Lino Vitti - Príncipe dos Poetas Piracicabanos

Lino Vitti - Príncipe dos Poetas Piracicabanos
Lino Vitti- Príncipe dos Poetas Piracicabanos

O Príncipe e sua esposa, professora Dorayrthes S. S. Vitti

Casamento

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Bodas de Prata

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Lino Vitti e seus pais

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Lino Vitti e seus vários livros

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Bisneta Alice

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BISNETA ALICE

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O Príncipe agradece a visita e os comentários

60 anos de Poesia


sexta-feira, 30 de abril de 2010

Dr. Cera Sobrinho


Dr. CERA SOBRINHO
(Médico benemérito)
Lino Vitti


Centenária bondade enche-lhe a alma nobre,
qual torrente de amor, caridade e esperança.
Foi médico e amigo, amando a gente pobre,
foi médico e amigo, amando adulto e criança.

Viu de perto a miséria atroz em que se encobre
do mísero o viver e o viver da abastança.
É justo pois que Deus o prêmio lhe redobre,
concedendo-lhe a Luz da Bem-aventurança.

Dr. Cera, sincero, humilde, requestado,
a cura pelo Bem, imensa caridade,
um símbolo imortal de médico afamado.

Muitos o lembrarão com intensa saudade,
Piracicaba está pois de luto fechado,
olhe por nós, doutor, da eterna eternidade.

Divina Luz


DIVINA LUZ
Lino Vitti

A riqueza dos astros no infinito
faz do céu luminoso milionário.
As estrelas das flores são um grito
de luzes pelo chão gracioso e vário.

Em cada rosto humano fulge escrito
o sol do olhar – luzente lampadário –
que as almas guardam como o mais bonito,
e profundo, e sublime relicário.

Luz das estrelas – universo imenso;
luz das flores – o solo enriquecido;
luz dos olhos – de brilho tão intenso!

É tão rico esse cosmos estupendo!
Tanta luz, tanta luz que, pobre, eu penso,
que Deus é a própria luz que agora eu estou vendo!

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Outonal

OUTONAL
Lino Vitti

Caem dos galhos as folhas uma a uma,
ressequidas de sol; e a ventania
em fuga leve conto leve pluma
com elas baila e, louca, rodopia.

Além, soturna, avulta a nostalgia
de uma árvore desnuda que se apruma
e o poente, todo outono, ao fim do dia
se tinge de dourada e tênue bruma.

A alma da gente - árvore de sonhos -
somando os anos vai se desfolhando
do sofrimento aos vendavais tristonhos.

E quantas vezes no horizonte, em riste,
vemos - galhos desnudos - se elevando
o espectro de um amor frustrado e triste.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Sol a Pino

SOL A PINO
Lino Vitti

Profuso o sol caustica a natureza
e, no ar, treme irisada ofuscação
qual se a paisagem se encontrasse presa
em gigantesca bolha de sabão.

Pesadamente cai sobre a devesa
o torpor formidando da estação.
E, ao longe, a areia branca põe, acesa,
revérberos de luz pelo estradão.

O silêncio acolheu debaixo d'asa
as dependências todas da vivenda
donde nenhuma fala se extravasa.

Verão ... Mas, de repente, em algazarras
acodem os meninos à merenda
e o pomar rompe um coro de cigarras.

terça-feira, 27 de abril de 2010

Parnasiana



PARNASIANA
Lino Vitti

Minha velha Poesia, oh! santos parnasianos,
embranquiçadas cãs, rostos de fundas rugas!
Sob o peso de mais de oitenta e tantos anos,
as lágrimas de dor e de amor, Poesia, enxugas!

Sonhas da Musa os musicais ou vis arcanos
- óperas divinais, baladas, largos, fugas!
Para onde vais, ó nave, ao luar abrindo os panos
e os teus sonhos a quem, presentemente, alugas?

Bilaqueano rimar, em que mundo esquisito
enterraste o luzor de um falar tão bonito,
tanto ouro, tanta luz, tanta riqueza enfim?

Ó clássica Poesia, a que plagas te leva
esse estulto poetar que mais parece treva
- paupérrimo estertor de um finado jardim?

Miragem

MIRAGEM
Lino Vitti

Caminho é a vida, longo, íngreme, escuro e torto,
abarrancado e poento, esquecido e medonho!
É caminho sem fim, dorido e ingrato sonho,
não saberás jamais se dará nalgum porto.

Vais por ele ao país do grande desconforto,
onde a semente pões, onde a semente ponho
da descrença e ilusão (oh! que país tristonho!)
Tudo ali finda em dor, tudo é árido e morto!

Se esperavas o Amor, nada encontraste; nada!
Felicidade foi-se em grande debandada,
nem sequer ver pudeste um tico de paisagem!

De tudo o que ficou ao rumor de teus passos,
uma certeza só trouxeste em teus cansaços:
é ver que atrás ficou nada além de miragem!

Credo In Unum Deum


CREDO IN UNUM DEUM
Lino Vitti

Creio, sussura a Fé, no Soberano Sonho,
de um Deus Criador de Si, Criador da Eternidade!
E nessa Crença eterna o Espírito deponho
e dúvidas de Deus minha alma ter não há-de.

Creio, brado de luz! Eu ouço e me proponho
fazer dele fanal de Excelsa Liberdade.
Creio – música ideal que no íntimo componho
e canto a cada vir do sol que o céu invade.

Creio! Deviam crer todos os corações,
numa unanimidade espantosa e feliz,
mãos postas para cima em gratas orações.

Creio na vida que amo o quanto devo e posso!
Na profundeza d’alma há uma força que me diz:
“murmura, simplesmente, eu creio meu Pai Nosso!”

segunda-feira, 26 de abril de 2010

A Outra História


A OUTRA HISTÓRIA
Lino Vitti

Quantas vezes a sós, à luz de um candelabro,
momento de silêncio, e saudades, e sonho
alma de anacoreta, as páginas entreabro
do livro do passado e a relê-las me ponho.

Muitos dias tão bons! Um momento macabro!
Tanta felicidade a rever me disponho!
Empurro para trás fugazes descalabros,
Transformo em alegria o que era então tristonho!

Como é bom recordar os momentos felizes,
esquecer de uma vez agruras e deslizes,
as páginas de dor que o volume me aponta.

Eu penso ser assim que todo mundo vive,
e, fica a ler, tal qual numa hora como eu tive,
A outra história feliz que a vida às vezes conta.

domingo, 25 de abril de 2010

O Besouro e o Poeta

O BESOURO E O POETA
I

Lino Vitti

Doidamente – besouro encabulado – às voltas
com cegante clarão de uma luz enigmática,
quantas vezes, poeta, em andanças revoltas,
da poesia ao redor giras a alma emblemática.

Como o mísero inseto a essa chama a alma soltas,
em regiros mortais, que ela é enganosa e estática.
De que vale reunir dos sonhos as escoltas
Se ela, como a poesia, é doida e problemática?

A lâmpada que atrai o cético besouro
tem a força abissal de brilhante tesouro
que convida e reluz, atraiçoa e assassina.

Assim nós, assim nós, poetas sonhadores
ao redor dessa luz de ilusórios fulgores
seguimos do besouro a tirânica sina.

BESOUROS E POESIA
II
Lino Vitti

Um Hércules do esterco, em meio dos escombros
dos fétidos currais, de podres galinheiros,
é o besouro – couraça a levar sobre os ombros
os restolhos fecais de pútridos chiqueiros.

Peso descomunal, força feita de assombros,
a empurrar rolos vis de excrementos caseiros,
é o besouro-esterqueiro a mostrar desassombros
em pertinácia audaz de heróis e de guerreiros.

Já vos disse que são – os poetas – besouros
a empurrar para adiante hercúleos, persistentes,
não o esterco vilão, mas Andes de poesia.

Tão fortes como aqueles impelem seus tesouros
– o esterco celestial das estrelas luzentes –
Hércules são do Sonho, Amor e Fantasia.

sábado, 24 de abril de 2010

A Lagoa dos Sapos


A LAGOA DOS SAPOS
Lino Vitti

O ouro da luz, no azul do céu, transborda
golfões sangüíneos do horizonte escapos.
E das sombras da várzea a voz acorda
polífona, metálica, dos sapos.

Uns sons oblongos de redondos papos,
guaiados bambos de distesa corda.
Pancadas surdas como um dar sopapos,
num bumbo fundo, de selvagem horda.

Gaiatos gritos e ancestrais glús-glús,
fanhoso coro, estúpido e arabesco,
musicando o estertor final da luz.

E, a enxamear pequeninos holofotes,
a lagoa é um salão carnavalesco
retumbando batuques e fox-trotes

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Poesia Moderna


POESIA MODERNA
Lino Vitti

Minha cara Poesia alegre e modernista,
inestética, irreal, síntese, paradoxo.
Desrimada, a mancar qual manca altivo coxo
mas sincera, jovial, enigmática, artista.

Protestante, genial, lírica arte golpista,
bela como o Brasil, ou feia como um mocho,
ora clara manhã, ora poente roxo,
revolução feliz, a se perder de vista.

Sem métrica, sem rima, e sem qualquer estrofe
és, Poesia moderna, um grande regabofe,
artística, revolta, amada e sem vergonha.

Assim mesmo sem rima ou métrica que a cantem,
não importa porém que os outros mais se espantem,
enquanto teu cantor divinamente sonha.

A Bandeira do Sonho e da Esperança


A BANDEIRA DO SONHO E DA ESPERANÇA
Lino Vitti

Vede a nave que vai. É a vida que navega,
às vezes calmaria, às vezes sol bonito.
Pelos mares boreais agora nos carrega,
por oceano feliz, estival e bendito.

Esta nau é latina, esta outra é vela grega,
qual vem de Gibraltar, qual vem do velho Egito.
Hoje o Mediterrâneo em torno a si as congrega,
amanhã já não sei em que quadrante as fito...

E quem sabe, Senhor o rumo dessas naves,
ora ao Norte, ora ao Sul, tempestades, bonanças,
furor de vendavais, quiçá rotas suaves!

O que vejo, porém, em toda a nau que avança,
vencendo furacões, à voz de roucas aves,
é a bandeira do Sonho e o mastro da Esperança.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Luzes do Ocaso


LUZES DO OCASO
Lino Vitti

Quando o céu se colore e como um pálio
se desdobram luzores no horizonte,
dou por findo o meu rústico trabalho,
do versejar selou-se a minha fonte.

É preciso parar ânsias do atalho,
é preciso deter o afã do monte.
É preciso secar o doce orvalho
antes que o sol, no céu, fulvo tramonte.

Toda a vida me foi um belo acaso,
quanto pude galguei o meu Parnaso
dispersando poesia estremecida.

Tudo finda na vida, tudo finda,
mesmo assim vejo sempre muito linda
a aventura enigmática da vida.

Antes que as Estrelas Brilhem


ANTES QUE AS ESTRELAS BRILHEM
Lino Vitti

Antes que brilhem as estrelas no alto,
num estranho chegar do lusco-fusco;
antes que a noite com seu negro assalto
me tire a santa luz que tanto busco ;

antes que as trevas – esse horrendo asfalto
do céu – onde de dor a alma chamusco,
os meus ideais a poetar ressalto ,
vejo perto um crepúsculo velhusco.

O sol já não quer ver-me com carinho,
sem águas vou , aos passos , no caminho ,
vão as flores e as aves debandadas.

