Lino Vitti - Príncipe dos Poetas Piracicabanos

Lino Vitti - Príncipe dos Poetas Piracicabanos
Lino Vitti- Príncipe dos Poetas Piracicabanos

O Príncipe e sua esposa, professora Dorayrthes S. S. Vitti

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Bodas de Prata

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Lino Vitti e seus pais

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Lino Vitti e seus vários livros

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O Príncipe agradece a visita e os comentários

60 anos de Poesia


segunda-feira, 31 de maio de 2010

O PAPA



O PAPA
Lino Vitti

Carinhoso Pastor das sedentas ovelhas
é assim que nós fiéis com carinho o chamamos.
E dizemos também ser Pai que muito amamos,
cujas palavras são milagrosas centelhas.

E Sua Santidade, a cuja sombra andamos
em colmeia afanosa imitando as abelhas
e a cuja voz divina humilde te ajoelhas,
é o Cristo, árvore – luz, da qual somos os ramos.

Vinte e um anos de Fé, peregrinando o mundo
em andanças de Amor, ensinando a Esperança,
afugentando o Mal insidioso e iracundo.

Missionário de Deus – Santo que não se cansa,
é o Papa que não pára, é João Paulo Segundo,
Líder de Deus na terra e chave da Aliança.

domingo, 30 de maio de 2010

Os netos, ein?


OS NETOS, EIN?
Lino Vitti

Dentre as muitas mensagens com que me saudaram ao passar da histórica data convencionada a homenagear os pais, inscrita em nosso calendário como Dia dos Pais, uma delas, enviada pela neta Juliana Vitti Moro, trazia entre suas linhas a afirmação de que os avôs são os segundos pais dos netos. Gostei e como não tinha nenhum assunto em pauta para oferecer como crônica da semana ao generoso Folha Cidade, aproveitei a dica da preciosa neta que já passou pelos estudos da Faculdade, como tema para estas minhas divagações semanais que se vão somando aos já mais de 50 anos de colaboração na imprensa piracicabana.
Era uma isca e eu que já encontro dificuldades para agendar assunto para estas minha elucubrações, tantos já tenho explorado e desenvolvidos, deixei prender-me no feliz anzol atirado pela Juliana, como o faziam os lambaris pescados em meus dias de criança roceira, esfaimados e rápidos.
E assim vou tentar escrever algo sobre esses maravilhosos capetinhas que são os netos, continuidade dos capetinhas outros que foram ficando para trás e já cresceram e são até adultos: os filhos, aos quais, me parece, vêm substituir .
Dei razão à Juliana. Tinha lógica a sugestão dela de que os avôs deveriam receber também os parabéns e as felicitações no Dia dos Pais, pois Pais eram eles em dobro, dignos até de receberem os abraços e as congratulações dos netos quando o direito congratulatório é essencialmente pertencente aos filhos.
Pelo fato aí exposto já dá para se tirar alguma conclusão de que são os netos. Embora nem todos gozem da consideração de “gente boa”, pois muitos são expertos demais, malandrinhos, ou por aí, a verdade é uma só: eles são adorados pelos avôs e avós, adoração que se estende, como corrente feliz, pelos demais faniliares, pelos amigos e parentes que lhes acompanham os passos e os caminhos por onde enveredam vida a fora, querendo participarem todos da existência daqueles que são a continuidade da família e, de modo especial, dos pais e avôs.
Se os leitores tiverem paciência e me permitirem, vou numerar, rapidamente, o rol de meus netos que podem figurar como netos de qualquer avô:
Caroline Kajeyama, formação cultural superior, arquiteta e artesã de mão cheia, mora em S.Carlos e trabalha em engenharia especial de artesanato;
Álvaro Vitti Lima, zootecnista e veterinário, em pleno exercício da profissão, cuida de bois, animais domésticos, em Mato Grosso do Sul;
Leonardo Vitti Brusantin, engenheiro agrônomo, em atividade profissional em importante e grande Cooperativa de Plantadores de Cana em Goiás;
Juliana Vitti Moro, veterinária, mestrado na Unesp de Jaboticabal, promissora profissional:
Giovanni Vitti Moro, engenheiro agrônomo, doutorado na área de piscicultura em Florianópolis:
Gustavo Vitti Moro, engenheiro agrônomo, em atividade contratual de doutorado na ESALQ, na cátedra de Genética ;
Lucas Vitti Lima, cursando Administração de Empresas:
Raissa Vitti Lima, formada em curso colegial:
Alessandra Vitti Brusantin, estudando em cursinho para ingresso em faculdade:
Bruno Valente Vitti , cursando a Faculdade de Odontologia de Piracicaba;
Flávia Valente Vitti, cursando Colegial no Objetivo na cidade de Monte Alto:
Gabriel Vitti Marcondes, formado em curso superior de Gastronomia, chefe de Restaurante em Arraial da Ajuda, na Bahia;
Filipe Vitti Marcondes, historiador, ensinando mestrado e formado em musica.
Desculpa, nobre leitor, se a longa relação cansou, mas deu para perceber a diversidade de destino cultural e sócio-econômico a que podem alcançar os filhos de seus filhos e filhas, seus netos e netas, quando bem orientados e direcionados pela dedicação dos pais e o exemplo daqueles que os precederam na vida: pais e avôs.

Poema Impressionista


POEMA IMPRESSIONISTA
Lino Vitti

Olho a cidade adormecida e taciturna,
Placidamente adormecida e quieta.
E a apatia das luzes dentro da noite furna
Lembra-me a cisma de uns olhares de poeta.

Lembra-me só. Nem sei porque impressiona.
É uma cousa assim, uma espécie de ansiedade
Que vem, devagarinho, vem me invade
E depois me abandona
Na barcarola azul de um sonho de saudade.

Dorme a cidade.
E os cubos monstruosos das casas geométricas
Diluem-se, lentos, na dormência das elétricas.
Tenho a impressão esquisita
De navegar sobre um lago adormecido
De metal diluído.
Acompanhado pela voz bonita
De um violino sonhador
Traçando uma espiral de sons na alma da noite.

Aspiro sofregamente
Um perfume de rosas acanhadas,
De rosas delicadamente abandonadas
Na delícia arabesca de um jardim taciturno.

A cidade desfruta seu sono noturno.
E ninguém se recorda das estrelas,
Ninguém levanta os olhos para vê-las!
Também andam tão altas, tão distantes,
E são tão poucos os poetas, seus amantes?!
Poesia silenciosa
Que inunda aveludada o sono da cidade.
Vem-me, outra vez, a impressão caprichosa,
Uma impressão sem sentido,
De me achar navegando na gôndola da saudade
Por sobre um lago de metal diluído.

