina.

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