Restam somente as rimas por conforto,
eu já alcancei o derradeiro porto,
brilhem pois as estrelas namoradas.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

O FUTURO DA ÁGUA


O FUTURO DA ÁGUA
Lino Vitti

Estando eu a debicar pelos sites da internet, detive-me naquele que responde pelo http://www.indekx.com/ onde você poderá ver, saber e ler sobre a edição, na íntegra, dos jornais das maiores cidades e capitais do mundo inteiro, e no respectivo idioma. É uma das maravilhas da informática, da computação, da internet, da eletrônica, das comunicações, da ciência, das descobertas humanas, uma das maravilhas que está instalada em todas as casas bancárias, comerciais, industriais, educativas, leigas e religiosas, na cidade e no campo, ricas, normais, remediadas e até pobres. Crianças (sim, gente, crianças!!!), adolescentes, jovens, adultos, idosos, macróbios, estudantes, operários, analfabetos até, chefes e subordinados, a parafernália de usuários da internet é universal, arrasadora, incontrolável.
Não é esse que aí fica, entretanto, o assunto de minha incursão às colunas deste centenário e vitorioso matutino piracicabano, ao qual contribuo com minha humilde redação articulística há mais de 50 anos. Não. Estas linhas mal servem de ingresso ao principal, entrevisto no título acima: O FUTURO DA ÁGUA.
É verdade que pouco ou nada entendo dessa preciosidade universal e que existe desde o início da Criação e sem a qual a humanidade estaria fadada à morte há muitos séculos, mas a teimosia de escrever que adquiri nos meus muitos anos de JP, sempre insiste, me tenta : vamos lá, Lino, escreva. E o tolo escrevinhador lá vai ao teclado moderno e téque-téque-téque. Alguma coisa brota do velho bestunto e corre a clicar no “enviar” para que chegue logo a sua já barbuda colaboração , para o aprovado ou não da nobilíssima editoria.
Ora,desculpem,amigos. Estou de novo a digredir e esquecer do principal , do motivo que me convenceu a aparecer por estas paragens jornalísticas.
Estava eu falando de minha invasão internética quando o http://www.indekx.com/ me mostra umas linhas de um artigo do jornal francês Liberation.fr, poucas mas de um significado trágico para um futuro próximo. Nada mais nada menos do que o delicado e perigoso desaparecimento da água da face da Terra. Dizem as linhas da notícia: “O acesso à água potável é um dos maiores motivos dos próximos conflitos . Onde e como o acesso, onde e qual o modelo econômico, onde as soluções alternativas?”
São poucas, mas contundentes palavras. Fazem lembrar que o homem está insistindo em acabar com as florestas, com o verde sadio das capoeiras e das matas, em cujo seio se formam as nascentes que vão formar os rios, que vão dessedentar as populações citadinas e rurais. O homem está cavando o solo, em proporções inimagináveis, sugando as águas que lá se escondem há milênios. O homem está secando os rios e as fontes, ajudado pela trágica diminuição das chuvas e o desparecimento das nuvens nimbus de onde as chuvas emanam , raramente vistas hoje nos céus brasileiros. O homem desta metade do planeta especialmente devastou o solo e o está transformando em deserto, onde as águas não moram, nem vivem. O homem inventou os agrotóxicos que acabam com as ervas conservadoras da umidade do solo, de onde surdiam os vapores para a formação das nuvens pluviais , portadoras de chuvas para regar os campos e as matas. Diante de tudo isso o céu faz carranca, as nuvens fogem, os ventos ressecam ainda mais . E as fontes, os rios, os lagos, os poços, os regatos, os nevoeiros da terra e do céu , dizem adeus e entregam a sorte da vida humana e animal e vegetal às ordens do rei- sol causticante e dominador.
Esse estado terrível está em andamento inarredável, através dos séculos, pois todos querem sugar a água, beber, industrializar, jogar fora, usar mal dessa riqueza, enfim contribuir para que ela se reduza e desapareça paulatinamente. E terá o homem algum substituto ao preciosíssimo líquido? Terá a ciência como inventar algo semelhante para salvar o fim da era aquífera? Haverá um novo Criador que diga “Fiat aqua” e a água se fará como disse um dia “Fiat lux” e a luz se fez?
A advertência do jornal francês é válida em todos os sentidos. A menos que queiramos continuar nossa condenabilíssima tarefa de abusar e liquidar com o que ainda resta de água no mundo.

terça-feira, 20 de abril de 2010

Caipiracicabanizados


CAIPIRACICABANIZADOS

Lino Vitti
(Príncipe dos Poetas de Piracicaba)


Consumatum est pode dizer o poeta Ésio António Pezatto, que se intitula meu aluno de poesia, mas na realidade é um dos mais brilhantes poetas desta feliz terra que um professor da Universidade de São Paulo, Hildebrando André classificou como “santuário” da poesia, consumatum est, isto é, tarefa terminada, livro imenso “Os Caipiras”, como ele nos dignifica, na casa de cada piracicabano que sabe o que é poesia e que se agrada muito de ser assim intitulado “caipira”.
Se a tarefa culto-literária está finda, é o momento de projeção da obra de arte poética Os Caipiras que sei, foi invadindo a cidade inteira, pois a edição, pelo que vi no ato do lançamento, foi abocanhada pelos amigos do poeta, amantes da cultura piracicabana, apreciadores de um bons, felizes e muito bem dedilhados versos incontáveis que Ésio jogou valorosamente no cenário livresco desta terra.
E como jogou meu nome por muitas vezes na barafunda das incontáveis estrofes, o que chamou até a atenção do Prefeito da cidade que prestigiou o evento cultural com sua presença(coisa rara de acontecer) e generosamente, em seu “prefácio” disse eu “ter culpa” de o poema patriótico vir a lume, pois o poeta dos sonetos improvisados, o deixou claro, às tantas, no texto de sua apresentação, dizendo que Os Caipiras deu continuidade histórica e literária ao meu “A Piracicaba, Minha Terra”. Grato fico, de coração, a um e a outro por essa valorosa revelação.
Os que adquiriram o belo volume de Os Caipiras já sabem de que se trata, pois Ésio pormenoriza a nossa história, a nossa gente, as nossas belezas naturais, a nossa cultura, o nosso comércio, a nossa lavoura, a nossa indústria, as nossas personalidades, as nossas escolas superiores e menores, mas os que não adquiriram, acredito, ficarão sem saber, porque o número dos que compareceram e levaram sob o sovaco o volume, foi imenso e a edição se deve ter esgotado, para glória do autor e para felicidade da arte poética que reina nesta terra de Erotides, de Newton de Mello, de Marina Tricanico, de Francisco Lagreca, de Maria Cecilia, de Mello Ayres, e dessa legião de poetas que locupletam as páginas de sexta (Tribuna) e sábado (Jornal de Piracicaba), reservadas condignamente para a poesia noivacolinense.
Não poderia encerrar estas rápidas linhas sem dizer do valor que o Centro Cultural e Recreativo “Cristóvão Colombo” tem dado as edições de livros de nossos autores, abrindo seus salões para que a arte e cultura piracicabanas sejam oferecidas à população, generosa e altivamente, como se tornando uma academia dos valores literários e um ponto de encontro da poesia, prosa, música, e outras representações culturais desse mesmo valioso gabarito.
E a você , poetíssimo e estimado súdito Ésio, a cidade soube prestigiar, como sempre o faz em ocasiões assim, a Poesia e o valor dos poetas e poetisas. Então, Deus lhe Pague!

EPOPÉIA

EPOPÉIA
(O “Jornal de Piracicaba”, a 4 de agosto completou 100 anos de existência. É uma epopéia.)
Lino Vitti

Um século de vida, um século de glória,
um século de luz iluminando a História,
traçando a mais sublime e ingente trajetória,
em busca de um futuro indômito e imortal!
Passo a passo, enfrentando as pedras do caminho,
removendo da luta o duro torvelinho,
muitas vezes cansado, outras tantas sozinho,
faz cem anos o seu, o meu, nosso “Jornal”.

Quanta fé, quanto amor, quanta esperança,
quantos sonhos, ideais, dúvidas e confiança,
cercaram o nascer deste jornal – criança –
no dia em que encetou a marcha para a luz!
Quem pode desvendar do tempo os longos anos,
adivinhar da vida os passos soberanos,
entrever do amanhã os ocultos arcanos,
a que mistério astral o mundo nos conduz?

À frente, uma seara extensa e dadivosa,
atraentes jardins de lírios e de rosas,
um povo laborioso, uma cidade ansiosa,
aguardando esse prêmio, inédito e sem par.
Sem dúvida o mais belo e lídimo presente
que idealistas um dia – alma nobre fremente –
legaram um jornal do porte altivo à gente
que cem anos depois ainda o sabe amar.

Longos dias de insano e árduo trabalho,
longas noites batendo o martelo no malho,
cem anos caminhando esse divino atalho
aberto pela luz do ínclito Gutemberg!
Que o digam o valor e a força que trouxeram
todos os que até nós labutando vieram
que de um sonho feliz realidade fizeram,
– bandeira secular que ainda nos céus se ergue!

Cem anos! É uma idade altiva, grata, imensa!
Um altar que reluz! Piracicaba incensa,
canta missa eternal dessa eternal imprensa,
sob as palmas de um povo augusto que a acolheu!
Centenário “Jornal” desta “Piracicaba”
sobre o qual, divinal bênção de Deus desaba,
de que o poeta diz: “glória que não se acaba”,
que dessa glória fez também o ninho seu.

Os versos deste poema, ó meu “Jornal”, eu rimo,
minha estrofe senil burilo, escrevo e limo,
para dizer o quanto, ó meu “Jornal” o estimo,
nesta mensagem pobre e quiçá sem valor.
Não importa porém que o poema nada diga,
vale, sim, quanto diz toda essa gente amiga,
que há cem anos o segue, e quer que inda prossiga,
nessa marcha de fé, de esperança e de amor.

E antes de descansar a pena com que teço
a manifestação do meu total apreço
dirigí-la a especial e alto endereço
me é dever o lembrar com carinhos astrais.
É daqueles que, enquanto os outros dormem calmos,
velam à noite toda entoando longos salmos
– como se fora o tempo a medir com os palmos –
do trabalho noturno em horas integrais!

Anônimos heróis, de cujas mãos divinas
afeitas ao labor das últimas rotinas,
sai o verniz final das santas oficinas
para o olhar do leitor que o tem ao vir do sol.
E ao calor e ao luzir do dia que desperta,
entregam para o povo a sacrossanta oferta
da edição de um jornal, preciosa, íntegra e certa,
cujas páginas têm o rumo de um farol.

Bandeirante da imprensa em busca do Eldorado
do saber, do informar, escrínio do passado
arquivando da História o tesouro dourado,
a verdade, o valor; da justiça, os quinhões.
E ao piracicabano, amigo e companheiro
oferecendo as mãos num gesto prazenteiro,
no excelso caminhar, por seu feliz roteiro,
num só congraçamento ideal de corações.