sábado, 29 de maio de 2010

Tragédia na Ponta de um Pau



TRAGÉDIA NA PONTA DE UM PAU
Lino Vitti

Anda a humanidade ingurgitada de tragédias de todos os calibres, modos e maneiras,
diversidade essa que a traz em constante “ser ou não ser”, segundo cogitar poético de
ilustre representante das tragédias de antanho.
Dentre as inumeráveis formas de contar a vida, fui buscar na roça, numa árvore da
roça, na ponta de um galho seco da árvore da roça, o motivo para estas elucubrações
fantasiosas a que, desenvolvido “quantum sátis”, nos orgulhamos, patotisticamente, de
chamar Conto.
Conta-se assim que o Zé Querêncio, sitiante dos bons, dono inconteste de umas terras
agrícolas, altamente dignas de seu trato a poder de enxada, arado, foice e bestas ruanas,
desperta, alta noite –– noite negra como o breu, dizem –– a ouvir, vinda da escuridão
impenetrável, uma voz, ou melhor, uma gargalhada enigmática.
- Ué! Quem é esse cara que se mete a rir, perdido na noite? Alma penada, meu
Deus?
E a risada noturna e soturna bisava, sob a curiosidade da noite toda estrelas – uma
curva e imensa peneira de pingos de ouro invertida sobre a paisagem negra do sítio.
O caboclo encabulava.
Noite seguinte, a semi-sinistra risada encafuada no negrume, surdia novamente. E o
caboclo cismava, cismava, e perdia-se fantasiando a cabeça rústica em mil e uma
interrogações.
- Que será, que não será?
Compadre Vicente, padrinho do caçula, tinha sítio próximo. De uma feita casual
encontro propíciou a Zé Querêncio oportunidade de desfazer a misteriosa “coisa” a
espalhar gargalhadas noite a dentro, noite afora.
- Ché, compadre – adiantou o Vicente. Então você não sabe? Esse estrupício de
risada é o Urutau, o canto do Urutau.
- Verdade, Vicente? Então não é assombração, nada dessas coisas de assustar a
gente?
- Imagine! Passe lá no meu sitioca e eu lhe mostro a “assombração”...
Querêncio foi. E viu!
Viu o Urutau. Um pássaro estranho, da cor de galho seco de árvore. Grudado na
ponta do pau, mimetizado com ele em tudo, viu o dono daquela casquinada noturna,
imóvel como uma estátua, em riste, como se fora a continuação do próprio galho.
- Mas, Vicente, isso aí fala, ri, assusta?
- Claro, compadre – sentenciou o outro.
E dando uma de entendido, desfiou diante do vizinho, atento e embasbacado, tudo
quanto sabia sobre a misteriosa ave.
- Você vê, Querêncio, isso é feio que dói. A feiura, porém, não lhe tira a graça de sair
por aí, por pomares, capões de mato, barrocas ciliares a rir da vida e de nós caipiras,
muitas vezes assustando aqueles que o ignoram e o seu modo de vida: - de dia, como um
monge em oração, como duas mãos unidas em prece, quietinho, garimpado no topo de um
galho de árvore; de noite, voejando pela escuridão, a rir, rir, de “nóis” e a mandar pro
bucho borboletas, mariposas, lacraias, besouros, ratos e tudo quanto invente povoar de
vida os canfundós da roça...
Vicente calou-se um minuto, bateu fósforo e baforou uma nuvem cheirosa extraída do
seu cigarrão de palha, dando uma banana a essa mania civilizada que veta a delícia caipira
de tragar o saboroso fumo de corda do Bairrinho.
Depois, satisfeito o vício, prosseguiu:
- Então, compadre, esse estapafúrdio que você vê, grudado no pico do galho seco, faz
dele moradia e ninho. Mora e cria. Não tece nada. O ovo que bota, único e anual, gruda-o
no ventre, tal e qual a raposa (os cientistas tem um nome para isso) e choca-o sob as penas
do peito, durante 40 a 45 dias. Daí, Querêncio, o filhote nasce e começa a botar a
cabecinha de fora, com medo decerto do mundo grande que vê além das penas maternas.
Depois de duas e pouco mais de semanas, o passarico, que já não cabe mais no seio macio
de plumas, mete-se ao lado do pai ou da mãe, passando o tempo abraçado pelas asas
maternais. Empena, cresce, voa... e sai pelo mundo a povoar novos cumes de novos galhos
secos, de novas árvores...
Compadre Zé Querêncio suspirou profundamente ao calar-se a voz de outro.
Ruminava no íntimo de todas aquelas novidades estranhas sobre um gargalhar noturno que
povoa as noites rurais, nada mais do que um canto ancestral de ave noctívaga, símbolo de
mistério, figura fantasmal do mundo alado do campo e da noite sertaneja!
****
Pingaríamos aqui o ponto final da história. O Zé Querêncio, todavia, não nos deixa. E
não nô-lo deixa porque a sua rude curiosidade nos diz que o Urutau e sua criaturinha não
se deram bem com a vida. Certa manhã, espairecendo pelas terras do compadre, foi até a
“casa” do pássaro para revê-lo e ao seu filhote.
E aí, a tragédia. A ponta do pau seco, vazia. No chão, mãe e filho, estraçalhados. Por
que? Por quem? Mistério! Esses acontecimentos da natureza, são iguais aos
acontecimentos trágicos humanos. Inexplicáveis! Insolúveis!
E a memória querenciana, num retorno repentino aos dias do passado reviu, por
caprichoso e doloroso recordar, num relancear de fatos, a tragédia – tal e qual a do infeliz
Urutau e sua prole – da sua esposa e filho tragados pela fatalidade do infortúnio.
Foi assim.
Temporal inclemente vergastou com o chicote de sua terrível ventania e a fusilaria de
seus raios e trovoadas, horas seguidas, a soberba paineira alcandorada e gloriosa ao lado
da casa, florida de roxo, às vezes; outras, crivada de painas esvoaçantes. Vergastou,
chicoteou, sacudiu raivosamente até que o roble secular cedeu à fúria que o prostrou ao
solo, e, de roldão, tombou sobre o teto da casa, esmagando, sinistramente, a esposa e o
pequeno caçula.
Zé Querêncio – como agora – diante da desgraça, emudeceu, mudamente chorou,
carregando para sempre aquele quadro inominável. Quadro que revivia em toda plenitude,
em dolorosa lembrança, ao contemplar no chão, inertes e destroçados, como sua cara
consorte e seu querido filhinho, inertes e destroçados pela natureza enfurecida e
impiedosa.
Há momentos na vida em que esquecer é o melhor remédio, talvez, o mais profundo
consolo.
Frente a frente com o drama que a manhã roceira lhe apresentara, numa realidade
inarredável, e, frente com a realidade de um passado que não se apaga jamais da
lembrança de qualquer mortal, Zé Querêncio optou pelo alívio medicinal do esquecimento.
Cavalgou o alazão. A galope, se afastou envolto num halo de nostalgia, daquela
paisagem recordativa e entristecedora, daquele inusitado acontecimento a cavar-lhe da
sepultura de um ontem doloroso, a imagem de um quadro que tanto quisera esquecer, mas
viera à tona face a face com aquele infeliz desfecho de um lar alado, desfeito por não se
sabe que mão do destino.
Tal e qual, talvez, a mesma e incomplacente mão terrível que se comprazera em
derruir, inexorável, um Urutau e sua prole, cuja felicidade vivencial se encontra apenas no
pico de um velho e seco galho de árvore. É por isso que a canção popular canta: “Eh! Vida
malvada, não dianta fazer nada, prá que se esforçar se não vale a pena trabalhar”.
Zé Querêncio cavalgou, cavalgou. Esqueceu da vida, esqueceu do mundo. A noite
fechou e o céu desdobrou um dilúvio de estrelas. Contemplou-as por momentos. Ora, lhe
pareciam lágrimas luminosas, ora risos caricatos.
- Para onde vai, compadre? – Perguntou-lhe, no meio da escuridão, a improvisada e
imprevisível presença do Vicente, retornando da vila onde estivera às compras.
Silêncio!
- Para onde vai, repetiu o vizinho.
- Pro inferno, compadre! Pro fim do mundo! “Prum” lugar onde não tem dessas
coisas!...
E castigou a besta que saiu a galope pela cegueira da treva noturna.
O tátátá... tátátá... da cavalgadura enchia lugubremente a imensidão da negra
paisagem, assustando as estrelas piscantes e a lua cheia que o espiava no horizonte
indefinido, qual carantonha enorme a rir de sua desgraça.
De súbito, alguém gargalhou, em casquinada fantasmal dentro do enigma da noite...
Zé Querêncio estacou. Assuntou a vastidão silente e trevosa, cuspiu para o lado, em
protesto contra aquela inoportuna gargalhada e berrou, loucamente, para a paisagem:
- E ainda você dá risada, seu porcaria?!...
Só o eco tristonho dos vales, das florestas, dos montes, respondeu ao protesto do
Querêncio.
O luar pleno banhou de luz macia a vastidão da paisagem.
****
Poder-se-ia encerrar assim e aqui a minúscula história.
Exigem contudo a lógica e a final clareza dos fatos saiba o possível leitor de que
profundez noturna, de que goela estúpida, de que treva cega, de que origem inominada
surdira aquele motejo cabalístico, aquele irônico rir, enegrecendo mais ainda a alma
entenebrecida do infelicitado caboclo.
Para Zé Querêncio, machucado pelas lembranças funestas da fatalidade,
inopinadamente ressuscitadas pelo imprevisto quadro contemplado ao amanhecer, ficava
difícil compreender que tinha um irmão de desdita, que aquele gargalhar dolorido era o
canto de dor que ia n’alma de um pássaro igualmente ferido pela infelicidade.
Ele sobrevivera à tragédia. O Urutau, também. Ambos ficaram sós no mundo,
testemunhas únicas de um lar ditoso, estraçalhado por um terrível destino. Sofriam um e
outro a mesmísssima dor.
Zé Querêncio chorava; o Urutau ria. O homem precisa saber contudo que a natureza e
a vida são contrastantes. O riso do Urutau também é pranto.
Duas, então, eram as vítimas.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

POESIA

POESIA
Lino Vitti

Quem penetra os umbrais – qual bandeirante ousado
desse imenso país de sonho e maravilha
em busca de um tesouro em arcas tão guardado
onde mora essa que é de Deus sublime filha?

Quem busca com carinho essa terra que brilha
onde alma e coração afloram no encantado
jardim da poesia, e em música dedilha
a beleza sem par de um mundo sublimado?

Quem? Ora vos direi, é um caro peregrino,
– Peregrino do verso e rei da rima rica,
diante dos quais eu tremo, eu vibro, desatino.

Onde? Onde encontrar a poesia? Ele explica
– segue o belo caminho enflorado e divino
dos sonhos e do amor onde ele frutifica.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Viagem Poética


“VIAGEM POÉTICA”
Lino Vitti

Este poema foi escrito em homenagem ao
poeta Ésio Antonio Pezzato quando do
lançamento de seu livro “Viagem Poética”
Viajar! Apanha a imensa espaço-nave
e num vôo silente, longo, suave,
conquista o céu azul !
Vai ao reino dos astros do infinito
a esses astros que à noite tanto fito
ora ao norte, ora ao sul.
Viajar no bojo louco de um “Concorde”
ter a glória de ser viajor recorde,
em viagens siderais.
Astronauta feliz , sem termos e sem porto
da azulina amplidão fazer meu aeroporto...
à Terra, nunca mais!
Viajar! Correr distâncias quilométricas
para fugir de tantas coisas tétricas,
num fantástico trem!
Em navio infundir as naus atômicas,
em naves abissais e supersônicas
perder-nos pelo além.
Não são essas porém tais míticas viagens,
preso a estranhas e insólitas roupagens,
que o vate quer viajar.
Ele quer uma nave das mais belas
para enfrentar espaços e procelas
e a outros reinos chegar.
Quer a poesia e, nauta do infinito,
voar num sonho lindo nunca escrito
por páramos astrais.
E planar em sublime viagem poética
por espaços de sonhos e de estética
rumando mais e mais .
Ésio Pezzato, genial piloto etéreo
com as asas do sonho e do mistério,
viajar qual herói.
E a viagem poética é tão linda
que a gente fica triste quando finda,
apagam-se mil sóis.
Na viagem surgem os poetas grandes
como ciclópicos e altivos Andes,
poemas a cantar,
Ésio Pezzato um a um nos vai dizendo
o que deixaram de sublime e horrendo
em tanto navegar.
A “Viagem Poética” é epopéia ,
repositório excelso de uma idéia,
de uma glória ideal.
É uma viagem diria temerária,
nesta era de viagem planetária,
de busca universal.
Ésio sai perlustrando a nau do verso
e em páginas de estilo enorme e terso
nos leva a um reino astral.
O abraço principesco deste amigo
que pede vênia pra viajar contigo
nesse barco eternal.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Quem fez? Quem nos presenteou?