Rebelião de Instintos

REBELIÃO DE INSTINTOS OU SUGESTÃO DE UMA FOLHA
Lino Vitti

O caso é que Lupércio (ele detestava o próprio nome) abrira os olhos azuis num
humilde quarto de humilde casa da roça, arrancado do berço maternal, onde vivera nove
meses prisioneiro de um útero fértil, um útero forte, responsável pela gestação de nada
menos que dez rebentos entre varões e mulheres. Uma barriga maternal pródiga, cristã,
exuberante, em cujas profundidades criadoras jamais se ousara meterem-se ferros e
bisturis, senão que apenas as longas e nervosas mãos da tradicional parteira das
redondezas. Partos perfeitos, criaturas perfeitas.
Lupércio não poderia ser exceção. Berrou com toda a valentia, custou a arrefecer os
vagidos do contato com o mundo que o aguardava, e prometia, pouco depois enrolado,
esticadinho, naquela panaria limpa e branca com que as mães do sítio apertam em longa e
larga faixa o tiritante corpinho do mal-nascido, prometia, repito, crescer forte, bonito e
corajoso, como aliás, almejam todos os pais e mães que assim seja.
E cresceu, virou menino, descambou para a adolescência. A meninice viveu-a, poderse-
ia dizer, como a vivem todos os meninos da roça, no que se pode chamar de ambiente
doméstico e circundante. Não porém, a sua personalidade em botão. Desde muito cedo,
Lupércio, saudável de corpo, e muito mais de espírito, ouvia bem de perto o ulular da
caterva de instintos. Eram labaredas que lhe subiam dos pés, pelas pernas, pelo tórax, pelas
mãos, pela cabeça, rumo ao cérebro, onde se formavam fantasias imensas, onde vinham se
estadear fantasmas sexuais. Não eram poucas as vezes em que o pré-adolescente se perdia
a contemplar aves, animais, domésticos e selvagens, se unirem para o ato da procriação
natural. Aquilo lhe transmitia um calor aos olhos, algo que queimava o corpo de alto a
baixo, numa ânsia de imitar, de fazer. E no âmago de sua cabeça efervescente as figuras
das companheirinhas de escola, das vizinhas, até de jovens e moças de muito mais idade,
vinham amiúde se apresentar. Sonhando com o mistério que um dia se lhe poderia
desvendar.
O adolescente da roça, sabem os sociólogos e os sexólogos, tem multiplicados
exuberantemente seus instintos. Em toda a parte, se lhe oferecem oportunidades para
fantasiar mais e mais, aguardando com ansiedade o dia, a hora de poder fazer o que fazem
os animais domésticos e selvagens, dando assim vazão a essa força colossal e indomável,
que lhe queima o corpo e lhe atrapalha a alma, com mal compreendidas necessidades
biológicas, na busca de um alívio físico e espiritual que ainda não sabe bem como há de
conquistar e conseguir.
O estado da adolescência é terrível. O moço sente, vê, debate-se com os instintos,
mas não há como enfrentar toda essa pujança sem ferir pruridos de consciência, da fé, de
família, do mundo. Parecia a Lupércio que todo o universo lhe apontava o dedo
condenatório: não pode, não deve.
****
Um dia (que dias tremendos há na vida!) o adolescente Lupércio viu-se metido num
coletivo urbano, ao lado de desgastada mala lotada de roupas, cobertas, lençóis, um par de
tênis barato, escova de dentes, sabonete de coco. Partia. Dezessete anos. A desconhecida
vida de um internato religioso. Até quando? O que haveria de vir? Lupércio lembrava-se
apenas de engolir o nó da garganta e enxugar, com as mãos, um tanto ás escondidas, as
dificilmente escondidas lágrimas.
Seria o fim? Não sabia. Poderia sim, ser o fim daquela maravilhosa vida de infância
na roça, onde ficavam as árvores, os pássaros, as colinas, os colegas, amigos e
companheirinhas, as chuvaradas, as noites estreladas, os luares românticos, as plantações,
as caçadas, as colheitas, o terço em família, a felicidade de uma infância despreocupada e
feliz, aivada de surtos e sustos de instintos em ebulição.
****
O Internato! Casarão terrível a engolir adolescências para forjar, na disciplina e no
estudo, as incógnitas personalidades de amanhã! Lupércio espichou os olhos, ainda a
relampejar paisagens silvestres e roceiras, por aquelas paredes acima um, dois, três, quatro
pavimentos. As janelas em fileira indiana pareciam dizer-lhe “lascsiate ogni speranza o voi
che intrate”. Atrás daquele portal e daquelas janelas misteriosas que decerto jamais viriam
a ser ocupadas por aqueles que adentravam o internato, em gestos de espiar a rua e o
mundo, devia existir um outro mundo, completamente diverso e estranho do vivido até
então pelo jovem aspirante ao sacerdócio.
Se ao deixar os pagos natais já se lhe derrocaram, anos de vida, já entendia como
perdidos atos, gestos e pessoas daquele seu trecho feliz de vida, o que não lhe deveria
caraminholar a cabecinha ainda mal estruturada para mudança tão brusca, a visão daquele
edifício imenso, coalhado de mistérios, físicos e psíquicos, onde deveria colocar seus pés,
para um contrastante modo do viver, no seio de uma família estranha que não aquela
deixada nos cafundós do sítio!?
O convite daqueles portais era inexorável. Era um convite para mudar um destino! E
transpostos os umbrais atrás dos quais se lhe enclausuraria esse mesmo destino, Lupércio
sentiu um frio pelo corpo. Reagia-se-lhe a alma adolescente naquela manifestação física
capaz de dizer-lhe: “esqueça tudo o que ficou para trás! Esqueça a infância, as
brincadeiras, os colegas e as coleguinhas, a mãe, o pai, os irmãos, as paisagens, os
divertimentos, a vida roceira enfim. Deixe que sangre a hemorragia da saudade incurável,
que os perseguirá pelos dias afora”.
****
E assim se fez, porque assim estava escrito na página do destino! Deram-lhe uma
caminha de solteiro, um banquinho titubeante para criado-mudo, um 1avatório imenso,
longo e cheirando a todos os sabonetes.
Uma gaveta fixa numa estante à moda de guarda-roupa coletivo, cobertas simples
pouco adequadas à intempéries de um dormitório metido no sótão do grande prédio. Os
preparativos para as suas noites eram rápidos e repetitivos. Dormir era uma exigência
disciplinar. E no dia seguinte, mal o dia tingia de rubro o horizonte, uma sineta tenebrosa,
insensível, dramatizava o despertar daquela legião de adolescentes e jovens. E se iniciava
um ritual vídeo-tape de um e de outro dia, com longas horas de estudo, infindáveis horas
de aula, caínhas horas de recreio e muitas horas de silêncio e oração.
Todo programa ritmado e repetitivo não conseguira arrefecer na alma e no corpo do
adolescente aspirante, as exigências dos instintos. Passava noites em briga com eles. De
um lado a escalada cada vez mais apressada e forte do sexo exigente, de outro, a palavra
dos mestres e instrutores, condenando sumariamente aquela força incontestável e
indefensável que lhe energeizava o corpo. E a luta se travava intensa entre a ordem e a
disciplina, o pecado e o prazer. Noites mal dormidas, lembranças longínquas da infância,
remorsos e escrúpulos, o prêmio do céu e o castigo do inferno, aí presentes como um
pêndulo fantástico a tocar para frente as horas, os dias, os anos.
Os instintos, cada vez mais contundentes, cresciam. Os deveres e obrigações
cresciam também. De tal sorte que a luta era tremenda, travada na solidão das horas
noturnas ou nas longas horas dos silêncios dos estudos e dos recreios.
****
E os anos foram somando batalhas com derrotas e vitórias quiçá. Aproximava-se o
dia fatal da decisão vocacional. Lupércio temia a sua chegada, pois sabia que as forças dos
instintos superavam de muito as forças vocacionais. As lutas haviam sido muitas e muitas
as derrotas. Como esperar agora o advento de um auxílio tão forte capaz de levá-lo a
esquartejar, com a espada de luz da coragem e da valentia adolescentes, o inimigo há
tantos anos enfrentado e nunca, ou quase nunca vencido!?
****
O acaso decide. O acaso socorre em muitas oportunidades aqueles que não enxergam
mais uma saída para a solução de graves e íntimos problemas. Lupércio topara,
casualmente, com esse personagem, do qual se engendraria uma solução para aquela longa
e ingrata batalha dos instintos rebelados, dos instinto exigentes, dos instintos que querem o
que querem, dos instintos que lutam aos extremos para fazer valer sua vitalidade, sua
presença no homem, seu destino de elemento continuador de espécie.
O pátio do internato onde alunos dos mais variados cursos e oriundos das mais
variadas localidades, esparramava-se amplo e sombreado por figueiras frondosas. Sob elas
reuniam-se grupos de estudantes. E as árvores como que ouviam as conversas, os diálogos,
os debates, os cochichos entre aquelas bocas controladas e presas a uma disciplina rígida.
Foi quando uma grande folha, amarelecida, despencou do alto de copa e caiu, dançando,
entre os debatedores, passando rente ao rosto de Lupércio. Um relâmpago de pensamento
cruzou-se-lhe no cérebro e a boca murmurou:
- Ei, colegas, essa folha rolante é bem a imagem da minha vocação, do meu destino.
Amarela e ressequida, levada pela brisa, é como a sinto dentro de mim.
Poucas palavras, significativas palavras. O diretor de alunos ouviu-as e guardou-as
para com elas traçar o destino daquele lutador de instintos, de importantes instintos
humanos. E no recesso da cela convocara o indigitado aspirante e qual fora um raio
terrível, Lupércio ouviu:
- Então estás como a folha esvoaçante da figueira? Não queres mais ficar preso na
fronde deste internato, onde se cuida das coisas de Deus, com vontade e amor, dedicação e
empenho? Segue pois o trajeto da folha amarelecida que é andar de rastros no pó do
chão... voltarás para teus pagos, onde a consciência estará mais livre para essa luta de
instintos que dizes sustentar a tantos anos...”
O ultimato superior fatalizava-lhe o destino. Tinha a força de quebrar, como
dinamite, aqueles muros altos e intransponíveis que lhe cerceavam os passos para a talvez
aparente liberdade do mundo, onde supunha o aguardariam todas as liberdades corporais e
instintivas, transformá-las em armas para derribar ao pó o demônio daquela força profunda
que lhe vivia a atormentar os dias e as noites, o interior e o exterior da personalidade.
Aguardava-o um diverso retorno, depois muitos anos, àquele trecho da existência de
onde partira, sob o impacto de uma luta infrene, entre espírito e carne, entre virtude e
pecado.
E a ordem, o mandamento, partira não de um fato de enorme poder sobre o destino
das pessoas, sobre o seu próprio destino, mas de apenas um minúsculo e inédito
acontecimento trivial de uma folha de figueira, balouçante, despregada do galho da árvoremãe,
combalida e em agonia vegetal, rumo ao ignóbil destino de morrer de rastros na
frialidade e indiferença do solo.
Quantas folhas, no mundo, se despedem da fronde, esvoaçam por instantes entre o
azul e a terra, rolam pela areia, apodrecem ao vir primeira chuva, viram solo, sem que
ninguém, sem que olhar algum, lhes dediquem qualquer atenção, lhes sirvam de modelo de
vida, de solução vocacional, de diretriz para quem quer que seja! Ignoram-nas
simplesmente! E aquela, aquela estranha mas significativa folha de figueira a amarelecer,
por que haveria de aparecer em seu caminho, como se fora uma folha viva, inteligente,
mensageira, escrevendo na lousa dos acontecimentos pessoais de um brigar mourejante de
instintos, o que era preciso fazer, qual o caminho a seguir daquele átimo de tempo em
diante?
Qual o dedo milagroso que apertara o pedúnculo vegetal daquela folha entre milhões
de folhas de figueira, para num exato instante, inesperado mas valioso, ditar novo rumo
para uma alma em cujo seio se desenrolava, surda, oculta, dolorosa, uma batalha que só
neste momento viria a lume?
E depois de meio século de vida, quando a arte exigiu do seu personagem uma
história a contar?