QUEM FEZ? QUEM NOS PRESENTEOU?
Lino Vitti

Queridos leitores, que tendes paciência e coragem de nos acompanhar por estas longas e, às vezes tediosas divagações, acaso já parastes por momentos, erguestes os olhos para o alto azul infinito, vos detivestes a descobrir quem nos deu e por que nos deu essa imensidade inarredável do universo? Tentastes talvez compreender porque há um sol diário a nos brindar com sua luz, há uma noite estrelada ou enluarada, depois de cada dia, para que nossos olhos se fechem para um repouso gratificante, e se abram novamente ao vir de um novo dia para que continuem a ver e amar a vida, doação do Criador, razão de ser da existência de cada um?
Não? Nunca tivestes a inspiração de agradecer a Quem fez tudo isso que aí está, a Quem vos deu pais carinhosos, a Quem vos dá saúde e alegria para viver o dia-a-dia, a Quem vos entregou uma alma para amar e sentir, para alegrar-vos ou chorar, para ser feliz e grato ao autor da vida, do universo, do Paraíso, do Amor?
O Sol?!!! Que grandiosidade, que imensidade, que espetáculo diário que nos traz a luz de Deus, aquela mesma luz que Alguém criou com um simples gesto de “faça-se a luz”, dando-a de presente para sempre ao homem, ao mundo, à vida! E para que a Sua criatura não se abeberasse e embriagasse de tanta luz, temperou a vida com a escuridão da noite? Criou o alvorecer, cheio de belezas e poesia divinas, para que o rei Sol chegasse pouco a pouco até a Terra, carinhosamente, lindamente, soberanamente, iluminando aos punhados luminosos o mundo com que nos presenteou.
A Água?!!! Maravilha das maravilhas. Presente régio do Criador para a indigna criatura, preservador da vida, dessedentador universal, transformado muitas vezes e por toda a parte do globo terráqueo em chuvas generosas, refrescantes, indispensável ainda aos animais, às plantas, à saúde, à felicidade das famílias. Deu-nos os oceanos vastos e profundos, os rios valiosos e correntes, os oásis para que os viajantes do deserto tivessem onde molhar as gargantas ressecadas pelas areias e pelos ventos cálidos que amam atravessar os mesmos desertos. Quem será capaz de avaliar e me dizer quão maravilhosa e necessária é a água no mundo?
Deu-nos Deus as flores e os frutos. E a vida ficou linda enfeitada pelo colorido flóreo dos jardins e das árvores. E os frutos chegaram para alimentar, para serem saboreados, para matar a fome de homens, aves, animais. Para deixar mais feliz a vida! As florestas pontificaram exibindo a graça do arvoredo e ao mesmo tempo a madeira para construir as casas e os moveis.
Seriam sem fim as páginas para se contar tudo quanto com o que Deus nos presenteou, que pode ser visto a qualquer hora e lugar, pois o próprio universo, com sua civilização antiga e moderna, com seu progresso infindo, de ontem e de hoje, as chuvas, os ventos, o calor, o frio, a primavera, o verão, tudo é a mais viva demonstração do quanto recebemos de presente da Eterna Potestade Divina, só ficando para nós o dever de unirmos as mãos em prece para dizer ao Criador : obrigado, Senhor.
Sim, obrigado Senhor, pelos divinos presentes com que nos cumulastes. Somos grãos de areia dentro deles, mas mesmo assim temos voz para vos agradecer tanta felicidade que generosamente distribuis a todos e em qualquer lugar, com o Amor e a presença de um Deus, do Deus em quem cremos, a quem amamos, de quem esperamos a misericórdia da eterna felicidade.

Lares - Walter Vitti

LARES
Walter Vitti

Lar, aconchego familiar,
Onde todos deveriam morar.
Com a família conviver,
E todo conforto ter.

Há o lar do rico abastado,
E o do mendigo abandonado.
Aquele, habita bela mansão,
Este dorme, rés ao chão.

Há também, o lar do velhinho,
Assistido com muito carinho.
E o do menor abandonado,
Ajudado com todo cuidado.

Morada há, aos montes
Mormente embaixo de pontes
E, o apartamento pro político morar,
Em Brasília, sem nada pagar ...

terça-feira, 25 de maio de 2010

SER FELIZ!


SER FELIZ
Lino Vitti

Enquanto as horas fogem tu meditas
sobre as horas que fogem, incontáveis,
misturando as felizes e as malditas
e mesclando as mutáveis e imutáveis.

Eu e tu, nós e vós, coisas bonitas
desejáramos todos, mas instáveis
são as coisas e os homens; infinitas
são as lutas, e , as dores – detestáveis.

Como estão longe os bens de que precisa
a pobre humanidade que maldiz
o belo, o sonho, às vezes até a brisa.

Esquecemos – oh! infausta e atroz cerviz –
dos encantos da vida que anarquiza
a glória divinal de ser feliz!

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Pingos Salgados


PINGOS SALGADOS
Lino Vitti

Quantas vezes as lágrimas furtivas
apossaram-se quentes dos teus olhos,
como se foram provas fugitivas
que a tua alma guardava em seus refolhos.

Elas têm sempre a unção dos santos óleos,
são gotas de cristal móveis e vivas.
Acompanham o pranto dentre abrolhos,
brilham, às vezes, trêmulas, festivas.

Contrastes da alma, as lágrimas, suponho,
trazem o sal do oceano que em nós temos,
simbolizam o fim de um feliz sonho.

Sempre estão num instante que vivemos:
na infância, num olhar doce e risonho;
na velhice, enfeitando os seus extremos.

domingo, 23 de maio de 2010

Caprichos da Vida - Conto


CAPRICHOS DA VIDA
Lino Vitti

Ao longo daquele trecho de rua, quase central, a casinha de Zé Minguante assumia
antes o aspecto de casebre. Tão granfinos eram os edifícios de um e de outro lado
erguidos, galgando o espaço, que davam a impressão de se estarem acotovelando para
espiar lá embaixo a humildade da casinhola. Explico as razões do "Minguante". Não era
sobrenome, mas apelido vindo desde a infância, sugerido pela sua extrema pequenez, que,
agora, com a velhice, quase poderia ser classificado entre a família dos anões. É um
divertimento esse do acúmulo dos anos em apequenar as pessoas, certo pelo peso de serem
muitos, acontecendo com o Zé Minguante, nesse particular, o mesmo que acontecia com
sua casinha em relação aos sobrados vizinhos; ambos, casa e proprietário, sentiam-se
asfixiados: um pelo peso dos dias, outro pelo concreto circunvizinho. E toda essa massa,
equilibrada na rigidez arquitetônica das suas linhas, tinha um só dono: Gervásio Cabral,
Dr. Gervásio Cabral.
Bafejado que fora pelas graças da fortuna, esse personagem que se compraz em
dividir as posses a seu bel prazer, presenteando a uns em demasia, a outros comprazendo-se em ser sumamente mofina, - seu Cabral, Moloch de dinheiro, - foi devorando um a um, saboreando lentamente os pratos que a sorte lhe oferecia, todos os prédios daquele quarteirão, transformando-o no aglomerado de residências finas que, também, cautelosamente, ia se apoderando, em avalanche de pedra e cal, das construções vizinhas.
E, uma a uma, desapareciam desfeitas em cacos, mastigadas pelo mastim do progresso as casas acachapadas ao rez do chão. Alguém, porém, resistiu às mandíbulas do dragão: - Zé Minguante.
Não conseguiram arredá-lo de sua choupana as fabulosas ofertas de dr. Cabral. Não,
porque aquele pequeno amontoado de pedras, à feição de presepe entre os arranha-céus,
constituía legado de família, guardava em si o repositório histórico de seus antepassados, era, enfim, o único bem material que os anos não lhe puderam roubar. Além do mais,
servia de ninho aos seus: dona Cesarina, a mulher, e Jovita, a filha, alegria e razão de ser da sua vida.
- Como é, seu Zé, dou Cr$ 200.000,00, insistia o dr. Cabral. E propositadamente
quase lhe raspava o passeio da calçada com a Cadilac reluzente.
- Impossível, dr. Cabral, retrucava a humildade acanhada de Zé Minguante. Seria
vender o coração.
E a Cadilac sumia adiante, doida por aquele cantinho de chão, pois, o dr. Cabral, em
cujo cérebro fervilhava um grande plano industrial, a montagem de uma fábrica
gigantesca, ou cousa que o valha, tinha necessidade dele. Daquela nesguinha de espaço.
E monologava o espírito do homem: “Sujeito teimoso. Pago-lhe bem pago, e não
quer. Mais dias menos dias, boto-o a muque para fora daquela vergonha. Onde se viu
mesquinhez daquela a enfeiar todo o quarteirão”. Buzinava, quebrando a esquina.
Atrás, no entanto, Zé Minguante ficava meditando: “Arre, também, que isso é
demais. Tanta casa, tanto terreno, e ele aí a querer me alijar deste cantinho que é meu. E
prá ir aonde depois? Não. Nem por milhões”. Entrava soturno e pensativo. Lá dentro
vicejava a primavera na beleza e juventude da filha. Rescendia nos 17 anos. Era ela, a bem dizer, o sustentáculo da família. Tresdobrava-se a fim de garantir aos velhos pais alimento e roupa para o corpo; desfazia-se em sorrisos e carinhos, para atenuar-lhes a amargura dos últimos dias.
Entretanto, Jovita era carne e osso. Apesar de uma alma imensa habitar-lhe o corpo,
sentia também o império da mocidade a sacudir-lhe os instintos. Amava. Mas o amor de
Jovita, pelo seu objeto, revestia-se da condição da impossibilidade. Porque o seu príncipe encantado era, nada mais, nada menos, do que o Cabralzinho, filho do dr. Cabral.
Leitor, ou leitora, aí está mais uma artimanha da vida, mais uma forma de que é
pródiga, para espezinhar o ser ou seres humanos. Por que haveria ela, dona dessa imensa sementeira do amor, botar a migalha de uma de suas sementezinhas no coração de Jovita?
Por que?Não sabia acaso a dona vida, que haveria de surgir a ave má do impossível para querer beliscar o rebento da semente mal tentasse romper o solo em que fora lançada? Se o sabia ou não, é difícil dizêrmo-lo, o certo, contudo é que a vida doidivana achou de brincar com o coração do dr. Cabralzinho e lá também enterrou a sementinha fatal. E ali enraizou, cresceu, frondejou e, resultado lógico, passou a namorar Jovita. Amam-se, agora, apesar da divergência e diversidade de classe social, consideradas, por muitos, entrave insuperável para o casamento. Amam-se, porque a mocidade não vê empecilhos ao amor que floresce em seu coração. Infelizmente, porém, nem sempre é fácil. De contínuo esbarra em milhares de tropeços, distendem-se-lhe à frente incontáveis e imprevistas peias, detém-no, travam-no, ameaçam-no, matam-no, muitas vezes.
E qual seria a sorte daquele que apenas desabrochava esperançoso nos dois jovens enamorados? Frutificará? Ou não?
****
Os meses se escoaram. Jovita e o filho do milionário entendiam-se às maravilhas,
forjando projetos, sonhando, furtando, às escondidas, da vida e dos pais, um pouco de
felicidade para a sua juventude. Doiravam castelos, construíam um mundo só para sí, para sua suposta eterna ventura.
Apesar do azul do céu, que os cobria, ao longe, como um ponto a princípio, crescendo ao depois, lenta e pronunciadamente, surgia uma nuvem negra, prenúncio de
tempestade. Que não tardou a chegar, toldar o céu, cair sobre aquele seu mundo em
bátegas vergastantes e tempestuosas. Era a oposição paterna que se fazia presente,
trovejando, esbravejando, derribando ao solo os castelos de ouro de seu amor.
- Como?! Então você, meu filho, (era o dr. Cabral que fuzilava), você a meter-se com
aquele caco de moça, você, multi-milionário, descer a tanto?! Francamente... meu filho,
francamente nego-o, nego-o, ouviste? Queres enlamear a estirpe? Ora, ora... essa é boa!...
Saia furibundo, para voltar logo mais com novas catilinárias sobre o rapaz.
De outro lado, Zé Minguante também esbravejava. Mas as bravatas deste eram, como
não podiam deixar de ser, humildes queixas:
- Jovita, minha filha, porque você fez isso? Não viu que era impossível? Nós somos
pobres, você bem sabe... Essa gente...
Não podia concluir porque o pranto da filha abafava qualquer argumento.
E assim, ao que parece, murchava e morria a linda roseira de sonhos que dona vida,
num de seus momentos de loucura, plantara naqueles corações.
Morria?
Não, não morria!
E não morria porque o espírito ultra-prático e capitalista do dr. Cabral vislumbrava
genialmente uma fresta, uma saída. Digamos, comparando: Cabral despejava sobre a
roseira emurchecida um eflúvio refrescante, o orvalho rejuvenescedor de interesse próprio.
Ora, tão fácil! Como é que não lhe bacorejara no bestunto a mais tempo solução tão a
jeito?...
- Que se amassem, os louquinhos, que se amassem, vá. Mas, (aqui a genial ideia) com
a condição, sine que non, de se pôr abaixo o casebre teimoso. Era o sumo de ocasião: ou
agora, ou nunca. Entre a espada de sua imposição e a parede da felicidade da filha, Zé
Minguante, desta feita, cederia...
E um sorriso sarcástico de vitória lhe vincou de leve a boca burguesa.
****
Foi num misto de espanto, de ódio e de temor, que a notícia estourou lá pelos arraiais
pacíficos de Zé Minguante. Assombro, pelo imprevisto de que se revestiam os
acontecimentos, em face da hipótese armada pelo Cabral: ódio, contra a forma impositiva de que se revestia a solução proposta pelo doutor; aproveitando-se de sua pobreza e da falta de armas iguais para combater; temor, pelas consequências que adviriam, quer aceitando, quer negando as exigências do capitalista.
Este, saboreando charutos, bestificado; estirado sobre um sofá, aguardava, não com
impaciência, mas com laivos de perversa superioridade o resultado da luta em que, a estas horas, se debatiam pai e filha: Zê Minguante e Jovita, ambos coração imenso, disputavam a palma do sacrifício. De um lado, a renúncia ao amor, todo sonhos e primaveras; de outro, a renúncia daquela nesga de chão, daquele amontoado de tijolos humildes, é verdade, mas que representavam para o seu dono, um pedaço de sua própria vida, um naco de sua própria carne. Na íntima arena de Jovita, sobre o tablado de sua luta interior, defrontavam-se - exímios lutadores - o amor filial e o amor ao seu príncipe. Travavam grandiosos duelos, esmurravam-se um ao outro, com intensidade e afã, cada qual tentando curvar a seu favor a vitória.
No coração de Zé Minguante não menor, nem menos intensa ia a batalha. Se adorava
a filha, se valia o sacrifício para vê-la venturosa, o faria, sem dúvidas. Doía-lhe, porém,
como punhalada, a idéia de abandonar a sua casinha, a cuja sombra vivera toda uma
existência, despreocupada e quase feliz.
Bosquejamos assim, nas pinceladas precedentes, o estado de três almas, protagonistas
de um único drama humano, cujo epílogo, nem nós poderíamos prevê-lo e transmiti-lo a
quem nos seguiu os passos ao longo desta narrativa, não fosse a entrada em cena de outro ator, ou melhor de outra atriz, dessa trágica e derradeira personagem de todos os dramas e comédias da humanidade - a morte.
Gervásio Cabral, repentinamente, falecera. Eterna e ferrenha adversária da vida, a
magra colhera-o no exato momento em que aquela que ia propiciar quiçá uma das suas
mais árduas conquistas, pois, o poder do milionário, dono de arranha-céus, para quem tudo fôra fácil conseguir, esbarrara diante da resistência do minguado Zé Minguante.
Gervásio falecido, o herdeiro universal, Cabralzinho, entra na posse de tudo, manda
às favas as convenções e implicâncias paternas e apodera-se também, sem mais aquelas,
daquilo de que mais necessitava o seu coração: Jovita.
Casou e fez questão de que no registro legal do ato constasse: em regime de comunhão de bens, porque assim, pelo sim, pelo não, roubava do Zé Minguante a linda
Jovita, dando a esta em troca entretanto, a possibilidade de uma incomensurável fortuna e àquele, sogro agora, devolvia o sossego para os últimos dias de sua vida.
Sobretudo, aprendiam uns e outros, que tanto a vida como a morte, andam por aí, mundo a fora, a tecer e destecer dramas, e semear toda a sorte de imprevistos, bons e maus, para a pobre humanidade, trazendo-a, de contínuo, em justificados sobressaltos,
Ricos e pobres, Cabrais ou Zés Minguantes, Jovitas e Cabraizinhos, ninguém lhes escapa às tramas fatais.

sábado, 22 de maio de 2010

A Taiuveira

A TAIUVEIRA
Lino Vitti

Vivia tão alegre a verde taiuveira
acariciada pelo azul do céu feliz.
Amava a doce luz da cálida soalheira,
acolhia o cantar dos lindos bentevís.

Os pássaros , em bando, joviais e gentis,
vinham lhe debicar a amora, em pagodeira.
Rolinhas e sabiás, sanhaços e puvís,
era uma festa só na árvore altaneira.

Eis um dia a tristeza, em forma de machado,
roubou a verde copa e os galhos decepou,
deixando apenas nu o tronco desolado.

Adeus, aves do céu, que a taiuveira amou!
Não mais flores! Não mais frutos! Oh! que pecado!
Da folhagem tão verde, agora, o que restou

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Ela passa...


ELA PASSA...
Lino Vitti

Andamos todos nós preocupados deveras
com a busca de ser um pouco mais felizes.
Queremos viver sempre ao sol das primaveras,
não carregar jamais o horror das cicatrizes.

Sonhamos todo o dia à sombra das quimeras,
tentando do ópio vil cavar fundo as raízes.
Que fazemos senão acumular esperas
para escapar da rede enganosa das crises.

Nada vale esse afã, qual maratona louca
– momento de lazer que súbito se evade -
é um fogo artificial que em lágrimas espouca.

O bem de ser feliz é difícil verdade
pois nunca vê sequer nossa alma – burra e louca –
o quão perto passou dona felicidade.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Envelhecer


ENVELHECER
Lino Vitti

Envelhecer! Envelhecemos juntos,
lado a lado sorrindo ou batalhando.
Muita vez a enterrar sonhos defuntos,
outras mil ilusões desenterrando.

Hoje um trecho da vida lindo e brando,
depois, cantos e lágrimas conjuntos .
Muitas horas felizes conversando,
muitas outras estéreis, sem assuntos.

Envelhecer é isto, me interrogo?
È definhar de tudo quanto a vida
oferece e nos foge logo, logo?

Envelheçamos pois, minha querida:
você, vendo que em prantos eu me afogo,
eu, vendo-a me enxugar a face ardida.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Meditação

MEDITAÇÃO
Lino Vitti

Quando o sol se despede em desperdícios de ouro
– nababo que o sol é de tais preciosidades –
e vai – nave de luz – fundear no ancoradouro
desse porto feliz de luminosidades;

Quando a sonhar inquieto, em lento e triste agouro
vai atacando a terra em vis obscuridades
desdobrando lá em cima o universal tesouro
dos astros celestiais, trêmulos de ansiedades;

Há uma angústia sem fim que bate a minha porta
uns resquícios de amor que teimam ressurgir,
uns trapos de esperança há muito tempo morta.

A cada pôr-do-sol há sonhos a ruir:
é a vida que se esvai, é a vida que se entorta
é o medo do que foi, pavor do que há de vir.

terça-feira, 18 de maio de 2010

À uma página poética


A UMA PÁGINA POÉTICA
(à poetisa Maria Cecília Bonachella)
Lino Vitti


Nesta página, sonham os poetas,
sonha também a lira das poetizas.
É um céuzinho diria, onde os estetas
jogam estrelas a suar camisas.

Aqui valem tão só líricas metas,
temos brilhos de sol, frescor de brisas...
Coisas transcendentais, vozes secretas,
o encantado, o feliz, santas divisas.

É cascata jorrando belas rimas,
frondosa e florescida árvore linda,
mais linda quando dela te aproximas.

Este caminho é grande, nunca finda...
Guarda o olor capitoso das vindimas
país de amor com que o “Jornal” nos brinda.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Ser Feliz

SER FELIZ
Lino Vitti

Enquanto as horas fogem tu meditas
sobre as horas que fogem, incontáveis,
misturando as felizes e as malditas
e mesclando as mutáveis e imutáveis.