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Conto - Tragédia na ponta de um pau


(foto Diogo Gaspar)
Tragédia na ponta de um pau
Lino Vitti

Anda a humanidade ingurgitada de tragédias de todos os calibres, modos e maneiras,
diversidade essa que a traz em constante “ser ou não ser”, segundo cogitar poético de
ilustre representante das tragédias de antanho.
Dentre as inumeráveis formas de contar a vida, fui buscar na roça, numa árvore da
roça, na ponta de um galho seco da árvore da roça, o motivo para estas elucubrações
fantasiosas a que, desenvolvido “quantum sátis”, nos orgulhamos, patotisticamente, de
chamar Conto.
Conta-se assim que o Zé Querêncio, sitiante dos bons, dono inconteste de umas terras
agrícolas, altamente dignas de seu trato a poder de enxada, arado, foice e bestas ruanas,
desperta, alta noite –– noite negra como o breu, dizem –– a ouvir, vinda da escuridão
impenetrável, uma voz, ou melhor, uma gargalhada enigmática.
- Ué! Quem é esse cara que se mete a rir, perdido na noite? Alma penada, meu
Deus?
E a risada noturna e soturna bisava, sob a curiosidade da noite toda estrelas – uma
curva e imensa peneira de pingos de ouro invertida sobre a paisagem negra do sítio.
O caboclo encabulava.
Noite seguinte, a semi-sinistra risada encafuada no negrume, surdia novamente. E o
caboclo cismava, cismava, e perdia-se fantasiando a cabeça rústica em mil e uma
interrogações.
- Que será, que não será?
Compadre Vicente, padrinho do caçula, tinha sítio próximo. De uma feita casual
encontro propíciou a Zé Querêncio oportunidade de desfazer a misteriosa “coisa” a
espalhar gargalhadas noite a dentro, noite afora.
- Ché, compadre – adiantou o Vicente. Então você não sabe? Esse estrupício de
risada é o Urutau, o canto do Urutau.
- Verdade, Vicente? Então não é assombração, nada dessas coisas de assustar a
gente?
- Imagine! Passe lá no meu sitioca e eu lhe mostro a “assombração”...
Querêncio foi. E viu!
Viu o Urutau. Um pássaro estranho, da cor de galho seco de árvore. Grudado na
ponta do pau, mimetizado com ele em tudo, viu o dono daquela casquinada noturna,
imóvel como uma estátua, em riste, como se fora a continuação do próprio galho.
- Mas, Vicente, isso aí fala, ri, assusta?
- Claro, compadre – sentenciou o outro.
E dando uma de entendido, desfiou diante do vizinho, atento e embasbacado, tudo
quanto sabia sobre a misteriosa ave.
- Você vê, Querêncio, isso é feio que dói. A feiura, porém, não lhe tira a graça de sair
por aí, por pomares, capões de mato, barrocas ciliares a rir da vida e de nós caipiras,
muitas vezes assustando aqueles que o ignoram e o seu modo de vida: - de dia, como um
monge em oração, como duas mãos unidas em prece, quietinho, garimpado no topo de um
galho de árvore; de noite, voejando pela escuridão, a rir, rir, de “nóis” e a mandar pro
bucho borboletas, mariposas, lacraias, besouros, ratos e tudo quanto invente povoar de
vida os canfundós da roça...
Vicente calou-se um minuto, bateu fósforo e baforou uma nuvem cheirosa extraída do
seu cigarrão de palha, dando uma banana a essa mania civilizada que veta a delícia caipira
de tragar o saboroso fumo de corda do Bairrinho.
Depois, satisfeito o vício, prosseguiu:
- Então, compadre, esse estapafúrdio que você vê, grudado no pico do galho seco, faz
dele moradia e ninho. Mora e cria. Não tece nada. O ovo que bota, único e anual, gruda-o
no ventre, tal e qual a raposa (os cientistas tem um nome para isso) e choca-o sob as penas
do peito, durante 40 a 45 dias. Daí, Querêncio, o filhote nasce e começa a botar a
cabecinha de fora, com medo decerto do mundo grande que vê além das penas maternas.
Depois de duas e pouco mais de semanas, o passarico, que já não cabe mais no seio macio
de plumas, mete-se ao lado do pai ou da mãe, passando o tempo abraçado pelas asas
maternais. Empena, cresce, voa... e sai pelo mundo a povoar novos cumes de novos galhos
secos, de novas árvores...
Compadre Zé Querêncio suspirou profundamente ao calar-se a voz de outro.
Ruminava no íntimo de todas aquelas novidades estranhas sobre um gargalhar noturno que
povoa as noites rurais, nada mais do que um canto ancestral de ave noctívaga, símbolo de
mistério, figura fantasmal do mundo alado do campo e da noite sertaneja!
****
Pingaríamos aqui o ponto final da história. O Zé Querêncio, todavia, não nos deixa. E
não nô-lo deixa porque a sua rude curiosidade nos diz que o Urutau e sua criaturinha não
se deram bem com a vida. Certa manhã, espairecendo pelas terras do compadre, foi até a
“casa” do pássaro para revê-lo e ao seu filhote.
E aí, a tragédia. A ponta do pau seco, vazia. No chão, mãe e filho, estraçalhados. Por
que? Por quem? Mistério! Esses acontecimentos da natureza, são iguais aos
acontecimentos trágicos humanos. Inexplicáveis! Insolúveis!
E a memória querenciana, num retorno repentino aos dias do passado reviu, por
caprichoso e doloroso recordar, num relancear de fatos, a tragédia – tal e qual a do infeliz
Urutau e sua prole – da sua esposa e filho tragados pela fatalidade do infortúnio.
Foi assim.
Temporal inclemente vergastou com o chicote de sua terrível ventania e a fusilaria de
seus raios e trovoadas, horas seguidas, a soberba paineira alcandorada e gloriosa ao lado
da casa, florida de roxo, às vezes; outras, crivada de painas esvoaçantes. Vergastou,
chicoteou, sacudiu raivosamente até que o roble secular cedeu à fúria que o prostrou ao
solo, e, de roldão, tombou sobre o teto da casa, esmagando, sinistramente, a esposa e o
pequeno caçula.
Zé Querêncio – como agora – diante da desgraça, emudeceu, mudamente chorou,
carregando para sempre aquele quadro inominável. Quadro que revivia em toda plenitude,
em dolorosa lembrança, ao contemplar no chão, inertes e destroçados, como sua cara
consorte e seu querido filhinho, inertes e destroçados pela natureza enfurecida e
impiedosa.
Há momentos na vida em que esquecer é o melhor remédio, talvez, o mais profundo
consolo.
Frente a frente com o drama que a manhã roceira lhe apresentara, numa realidade
inarredável, e, frente com a realidade de um passado que não se apaga jamais da
lembrança de qualquer mortal, Zé Querêncio optou pelo alívio medicinal do esquecimento.
Cavalgou o alazão. A galope, se afastou envolto num halo de nostalgia, daquela
paisagem recordativa e entristecedora, daquele inusitado acontecimento a cavar-lhe da
sepultura de um ontem doloroso, a imagem de um quadro que tanto quisera esquecer, mas
viera à tona face a face com aquele infeliz desfecho de um lar alado, desfeito por não se
sabe que mão do destino.
Tal e qual, talvez, a mesma e incomplacente mão terrível que se comprazera em
derruir, inexorável, um Urutau e sua prole, cuja felicidade vivencial se encontra apenas no
pico de um velho e seco galho de árvore. É por isso que a canção popular canta: “Eh! Vida
malvada, não dianta fazer nada, prá que se esforçar se não vale a pena trabalhar”.
Zé Querêncio cavalgou, cavalgou. Esqueceu da vida, esqueceu do mundo. A noite
fechou e o céu desdobrou um dilúvio de estrelas. Contemplou-as por momentos. Ora, lhe
pareciam lágrimas luminosas, ora risos caricatos.
- Para onde vai, compadre? – Perguntou-lhe, no meio da escuridão, a improvisada e
imprevisível presença do Vicente, retornando da vila onde estivera às compras.
Silêncio!
- Para onde vai, repetiu o vizinho.
- Pro inferno, compadre! Pro fim do mundo! “Prum” lugar onde não tem dessas
coisas!...
E castigou a besta que saiu a galope pela cegueira da treva noturna.
O tátátá... tátátá... da cavalgadura enchia lugubremente a imensidão da negra
paisagem, assustando as estrelas piscantes e a lua cheia que o espiava no horizonte
indefinido, qual carantonha enorme a rir de sua desgraça.
De súbito, alguém gargalhou, em casquinada fantasmal dentro do enigma da noite...
Zé Querêncio estacou. Assuntou a vastidão silente e trevosa, cuspiu para o lado, em
protesto contra aquela inoportuna gargalhada e berrou, loucamente, para a paisagem:
- E ainda você dá risada, seu porcaria?!...
Só o eco tristonho dos vales, das florestas, dos montes, respondeu ao protesto do
Querêncio.
O luar pleno banhou de luz macia a vastidão da paisagem.
****
Poder-se-ia encerrar assim e aqui a minúscula história.
Exigem contudo a lógica e a final clareza dos fatos saiba o possível leitor de que
profundez noturna, de que goela estúpida, de que treva cega, de que origem inominada
surdira aquele motejo cabalístico, aquele irônico rir, enegrecendo mais ainda a alma
entenebrecida do infelicitado caboclo.
Para Zé Querêncio, machucado pelas lembranças funestas da fatalidade,
inopinadamente ressuscitadas pelo imprevisto quadro contemplado ao amanhecer, ficava
difícil compreender que tinha um irmão de desdita, que aquele gargalhar dolorido era o
canto de dor que ia n’alma de um pássaro igualmente ferido pela infelicidade.
Ele sobrevivera à tragédia. O Urutau, também. Ambos ficaram sós no mundo,
testemunhas únicas de um lar ditoso, estraçalhado por um terrível destino. Sofriam um e
outro a mesmísssima dor.
Zé Querêncio chorava; o Urutau ria. O homem precisa saber contudo que a natureza e
a vida são contrastantes. O riso do Urutau também é pranto.
Duas, então, eram as vítimas.

domingo, 18 de abril de 2010

Contribuição Tirolesa ao Município

CONTRIBUIÇÃO TIROLESA AO MUNICÍPIO
LINO VITTI

Ao historiador piracicabano não será licito esquecer de registrar nas páginas da formação desta
comunidade, a existência dos bairros cuja população tem raízes fincadas na imigração trentina,
exatamente de famílias originárias da região do Tirol, do qual o adjetivo pátrio a eles pespegado de "tiroleses".
A maior contribuição histórica nesse sentido devemo-la ao Professor Guilherme Vitti, cujos estudos na busca daquelas origens têm ensejado um conhecimento quase perfeito dos núcleos habitacionais, aspectos físicos e psíquicos dos bairros de Santana, Santa Olímpia e Négri. Este escriba também, através de numerosas crônicas publicadas na seção "Prato do Dia", do Jornal de Piracicaba, teve oportunidade de focalizar em estilo literário, mais do que histórico e informativo, a terra, a gente, a vida, os costumes dos tiroleses piracicabanos, pensando dessa forma haver contribuído com um pouco de seus conhecimentos, na divulgação dessas prósperas comunidades sediadas em território municipal de Piracicaba.


O DIALETO


Até uma dezena ou pouco mais de anos atrás, os trentinos dos mencionados bairros viviam como
que isolados, distantes da vida da urbe, parecendo estar envolvidos num casulo estranho. Apesar de haverem eles sido aquinhoados com um grupo escolar, hoje denominado "Dr. Samuel de Castro Neves", os tiroleses persistiam em falar o dialeto nas conversas entre si e nas famílias, criando-se interessante dualidade de línguas: uma, para uso doméstico; outra, para uso na sala de aula com os professores e pessoas visitantes, isto é, no relacionamento com quem falava o português. Nesse dialogar ou conversar podia-se facilmente perceber o profundo sotaque do dialeto tirolês, ou trentino, mormente nas sílabas anasaladas ou no é com circunflexo, quase sempre proferido como é, aberto. Assim, você, o tirolesinho pronunciava vocé.
Hoje, o dialeto é apenas de uso dos mais velhos dos bairros, já que as gerações sucessivas foram
assimilando mais, e mais o português, passando a ser atualmente de uso corrente. Para que isso
entretanto ocorresse, foi necessária uma assimilação lingüística de mais de cem anos, sucedendo-se, no mínimo, cinco ou seis gerações. Nesse aspecto, fico a pensar como deve ter sido difícil às mestras e mestres do Grupo Escolar "Dr. Samuel de Castro Neves", meter na cabeça da criançada que falava 20 horas o dialeto e apenas 4 o português.