Eu e tu, nós e vós, coisas bonitas
desejáramos todos, mas instáveis
são as coisas e os homens; infinitas
são as lutas, e , as dores – detestáveis.

Como estão longe os bens de que precisa
a pobre humanidade que maldiz
o belo, o sonho, às vezes até a brisa.

Esquecemos – oh! infausta e atroz cerviz –
dos encantos da vida que anarquiza
a glória divinal de ser feliz!

domingo, 16 de maio de 2010

Soneto por Soneto


SONETO POR SONETO
(Ao súdito poeta Elias Jorge agradecendo)
Lino Vitti

Obrigado, poeta Elias Jorge,
Pelo teu lírico e feliz soneto.
Vou tentar responder, mas não prometo
Que algo de bom minha cachola forje.

Ambos levamos o divino alforje
Da poesia – qual delicioso espeto –
Somamos um quarteto a um terceto,
E poetamos assim, Elias Jorge.

Rimando a vida, o amor metrificando,
De verso a verso, sonhos mil rimando,
Mostramos o que é belo, é bom, divino.

Elias, veja, veja o que fizeste:
Provocaste-me a musa a um novo teste,
Acordaste o torpor do poeta Lino.

Para ser analisada


PARA SER ANALISADA
(Ao Príncipe Lino Vitti)
Elias Jorge

Meu caro Poeta, singrando em velho sonho,
chego a este soneto, com a inspiração acesa,
e o seu principado, respeitoso, transponho,
para reverenciar a vossa nobre Alteza.

Bem sei que, no poetar, eu sou um tanto bisonho
em comportamento, mas preservo a pureza
do vernáculo, na poesia que componho,
como a rima rara, que ora se aportuguesa.

Mesmo assim, poderá ser entendida kitsch.
Entretanto pelo Deus Baco foi abençoada,
eis que nascida nos eflúvios duma kirch,

que, no doce teor de cereja enluarada,
posso imaginá-la em português ou no iídiche,
ou ainda noutra língua, para ser analisada.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Solidão - 1945


SOLIDÃO
1945

Lino Vitti

– Vê o que fizeste! Estou sozinho agora
sob a noite de amarga solidão.
para mim foste apenas uma aurora,
do sol do amor, um tímido clarão.
Eu sei que vou sofrer, pois tenho uma alma
que vibra ao menor hálito da dor...
vês-me impassível, com a face calma?
não creias, é mentira, eu sou um sofredor.
E vou tragando , pouco a pouco a taça
do abandono que pões em minha boca.
E cada dia e cada hora que passa
mais me embriaga essa bebida louca.
Qual ave que destino zombeteiro
trancou por entre as grades da prisão,
eu também me debato prisioneiro
na atroz tortura dessa solidão.
E como o pássaro infeliz gorjeando
no cárcere dourado da gaiola
definha, em breve, o coração cantando,
dentro do peito meu aos poucos se estiola.
Eu sofro , e sofrerei, oh! muito ainda
sem que tenhas sequer conhecimento !
E o sofrer é maior e a dor é infinda
quando assim, solitário, é o sofrimento.
E toda a vez que penso estar sozinho
mais se aguçam as ânsias que carrego
por ter perdido a luz do teu carinho
E andar tateando, às tontas como um cego.
Só quem teve na vida igual desdita
poderá compreender quanto é humilhante
viver qual na prisão de ilha maldita
a erguer as mãos para um amor distante.
Não importa ! Daqui do meu retiro
onde fechas-te-me com as chaves do “jamais”,
agonizo por ti, por ti suspiro
e assim mesmo hei de amar-te quanto mais!

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Diante de um Quadro


DIANTE DE UM QUADRO
Lino Vitti

O professor Manoel Rodrigues Lourenço foi Mestre, Vereador. Escritor, Pintor e amoroso expoente cultural de Piracicaba, além de cantor e compositor caipira, atividades todos que exerceu com convicção, dedicação e sublimada intenção de servir à terra onde vivia e exercia seu magistério, com carinho e eficiência,
Quando Vereador, foi Presidente do Poder Legislativo, dignificando com seu trabalho a política e a administração piracicabanas. Foi quando – eu como poeta ele como pintor – falávamos, nos intervalos dos trabalhos legislativos, da poesia e da pintura. Certa feita comentávamos sobre a riqueza municipal que é a cana de açúcar, com suas usinas valiosas, sua plantação ocupando totalmente o território do município de Piracicaba, colocada entre os mais importantes produtores açucareiros do país. E de conversa em conversa fomos trocando ideias sobre todos os assuntos, até cairmos naquele que nada tinha a ver com as atividades camarárias: a poesia e a pintura. Ideia vai, ideia vem, o professor Lourenço que então era presidente da Câmara Municipal de Vereadores, e eu, Diretor da Secretaria, manifestou a intenção e oferecer-me uma pintura de sua lavra, como presente e recordação dos idos tempos de nossa participação na vida municipal. Ora, eu que amo pinturas caprichadas e coloridas à moda antiga, mais do que depressa, aceitei.
- E o que você gostaria de ganhar, perguntou o artista-vereador-presidente.
- Pensei um pouco e respondi: que melhor presente senão o de que estávamos falando sobre a queima da cana, que eu acho uma judiação? Aguardo então.
Passados poucos dias, o professor me aparece sobraçando a misteriosa obra de sua arte pictórica. Demorei para rasgar o papel que a protegia, mas quando pude fazê-lo quase desmaiei. Que arte, que eficiência, que realidade, que valorosa composição. Maravilha de quem foi verdadeiro artista e amigo. Lá está registrada por seus valiosos pincéis a queima de um talhão de cana, tão perfeitamente por suas pinceladas geniais, que a cada vez, como fiz agora de pouco, que olho para a tela – minha vizinha de computador – tenho a impressão exata de estar diante de uma realidade desta terra canavieira, inconteste produtora dessa riqueza nacional e mundial.
Minha sensibilidade poética não admite que o fogo lamba gulosamente com suas línguas diabólicas aquela vastidão de cana de açúcar que cobre o território municipal e os de outras regiões, porque é uma demonstração de tortura infernal. Seria o inferno que brotou do chão e se pôs a devorar os canaviais verdes e trementes às brisas, As labaredas são insaciáveis e se alteiam como gigantes devastadores, ansiosos por devorar, por destruir, por transformar em fumo jogado à imensidão do céu, escondendo o sol, se for dia, erguendo chamas brutais e iluminar a escuridão, se de noite, sempre todavia deixando atrás de si a dor das canas soluçantes, cegando com seu fumo a lua cheia.
Cortadores, carregadores, limpadores de qualquer espécie semelham fantasmas, rostos fuliginosos, chapeirões fumarentos, olhos lacrimejantes, porque a imensa fogueira dos canaviais assim os presenteia em seu trabalho. Tudo isso porém é passageiro. Logo mais e ao vir do sol de amanhã, as canas negras e as toneladas sacrificadas pelos podões ou máquinas cortadeiras, serão nada mais nada menos, do que a brancura do açúcar que vai para adoçar o mundo. Incrível o que podem fazer o homem e a natureza unidos para o bem-estar e a alimentação humana!!!
Essas e outras ideias que não caberiam todas numa singela crônica poética, me visitaram enquanto contemplava a tela generosa do professor Manoel Rodrigues Lourenço, pincelada decerto num momento de feliz e competente inspiração de um pintor do gabarito como foi ele, num momento em que esqueceu a viola e a guardou para poder presentear-me com o melhor presente que um amigo me poderia oferecer.

terça-feira, 11 de maio de 2010

Nobre súdito Irineu Volpato



por ocasião do lançamento do livro do poeta:

Nobre súdito Irineu Volpato

Recebi o seu convite para este valioso evento, como devem ser considerados todos e quaisquer lançamentos de livro, via telefone atendido pela voz de uma das netas, de nome pomposo de Raissa, ao que me parece, uma das famosas imperatrizes da Rússia. Ela apenas me disse: O Irineu avisou que o lançamento do livro vai ser sexta-feira, no Sesc, às 20 horas. Embatuquei, senhor poeta. Que livro? Que Irineu? Não precisei, porém, de muito tempo para decifrar a charada: só poderia ser o Volpato e mais um de seus inúmeros livros.
Certo disso, pensei em outra coisa importante de que certamente não vai gostar: a impossibilidade de estar presente ao ato, para nós, teimosos amores das musas, tão dignos, valorosos, altivos e aguardados. É, caríssimo, ao príncipe desse reino de encantos e imortais belezas lítero-poéticas, já não é dado comparecer àquilo de que tanto gosta, ao lindo crime tantas vezes cometido, a um acontecimento aguardado com ansiedade sonhadora, a um fato sempre marcante da vida de um cultor da poesia, ao primeiro, segundo, terceiro, provavelmente além do décimo no seu caso, lançamento de um livro. Um livro que é sem dúvida um sagrado cofre aberto à vista e curiosidade de todos, porque ele leva a alma e o coração de alguém transfeitos em palavras, rimas, versos, estrofes, sonetos e poemas que devem receber a luz do sol e o azul do céu, o sorriso das flores e o verde das copas, o sabor dos frutos e o olor da arte, o fulgor do belo e o sussurro da voz de Deus Criador. Porque o poeta é ajudante de Deus e dá continuidade à obra divina do mundo, transformando-a em beleza e riqueza imorredouras.
Faz tempo que sei seres um grande poeta, colega, amigo e companheiro de vocação sacerdotal, desde os idos tempos da juventude saudosa, onde juntamos os gravetos do saber que iriam nos nomear poetas para sempre.
E aí está mais um livro dessa aventura pelos caminhos da vida. Livro decerto muito significativo, pois deve trazer toneladas de maravilhas poéticas. Às palmas de quem pode estar presente, peço consideres unidas as minhas também. Aos parabéns, aos votos de êxito, aos abraços e felicitações envolva os meus, Irineu, porque mando-os presentes nestas linhas, que Ivana, a poetisa e escritora de renome insuperáveis, a meu pedido, leva até você. E a você, Ivana – “princesa da poesia piracicabana”, meu muitíssimo obrigado.