A LAVOURA


Os trentinos dos bairros de Santana, Santa Olímpia e Fazenda Négri começaram sua lavoura
tratando, plantando e colhendo cafezais. O café estava no auge da economia brasileira e as terras ainda cobertas de florestas se prestavam ao trato daquela plantação. A rubiácea se estendia em imensos talhões, ocupando toda a mão de obra dos tiroleses todo o dia e durante o ano todo. Plantava-se, carpia-se, formava-se, colhia -se, peneirava-se, ensacava-se, carregava-se, vendia-se café. O casarão, onde viveram escravos e senhores, tinha ao lado uma enorme construção, onde labutava diuturnamente um beneficio de café. Cheguei a conhecer algumas das máquinas daquelas indústrias. O edifício posto a baixo só está na
lembrança dos mais antigos. É que a indústria e a lavoura cafeeiras tiveram seu declínio, o que obrigou os tiroleses piracicabanos a outros meios de ganhar a vida e sustentar a família. Depois do café, foi tentada a lavoura variada Milho, arroz, feijão, batatinha, algodão. Foram os cereais os mais cultivados. Cada família tinha a sua vaca leiteira, sua horta e o chiqueiro onde vivia sempre um capado no ponto de faca.
Criavam-se galinhas, perus e alguns patos. As terras, entretanto, foram emagrecendo. O húmus absorvido pelas sucessivas safras, já denunciava esgotamento: As lavouras não vicejavam com a mesma imponência de anos atrás. Deu-se então, e com a idade, pretérita de 141 anos mais ou menos, a procura de outro tipo de lavoura: a cana-de-açúcar.


O CICLO CANAVIEIRO


É sabido que a cana-de-açúcar não é muito exigente em matéria de uberdade de solo. Mesmo com poucas chuvas e terras magras, a conhecida gramínea completa seu ciclo vegetativo e chega a render algum lucro ao plantador. Com o esgotamento das terras, ocorrido em virtude dos sucessivos anos de aproveitamento, os lavradores dos bairros tiroleses de Piracicaba se entregaram a cuidar da cana.
Ajudou-os nesse desiderato, a projeção que esse tipo de cultura teve no país, com especial destaque, no Estado de S. Paulo. A proliferação de usinas de açúcar atestam esse crescimento.
A indústria usineira, que em Piracicaba é evidente, encorajou os sitiantes ao plantio de gramínea. De tal sorte que hoje somos vistos como um dos maiores produtores de açúcar e álcool. Em referida indústria e lavoura se insere grande parte da cultura do Município. Santana, Santa Olímpia e Négri não fugiram à regra geral e ao que parece, o ciclo canavieiro se expandiu com rara felicidade por todas as terras municipais, trazendo ao homem que cuida da cana, novas e alentadas esperanças, maior tranqüilidade de trabalho e de vida.
A mecanização agrícola é fator preponderante no enriquecimento do homem do campo
piracicabano, hoje acompanhando de perto a arrancada do progresso e dos confortos materiais. Tem-se a impressão que o ciclo da cana se deu muito bem nos terrenos dos referidos bairros rurais, inclusive tem propiciado um crescimento excelente de moradias, de novas residências, de reformas subs tanciais nas antigas, enfim, há como que um sopro de felicidade pelos lados daqueles munícipes, que têm recebido,
inclusive, todas as atenções dos poderes públicos piracicabanos, cercando-os das obras necessárias à facilidade de vida.


A CULTURA TIROLESA


Graças aos trabalhos dos mais antigos moradores junto aos políticos da cidade (o nome bem mostra que foi assim: "Grupo Dr. Samuel de Castro Neves"), os unidos bairros puderam ver-se presenteados com a sua,primeira Escola Reunida, lá pelos idos de 1923, a família Jorge Vitti, da qual, meu saudoso pai foi o filho mais velho e o primeiro servente da escola, doou o terreno e arrebanhou mão de obra e material para a construção do prédio, um excelente edifício com 4 amplas salas de aula, dois escritórios para a diretoria, um grande pátio para os recreios.
Os filhos dos tiroleses começaram a ter contato com a cultura. Eu, Guilherme Vitti, Mario Vitti, Valter Vitti, Rubens Vitti, Dom Moacyr, bispo de Curitiba, Pe. Artur Vitti, e incontáveis descendentes, netos dos primeiros imigrantes que vieram de Trento, do Tirol. Foi na generosa escola que aprendemos as primeiras letras. Foi lá que tiveram início os meus sonhos. Foi lá que lá que tiveram início as carreiras de muitos que hoje militam em Piracicaba, contribuindo com a sua cultura, seu trabalho, seus conhecimentos para humanizar a vida da cidade.
Este que escreve estas notas, aprendeu no hoje Grupo Escolar "Dr. Samuel de Castro Neves", que iniciou sua atividade com o nome de "Escolas Reunidas de Santana". Quem diria que um dia, o filho do servente José Vitti, ocuparia o cargo de Diretor Geral da Secretaria da Câmara de Piracicaba; escreveria em Jornal da cidade; produziria 3 livros de poesias? 1 Quem cogitaria que 6 primeiro aluno matriculado na Escola Reunida de Santana, Guilherme Vitti, viria a ser o professor de Latim, o historiador do Município e da cidade, o Secretário de Administração da Prefeitura de Piracicaba, o vereador de Piracicaba, o escritor e jornalista de Piracicaba, uma rara inteligência a serviço da cultura piracicabana e nacional? Quem diria mque o mano Valter Vitti que ajudou a gente do sítio a apanhar café, algodão, capinar milho e arrancar
batatinha, iria ser o gerente das Casas Peruam, bucanas, depois o professor, e aposentar-se como Diretor mde Grupo Escolar? Quem diria que Rubens Vitti, que foi quase Padre, chegaria a ocupar o cargo de Diretor Geral da Secretaria da Câmara de Piracicaba, onde se aposentou? Quem diria que o menino Moacyr Vitti, brilharia na carreira sacerdotal e um dia chegaria a bispo de uma das capitais brasileiras, Curitiba? Quem diria que o mano Artur Vitti, o mais moço dos irmãos que frequentaram o seminário de padres, viria a ser vigário de uma Paróquia - Santa Edvirges - do Rio de Janeiro? Quem diria que Jair Vitti, humilde filho de
pedreiro, hoje brilharia como estrela de primeira grandeza no manejo musical, onde é perito no saxofone e que está agora procurando transmitir aos meninos a sua cultura musical e artística? Quem diria que centenas de jovens santanenses, banquistas e negrinos, estariam espalhados por ai, lecionando, trabalhando como técnicos industriais, dando aulas em estabelecimentos de ensino, desenvolvendo mil e uma atividades culturais, industriais, técnicas, religiosas, políticas, sociais e humanas?
Tudo, fruto da modesta escolinha plantada por Samuel Neves ao lado de meu pai. É claro que no relato sucinto que ai fica, há muita coisa ainda a acrescentar, do que pedimos escusas porque o espaço não comporta, e o elevado número de descendentes não mo permite.


SANTANA E O MUNICÍPIO


Se demorou muito aos moradores dos bairros, objeto deste estudo, um contato mais efetivo com a cidade, as obras públicas municipais entretanto não se fizeram esperar. Assim é que hoje eles contam com rede de água e esgoto, assistência tecnológica rural, modernos templos religiosos e melhoramentos de suas estradas. Ultimamente tem-se cogitado o asfaltamento das estradas vicinais que ligam os bairros a rodovias estaduais já asfaltada$, e a prefeitura, como um de seus últimos empreendimentos, tem levado à vila de Santana, o que deverá se estender a Santa Olímpia e Négri, o beneficio das guias e sarjetas. É a presença do Município, é a caracterização da importância que se dá àquelas comunidades progressistas participantes da vida, da história, da cultura, do engrandecimento de Piracicaba.
E graças ao trabalho do Prof. Guilherme Vitti, hoje está estabelecido um intercâmbio históricocultural entre os moradores de Santana, Santa Olímpia e Négri e os tiroleses de Trento, na Itália.
Numerosos munícipes daquelas comunidades já viajaram para as plagas trentinas em visita a parentes. O próprio professor Vitti foi premiado com uma viagem ao Tirol, mais precisamente, a Cortezano, onde vivem descendentes e parentes dos antepassados, o que vai enriquecer ainda mais a sua pesquisa e os seus conhecimentos sobre as tradições, fatos e pessoas trentinos, dando-lhe oportunidade para acrescentar muito neste relato, que por deficiências do autor, deixa de ser completo.



Lino Vitti "Príncipe dos poetas Piracicabanos"

sábado, 17 de abril de 2010

Canto à Virgem


CANTO À VIRGEM
Lino Vitti

Mãe da gente, mãe querida,
santa imagem de Maria,
porta de que vem a vida,
temos luz, fanal e guia.
Quando a dor chega a teus filhos
és remédio que alivia,
ao passar por ínvios trilhos
és farol, mãe cara e pia.
Mestra divina e bondosa
que ensina amor e oração,
tão suave como rosa,
tão perfeita como a mão.
O próprio Deus infinito,
na imagem do Bom Jesus,
nasceu de um seio bendito
- Mãe dolorosa da Cruz.
Nas horas tristes da vida,
nos momentos de alegria,
lembremos da Mãe querida,
querida Virgem Maria.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Hino à cidade de Mombuca


HINO À CIDADE DE MOMBUCA
Lino Vitti

(Participante em concurso promovido pela prefeitura
daquela cidade e município - Música do maestro Vicente
Gimenes)

És, Mombuca, em teu nome a abelhinha
- vivo exemplo de amor e trabalho -
do labor e progresso és rainha,
na alma tens solidez de carvalho.
Os teus filhos unidos em torno
de um feliz e sublime ideal
em si trazem qual épico adorno
da bravura o mais belo fanal.
Estribilho:
Neste canto, neste exemplo,
nestas ruas, neste chão,
nestes lares, neste templo,
pulsa o nosso coração.
Quando um dia bufando num berro,
pelo campo nos ares soou
o progresso da Estrada de Ferro
de Mombuca o destino traçou.
Mãos à obra, ao trabalho árduo e duro,
numa união de valores e amor,
vai, Mombuca, cumprir teu futuro
sob as bênçãos de teu protetor

Canto a Nossa Senhora do Cenáculo


CANTO A NOSSA SENHORA DO CENÁCULO
Lino Vitti

Virgem Santíssima do Cenáculo
Mãe soberana do Bom Jesus,
de nós afasta todo o obstáculo
guia-nos certos com tua luz.
Caminhos longos para trilharmos,
pedras e espinhos a nossos pés.
Dores e prantos quando encontrarmos,
alívios és sempre em qualquer revés.
Senhora Excelsa deste Cenáculo,
Amor e Vida vindos do Pai,
do mundo eu canto de Deus oráculo,
Mãe carinhosa por nós olhai.
Desde o surgir fetivo da aurora
ao vir sublime do pôr-do-sol
conosco fica, Nossa Senhora,
porque és eterno e doce arrebol.
E quando Deus levar-nos da vida
para o seu reino de Paz e Amor,
decerto à porta estarás, oh ! Mãe
para nos dar o eterno Esplendor.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Hino ao Município de Saltinho

HINO AO MUNICÍPIO DE SALTINHO
(Adotado pelo Município, com música do Maestro Vicente Gimenes)
Lino Vitti


Filho altivo de um nobre passado
és, Saltinho, uma rica promessa,
uma vida que em sonhos começa,
grande sonho afinal realizado.
Passos firmes buscando o futuro,
devaneio de gente feliz,
marco excelso, idealismo mais puro,
um pendão de esperanças gentis.
Eis à frente um caminho de lutas,
de trabalho, esforço e vontade.
Dos teus filhos porém é vaidade
conquistar a vitória impoluta.
O progresso, a grandeza, a cultura
são fanais do teu belo porvir.
Nos teus campos, da cana a cultura,
nos teus lares, o amor a sorrir.
O amanhã que te espera tem brilhos
de um aurora de encantos sonhados,
o astro-rei aquecendo os telhados
ilumina o valor de teus filhos.
Desse templo que se ergue na praça
descem bênçãos de luz divinal,
como um rio de crença e de graça,
saltinhense à vitória final.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Hino a Vila Rezende

(Matriz de Vila Rezende)

HINO A VILA REZENDE
Lino Vitti

És à margem direita do rio,
berço nobre de grande esplendor.
Chão primeiro a acolher o plantio
da semente de seu fundador.
Hoje és grande, és altiva, és airosa,
e os teus filhos te querem, oh! tanto!
Mesmo adulta prossegues formosa
a exibir o mais doce quebranto.
Estribilho
Feiticeira feliz na labuta
do trabalho, da fé, da justiça
a cumprir tua história impoluta
e a honradez da bigorna e do malho.
Na oficina e na escola se tecem
os valores humanos da vida.
A virtude e os amores florescem
como glória num sonho reunida.
Tem a Vila Rezende um tesouro,
nas manhãs e nas tardes douradas:
fica ouvindo das águas o coro
e do salto as endeixas magoadas.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Hino ao Município de Charqueada

HINO AO MUNICÍPIO DE CHARQUEADA
(Composição Musical de Guido Zanlorenzi)
Lino Vitti

Tendo a serra por berço azulado
e a cortina de um céu todo anil,
és, Charqueada, um sorriso encantado,
um pedaço de chão do Brasil.
Quando o sol, despontando, redoura
a paisagem, as ruas, a cruz,
põe um beijo de amor na lavoura
e no templo uma bênção de luz.


Estribilho:


Charqueada canta, canta o teu hino,
um convite ao teu povo feliz.
E cantem todos – o velho e o menino –
desde o mestre ao brioso aprendiz.
Vereadores, Prefeito, reunidos
numa luta de sonho e labor,
por seu povo estimado, aplaudidos
no progresso, nas lutas, no amor.
Que nos lares floresça a virtude,
que nos templos a fé seja um sol.
Haja sábia e feliz, juventude,
seja a escola um divino farol.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Hino à Padroeira da Música

À PADROEIRA DA MÚSICA ( I )
Lino Vitti

No milagre da música foste
a mensagem de acordes celestes.
Melodia de graça e candura,
anjo – mártir de cândidas vestes.
Como prêmio de teu sacrifício,
Deus te fez padroeira do som.
Ó Cecília, por nós ora a Deus,
a Deus Pai tão sublime e tão bom.
Eleva a Deus, Santa Cecília,
a tua música eternal.
E o nosso canto acolhe agora
leve – o a Jesus como um fanal.
Adornada de amor e de graças
és Cecília de Deus mensageira.
Com a música a Deus nos elaças,
pois da música és a santa padroeira.
Foste tão pura ó santa artista,
ao Senhor deste amor e vida.
Sendo de Deus assim benquista
sê protetora compadecida.
Vivo exemplo de raras virtudes
dá – nos força, ventura e vontade.
Também dá – nos nas vicissitudes
todo o amparo da tua bondade.

HINO À PADROEIRA DA MÚSICA ( II )


Cantam vozes humanas na terra,
cantam vozes divinas no espaço.
É a harmonia do mundo que encerra
a beleza do Amor no regaço.
De manhã canta a vida o arrebol
canta a tarde a saudade do dia,
vede a luz como um canto do sol,
vede o mundo que canta e porfia.
Cecília, estrela que se escuta
doce cantando no paraíso.
Assiste a nossa triste luta,
do céu nos manda o teu sorriso.
Uma luz musical no estelário
do infinito refulge sem par.
É Cecília padroeira da música,
aprendamos com ela a cantar.
Que os acordes dos mais belos hinos
sejam passos que levem ao céu.
Onde se ouvem harpejos divinos
que comovem o mais duro incréu.
Santa Padroeira da Harmonia,
Cecília amada do Senhor,
sobre este mundo haja a alegria,
do teu cantar feito de amor.

domingo, 11 de abril de 2010

Mini- Hino ao Jornal de Piracicaba

MINI-HINO AO “JORNAL DE PIRACICABA”
Letra Lino Vitti - Música Luis Ferreira Grosso

“Jornal de Piracicaba"
brilhante como um farol,
amor que jamais acaba,
eterno qual vivo sol.
Decano da nossa imprensa,
qual astro em soberbo céu
que a glória te seja imensa,
que venças todo o escarcéu.
“Jornal de Piracicaba”
cumprindo santa missão,
cacique és desta taba,
peroba és deste chão.
Amigo, sublime amigo,
de um povo forte e feliz.
“Jornal” quer dizer abrigo,
um sonho que se bendiz.

sábado, 10 de abril de 2010

Hino ao Município de São Pedro

HINO AO MUNICÍPIO DE SÃO PEDRO
(concorrente a concurso público movido pela prefeitura)
(Música de Jair Vitti)
Lino Vitti

Ao sopé vegetal e risonho
da beleza da serra a subir,
a cidade desperta do sonho
cada dia a buscar o porvir.
Recomeça São Pedro a batalha,
mais um passo fitando o futuro,
povo bom que caminha e trabalha,
céu azul, serra azul, ar tão puro.

Estribilho:

São Pedro, jóia da terra,
abençoada e feliz,
deitada em berço da serra
onde canta, ama e bendiz.
São Pedro como patrono
ocupa esse belo trono
que tem estirpe e raiz .
Neste chão, capital do bordado,
o poeta Gustavo floriu.
E a poesia do vate afamado
de beleza e de glória a vestiu.
Arte, encanto, saber e cultura
são motivos do amor são-pedrense,
onde a vida se apressa e se apura
de um destino que só a Deus pertence.

(Estribilho)

União, força, trabalho, esperança,
tudo unido a um profundo querer,
eis o lema que luz e que avança
tal o brilho de um alvorecer.
Oh! São Pedro, que sempre timbraste
em ser grande no amor, na amizade,
que a vitória se abrace e se engaste
Ao progresso, ao valor, à verdade.

(Estribilho)

HINO REVIVER


HINO REVIVER
(oferecido à Escola Aberta da 3ª idade do SESI -Musicado por Luis Ferreira Grosso)
Lino Vitti

Reviver é desejo de quantos
aqui buscam a luz do saber.
Nesta casa encontramos encantos
porque nela se quer reviver.
Muitos anos não são empecilhos
para quem muito anseia aprender.
Há no estudo os mais vívidos brilhos
quando o ideal é querer reviver.

Estribilho:

Vamos todos vida afora
cumprir sonhos e dever.
És, escola, nossa aurora,
nosso ideal de reviver.
É por isso que estarmos presentes
com vontade, ventura e prazer,
com amigos e com dirigentes
nesta escola feliz reviver.
Está sempre de braços abertos
para nos convidar e acolher.
Nos momentos difíceis e incertos
é preciso vencer, reviver.
(Estribilho)

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Homenagem

(Maria Cecília, Ivana e Lino Vitti - no lançamento do livro)

Lino Vitti, o Sonetista
Maria Cecília Machado Bonachella

(Prefácio do livro "Antes que as Estrelas brilhem")

Não existe contrapeso no prato para um exato equilíbrio em que o fiel da balança demarque algum outro potencial poético e de especialização vocabular no nível de Lino Vitti.
Piracicaba não pode prescindir – pois não teria sentido toda a poesia desta terra sem o nome do grande sonetista de altíssimo quilate - de legítimo e verossímil , tanto quanto trascendental e transtemporal , compositor- arquiteto da arte poética.
Infinita liberdade casa-se com a rígida vocação para a estrutura perfeita , equilibrada e estética. Por toda essa gama de qualidades, que só se conquista através do fazer e mais fazer, ao longo das folhas do tempo... o universo poético de Lino Vitti se alarga a cada soneto de quartetos melodiosos e tercetos bem fechados,
Ninguém pode exigir deste vate , ou propor a esta sumidade, honra e glória piracicabana, que nos aponte o que de melhor possa nos apresentar, numa auto-crítica minuciosa, mesmo que ele indique sua preferência por esse ou aquele soneto.
Sua poesia é carregada por um subjetivismo tal, que pode até deixar passar despercebida , ao leitor mais distraído, a grandiosidade iluminada, embora qual faceta ínfima de diamante lapidado , reflita intensamente, mesmo se achando por detrás do sentido exato do vocábulo , explodindo na conotação correta, na expressão magnífica , na apoteose esplendorosa.
Jamais notei em todo o universo de sua poesia, um deslize, uma “semi-intenção” , uma escorregadela técnica .
O estilo colhido por Lino Vitti – o soneto - requer a preciosidade das rimas . Em momento algum o poeta as vulgariza, pelo contrário , a leitura de seus versos só nos aperfeiçoa a busca da palavra figurada.
Diz António Feliciano de Castilho , que “os bons versos soltos são muito bons, os versos bem rimados são muito melhores” . Assim os sonetos vittianos : inigualáveis, todos !
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quinta-feira, 8 de abril de 2010

A PIRACICABA, MINHA TERRA - Epílogo

(Noiva da Colina - Desenho de Angelino Stella)

EPÍLOGO
(Capítulos finais)
Lino Vitti

E o século findou prenhe de grandes obras,
O estrépido dos trens com noturnas manobras,
as irmãs, o coreto, as bandas e as esco1as;
eleições, Presidente, intendentes, edis.
Mil novecentos veio e trouxe tantas novas,
tantas que nem sequer cabem em poucas trovas
ou num rol pobretão de rimas juvenis.
Por isso passo ao largo, apenas convidando
o leitor a pensar e contemplar pensando
na cidade de agora e a cidade de então.
A vontade, o trabalho, o esforço de seus filhos
seguindo, sem descanso, os mais diversos trilhos
da aventura, da fé e total dedicação!
Seguindo o exemplo dado aos pósteros como eles
Namorados do bem, da labuta daqueles
que na história da terra eram os povoadores.
Como aqueles também hoje em dia se luta
para que a terra seja essa coisa batuta
- um pedaço de chão cercado de esplendores.
Como a deles a vida há de seguir cantando,
o pessimismo atroz daqui sempre expulsando
tendo em mira construir sociedade especial.
O burgo nos deixou o exemplo dos maiores,
o exemplo de um viver de beleza e suores,
na concretização do maior ideal.
Se o velho Capitão Povoador ressurgisse
e com olhos reais Piracicaba visse
“cheia de encanto e flor” como a cantou o poeta (Newton de Mello)
choraria de susto e de alegria imensa
por ver a seu labor tamanha recompensa,
por ver que vã não fora a busca dessa meta.
Veria a povoação feita cidade grande,
metrópole quiçá que progride e se expande,
de vila a freguesia, em cidade afinal.
Veria o Padroeiro abençoando as raças,
a rede, em profusão, de avenidas e praças,
ou cada ocupação bravo profissional.

Veria que a capela outrora tão catita
seria catedral, vistosa, ampla e bonita,
multidões de fiéis a cantar e a rezar.
E veria decerto os seus filhos dispersos,
espalhados aquém e em países diversos,
as ciências e o trabalho em dose cavalar.
Veria que a campina antes improdutiva
ora se transformou nessa lavoura viva
de canaviais ciciando à brisa mensageira.
Veria apendoar os milharais verdoengos
Os louros arrozais mexendo ao vento em dengos
de moça sensual em longa quebradeira.
Veria o picadão que o bandeirante ousado
em meio à mata abriu com braço denodado
feito via que vai ligando extremo a extremo.
A larga fita negra estendida no asfalto
que leva o cidadão, num minuto, de um salto,
ao impulso veloz como em dorso de um demo.
Veria muito mais. Veria o burro, o trole,
o cavalo, a carroça, a fornalha da fole,
toda essa cacaria, essa curiosa tralha,
o burro e o cavalo em motores transfeitos,
os carroções de boi em caminhões perfeitos,
veria o forno de aço em lugar da fornalha.
A escolinha singela envolvida em saudade
veria agora ser alta universidade,
que o humilde professor virara catedrático;
que o passo do povoado a subir lento os montes
fez-se marcha a buscar os largos horizontes;
que o teórico virou rapidamente prático.
Que a enxada gemedora e atônita da roça
da mão do lavrador desajeitada e grossa
virou tudo trator de uma lavoura extensa.
Machado e foice são serra motorizada
que avança com furor na árvore apavorada
em minutos destrói matarias imensas.
Veria, no entretanto, infeliz, que o seu rio
por força da injustiça e humano desvario
sucumbira ao fragor do insólito progresso.
Vê-lo-ia poluído, agonizante e feio,
Podendo-o comparar, sem mínimo receio,
Ao escorrer do pus de fétido abcesso.