Lino Vitti – Príncipe dos Poetas Piracicabanos

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Recordar é viver

RECORDAR É VIVER
A Elias Salum
Lino Vitti


“Recordar é viver”, muitas vezes me dizes,
como estimado irmão, como prezado amigo.
“Recordar é viver”, de coração eu digo,
é tão bom recordar os momentos felizes!

É viver. E esquecer dores e cicatrizes
sob o mais encantado e fraternal abrigo.
Em sonhos repassar tudo o que foi antigo,
– à tona lhe trazer as mais fundas raízes.

“Recordar é viver”. Vivamos pois aquilo
que é lembrança, é ternura, e saudades de outrora,
tão doce é recordar o passado, e sentí-lo.

Sentí-lo como força e prazer, vida afora,
e não deixar jamais que algo possa destruí-lo,
“recordar é viver”, antes, depois e agora!

sábado, 8 de maio de 2010

Mamãe, mamãe...

MAMÃE, MAMÃE...
Lino Vitti

Como é lindo, delicioso, consolador, importante, cristão e humano ouvir uma criancinha gritar alegremente: mamãe, mamãe!... Como é divina a voz infantil que pronuncia o nome mãe! Como é sublime ouvir a voz dos jovens chamando: manhê, manhê...Como é santificante ouvir o adulto(a) proferir o santo nome de sua mãe já idosa, símbolo de uma vida dedicada à vida de seus filhos e filhas! Mamãe, mamãe, clamam todos em todas as idades e em qualquer lar, porque mamãe é que manda no coração de todos.
Qual a imagem que se estampa nos olhitos infantis por primeiro e para sempre? Direis que é a mãe e eu digo que sim. O que há de belo e sublime nesse gesto é indescritível, é grandioso, é glorioso, é santo! Há um mandamento da Igreja que diz: não pronunciar o nome de Deus em vão. Se me permitirem, em diria também: não pronuncieis o nome da mãe em vão. Ele é sagrado, ele é divinal, ele é imenso como o infinito.
Quando o berço chora porque está com fome, porque está molhado, porque está dolorido, quem é a primeira pessoa que acorre para atender e resolver? Quando o menino (a) tropeça e cai, machuca-se e chora, qual é o primeiro nome que é invocado? O da mãe certo e invariavelmente, pois a mãe é a primeira enfermeira do mundo, o primeiro antídoto contra dores. Quando o jovem ou a jovem, se a vida se compraz estender até eles o braço da doença, da dor, do desentendimento, da incompreensão, a quem invocam de imediato: mamãe... mamãe.Quando o consorte, preso pelas garras de males humanos, geme e mostra sofrimento, qual é o médico primeiro que acorre e aplicar remédios e oferecer alívio? Nem preciso dizer, pois tenho a experiência de mais de 60 anos de atenções generosas de uma esposa carinhosa e grata, mãe generosa de 7 filhos (as). E quem, na própria velhice combate a solidão do lar e dos que ainda no lar vivem senão os carinhos da velha que foi mãe dos filhos e agora é “mãe” do próprio esposo?
Há, entretanto, neste contraditório mundo. muitos filhos e filhas e esposos ingratos que esquecem da santidade materna, desprezam o amor da carinhosa mãe, ignoram a gratidão para aquela que os gerou, que os acompanhou, na alegria e na doença, para aquela que desbastou as agruras do caminho e abriu a eles e elas a senda de uma vida feliz e atenciosa! A ingratidão é terrível
para quem a pratica e para quem a recebe e de certo não terá as bênçãos de Deus, nem gozará da alegria do amor da mãe e dos familiares.
Quero deixar aqui a continuidade de minha gratidão para com aquela que em embalou( é o termo certo) pois o berço dos 12 filhos(as) realmente movia-se embalador, como um colo carinhoso e maravilhoso a trazer o sono e a felicidade maternais.

Minha mãe, nossa mãe


MINHA MÃE, NOSSA MÃE
Lino Vitti


Mãe geradora, mãe amorosa, mãe criadora, mãe cristã, mãe mestra, mãe “médica”, mãe orientadora, mãe guia, mãe consoladora, mãe que alimenta, mãe que tem um colo para todo filho(a), mãe laboriosa, mãe querida, mãe desprezada, mãe feliz, mãe chorosa, mãe bela, mãe idosa, mãe... Bem, deixo a cada leitor acrescentar novos a essa fila de títulos em homenagem a todas aquelas mulheres que geraram, criaram, orientaram, salvaram, choraram, riram felizes. Sobretudo aquelas que alimentaram com seu sangue, transfeito em leite, bem perto do coração, os filhinhos(as), alimento que é felicidade, é realidade, é amor, é vida.
E ao lado dessas palavras merecidas e justas, dizer que a Mãe é, além de tudo, poesia e oração. Vejam pois o que os poetas Lino Vitti e Walter Vitti dedicaram a sua saudosa mãe Angelina, que deu ao mundo doze filhos(as) :

M Ã E

Lino Vitti dedica à sua saudosa
Mãe, à Mãe de seu filho e filhas, à
Mãe de seus parentes e amigos(as).


No teu divino seio, oculto e pequenino,
Como semente em chão prolífero e adorado,
Germinaste-me a vida e com sopro divino,
Libertaste-me à luz de um mundo doce e amado.

Com tua santa voz guiaste o teu menino,
Cobriste-me do frio e teu braço sagrado
Mostrou-me a feliz senda e a seguir o destino,
Como sempre vencer, feliz, cristão e honrado.

Receba, minha mãe, neste dia, a saudade;
Que abracem suas mães todos os filhos nobres,
Que elas sintam do Amor toda felicidade.

Que Deus lá do infinito envie a todas elas
A bênção celestial, sejam ricas ou pobres,
Brancas, pretas, oh! sim, de palácio ou favelas.

Minha Mãe


MINHA MÃE
Prof. Walter Vitti

Vejo-a com carinho me agasalhar,
Cantando “nana-nenê” para eu dormitar,
E o berço, com desvelo, balançar.
Vejo-a nos relances do meu cismar
Dia após dia sempre a labutar
Para os doze filhos bem criar.
Vejo-a na cozinha a rodear
O fogão de lenha a fumegar,
Para boa polenta preparar.
Vejo-a logo cedo as camas arrumar
E do colchão as palhas de milho amaciar.
Vejo-a da roça o capim ceifar
Para as vacas alimentar
E o leite fresco delas ordenhar
Para bem cedo os filhos saciar...
Agora vejo-a bem velhinha, a cismar,
E aos 94 anos nos deixar
Da vida que já está por se findar.
Vejo-a finalmente Deus a lhe chamar
E as glórias do Paraíso ir gozar...
Agora, só resta a Saudade a me atormentar.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Obrigado, Mãe, pela Vida

OBRIGADO, MÃE, PELA VIDA
Lino Vitti

Você, caro leitor, jovem, idoso, culto, acompanhante assíduo ou extemporâneo das páginas dos jornais, já parou um momento (um só que seja) para meditar um pouco sobre a figura inatacável, amada, admirada, querida das mães ou de sua própria mãe? Garanto que não, não extensivo a muitos, muitos filhos(as) mesmo, que nunca usaram da cabecinha louca para pensar naquela que os (as) gerou e trouxe para a luz da vida, e os encantos do universo visível, para a luz deste sol soberbo, deste azul infinito do céu, destas paisagens sem fim, deste mundo enfim, onde lateja, vive, trabalha, luta e morre o ser humano?
Ah! Como pode existir tanta ignorância, tanta incompreensão, tanta maldade, com relação a essa que recebeu a semente da vida do homem, engendrou o principio da vida em seu seio, sustentou a vida durante nove meses dentro de si mesma, trazendo-nos para este mundo, com dor, sim, mas com imensa alegria, e envoltos de amor? A ingratidão degrada o homem, a mulher, o jovem, a jovem, o menino, a menina, o velhinho e a idosa, A ingratidão infelicita quem a pratica e quem a recebe, é um pecado grave que atenta contra os desígnios de Deus e contra os ideais do homem!... E a pior ingratidão é a daquele que esquece o útero de onde veio, que despreza os seios que o aleitaram, que ignora o amor que o dignifica, que ofende a própria mãe, com desfaçatez, com maldade, com infelicidade humanas.
Será que é tão fácil esquecer daquela que velou durante inúmeras noites o berço onde a doença exigia lágrimas, onde imperava a tristeza da dor, onde o pranto urdia lamentos de infelicidade, onde a febre reinava, onde a falta de um colher de remédio poderia debelar tudo isso, em momentos, mas os recursos não havia para pagar o medico e escasseava o dinheiro para aviar as receitas salvadoras?
Será que há filhos(as) que esqueçam o trabalho e a dedicação com que a mãe os encaminhou do lar para a escola, do lar para a igreja, do lar par o diploma de ser alguém na vida, do lar para a sociedade, do lar para o trabalho, do lar para a felicidade de um matrimônio, do lar para a vitória da vida?
Não. Não meus irmãos de existência, A menos que seja um monstro, não pode existir alguém que despreze a mãe, de alguém que ofenda a mãe, de alguém que não ame a mãe. Embora sejamos testemunho de quantos ingratos filhos assassinam moralmente ou mesmo realmente sua progenitora, esquecem-na, ofendem-na, fazem-na chorar, mesmo assim podemos nos consolar pela existência de outros muitos filhos que sabem com dar-lhe felicidade, dedicar-lhe carinho e atenções, sofrer quando ela sofre, rir quando ela ri, ouvir quando ela fala, atender quando ela pede, amá-la enfim como aliás merece toda e qualquer mãe, porque até hoje o mundo não encontrou nunca aquilo que possa substituí-la na santa, imensa, grato e divina missão que Deus lhe concedeu.
Por isso, minha saudosa mãe e mães de todos os que colocais olhos sobre estas linhas e as daqueles que não podem ler minhas tiradas maternas, obrigado, pela vida que nos deste e pelo caminhos que nos abriste em meio às dificuldades de um mundo cada vez mais alienado e esquecido de Deus e do amor de vocês, mãe de cada um.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Esfíngico

ESFÍNGICO
Lino Vitti

Eu, você, somos nós, neste mundo, uma esfinge
contemplando da vida horizontes que somem.
Quantas vezes eu finjo, outras mais você finge,
e os mistérios d’além nossas mentes consomem!