O salto nem sequer lhe lembraria aquele
Que cortou-lhe o caminho e o fez escravo dele
Chamando-lhe atenção a “beleza sem par”. (O. Bilac)
Choraria de dor, de desesperos loucos,
Frente a todos que estão esquecidos e moucos,
E a tragédia não vêem do rio a se findar.
Foi ele que atraiu um dia o bandeirante
Com a sua largura e um salto tão pujante,
Com tanta limpidez de suas águas claras.
O homem enamorou-se e o rio, agradecido,
Deixou o Povoador na beleza envolvido
Parando ao pé do salto os barcos e as igaras.
Ficaram, desde então, unidos num só sonho
prometendo ao local um futuro risonho
que a vida, muita vez, consegue destruir.
E aquilo que então fora uma promessa linda
desfeita estava agora, agora estava finda,
estava sepultado um glorioso porvir.
O rio já sucumbe à imundície assassina,
conspurcaram o véu da Noiva da Colina,
preconiza-se a morte e esta, em breve, virá.
É bom que o Capitão desfaça-se do sonho
antes do que assistir a esse quadro medonho
que logo e fatalmente o rio nos será.
Cala-te, minha pena, eu te suplico e imploro
porque a terra que eu amo, a terra que eu adoro,
perdeu o rio que era a vida e o seu valor.
Não mais resisto ao pranto, choro convulsionado
se rola, em mortandade, o peixe trucidado
ao tóxico poder de um mundo matador.
A máquina quebrou, a tecla já não bate,
eu me sinto vencido, enfim, neste combate
e o cansaço me aflora à tona da epiderme.
Quem mais quiser saber da história aqui contada
compulse o Manual de História, escrevinhada
pela alma cidadã do Professor Guilherme.
* * *

quarta-feira, 7 de abril de 2010

A PIRACICABA, MINHA TERRA - A AGRONOMIA


A AGRONOMIA
(Cap. XXXVII)
Lino Vitti


E um dia um cidadão de ideal acalentado
Teve um sonho sem par há muito acalentado
Concretizando-o após para susto geral,
Na fazenda São João da Montanha, instalando
Essa que iria ser – o fato formidando,
- a concretização de seu magno ideal.
Uma escola em que o campo e sua agricultura
falasse bem de perto às ciências e a cultura,
Levasse para o mundo o valor de seus filhos.
A “Luiz de Queiroz”, de fato hoje um portento,
Um pináculo audaz, eterno monumento,
Pelo mundo estendendo seu valor e brilho.
O patrício, o estrangeiro ali fazem seu ninho
Nele encontrando o mais devotado carinho
Dos mestres que lhes dão estudo e profissão.
É Luiz de Queiroz pioneiro destemido,
Jamais o alcançarão os pesares do olvido,
Os desejos malsãos jamais o alcançarão.
O ensino, a ciência, a fama em torno de tal astro
Desvendando ao porvir maravilhoso rastro,
Apontam ao futuro a força da lavoura.
É como se um titã repleta a mão de sonhos,
Se pusesse a espargir pelos campos risonhos
Sementes imortais que doce sol redoura.
Por séculos afora os milagres de agrônomos
Todos os anos vão, preparados e autônomos,
Povoar com seu saber os campos do Brasil.
A Luiz de Queiroz nosso muito obrigado
por quanto a Escola fez de grande e renomado,
Por quem seguiu, após, teu sonho varonil.

A PIRACICABA, MINHA TERRA - Os Frades

OS FRADES
(Cap. XXXVII)
Lino Vitti


Não há núcleo, não há fundação da cidade
onde falte a figura exótica do frade
debaixo da humildade exata do burel.
É o padre, o sacerdote, o ministro de Deus,
levando para o céu os paroquianos seus,
livrando o pecador das garras de Lusbel.
E a sotaina marrom veio a Piracicaba
e sobre o mundo e o tempo um dilúvio desaba
de fé, de religião, caridade e esperança.
O povo citadino e o povo sertanejo
sentiram, bem-estar e sólido desejo
de servir ao Senhor; de servi-lo não cansa.
Surgiu em cada sítio em cada rincão nobre
a igrejinha rural com seu aspecto pobre
mas rica de entusiasmo e amor à sua Fé.
Ainda hoje é comum ver no topo de um monte
a capela e a entestar na linha do horizonte
nos diz que a religião frondeja e está de pé.
Quem ia consolar em casa o moribundo
levando-lhe com todo o respeito profundo
Cristo na comunhão, no passo para a morte?
Era o bom capuchinho, o frade sorridente
que jamais se negou a auxiliar o doente
dando-lhe desta vida o último passaporte.
E a memória registra os feitos capuchinhos,
feitos imemoriais, enfrentando sozinhos
o sol, os temporais, a escuridão da noite,
muitas vezes ao léu das chuvas, encharcados,
outras fazendo a pé caminhos estropiados,
quase sempre não tendo onde fazer pernoite.
Com ajuda dos mais, com célicas manobras,
deixaram-nos aí magníficas obras
na alma e no coração da cidade a crescer.
Missionários do amor, peregrinos gigantes,
seus feitos ficarão eternos, cintilantes,
para que as gerações não se cansem de ver.

A PIRACICABA, MINHA TERRA - Em disparada


“EM DISPARADA”
(Cap. XXXVII)
Lino Vitti

E como, meu leitor, o poema vai longo
e já merecedor de buzinada ou gongo
correrei tal qual fez o nobre historiador.
Escreverei que foi o século tão cheio
de vitórias totais que fico com receio
de deixar para trás adventos de valor.
Não direi que houve até turismo gatinhando,
novas escolas vêm às outras se juntando,
empresas comerciais em profusão gostosa.
E nem revelarei que o correio chegara
qual coisa necessária e extremamente rara
já que a correspondência era bem numerosa.
Calarei, por respeito, a vinda da cadeia
que falar de prisão eu acho coisa feia
Vez que a todos o crime entristece e anuvia.
Deixarei de escrever sobre templos e igrejas,
nem preciso dizer das coisas benfazejas
plantadores que são da fé que salva e cria.
Nem descrever preciso a chegada da imprensa
tão gloriosa e imortal eu lhe vejo a presença,
tão fantástica eu vejo a história dos jornais.
A imprensa a história faz, seja bela ou sinistra,
é a imprensa a vigilar que tudo nos registra
e lega e imortaliza os fatos atuais.
Deixo aqui, como prova especial de respeito,
aos jornais desta terra o mais profundo preito
de amor, de gratidão, de amizade e carinho.
Para quem nela crê, para quem nela lida,
a imprensa é qual banquete, é célica comida,
atraente e teimosa, igual bacante vinho.
Envolto nessa teia iluminada e viva
o jornalista tem na imprensa a alma cativa,
tem manhas divinais do polvo de GIILIAT. (Vitor Hugo)
E quanto mais o suga e quanto mais o fere
a vítima se agarra e mais profundo adere
e nunca mais, a imprensa, o pobre deixará.

O gênio que a inventou e que hoje ainda se ergue
nas luzes do passado - o imortal Gutemberg -
reverencio agora e lhe rendo a homenagem.
Que receba de nós - gerações que caminham -
que ao longo do viver as forças não definham
dizendo-lhe que a imprensa é doce vassalagem.
Dizendo-lhe que ela é qual ave peregrina
- condor que o ninho fez no topo da colina -
onde Piracicaba ergueu-se e prosperou.
O “Jornal”, o “Diário”, a “Tribuna”, trindade
Para mostrar ao mundo, à plena saciedade,
Que a imprensa aqui floresce e aqui se alcandorou.
Foi ela, unida à Escola em sólida simbiose,
Dos tempos através que nos deu farta dose
De poetas gentis, de gentis escritores,
Jogando com a rima em folguedos diversos,
Da poesia tecendo os colares de versos,
Brinquedos de cristal de jovens sonhadores.
Na cidade se canta em líricos poemas,
O roceiro compõem em versos seus dilemas
Temperando de amor trovas sentimentais.
É pródiga, auroral, dos livros a colheita
Dando a impressão que em cada esquina nos espreita
Um poeta a compor sonetos tropicais.
Não falta nesse rol de amantes da poesia
a seresta com toda a sua fantasia,
com violas e violões, pandeiros e violinos.
Romântico, o luar, se põe a ouvir de cima
a terrestre canção onde floresce a rima
em versos a chorar impossíveis destinos.
Novidade a seguir os ventos do progresso
da seresta, depois, se deu brilhante ingresso
com todo seu cartaz, a banda musical.
Foi concretização de um intenso desejo.
foi festa a não poder, foi o maior ensejo
de propiciar ao povo um grande festival.
E, a tempo, ainda chega a ferrovia, a linha,
a Maria-fumaça impôs-se qual rainha,
com gare, a demonstrar alcantilado status.
E a cada vir de trem os ares apitavam,
cada vez de partir as caldeiras bufavam
reboando muito além nos recantos pacatos.

O povaréu vibrava em sibilantes gritos,
o vapor estrilante assobiava apitos
e o ferro contra ferro era um surdo rumor.
O piracicabano engolfou-se em viagens
para outros centros ia atolado em bagagens,
querendo conhecer o mundo com furor.
Única mancha negra a envergonhar-nos era
a escravatura atroz em compasso de espera
pois liberdade havia lampejando ao redor.
Depois de tantos choro e lágrimas frementes
floriram, certo dia, as risonhas sementes,
a escravidão sorriu em lídimo esplendor.
O escravo viu cair as terríveis argolas
e pôde freqüentar as públicas escolas,
tomar-se cidadão, viver a própria vida.
A esperança de ser afinal também livre,
de poder saborear a pinga com gengibre
concretizou-se enfim, em risos convertida.
“Ave, libertas” - viva a liberdade - disse
a “Gazeta” de então, expressa de meiguice,
com que o jornal saudou o fim da escravidão.
E o braço escravo foi nova força e potência,
melhora o trabalhar sem chula prepotência
do chicote feroz que brandia o patrão.
Depois da escravidão outra importante data
veio ferir do povo a quietude pacata,
mexer no sentimento e na vidinha pública.
A notícia festiva e altamente política
sem ter contestação, sem polêmica ou crítica,
foi a Proclamação da Primeira República.
E foi Piracicaba, exatamente a nossa
que já sentia em si rajadas dessa bossa
que cedeu o civil primeiro Presidente.
Os nossos cidadãos ciosos da liberdade,
puseram-se à vanguarda em favor da cidade
dando vazão à fé no governo nascente.
Gloriosa primazia e especial deferência,
Prudente de Moraes galgando a Presidência,
um filho cultural desta Piracicaba.
Honra insigne, decerto, a orgulhar este solo,
pois foi quem o embalou em seu cívico colo,
foi índio deste mato e pagé desta taba.

Não há como deixar neste curto resumo
cuja pobre autoria, ousadamente, assumo
o nome dos mortais ilustres desta história.
São muitos, grandes são, falta fôlego e engenho
para contar aqui o seu cívico empenho,
para um pouco mostrar de sua eterna glória.
Reporte-se o leitor ao Manual do mano
para certo saber o piracicabano
nome que dignifica o rol desses ilustres.
Política é uma escada arrojada e comprida,
esses homens talvez (a imagem não tem vida)
o mesmo apoio dão que à escada os balaustres.
Que glória para nós termo-los no Congresso
onde, só homens de bem deviam ter acesso!
Tivemo-los, eu sei, empenhados e justos.
Intendente, prefeito, alcaide, executivo
é tudo uma só coisa - o pensamento vivo,
o deflagrar de ideais valorosos e augustos.

PRÍNCIPE DOS POETAS DE PIRACICABA

CURRICULUM VITAE
( Síntese de Vida)
NOME – Lino Vitti
IDADE – 08/02/1920
ESTADO CIVIL – Casado, em únicas núpcias, há 56 anos, com a Professora Dorayrthes Silber Schmidt Vitti
FILIAÇÃO – José e Angelina Vitti
NATURALIDADE – Piracicaba, Estado de São Paulo –Brasil
Bairro Santana , Distrito de Vila Rezende
VIDA FAMILIAR
Casamento Civil e Religioso em comunhão de bens, Pai de sete filhos: Ângela Antónia, Dorinha Miriam, Rosa Maria, Fabíola , Lina, Rita de Cássia, Eustáquio.
VIDA PROFISSIONAL
Aposentado como Diretor Administrativo da Câmara de Vereadores de Piracicaba, e como Redator do “Jornal de Piracicaba”. Exerceu atividades no comércio, no Magistério, na lavoura até os l3 anos, na municipalidade local, como bibliotecário, lançador de impostos, protocolista, Secretário Municipal.

VIDA CULTURAL
ESCOLA PRIMÁRIA –
Grupo Escolar “Dr. Samuel de Castro Neves”, Santana, seminarista vocacional ao sacerdócio por seis anos, no Colégio Santa Cruz, da cidade de Rio Claro (SP), onde cursou humanidades, línguas, religião, ciências, matemáticas, música.
CURSOS –
Formou-se Técnico em Contabilidade, lecionou latim, francês, datilografia.

VIDA RELIGIOSA
Católico, Apostólico, Romano, fez curso de religião em seminário dos Padres Estigmatinos, foi organista da Catedral e da Igreja de São Benedito, de Piracicaba, e Congregado Mariano.
VIDA LITERÁRIA
Bafejado por ensinamentos de sábios sacerdotes em colégio de formação religiosa, recebeu extraordinário acervo literário que lhe propiciou enveredar pelo caminho da poesia, da crônica, dos contos, do jornalismo, havendo editado de l959 a 200l sete livros de poesias e contos, com edições em milheiros de volumes, os quais estão aí para satisfazer o gosto daqueles que apreciam a arte literária.
São seus livros : “Abre-te, Sésamo”, l959; “Alma Desnuda”, l988; “A Piracicaba, Minha Terra”, l99l; “Sinfonia Poética”, de parceria com o poeta Frei Timóteo de Porangaba; “Plantando Contos, Colhendo Rimas”, l992; “Sonetos Mais Amados”, l996 e “Antes que as Estrelas brilhem”, 200l. O poeta conta ainda com o prazer de haver composto hinos para diversos municípios, bairros rurais, entidades sociais diversas, continuando a colaborar ainda, após os 83 anos em colunas literárias e com artigos de ordem geral em jornais da terra.
Faz parte da Academia Piracicabana de Letras que lhe outorgou o título honorífico de “PRÍNCIPE DOS POETAS DE PIRACICABA’.
Foi-lhe concedida Pelo Município de Piracicaba, através de sua Secretaria da Ação Cultural, a MEDALHA DE MÉRITO CULTURAL, “ Prof. OLÊNIO DE ARRUDA VEIGA’; é detentor do TROFÉU IMPRENSA, concedido pelo Lions Clube de Piracicaba, centro, e da MEDALHA ITALIANA, concedida pelo governo italiano de Benito Mussolini aos alunos de escolas e seminários de origem daquele país que tivessem se destacado em redação de trabalhos literários escritos na língua de Dante.
O Município de Saltinho, para o qual contribuiu com o Hino dessa comunidade municipal , conferiu-lhe o título de “Cidadão Saltinhense”.

DISCURSO

Por ocasião do lançamento do livro de poesias “Antes que as estrelas brilhem “, pelo poeta Lino Vitti foi proferido o seguinte discursos:

Exmo. Sr. Heitor Gauadenci Jr. dd Secretário da Ação Cultural

Exmo. sr. António Osvaldo Storel. dd. Presidente da Câmara de

Vereadores de Piracicaba

Exmo.sr. Moacyr Camponez do Brasil Sobrinho, dd. Presidente do Instituto Histórico e Geográfico

Exmo,. sr. Henrique Cocenza, dd. Presidente da Academia Piracicabana de Letras

Exmo.. Sr. Ésio Pezzato , anfitrião desta solenidade

Senhoras e Senhores

Pela sétima vez (graças a Deus) em minha vida lítero-poética vejo-me guindado a uma tribuna improvisada (o que é bom porque torna o fato mais popular), para proferir um discurso de agradecimento, ao lado da oferta de um novo livro de versos. É teimosia essa de poetas em desovar sua produção para que mais gente participe de suas tiradas, muitas vezes fora de forma e de ambiente, mas que o poeta não vê porque , ao editar um novo livro está cego pela emoção , como se fosse a vez primeira. Está aí o Ésio Pezzato, responsável por mais esta minha invasão no mundo das letras poéticas, para dizer se não é assim. Para dizer se não sofre também dessa doença feliz de editar livros e mais livros a ponto de perder a conta, já que a esta altura ele não sabe se já está no décimo ou décimo primeiro. E ainda continua batendo dedos de métrica, sabemos lá por quantos anos ainda !

Tenho um ex-colega de seminário, prof. Hildebrando André, aposentado como professor universitário e com o qual mantenho longa e pródiga correspondência, que não se cansa de enaltecer a felicidade de Piracicaba contar com tantos poetas e poetisas. Tem razão ele, pois se apenas dois deles já conseguiram editar l8 livros de poesia, imagine-se as centenas que seriam necessárias para dar um pouco de vazão a essa raridade intelectual que toma conta da minha terra!

Este meu livro vem à lume por obra e arte do prefeito José Machado , seu Secretário da Ação Cultural e de seu zeloso servidor Ésio Pezzato que se entusiasmaram diante da recitação de diversos poemas meus por um grupo de jograis, alunos da UNIMEP, e impressionados decidiram patrocinar a publicação deste livro, pois entenderam que Piracicaba poética merecia conhecer em mais profundidade o seu príncipe da poesia. E aí está, lindo e impecável, entregue às mãos do povo de Piracicaba, que indistintamente de cor, estudos, intelectualização , posses financeiras, categoria de trabalho, com religião ou agnóstico, jovem ou adulto, roceiro ou citadino, aí está, para quiçá, momentos de lazer e sonho. Sonho , sim, porque a poesia é terrivelmente sonhativa , vive no mundo da fantasia, alicerça-se nas bases da emoção e brota do âmago mais profundo do poeta, e para que as filhas de Eva não reclamem, da poetisa também.

Alguém me perguntará? Como é ser poeta? Juro, nunca pensei nisso. Acho que ninguém consegue ser poeta. Já é. Nasce feito, como dizem.

não é verdade Maria Cecilia, Ivana Maria, Ésio Pezzato , Prata Gregolim, Marina Rolim, Valter Vitti, Mario Pires, Saconi, e tutti quanti enfeitam com seus lindos versos as páginas do “ Jornal de Piracicaba, ou da “Tribuna Piracicabana , e assim também esse cacho imenso de livros poéticos que quase semanalmente são dados ao conhecimento e sentimento público de nossa terra ? Tornando-se um privilégio de uma cidade, como disse alhures o supra citado meu colega seminarístico Hildebrando André. ?

Não se suponha que para ser poeta é preciso ter nascido em berço de ouro ou em centros intelectuais de enorme repercussão. Nada disso. Tenho um soneto que define bem esse fato. É assim: “Eu não sou o poeta dos salões / de ondeante, basta e negra cabeleira] não me hás de ver nos olhos alusões / de vigílias, de dor e de canseiras. // Não trago o pensamento em convulsões,/ de candentes imagens, a fogueira. / não sou o gênio que talvez supões/ e não levo acadêmica bandeira.// Distribuo os meus versos em moedas/ que pouco a pouco na tua alma hospedas / - raros , como as esmolas de quem passa. / Mas hei de me sentir feliz um dia/ quando vier alguém render-me graça/ por o fazer ricaço de poesia. // “ . Poetas e poetisas saem do nada , devem trazer o selo ou o bilhete de entrada nesse reino encantado desde o útero materno, embora ouse eu afirmar que a vida é também uma grande mestra , as influências da mentalidade circunvizinha,

o próprio meio ambiente, podem , em circunstâncias outras , plasmar um poeta .

Eu fui plasmado , por exemplo, por entre maravilhas campestres. A roça ou o campo são fantásticos criadores de poesia. Ela anda atapetando por todos os cantos a natureza, as gentes, os animais, os atos e fatos. e a cabeça daqueles com quem ela convive. E o poeta, criador por excelência, se abebera de todas as belezas esparsas pelas colinas, serras, vales e descampados , para transformar tudo em versos e rimas, ou em versos simplesmente, onde pululam , como cabritos silvestres, as figuras literárias, os tropos, as sínteses, as comparações, e todos os anseios que lhe vão no imo da alma. Para satisfação própria e para satisfação dos que convivem com o poeta. E´ por isso que se botardes olhos curiosos sobre meus poemas havereis de tropeçar a todo o momento com um motivo roceiro, pois trago uma alma plasmada pelas belezas rurais de Santana, Santa Olímpia , Fazenda Negri, e especialmente por aquela colina encimada ,no cocuruto, pelo prédio do grupo escolar, onde aprendi a ler e escrever e a poetar.

Peço desculpas por haver-me prolongado um pouco nestas elucubrações poéticas, desobedecendo aos conselhos do amigo Ésio que continua exigindo de mim discursos improvisados, o que seria tão para os ouvintes , que ansiosamente aguardam o momento de bater palmas acabando assim com a verborragia oratória.

Não posso entretanto encerrar esta breve alocução sem deixar consignados meus agradecimentos do fundo do coração ao prefeito José Machado ,ao seu Secretário da Ação Cultural Heitor Gaudenci Junior, ao seu sub-secretário poeta Ésio Pezzato, ao prefaciador Moacyr de Oliveira Camponez do Brasil sobrinho, aos queridos opinadores Maria Cecília Bonachella, Maria Ivana França de Negri, exímias poetisas, prof. Elias Salum e a minha filha Universitária Fabíola Vitti Moro, pela maravilhosa capa, Editores e toda equipe de funcionários , à minha esposa pela sugestão transmitida ao prefeito com relação ao advento desta obra, aos digitadores Nair , minha nora e neto Leonardo, e outros que possa ter esquecido, como é fácil em cachola idosa, - meus agradecimentos repito, pela reunião de esforços e trabalho que tornaram possível o advento de mais um livro de minha lavra.

Obrigado “ em geralmente” como dizem nossos cururueiros, aos que ilustraram com sua arte musical esta solenidade e assim também a todos quantos acharam um tempinho para vir prestigiar-me nesta tarefa de cultura e arte. Levem a certeza de que nada mais desejo do que engrandecer com minha poesia a terra que me viu nascer, a terra que me viu crescer, a terra que me proporcionou oportunidade para chegar a um cargo tão nobre quão dignificante de “Príncipe dos Poetas de Piracicaba”

Meu carinhoso obrigado também aos meios de comunicação, de modo especial “Jornal de Piracicaba”, na pessoa de seu Editor Chefe Joacyr Cury , de “A Tribuna Piracicabana”, na de seu diretor Evaldo Vicente, pela divulgação caprichosa deste evento que afinal nada mais é do que mais uma demonstração da exuberância cultural da Noiva da Colina.

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