Uma esfinge é o retrato emblemático do homem
a fitar, mas não ver, o que o longe restringe.
Eis o enigma fatal que toda mente atinge
embora eu seja um nada, e você um super-homem.

À frente, nada mais que um deserto escaldante,
aos lados, o silêncio, as soalheiras tiranas,
parece-nos estar num Inferno de Dante!

Distantes vão passando as doidas caravanas,
das dunas, o desfile, à ventania arfante
– espelhantes visões das tolices humanas.

Covardes


COVARDES
Lino Vitti

Ó caravana do ódio, ó líderes covardes,
ladrando como cães malditos sobre a presa,
tentaram com mentiras e déspotas alardes
tripudiar a honradez , a verdade, a clareza.

Como, tristes incréus quereis assim provardes
com toda a sordidez dos fatos a certeza,
se vosso íntimo é sujo a ponto de mostrardes
da própria corrupção a lídima crueza?

Lobos sois todos vós , encapados de ovelha
amizades corroendo , injustiças sacando
cochichando a traição, ao pé de cada orelha.

A Justiça porém, soberana julgando
dos lobos arrancou pele e cara vermelha
e pôs em debandada o diabólico bando.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Fulgores


FULGORES
Lino Vitti

Luzes do dia em céu róseo amanhecendo
num grande festival cambiante que desperta.
Luzes imemoriais da lua cheia vendo
os idílios do amor em hora vaga e incerta.

Luzes que à noite estão treme-tremendo
na infinita amplidão , misteriosa e deserta,
Quanta estrela, meu Deus! Juro que não compreendo
a cósmica visão que brilha, e encanta, e alerta.

Luzes de cada olhar, fitando rosto a rosto,
uma felicidade, um sonho, até um desgosto
que vem desse fanal de vida – a alma humana.

Muitas luzes porém existem sem ser vistas:
são as luzes do amor , recônditas , egoístas,
que o coração jamais de si mesmo dimana.

terça-feira, 4 de maio de 2010

Aos Trabalhadores

(foto Rogerio Marques)

AOS TRABALHADORES
Lino Vitti

Rude e rústico homem do campo,
deus milagroso que cria o pão,
matador da fome da humanidade,
eu te saúdo, te aplaudo, te glorifico.
A terra sorri aos teus anseios,
pela glória imorredoura do verde,
pelo espetáculo eterno da plantação.
Esperamos, por ti, ó lavrador,
confiamos em tuas mãos calejadas,
nos instrumentos imortais de teu trabalho.
A ti, operário indispensável da vida,
que enriqueces o patrão, e o mundo enriqueces,
sem jamais ver a cor da riqueza,
sem nunca se libertar dos óbices financeiros,
a ti, operário, eu saúdo,
nesta hora em que és esquecido,
és lançado à masmorra das necessidades,
sem ninguém descobrir tuas lágrimas,
tuas preocupações com esposa e filhos,
que o mundo, trabalhador, não é dessas coisas!
Eu te saúdo, mestre.
Distribuidor do pão do saber,
operário da cultura nacional,
desbravador das trevas da ignorância.
Se não foras tu, como estaria eu
a tecer este poema em tua homenagem,
em louvor daquela paciente professorinha
que me ensinou a ler, escrever, recitar?
Eu te saúdo, sacerdote,
trabalhador da Fé, plasmador da moral,
cujas mãos sagradas arquitetam os espíritos,
na glorificação de Deus,
cuja palavra abre paragens paradisíacas,
onde os anjos brincam de serem felizes.
Eu te saúdo, funcionário público,
quando sofres a tirania do horário,
da incompreensão, da defasagem salarial,
da sanha dos que supõem
que tu és um deus, imune ao erro,
capaz de viver de brisas
e sustentar a família com despachos oficiais.
Eu te saúdo, funcionário,
pelo silêncio a que estás obrigado,
pela dor do sigilo com que machucam
a tua liberdade de ser pensante.
Homem do campo, operário, mestre,
sacerdote, funcionário,
acorrentados ao estigma do trabalho,
quando raiará a aurora da libertação?
Quando veremos a glorificação
de quem caleja o corpo,
de quem caleja o espírito,
para que ao mundo não falte o pão?

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Amor de Mãe


AMOR DE MÃE
Dorayrthes Vitti

O chão salpicado de grãos jogados por alguém chamou a atenção das rolinhas paradas no beiral do telhado. Dezenas delas se deliciaram com o lauto café da manhã.
Surpresa, porém. Aparece por sobre o muro um gato malhado, andando, sorrateiramente, com passos macios, espreitando as incautas avezinhas.
Uma rola mais experiente, pois não era tão jovem, e conhecendo bem o bichano, pressentiu o momento do ataque e deu o alarme: “olhem o nosso inimigo. Todas como uma onda que se avoluma, levantaram do solo e subiram em revoada para o céu...
Um filhote inexperiente não teve tempo para fugir e, paralisado, ficou olhando o bichano, para ele, enorme como um monstro, querendo abocanhá-lo.
A rolinha-mãe do pequeno voltou mas não poderia medir forças com o inimigo, muito maior do que ela. Esperta e inteligente pensou enganar o gato com conversa:
- Seo bichano, podemos entrar em um acordo? Veja, meu filhinho é tão pequeno, que não vai satisfazer seu apetite, deixa-o ir em paz. Eu sou a mãe dele e estou pedindo que o deixe ir embora.”
E o gato replicou: “ eu também sou pai e meu filhos esperam pelo almoço.”
Enquanto esse diálogo se desenrolava o filhote, percebendo a intenção da mãe, foi se aninhando sob suas asas e depois saiu voando. A mãe por sua vez fez o mesmo, enganando assim o gato que, incauto, ficou sem a apetitosa comida.
O amor de mãe é assim. Enfrenta o mais forte, senão com força, com inteligência e esperteza para salvar o filho.
Assim somos todas as mães. Amamos todos nossos filhos a ponto de nos sacrificarmos e até morrermos por eles.
Nosso exemplo maior, nossa inspiração: Maria, nossa Mãe e Mãe de Jesus.”

Ao Zé do Prado - O Poeta

AO ZÉ DO PRADO – O POETA
Lino Vitti

Amigo Zé do Prado, você – creia –
é um enorme poeta da cidade...
Sua alma – quem não vê? – sempre anda cheia
de poesias de amor, e de saudade.

Seus versos, numerosos como areia,
nos encantam de vida e de verdade!
Seus poemas são fogo que incendeia,
e suas rimas têm eternidade.

Meu nobre companheiro de idealismo,
como velho cultor das velhas musas,
qual príncipe dos versos, te saúdo.

Poesia não tem fim, é um santo abismo,
trouxeram-na até nós as naves lusas,
levêmo-la ao porvir em versos de veludo.

domingo, 2 de maio de 2010

Aos sonetistas piracicabanos


O SONETO: FELIZ TORTURA
(Aos sonetistas piracicabanos)
Lino Vitti

És humano! És divino! És apenas um sonho?
A que mundo pretende a tua ânsia chegar?
Teu planeta não é este globo bisonho,
vai além teu querer, vai além teu buscar!

Peregrino do Belo, a esse Belo, suponho,
aspiras, ó Poeta, em teu sonho alcançar!
A Poesia, ora é chama, ora é abismo medonho,
mesmo assim – vagalume – a luz queres tocar!

Sofres também suponho – o estranho sofrimento
de atingir o ideal sublime do tesouro
a que chamas: Soneto; – a que eu chamo: Portento!

Nessa estrela de luz, qual, mísero besouro,
te envolves, mas sorris! É um divino momento!
- É a tortura feliz da feliz “chave de ouro!”

sábado, 1 de maio de 2010

Lua Esquecida


LUA ESQUECIDA
Lino Vitti

Pobre, esquecida, anêmica, tristonha,
– trapo astronômico dos namorados –
mostrou-me o céu a estulta carantonha
da Lua pelos espaços estrelados!

Tive medo, piedade, e até vergonha
do astro pálido, inútil. Os amados
seus poetas cujo estro ainda sonha
desertaram, parece, malogrados.

Que fizeram dessa alma peregrina,
– peregrina do amor e do infinito –
e quem lhe decretou tão triste sina?

Eu quisera gritar, morre-me o grito
do verso, a rima falha, a estrofe afina...
Que se fez daquele astro tão bonito?

PRÍNCIPE DOS POETAS DE PIRACICABA

CURRICULUM VITAE
( Síntese de Vida)
NOME – Lino Vitti
IDADE – 08/02/1920
ESTADO CIVIL – Casado, em únicas núpcias, há 56 anos, com a Professora Dorayrthes Silber Schmidt Vitti
FILIAÇÃO – José e Angelina Vitti
NATURALIDADE – Piracicaba, Estado de São Paulo –Brasil
Bairro Santana , Distrito de Vila Rezende
VIDA FAMILIAR
Casamento Civil e Religioso em comunhão de bens, Pai de sete filhos: Ângela Antónia, Dorinha Miriam, Rosa Maria, Fabíola , Lina, Rita de Cássia, Eustáquio.
VIDA PROFISSIONAL
Aposentado como Diretor Administrativo da Câmara de Vereadores de Piracicaba, e como Redator do “Jornal de Piracicaba”. Exerceu atividades no comércio, no Magistério, na lavoura até os l3 anos, na municipalidade local, como bibliotecário, lançador de impostos, protocolista, Secretário Municipal.

VIDA CULTURAL
ESCOLA PRIMÁRIA –
Grupo Escolar “Dr. Samuel de Castro Neves”, Santana, seminarista vocacional ao sacerdócio por seis anos, no Colégio Santa Cruz, da cidade de Rio Claro (SP), onde cursou humanidades, línguas, religião, ciências, matemáticas, música.
CURSOS –
Formou-se Técnico em Contabilidade, lecionou latim, francês, datilografia.

VIDA RELIGIOSA
Católico, Apostólico, Romano, fez curso de religião em seminário dos Padres Estigmatinos, foi organista da Catedral e da Igreja de São Benedito, de Piracicaba, e Congregado Mariano.
VIDA LITERÁRIA
Bafejado por ensinamentos de sábios sacerdotes em colégio de formação religiosa, recebeu extraordinário acervo literário que lhe propiciou enveredar pelo caminho da poesia, da crônica, dos contos, do jornalismo, havendo editado de l959 a 200l sete livros de poesias e contos, com edições em milheiros de volumes, os quais estão aí para satisfazer o gosto daqueles que apreciam a arte literária.
São seus livros : “Abre-te, Sésamo”, l959; “Alma Desnuda”, l988; “A Piracicaba, Minha Terra”, l99l; “Sinfonia Poética”, de parceria com o poeta Frei Timóteo de Porangaba; “Plantando Contos, Colhendo Rimas”, l992; “Sonetos Mais Amados”, l996 e “Antes que as Estrelas brilhem”, 200l. O poeta conta ainda com o prazer de haver composto hinos para diversos municípios, bairros rurais, entidades sociais diversas, continuando a colaborar ainda, após os 83 anos em colunas literárias e com artigos de ordem geral em jornais da terra.
Faz parte da Academia Piracicabana de Letras que lhe outorgou o título honorífico de “PRÍNCIPE DOS POETAS DE PIRACICABA’.
Foi-lhe concedida Pelo Município de Piracicaba, através de sua Secretaria da Ação Cultural, a MEDALHA DE MÉRITO CULTURAL, “ Prof. OLÊNIO DE ARRUDA VEIGA’; é detentor do TROFÉU IMPRENSA, concedido pelo Lions Clube de Piracicaba, centro, e da MEDALHA ITALIANA, concedida pelo governo italiano de Benito Mussolini aos alunos de escolas e seminários de origem daquele país que tivessem se destacado em redação de trabalhos literários escritos na língua de Dante.
O Município de Saltinho, para o qual contribuiu com o Hino dessa comunidade municipal , conferiu-lhe o título de “Cidadão Saltinhense”.

DISCURSO

Por ocasião do lançamento do livro de poesias “Antes que as estrelas brilhem “, pelo poeta Lino Vitti foi proferido o seguinte discursos:

Exmo. Sr. Heitor Gauadenci Jr. dd Secretário da Ação Cultural

Exmo. sr. António Osvaldo Storel. dd. Presidente da Câmara de

Vereadores de Piracicaba

Exmo.sr. Moacyr Camponez do Brasil Sobrinho, dd. Presidente do Instituto Histórico e Geográfico

Exmo,. sr. Henrique Cocenza, dd. Presidente da Academia Piracicabana de Letras

Exmo.. Sr. Ésio Pezzato , anfitrião desta solenidade

Senhoras e Senhores

Pela sétima vez (graças a Deus) em minha vida lítero-poética vejo-me guindado a uma tribuna improvisada (o que é bom porque torna o fato mais popular), para proferir um discurso de agradecimento, ao lado da oferta de um novo livro de versos. É teimosia essa de poetas em desovar sua produção para que mais gente participe de suas tiradas, muitas vezes fora de forma e de ambiente, mas que o poeta não vê porque , ao editar um novo livro está cego pela emoção , como se fosse a vez primeira. Está aí o Ésio Pezzato, responsável por mais esta minha invasão no mundo das letras poéticas, para dizer se não é assim. Para dizer se não sofre também dessa doença feliz de editar livros e mais livros a ponto de perder a conta, já que a esta altura ele não sabe se já está no décimo ou décimo primeiro. E ainda continua batendo dedos de métrica, sabemos lá por quantos anos ainda !

Tenho um ex-colega de seminário, prof. Hildebrando André, aposentado como professor universitário e com o qual mantenho longa e pródiga correspondência, que não se cansa de enaltecer a felicidade de Piracicaba contar com tantos poetas e poetisas. Tem razão ele, pois se apenas dois deles já conseguiram editar l8 livros de poesia, imagine-se as centenas que seriam necessárias para dar um pouco de vazão a essa raridade intelectual que toma conta da minha terra!

Este meu livro vem à lume por obra e arte do prefeito José Machado , seu Secretário da Ação Cultural e de seu zeloso servidor Ésio Pezzato que se entusiasmaram diante da recitação de diversos poemas meus por um grupo de jograis, alunos da UNIMEP, e impressionados decidiram patrocinar a publicação deste livro, pois entenderam que Piracicaba poética merecia conhecer em mais profundidade o seu príncipe da poesia. E aí está, lindo e impecável, entregue às mãos do povo de Piracicaba, que indistintamente de cor, estudos, intelectualização , posses financeiras, categoria de trabalho, com religião ou agnóstico, jovem ou adulto, roceiro ou citadino, aí está, para quiçá, momentos de lazer e sonho. Sonho , sim, porque a poesia é terrivelmente sonhativa , vive no mundo da fantasia, alicerça-se nas bases da emoção e brota do âmago mais profundo do poeta, e para que as filhas de Eva não reclamem, da poetisa também.

Alguém me perguntará? Como é ser poeta? Juro, nunca pensei nisso. Acho que ninguém consegue ser poeta. Já é. Nasce feito, como dizem.

não é verdade Maria Cecilia, Ivana Maria, Ésio Pezzato , Prata Gregolim, Marina Rolim, Valter Vitti, Mario Pires, Saconi, e tutti quanti enfeitam com seus lindos versos as páginas do “ Jornal de Piracicaba, ou da “Tribuna Piracicabana , e assim também esse cacho imenso de livros poéticos que quase semanalmente são dados ao conhecimento e sentimento público de nossa terra ? Tornando-se um privilégio de uma cidade, como disse alhures o supra citado meu colega seminarístico Hildebrando André. ?

Não se suponha que para ser poeta é preciso ter nascido em berço de ouro ou em centros intelectuais de enorme repercussão. Nada disso. Tenho um soneto que define bem esse fato. É assim: “Eu não sou o poeta dos salões / de ondeante, basta e negra cabeleira] não me hás de ver nos olhos alusões / de vigílias, de dor e de canseiras. // Não trago o pensamento em convulsões,/ de candentes imagens, a fogueira. / não sou o gênio que talvez supões/ e não levo acadêmica bandeira.// Distribuo os meus versos em moedas/ que pouco a pouco na tua alma hospedas / - raros , como as esmolas de quem passa. / Mas hei de me sentir feliz um dia/ quando vier alguém render-me graça/ por o fazer ricaço de poesia. // “ . Poetas e poetisas saem do nada , devem trazer o selo ou o bilhete de entrada nesse reino encantado desde o útero materno, embora ouse eu afirmar que a vida é também uma grande mestra , as influências da mentalidade circunvizinha,

o próprio meio ambiente, podem , em circunstâncias outras , plasmar um poeta .

Eu fui plasmado , por exemplo, por entre maravilhas campestres. A roça ou o campo são fantásticos criadores de poesia. Ela anda atapetando por todos os cantos a natureza, as gentes, os animais, os atos e fatos. e a cabeça daqueles com quem ela convive. E o poeta, criador por excelência, se abebera de todas as belezas esparsas pelas colinas, serras, vales e descampados , para transformar tudo em versos e rimas, ou em versos simplesmente, onde pululam , como cabritos silvestres, as figuras literárias, os tropos, as sínteses, as comparações, e todos os anseios que lhe vão no imo da alma. Para satisfação própria e para satisfação dos que convivem com o poeta. E´ por isso que se botardes olhos curiosos sobre meus poemas havereis de tropeçar a todo o momento com um motivo roceiro, pois trago uma alma plasmada pelas belezas rurais de Santana, Santa Olímpia , Fazenda Negri, e especialmente por aquela colina encimada ,no cocuruto, pelo prédio do grupo escolar, onde aprendi a ler e escrever e a poetar.

Peço desculpas por haver-me prolongado um pouco nestas elucubrações poéticas, desobedecendo aos conselhos do amigo Ésio que continua exigindo de mim discursos improvisados, o que seria tão para os ouvintes , que ansiosamente aguardam o momento de bater palmas acabando assim com a verborragia oratória.

Não posso entretanto encerrar esta breve alocução sem deixar consignados meus agradecimentos do fundo do coração ao prefeito José Machado ,ao seu Secretário da Ação Cultural Heitor Gaudenci Junior, ao seu sub-secretário poeta Ésio Pezzato, ao prefaciador Moacyr de Oliveira Camponez do Brasil sobrinho, aos queridos opinadores Maria Cecília Bonachella, Maria Ivana França de Negri, exímias poetisas, prof. Elias Salum e a minha filha Universitária Fabíola Vitti Moro, pela maravilhosa capa, Editores e toda equipe de funcionários , à minha esposa pela sugestão transmitida ao prefeito com relação ao advento desta obra, aos digitadores Nair , minha nora e neto Leonardo, e outros que possa ter esquecido, como é fácil em cachola idosa, - meus agradecimentos repito, pela reunião de esforços e trabalho que tornaram possível o advento de mais um livro de minha lavra.

Obrigado “ em geralmente” como dizem nossos cururueiros, aos que ilustraram com sua arte musical esta solenidade e assim também a todos quantos acharam um tempinho para vir prestigiar-me nesta tarefa de cultura e arte. Levem a certeza de que nada mais desejo do que engrandecer com minha poesia a terra que me viu nascer, a terra que me viu crescer, a terra que me proporcionou oportunidade para chegar a um cargo tão nobre quão dignificante de “Príncipe dos Poetas de Piracicaba”

Meu carinhoso obrigado também aos meios de comunicação, de modo especial “Jornal de Piracicaba”, na pessoa de seu Editor Chefe Joacyr Cury , de “A Tribuna Piracicabana”, na de seu diretor Evaldo Vicente, pela divulgação caprichosa deste evento que afinal nada mais é do que mais uma demonstração da exuberância cultural da Noiva da Colina.

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